Jesus esvaziou-se da sua divindade ou da sua glória?

Em referência a passagem de (Fl 2,1-11), Jesus esvaziou-se da sua divindade ou da sua glória?

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Jesus, Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus – subsídios

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Jesus, Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus – 1

Comentários: Dr. Caramuru Afonso

Jesus, Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus – 2

Comentários: Pb. José Roberto Barbosa

Jesus, Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus – 3

Fonte: Rádio Boas Novas

Jesus, Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus – 4

Comentarista: Pr. Adilson Guilhermel

A identidade de Jesus

Comentarista: Marcos Antônio Guimarães

DEBATES

Jesus esvaziou-se da sua divindade ou da sua glória?

Jesus, verdadeiro homem, verdadeiro Deus – 2

JESUS: VERDADEIRO HOMEM, VERDADEIRO DEUS

http://subsidioebd.blogspot.com/

Texto Áureo: Rm. 9.5 – Leitura Bíblica em Classe: Rm. 1.1-7; Fp. 2.7
Pb. José Roberto A. Barbosa


Objetivo: Mostrar que Cristo reúne, em si mesmo, tanto a natureza humana quanto à divina, mesmo após a encarnação.

INTRODUÇÃO
Jesus é tanto homem quanto Deus. Por isso, costuma-se dizer que Ele é Deus-Homem. Ao longo dos séculos, surgiram alguns equívocos a respeito da natureza humano-divina de Cristo. Na aula de hoje, abordaremos alguns desses equívocos, mostrando o ensinamento bíblico a respeito, e, por fim, faremos uma análise preliminar da doutrina kenótica do ponto de vista bíblico.

1. EQUÍVOCOS CRISTÓLOGICOS
1.1 Gnosticismo – Escola teológica que surgiu nos primórdios do cristianismo, que se opunha à doutrina dos apóstolos. Seus adeptos, devidos às influências filosóficas platônicas (Cl. 2.8), ostentavam ter um conhecimento perfeito de Deus. Consideravam a matéria como algo inerentemente mau, por isso, diziam que a humanidade de Cristo teria sido aparente, isto é, Ele não teria, de fato, se feito carne. O apóstolo João se opôs frontalmente a essa doutrina (Jo. 1.11;14; I Jo. 1.1).

1.2 Apolinarismo – de acordo com Apolinário, bispo de Laodicéia do Século IV, Cristo não teria assumido por completo a humanidade. Nessa perspectiva, a encarnação se limitaria à indução do Logos a ocupar o lugar da psique humana. Jesus seria, por conseguinte, metade Deus e metade Homem. Os ensino desse bispo foram rechaçados, pela Igreja, no Concílio de Constantinopla, em 381 d. C. Isso porque a Bíblia revela que Jesus é verdadeiramente homem (I Tm. 2.5), a semelhança de qualquer outro homem, mas sem pecado (Hb. 2.14-18; 4.15).

1.3 Monofisismo – doutrina que surgiu no Século V e defendia que Cristo teria apenas uma natureza, a divina; ou, então, uma única natureza composta, sem qualquer distinção entre o divino e o humano. Para seus adeptos, Ele teria absorvido a natureza humana fazendo-a tornar-se divina, assim sendo, o Logos teria se feito carne em Jesus, e, portanto, a carne de Jesus teria se tornado sua própria natureza divina. Não é possível estabelecer um paradigma preciso do Monofisismo porque ele assume formulações e implicações distintas. A Bíblia revela que, em Cristo, estão duas naturezas: divina e humana, distintas, e, ao mesmo tempo, integradas (Rm. 9.5).

2. JESUS CRISTO: DEUS-HOMEM
Como homem, Jesus nasceu da descendência de Davi, segundo a carne (Rm. 1.3), seguindo a linhagem desse rei de Israel (Sl. 22.22; Fp. 2.6-11; I Tm. 2.5; II Tm. 2.8). Uma das provas contundentes da humanidade de Jesus é a apresentação de sua genealogia, remetendo a Abraão, em Mt. 1.1-17, e Adão, em Lc. 3.2-28. Jesus nasceu de uma mulher (Mt. 1.18,20; Lc. 1.35), teve irmãos e irmãs (Mt. 12.47; 13.55-56), sentiu sono, fome, sede e cansaço (Mt. 21.18; Mc. 4.38; Jo. 46; 19.28), sofreu, chorou, angustiou-se (Mt. 26.37; Lc. 19.41; Hb. 13.12) e, finalmente, passou pela morte (Mc. 15.37; Lc. 23.46). Como Deus, Ele é o Verbo que se fez carne (Jo. 1.1), um com o Pai (Jo. 10.30-36), tendo os atributos de onipresença, onipotência, onisciência (Mt. 18.20; 28.18; Jo. 21.17; Hb. 13.8). Ele mostrou ter poder sobre a natureza (Lc. 24.19; At. 2.22), perdoou pecados (Lc. 5.21,24), recebeu adoração (Mt. 8.2; 9.18; Jo. 9.38). Uma das provas contundentes de sua divindade é a declaração, dEle mesmo, dizendo ser O “Eu Sou” (Ex. 3.14; Jo. 8.58).

3. A KENÓSIS BÍBLICA
O verbo “kenoo”, no grego, significa “esvaziar” ou “aniquilar”, e, em Fp. 2.7, Paulo se utiliza desse para falar a respeito da condição de Cristo quando se encarnou. Temos, aqui, um esclarecimento desse mistério, pois Jesus, sendo Deus, não poderia se desfazer de sua natureza divina, por conseguinte, Ele não deixou de ser Deus, antes “tomou” a natureza de servo. Isso poderia ser ilustrado por meio da metáfora de um rei que resolve viver entre os plebeus, e, para tanto, deixa de lado a sua glória, ainda que não perca, com essa decisão, a condição de rei. De igual modo, Jesus teria deixado a Sua glória celestial (Jo. 17.4), posição (Jo. 5.30; Hb. 5.8), riquezas (II Co. 8.9) e direitos (Jo. 5.19; 8.28; 14.10). Essa renúncia teve como objetivo a salvação da humanidade. Cristo tomou, para si, uma natureza humana com suas tentações, humilhações e fraquezas, porém, sem pecado (Hb. 4.15). A abdicação dessas prerrogativas divinas levou-O a depender do Espírito Santo para cumprir Suas responsabilidades (Mt. 12.28; Lc. 4.18; At. 10.38; Rm. 8.11; Hb. 9.14).

