3 dicas para uma classe mais participativa

3 dicas para uma classe mais participativa

 

 

Adelaide Marques

Revista Profissão Mestre

Algumas vezes, as aulas parecem se arrastar. Você tenta de tudo para conseguir a participação dos estudantes, mas nada. Uma das causas da apatia pode estar em seus alunos. Se eles não encontram nenhum ponto de contado entre si e com você e sua aula, se não sabem porque estão ali, bem, ninguém vai participar mesmo.

 

Imagine-se, leitor, caindo no meio de um seminário sobre neurocirurgia. Ou sobre técnicas avançadas de construção de pontes. Ou treinamento de um time de rúgbi. Bem, muitos de seus alunos também se sentem assim. Não é seu conhecimento que importa, mas o que eles sabem sobre aquele assunto.

1 – Use o conhecimento dos alunos. melhorar a precisão do chute para ensinar física, gastos com roupas e comidas para lecionar matemática e os grupos étnicos da cidade para falar sobre história e geografia.

 

2 – Inclua uma meta. O que os alunos vão receber ao final daquela matéria? A resposta “passar de ano” não vale muito. Procure dar-lhes motivos práticos. Português, por exemplo, é uma das coisas mais úteis para uma banda de garagem fazer letras decentes. Matemática e física os ajudam a organizar melhor o dia-a-dia e a ganhar tempo.

 

3 – Participar não é brigar nem concordar. Mostre a eles, desde cedo, que podem ter opiniões diferentes entre si (e até divergir do professor) e se expressar sem cair nos ataques pessoais e brigas. Isso vai estimular o debate uma vez que alguns alunos pensam que devem engolir tudo o que o professor diz. Com isso, preferem não dizer o que pensam (pois estão pensando “errado”), e não participam. Estimule o debate civilizado.

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Ensinar tem cheiro de oficina

Ensinar tem cheiro de oficina

 

Revista Profissão Mestre

 

 

Marcos Meier

 

Quando eu tinha cinco anos de idade, costumava ir à oficina de meu avô e explorar os mais intrigantes objetos. Ele era um sapateiro. Não daqueles que, heroicamente, vivem à custa de pequenos consertos em botas ou sapatos; ele os construía do couro bruto até a última pincelada de tinta preta. Eu sentia o cheiro do couro, da tinta, da cola e do pó. Com cinco anos de idade, a imagem de um homenzarrão de avental de couro e uma faca afiada na mão impunha muito respeito. Mostrava-me o couro cru sobre o balcão, os moldes, os cortes, as fôrmas, as máquinas de lixar que ele próprio inventara e o processo de fabricação até o produto final sobre a prateleira.

 

Mas não era essa imagem rude que me fascinava. Era seu jeito carinhoso de pegar-me no colo, abrir um jornal e explicar com uma paciência enorme o som de cada sílaba e o nome de cada letra. Não havia uma didática especializada, não havia nenhum método pedagógico específico, mas fui alfabetizado. Aprendi a ver o mundo inteiro através daquelas páginas enormes suspensas no ar por mãos calejadas, rudes, ásperas.

 

O que fez a diferença? Por que ainda hoje lembro de sua voz, de suas correções e de seus elogios? Porque havia amor. As botas cano alto, os sapatos de salto ou o meu processo de alfabetização recebiam uma espécie de atenção que só existe naqueles que amam. Essa marca carrego ainda hoje. Lembro-me do carinho, da dedicação, das broncas e dos elogios.

 

Hoje meu jeito de ensinar está impregnado pela memória de meu avô. Provoco meus alunos, aponto falhas, elogio seus progressos e acima de tudo, respeito-os.

 

Quando leciono, provoco reflexões, assumo o argumento contrário e luto por ele até ser esmagado pela opinião bem fundamentada de meus alunos. Faço o contrário também. A síntese é construída por todos nós.

 

Quando apresento um conhecimento já elaborado por um autor, vou trocando idéias com meus alunos para que esse conhecimento possa ser incorporado, ligado, relacionado aquilo que eles próprios já construíram, possibilitando-lhes a aprendizagem significativa como diz o educador David Ausubel.

 

A maiêutica socrática em que uma idéia se faz nascer e em seguida é lapidada por meio de diálogo argumentativo é o tom de minhas conversas com os alunos.

 

Leciono em cursos de pós-graduação. Como trabalho final, os alunos precisam construir um texto. Escolhem o tema, a forma de desenvolver o artigo, as obras a serem pesquisadas, o problema a ser levantado e a hipótese a ser defendida ou negada. Esses alunos têm a possibilidade de criar, de serem autores. Em suas próprias vidas é isso que precisam constantemente fazer. Quando desistem desse projeto, tornam-se escravos da mídia, da sociedade capitalista, da ostentação dos bens materiais, da moda e do consumismo em detrimento dos valores humanos de solidariedade, amizade, tolerância e de luta por igualdade e justiça social.

 

Entretanto, surgem alunos que não “aderem” ao processo. Preferem aulas expositivas nas quais tudo é sintetizado e explicado de forma que possam, passivamente, receber as informações e anotá-las pensado que suas anotações, uma vez memorizadas, podem ser transformadas em notas. Triste realidade.

 

Os alunos que aderem ao processo são diferentes. São autores de sua própria história, como diria Paulo Freire. Assim, o desafio de alcançar os alunos passivos torna-se maior. É preciso dizer “não importa a nota, o que você veio fazer aqui?” , “De que forma posso lhe ajudar?”. Enfim, é preciso colocá-los no colo, abrir um jornal e carinhosamente ajudá-los a entender o mundo. Ajuda-los a perceber que não são as letras que importam, mas o que elas dizem. De vez em quando, uma bronca, uma provocação, uma pergunta para guardar. Outras vezes, é preciso mostrar o couro cru sobre o balcão e a bota de cano alto na prateleira, deixando que a imaginação preencha o espaço entre eles.

 

Meu avô faliu. A indústria de calçados aprendeu a fazer sapatos em série e a diminuir os preços. Ninguém mais queria suas botas e seus sapatos. Preferiam tênis ou sapatos que logo pudessem ser substituídos por outros mais modernos, “da moda”. Entretanto, meu avô jamais foi um fracassado. Ele teve sucesso numa das maiores e mais significativas missões: educar.

Falando sobre desempenho

Falando sobre desempenho

Gilda Lück

Profissão Mestre

Em um mundo tecnológico e visual, como acontecessem nossas aulas?
A diversidade de aparatos tecnológicos vem ampliando as informações e o acesso a elas. Por outro lado, muitas de nossas aulas continuam repetitivas e maçantes, quando deviam ser criativas e originais. Estamos competindo com o divertido, com o lúdico da Internet e dos jogos de computador, sem citar a televisão. Necessitamos, portanto, de um aprendizado mais abrangente em instrumentais de metodologias alternativas.

Nesse contexto, os professores precisam trabalhar com seus educandos técnicas que possibilitem o desenvolvimento de suas habilidades e orientá-los na busca pelo conhecimento. Para aqueles que assim se propuserem, o mar não só será navegável como repleto de tesouros e mistérios inesgotáveis.

Isso precisa acontecer porque, com a facilidade, agilidade e quantidade de informações disponíveis, o professor e até a própria escola perdem espaço no processo de sedução do aluno em prol da educação. Mas esses quesitos devem continuar sendo os pivôs na condução dos estudantes, estabelecendo o significado do coletivo e do individual, priorizando-os como agentes ativos do seu conhecimento e fazendo-os interagir com outros alunos para enriquecer a experiência através das trocas.

O ambiente educacional deve proporcionar ao professor e aos alunos todas as facilidades para que esses objetivos sejam atingidos, oferecendo a possibilidade de trabalhar com metodologias alternativas e, principalmente, centralizando esforços na elaboração e execução de um planejamento estratégico conjunto – para todos os níveis de processos e relações a serem produzidas –, certificando-se da criação de um espaço sadio.

Dentre os modelos de desempenho apresentados atualmente, podemos destacar o do uso sistemático de dinâmicas como um dos mais completos.
Vale a pena abordar esse tema devido ao fato de que o uso da técnica de dinâmicas de grupo, quando exploradas em contextos educacionais, na maioria das vezes é feita sem um foco didático-pedagógico. São simplesmente executadas sem uma finalização, com um conteúdo pedagógico e desvinculadas de um planejamento inicial.
O uso das dinâmicas de grupo propagou-se como uma atividade pedagógica na década de 40 com as pesquisas de Kurt Lewin, psicólogo alemão que fundou o Centro de Pesquisa de Dinâmica de Grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em 1945. No instituto, fez diversos trabalhos na área de T-groups (grupos de treinamento). O grande foco foi a relevância dada à reflexão sobre a prática pedagógica contextualizada pela dinâmica.

Partindo disso, poderíamos conceituar a prática da dinâmica como uma atividade, na maioria das vezes, curta e objetiva, com características motivadoras e envolventes.

Por possuírem metas distintas e “lincadas” com os objetivos educacionais, podem apresentar como resultados desde um simples aquecimento para processos posteriores, assim como:

reflexão

análise

julgamento

sensibilização

acesso e desenvolvimento de aptidões

construção de habilidades

preparação para mudanças de atitudes e de comportamentos

aprendizagem

O que precisamos é compreender o fato de a dinâmica ser um potencial instrumental, não só dentro do fazer pedagógico, mas, também, como elemento importante da base instrumental do currículo. Devendo, portanto, constar no planejamento pedagógico e no plano de aula.

Baseando-se no relacionamento da turma e na criação e execução de tarefas, esse modelo de desempenho segue um programa sistemático, organizando a seqüência dos conteúdos e atividades. A questão da disponibilidade (em tempo) de informações personalizadas faz com que as curiosidades individuais dos alunos aflorem, com que eles admitam a troca, favorecendo o aprendizado de todos e permitindo que os processos vinculados com o ato de aprender ocorram no horário solicitado, respeitando as características e o coletivo.

Está constatado e provado por pesquisas bem fundamentadas: alunos aprendem mais com seus colegas do que com o próprio professor. Assim, trabalhar com dinâmicas educativas instrumentaliza o educador a disponibilizar com sucesso o processo de inter-relação. Então, poderíamos afirmar que, em se tratando de aprendizagem experimental, a dinâmica dentro do fazer pedagógico considera as necessidades e a identidade do grupo que é aplicada.

Cabe ao professor dar alguns significados relevantes ao desempenho da metodologia aplicada. Por exemplo:

1 – Objetivo claro e transparente (o que e porque se faz, onde se quer chegar);

2 – experimentação ativa;

3 – proposição da reflexão e análise do processo;

4 – conclusão e congregação de novos conhecimentos propostos.

A avaliação, dentro desse sistema poderá ser somativa (processual), baseando-se pelo empenho pessoal, participação e conclusões de cada aluno. Dispensa, portanto, a avaliação formal e estabelece os alunos como seu próprio referencial, quebrando o padrão médio de classe.

