Cosmovisão cristã

CRISTIANISMO VERSUS NATURALISMOQual é o maior desafio hoje? Nas categorias mais amplas, o conflito de nosso dia é o teísmo contra o naturalismo. Teísmo é a crença de que há um Deus transcendente que criou o Universo; naturalismo é a crença de que causas naturais sozinhas são suficientes para explicar tudo o que existe. As questões mais fundamentais reflectem essas categorias: A realidade última é Deus ou o cosmos? Há um reino espiritual, ou a natureza é tudo o que existe? Deus falou e revelou sua verdade a nós, ou a verdade é algo que temos que achar, ou até inventar para nós mesmos? Há um propósito para as nossas vidas, ou somos acidentes cósmicos emergindo da lama?

Esses dois sistemas principais são, em última instância, diametralmente opostos; e se vamos defender nossa fé efectivamente, devemos entender suas implicações por completo. Naturalismo é a ideia de que a natureza é tudo o que existe, que a vida surgiu de uma colisão de átomos por acaso, evoluindo mais tarde para a vida humana como a conhecemos hoje. No sentido mais amplo, naturalismo pode até incluir certas formas de religião – aquelas em que o espiritual é concebido como totalmente inerente à natureza, como as religiões neopagãs e a Nova Era. Em contraste, o Cristianismo ensina que há um Deus transcendente que existe antes de o mundo vir a existência, que Ele é a origem última de todas as coisas. O universo é dependente a todo o momento de seu governo e cuidado providencial.

Relativismo Moral. Na moralidade, o naturalismo resulta em relativismo. Se a natureza é tudo o que há, então não há uma fonte transcendente de verdade moral, e podemos construir nossa própria moralidade. Todo princípio é reduzido a uma preferência pessoal. Em contraste, os cristãos acreditam em um Deus que tem falado, que revelou um padrão absoluto e imutável de certo e errado, baseado, em última instância, em seu próprio carácter santo.

Multiculturalismo. Como consequência do relativismo, os naturalistas tratam todas as culturas como moralmente equivalentes, cada uma meramente reflectindo sua própria história e experiência. Tendências contemporâneas como pós-modernismo e multiculturalismo estão profundamente enraizadas no naturalismo, pois se não há nenhuma força transcendental de verdade ou moralidade, então achamos nossa identidade somente em nossa raça, género ou grupo étnico. Mas os cristãos jamais poderiam igualar a verdade com a perspectiva limitada de nenhum grupo. A verdade é a perspectiva de Deus, como revelada nas Escrituras. Por essa razão, enquanto apreciamos a diversidade cultural, insistimos na propriedade de julgar práticas particulares de culturas como certas ou erradas. Além do mais, os cristãos consideram a tradição e a herança ocidentais como dignas de serem defendidas; isto é, na medida em que elas tenham sido historicamente formadas por uma cosmovisão bíblica.

Pragmatismo. Desde que os naturalistas negam quaisquer padrões transcendentes de moral, eles tendem a fazer uma abordagem pragmática da vida. O pragmatismo diz: O que funcionar melhor é o certo. Acções e métodos são julgados somente sob base utilitária. Em contraste, o cristão é um idealista, julgando acções não pelo que dá certo, mas pelo que deve ser, baseado em padrões objectivos.

Utopia. Os naturalistas geralmente abraçam a noção iluminista de que a natureza é essencialmente boa, o que leva ao utopismo. O utopismo diz: Se tão somente criarmos as estruturas sociais e económicas certas, podemos ser conduzidos a uma era de harmonia e prosperidade. Mas os cristãos jamais poderão legitimar os projectos utópicos. Sabemos que o pecado é real, que tem distorcido a natureza humana profundamente, e que nenhum de nossos esforços pode criar o céu aqui na terra. O céu é uma esperança escatológica que será cumprida somente com a intervenção divina no fim da história. Nesse meio tempo, a tendência humana para a maldade e a desordem deve ser controlada por lei e tradição.

Perspectiva deste mundo. Os naturalistas só consideram o que acontece neste mundo, nesta época, nesta vida. Mas os cristãos vêem as coisas sob perspectiva eterna. Tudo o que fazemos agora tem significado eterno, porque um dia haverá julgamento, e então se tornará evidente que nossas escolhas na vida tiveram consequências que durarão por toda a eternidade.

