Cristianismo de consumo

CHAMADA DA MEIA NOITE

O que quero dizer com cristianismo de consumo? Em termos gerais, é qualquer tentativa de construir o Reino de Deus ou edificar o cristão individual (ou atrair o convertido potencial ao cristianismo) por meios e métodos que apelam à carne – ou seja, o coração enganoso e egoísta do homem. O começo de tal cristianismo consumista foi no jardim do Éden quando Satanás manipulou Eva para que desobedecesse a Deus, deixando que ela cresse, no entanto, que estava aperfeiçoando a si mesma (Gn 3.1-6).

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Um trocadilho para Deus

Cristianismo velho em um mundo novo ou mundo velho em um cristianismo novo?

por Valmir Nascimento

Charles Colson referindo-se à igreja da atualidade disse que “o inimigo está entre nós. Ele se infiltrou de tal modo em nossas linhas que muitos simplesmente já não conseguem distinguir entre o amigo e o inimigo, entre a verdade e a heresia”.

Hank Hanegraaf chamou isso de “um câncer que está devorando a Igreja”. Este câncer vem sendo alimentado por uma constante dieta que poderia ser chamada de “cristianismo das refeições rápidas” – belas na aparência, mas fracas em substância.

Dave Hunt denominou esse fato de efeito “cavalo de Tróia”. Segundo ele nem mesmo os mais importantes estudiosos das seitas têm conseguido reconhecer o cavalo de Tróia que penetrou na Igreja e em suas próprias fileiras e as está seduzindo por dentro.”

Inimigos em nossas linhas, câncer em expansão ou cavalo de Tróia são expressões que descrevem a situação da igreja atual, a qual tem deixado idéias do “mundo novo” adentrarem-se além das portas do “cristianismo velho”, efetuando mutações prejudiciais nos alicerces dos fundamentos cristãos e nas bases da fé evangélica; formando assim o que se pode chamar de “mundo velho” dentro de um “cristianismo novo”. Um trocadilho irônico, porém realista. Um jogo de palavras aparentemente imbecil, entretanto, condizente com os fatos contemporâneos.

Não se trata de uma simples brincadeira de vocábulos ou uma dança de sílabas no estilo “tal biscoito vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Pelo contrário, refere-se a uma perquirição de elevada importância fazendo-nos refletir acerca da situação do cristianismo frente o mundo moderno.

De volta para o passado
Passados mais de dois mil anos o cristianismo têm conseguido reter os fundamentos estabelecidos pelo Senhor? Em pleno século XXI a igreja moderna têm persistido na doutrina dos apóstolo? A igreja tem influenciado o mundo, ou o mundo tem influenciado a igreja? Esses são os questionamento oriundos do trocadilho em evidência.

Uma rápida olhadela no túnel do tempo é suficiente para notarmos que definitivamente muita coisa mudou desde que Cristo deixou as marcas das suas alparcas pelo chão empoeirado da Palestina. Muita diferença existe daquele contexto em que Paulo iniciou a pregação do evangelho mundo afora.

Para comprovar, retornemos ao tempo dos Apóstolos, especificamente no contexto de Atos 11:26: “E sudeceu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”.

O texto bíblico faz referência à primeira vez que o nome cristão é utilizado, o qual é atribuído aos que seguiam as doutrinas de Cristo; àqueles que eram discípulos do Carpinteiro que transformou vidas, efetuou milagres e padeceu sobre a cruz.

Naquela época seguir o Filho de Deus e fazer parte do grupo dos cristãos não era a melhor opção em termos sociais. Quando alguém se dizia cristão é como se gritasse aos quatro ventos: “Aceitei a Jesus, que venham as perseguições, a fome ou a espada. Para Cristo vivo e por Ele morro”. Tinham a plena convicção de que haviam escolhido o caminho estreito e que haveriam de passar por dificuldades e enfrentar perseguições, por amor ao nome de Cristo.

De olho no presente
O tempo passou, a perseguição se foi (não completamente, é claro) e o cristianismo aumentou. Agora, ser cristão evangélico está na moda! Abra qualquer revista semanal e comprovarás o que digo. Atualmente, já perdi a conta de quantos matérias já foram publicadas sobre a “fé evangélica”. A exemplo das máquinas fotográficas e dos celulares digitais, ser gospel está em voga: A cada dia surge uma nova denominação, templos abertos, fiéis arrebanhados.

Graças damos a Deus pela obra redentora que têm efetuado nos tempos modernos. A conversão e transformação de pessoas que outrora não tinham a mínima intenção de conhecerem a Cristo, agora, rendem-se aos seus pés. Vislumbra-se, então, o cumprimento das profecias bíblicas. O inicio do fim.