Muitos são os educandos que fazem da experiência em dinâmicas um motivo primordial para participar de uma forma proativa em seu próprio processo de aprendizagem. O estímulo e a motivação são conseqüências da aula, e não somente o pré-requisito.

A nova ótica de desempenho, conseqüentemente, traz cada vez mais o aluno como sujeito do processo. Desta forma, torna-se muito mais um processo de aprendizagem do que de ensino, e é dentro dessa nova visão que temos de focalizar o nosso desempenho.

Gilda Lück é assessora pedagógica do grupo Dom Bosco, mestre em Educação pelo Lesley University (EUA) e doutora em Engenharia da Produção. E-mail:egopedagogia@ig.com.br

 

 

COMO PODEMOS CONTRIBUIR PARA TORNAR A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL MAIS ATUANTE E INTERESSANTE?

COMO PODEMOS CONTRIBUIR PARA TORNAR A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL MAIS ATUANTE E INTERESSANTE?

1. SAIBA COMO PLANEJAR, COM EFICÁCIA, SUA AULA:

Conteúdo- deve ser de pleno conhecimento do professor, o primeiro a ser considerado no planejamento da aula.

Extensão e tempo- é necessário verificar a quantidade de informações e ensinamentos a serem transmitidos. É preciso fazer uma seleção de conteúdos, priorizar as informações e ensinamentos que mais se harmonizam com os objetivos da aula, de forma prática no tempo disponível.

A exposição de uma lição requer uma boa distribuição de tempo:

  • Abertura (5%) – uma espécie de “quebra-gelo”.
  • Introdução (10%) – estabelecimento de relações com o tema estudado na aula anterior. Desperta a disposição para a aprendizagem. É por isso que deve haver criatividade, por parte do professor, que, também, precisa utilizar notícias de jornal, fatos contemporâneos, ilustrações e experiências corriqueiras para que os alunos se familiarizem.
  • Interpretação (30%) – a argumentação bíblica do professor deve ser consistente com as verdades contidas na Palavra de Deus, de tal modo que os alunos posam interpretá-las e aplicá-las.
  • Aplicação (40%) – o aluno deve ser estimulado a mudar aspectos de sua vida para andar de acordo com o que está contido nas Escrituras: os princípios, leis, ensinamentos que devem ser levados em consideração, esclarecidos e assimilados para a formação do caráter cristão. É o momento no qual deve-se estimular a participação, o partilhar de experiências que propiciem edificação e aprendizado. Tudo isto deve ser feito com a supervisão e direcionamento do professor para que não se escape dos objetivos da aula.
  • Conclusão (15%)- recapitulação das principais informações transmitidas e repasse de conhecimentos aprendidos. É o momento de fechar idéias, confirmar doutrinas e demonstrar a importância da mudança de atitudes e comportamentos. É momento de comunhão e edificação espiritual, por meio do qual os alunos farão uma introspecção para expor, diante do Senhor, a situação real de sua vida em busca de mudança.

A importância do planejamento e do ensino eficaz:

 

É o momento no qual o professor vai explorar, ao máximo, o seu potencial e criatividade, constatando o interesse dos alunos pela Palavra de Deus e o desejo de retribuir o que lhes foi ensinado. Para alcançar isto, o professor deve ser previdente e organizado, administrando o seu tempo semanal com a meditação da lição que vai ensinar.
Por meio do ensino, o professor desperta a mente do aluno para captar e reter a verdade, motivando-o a pensar por si mesmo, da seguinte forma:

 

1. O aluno precisa crer que não é o professor que o ensina.O professor tem que fazer que fazer com que o aluno pense por si mesmo, estimulando a sua atividade intelectual para que ele descubra as verdades implícitas na sua mensagem. Somente há aprendizagem com a atividade mental dos alunos. Para isto, devem ser guiados de tal forma que possam expressar com segurança seus novos pensamentos, com base nos resultados da leitura e observações do professor.

 

2. O professor deve explicar o novo com base no antigo, partindo do conhecido para o desconhecido, do claro para o obscuro, do fácil para o difícil. A eficiência do seu ensino está na apresentação de imagens já conhecidas para que os alunos façam associações, da mesma forma que Jesus o fazia com as parábolas.

 

3. Deve-se considerar a faixa etária, as condições sócio-econômicas, bem como os interesses do aluno para que possamos ensiná-lo de acordo com as suas necessidades, adaptando o ensino ao desenvolvimento moral e espiritual dos mesmos (ou seja, à altura espiritual dos alunos).

 

4. A verdade a ser ensinada deve provocar mudanças na vida do professor, permitir que o mesmo se emocione, sinta o impacto daquela palavra ensinada em sua vida e a pratique. Quem domina a lição e permite que ela o comova, também saberá comover os seus ouvintes.

 

5. Vejamos o que Myer Pearlman diz acerca do papel do eficiente professor:

 

“…Você, professor, tem de relacionar constantemente as partes das Escrituras – comparando as histórias com as doutrinas, as profecias com seu cumprimento, os livros com os livros, o Antigo Testamento com o Novo Testamento, os tipos com os arquétipos (modelos, anotação nossa), para que o aluno aprenda que a Bíblia não é uma coleção de textos e de fatos separados, estanques, mas uma unidade viva, cujas partes estão relacionadas vitalmente umas com as outras, como os membros do corpo humano. Vimos depois que o professor precisa aplicar continuamente a lição à vida individual, e à coletiva, para que o aluno fique sabendo que todo ensino bíblico está relacionado com os fatos de sua vida. Nenhum ensino bíblico é teórico, sem aplicação prática.”1

 

2. COMO O PROFESSOR DEVE SE PREPARAR

 

1. Preparo espiritual – à frente da sala deve estar um verdadeiro cristão, alguém que tenha uma real experiência de conversão e que procura santificar sua vida. Tal serviço prestado ao Rei é resultado de uma vocação, um gesto de adoração. Não basta ser profissional, é necessária a submissão ao Senhor Jesus, uma vida de adoração, de execução da Sua vontade e busca pelas coisas de cima, tal como o salmista orou: “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da Tua lei.” (Sl 119.18). É preciso reconhecer-se dependente do Senhor, incapaz de compreender a Palavra sem o Seu auxílio, moldando a sua vida de acordo com esta Palavra. O professor deve ser um depósito de verdades divinas e fiel guardião da sã doutrina à medida que viver em comunhão com a Palavra de Deus (Sl 119.97; Ex 3.1). Este amante da Palavra, certamente, vive com o seu coração a ferver com palavras boas, ensinamentos eternos e vivos que fazem toda a diferença (Sl 45.1).

 

2. Preparo bíblico eficaz – o preparo espiritual é um pré-requisito indispensável para se dar início ao preparo bíblico, num profundo mergulho nas Escrituras, que se apresenta nas seguintes atitudes:

  • fazer diversas leituras do texto bíblico, comparando as diferentes versões;
  • formar uma biblioteca pessoal que contenha dicionários, concordâncias, comentários e manuais bíblicos que auxiliarão na interpretação dos textos;
  • fazer diversas perguntas ao texto para identificar promessas, ordens, mandamentos, princípios, doutrinas, orientações e lições. O descuido com a pesquisa traz inúmeros prejuízos à aula, o que contribui para desmotivar os alunos;
  • fazer um esboço detalhado do texto bíblico – dividir o texto em partes menores permite a assimilação de novas informações;
  • selecionar as lições mais importantes do texto – a Bíblia é como um poço de águas cristalinas que saciam a nossa sede; como uma caverna que contém inúmeros tesouros, os quais, para serem encontrados, requerem tempo, paciência e coragem de quem os busca. Deve haver prazer em meditar na Lei do Senhor (Sl 1.2) para efetuar este intenso trabalho de pesquisa.

3. Estudo da lição desde o início da semana – o ideal seria que todo professor reservasse, pelo menos, meia hora de cada dia, para estudar a lição. Dessa forma, resolveria aquelas questões que surgem, durante o estudo, antes de ministrá-lo à sala, encontrará melhores ilustrações e referências para o assunto, disporá de mais tempo para orar, bem como contar com a função cerebral subconsciente, segundo Myer Pearlman:

 

“O subconsciente nos ajuda muito. Sabe-se que por meio do subconsciente aprendemos muito. Depois de havermos feito um estudo árduo e consciente de um assunto, nossa mente continuará trabalhando na questão, enquanto dormimos ou cuidamos de outras coisas. O ditado muito conhecido que diz ‘consulte o travesseiro’ acerca de uma decisão ou problema, está certo. É exemplo do que vimos dizendo sobre o subconsciente. Mas acima de tudo, lembre-se de que por meio da oração é possível estimular sobrenaturalmente as nossas faculdades mentais. ‘Ele os guiará em toda verdade’, diz-nos Cristo. Note que a palavra ‘guiar’ subentende que devemos estar procurando a verdade, ou em outras palavras: estudando.”2

 

4. Estudo consciente

  • O texto bíblico da lição deve ser averiguado, analisado, dissecado, experimentado antes da investigação profunda do comentário da revista.
  • Ajuntar material além do necessário para a aula. Isso depende da aplicação e dedicação do professor que deseja inspirar amor pelo estudo, trazendo informações adicionais ao texto da lição para a classe.
  • Estudar o texto e o contexto de forma detalhada.

5. Registro pessoal de seu estudo – o professor deve preparar-se em oração e fazer anotações pessoais (na escrita e na prática) que estejam relacionadas à edificação do caráter cristão e testemunho pessoal. A mensagem a ser transmitida deve provocar o efeito da transformação de vidas. Daí a necessidade do testemunho pessoal.

 

6. O estudo da lição – o planejamento da aula com base nos objetivos da lição é fundamental para que o professor ensine uma mesma verdade de várias maneiras. Tudo o que ele disser deve estar centrado no objetivo principal da lição. O tema principal será como um Sol, ao redor do qual se moverão todos os pensamentos a ele relativos, tais como os planetas o fazem ao redor da maior estrela

 

7. Apresentação da lição – o início da aula é o momento de negociação, momento no qual o professor vai lançar o anzol com uma isca bem apetitosa para atrair o aluno a si, mantendo-o fisgado. Para isto, ele deve elaborar estratégias que façam o aluno pensar, despertem o seu interesse, explicando verdades novas com o auxílio de verdades já assimiladas. O esboço não deve ser lido para a classe. Deve ser apresentado como um esqueleto que o professor vai revestir com a carne, usando os comentários necessários para revesti-lo e tornar a mensagem compreensível.