(E Agora, Como Viveremos?; Charles Colson & Nancy Pearcey; CPAD; pp. 38-40)

Os contornos de um sistema de vida cristão se tornarão claros nas quatro secções que se seguem: criação – Deus trouxe o mundo à existência através da sua palavra e criou a humanidade à sua imagem; queda – a condição humana é desfigurada pelo pecado; redenção – Deus em sua graça proveu uma maneira de nos reconciliar consigo mesmo; e restauração – somos chamados a trazer esses princípios a todas as áreas da vida e criar uma nova cultura. Equipados deste entendimento, podemos mostrar não somente que a cosmovisão cristã oferece as melhores respostas – respostas que concordam com o senso comum e com a mais avançada ciência – mas também que cristãos podem tomar as armas espirituais na grande luta cósmica entre cosmovisões conflitantes.

(E Agora, Como Viveremos?; Charles Colson & Nancy Pearcey; CPAD; pp. 58)

Da Cosmovisão Centrada em Deus para a Cosmovisão Centrada no Homem

Duzentos anos depois da Reforma do século XVI, a Europa conheceu o iluminismo. Em Weimar, Alemanha, visitei a casa de Goethe e fiquei impressionado com os artefactos provenientes do mundo inteiro, particularmente da Grécia e Roma, mas também da China e Japão. É óbvio que Goethe apreciava a arte, mas ele também queria fazer uma declaração teológica: outras religiões, até as religiões pagãs, podem produzir uma cultura tão avançada quanto o cristianismo. Portanto, o cristianismo não deve ser considerado como tendo lugar especial na história da raça humana, mas estudado como uma entre muitas religiões que realmente ajudam.

Quando o homem viu-se como o centro de todo o conhecimento, ele definiu religião de acordo com suas próprias expectativas e desejos. A religião não era mais estimada como busca do homem para correctamente ajustar sua vida às exigências de Deus, mas como um sistema de crenças que o ajuda a atingir seu pleno potencial.

Joseph Haroutunian, destacado historiador, comentou:

Antes, a religião era centralizada em Deus. Antes, tudo o que não conduzia à glória de Deus era infinitamente mau; hoje, o que não contribui para a felicidade do homem é mau, injusto e impossível de atribuir à deidade. Antes, o bem do homem consistia basicamente em glorificar a Deus; hoje, a glória de Deus consiste no bem do homem. Antes, o homem vivia para glorificar a Deus; hoje, Deus vive para servir o homem.

O iluminismo não era contra a religião; apenas declarava que nosso conhecimento de Deus não deveria vir da Bíblia, mas pela luz universal da natureza. Como tais, todas as religiões do mundo eram essencialmente iguais, fundamentadas como estavam na observação natural e na experiência. A Bíblia foi vista como um livro proveitoso, mas não considerada a revelação de um Deus pessoal. A razão humana foi elevada acima da revelação.

O iluminismo foi uma benção mesclada. Por um lado, enfatizou a liberdade religiosa e a tolerância no melhor sentido da palavra. Dois séculos antes, a Reforma tinha inspirado nova vida espiritual em regiões da Europa. Esta luz, porém, era frequentemente oculta, senão extinta, pelas controvérsias religiosas que se seguiram anos mais tarde. Podemos entender por que as pessoas foram alimentadas com a intolerância da era. Ele deu ênfase muito necessária na liberdade de aprendizagem e na liberdade de consciência.

Infelizmente, o iluminismo também introduziu densas trevas. Quando a Alemanha (e toda a Europa, no que diz respeito ao assunto) resolveu optar por aquela teologia mais amável e gentil, referida anteriormente, o Evangelho de Cristo ficou obscurecido. O homem tornou-se o juiz da religião e da moralidade, e apesar dos ideais nobres, as trevas – profundas trevas – desceram.

Crimes cometidos em nome da religião (e houve muitos) empalideceram de insignificância em comparação com os crimes cometidos em nome de uma visão ateísta do homem e do mundo. Não é apenas um acidente histórico que Buchenwald, um dos campos de concentração de Hitler, esteja situado a somente seis quilómetros de Weimar – uma ironia que evidentemente não passou despercebida pelo Fuhrer. Contaram-me que ele teve o pervertido prazer de estabelecer um campo da morte bem junto aos limites da cidade que era o orgulho da tolerância e da glória do homem.

É um escândalo, além de irónico, que quando os homens se livram das disciplinas da religião revelada, a liberdade acabe em escravidão. A tirania religiosa deve, é claro, ser abominada; mas quando o género humano usa a ambicionada liberdade para negar Deus, segue-se uma tirania pior.

Quando perguntaram a Solzenitsyn como poderia tantos milhões de pessoas serem brutalmente assassinadas sob a bandeira do ateísmo, ele respondeu: “Nós nos esquecemos de Deus”. Dostoiévski tinha razão: “Quando Deus não existe, tudo é permitido”.