No entanto, a evolução do cristianismo tem intensificado também o número de cristãos nominais. Pessoas que são levadas pela onda e arrebatadas pela emoção passageira. Surgindo, assim, cristãos que não sabem o valor de Cristo; não compreendem os valores do Reino e ignoram as escrituras sagradas. Pensam que epístolas eram as esposas dos apóstolos; que Raiz da Tribo de Jessé serve para fazer chá, e Leão da Tribo de Judá é uma espécie de felino.

Cristãos que buscam vitória ao invés de santificação; bênçãos em detrimento de oração; prosperidade no lugar de humildade; movimentos à avivamento; superficialidade à consistência; shows ao invés de adoração. Pensam que igreja é ponto de encontro e que culto é evento social.

Na liderança aparecem novos profetas-ungidos-visionários: Administradores de igreja, no lugar de pastores de ovelhas. Gerentes eclesiásticos, ao invés de servidores do próximo. Componentes de organizações ao invés de membros de um organismo. Personal Trainner Espiritual ao invés de ministros do evangelho. Gostam de números, não de vidas. Amam o status, não as almas.

Observa-se continuamente o surgimento de Igrejas, ditas cristãs, que defendem o aborto, fazem apologia ao homossexualismo ou reivindicam um cristo cósmico e de sexualidade duvidosa. Pregam um Deus complacente com os erros e fora dos padrões bíblicos. Reivindicam bênçãos e prosperidade. Requerem dinheiro, carros e mansões.

Nesse contexto atual, ainda, muitos lideres enveredaram-se pelos caminhos das estratégias de mercado para arrebanharem mais seguidores, ou aderiram ao movimento chamado “a igreja ao gosto do freguês” conforme denominou T. A. McMahon; que segundo ele tem invadido muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing voltadas para os “consumidores espirituais”, enfatizando, desta forma, os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do “consumidor” como seu principal ponto de interesse, cuja principal abordagem centra-se na gratificação imediata, nas bênçãos terrenas e no “sentir-se bem consigo mesmo”. Nesse compasso, as assim chamadas “megaigrejas” adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica, auditórios para concertos e produções teatrais e franquias do McDonalds tudo para agradar os seus “clientes”.

Cristianismo velho em um mundo novo ou mundo velho em um Cristianismo novo?

Feitas essas considerações é perfeitamente possível verificar as diferenças existentes na pergunta-trocadilho proposta “Cristianismo velho em um mundo novo ou Mundo velho em um Cristianismo novo?”.

Cristianismo velho em um mundo novo é luz que resplandece nas trevas. Mundo velho em um Cristianismo novo são sombras que escurecem o interior do templos.

Cristianismo velho em um mundo novo é o sal que tempera a terra. Mundo velho em um Cristianismo novo é corrupção generalizada no seio eclesiástico.

Cristianismo velho em um mundo novo é o evangelho em expansão levando a mensagem da salvação a todas as criaturas. Mundo velho em um Cristianismo novo são ideologias humanistas introduzidas no âmago das boas novas.

Cristianismo velho em um mundo novo são discípulos que vivem (e morrem) pela causa do Mestre. Mundo velho em um Cristianismo novo são consumidores em busca de “produtos espirituais”.

Cristianismo velho em um mundo novo são os olhos voltados para a cruz de Cristo. Mundo velho em um Cristianismo novo é o coração voltado para os bens terrenos.

Cristianismo velho em um mundo novo é o Pedro que se arrepende. Mundo velho em um Cristianismo novo é o Judas que se enforca.

Cristianismo velho em um mundo novo é gratidão. Mundo velho em um Cristianismo novo é requerimento.

Enfim.

Cristianismo velho em um mundo novo é Deus no controle. Mundo velho em um Cristianismo novo é o homem no comando.

O Triunfalismo Cristão é de Deus ou do Diabo?

por Wallace SousaEstamos hoje em dia vendo um fenômeno interessante e ao mesmo tempo preocupante: o triunfalismo ganhando cada vez mais terreno no arraial evangélico. Mas o que é triunfalismo? Que significa esta palavra esquisita? Triunfalismo advém de triunfo, que é o mesmo que vitória, conquista, sucesso, etc. Todavia, no meio cristão isto veio a representar uma atitude positivista frente às adversidades da vida.