 

8. Ilustração da lição – o professor precisa estar atento ao limite de tempo que possui para que possa ministrar a aula de acordo com o objetivo principal. Myer Pearlman compara a ilustração da lição à edificação de uma casa:

  • “ Dominar a matéria e determinar o objetivo correspondem, digamos, a fazer um desenho da casa pronta, e elaborar a descrição detalhada da planta. Pode incluir a decisão quanto ao material que se há de usar.
  • A introdução da lição representa a abertura dos alicerces.
  • Resumir a lição é levantar as estruturas de concreto.
  • As perguntas correspondem às divisões revisadas. Pediu-se aos alunos que respondessem a algumas perguntas acerca do assunto.
  • Por meio de trabalhos práticos, por escrito, ou por meio de diálogo, o professor dará o acabamento à obra.”3

Ele ainda acrescenta:

  • “As ilustrações correspondem às janelas e às lâmpadas elétricas que iluminam as dependências da casa. As ilustrações esclarecem o tema, ajudam o aluno a compreendê-lo, e assim mantém seu interesse. Por isso, é melhor o professor preparar uma lista de ilustrações. ”4

Para fazer bom uso das ilustrações, o mesmo autor deixa-nos algumas sugestõesde como as ilustrações devem ser:

  • mais claras que a verdade que ser ilustrar;
  • interessarem o aluno e estar relacionada à sua experiência,
  • relacionarem-se realmente com a lição;
  • apresentadas com um certo limite, evitando-se o excesso;
  • causar boa impressão;
  • sugerirem boas idéias;
  • aplicadas à verdade e a verdade aplicada à ilustração. Ex.: parábolas.

8. A conclusão da lição – é o momento no qual o professor vai trabalhar para despertar no aluno o firme desejo de colocar em prática tudo o que aprendeu, dando a ele oportunidades para memorizar a mensagem principal e amar a verdade ali ensinada. Pois o que mais importa é a aplicabilidade do conhecimento, o que nos faz recordar a unidade do homem como a apresenta Pestalozzi: espírito – coração – mão. Observando este aspecto, o professor possibilitará o desenvolvimento da tríplice atividade humana, contribuindo para o aprimoramento da inteligência, da moral e da técnica: conhecer – querer – agir: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl.119.11).

3. MÉTODOS DE ENSINO

Ao preparar a lição, o professor não deve considerar apenas o conhecimento do assunto, mas a forma como vai ensinar, fazendo, para si, perguntas, tais como:

  • Como vou transmitir as verdades espirituais à minha classe?
  • Vou partir de perguntas para despertar a motivação, a curiosidade?
  • Solicitarei alguma pesquisa?
  • Quais os caminhos que percorrerei juntamente com meus alunos?

Dissertação – é a apresentação da lição à classe, sem permitir que haja interferência contínua dos alunos. É válida para salas numerosas. Para isso, o professor deve ser um excelente orador, pois, dessa forma, vai reter a atenção e interesse da sala.

 

Narração – o professor inicia a aula contando uma história para despertar a motivação da sala, bem como a visualização do fato. É o método ideal para salas infantis, mas os adultos também apreciam este método e até ficam mais motivados.É uma excelente forma de apresentar as verdades espirituais. Para Myer Pearlman, “…Todo professor deve cultivar a arte de narrar histórias. Deve ser capaz de imaginar a vida nos tempos bíblicos, rever as cenas, caminhar entre as pessoas, ouvir suas conversas, compreender seus costumes, e depois descrever vividamente o que viu. Desta maneira a história bíblica chega a ser uma realidade para seus ouvintes.(…) Por meio de histórias bem narradas, os interesses, inclinações e emoções da criança podem ser encaminhados para o bem, com repúdio do mal. Comovidas e emocionadas pela história, a que dedicam todo o interesse, as crianças tornam-se ouvintes reverentes e, à medida que sua compaixão ou aversão é despertada, pela representação das cenas e personagens, as crianças podem ser guiadas e amar a retidão e odiar o pecado, com a mesma segurança e tranqüilidade. (…) A história que tem valor no ensino deve despertar emoções, incitar o interesse e gravar uma verdade no coração. É uma fotografia que chama a atenção, desperta o interesse e mexe nos sentimentos. A melhor forma de indicar que certa história tem valor no ensino da Escola Dominical é a comprovação de seu êxito.”5

  • Contar histórias é despertar o interesse de outrem porque sempre estamos interessados ao que acontece com o nosso semelhante. Lembremos do episódio ocorrido entre Davi e Natã (II Sm 12).
  • As histórias despertam sentimentos, emoções que empolgam os ouvintes, fazem vibrar as cordas do coração. Quem ouve começa a pensar, sentir e até interferir na ação das personagens, o que caracteriza um fenômeno chamado catarse. Jesus usou este recurso de forma abusiva quando contava suas parábolas.
  • O conteúdo da história deve estar vinculado à realidade. Seus princípios morais e espirituais precisam ser úteis ao nosso viver cotidiano (Lc 10.25-37).
  • A história influencia na conduta de quem a ouve, contribui para a formação do caráter.
  • Para contar histórias, o professor deve: conhecê-la bem, respeitar a ordem lógica dos acontecimentos, permitir que seus alunos vejam e ouçam diferentes cenas e personagens da história, dar oportunidades para que os alunos vivenciem e sintam as emoções que a história pode provocar.

Ensinar ao aluno como estudar – através de exercícios demonstrativos, o professor reuniria sua classe para apresentar-lhe os caminhos pelos quais estuda a lição e chega à algumas conclusões, demonstrando os motivos da realização de cada atividade do estudo bíblico e da necessidade de realizá-las.

 

Despertar o interesse de cada aluno para estudar – dar uma tarefa definida a cada aluno para que ele se sinta responsável pelo seu trabalho e o apresente à sala.

 

Método interrogativo – através de perguntas, o professor mantém a sala atenta ao que está ensinando, pois faz perguntas relativas às questões mais interessantes da lição. As perguntas devem fazê-los pensar, mas não podem provocar discussões de temas à parte do assunto em pauta. O professor deve estar atento para perguntas pertinentes ao assunto. Dessa forma, se estabelecerá o diálogo, a interatividade e o prazer pelo estudo.
A pergunta é um dos instrumentos mais úteis e eficazes no ensino. Elas devem ser usadas para o desenvolvimento da lição, esclarecer alguns pontos, estimular o pensamento, enfatizar as principais verdades e manter a classe atenta, ocupada.
Myer Pearlman nos orienta acerca da utilização deste método em nossas aulas:
“…as perguntas não devem confundir, mas devem ser claras e precisas. Não devem obscurecer o tema, mas jorrar luz sobre o terreno que será atravessado. As perguntas não devem revelaras respostas, porque isso impede o aluno de pensar. Que os alunos saibam muito bem o sentido das perguntas.(…) Se o aluno comete alguns erros quando responde, é melhor deixá-lo que continue, sem interrupção, porque o propósito principal quando você lhe faz uma pergunta não é apenas receber uma resposta exata, mas ensinar o aluno a expressar-se por si mesmo e a compreender a verdade. E ainda que a resposta esteja errada, ela exerce uma função importante: ela orienta o professor a corrigir algum conceito equivocado na mente do aluno.”6

 


MATERIAIS DIDÁTICOS

 

A escolha dos recursos didáticos está restrita ao método, criatividade e recursos disponíveis para que a aula não seja monótona, repetitiva e desestimulante, haja vista que 85% daquilo que apreendemos é adquirido por meio da visão. Segundo um provérbio japonês, “Ver uma coisa vale cem vezes mais do que ouvir sobre ela”. Assim a verdade será levada ao coração por meio dos olhos e esclarecem as curiosidades naturais de cada aluno. Para tornar a aula mais atrativa e interessante, neste ato de compartilhar verdades espirituais, podem ser usados:

  • quadro-negro – para registro de informações;
  • álbum seriado – para conter esboços, ilustrações, mapas e figuras;
  • flanelógrafo / flip-chart – painel no qual são anexadas as figuras ou textos;
  • retroprojetor- é uma espécie de álbum seriado elétrico;
  • objetos e outras coisas- usados continuamente por Cristo em seus ensinos, demonstra-nos a sua larga utilização em nossas ilustrações: o lírio representa a pureza; a lagarta, a regeneração e ressurreição; um feixe de ripas demonstra que a união faz a força etc.

Há outras dinâmicas que podem ser usadas, durante as aulas, para estimular o interesse:

 

Palestra ou exposição – deve ser usada juntamente com outros métodos que permitam a construção do aprendizado a partir da realidade de vida do aluno, favorecendo a participação sem a monopolização do tempo por parte do professor. A exposição, apresentada de forma criativa, também é bastante proveitosa.

 

Discussão – é a apresentação de uma situação-problema (do interesse dos alunos) que será discutida por todo o grupo em busca de solução para o problema apresentado. O professor deve estimular a participação e respeitar as opiniões alheias, fornecendo informações imprescindíveis para orientar a discussão. As soluções possíveis devem ser atestadas e serem alvo das reflexões e avaliações da classe. Se o professor não interagir com a classe pode-se alcançar ao final sem conclusões alguma.

 

Discussão em grupos – aspectos diferentes de uma mesma situação-problema são distribuídos para grupos menores discutirem.O relator anotará as decisões finais para identificar as soluções, avaliação e decisão final. Depois cada grupo, apresentará seu relatório para a classe.

 

Perguntas – elaboradas, anteriormente, aguçarão a curiosidade intelectual dos alunos.

 

Debate – troca de opiniões em torno de um determinado tópico de estudo.

 

Dramatização – integra os alunos e auxilia na vivência da realidade do texto com mais intensidade e envolvimento.

 

O professor deve usar métodos variados até descobrir aqueles com os quais os alunos se identificam, motivando-os à pesquisa e ao estudo da Palavra de Deus. Ter um método é optar por um caminho definido para conduzir os alunos ao lugar que desejamos.

 

4. COMO DESPERTAR O INTERESSE DOS ALUNOS

 

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (I Tm 4.15 – ARC)

 

1. Demonstre seriedade no estudo da Bíblia – desse modo, os alunos sentirão os resultados desse trabalho e terão motivação para seguir o seu exemplo. Só deve estar diante de uma sala de EBD quem está realmente comprometido com o estudo e ama a Palavra de Deus.

2. Procure ser pontual e assíduo – os alunos devem ser recebidos pelo professor, o qual deve iniciar e terminar a aula no horário estabelecido, evitando prolongamentos desnecessários. É preciso tomar cuidado para evitar críticas pela falta de compromisso.

 

3. Ministre aulas criativas e dinâmicas – é necessário buscar formas atraentes e bem humoradas de ministração da Palavra. O dinamismo é imprescindível.

 

4. Planeje aulas envolventes – os alunos precisam sentir-se à vontade para contribuir com a aula, verificando que o seu potencial, conhecimento e cultura são considerados. O planejamento do professor deve facilitar tudo isto, permitindo o envolvimento e o prazer de todos participarem da descoberta das verdades eternas.

 

5. Busque a aplicação do conteúdo – esta é parte mais importante da aula no que se refere à utilidade para a vida do aluno. Ele precisa saber o que aquele texto bíblico tem a ver com a sua vida diária para que a Bíblia se torne um livro relevante e pertinente para sua realidade. O professor de EBD tem compromisso com a vida de seus alunos e não apenas com o intelecto deles, não se preocupa apenas em transmitir-lhes informações, mas de aplicar, em suas vidas, os princípios da Palavra de Deus.