Falando dos falsos mestres, Pedro escreve: “Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do qual faz-se também servo” (2 Pedro 2.19).

Esta troca de pensamento levou a outras óbvias mudanças no modo como a verdade (se é que ela existe) foi vista. Ideias trazem consequências. Quando subimos a bordo de um trem ideológico, temos de ir até o seu destino final.

(Erwin E. Lutzer; Cristo Entre Outros Deuses; CPAD; pp. 34-36)

A maneira como vemos o mundo pode mudar o mundo.

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 32)

Nossas escolhas são formadas pelo que acreditamos ser real e verdadeiro, certo e errado, bom e bonito. Nossas escolhas são formadas pela nossa cosmovisão ou “visão de mundo”.

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 32)

Nossa maior tarefa na vida é descobrir o que é verdadeiro e viver de acordo com essa verdade. Como vimos anteriormente, toda cosmovisão pode ser analisada pela maneira como responde a três perguntas básicas: De onde viemos, e quem somos (criação)? O que deu errado com o mundo (queda)? E o que podemos fazer para consertar isso (redenção)? Estas três perguntas formam uma grade que podemos usar para quebrar a lógica interna de todo o sistema de crença ou filosofia que encontrarmos, dos livros escolares em nossas salas de aula até as filosofias implícitas que dão forma à mensagem que ouvimos no programa de auditório de Ophra Winfrey.

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 32)

A base da cosmovisão cristã, é calro, é a revelação de Deus nas Escrituras. Ainda assim, tristemente, muitos crentes não conseguem entender que as Escrituras são intencionadas para ser a base de toda a vida. Nos séculos passados, o mundo secular estabeleceu uma dicotomia entre ciência e religião, entre facto e valor, entre conhecimento objectivo e sentimento subjectivo. Como resultado, os cristãos costumam pensar em termos da mesma falsa dicotomia, permitindo que nosso sistema de crença seja reduzido a pouco mais que sentimentos e experiências privados, completamente divorciado dos factos objectivos.

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 32)

Mas a ênfase demasiada no relacionamento pessoal pode ser também a maior fraqueza de todos nós, evangélicos, porque pode impedir-nos de ver o plano de Deus para a nossa vida além do ponto da salvação pessoal. O Cristianismo genuíno é mais do que relacionamento com Jesus, tanto quanto se expressa em piedade pessoal, frequência à igreja, estudo da Bíblia e obras de caridade. É mais do que discipulado, mais do que acreditar em um sistema de doutrinas sobre Deus. O Cristianismo genuíno é uma maneira de ver e compreender toda a realidade. É uma cosmovisão, uma visão do mundo.

A base bíblica para esse entendimento é a narrativa da criação, onde nos é dito que Deus falou e tudo veio a existir do nada (ver Génesis 1 e João 1:1-14). Tudo o que existe veio à existência mediante o seu comando, e é por essa razão sujeito a Ele, encontrando propósito e sentido nEle. A implicação é que em todo o assunto que investigamos, desde ética económica até ecologia, a verdade só é encontrada em conexão com Deus e sua revelação. Deus criou o mundo natural e as leis naturais. Deus criou os nossos corpos e as leis morais que nos mantêm saudáveis. Deus criou as nossas mentes e as leis da lógica e da imaginação. Deus nos criou como seres sociais e nos deu princípios para instituições sociais e políticas. Deus criou um mundo de beleza e princípios de criação estética e artística. Em toda área da vida, conhecimento genuíno significa discernir as leis e ordenanças pelas quais Deus estabeleceu a criação, e então permitir que essas leis modeles a maneira pela qual devemos viver.

Como diziam os pais da igreja, toda verdade é verdade de Deus. (…)

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 33)

A guerra cultural não é sobre aborto, direitos dos homossexuais, ou o declínio da educação pública. Esses são apenas os conflitos. A verdadeira guerra é uma luta cósmica entre a cosmovisão cristã e as várias cosmovisões seculares e espirituais que estão em ordem de combate contra ela. Isso é o que devemos entender se vamos ser efectivos tanto em evangelizar nosso mundo hoje, como em transformá-lo para reflectir a sabedoria do Criador.

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 36)

Huntington predisse um conflito entre as cosmovisões das três mais tradicionais civilizações: o mundo ocidental, o mundo islâmico e o leste confucionista. Mas um de seus ex-alunos, o cientista político James Kurth, discordou dele afirmando que o conflito mais significativo seria na própria civilização ocidental – entre os adeptos do modelo judaico-cristão e aqueles a favor do pós-modernismo e do multiculturalismo.