Teoricamente, não chega a ser uma má coisa. Teoricamente. Sim, porque o desânimo tem afogado muitas pessoas nas águas lamacentas da mágoa e desesperança, causando o naufrágio de muitos sonhos brilhantes. Logo, é louvável ter uma atitude de não esmorecer frente às dificuldades tão presentes no corre-corre diário. Mas daí permitir que essa atitude chegue às raias da arrogância e do orgulho é simplesmente solapar o alicerce do caráter cristão expresso nas palavras de Jesus: aprendei de mim que sou humilde e manso de coração.

Presenciamos hoje, no meio cristão, cenas impensáveis até algum tempo atrás. Talvez o acréscimo rápido nas estatísticas eclesiásticas não tenha sido acompanhado de um plano eficaz de doutrinamento bíblico e discipulado, o que faz acender um alerta para o perigo do mesmo fato ocorrer na China comunista, palco do maior avivamento evangélico dos últimos anos.

Infelizmente, junto com o expressivo crescimento evangélico no Brasil, assistimos um decréscimo repugnante no nível de caráter apresentado pelos cristãos evangélicos de um modo geral. Ser crente (ou pastor) não é mais sinônimo de caráter ilibado e idoneidade moral. Infelizmente, observamos cada vez mais o distanciamento entre o comportamento assumido dentro da igreja e fora dela. O cristão evangélico de hoje, dependendo da forma como foi doutrinado ou se é que o foi, é uma incógnita teológica: não sabe em que crê, por que crê e como crer de forma ortodoxa. Às vezes, chegamos a pensar que a Igreja evangélica está importando idéias mirabolantes do imaginário popular futebolístico. Em jogo da seleção brasileira, todo torcedor é um técnico em potencial que sabe melhor do que ninguém, inclusive que o próprio técnico oficial, qual a melhor escalação, quais jogadores devem ser convocados e quais não, qual a melhor tática, etc. Penso que se fossem montar todas as seleções possíveis desses técnicos, não haveria jogadores brasileiros suficientes. Em se tratando de futebol brasileiro e seleção nacional, parece que a única unanimidade entre os torcedores tupiniquins é a aversão assumida contra os argentinos.

Penso que o cenário está se repetindo entre os evangélicos: todo crente agora deseja ser um teólogo respeitado e criar uma nova teologia em cima de um suposto melhor entendimento das Escrituras. Mas querem fazer tudo isso desrespeitando princípios teológicos seculares sem sequer terem dedicado algumas horas em meditar acerca do que estão defendendo. Uma verdadeira lástima. Isso tem preocupado muitos líderes sinceros e respeitados, e sua preocupação é totalmente abalizada.

Acredito firmemente que a chamada Teologia da Prosperidade foi a responsável por esse afrouxamento perigoso de padrões que resultou nesse caos teológico. Foi como se tivessem sacramentado o pensamento pluralista – que aceita idéias contraditórias ao mesmo tempo – na teologia cristã. Agora qualquer pessoa pode advogar ter recebido uma nova revelação e sair por aí se autoproclamando o último profeta do momento, tal qual aquele pãozinho francês recém saído do forno, crocante e apetitoso. Oxalá eles tivessem mesmo entrado em um forno antes de falarem suas asneiras a torto e a direito; um profeta desses a menos não faria falta alguma, ou será que alguém aí discorda?