 

6. Não basta apenas ensinar, é preciso viver (Tg 4) – em atitudes e comportamento, o professor demonstra o que ensina em sua própria vida. Somente assim, os alunos verão a possibilidade de colocar em prática os princípios bíblicos. O professor deve ser piedoso e submisso à Palavra de Deus. Jesus tinha autoridade para ser mestre porque vivia o que ensinava.

 

7. Esteja totalmente integrado à sua igreja – a cooperação e o envolvimento do professor com a Igreja inspira os alunos a se envolverem com as coisas de Deus, quando zela pela:

  • presença aos cultos e atividades da igreja;
  • entrega do dízimo na casa do Senhor;
  • distância dos ventos de doutrinas, sendo fiel aos princípios de sua denominação;
  • conduta exemplar, pois sua vida é uma referência para os demais, dando bom testemunho, não se envolvendo em conspirações que destroem a convivência entre os irmãos (Pv 6. 16-19)

5. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA

 

Contexto – todo texto bíblico é coerente com o contexto imediato e amplo. Interpretar textos fora de seu contexto é um grave erro.

 

Gramatical – o uso e sentido das palavras sofrem alterações, daí a necessidade de pesquisa para compreender o sentido do texto para os seus destinatários. Também é necessário tomar cuidado com a leitura, observando a pontuação, os tempos verbais, plurais etc. Assim, a interpretação será eficaz.

 

Histórico – todo texto foi produzido num momento histórico, com uma realidade social, cultural, geográfica, política e até filosófica específicas. Deve-se observar estes aspectos para compreender o texto bíblico.

 

Teológico – todo texto bíblico está repleto de informações de caráter doutrinário. Cada texto contém um princípio doutrinário que deve ser destacado e aprendido.

 

Prático – os princípios e as verdades bíblicas devem ser aplicados corretamente às necessidades do ser humano na época atual.

 


6. MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO

 

O estudo se constitui na descoberta do significado de um versículo à luz dos princípios citados acima. Não podemos estudar o versículo isoladamente. Para não incorrer neste erro, precisamos tomar as seguintes atitudes:

  • Identifique e examine o contexto geográfico-histórico, social e cultural.
  • Investigue o texto através de perguntas, fazendo suas próprias observações, levantando dúvidas e aplicações à sua vivência (inferências).
  • Reescreva o versículo com as suas próprias palavras.
  • Examine as referências, verificando outras idéias presentes ao texto e contexto.
  • Selecione aplicações úteis que causam impacto na vida das pessoas.

Em todos os capítulos da Bíblia há diversos ensinamentos e aplicações para nossas vidas. Para estudar cada capítulo, algumas atitudes permitem uma melhor compreensão do mesmo:

1) Leia o capítulo com atenção – familiarizando-se com ele em diversas versões.
2) Identifique a estrutura do capítulo – separando os assuntos nele tratados, coma finalidade de verificar o progresso do pensamento do autor.
3) Verifique o contexto – não deve ser tratado isoladamente, mas está revelando o propósito, mensagem e situação histórica do livro em que está inserido.
4) Pergunte ao texto- questionamento e investigação.
5) Amplie o horizonte da pesquisa – utilizando-se de outras referências bíblicas e materiais de apoio para facilitar a compreensão do texto.
6) Esquematize o estudo – destaque os principais aspectos tratados pelo texto com a finalidade de aplicá-los à sua vida e à vida dos alunos.

A SEQÜÊNCIA DE UM ESTUDO BÍBLICO:

 

1. Delimite a abrangência do estudo – tome cuidado com as generalizações, para não perder o ponto central, o foco de seu estudo.
2. Descubra as passagens pertinentes – uma concordância bíblica e análise de diversos textos favorecerá a identificação de outros textos pertinentes ao assunto.
3. Entenda o contexto das passagens bíblicas – através de outros materiais de pesquisa e enciclopédias afins.
4. Anote observações e aplicações práticas – todo texto precisa da aplicação à sua vida e à de seus alunos.
5. Faça um esboço – para facilitar o entendimento progressivo do assunto.
6. Identifique informações – toda mensagem bíblica contém uma novidade que você precisa descobrir.

 

COMO ESTUDAR UM PERSONAGEM BÍBLICO:

 

Aprendemos, com as fraquezas e virtudes dos personagens bíblicos, lições para serem aplicadas às nossas vidas.

 

1) Escolha da personagem e lista de passagens que tratam da sua vida.
2) Resumo de sua vida para compreender o desencadeamento dos fatos por ele vividos.
3) Identificação das fraquezas e virtudes.
4) Comparação do personagem com a nossa vida e como lidou com as situações nas quais se evidenciaram fraquezas ou virtudes.
5) Organização da biografia da personagem.

 


COMO AJUDAR SUA IGREJA A CRESCER ATRAVÉS DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

 

É necessário analisar a EBD de cada igreja para descobrir os motivos do desinteresse pelo estudo bíblico. Não seria demais reprisar que a mesma é uma das principais agentes da evangelização da igreja. Robert Raikes (1736-1811) tinha esta visão. A EBD, fundada por ele, evoluiu tanto que, após 20 anos de sua morte, 1.250.000 crianças (25% da população) estavam envolvidas com a Palavra de Deus. Para melhorar e fazer a EBD de nossa igreja local, é preciso:

a) Conquistar o Pastor – ele necessita de humildade e discernimento espiritual para montar uma equipe motivada e bem disposta que dinamize e contribua para o crescimento da Escola Bíblica Dominical.

b) Conscientizar os pais – da importância da integração da criança na igreja e do investimento na vida espiritual. Os mesmos devem dar o exemplo freqüentando as aulas e ensinando os filhos em casa.

c) Motivar os professores – não adianta dispor de recursos didáticos apropriados sem a prontidão e prazer dos professores no ministério do ensino. O professor é a “alma da EBD”, o que dá vida, aquele que realmente ensina para que os alunos não finjam que aprendem. O professor que realmente ama o ministério do ensino buscará o dinamismo e criatividade.

d) Promover a Escola Bíblica Dominical – “a propaganda é a alma do negócio” como diz o famoso adágio popular. Uma propaganda da EBD, que apela para a afetividade e fidelidade a este trabalho, a tornará mais eficaz, desde que seus promotores realmente acreditem e creiam na sua importância.


COMO EXPLORAR AS POTENCIALIDADES DE UMA CLASSE DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

 

Cada classe da EBD pode ser um poderosos instrumento para o contínuo e garantido crescimento da Igreja, pois a formação de grupos menores pertencentes a uma específica faixa etária, sob a custódia de uma liderança, facilita a afinidade espiritual, interesse pelas Escrituras, bem como o crescimento espiritual. As regulares reuniões semanais contribuem para fortalecer e integrar os alunos envolvidos.
A EBD é um poderoso instrumento de evangelização, com um tremendo potencial para ganhar almas porque o seu trabalho atende os alunos de acordo com as suas necessidades. A mensagem central da Bíblia é o amor de Deus expresso na morte de Seu Filho; portanto, todo texto bíblico tem a pessoa de Jesus como centro. É dever do professor evangelizar os descrentes com base no texto bíblico que está a ensinar.
As classes da EBD podem fazer cultos evangelísticos nos lares para trazer novas almas para Cristo e para a sala. Também podem fazer grupos de visitação à famílias que passam momentos difíceis e alunos faltosos para ministrar a Palavra de Deus.
A evangelização por correspondência também é um poderoso instrumento para conquistar almas. Os visitantes das classes deixam os seus dados e algumas pessoas são encarregadas de enviar-lhes cartas, demonstrando a satisfação da sua presença na EBD, explicitando, também, o plano de salvação. Deve-se oferecer uma visita e informar o horário, objetivo e natureza do trabalho.
As classes podem contribuir financeiramente para a obra missionária, mantendo até correspondência com esses desbravadores, arautos do Senhor, bem como fazendo contínua oração por eles.
O trabalho de assistência social pode contar com o auxílio de uma classe, na doação de alimentos, visitas a asilos, creches e penitenciárias, projetos de ajuda a comunidades carentes.
A comunhão e oração contínua de uma classe também promove oportunidades para as pessoas compartilharem testemunhos e problemas através de encontros de oração (cuidado com falatórios!!!) e de parceiros de oração (Ec 4.9 a). Aniversários e ocasiões especiais também devem ser motivos de celebração.
As classes podem se unir para contribuir com os diversos trabalhos da Igreja, tais como: aconselhamento, recepção, evangelismo, cantina, plantão de oração, assistência aos necessitados etc. O estudo bíblico conjunto de um grupo resulta em crescimento pessoal e desenvolvimento da obra do Reino de Deus. Aprende-se a servir melhor ao Senhor e obedecê-lO. A palavra que não volta vazia, lançada em boa terá, em corações sinceros, só produzirá frutos bons.

 

AS OPORTUNIDADES DE UM PROFESSOR FORA DA SALA DE AULA

 

Os objetivos do professor somente serão alcançados se os alunos demonstrarem, através de suas atitudes, o que, de fato, aprenderam. Na sala, o professor é o agente do processo de ensino-aprendizagem e, fora dela, precisa observar as ações, o comportamento e a postura dos alunos diante do que lhes foi ensinado.

 

O professor também é observado

  • No culto- freqüência à Igreja, participação nos cultos, disciplina, reverência no culto, disposição para ouvir atentamente a Palavra ministrada.
  • No caráter- o empenho da palavra, a honestidade e justiça em suas ações. É preciso honrar o que se prega sem destruir fora da sala o que tentou construir dentro dela.
  • Nos relacionamentos- a gentileza e amabilidade com os familiares e outras pessoas são extremamente significativas. Assim se verificará como os ensinos de Cristo produzem efeito nas vidas.

O professor, por sua vez, também observa

 

Se os alunos estão alcançando maturidade espiritual, comprometeram-se com a obra de Deus, tiveram melhores resultados no convívio familiar. Não adianta verificar apenas se houve compreensão e retenção das informações veiculadas, mas se há vivência dos princípios do Evangelho.
Entre alunos e professores deve haver confiança e cordialidade. Quando se cultiva isto, eles têm a necessidade de compartilhar segredos e dificuldades próprias com o professor para que o mesmo ore e ajude.