CONCLUSÃO
A completa divindade e humanidade de Cristo foi objeto de muitas controvérsias ao longo da história da igreja. A motivação para os equívocos, alguns ainda defendidos nos círculos religiosos nos dias atuais, é a dificuldade para a apropriada interpretação desse tema bíblico. Certamente, por isso, bem disse Paulo, em I Tm. 3.16: “grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória”. Por se tratar de um mistério, não tenhamos a pretensão, sob qualquer hipótese, de querer exaurir, por meio da razão humana, uma doutrina que precisa ser, prioritariamente, abraçada pela fé, por se tratar de algo que nos fora revelada, mas não, explicitamente, explicado.

BIBLIOGRAFIA
ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.). Comentário bíblico pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
VINE, W.E., UNGER, M. F., WHITE JR, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

Jesus, verdadeiro homem, verdadeiro Deus – 1

LIÇÃO Nº 3 – JESUS, VERDADEIRO HOMEM, VERDADEIRO DEUS

Dr. Caramuru Afonso

http://www.escoladominical.com.br

Sem nunca ter deixado de ser Deus, Jesus Se fez homem para, como tal, obter a nossa salvação.

INTRODUÇÃO

– Nas duas primeiras lições, tivemos a oportunidade de estudar a divindade de Jesus Cristo, seja como o Verbo de Deus, seja como o Filho de Deus. Hoje, analisaremos a Sua humanidade, bem como a Sua dupla natureza.

– É fundamental compreendermos que a Bíblia nos ensina que Jesus, sendo o Deus Filho, ou seja, uma das três Pessoas divinas, fez-Se homem, em tudo semelhante a nós, mas que jamais pecou e que, ao vir a esta terra, pôde cumprir a lei e satisfazer a justiça divina, morrendo por nós e, assim, pagando o preço necessário para a nossa salvação. A distorção sobre a real natureza de Jesus nesta obra tem sido, há séculos, uma das principais armas do inimigo para levar os homens para a perdição eterna.

I – JESUS É HOMEM

Colaboração/Gráfico: Enomir Santos

– Além de dizer que Jesus é Deus, a Bíblia também nos ensina que, num determinado instante histórico, que as Escrituras denominam de “plenitude dos tempos” (Gl.4:4), “o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo.1:14a). Jesus Se tornou homem, a fim de cumprir a promessa divina feita ao primeiro casal de que “da semente da mulher” nasceria um que esmagaria a cabeça da serpente (Gn.3:15).

– Esta afirmação divina no Éden é suficiente para nos demonstrar que Jesus realmente Se humanizou, tornou-se um homem, um descendente do primeiro casal, “a semente da mulher”, para que pudesse, enquanto homem, vencer o mal e o pecado e, sem qualquer dívida diante de Deus, por Sua santidade, morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça de Deus, proporcionando a nossa redenção e a possibilidade de termos os pecados perdoados.

– Dizer que Jesus não Se humanizou, que era, na verdade, um “ser especial”, um “espírito evoluído”, que habitou entre os homens, como alguns teimam em afirmar e com cada vez maior número de adeptos na atualidade, é o mesmo que dizer que Deus é mentiroso, que Deus não é fiel e que não cumpriu com a Sua promessa. Jesus Se fez homem, era absolutamente necessário que fosse um homem, para que se tornasse possível a vitória sobre o pecado e o mal. Por isso, aliás, o apóstolo João afirmou que “quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso O fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu” (I Jo.5:10).

– Se Jesus Se humanizou, temos, em primeiro lugar que, enquanto homem, Jesus teve um princípio de existência. Enquanto Deus, Jesus não tem princípio nem fim (Ap.1:8), mas, enquanto homem, Ele teve um início de existência, foi concebido por obra e graça do Espírito Santo no ventre de Maria (Lc.1:31-35). Como todo e qualquer ser humano, Jesus foi concebido no ventre de Sua mãe, teve o início de uma existência.

– Entretanto, Jesus não poderia ser concebido como o foram os demais seres humanos a partir do primeiro casal, porque, em virtude do pecado, os homens passaram a ser concebidos em pecado (Sl.51:5), ou seja, herdavam a natureza pecaminosa de seus pais, tanto que, em vez de saírem à imagem e semelhança de Deus, como havia sido o primeiro casal, saíam à imagem e semelhança de seus pais (Gn.5:3). Por isso, Jesus não poderia ser fruto de uma concepção resultante da relação sexual entre seus pais biológicos, visto que não poderia ser senão a “semente da mulher”, o “último Adão”(I Co.15:45), e, portanto, a exemplo do primeiro casal, criado por ação direta de Deus, sem mediação humana.

– É por este motivo que, ao longo da revelação progressiva de Deus, por meio da Sua Palavra, o Senhor foi anunciando ao Seu povo que o Salvador, o Messias, chamado de “semente da mulher”, seria alguém que seria o resultado da “concepção de uma virgem” (Is.7:14) e que a criança nascida, ao contrário de todas as demais, ao adquirir a consciência não se inclinaria para o mal, mas, sim, para o bem (Is.7:15,16).