O triunfalismo nada mais é que o principal produto da famigerada Teologia da Prosperidade, a qual acrescento o “Material”, ficando assim: Teologia da Prosperidade Material (ou TPM dos crentes…). É um tal de não aceito isso, não aceito aquilo outro, doente não posso ficar, miséria não é pra mim e por aí vai… A aceitação, ou melhor, a proclamação da Teologia da Prosperidade foi a institucionalização da arrogância entre os crentes. Por que essa “nova revelação” não surgiu na época da igreja primitiva? Seria muito útil lá, afinal a perseguição era terrível e cruel. Ser cristão naquela época era quase que ser considerado terrorista da Al Qaeda nos dias de hoje. Mas os intentos de Satanás foram frustrados, visto que para cada cristão que morria surgiam dez em seu lugar! Parecia que era fertilizante e não sangue que corria em suas veias. Cada gota de sangue cristão derramado irrigava uma nova safra de crentes mais dispostos que a anterior, para desespero do diabo. Aquilo pra ele era um verdadeiro inferno. Escaldado com essas experiências negativas (ou seria melhor dizer positivas?), ele resolveu mudar de tática: descobriu que melhor que matar um crente fiel era deixá-lo vivo, mas tornando-o infiel. Com isso, o benefício seria duplo: enquanto a morte de um crente fiel produzia piedade em vários outros, a vida de um crente infiel (se é que isso existe!) traz vilipêndio ao nome de Jesus e desmoralização à sua igreja, que é o seu corpo. Preciso reconhecer, todavia, que não existem pessoas perfeitas. Há pessoas sinceras e que expressam um compromisso com Cristo que ainda se encontram em processo de lapidação e aperfeiçoamento do caráter que cometem muitos vacilos na fé. Existe uma variação de humor e atitude por parte destes que tornam sua caminhada cristã muito semelhante a uma jornada de montanha-russa. Uns dias lá no alto, já outros lá em baixo. Esse tipo de crente é uma incógnita e um desafio ao entendimento do ser humano. Apesar de ser sincero e buscar com todas as forças ser arrolado entre os fiéis, ele sempre tem um pecado aqui ou acolá, geralmente de estimação, cultivado há anos e mantido sob o maior sigilo enquanto se decide se o abandona de vez ou não ou se apenas o suprime temporariamente para vê-lo surgir mais adiante. Estes crentes bem que poderiam, ao se relacionarem com outras pessoas, identificarem-se com um crachá tipo “CUIDADO: CRENTE EM OBRAS”. Todavia, esse não é o tipo que traz maior prejuízo ao Reino de Deus, embora inquestionavelmente o faça. Talvez um exemplo bastante significativo seja o rei Davi e seu caso extraconjugal com Bate-Seba. Apesar de já haver demonstrado várias vezes seu grande valor e imensa coragem em inúmeras batalhas, sua misericórdia ao poupar mais de uma vez a vida de seu mais feroz perseguidor e tantas outras coisas louváveis, acabou caindo desgraçadamente nos braços de uma mulher que lhe era proibida (como se houvesse escassez de mulheres a seu dispor no palácio…). É necessário ressaltar que Davi não foi seduzido por ela, mas sim a seduziu.

Este talvez seja um dos maiores mistérios de toda a Bíblia: tentar entender por que um homem como Davi, repleto de tantas qualidades, acabou se tornando o mentor intelectual de um assassinato com o único objetivo de usufruir dos deleites sexuais da viúva. Por que aquele gigante da fé e baluarte da moral sucumbiu tão miseravelmente ante sua própria natureza carnal? Talvez minha maior dúvida não seja esta, mas sim por que Deus não o fulminou antes de perpetrar o fato ou mesmo depois de consumar o ato? Tremo só de pensar nisso, visto que minha vida seria alvo de coisas piores que as que prescrevi a Davi. Pesando ambos na balança, Davi e eu, penso que seria semelhante a tentar comparar o peso de um mosquito com o de um elefante. Obviamente, Davi não é o mosquito, claro. Penso com certa dose de convicção que Davi serve de espelho para a grande maioria dos crentes fiéis no Brasil. Capazes de grandes feitos heróicos e suscetíveis a escabrosos fracassos também, mas indubitavelmente alvos do grande e imerecido amor de Deus. Infelizmente, crentes como José ‘do Egito’ e Daniel ‘da Babilônia’ (relatados no AT), fiéis a toda prova, imaculados no meio da lama, são raridade mesmo na narrativa bíblica. No NT temos o exemplo de Pedro, o apóstolo da liderança e o crente da inconstância, líder nato e volúvel até os ossos, bem parecido com vários irmãos que conheço, inclusive eu. Parece uma febre: queremos fazer grandes coisas para Deus, revolucionar o mundo, mas nem sequer conseguimos arrumar a própria casa. Queremos ganhar o mundo para Cristo, enquanto que no oculto de nossas ações individuais perdemos a batalha da obediência no altar enganoso da indecência. Afinal, o que somos? O que isso significa? Que nossos maiores esforços individuais não são páreos para a força do pecado que em nós habita e milita. Sem a ajuda de Deus, ou se virarmos as costas para Ele, podemos nos tornar uma caricatura de Hitler a qualquer momento na primeira oportunidade. Se com o Espírito Santo habitando em nós ainda fazemos coisas reprováveis sabendo que o são, como não nos afundaríamos no lamaçal perigoso do pecado se o abandonarmos? Tenho para mim que essa forma de Deus permitir que nossas fraquezas nos deixem em situações embaraçosas demais para as ignorarmos é uma maneira de Ele nos preservar humildes e dependentes de seu poder e graça. É óbvio que se eu pudesse escolher, jamais escolheria esta forma tão humilhante de submissão; o único e maior problema é que eu sou o servo e não o senhor… mas meu maior medo é que esta seja não apenas a melhor mas sim a única forma de eu conseguir permanecer próximo a Deus. E se for, com alegria a suportarei, porque me prova quão grande amor Ele tem por mim para me suportar mesmo assim. Entretanto, o que me traz preocupação não é o fato de haver tantos cristãos nessa situação, porque era de se esperar que fosse mesmo assim por causa de nossa natureza decaída. Mas o que me preocupa realmente é haver aqueles que se acham imunes ou isentos às mesmas paixões e tribulações comuns a todos os mortais. E é aí que entra a Confissão Positiva e a Teologia da Prosperidade, que engana o ser humano decaído alçando-o a uma posição de filho de Deus no que concerne apenas aos direitos, mas não aos deveres. Como filho de Deus, segundo a Teologia da Prosperidade, tenho todo o direito de exigir de Deus tudo o eu que quiser, cabendo a Ele o dever de me atender sem pestanejar ou questionar. É impressão minha ou nós invertemos os papéis? Ah, se todos os crentes fossem assim para com Deus, cumprindo toda sua vontade imediatamente e plenamente! Não apenas a igreja seria diferente, mas o mundo! Mas esse pensamento está fora de moda, hoje a ordem do dia é fazer Deus obedecer você e não você obedecer a Deus, entendeu? Nem eu. Parece-me que essa tal Teologia da Prosperidade é uma repaginação da proposta satânica a Eva no Éden: sereis como Deus. Você já ouviu algum adepto dessa estranha teologia pregar que se somos filhos de Deus, à sua imagem e semelhança, somos como pequenos deuses, tal qual filho de peixe peixinho é? Preste atenção: esses “crentes” realmente se parecem com Deus? Acho que não. Então com quem eles se parecem? Parecem com o diabo! Duvida? Reflita: quando o diabo levou Jesus ao topo do monte e lhe mostrou a glória dos reinos, qual foi sua proposta ao Mestre? Tudo isto te darei, se prostrado me adorares. É isso que está acontecendo hoje. Os crentes estão querendo ver Jesus ajoelhado aos seus pés apenas aguardando a última ordem. Nós dizemos ao Senhor: eu te servirei (darei a Ti a minha alma) se me adorares (fizer o que mando). Em uma coisa a Teologia da Prosperidade acertou: os crentes que acreditam nela realmente se tornam pequenos deuses, deusinhos: caprichosos, arrogantes, intolerantes e insuportáveis. Mas estão se tornando a cada dia mais e mais parecidos com o deus que lhes serve de parâmetro – o diabo. Quem mais ousou usurpar o lugar de Deus?