 

COMO CONHECER MELHOR OS ALUNOS DE UMA CLASSE

 

Para cumprir, efetivamente, o seu papel, o professor deve conhecer os seus alunos e as suas necessidades. Ele não pode ser um mero receptor de conhecimentos. Na sala de aula, é imprescindível o apelo à dialogicidade (interatividade). Enquanto ensina, o professor aprende. Enquanto o aluno aprende, ensina.
Dessa forma, o educador passa por um processo de reeducação numa ação interativa. O educador precisa obter uma visão crítica de cada aluno, reconhecer suas limitações para aprimorar o seu ensino. Tudo isto vai depender da postura do professor, da visão pessoal, da filosofia que orienta o seu trabalho. O discurso, o sentimento e a ação devem integrar a ação educadora.
O professor precisa conhecer as diferentes características dos alunos, tais como a idade, a maturidade intelectual a sua realidade de vida. Cuidado com a tapeagogia! Para isto, ele deve:

  • conhecer os alunos pelos nomes;
  • visitá-los oportunamente;
  • interessar-se pela vida pessoal dos alunos;
  • aproximar-se da família deles;
  • descobrir as atenções e interesses dos alunos para promover o bem-estar na sala ;
  • ser sociável, facilitar o trabalho através de um relacionamento pessoal sem barreiras na comunicação.

A profundidade do ensino depende da intensidade do conhecimento que se tem dos alunos.

 


COMO MELHORAR A QUALIDADE DO TRABALHO DO PROFESSOR

 

O professor contribui para a eclosão de idéias, trazer à luz o conhecimento adormecido. Este trabalho requer o aprimoramento, a reciclagem, o aperfeiçoamento dessa tarefa. É necessário enfrentar novos desafios, sentir a necessidade de crescer juntamente com seus alunos (Ef 4.13), manter a mente arejada e o coração pronto para testar novos métodos e intensificar sua ação educativa. Daí a importância de novas descobertas, novas propostas, a convicção de que não somos detentores de todo conhecimento. A humildade é imprescindível para a correção dos erros, aperfeiçoamento de técnicas e redirecionamento de caminhos.
Vivemos numa sociedade cada vez mais exigente com a utilização de novas tecnologias. Por isto, não podemos, em circunstância alguma, deixar de usar os diversos recursos disponíveis que melhoram a qualidade de nosso trabalho. São os que aliam a técnica ao conteúdo. As reuniões dos professores são um excelente recurso para aprimorar a EBD.
É dever, da superintendência da Igreja, a motivação e a disposição de contribuir para o aperfeiçoamento dos professores, os quais precisam da valorização e investimento em seu potencial.
Os professores, que sabem como ensinar, planejam e desenvolvem uma aula tecnicamente perfeita e eficiente, pois utilizam as técnicas adequadas.
Os professores, que sabem o que ensinar, conhecem as doutrinas e histórias bíblicas, alicerçam os seus ensinamentos com fundamento bíblico.

 

Não podíamos deixar de tornar nossas estas recomendações de Myer Pearlman:

 

“Você perceberá que os sermões que lhe darão mais satisfação, os que verdadeiramente atingem a vida das pessoas, são os sermões tirados do íntimo de seu ser. São ossos de seus ossos, carne de sua carne, o produto de seu trabalho mental, a potência nascida de sua própria energia criativa. São sermões que vivem, que se movem, que voam pelo templo, deleitando, convencendo, impressionando os homens e louvando a Deus. São sermões que penetram no coração dos homens fazendo-os subir como águias e trilhar os caminhos do dever sem fatigar-se. São sermões reais os que verdadeiramente nascem da energia vital do Espírito Santo dentro do homem que os prega.”7

 


COMO DEVE ATUAR O PROFESSOR PARA SE APRIMORAR?

 

Auto-didatismo – o professor pode valer-se de livros, rever seus conceitos e método de trabalho. A reciclagem é produto da humildade do professor. Em seu trabalho, também precisa haver cuidado com a aparência, expressão, otimismo, cortesia, simpatia, iniciativa, entusiasmo, saúde.

 

Uso de tecnologias de informação – o professor pode utilizar a Internet para se atualizar, instruir-se e alargar os seus conhecimentos. Assim poderá consultar livros e enciclopédias virtuais, compartilhar saberes através de e-mails, grupos de discussão e sites que podem instrumentalizá-lo para o ensino das Escrituras.

 

BÊNÇÃOS E DESAFIOS PARA ESTE FINAL DE MILÊNIO

 

“O ensino do sábio é fonte de vida, para que se evitem os laços da morte.” (Pv 13.14)

 

O ensino da palavra de Deus é um grande desafio em nossos dias. Num mundo aonde jaz o materialismo e o ceticismo, esta Palavra é um alento de esperança porque não está baseada em verdades humanas e temporais, mas nas verdades divinas e eternas. Certamente, é uma posição honrosa que o Senhor nos deu, para executarmos esta sublime tarefa:

  • sendo ponte – o conduto pelo qual os alunos alcançarão o outro lado do rio, a edificação espiritual, o prazer de conduzir pessoas para o outro lado;
  • sendo aluno – ser mestre é sentir as dores e preocupações dos alunos, aprender com eles, com as aulas e com a vida. Se não fossem os alunos, não seríamos professores. Para ser professor é preciso haver alunos; para haver alunos, o professor. Somos dependentes. Aprendemos enquanto ensinamos. Não podemos ficar a sós nesta empreitada, devemos trazer os alunos conosco;
  • sendo servo – o mestre é um servidor na igreja, serve os alunos com o seu conhecimento e deve fazê-lo com prazer, alegria, espontaneidade e disposição. Muitas vezes, precisa renunciar a diversas coisas para exercer este trabalho;
  • sendo canal para o crescimento – ser mestre é estar disponível para auxiliar no crescimento da igreja. Ele é uma espécie de termômetro. A freqüência de sua classe indica o nível de seu trabalho, é uma espécie de controle de qualidade de seu trabalho;
  • sendo responsável – no estudo da Palavra, no compromisso, no empenho em seu ministério, zelo e aplicação na vida daquilo que ensina.;
  • sendo motivo de glorificação ao nome do Senhor – edificando a sua vida e contribuindo para edificação de outros. Tudo o que fizer deve objetivar a glorificação de Seu nome.
  • Sendo grato – o Senhor nos concedeu um imenso privilégio: o de ser porta-voz e disseminador de Sua Palavra. É preciso reconhecer e valorizar tão nobre missão. Daí a necessidade de ter prazer na lei do Senhor e nela meditar de dia e de noite (Sl 1.2). A nossa fé nos mantém firmes e esperançosos de que seremos imensamente recompensados e com o crescimento espiritual e pessoal de cada um de nossos alunos (Sl 126.6).

OS DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL

 

1. Amar a Palavra de Deus ao ponto de estudá-la com afinco e constância.

 

2. Reconhecer o valor da Educação religiosa e ter na mais alta estima a missão do educador.

 

3. Estar sempre bem preparado para ensinar a Bíblia na classe.

 

4. Estar sempre em dia com os novos métodos de ensino e procurar renová-los quando necessário.

 

5. Dar instrução sem esquecer da educação, isto é, transmitir conhecimento e ao mesmo tempo formar o caráter.

 

6. Amar o aluno como a seu próprio filho.

 

7. Saber que o aluno tem uma personalidade que merece respeito; e uma vida cristã em desenvolvimento.

 

8. Amar a igreja da qual é membro, prestigiando com sua presença e contribuição suas programações e suas promoções.

 

9. Procurar em tudo ser exemplo digno de ser seguido por seus alunos.

 

10. Estudar sempre com o fim de aperfeiçoar-se para servir sempre melhor ao Senhor.

 


BIBLIOGRAFIA:

 

DORNAS, Lécio. Socorro! Sou professor da Escola Dominical: como tornar a EBD mais dinâmica, edificante e criativa. 6.ed. São Paulo: Eclésia, 2000.
PEARLMAN, Myer. Ensinando com êxito na Escola Dominical. Trad. Rejane Caldas. São Paulo: Vida, 1997.

 


Colaboração para o Portal EscolaDominical: Profa. Amélia Lemos Oliveira.

1 Myer PEARLMAN, Ensinando com êxito na Escola Dominical, p. 21.
2 Op. Cit, p. 33.
3 Op. Cit., p. 61.
4 Op. Cit., p. 62.
5 Op. Cit., p.25, 113-5.
6 Op. Cit., p.141-2.
7 Myer PEARLMAN, Ensinando com êxito na Escola Dominical, p. 84-5.

O PROFESSOR E A PREPARAÇÃO DA AULA

O PROFESSOR E A PREPARAÇÃO DA AULA

O fim prático do ofício do professor é ensinar. O momento principal do ensino é a aula. A aula é a exposição do assunto, do tema proposto para aquela ocasião. Muitos são os seus antecedentes, e muitos devem ser os seus resultados.

 

A aula, portanto, não é o todo do ministério do professor, mas é, com certeza, o núcleo de seu ofício. A essência da expressão de sua vocação. A aula é o momento em que o professor se revela e se realiza.

 

Por revelação aqui não se entenda exibicionismo, porque isso nem se deve nomear junto ao verdadeiro magistério. Revelar é mostrar, é expor. O professor expõe a matéria, e expõe-se a si mesmo também, pois ao aluno é dada a oportunidade de questionar, de querer saber mais, de extrair o quanto puder da fonte chamada professor.

 

A realização vem ao professor quando ele sente que conseguiu ministrar uma boa aula, não por ter conseguido impressionar o aluno com uma tempestade de conhecimento, mas por ter contribuído de alguma forma para edificar o seu público-alvo, conduzindo-o ao crescimento.

 

Pretendemos ter dito, com esta introdução, que o professor tem o antes, o durante e o depois da aula. Primeiro, vem o preparo. Depois, a exposição. E, por fim, o resultado.

 

Nosso tema restringe-se ao primeiro momento: o antes, o preparo da aula.

 

A AULA: MOMENTO DA TRANSMISSÃO

 

Segundo o Aurélio, aula é “uma lição ou exercício ministrado pelo professor num determinado espaço de tempo”; é a “explanação proferida por professor ou por autoridade competente perante um grupo de alunos ou um auditório.”

 

A aula é um momento de transmissão organizada de conhecimento. Pode ser realizada de diversas maneiras, utilizando diversos recursos. Em resumo, temos a simples expressão verbal (a preleção), o emprego de recursos audiovisuais (sons e imagens), pesquisa, perguntas e respostas, dinâmicas em grupo, atividades extraclasse, etc…

 

Dissemos que a aula é um momento de transmissão organizada. Deve haver organização na forma de transmitir conhecimento. A mente do aluno terá dificuldade em absorver se a transmissão é feita de forma desorganizada.

 

Valendo se uma regra básica da preleção, podemos dizer que a aula tem que ter introdução (preparação do aluno para o assunto que se pretende expor), desenvolvimento (detalhamento do assunto, com as devidas fundamentações e exemplos) e conclusão (síntese objetiva de tudo o exposto, procurando garantir aplicação prática).

 

Vimos também que a aula deve obedecer a um tempo determinado. Assim, aprendemos que é preciso conjugar o conteúdo com o tempo. O volume de informação que se pretende transmitir deve estar adequado à duração da aula. Quando existe assunto incompatível com o tempo, a regra é selecionar o mais importante.