– Tudo isto que fora profetizado cerca de setecentos anos antes do evento histórico acontecer. Maria concebeu, sem que conhecesse varão, e deu à luz ao seu filho primogênito, que foi chamado de Jesus por ordem divina. Jesus Se fez carne e habitou entre nós, sendo fruto da concepção de uma virgem. Observemos bem que Jesus foi concebido em uma virgem, mas Sua mãe não ficou virgem para sempre. A virgindade de Maria cessou com o nascimento de Jesus, assim como também a sua abstinência sexual em relação a seu marido, José. A Bíblia diz que José não a conheceu até que Jesus nasceu (Mt.1:25), sendo certo, também, que José e Maria tiveram filhos, como o dizem os moradores de Nazaré, a cidade onde Jesus foi criado (Mt.13:55; Mc.6:3).

– Vemos, portanto, que a concepção virginal de Jesus era uma necessidade para que pudesse se realizar o plano da salvação. Jesus haveria de nascer com a mesma natureza perfeita com que fora criado o primeiro casal, a fim de que pudesse vencer a morte e o inferno. Sua concepção virginal, aliás, era também necessária para que Ele Se mantivesse Filho de Deus (Lc.1:35), embora Se tenha feito carne, assim como para que fosse “semente da mulher” e “nascido de mulher”. Daí porque Eva ter sido chamada “mãe de todos os viventes” (Gn.3:20), enquanto que, em momento algum, Adão é chamado de “pai de todos os viventes”, pois Jesus não descendeu de Adão, mas gerado foi por obra e graça do Espírito Santo.

– Negar, portanto, a concepção virginal de Jesus é negar a Sua condição de Salvador, é procurar desacreditar a Sua missão de salvação do homem. Jesus veio para libertar o povo do pecado e, por isso, não poderia ser formado em pecado. Humanizou-Se, sim, porque foi gerado, teve início de existência, foi dotado de um corpo animal, terreno, corruptível (I Co.15:42,44,47; Hb.10:5), teve Seus dias de carne (Hb.5:7), mas tinha de vir sem a natureza pecaminosa, a fim de poder redimir a humanidade.

– É interessante observar, portanto, que a vinda de Jesus por obra e graça do Espírito Santo, em momento algum, pode ser usada como argumento para negar a Sua humanidade, porquanto Sua concepção virginal teve o propósito de fazê-lO entrar no mundo do mesmo modo que Adão, numa natureza sem pecado, ainda que humana, a fim de que pudesse vencer o mundo e o pecado. A concepção virginal não faz de Jesus um super-homem, mas O faz um homem genuíno, formado conforme o propósito divino, um “segundo Adão”, sem o que não haveria como garantir a salvação de toda a humanidade.

– Vemos, a propósito, que só Jesus foi assim gerado, como nos mostram as Escrituras. É Ele o “último Adão”, o único que, além de Adão, foi gerado diretamente por ação divina. Todos os demais seres humanos foram gerados de um ser prévio, até mesmo Eva, que foi retirada de Adão (Gn.2:21,22). Por isso, não tem o menor cabimento a doutrina da “imaculada conceição de Maria”, transformada em dogma da Igreja Romana em 1854 pelo Papa Pio IX, segundo a qual Maria também teria sido concebida sem pecado, equiparando Maria ao próprio Jesus, um ensino totalmente equivocado e que se constitui em mais uma artimanha do inimigo para denegrir e distorcer a figura de Jesus Cristo.

– A concepção virginal de Jesus mostra, também, o propósito de salvação na vida do Senhor. Foi Ele gerado por obra e graça do Espírito Santo para que Se tornasse o Sumo Sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque (Hb.8:1,2) e, por isso, Se oferecesse, uma vez por todas, em sacrifício pelos pecados do mundo (Hb.9:28), sendo, pois, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29), a propiciação pelos pecados de todo o mundo (I Jo.2:2). Por isso, também sentido algum tem a doutrina alardeada pelo Reverendo Moon de que Jesus “fracassou” em Seu ministério por não ter formado família, visto que Seu objetivo ao vir ao mundo, como bem o demonstra Sua concepção virginal, não foi o de formar descendência, mas, sim, o de Se oferecer como vítima para a remissão de toda a humanidade.

– Daí porque também não ter qualquer sentido ou respaldo bíblico a afirmação de que Jesus constituiu família e que, inclusive, Seus supostos descendentes pertenceram à linhagem real de uma dinastia francesa medieval, idéia que foi muito bem explorada pelo escritor Dan Brown, no livro “Código Da Vinci”, um dos campeões de venda dos últimos anos em todo o mundo e que demonstra como está operando o mistério da injustiça nestes dias que antecedem a volta de Cristo (II Ts.2:7), um ímpeto para fazer o mundo descrer na dupla natureza de Jesus, pois sua função é enganar os que perecem (II Ts.2:10,11).

– Neste ponto é importante mostrar que Jesus, além de Se humanizar, foi um varão, ou seja, um homem do sexo masculino. Nos dias difíceis em que estamos a viver, há muitos que querem negar esta circunstância, considerando-a como um “preconceito machista”, a tal ponto que já se chegou ao cúmulo de se ter uma tradução da Bíblia “livre de sexismo”, a chamada “Bíblia politicamente correta” ou “Bíblia numa linguagem mais justa”, onde sempre que os homens são citados, foram incluídas as mulheres, como se isto fosse o correto. Jesus foi um varão, porque isto era necessário a fim de que fosse o “último Adão”, Adão que era varão. Isto, em absoluto, significa uma diminuição da mulher em relação ao homem, mas o fato é que a mulher veio do varão e este varão veio ao mundo porque uma mulher deu à luz, numa clara demonstração de que Jesus é o Salvador de toda a humanidade.