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 37)

Devemos saber não só qual é a nossa cosmovisão e porque acreditamos nela, mas também como defendê-la. Também devemos ter algum entendimento das cosmovisões contrárias e porque as pessoas acreditam nelas. Somente então poderemos defender a verdade de maneira encantadora e persuasiva.

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 45)

Os contornos de um sistema de vida cristão se tornarão claros nas quatro secções que se seguem: criação – Deus trouxe o mundo à existência através da sua palavra e criou a humanidade à sua imagem; queda – a condição humana é desfigurada pelo pecado; redenção – Deus em sua graça proveu uma maneira de nos reconciliar consigo mesmo; e restauração – somos chamados a trazer esses princípios a todas as áreas da vida e criar uma nova cultura.

Equipados deste entendimento, podemos mostrar não somente que a cosmovisão cristã oferece as melhores respostas – respostas que concordam com o senso comum e com a mais avançada ciência – mas também que cristãos podem tomar as armas espirituais na grande luta cósmica entre cosmovisões conflitantes.

Ousaríamos acreditar que o Cristianismo pode ainda prevalecer? Devemos acreditar nisso. Como afirmamos no começo, este é um momento histórico de oportunidade, e quando a Igreja é fiel ao seu chamado, isso sempre leva a uma reforma da cultura. Quando a Igreja é verdadeiramente Igreja, uma comunidade vivendo em obediência bíblica e contendendo pela fé em toda área da vida, ela certamente reavivará a cultura em volta ou criará uma nova.

Religião não é reflexo ou produto da cultura, mas justamente o contrário. Como argumentou o grande historiador do século XX, Christopher Dawson, o culto está na raiz da cultura (considerando “culto” em seu sentido básico como um sistema de adoração religiosa). O já falecido filósofo político Russell Kirk concordou: “É a partir da associação em um culto, um corpo de adoradores, que a comunidade humana cresce”.

A ostra oferece uma boa analogia. Ostras fazem suas próprias conchas, de forma que se uma concha é mal formada, o problema não está na concha, mas na ostra. Da mesma forma, quando a cultura se deforma e degenera, não pergunte o que aconteceu de errado com a cultura; pergunte o que deu errado com o culto – o cerne religioso. “Quando a crença no culto tiver sido completamente enfraquecida, a cultura degenerará rapidamente”, escreveu Kirk. “A ordem material repousa na ordem espiritual.”

A esperança para o mundo de hoje é uma ordem espiritual renovada e vibrante, um culto criador de cultura, homens e mulheres de outra estirpe, em disposição de batalha para a grande guerra de princípios contra princípios. Uma batalha que coeça assim: “No princípio…”

(Charles Colson & Nancy Pearcey; E Agora Como Viveremos?; CPAD; 58,59)

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Matrix: A realidade é real?


“Só tu és Senhor, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora” (Neemias 9.6).

por Dr. Samuel Fernandes M. Costa

A realidade existe? Nossas vidas não passam de um programa de computador que roda nas nossas mentes? Nossas imagens são apenas uma projeção mental do nosso “eu digital”? Apenas sonhamos enquanto damos um duro medonho no trabalho? Adormecidos, nos entregamos em amor, enquanto as máquinas que dominam o mundo se alimentam das nossas energias?

Com o lançamento do filme Matrix Revolutions, o último da trilogia Matrix dos irmãos Wachowsky, essas perguntas voltam a povoar o consciente da humanidade.
No primeiro episódio da série, o personagem Morfeu nos esclareceu o que é Matrix:

Morfeu: A Matrix é um mundo dos sonhos gerado por computador… Feito para nos controlar… para transformar o ser humano nisso aqui (Morfeu mostra uma bateria).
Neo: Não. Eu não acredito. Não é possível!
Morfeu: Eu não disse que seria fácil, Neo. Eu só disse que seria a verdade.

A realidade existe? Nossas vidas não passam de um programa de computador que roda nas nossas mentes? Nossas imagens são apenas uma projeção mental do nosso “eu digital”?
A questão da verdade de Matrix em contraposição com a verdade do cristianismo já foi abordada anteriormente no artigo “Matrix e sua filosofia pós-moderna“.

Não é só a trilogia Matrix que afirma que nosso mundo é virtual. Outros filmes são regidos pela mesma cartilha.

Em 1999, no mesmo ano em que foi lançado o primeiro filme da série Matrix, também chegava aos cinemas o 13º Andar, de Josef Rusnak, com Craig Bierko. No décimo terceiro andar do prédio de uma grande companhia, cientistas recriaram a Los Angeles dos anos 30 de forma tão realista que os habitantes nem desconfiavam que não existiam de fato – eram apenas um programa de computador. No final, ficamos sabendo que o nosso mundo contemporâneo também não passa de uma simulação.