Depois dele, agora os crentes que acreditam nessa aberração teológica e estapafúrdia. Os crentes que mais se parecem com Jesus são os humildes e mansos, não os arrogantes e orgulhosos. A Teologia da Prosperidade deveria se chamar Teologia da Miserabilidade, visto que torna os crentes derrotados, miseráveis, mesquinhos, orgulhosos, iludidos e presunçosos. E por fim, le grand finale: a perdição eterna. Uma teologia assim só pode ter vindo das mais profundas profundezas do inferno, bem debaixo do asqueroso trono de satanás. Isso é prosperidade? Desde quando? Se ainda tem alguma dúvida, leia a opinião de Jesus em Apocalipse 3 a respeito da igreja de Laodicéia, que a si mesma se considerava rica e importante, e verá um reflexo bem próximo desses “irmãos”. Confira você mesmo.

Palavras na moda no meio evangélico


Por: Valmir Nascimento

Começarei este texto com uma questão de múltipla escolha. Marque um “X” na alternativa que contenha as palavras que você mais têm ouvido nas pregações ultimamente:
( ) A – Cruz e renúncia;
( ) B – Bênçãos, vitórias e promessas;
( ) C – Salvação, regeneração e justificação;
( ) D – Amor ao próximo, paz e mansidão.

Calma. Não precisa se afobar. Pense com tranqüilidade. Relembre tudo o que você tem visto e ouvido recentemente. Não se preocupe, essa indagação não vale pontos!

Muito bem. Se você foi sincero ao responder a referida pergunta, penso que tenha optado pela letra “B”. Para cada dez pregações sobre temas como bênçãos e prosperidade, uma preleção dos demais assuntos.

Nossos púlpitos estão repletos dessas argumentações. Nossas músicas estão infestadas. Nosso livros, recheados da teologia da prosperidade. Uma teologia humanista que tem como base a benção, a prosperidade e os benefícios terrenos a todos quantos tiverem fé na própria fé.

Nesse sentido, pouco se houve sofre as conseqüências de deixar tudo para seguir a Jesus. Pouco se fala acerca de padecer necessidades em virtude da nova vida cristã. Quase nunca se aborda a cruz de Cristo. Dificilmente prelecionamos sobre renúncia e negar-se a si mesmo. Perseguição e tribulação, então, são palavras estranhas ao nosso vocabulário “evangélico”, eis que quando usadas provocam um silêncio sepulcral no ambiente em que são proferidas. São vocábulos que não provocam comoções. Termos que não suscitam “glórias” e “aleluias”.