– A circunstância de que Jesus tinha uma missão espiritual e que, para tanto, veio ao mundo, explica, também, porque não só o Senhor não formou família, como também não teve qualquer envolvimento sexual com quem quer que seja. Não negamos que, como Jesus em tudo foi tentado, indubitavelmente foi alvo de tentações no que respeita à moral sexual, mas não era esta a vontade de Deus, motivo pelo qual se manteve alheio a este aspecto da vida. Não que a sexualidade seja um mal, longe disso, mas Jesus não fora chamado por Deus para isto. Destarte, completamente abominável e demoníaca a tentativa de construção da figura de um Jesus devasso, libertino e, pasmem todos, até homossexual, como tem sido propalado e divulgado pela mídia nos últimos anos, a demonstrar o grau de intensidade do espírito do anticristo na atualidade.

OBS: É incrível a intensidade com que se avilta a figura do Senhor Jesus na atualidade. Não bastasse, na década de 1980, o filme de Martin Scorsese, a “Última Tentação de Cristo” em que se insinua que o Senhor, na cruz, estivesse absorto por pensamentos imorais e lascivos, recentemente foi feita uma mostra de imagens pornográficas na Espanha, em setembro de 2007, do artista holandês Ivo Hendricks, em que Jesus aparece em cena de sodomia, sem falar na peça teatral “Corpus Christi” de Terrence McNally, onde Jesus é apresentado mantendo relações homossexuais com Seus discípulos, que se pretende transformar em filme. Todos estes ataques, paradoxalmente, demonstram que Jesus é homem e é Deus, pois, se assim não fosse, não estaria o espírito do anticristo preocupado em denegrir a Sua imagem, pois é próprio dele levantar-se contra tudo o que se chama Deus (I Ts.2:4). Este é mais um sinal de que Jesus está às portas! Vigiemos, pois!

II – A HUMANIDADE DE JESUS NÃO EXCLUIU A SUA DIVINDADE

Colaboração/Gráfico: Jair César

– Enquanto homem, Jesus teve todo o desenvolvimento que qualquer ser humano tem. Enquanto criança teve uma alimentação simples, própria daqueles que são de parcos recursos (Is.7:15), passou pela fase da inocência e, ao adquirir a consciência, demonstrou a única diferença que teve em relação a todos os demais homens: não tinha a natureza pecaminosa. A exemplo de Adão e de Eva, fora criado sem a natureza pecaminosa, mantendo-se assim até a morte (Hb.4:15; 9:28). Por isso, Jesus não foi igual ou idêntico aos demais homens, mas, como dizem as Escrituras, semelhante a nós, visto que havia um dado que os distinguiu de todos os demais homens: a ausência de pecado (Hb.2:17) (recomendamos leitura nosso artigo na seção Estudos Bíblicos do Portal Escola Dominical: Jesus, gente como a gente, mas sem pecado).

– Enquanto homem, Jesus Se submeteu a todas as limitações humanas, sem exceção alguma. A este fenômeno, segundo o qual Jesus, que é Deus, não Se utilizou de nenhuma das prerrogativas da divindade enquanto desempenhou o Seu ministério terreno (nem poderia fazê-lo, pois Deus havia prometido que um homem haveria de alcançar a vitória sobre o pecado e sobre a morte), os estudiosos da Bíblia denominam de “kenosis” ou “esvaziamento”. Jesus não deixou de ser Deus quando Se tornou homem, mas, por livre e espontânea vontade, para cumprimento da vontade do Pai (Hb.10:5-9), veio a este mundo, despindo-Se da Sua glória (Fp.2:5-8), cumprindo a lei (Mt.5:17), fez-Se oferta e sacrifício ao Pai para a salvação dos pecadores (Is.53:4-9).

OBS: “…Ele [Cristo, observação nossa] se aniquilou, isto é, foi reduzido em seus atributos, sujeitando-se ao corpo humano. Isto não quer dizer que perdeu ou desvencilhou totalmente da sua divindade, mas precisou sujeitar-se ao corpo humano e, portanto, ficou sujeito a certas limitações pelas quais passam os homens. Mas, quando ressuscitou e adquiriu corpo glorioso, voltou a possuir plenamente todos os atributos, como o Pai….” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.1, p.23).

– “…na idéia de kenosis está a noção de ter o Filho de Deus assumido a forma de homem, conforme esse texto de Filipenses [Fp.2:8, observação nossa] diz claramente. O Logos, ou Verbo celeste, desistiu de aferrar-se ao que possuía, quando de Seu esvaziamento, em uma atitude contrária à de Adão, que procurou obter algo que ele não tinha (o conhecimento do bem e do mal). Ver Ii Co.8:9. O termo kenosis, portanto, deve ser aplicado à idéia de autolimitação do Logos (o Filho de Deus) quando de Sua encarnação…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Kenosis. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3, p.698).

– “…Naturalmente, a frase esvaziou-se a si mesmo pode sugerir, para aquelas mentes que assim exigem, a noção de que desvestiu-Se de todos os Seus atributos divinos. Os eruditos devotos não podem aceitar essa concepção e eles evidentemente não somente têm o apoio do contexto imediato, mas de toda a Escritura. Um grupo exagerou nas limitações humanas de Cristo, enquanto, por outro lado, outro grupo – totalmente atento quanto a estas limitações – vê também a ênfase que a Palavra de Deus atribui às manifestações da Sua divindade.(…). Tanto a condescendência de Cristo – a partir da Sua esfera nativa celestial para a posição de homem – quanto a humilhação de Cristo – da Sua posição como um homem para a morte de cruz – são indicadas nessa passagem. A questão da kenosis não está muito preocupada com a humilhação de Cristo como com Sua condescendência. A pergunta é esta: ‘Quanto Ele renunciou?’…” (CHAFER, Lewis Sperry. Teologia sistemática. Trad. Heber Carlos de Campos. t.I, pp.382-3)

– Jesus não poderia deixar de ser o que é, pois, como Deus, como vimos nas lições anteriores, é eterno, não muda, nem deixa de ser algo. Jesus é Deus e sempre o será. Quando chegou a plenitude dos tempos, continuou sendo Deus, pois Deus não pode negar-Se a Si mesmo (II Tm.2:13). Assim, precisamos ter cuidado, pois muitos, inadvertidamente, acham que quando Jesus Se humanizou, deixou de ser Deus. Isto é absolutamente impossível! Deus é e nunca deixará de ser! Quando Se encarnou, porém, Jesus deixou a “forma de Deus” (Fp.2:6), assumindo a “forma de servo” (Fp.2:7) e, mesmo na forma de servo, prosseguiu na Sua humilhação, assumindo a condição de maldito ao morrer na cruz (Fp.2:8).