Em 2002, foi lançado S1m0ne (com um 1 no lugar do i e um zero no lugar do o. É a abreviação de “Simulation One”), de Andrew Niccol, com Al Pacino e Catherine Keener. Pacino interpreta Victor Taranski, cineasta de pretensões artísticas, que consegue criar uma linda estrela de cinema virtual e com isso atinge inesperado poder e popularidade. Essa mulher virtual chama-se S1m0ne.

A civilização contemporânea está cada vez mais submersa no cyberespaço. A internet é um fenômeno perfeitamente real, que faz parte do nosso mundo e está afetando nossas subjetividades, nossas cosmovisões e nossos modos de ser e viver. A dinâmica da tecnociência é nossa aliada e passamos a viver fortemente influenciados por esses ambientes digitais. Até aí tudo bem, pois continuamos diferenciando o real do irreal, o fato da ficção, o verdadeiro do imaginário.

O problema é perdermos o senso crítico e acreditarmos que o nosso mundo é uma ilusão. Nesse ponto passamos a fazer parceria com a trilogia Matrix, o hinduísmo e o budismo, entre outras visões de mundo.

O hinduísmo
No hinduísmo, acredita-se que o deus Brahman teve um sonho em que gotículas saíam do seu corpo como gotículas de suor. Elas foram crescendo, transformando-se e evoluindo no cosmo, nas galáxias, nos planetas, nos homens, nos animais, na natureza… e tudo o que hoje conhecemos como o mundo fisicamente real não passa de um sonho do deus Brahman. Portanto, a única realidade seria apenas Brahman.

Vivemos, então, supostamente em uma ilusão (maya) criada por Brahman. Para que Brahman criou essa ilusão? Os hinduístas respondem que Brahman a criou para sua própria diversão (lila). Resumindo, no hinduísmo, nosso complexo mundo físico, com todos os seus ecossistemas, e nosso sofisticado corpo humano não passam de uma realidade virtual, como um joguinho de computador, semelhante ao The Sims, Sim City ou Age of Empires.

A solução budista está em cada pessoa descobrir a sua própria “não-existência”.

O budismo
No budismo, aprendemos que Gautama Buda era um príncipe hinduísta que abandonou seu castelo, sua esposa e seu filho para descobrir a causa de tanto sofrimento. Meditou embaixo de uma figueira e descobriu que a razão do sofrimento seria, resumidamente, o apego e o desejo. A solução budista está em cada pessoa descobrir a sua própria “não-existência”.
Segundo o budismo, o homem simplesmente deve entender que não existe o “eu”. As últimas palavras de Buda, aos oitenta anos e antes de morrer de disenteria, foram: “tudo é impermanente”.

O cristianismo
O ensinamento de Jesus é que o homem existe e deve “negar-se a si mesmo”, negar o seu “eu” e tomar a sua cruz (veja Marcos 8.34). No cristianismo, o “eu” existe e deve ser subjugado, morto, e não enaltecido.

Quando o apóstolo Paulo falou aos filósofos gregos no Areópago, em Atenas, fez referência ao altar que tinha a inscrição: “Ao Deus Desconhecido” (Atos 17.23). Paulo disse que estava anunciando esse Deus para os atenienses. Na verdade, o altar “ao Deus desconhecido” tinha uma história, de que tanto Paulo quanto aqueles filósofos tinham conhecimento.

Quando Jesus se faz conhecido, uma luz ilumina as trevas, como um farol que norteia os marinheiros em uma tempestade, e cessa a pestilência espiritual que parecia não ter mais fim.
Ao mencionar que em Deus “vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 17.28), Paulo estava citando o poeta Epimênides de Creta (do sexto século a.C.). Conta-se que Epimênides foi convocado de Knossos, na ilha de Creta, para Atenas, quando os habitantes da cidade enfrentavam uma terrível peste. Nenhum dos deuses de Atenas tinha sido capaz de livrá-los dessa praga e o oráculo de Delfos indicava a existência de um Deus que não estava sendo agradado pelos atenienses. Epimênides sabia como agradar a esse Deus “ofendido e desconhecido”. Quando chegou a Atenas, soltou um rebanho de ovelhas no Areópago, orientando a população a erguer um altar “ao Deus desconhecido” no local onde elas parassem para repousar. Vários altares foram construídos e a praga cessou.

