O DNA do professor ou perfil profissional?

O DNA do professor ou perfil profissional?

Gilda Lück 

Fonte: Profissão Mestre

Desenvolver as habilidades para estruturar um pensamento lógico é hoje um dos caminhos mais importantes para se adquirir competência de um profissional, professor. Porém, a competência de interagir com os alunos ainda é fundamental. E você tem de fazê-lo a cada dia.

Seu aluno está novamente aéreo e distraído, brinca com o material da carteira, conversa, possui uma atitude de quem nem reconhece que está em uma sala de aula. Parece que está desafiando você outra vez. Você pára por um momento, consulta seu manual sobre estudantes indiferentes e indisciplinados e resolve rapidamente… Quê! Isso existe? Acorda desse sonho!

Você sabe que não há nenhum manual! Você nunca recebeu um! Como um aluno na universidade ou nos cursos de pós, mestrado ou até mesmo nas diversas palestras e seminários que participou. Você sente-se frustrado com a visão momentânea de que está perdendo o controle da situação. Você gostaria muito de saber por que as “receitinhas de bolo” ou as idéias mirabolantes deste ou daquele educador-escritor, muitas vezes, não funcionam. Motivar o processo de aprendizado é antes de tudo um trabalho de resistência e persistência.

Como você reage a seus problemas com os alunos é importante. Como você responde a eles ou interage com sua classe ou individualmente é seu estilo profissional. Não há nada bom ou ruim, certo ou errado, simplesmente é uma maneira de trabalhar. Mas, que estilo você usará em sua próxima aula? Será realmente um estilo ou é uma questão de perfil?

Como desenvolver o perfil de um profissional de educação? Será que se nasce professor? Muitos autores afirmam que é uma questão de inteligência interpessoal. A competência de comunicar-se, de ter um processo de empatia, de compreender e conhecer tão bem os seres humanos com quem atua, que sempre consiga tirar deles o melhor. Se nos basearmos nisso poderemos dizer que todo educador deve ter sua inteligência interpessoal bem desenvolvida.

Ora, a habilidade de comunicação, que é uma das aptidões dessa inteligência, faz parte do contexto de desenvolvimento do ser humano. Poderíamos dizer que é uma competência básica. A forma como nos comunicamos é determinante para o sucesso ou fracasso de uma empreitada, porque é a capacidade de comunicar adequadamente que pode definir nosso êxito profissional e pessoal. É por isso que saber exercitar a arte de comunicar já não é mais uma questão de opção, é um imperativo de sobrevivência em um cenário tão competitivo como o contemporâneo.

Muitos autores defendem a idéia de que a inteligência interpessoal é uma questão de DNA – ou a pessoa tem ou não tem. Por outro lado, acreditamos que esta é uma inteligência fundamental ao professor. No mundo em que vivemos, desprovido de paz e tranqüilidade e dominado pela fadiga e tensão, não é fácil levar uma vida com qualidade. Tradicionalmente, os conflitos eram tidos como um mal a evitar, mas essa visão já está ultrapassada. As idéias inovadoras são, quase sempre, conseqüência de pontos de vista conflituosos partilhados e discutidos abertamente.

Conflitos fazendo parte da vida não significa necessariamente que sejam processos destrutivos. Acessar a aptidão de negociação e a assertividade pode significar atingir o sucesso pessoal e fazer com que as coisas aconteçam. E qual o professor que não precisa desenvolver essa competência?

Gilda Lück, assessora pedagógica do grupo Dom Bosco, é mestre em Educação pelo Lesley College (EUA) e doutora em Engenharia da Produção.

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