– Jesus nunca deixou de ser Deus e passou, na plenitude dos tempos, a também ser homem. Por isso, diz o apóstolo João, que o “Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo.1:14).

– Nesta feliz expressão do apóstolo, vemos que Jesus não deixou de ser Deus ao Se humanizar. Com efeito, continuou a ser o Verbo, mas também passou a ser homem, pois “Se fez carne e habitou entre nós”. Por ter encarnado e assumido as limitações do tempo e do espaço, como qualquer criatura (Gn.1:1), Jesus demonstra toda a Sua humanidade. Mas, apesar de ser homem, continuava a ser Deus, tanto que possuía a glória, algo que é exclusivo de Deus (Is.48:11 “in fine”). O apóstolo, aliás, faz questão de ressaltar que a glória vista em Jesus não era uma glória qualquer, mas a glória divina, a glória do Unigênito do Pai.

– Além disso, João disse que Jesus, mesmo humanizado, não deixou de ser Deus, porque era “cheio de graça e verdade”. Somente Deus é cheio de graça e de verdade, pois, por primeiro, a graça é o favor imerecido que Deus dá aos homens, é um dom divino, algo que não é próprio dos homens (Ef.2:8). A graça é divina e, entre nós, foi algo exclusivo da pessoa de Jesus Cristo (Rm.5:15). Por segundo, a verdade é o próprio Deus (Jr.10:10) e só Jesus, entre nós, é a verdade (Jo.14:6). Por isso, enquanto “Deus conosco”, Jesus trouxe, para os homens, tanto a graça quanto a verdade (Jo.1:17).

OBS: Por isso, não se pode admitir que Maria seja considerada “cheia de graça”, como se verifica na famosa oração “Ave Maria”. Muito pelo contrário, a Bíblia nos mostra que, como qualquer ser humano, Maria foi agraciada, ou seja, alvo da graça de Deus (Lc.1:28).

– A Bíblia é maravilhosa. Nos mínimos pormenores, ela demonstra toda a verdade espiritual revelada ao homem. Quem nos esclarece a respeito desta natureza divina de Cristo, que persiste na Sua humanização, é nada mais, nada menos que o apóstolo mais íntimo do Senhor, aquele que deitava seu rosto no peito de Cristo (Jo.13:23). João é mencionado como “o discípulo a quem Jesus amava” e, por causa deste amor intenso, foi o que mais evidenciou a natureza dupla de Jesus, pois os amigos do Senhor são aqueles a quem tudo é revelado (Jo.15:15).

– Mas não foi apenas João quem nos dá notícia da manutenção da natureza divina no Jesus humanizado. Pedro, outro dos discípulos que pertenciam ao círculo íntimo do Senhor, também é testemunha (II Pe.1:16-18). A propósito, a transfiguração de Jesus é uma demonstração cabal de que Sua deidade não foi extirpada quando de Sua humanização.

– Se Jesus não deixou de ser Deus quando Se humanizou, nem por isso, porém, fez uso dos atributos da Divindade enquanto no Seu ministério público. Aliás, “ministério” significa “serviço” e, como vimos, no exercício deste ministério, Jesus assumiu a “forma de servo”, o Servo Sofredor de que tanto falou o profeta Isaías em seu livro que, por causa disto, é chamado por muito de “o Evangelho do Antigo Testamento” (v.g., Is.42:1,19; 43:10; 50:10; 53:11).

– Tudo quanto Jesus fez, no Seu ministério público, foi em virtude da unção do Espírito Santo sobre Ele (At.10:38). Esta unção do Espírito sobre Ele se deu quando Ele foi batizado por João no Jordão, algo que foi atestado pelo próprio João que viu o Espírito descer sobre Ele como pomba, instante em que o Pai deu, também, testemunho do Filho (Mt.5:13-17; Mc.1:9-11; Lc.3:21,22; Jo.1:32-34). Por isso, não tem o menor cabimento todo e qualquer escrito apócrifo que atribui milagres a Jesus na Sua infância, adolescência e juventude, pois Jesus nunca assumiu a Sua divindade no Seu ministério, mas, para cumprir a Palavra de Deus, esvaziou-Se desta Divindade, sendo um homem ungido pelo Espírito Santo para cumprir tudo quanto estava determinado a Ele na Sua obra (Jo.17:1-4).

III – EPISÓDIOS BÍBLICOS QUE ATESTAM A HUMANIDADE DE JESUS

– Temos visto que o fato de Jesus ter Se humanizado, não Lhe retirou a natureza divina. Foi esta a afirmação solene que se declarou no Concílio de Nicéia, convocado por pressão do imperador romano Constantino, em 325 d.C., quando não se criou dogma algum, mas apenas se afirmou o que já constava das Escrituras, ou seja, na linguagem do próprio Concílio: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Único de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas.E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Maria Virgem, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; E subiu aos céus, onde está sentado à direita de Deus-Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim”. Esta declaração é parte do chamado “Credo Niceno- Constantinopolitano” ou “Símbolo da Fé”.

– A maior prova de que a declaração resultante do Concílio de Nicéia não foi qualquer inovação, mas mera afirmação do que já constava na Bíblia Sagrada é a circunstância de que muitos são os episódios na Bíblia Sagrada que mostram que Jesus realmente Se humanizou. Vejamos alguns.