Epimênides talvez seja um exemplo do homem pagão que, mesmo em trevas espirituais, “apalpou” e encontrou o Deus verdadeiro “que não está longe de cada um de nós” (Atos 17.27).
A vida espiritual também é assim. Enquanto os homens não conhecem o Deus de Israel, a vida é sem motivo e sem razão, a esperança no porvir é tão escura como o breu, a existência é uma ilusão doentia e a morte eterna é seu destino final (pois sofrem de um flagelo espiritual). Sem Deus, a humanidade enfrenta uma epidemia espiritual caracterizada pela mortandade.

Quando, porém, Jesus se faz conhecido, uma luz ilumina as trevas, como um farol que norteia os marinheiros em uma tempestade, e cessa a pestilência espiritual que parecia não ter mais fim. Ele é a certeza de que chegaremos à bonança do lar eterno após uma vida sofrida. Jesus nos dá a convicção de que não tateamos mais no escuro. Com Cristo, marchamos firmes e certos de que um dia estaremos para sempre no descanso do Senhor, pois “nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 17.28).

Conclusão
Nosso mundo é tão real como uma rocha. Uma rocha é constituída por átomos, como outros objetos do mundo. E os átomos, formados por quarks. Os quarks podem ser produzidos por supercordas. Se prosseguirmos além disso, entramos em terreno cientificamente desconhecido.

A fronteira entre a existência e a inexistência pode não ser muito bem determinada nas ciências humanas (especialmente na filosofia), mas é clara na Bíblia Sagrada: quando saímos da existência física, passamos para uma existência espiritual, invisível, mas também real.
Sim, a realidade existe tanto na dimensão física (visível e palpável) como na espiritual (invisível e impalpável). Somos reais e criaturas do Deus vivo. Como afirma Todd Charles Wood, geneticista do Institute for Creation Research (Instituto de Pesquisa da Criação): “Deus criou o organismo no Gênesis em um estado maduro, e o genoma é o banco de dados que garante sua continuidade no estado maduro”. Ou, como relata o profeta Isaías: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada. Eu sou o Senhor, e não há outro” (Isaías 45.18). Essa é a emersão da nossa realidade! É o nosso devir! E Deus seja louvado! Amém. (Dr. Samuel Fernandes Magalhães Costahttp://www.chamada.com.br/)

Salvação e relativismo

A influência do Relativismo na compreensão da doutrina da SalvaçãoPor Marcos Antônio Guimarães

Entre os mais variados temas teológicos, a doutrina da salvação merece atenção especial, pois, trata-se de um tema central em toda Bíblia, e está de alguma forma presente em quase todas as formas de religiosidade que conhecemos. Isto sugere que existe uma necessidade implícita no gênero humano de libertar-se do poder e da influência do pecado. Ainda que a grande maioria dos povos não possua esta revelação de forma clara como encontramos na Bíblia Sagrada.
Salvação: conhecimento revelado
Sendo assim, observamos todo o cuidado do Senhor Deus em revelar à humanidade o conhecimento à respeito da salvação, ou seja, a compreensão de um plano de salvação perfeitamente elaborado, onde a criatura reconheça sua condição de queda, entenda a necessidade de arrependimento e aceite pela fé a redenção promulgada por Jesus Cristo, cujo ápice se deu com sua morte no calvário seguido de sua ressurreição no terceiro dia, sendo Jesus Cristo o único caminho pelo qual o homem pode ter acesso à Deus.

O termo salvação, portanto, implica a ação operada por Deus de, por meio da obra de Jesus Cristo, libertar o ser humano do poder e dos efeitos do pecado e da queda, de maneira que a criação em geral e o ser humano em particular possam desfrutar da plenitude da vida projetada por Deus.

Entendendo o relativismo
A salvação conforme revelada nas Escrituras Sagradas, tem sido alvo constante dos críticos relativistas. O termo deriva do latim, relatus, “relativo”, “cognato” de alguma coisa. Na filosofia, esse vocábulo indica que coisa alguma subsiste isolada, não podendo ser considerado um absoluto por si mesmo. Antes, todas as coisas seriam interdependentes, modificando-se umas às outras.

Teoria esta contrária à idéia de que o ser humano tenha algum conhecimento objetivo e universalmente significativo, que haja alguma realidade metafísica (transcendente) suprema e imutável como, por exemplo: Deus, pessoas, espaço, tempo, leis naturais ou absolutos morais. Desta forma, na concepção relativista, o significado e a verdade são relativos a cada cultura e período histórico, a cada pessoa, situação, relacionamento e resultado. Dá a entender um estado mental e uma maneira de pensar que repele as reivindicações absolutas.