Por outro lado, na moda estão palavras como benção, vitória, prosperidade, sucesso, promessa, etc. Termos que não poucas vezes são utilizados aleatoriamente para promover a comoção da “platéia”. Se a pregação não está indo muito bem, basta inserir um desses vocábulos nos meio da frase que a coisa muda. Se o ensino não consegue despertar a atenção do público, simplesmente acrescenta-se uma palavrinha mágica para que a situação se inverta.

Por isso, vez ou outra vislumbra-se pregações e ensinos que sofrem um guinada de cento e oitenta graus. Preleções que começam abordando a santidade, acabam na prosperidade. Pregações que iniciam na cruz, terminam na benção material. Ensinos que principiam na renúncia finalizam com um “carro na garagem”.

Em primeira instancia pode-se dizer que os culpados por este cenário são os pregadores/ensinadores triunfalistas da modernidade, os quais embalados pelo pensamento de agradar à platéia, leia-se igreja, enredarem-se pela exposição de temas agradáveis aos ouvidos, capazes de levar a multidão ao delírio e ao êxtase espiritual.

Aparentemente, o grande vilão é a classe dos pregadores/ensinadores/preletores/palestrantes/congressistas, os quais insuflados pela teologia norte americana que entupiram nossos púlpitos com as benesses terrenas e as dádivas materialistas.

Ocorre, porém, que essa classe não é a única culpada. Como co-autores desse cenário temos também os ouvintes; a platéia; aqueles que estão do outro lado do púlpito. Explico-me: Disse que os pregadores triunfalistas prelecionam sobre temas que o povo quer ouvir, sobre temas que agrade a platéia. Com efeito, enquanto platéia, gostamos de ouvir coisas boas, agradáveis, brandas, amorosas e sobretudo, vitoriosas. Nossa natureza pede para que nos falem de benefícios e de prosperidade. Gostamos de sermos acalentados. Gostamos de receber presentes. Gostamos de tomar posse da benção e da vitória.

Enquanto pentecostais, então, temos prazer em ouvir pregações no melhor estilo “sem-parada”, aquela em que o pregador munido do microfone solta frases rápidas e contínuas, finalizando com um grito estridente. Sim! Na condição humana preferimos ouvir temas de benção ao invés de renúncia; prosperidade ao invés de tribulação; coroa no lugar de cruz.

Assim sendo, temos um notório circulo vicioso, em que os pregadores pregam o que a platéia quer ouvir; e os ouvintes acostumando-se com os temas da prosperidade “repelem” as preleções de estilos diferentes: amor ao próximo, frutos do espírito, regeneração, etc. Alguns pregadores/preletores até que tentam mudar, porém, ao perceberem que sua mensagem não está obtendo êxito, enveredam-se também pelo mesmo círculo.

As pregações do Cristo

Olho para a dinâmica das pregações e dos ensinos de Cristo e vejo quão distante estamos do seu padrão. Em seus ensinos Jesus empregava uma maneira peculiar de transmitir as verdades acerca do Reino. Sua didática essa magnífica. A forma como repassava conhecimento é um paradigma para qualquer educador da atualidade. No entanto, mais importante que a forma era o conteúdo da mensagem propagada pelo Messias. Ele não levava em consideração o que o público queria ouvir, pelo contrário, seus ensinos iam na contramão dos anseios da platéia. Sua explanação estilhaçava os desejos medíocres dos ouvintes.

Analiso o Sermão da Montanha e adquiro mais convicção: Jesus falava o que era preciso, independente do pensamento dos demais. “Bem-aventurado os pobres de espirito(…). Bem-aventurados os que choram (…). Bem-aventurado os mansos (…). Bem-aventurado os que tem fome e sede de justiça(…) . Bem-aventurado os misericordiosos(…). Bem-aventurados os limpos de coração(…). Bem-aventurados os pacificadores(…). Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça(…). Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa”. Mt. 5.3-11.

Apesar da situação social caótica do povo de Israel, que vivia sob o jugo romano, o Mestre não utilizou palavras de esperança e revolução social, tampouco deu-lhes a possibilidade de uma libertação imediata muito menos a evidência de bens terrenos. Ao revés, o centro da sua mensagem foi a salvação da alma, a implantação do Reino Celeste e o novo nascimento, que requeria dos seus seguidores nova postura: renúncia, largar pai e mãe, carregar a cruz e ser luz no mundo.