– A concepção de Jesus (Lc.1:31) é a primeira demonstração de que Jesus Se humanizou, como já dito supra. Como todo e qualquer ser humano, Jesus foi concebido no ventre de Sua mãe, ainda que não por força de fecundação de um espermatozóide e de um óvulo, mas por obra e graça do Espírito Santo, a exemplo do que ocorreu com Adão.

– A propósito, quando do anúncio da concepção de Jesus, vemos claramente que, ao contrário do que muitos andam dizendo por aí, inclusive alguns sedizentes “evangélicos”, a Bíblia deixa-nos claro que Jesus, assim que concebido, era um ser totalmente distinto de Sua mãe, como nos mostra o episódio do encontro de Maria com Isabel, retratado em Lc.1:39-45. Destarte, assim que concebido no ventre de Sua mãe, o ser humano é uma vida completamente distinta de sua mãe, de modo que defender o aborto sob o argumento de a “mulher tem direito sobre o seu próprio corpo” é uma grande mentira, pois o ser concebido não é parte do corpo da mulher, mas uma vida completamente independente. Fujamos, pois, destes “abortistas”, principalmente dos que se dizem “evangélicos”.

– Outro episódio que nos mostra que Jesus Se humanizou, foi a própria gestação de Maria, que foi como qualquer outra. Tendo ficado com Isabel por cerca de três meses (Lc.1:56), retornou e foi recebida por José, graças à intervenção divina (Mt.1:20-25), tendo, então, chegado o momento de nascer, nascimento este que foi igual ao de qualquer outro ser humano. Maria deu à luz a Jesus (Mt.1:25; Lc.2:6,7). Nada nas Escrituras atesta que tal nascimento tenha sido “virginal”, ou seja, que Maria tenha se mantido virgem após o nascimento de Jesus, antes, pelo contrário, as Escrituras demonstram que isto não ocorreu e que Maria não só manteve relações sexuais com José, como teve outros filhos. O fato de Jesus ter nascido é mais uma prova de Sua humanidade (Mt.2:1; Lc.2:11).

– Ao nascer, Jesus Se tornou membro de uma família (Mt.1:18-25), o que revela, também, a Sua humanidade. Com efeito, enquanto Deus, não tem genealogia, não tem origem, pois é eterno (Hb.7:3). Entretanto, enquanto homem, Jesus teve mãe (Lc.2:5-7) e um “pai social”, ainda que não biológico (Lc.3:23). Jesus não só teve família, como cumpriu rigorosamente todos os Seus deveres familiares (Lc.2:51; Jo.19:26,27). Como se costuma dizer, enquanto Deus, Jesus tem Pai, mas não tem mãe; enquanto homem, Jesus tem mãe, mas não tem pai.

– Sem qualquer base bíblica, portanto, a atribuição de qualquer valor espiritual à maternidade de Maria, porquanto o pertencimento de Jesus a uma família é um aspecto de Sua humanidade, aspecto este que se findou com a morte do Senhor na cruz do Calvário. Tanto assim é que, antes de morrer, Jesus entregou Maria aos cuidados de João, passando, então, Maria, a partir daquele instante, a ser mãe de João e não mais mãe de Jesus. Os relacionamentos familiares são relacionamentos restritos a esta Terra, algo que cessa nesta dimensão terrena (Mt.22:30; Lc.20:34-36; Rm.7:1-3). Por isso, não tem qualquer sentido intitular-se Maria como “Mãe de Deus” e, além disso, construir virtudes e funções espirituais concernentes à salvação a Maria por ter sido ela a mãe de Jesus.

– Jesus teve um nome (Mt.1:21), o que também demonstra a Sua humanidade. Embora Seu nome tenha sido dado pelo próprio Deus, conforme anunciado pelo anjo Gabriel (Lc.1:31; 2:21), é este também um fator que denuncia a Sua humanidade. Ter um nome é algo próprio do homem (Gn.2:20; 3:20), tanto que, quando os salvos forem inseridos na eternidade, deixarão o nome que tinham na vida debaixo do sol, recebendo um novo nome (Ap.2:17). O próprio Jesus, ao vencer o mundo e o pecado, recebeu um nome que é sobre todo o nome (Fp.2:9-11). Quando voltar em glória com os santos para salvar Israel, o nome que ostentará será o de Verbo de Deus (Ap.19:13).

– Outro fator a demonstrar a humanidade de Jesus é a sua genealogia, decorrência do fato de ter tido uma família. A Bíblia nos apresenta duas genealogias de Jesus: a jurídica, presente em Mateus, interessado em demonstrar que Jesus é o Messias, o descendente do trono de Davi (Mt.1:1-17) e a biológica, presente em Lucas, interessado em mostrar que Jesus é o Filho do homem, o homem perfeito, a semente da mulher, o segundo Adão (Lc.3:23-28). Ter genealogia é ter origem e a circunstância de Jesus ter origem indica que Ele Se fez homem, foi feito criatura.

– Mas Jesus também teve uma profissão secular (Mc.6:3), demonstrando que assumiu a humanidade também na necessidade de trabalhar para sobreviver (Gn.3:17-19). Jesus foi, antes de tudo, um trabalhador, tanto materialmente falando, como, também, espiritualmente (Jo.5:17). Trabalhar é uma das atividades que faz o homem semelhante a Deus, é um dos aspectos da imagem e semelhança de Deus (Gn.1:26). Ao contrário do que muitos pensam, trabalhar não é conseqüência do pecado, pois o homem foi posto no mundo para trabalhar e, com seu trabalho, dignificar e glorificar ao seu Criador (Gn.3:15). Jesus foi um trabalhador, tanto que, entre os seus “conterrâneos” de Nazaré, era identificado como “o carpinteiro, filho do carpinteiro” (Mt.13:55; Mc.6:3).