A idéia do relativismo não é algo novo, o filósofo grego Protágoras (490-410 A.C) já dizia sobre a verdade “o homem é a medida de todas as coisas” e Aristóteles (388-322 A.C.) comentando as palavras de Protágoras escreveu – Em outras palavras,[Protágoras]estava dizendo que cada impressão particular é absolutamente verdadeira. Mas se essa posição for adotada, decorre-se que a mesma coisa é e não é, que é tanto boa quanto ruim, e assim por diante em outras contradições; porque por fim, determinada coisa parecerá bela para um grupo de pessoas e feia para outro e, pela teoria em questão, cada aparência será “a medida”.

A influência do relativismo na compreensão da salvação
O entendimento do que foi supracitado conduz o indivíduo a crer que, a questão da salvação muda de acordo com o seu contexto, ou seja, não se trata de um absoluto, de uma verdade imutável, mas como querem conceituar, está vinculado ao entendimento temporal e cultural de cada indivíduo, sendo assim, dentro deste entendimento, não importa a fé praticada, no final todos serão salvos, mesmo aqueles que não professam a fé em Cristo.

O referido entendimento tem permeado todos os níveis de pensamento, da educação à teologia. Sendo assim, não nos surpreendemos em ouvir discursos a este respeito provenientes de pensadores seculares, quaisquer que sejam eles, ou de líderes religiosos não-cristãos, mas é preocupante quando ouvimos: “Deus não é cristão. Não somos nós que devemos impor limites ao que Deus é e a quem aceita. Gostaria que todos tivessem a experiência de conhecer o Dalai Lama. Encontrei poucas pessoas tão santas como ele. Trata-se de alguém que recebeu graças extraordinárias. Se não aceitamos que elas vieram de nosso Deus, então nosso Deus não é Deus – disse. Afirmou ainda que os seguidores do cristianismo não devem estar obcecados com a conversão do próximo: Temos muito o que aprender com as outras religiões. Deus acolhe a todos – Palavras do arcebispo Anglicano Desmond Tutu por ocasião da 9ª Assembléia Mundial do Conselho Mundial de Igrejas, que na ocasião falava aos mais diversos segmentos religiosos e sociais ali presente.

O arcebispo Anglicano desprezou a ordenança vital de Jesus aos seus discípulos conforme a narrativa de Marcos 16:15 “ide por todo o mundo pregai o evangelho à toda criatura, quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”. Cristo não pregou a destruição de culturas, mas insistiu que a todos os homens sobre a terra fosse anunciado a mensagem do evangelho.

A Salvação não pode ser compreendida fora do contexto Bíblico
Para o Dr. R. N. Champlin o relativismo (manipulado pelos estudiosos e teólogos liberais) tem procurado anular o caráter inigualável do cristianismo, fazendo o Senhor Jesus, o Cristo, ser apenas um de nossos mestres, e não, necessariamente, o nosso grande Mestre espiritual, o manancial de todo conhecimento e sabedoria, “o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Col. 2:2b3). Por semelhante modo, muitos eruditos liberais deixam-se atrair pela ética relativista, visto que eles não dependem da moral que nos foi divinamente relevada na Bíblia. O filho de Deus que ama a sua Bíblia e o Senhor da Bíblia não aceita o relativismo aplicado à fé religiosa.

No primeiro contato com a vida cristã, é apresentado ao ser humano um padrão de vida moral e ética elevados. Sendo assim, o cristianismo não é uma fé inclusivista, uma vez que a permanência do ser humano numa vida de iniqüidade é inaceitável, pois, ao pecador é demonstrado seu estado de iniqüidade e o caminho para a sua libertação, que é Jesus Cristo.

Não relegamos a segundo plano, o fato de que todo ser humano é pecador e precisa de arrependimento, qualquer que seja sua condição social ou étnica, importa que seja liberto, que seja feito nova criatura. Não se trata de uma postura de exclusivismo, e sim de mudança de vida.

Um caráter moldado pelo materialismo e pelo individualismo tem afastado os homens de Deus, produzindo angústia e desespero, e quanto mais profundamente caminham para longe Dele mais solitários e necessitados se tornam. E, somente Jesus Cristo pode conduzir o homem de volta para Deus, onde se encontra a Paz verdadeira.

Se todos os caminhos levassem a Deus, não teríamos um mundo mais harmônico, mais pacífico? Pelo contrário, observamos que a multiplicidade religiosa não pode fornecer ao homem respostas que sua alma tanto anseia, mas o evangelho de Jesus Cristo tem estas respostas. Nas escrituras sagradas se encontra revelada a verdade como ela é, transparente e desafiadora, porém, incisiva, e regeneradora.