As pregações de Cristo apresentavam-se ao seu ouvintes com aparência do aumento de seus jugos. Superficialmente, tudo indicava que Cristo queria castigar ainda mais o seu povo. Sua doutrina era pesada. Suas idéias contrariavam o anseio social. Tanto que em diversas ocasiões seu ouvintes inclusive alguns de seus discípulos (Jo. 6.67) afastaram-se dele pois suas palavras “eram duras”.

Por certo que Jesus não queria de alguma forma aumentar o jugo daqueles que o seguiam, pelo contrário disse Ele que o seu jugo era leve: “Tomai sobre vós o meu jugo (…) Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mt. 11.29,30. Ocorre que as pregações de Cristo contrariaram as expectativas da sua platéia. Os judeus não aguardavam um Messias que diria a eles: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim”. Ou, então: “Quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim”. Não. Essas palavras eram muito duras, demais de rígidas. Eles esperavam um Messias libertador, forte e poderoso que os faria governar juntamente com Ele.

Cristo, porém, não se deixou levar pelas expectativas. Não se deixou convencer pelos anseios do seu povo. Não foi levado pelo desejos do seu público, ele bem sabia que a verdade deveria ser dita, independente da forma como a platéia reagiria. Por certo que alguns tomariam outra via, o abandonariam. Mas ele permaneceu fiel à sua missão, no cerne da mensagem: a salvação da alma. Sem essa de palavras da moda. Pra ele, o principal era a cruz. Afinal, a cruz que carregamos, precede a coroa que usaremos, disse alguém.

Quem mexeu no nosso sal?


Por: Valmir Nascimento

“Há muito tempo, em um país muito distante, quando as coisas eram diferentes, havia quatro pequenos personagens que corriam através de um labirinto à procura de queijo para alimentá-los e fazê-los felizes. Dois eram ratos, chamados Sniff e Scurry, e dois eram duendes – seres tão pequenos quanto os ratos, mas que se pareciam com as pessoas de hoje, e agiam como elas. Seus nomes eram Hem e Haw”.

Assim começa a estória do livro “Quem mexeu no meu queijo”, de Spencer Johnson. Uma paródia interessante que conta as aventuras de dois ratinhos e dois duendes que vivem dentro de um labirinto à procura de queijo. É uma estória sobre mudança de comportamento. Uma metáfora acerca de como devemos enfrentar as mutações que ocorrem em nossas vidas.

Todos os dias os ratinhos e os duendes procuravam no labirinto o seu próprio queijo especial. Sniff e Scurry, por serem roedores, utilizavam somente seus instintos animalescos. Hem e Haw, usavam seus cérebros, cheios de muitas crenças, para procurar um tipo de queijo diferente, que os tornariam bem sucedidos. Algo, porém, eles tinham em comum: todas as manhãs vestiam roupas de correr e tênis, saíam de suas pequenas casas e corriam para o labirinto à procura de seus queijos favoritos.

Até que determinado dia, no Posto C do Labirinto, Sniff e Scurry, Hem e Haw, cada dupla usando o seu próprio método, encontram o maior e melhor queijo de suas vidas. Todos estavam felizes.

Ante tal descoberta os duentes ficaram fascinados. Haviam resolvido o problema de suas vidas. Mudaram-se para próximo do Posto C para ficarem mais próximos do seu precioso queijo. Então, pouco a pouco a confiança de Hem e Haw se transformou em arrogância, começaram a se sentir tranqüilos que nem perceberam o estava acontecendo.

Snif e Scurry, por outro lado, mantinham a sua rotina; chegavam cedo todas as manhãs, farejavam o queijo, arranhavam-no e corriam pelo Posto C, inspecionando a área para saber se tinha havido mudanças desde o dia anterior. Depois, então, sentavam-se para roer o queijo.

Uma certa manhã, entretanto, ao chegarem no Posto C descobrem que o queijo havia desaparecido. Os ratinhos, então, mais que rapidamente pegam seus tênis e partem em busca de um novo queijo. Enquanto Hem e Haw ficam atônitos e desesperados. Não estavam preparados para o havia acontecido. Quem mexeu no nosso queijo? Eles indagam.

Após isso, inicia-se o dilema dos duentes. Aguardam o queijo desaparecido ou partem labirinto à dentro em busca de um novo queijo? Mantêm-se no Posto C ou procuram novas descobertas? O resultado da estória são grandes lições para a vida pessoal e profissional ante as mudanças perpetradas no nosso dia a dia.