– Ser trabalhador é demonstrar humanidade e, mais do que isto, uma humanidade que se porta segundo os propósitos divinos. Como estão longe deste modelo os ociosos, os preguiçosos, os aproveitadores que sob a falsa rubrica de “pessoas que vivem da obra” nada mais são que vagabundos, que desordenados (I Ts.4:11; II Ts.3:6-10), que estão tão somente a escandalizar e a explorar a igreja do Senhor. Sejamos trabalhadores como foi Jesus!

– Outra demonstração da humanidade de Jesus está na circunstância de que foi cumpridor dos deveres cívicos (Mt.12:19-21;17:24-27; 22:15-21; Jo.19:6). Seja diante das autoridades religiosas judaicas, seja diante dos dominadores romanos, Jesus sempre cumpriu os seus deveres, mostrando que estava sujeito às autoridades constituídas por Deus (Rm.13:1,2). Embora nunca negasse Sua condição divina, como vemos seja no diálogo que manteve com Pôncio Pilatos (Lc.23:3; Jo.18:35-38) ou no episódio das didracmas do templo (Mt.17:24-27), Jesus nunca deixou de Se submeter às autoridades, revelando, assim, o Seu esvaziamento, a Sua autolimitação. Muitos, pelo contrário, inclusive em muitas igrejas locais, preferem aceitar a oferta satânica de poderio ilusório (Mt.4:8,9), cavando para si mesmos a perdição eterna. Que Deus nos guarde!

– Outra demonstração da humanidade de Jesus está no fato de que a Bíblia nos mostra que, durante o Seu ministério terreno, o Senhor teve cansaço (Mt.8:24; Jo.4:6). Ora, sabemos que Deus não Se cansa (Is.40:28), de forma que o fato de Jesus ter Se cansado demonstra que assumiu integralmente a humanidade. Não há como, pois, dizer como os gnósticos que Jesus era apenas um espírito evoluído, um “fantasminha camarada”, que parecia ter assumido a forma humana, mas que de fato não a tinha. Como admitir, então, que Jesus tivesse cansado, a ponto, inclusive, de dormir em virtude deste cansaço? Isto é uma prova indelével de que Jesus veio em carne (I Jo.4:2,3).

OBS: O gnosticismo era uma doutrina religiosa já existente antes do ministério terreno de Cristo, mas que se inseriu no meio dos cristãos, causando dúvidas e incertezas na igreja primitiva, pois os gnósticos diziam que a matéria era má e que, portanto, ninguém que fosse dotado de um corpo físico poderia ser um “espírito evoluído”, um “aeon”. Entendiam, assim, que Jesus nunca poderia ter sido homem, se era um “espírito evoluído”, se era o Messias. A influência perturbadora dos gnósticos se faz sentir quando vemos que Paulo e João, em seus escritos, atacaram diretamente este entendimento que, com algumas variações, ainda está presente, atualmente, entre os kardecistas e outros segmentos espiritualistas.

– Outro episódio que denuncia a humanidade de Jesus foi o fato de Jesus ter tido fome (Mt.4:2). Após quarenta dias de jejum, Jesus estava fisicamente combalido e tinha fome, tanto que foi com base nesta necessidade que o adversário iniciou a tentação no deserto. Ao lado do poço de Jacó, além de sede, Jesus também teve fome. Ele, que era o pão da vida (Jo.6:48), submeteu-Se à fome por amor a cada um de nós. Aleluia! Observemos que, para mostrar que era humano e não um “espírito”, Jesus, mesmo depois de ressurreto, comeu (Lc.24:37-43).

– Além de fome, Jesus também teve sede (Jo.4:6; 19:28). Aquele que é a fonte de água viva (Jo.4:10,11; 7:38), também Se submeteu à sede por amor a cada um de nós. A sede que demonstrou sofrer durante a crucifixão, mostra como Jesus realmente Se humanizou, pois é uma reação característica de quem sofria este tipo de pena.

OBS: “…Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. …” (BARBET, Dr. A dor da crucifixão: médico francês reconstitui a agonia de Jesus. Disponível em: http://www.lepanto.com.br/higgcruc.html Acesso em 27 nov. 2007).

– Mas Jesus Se humanizou e isto vai além de ter tido um corpo preparado para si. Na verdade, ao Se humanizar, Jesus recebeu não só um corpo, mas também uma alma e um espírito. Tendo alma, que é a sede da nossa personalidade, Jesus manifestou sentimentos (Mt.8:31; Mc.3:5; Lc.10:21; Jo.11:35), demonstrando tanto alegria, quanto tristeza, além de amor e compaixão. Esta é a prova de que Jesus era dotado de uma alma, alma que se angustiou até a morte na grande aflição do Getsêmane (Mt.26:38; Mc.14:34), onde, a propósito, derramou gotas de sangue em vez de suor, a demonstrar, uma vez mais, a Sua integral humanidade.

OBS: “Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela. ‘Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra’. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra….” (BARBET, Dr. Op.cit.)

– Outra demonstração da humanidade de Jesus foi o fato de Jesus ter sido tentado(Mt.4:1; Mc.1:13; Lc.4:2; Hb.2:18; 4:15). Deus não pode ser tentado (Tg.1:13), de sorte que a circunstância de Jesus ter sido tentado em tudo e durante todo o tempo é uma prova inequívoca de Sua humanidade. Entretanto, ao contrário do primeiro casal que, tentado no Éden, onde possuía tudo à sua disposição, o Senhor Jesus, mesmo no deserto, onde tinha carência de tudo, venceu o mundo e, por isso, pôde nos dar a certeza de que podemos vencer, enquanto seres humanos, o diabo e suas tentações.