Referências:
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 7ª ed. São Paulo: Hagnos, 2004.
GRENZ Stanley J., GURETZKI David, NORDLING Cherith F. Dicionário de Teologia. São Paulo: Ed. Vida, 2000.
MORELAND, J. P., CRAIG, William Lane. Filosofia e cosmovisão cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005.
COMÉRCIO, Jornal do. Desmond Tutu prega tolerância entre igrejas. 21 fevereiro de 2006. Disponível em: http://jc.plugin.com.br/noticias.aspx?pCodigoNoticia=10987&pCodigoArea=36, Acesso em 25/09/2006.

VERDADE

Podemos construí-la ou ela é uma Revelação Divina?

Por Marcos Antônio GuimarãesA compreensão relativista do mundo, diz que a verdade é resultado da situação, do relacionamento, da cultura e do período histórico que o indivíduo está inserido. Sendo assim, o pensamento relativista afirma que cada indivíduo constrói sua própria verdade.Um diálogo acerca da verdade
Um autor desconhecido parafraseou habilmente um suposto diálogo acerca da verdade entre a filosofia relativista de Protágoras e a filosofia de Sócrates, e demonstra que o anseio de construir a própria verdade já palpitava desde a Antigüidade clássica na Grécia:

Protágoras: A verdade é relativa. É somente uma questão de opinião.
Sócrates: Você quer dizer que a verdade é mera opinião subjetiva?
Protágoras: Exatamente. O que é verdade para você, é verdade para você, e o que é verdade para mim, é verdade para mim. A verdade é subjetiva.
Sócrates: Você quer dizer realmente isso? Que minha opinião é verdadeira em virtude de ser minha opinião?
Protágoras: Sem dúvida!
Sócrates: Minha opinião é: A verdade é absoluta, não opinião, e que você, Sr. Protágoras, está absolutamente em erro. Visto que é minha opinião, então você deve conceder que ela é verdadeira segundo a sua filosofia.
Protágoras: Você está absolutamente correto, Sócrates.

A construção da própria verdade despreza os valores morais
A revista Veja noticiou em entrevista recente com um autor de novelas, que os brasileiros não estão interessados em novelas que valorizem aspectos morais. Mas interessam-se por cenas de adultérios, valorização da temática homossexual, violência e pornografia. Os filmes que geram as maiores bilheterias parecem atender exatamente a mesma demanda, a mesma fome de imoralidade e perversão.

Segundo o escritor Philip Yancey, só nos Estados Unidos mais de 2 milhões de adolescentes praticam aborto anualmente em clínicas financiadas pelo governo. Segundo a revista Época em matéria recente o número de mulheres infectadas pelo vírus da AIDS aumentou assustadoramente nos últimos anos.

Estas circunstâncias mostram o quanto valores e princípios morais fundamentais para o fortalecimento da sociedade estão sendo relegados à um passado distante.

Verdade: uma revelação Divina
A verdade é associada na Bíblia à gentileza, à sinceridade, fidelidade, fé e convicção, a fim de expressar o aspecto moral. A palavra grega Alétheia, sugere que alguma coisa tenha sido descoberta, revelada, segundo a sua verdadeira natureza, dando a idéia daquilo que é real e genuíno, em contraposição com o que é imaginário ou espúrio, ou ainda, aquilo que é veraz, em contraposição com o que é falso.

Em contraste com o conhecimento de um historiador, que depende de pesquisas do passado distante, a busca pela verdade depende da revelação. A revelação depende do interesse de Deus pelo mundo, e é evidência do mesmo, e a encontramos nas escrituras sagradas.

O indivíduo começa a construir a sua verdade, quando rejeita a Verdade revelada nas escrituras sagradas. Charles Colson escritor cristão americano, afirma que as pessoas são agentes morais genuínos, e fazem escolhas morais reais, sendo assim, as ações são resultados das escolhas morais de cada um, e estas escolhas são reafirmadas pelo senso de certo e errado que as pessoas possuem.

A Verdade, portanto, não é uma questão de construção, e sim de revelação. Desta forma, compreendemos que Deus é o Deus da verdade, Cristo é a verdade de Deus revelada ao mundo, e o Espírito Santo é o Espírito da verdade que nos guia por meio da sua Palavra.

Referências:
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 7ª ed. São Paulo: Hagnos, 2004.
COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
MARTHE, Marcelo. A moral esta torta. Revista Veja. 21 Junho de 2006. Disponível em: http://veja.abril.com.br/210606/entrevista.html. Acesso em 13/10/2006.