 

Não se deve esquecer que não é obrigação de nenhum professor expor tudo o que o aluno precisa saber. Pelo contrário: o bom professor é aquele que ao ensinar sempre desperta no aluno o desejo de aprender mais. Todo o alimento em excesso, por mais saboroso que seja, causa fastio.

 

Aliás, Jesus sempre ensinava a multidão de forma a despertar nela o interesse por um conhecimento mais profundo. Por vezes chegava a provocar alvoroço e confusão entre a multidão pela forma contundente com que ensinava. Para aquele público resistente, muitas vezes a melhor estratégia de ensino era levar-lhes ao campo do confronto de doutrinas e do questionamento.

 

Por outro lado, para os que tinham o coração aberto para entender, Jesus dedicava-se pacientemente, ensinando e ilustrando com parábolas. Muitas vezes fez comparações com coisas concretas, sempre visando a melhor assimilação possível de sua doutrina.

 

Os guardas enviados pelos fariseus para prender a Jesus não tiveram como cumprir sua missão e voltaram maravilhados: “Jamais alguém falou como este homem.” (João 7.46).

 

Os discípulos de Emaús rogaram a Jesus para que ficasse com eles, porque disseram: “Não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras.” Lucas 24.29-32.

 

Foi tão maravilhoso o resultado daquelas palavras de Jesus que de discípulos decepcionados e desistentes aqueles dois homens voltaram imediatamente para Jerusalém, se juntaram novamente aos demais discípulos e davam testemunho com alegria do que lhes tinha acontecido.

 

Jesus lhes abria as Escrituras. Paulo pediu oração para que o Senhor Deus lhe abrisse a porta da Palavra (Col. 4.3). Pedro e João e os demais irmãos da igreja primitiva oravam: “…concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra.” (Atos 4.29).

 

E “Tendo eles orado moveu o lugar em que estavam reunidos. E todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a Palavra de Deus”. (Atos 4.31).

 

Nossas palavras, ungidas pelo Espírito Santo, devem arder nos corações de nossos alunos, e levá-los do eventual desânimo a uma vida autêntica de fé e confiança no Senhor Jesus.

 

Nosso ensino precisa fazer de discípulos desistentes, servos de Deus amantes de sua obra e de seu reino. Levá-los de volta de Emaús para Jerusalém.

 

Vivemos dias de muito pessimismo espiritual, mas a Palavra de Deus em nossos lábios fará com o que o povo de Deus se reanime e veja as obras do Senhor em nossos dias.

 

A Escola Dominical pode e deve ser um departamento fomentador do avivamento, pois a ela cabe, com muita ênfase, a responsabilidade pelo ensino sistemático da Palavra de Deus.

 

A PREPARAÇÃO DA AULA

 

Do texto de Romanos 12.7 extraímos uma lição básica para todo o ensinador: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino”. Nota-se que de todos os dons de que fala o apóstolo Paulo, o único que faz acompanhar do substantivo dedicação é o ensino.

 

É impossível ensinar sem dedicação. Ou melhor: é impossível ensinar bem sem dedicação. Todo o ensino praticado sem dedicação será um ensino deficiente, tendente a prejudicar o aluno, deixá-lo confundido ou mal formado.

 

Por analogia, temos a crucial diferenciação entre o ensino sistemático e regular e o ensino modular, supletivo. O primeiro visa conduzir o aluno passo a passo à solidez do conhecimento. O segundo lhe garante uma absorção básica de conteúdo, sem um compromisso maior com os fundamentos de cada disciplina.

 

O resultado de um aluno bem formado para um mal formado será visto no enfrentamento que tiverem em um vestibular ou qualquer tipo de concurso, ou mesmo na exposição pública de seus conhecimentos. Este não resistirá aos embates.

 

De igual sorte, um aluno mal formado na seara cristã terá maiores dificuldades ao enfrentar os obstáculos da vida cristã; e poderá ser, inclusive, presa fácil dos conturbadores das doutrinas cristãs.

 

Se, portanto, queremos formar bem nossos alunos, estejamos certos de que isso exigirá de nós muita dedicação.

 

Assim dizendo, importa que o professor planeje bem. Por planejamento aqui não se entenda um feixe de teorias, mas de regras simples que não podem ser desprezadas. Aliás, quanto mais o assunto da lição for considerando complexo mais o professor deve esmerar-se para traduzir-lhe de forma a torná-lo simples, de fácil assimilação. Não é porque o conteúdo (o texto) da lição se apresenta rebuscado que a aula deve o ser.

 

Eis o desafio ao professor: compreender o assunto e simplificá-lo, especialmente a par de sua realidade local. Por isso que ao planejar sua aula o professor deve considerar (1) o público alvo (a que grupo de pessoas vou falar?), (2) o ambiente (no espaço físico que disponho que recursos poderei utilizar?), (3) os recursos materiais (como tornar o mais didática possível minha aula?)   , (4) o assunto (que abordagem será a mais adequada?), (5) o tempo (como melhor aproveitar o tempo de que disponho?).

 

É certo que a conjugação de todos estes elementos de planejamento, se em harmonia, contribuirão diretamente uma um êxito maior na aula a ser ministrada. 

 

NÍVEIS DE PREPARAÇÃO

 

Pelo menos três níveis de preparação são fundamentais para o professor.

 

São eles:

 

a)    preparação geral

 

O professor deve ser um estudante contínuo, um observador perspicaz, procurando sempre aprender, absorver novos conhecimentos para sua vida.

 

A preparação geral exige do professor constante leitura, conforme o conselho de Paulo a Timóteo (“Persiste em ler” – I Tim. 4.13). O hábito da leitura deve fazer parte da vida do professor. A Bíblia é o principal livro que deve ler, examinando as Escrituras com espírito de devoção, a fim de que o Espírito Santo lhe revele as profundezas de Deus.

 

Ler a Bíblia toda é uma recomendação sempre feita, mas nem sempre compreendemos sua importância. Mas é bem certo afirmar que todo estudante da Bíblia precisa lê-la toda, seqüencialmente. Assim fazendo, embora não terá como guardar todas as informações contidas no Livro Sagrado, mas jamais será surpreendido com passagens que jamais viu.

 

Também evitará o cometimento de erros primários, frutos de uma visão parcial das Sagradas Escrituras. Assim, a preparação geral do professor inclui a leitura de toda a Bíblia.

 

Também como preparação geral incluem-se as pesquisas temáticas, biográficas, doutrinárias, referenciais, enfim, a busca de um conhecimento mais aprofundado de determinado assunto ou aspecto das Escrituras Sagradas.

 

Ainda como parte da preparação geral o professor precisa ler bons livros, fazer um curso teológico e participar de estudos bíblicos, seminários, simpósios, aulas para professores, etc. É fundamental que ele saiba ouvir outros professores. Na verdade, o professor deve vigiar para não se tornar um sabe-tudo, pois o verdadeiro sábio é aquele que sempre está disposto a aprender, até mesmo (e inclusive) com as crianças.

 

b)    preparação específica

 

Depois de analisar a necessidade da preparação geral, que é desprendida da lição dominical, é hora de pensar na aula do próximo domingo. Lição à mão, é hora do primeiro contato com o assunto de que se vai falar.

 

É indispensável que se faça antes de tudo uma oração a Deus pedindo sabedoria e compreensão. Não é possível conhecer as coisas espirituais senão pelo Espírito de Deus.

 

Uma leitura geral da lição é o próximo passo, sem deter-se neste ou naquele ponto. É fundamental que se leia todo o conteúdo, porque é muito comum que as dúvidas surgidas logo no começo sejam dissipadas ao longo do texto.

 

Feita a primeira leitura, é hora de voltar ao texto, relendo já com os apontamentos que entender necessário fazer. Pode ser na própria revista (através de destaques ou pequenas anotações) ou em rascunho à parte.

 

É nesta hora que o professor cuidará observar as referências bíblicas, a fim de aclarar cada vez mais o tema proposto. À medida que necessitar deverá consultar dicionários (bíblicos e da língua portuguesa), enciclopédias, revistas anteriores, livros, apostilas, comentários, etc…

 

Também é importante que, se possível e necessário, verifique determinados versículos em Bíblias de diversas versões, vendo, inclusive, as variações nos originais.

 

c)     preparação pessoal

 

O professor não comparecerá diante da classe simplesmente para despejar conhecimento. Como servo de Deus ele comparecerá para transmitir o conselho de Deus (Atos 20.27). Ora, alguém somente ensinará o conselho de Deus se Dele receber este conselho.

 

O conselho, aliás, é um ensino que parte de uma intimidade para outra. Flui de alguém que se preocupa com o bem-estar de outrem, e que se vale de um porta-voz para efetivar a transmissão.

 

Conselho é “senso do que convém, aviso, admoestação”. Deus se vale de homens e mulheres para transmitir os seus conselhos para todo o seu povo.

 

Nota-se a sublimidade do ministério do ensinador cristão. Ele é um transmissor dos conselhos de Deus. Há uma classe diante de si todos os domingos interessada em ouvir “tudo quanto por Deus é mandado” (Atos 10.33).

 

É por isso que o professor tem que primeiramente cuidar de si mesmo. Precisa estar preparado. O cultivo de sua vida de devoção a Deus é fundamental.

 

Importa considerar que neste ponto o professor não estará, necessariamente, pensando no aluno. Deve estreitar sua comunhão com Deus não porque é professor, mas porque é um servo de Deus, dependente Dele, necessitado de ser cheio da graça e do poder do Senhor em sua vida.

 

Nossa comunhão com Deus é mais importante que a muita pesquisa para a preparação da aula. A bem da verdade, nada vale todo o tipo de recurso ou preparação se o professor não estiver em comunhão com o Autor da Bíblia.

 

Assim é que o professor deve procurar santificar sua vida. Eliminar os maus costumes. Rejeitar toda a sorte de pecado. Reprovar as obras das trevas. Encher-se do Espírito Santo.

 

A oração, o jejum e a leitura da Palavra de Deus lhe trarão mais intimidade com o Senhor, tornando o seu coração um terreno fértil para frutificar.

 

Nossa maior preocupação durante toda a nossa vida deve ser com o nosso próprio nível espiritual. A capacitação para o trabalho vem do Senhor.

 

Assim o texto sagrado:

 

“Abre bem a tua boca e eu a encherei”. Sl. 81.10.

 

“Eis que abundantemente derramarei sobre vós meu Espírito e vos farei saber as minhas palavras”. Pv. 1.23

 

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” João 14.26.

 

Pedro, o mais iletrado dos apóstolos, foi o pregador do Dia de Pentecostes, cheio do poder do Espírito Santo, e quase 3 mil almas converteram-se a Cristo.

 

O ensino eficaz continua sendo aquele ministrado nos domínios do Espírito Santo, porque é Ele que “penetra as profundezas de Deus” (I Co. 2.10).

 

“…ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.

 

Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.

 

As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.” (I Co. 2.11-13).