Mexeram no sabor do nosso sal

Refletindo acerca desta parábola que quase sempre é aplicada à vida empresarial, observo que ela também possui grandes lições para a vida cristã. Basta simplesmente mudarmos queijo por sal, duendes por cristãos (eis aí algo interessante, muitos crentes preferem ser duendes), labirinto pelo mundo e tirarmos o ratinhos. Pronto, temos um ótimo cenário para meditar.

Por que sal? Ora, foi Jesus quem disse: “Vós sois o sal da terra” Mt. 3:13. Quando Cristo identificou os discípulos ao sal, ele estava fazendo referência à característica de preservação que o sal possui; à sua natureza de conservação e de não permitir que os alimentos se deteriorem.

Quando digo, portanto, que mexeram no sal ou no sabor do sal da igreja cristã, faço referência ao fato dela ter perdido parte da sua identidade; uma alusão à alteração ocorrida ao longos de anos, décadas e séculos no cerne do pensamento cristão; uma ilustração da mudança de padrões na abordagem e consideração do evangelho compreendido entre o período apostólico até os dias atuais; uma mutação prejudicial em relação às verdades bíblicas adotada por alguns templos religiosos.

Uma observação, porém, deve ser feita. Quando se diz que a igreja perdeu o sabor do sal, não se faz referência, é óbvio, à Igreja santa e invisível, noiva do cordeiro, aquela que irá morar nas mansões celestiais. Esta, aliás, nunca perderá o seu foco; de maneira alguma perderá o seu sabor.

A igreja insossa e desprovida de tempero, ao revés, constitui-se de pessoas desvirtuadas e indiferentes à Palavra de Deus. É, na realidade, a igreja de Laodicéia que se infiltra em várias denominações assim chamadas evangélicas, dizendo “rica sou” e agindo como Hem e Haw ao tornarem-se arrogantes. É aquele tipo de igreja que perdeu a simplicidade do evangelho, não possui mais comunhão nem partir do pão, muito menos persevera na oração. É a igreja que não pesca almas, não ensina às nações, nem gosta de tomar o fardo de Cristo.

Mas engana-se quem imagina que o sal é perdido de uma hora outra, ou da noite para o dia. Pelo contrário, o sabor perde-se aos poucos. Inicialmente, assim como ocorreu na estória em comento, a igreja não vigia e se acomoda, fica tão deslumbrada com o sal que possui, que acaba deixando de lado o seu principal papel na terra, que é exatamente temperar o mundo e preservá-lo da corrupção, ou iluminá-lo, preservando-o da escuridão.

Em seguida, a igreja não observa o que acontece ao derredor. Fica tão ligada com as suas próprias formalidades eclesiásticas/religiosas/litúrgicas que esquece das almas que perecem frente às portas dos templos. Quando ela detém-se em assuntos burocráticos e planejamentos festivos esquecendo-se da pregação do evangelho. Quando se envolve em questões políticas e humanas deixando de lado a anunciação das boas novas.

Se no livro de Johnson a idéia é que as pessoas acompanhem as mudanças sociais e profissionais, no caso da Igreja a idéia é exatamente o oposto, qual seja: não deixar que as mudanças atuais e mundanas afetem e prejudiquem o papel da igreja. Eis aí, então, o grande papel dos cristãos na mundo atual, não permitir que os fundamentos que se transtornam dia após dia adentrem aos templos e desvirtue a Palavra de Deus.

Uma rápida olhadela no túnel do tempo é suficiente para notarmos que definitivamente a igreja têm perdido o sabor do sal. Basta retornarmos àquela época em que os templos não haviam “ar condicionado”, porém viviam repletos de pessoas para ouvirem acerca da Salvação. Àquela época em que não haviam automóveis mas que todavia os cristãos caminhavam distâncias infindáveis sedentos de por mais de Deus. Um contexto em que se a pessoa se dissesse cristã seria jogadas aos leões para serem devoradas, mas a fé era tão autêntica que eles enfrentavam bravamente esses enormes desafios. Um tempo em que as perseguições contra os seguidores de Jesus eram tão implacáveis e torturantes que somente quem possuía o sabor do sal poderia dizer: Jesus Cristo é o Senhor!

É, de fato. Sejamos bem francos. Mexeram no sal da igreja! Tiraram o seu sabor! Mas a pergunta a ser feita não é “Quem mexeu no nosso sal”, mas sim, como fazermos para resgatarmos o sabor do sal perdido?

Frente a essa situação a temos duas opções: Ou fazemos como os ratinhos e rapidamente saímos em busca do sal perdido, ou agimos como os duendes, e ficamos a nos perguntar: Quem mexeu no meu queijo?

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