 

ONCLUSÃO

 

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. 2 Tim. 2.15

 

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Pr. Silas Queiroz

 

O autor é pastor auxiliar na Igreja Assembléia de Deus em Ji-Paraná, RO. Membro da Comissão de Relações Públicas da Convenção Geral do Brasil (CGADB)

A origem do Universo – 3

Fonte: www.cpad.com.br

Leitura Bíblica em Classe

Sl 19.1-6; 136.3,5-9; Hb 11.3

Esboço da Lição

Introdução

I. A grandeza do Universo

II. O que diz a Bíblia sobre a origem do universo

III. O que diz a verdadeira ciência

Conclusão


Tema deste Subsídio

A Criação do Universo segundo o relato de Gênesis

Autor

Esdras Costa Bentho

Palavras- Chave

Criação; Criacionismo; Hexaémeron; Teoria da Lacuna; Mitos babilônicos.

A criação (1-2).

O capítulo 1 do livro de Gênesis está distribuído em oito parágrafos principais: 1.1-2; 3-5; 6-8; 9-13; 14-19; 20-23; 24-25; 26.31. A ênfase característica de cada uma dessas unidades é o poder criador de YaHWeH. Deus é o agente ou o sujeito ativo na criação: “No princípio, criou Deus”, Ele cria através de seu poder “os céus e a terra”, por esta razão Deus é designado pelo nome de Elohim, que significa “O Forte”, “Líder Poderoso” ou “Deidade Suprema”. Seu ato criador está em seu poder (Elohim), pelo qual os céus e a terra vêem a existência sem qualquer matéria existente. Os termos hebraicos que designam a atividade criadora e ressaltam a onipotência de Deus além de bara é ‘ãsâ, isto é, “fazer” e yasar “formar”. A imagem metafórica que é expressiva da ação criadora é o “Deus Oleiro”.

As etapas da criação

         As etapas da criação são chamadas em grego de hexaémeron, isto é, a obra dos seis dias, pois descreve a criação do mundo em seis dias, conforme uma ordem claramente traçada.        A narração desses seis dias criacionais está disposta de forma lógica e simétrica com propósito religioso e não científico. O autor apresenta o texto em quatro fases: a obra da criação, de distinção, de ornamentação e de consumação.

1. Obra da Criação (1.1,2):

Nessa etapa o autor apresenta como Deus criou a matéria em estado caótico, o caos primitivo, de onde aos poucos havia de tirar ou distinguir as diversas regiões do mundo; esse caos constava de uma massa de terra (“a terra informe e vazia” [1.2]), envolvida de águas (“abismos”, “águas”) sendo tudo isso cercado de trevas (1.2). Após esses eventos é que decorre o hexaémeron, ou a obra dos seis dias: obras de distinção e de ornamentação.

1.1.        A Teoria da Lacuna:  A teoria da lacuna foi proposta inicialmente por C.H.Pember em 1876, na obra “As Idades mais Remotas da Terra e a Conexão delas com o Espiritualismo Moderno e a Teosofia”. A teoria que afirma que entre o versículo 1 e 2 do primeiro capítulo de Gênesis existe uma lacuna onde existiu uma raça pré-adâmica e onde foi a habitação original dos homens pré-históricos e dos antigos dinossauros, foi popularizada depois pela Bíblia de Referência de C.I.Scofield em 1917, mais tarde pelo pentecostal assembléiano Finis Jennings Dake em sua Bíblia de estudos anotada “Dake’s Annotated Reference Bible” e no Brasil por Lawrence Olson em sua obra “Plano Divino Através dos Séculos”.  Segundo Pember e seus seguidores em Gênesis 1.1 Deus criou o universo completo e perfeito, e Satanás era o arcanjo que habitava e governava essa Terra pré-adâmica, um reino originalmente perfeito. Então, Satanás e os habitantes pré-adâmicos dessa Terra se rebelam contra o Criador de todas as coisas, de tal forma que ele e a primitiva população foram amaldiçoados e destruídos por uma inundação. Segundo os defensores dessa teoria os resultados dessa inundação são vistos em Gênesis 1.2. Alegam ainda que a expressão “sem forma e vazia” quer dizer “tornou-se sem forma e vazia” aludindo a expansão arruinada e devastada como resultado de um julgamento e que deve, portanto, ser interpretada como “uma ruína e uma desolação”.

Entretanto, a teoria da lacuna apresenta várias fragilidades. Entre elas podemos citar aquela que está relacionado à língua hebraica. Primeiro, a gramática hebraica não permite uma lacuna de milhões ou bilhões de anos entre os dois primeiros versículos de Gênesis. O hebraico tem uma forma especial, que indica seqüência e introduz aquela forma a partir de 1.3. Nada indica uma falta de seqüência entre 1.1 e 1.2; pelo que, os versículos devem ser interpretados em seu sentido óbvio e próprio. “O céu e a terra” é uma expressão consagrada em hebraico para designar o universo (Gn 2.1,4; 11.19,22; Sl 68.35; 114.15). O versículo 1 e 2a descreve o estado em que se achava o universo nos seus primórdios: a terra, informe e vazia (tohu-wa-bohu), era toda recoberta de águas (tehom, abismo cheio de águas), sobre as quais se estendia as trevas. 

Em segundo lugar o autor sagrado falava de acordo com os matizes de seu tempo, para significar que anteriormente à ordem e à harmonia existentes no mundo, havia, de fato, o caos; este, porém, não constava de deuses ou monstros mitológicos como se costumava pensar na cultura mesopotâmica dos quais um teria suplantado os demais e plasmados tanto o mundo visível como o homem; constava, ao contrário, dos elementos mesmos do mundo atual, os quais não tem existência indefinida nem eterna (como eterno é o único verdadeiro Deus), mas foram tirados do nada por um Criador. E, para descrever essa matéria dependente do Senhor, o hagiógrafo usou de termos que tinham ressonâncias nas mitologias orientais, onde significam divindades: assim bohu (vazio), lembrava Baaú, O caos personificado dos Fenícios; tehom (abismo oceânico, águas), o monstro Tiamat dos Babilônicos; tais divindades pagãs eram sutilmente apresentadas pelo hagiógrafo como meras e impotentes criaturas.

Quanto ao estado preciso em que Deus suscitou a matéria, quanto às idades geológicas que esta atravessou, o autor nada quis dizer, pois isto é do domínio científico e não interessava diretamente a finalidade religiosa do livro sagrado.

Portanto, a teoria da lacuna, apresenta-se como uma teoria débil, sem qualquer valor teológico ou bíblico. Entre as diversas considerações do teólogo Willmington sobre a teoria em apreço ele conclui afirmando que ela não é científica, não é bíblica e não é necessária.

O Tríplice Problema da Teoria da Lacuna

NÃO É CIENTÍFICA Foi um intento do cristianismo de reconciliar o relato da criação com os longos períodos geológicos da teoria da evolução. A evolução, porém, não é científica e contraria a segunda lei da termodinâmica.
NÃO É BÍBLICA A teoria descreve Adão andando sobre um grande cemitério de animais fossilizados, além é claro de admitir uma raça pré-adâmica.
NÃO É NECESSÁRIA A interpretação mais natural de Gênesis 1.1,2 é tomada pelo seu valor literário e próprio, sem qualquer acréscimo ou subtrações.

Gênesis 1.1 é uma declaração resumida da criação:

No versículo 1 diz o que Deus fez;

No versículo 2 nos diz como foi feito.

 

Obra de distinção:

         Estabelece as três regiões do mundo que a cosmologia judaica admitia, três regiões que correspondem exatamente aos três elementos caóticos sobrepostos (trevas, águas, terra).

No primeiro dia (1.3-5), constitui a região dos céus. Deus age sobre  a camada superior do caos, restringindo a duração das trevas; estas deverão, a intervalos, ceder À luz. Eis a primeira distinção: a de trevas e luz, dia e noite, que sucederão no domínio do mundo;

No segundo dia (1.6-8), constitui-se a região das águas. Deus intervém agora na segunda camada do caos, ordenando que parte das águas se transfira para a região do céu, onde é guardada em reservatórios especiais; entre águas do céu e águas da terra o Senhor cria uma abóbada aparentemente sólida, chamada o firmamento. São as águas do céu que por meio de canais caindo sobre a terra, produzem chuva, nevem geada, etc. (cf. Jó 38.37);

No terceiro dia (1.9-13), o Criador atinge a terra, recolhendo as águas que ainda a recobrem em lugares próprios, que são os mares e os rios (cf. Jó 38.11). A terra, ao aparecer, é logo revestida de plantas. O fato de que judeus concebiam vegetação como forro da terra, explica que a constituição da terceira região devia compreender duas obras: a produção da terra nua, arcabouço, e ao seu estrado verde aderente. 

Obra de Ornamentação

         Assim concluído a formação as três regiões do mundo nos três primeiros dias (obra de distinção), o hagiógrafo mostra como o Criador, nos três dias seguintes, deu a cada uma os seus habitantes ou a sua ornamentação; estes habitantes, sendo todos móveis, formam como que um magnífico exército, sempre pronto a executar as ordens do seu Senhor, como se diz em Gênesis 2.1: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército”. Portanto:

a)      Na região do céu, Deus colocou os astros nos quais grande quantidade de luz se concentrou (4º dia; 1.14-19); à distinção feita no primeiro dia entre dia e noite, correspondem agora o sol, que rege o dia; a lua e as estrelas, que regem a noite;

b)      Na região das águas, o Senhor estabeleceu os monstros marinhos, os peixes e os voláteis (os quais povoam o ar, espaço entre as águas inferiores e superiores), (5º dia; 1.20-23);

c)       A região da terra começou a ser habitada pelos demais animais e pelo homem, que é a coroa da criação, destinado a dominar o mundo terrestre (6º dia; 1.24-31). Por fim, aos animais e ao homem foram dados como alimento os vegetais oriundos no terceiro dia, o que estabelece perfeita correspondência entre as obras do terceiro e do sexto dia.

d) Obra de Consumação

Tal qual a obra da criação (1.1-2), diz respeito ao mundo inteiro: o autor refere que Deus descansou de todas as suas obras e abençoou o sétimo dia de descanso (2.1-3).

         

Segundo as Escrituras a criação ocorreu em seis dias sucessivos:

Dia Texto Tema
Primeiro Dia (1.2-5): Criação da Luz
Segundo Dia (1.6-8): Separação das Águas
Terceiro Dia (1.9-13): Criação da Vida Vegetal
Quarto Dia (1.14-19): Criação do Sol, da Lua e das Estrelas
Quinto Dia (1.20-23): Criação dos Peixes e das Aves
Sexto Dia (1.24-31): Criação dos Animais da Terra e do Homem
Sétimo Dia (2.1-3): Deus Descansa

Uma minuciosa investigação revelará que as duas palavras forma e vazia, são os conceitos precípuos da história da criação. Os atos do 1º, 2º e 3º dia ocupam-se especificamente do verbo formar, enquanto o 4º, 5º e 6º dia do conteúdo pleno dessa forma.

FORMA CONTEÚDO PLENO
  Dia Luz e Trevas 4º Dia Luzeiro do Dia e da Noite
  Dia Mar e Céus 5º Dia Criatura das Águas e dos Ares
  Dia Terra Fértil 6º Dia Criaturas da Terra

Existe uma grande simetria entre o 3º e o 6º dia, pois se referem a produção de dois, e não de um só gênero de criaturas. Oito são, pois, as produções ou obras que o hexaémeron (procedente de três termos: hex (seis); heméra (dia) e érgon (obra). Literalmente obra dos seis dias) narra distintamente.

TÁ CHATA!

Cibele Gandolpho

Tá Chata!
Saiba quando os alunos não gostam da aula e veja como torná-la mais atraente Por Cibele Gandolpho

A cena se repete e é comum nas salas de aula: o professor entra, faz a chamada e fica horas falando na frente dos estudantes, sem nem mesmo reparar que os alunos mal ouvem o que ele está dizendo. O educador, muitas vezes, nem imagina que o método repetitivo e a falta de novas formas de aprendizado acabam se tornando um problema não só para ele, mas, principalmente, para o aluno, que desinteressado, tem dificuldades em aprender a matéria e tirar boas notas.

“Em muitos casos, o motivo da aula ser chata não é a disciplina, mas sim o próprio mestre. Entediado, o jovem não consegue se concentrar na matéria”, explica o professor Marcelo Peruzzo, que é mestre em Gestão de Negócios e realizou uma pesquisa entre os dias 1º e 20 de janeiro com 529 estudantes do Brasil sobre como os alunos vêem os professores.

A solução é usar a criatividade em sala de aula e buscar interagir o quanto mais com os alunos. “O professor que não se atualizar vai ficar fora do mercado. Isso porque, as escolas estão cada vez mais pedindo para que os alunos avaliem o professor”, acredita o especialista.

Para a estudante Ana Cléia Carneiro de Almeida, de 19 anos, um dos principais erros dos professores é a repetição. “Eles não mudam o método, não trazem nada de novo. É sempre muito cansativo”, reclama a jovem, que acabou de completar o ensino médio. Ela lembra de um professor de matemática que explicava o tema da aula, mas a grande maioria não entendia. “Ele dizia para a gente ir à mesa dele e perguntar, mas quando a gente chegava lá ficava irritado, dizia que não ia falar a mesma coisa de novo”, relata.

Outro problema que Ana Cléia destaca é a prepotência. “É muito ruim quando o professor está errado e não admite.” A jovem conta que um docente, certa vez, passou um exercício com resultado incorreto e os alunos perceberam. “A gente falou, mas ele dizia que tava certo, insistia, sabe? Depois de um tempo percebeu o que tinha acontecido, mas mesmo assim não admitia, dizia que estava testando a gente.”

A pesquisa do professor Peruzzo confirma: “O principal erro do educador é a arrogância, que está entre os principais problemas apontados na pesquisa pelos alunos”, afirma. “O professor, muitas vezes, para se impor, quer mostrar que sabe tudo e quando não tem a resposta acaba teimando com uma posição errada.” Para o especialista, a solução é a paciência. “Com calma, ele consegue chegar mais próximo do aluno.”

Os pecados

No estudo, foram listados os maiores pecados dos professores. Depois da arrogância, vem o professor sabe-tudo, a impaciência dele, desmotivação, autoritarismo, desinteresse, prepotência, o mestre teórico, preguiça e falta de criatividade. “Todos são muito semelhantes e mostram que na maioria dos casos o grande problema é relacionado à falta de comunicação”, analisa Peruzzo.

Diante desses problemas, os alunos acabam descontraindo. “Tenho um professor que quando vai passar a lição de casa ninguém presta atenção. Ele fala baixinho, parece até mesmo que está falando sozinho, sabe? Daí a classe toda dá risada, mas ele não entende o que está acontecendo”, conta Dabbie Olivieri, de 15 anos, aluna do 2° ano do ensino médio.

No entanto, os estudantes também sabem valorizar o docente que se mostra empenhado. “Não gostava de biologia, mas tive um professor que explicava de um jeito tão legal que comecei a me interessar. Ele prendia a atenção e despertava o interesse”, diz Dabbie. Além disso, ela conta que este educador dava na seqüência uma aula e meia, mas que estava sempre preocupado em não torná-la cansativa. “Ele contava histórias sobre a biologia, explicava o porque de tudo”, lembra.

Já na opinião de Talita Santos Martins, de 15 anos, o problema não está no professor, mas sim na disciplina. “Se não gosto da matéria daí ela fica chata.” Mas admite que um professor desinteressado pode piorar a situação. “A disciplina já é cansativa e ele não explica direito. Alguns são confusos, apenas passam o texto e não explicam nada. Parece até que nem sabem do que estão falando”, reclama.

Para Talita, o professor tem que ser interessado: “Deve mostrar que está por dentro, para passar confiança para a gente. Também precisa ser dinâmico, pode trazer um jornal para a sala de aula, explicar as notícias e o que elas mudam na nossa vida, isso é legal.” E a jovem admite que já foi reclamar de professores para a diretoria muitas vezes. “Precisamos falar, pelo menos para ver se melhora.”

A estudante Francisca Elaine Costa da Silva, de 17 anos, concorda. “Não dá vontade de assistir aula de professor que não gosta do que faz, não tem vontade e não quer ensinar.” Pior ainda, relata que na rede pública de ensino há até mesmo docente que comparece apenas para assinar o ponto. “Já teve casos em que o professor apareceu, mas ficou conversando com outros professores na diretoria, nem veio até a sala”, reclama.

Virtudes

Além dos defeitos, a pesquisa do professor Peruzzo também identificou as virtudes dos professores que deixam os alunos mais satisfeitos. No topo das preferências está o domínio do conteúdo trabalhado, com 16,8% dos votos. Na segunda posição aparecem empatadas a paciência e a humildade, cada uma mencionada por 9,8% do público da pesquisa.

Na seqüência, destacada por 9,1% dos participantes do estudo, consta a capacidade de comunicação. Muitos dos que citaram esse item o associaram à qualidade dos materiais de apoio utilizados pelos professores e a excelência na oratória – ferramentas que podem facilitar a compreensão dos alunos, tornando a exposição em sala mais interessante.

Para o especialista, os resultados alcançados com a pesquisa revelam o desejo dos estudantes por uma relação mais próxima com seus mestres. “Se o professor não for empático com seus alunos, está fadado ao fracasso.”

Motivos e soluções
Veja os principais problemas apontados pelos alunos na pesquisa realizada por Marcelo Peruzzo.
1 – Arrogância: falta de humildade pode ser um problema grave. A solução é ter paciência com os alunos para que consiga chegar mais próximo deles.

2 – Professor sabe-tudo: aquele que fala, fala e não escuta. O professor precisa perceber que a experiência do aluno também pode agregar conhecimento à aula. O ideal é ser mais humilde. “Há muitos professores que têm conteúdo, mas não sabem a forma de passá-lo. Já aqueles que têm mais articulação em aula e menos conhecimentos acabam ensinando melhor”, diz Peruzzo.

3 – Impaciência: não admite que mude uma vírgula do que programou para a aula. Se tiver amor pelo que faz, vai conseguir compartilhar melhor.

4 – Desmotivação: por motivos variados o professor não tem interesse pelas aulas. É importante lembrar da importância de transmitir o conhecimento e tentar despertar a alegria em lecionar.

5 – Autoritarismo: acha que é o grande líder, impõe o conhecimento e o respeito. Neste caso, o professor deve respeitar o aluno e mudar esse posicionamento.

6 – Desinteresse: precisa de motivação e, mais uma vez, despertar o amor pelo que faz. “Deve olhar para o aluno e lembrar que, por mais que essa seja a enésima vez que diz aquilo, esta é a primeira em que ele está ouvindo”, aconselha o professor.

7 – Prepotência: professor sem carisma. Neste caso, ele acaba fechando o canal com o aluno porque sempre tem razão. É preciso ter humildade e paciência.

8 – Professor teórico: é aquele que ignora a prática. É possível fazer uma aula atrativa trazendo o mundo real para a sala de aula.

Fonte. Revista Profissão Mestre

Características de um bom professor

por Cristina Mellin

As características do professor estão muito ligadas à sua personalidade e ao seu caráter.
Estas características são também individuais e dependem da situação e da matéria.
Sugerimos que você faça uma lista que contenha 5 (cinco) características de um bom e experiente professor.

Geralmente os educadores estão de acordo com respeito às qualidades necessárias.
Como resultado de um seminário, professores elaboram uma lista que contém as características (importantes) de um bom professor, a saber:

1. Conhece profundamente a matéria a ser ensinada.
2. Prepara cada aula de forma específica, identificando claramente o objetivo de cada lição e aula.
3. Explica aos alunos o objetivo da lição.
4. Explica o motivo da tarefa a ser realizada.
5. Cria um ambiente agradável para o aprendizado.
6. Gosta de trabalhar com os alunos.
7. Dá instruções claras e é bem organizado.
8. Apresenta o conteúdo da matéria com modelos ou exemplos.
9. Mantém-se dentro dos limites do objetivo.
10. Exige muito dos alunos, treina-os para que sejam responsáveis quanto ao estudo.
11. Atua de maneira constante.
12. É dedicado e responsável, exige muito de si mesmo.
13. É criativo, versátil na maneira de ensinar, possui novas idéias e novos materiais.
14. É entusiasta e enérgico, porém aceita idéias dos alunos.
15. Notifica o aluno quanto ao seu aproveitamento.
16. É flexível, está sempre disposto a dar e receber (aconselhar e escutar).
17. Provê oportunidades de aprendizagem para os alunos atrasados ou avançados sem causar embaraços, isto é, adapta o ensino segundo as necessidades individuais dos alunos.
18. Estimula a sala de aula para que haja respeito mútuo e cooperação (lições e pesquisas em grupo).
19. Trata os alunos como indivíduos.
20. Respeita as opiniões dos alunos, reagindo sempre de maneira construtiva.
21. Encoraja os alunos a melhorar e ter um bom conceito de si mesmos.
22. Tem senso de humor, expressa seus sentimentos e atitudes.
23. Tem um relacionamento amigável com os alunos, mantendo a disciplina.
24. Coopera com os outros professores.
25. Veste-se de forma adequada.
26. Usa métodos de ensino comprovados.
27. Continua seu desenvolvimento profissional.
28. Conhece a vida pessoal dos alunos.
29. Importa-se em conhecer a comunidade e os recursos locais.

Várias pesquisas indicam cinco pontos essenciais que descrevem um bom professor. São eles:

1) Conhecer bem a matéria.
2) Tratar os alunos como indivíduos e ser amigável.
3) Ser criativo, entusiasta e inovador no preparo das aulas.
4) Ser exigente e manter a disciplina.
5) Manter-se dentro dos limites do objetivo.

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