– Ao se despir da Sua glória, ao Se esvaziar, Jesus passou a depender da ajuda de Deus (Mt.14:23). Jesus foi um homem de oração, que mantinha uma perfeita comunhão com o Pai (Jo.11:42). Esta comunhão estabelecida com o Pai durante o Seu ministério terreno era a comunhão do homem Jesus com Deus, não a comunhão que sempre existiu desde sempre entre o Filho e o Pai, que é resultado da Sua deidade e que foi objeto da lição anterior. Com efeito, na oração sacerdotal, Jesus mostra que glorificou o Pai na Terra, consumando a obra que Lhe havia sido dada a fazer (Jo.17:4) e, por isso, pedia que houvesse a glorificação com aquela glória que Ele já havia desfrutado desde a eternidade passada (Jo.17:5). Vemos, portanto, que esta comunhão era resultado da submissão de Jesus à vontade do Pai, submissão esta feita enquanto homem, decorrência da obediência e da adoração a Deus ante as tentações. É esta comunhão que devemos ter, também, com o Pai, uma comunhão possível, pois é a comunhão de um ser humano com Deus, na pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Por causa disto, Jesus Se santificou (Jo.17:19), para nos dar o exemplo (I Pe.2:21-23), a fim de que também vençamos o mundo (Jo.16:33).

– Há muitos, na atualidade, que, por não compreenderem a dupla natureza de Jesus, acham que é impossível vencer as tentações, resisti-las. No entanto, a Bíblia afirma que não somos tentados além de nossa capacidade de resistência (I Co.10:13) e que a queda advém de nossa própria concupiscência (Tg.1:14-16). Jesus venceu o pecado enquanto homem, tendo, por isso, recorrido à ajuda de Deus, seja na oração, seja no conhecimento das Escrituras (Lc.4:17), cuja ignorância foi apontada pelo Senhor como a fonte do erro (Mt.22:29; Mc.12:24). Jesus tinha uma vida devocional exemplar, não só cumprindo toda a lei (Mt.5:17), o que Lhe era imposto, visto que havia nascido sob a lei (Gl.4:4), como também adotando os bons costumes de seu tempo (Lc.4:15,16). Se Jesus teve de Se santificar, orar, conhecer as Escrituras e freqüentar os cultos, como podemos achar que seremos vencedores se não fizermos isto? Que Deus nos desperte para esta necessidade, que tanto maior quanto se aproxima o dia do arrebatamento da Igreja!

– Como ser humano, Jesus também teve um espírito (Mt.26:41; 27:50; Mc.14:38; Lc. 10:21; 23:46; Jo.11:33; 13:21; 19:30), que, com a Sua alma, formava o Seu homem interior. Em Seu ministério terreno, Jesus foi sempre guiado pelo Espírito Santo (At.10:38), prova de que, em Sua humanidade, o espírito dominava sobre a carne (Jo.6:63). Assim deve ser, também, na vida de cada crente (Rm.8:10).

– Outra prova da humanidade de Jesus é a Sua morte (Mt. 27:50; Mc.15:37; Lc.23:46; Jo.19:30,34; At.2:23; Fp.2:8). Enquanto Deus, Jesus jamais poderia morrer, porque Deus é eterno e a própria vida. Todavia, enquanto homem, embora não tivesse jamais pecado, Jesus morreu para que, pela Sua morte, pudéssemos ter vida. Jesus morreu, ou seja, enquanto homem, houve a separação de Seu corpo, que foi sepultado no sepulcro novo de José de Arimatéia (Mt.27:58-60; Mc.15:42-46; Lc.23:52,53; Jo.19:38-42), e o Seu homem interior, entregue que foi, pelo próprio Senhor, a Deus no instante final de Sua existência terrena. Esta separação entre corpo e homem exterior é a morte física, morte que foi imposta aos pecadores, mas que foi assumida por Jesus como pagamento da nossa salvação.

– Apesar dos inúmeros testemunhos a respeito da morte de Jesus nas Escrituras, testemunho do próprio Jesus, que afirma que foi morto (Ap.1:18), o espírito do erro continua a propalar a idéia de que Jesus não chegou a morrer. Não são poucos os movimentos religiosos que negam a morte de Jesus. Muitos espíritas insistem em dizer que Jesus era um “espírito evoluído” e, portanto, jamais poderia ter morrido, embora isto tenha aparentemente ocorrido. Deste mesmo parecer são os muçulmanos, que afirmam que mataram outra pessoa em lugar de Jesus, que teve vida longa, morrendo em idade avançada. Tudo isto, porém, nada mais é que engano, pois Jesus realmente morreu, porque Se fez homem e semelhante aos irmãos.

OBS: O Corão nega que Jesus tenha sido crucificado: “…E por seu dito;’ Por certo, matamos o Messias, Jesus, Filho de Maria, Mensageiro de Allah’. Ora, eles não o mataram, nem o crucificaram, mas isso lhes foi simulado [nota 4 – O Islão prega que não foi Jesus crucificado, mas o foi, em seu lugar, um sósia]. E, por certo, os que discrepam a seu respeito estão em dúvida acerca disso [nota 5 – Alusão às divergências nascidas da dúvida dos cristãos quanto às circunstâncias da morte de Jesus Cristo, o que prova que o próprio Cristianismo não tem certeza absoluta a respeito]. Eles não têm ciência alguma disso, senão conjeturas, que seguem. E não o mataram, seguramente; Mas Allah ascendeu-o [nota 1 – Embora entenda a ascensão como fato incontestável, o Alcorão não oferece maiores informações sobre isso] até Ele. e Allah é Todo-Poderoso, Sábio…” ( Tradução do sentido do Nobre Alcorão para a língua portuguesa com a colaboração da Liga Islâmica Mundial, realizada por Dr. Helmi Nasr 4:157-158, pp.159-160). Bem se vê, pelas próprias notas da tradução oficial do Corão que os islâmicos inventam uma dúvida inexistente entre os cristãos e, ao mesmo tempo, afirmam uma ascensão que não explicam. Entretanto, cada vez mais pessoas no mundo acreditam neste absurdo. É o cumprimento de II Ts.2:10-12.

– Outra prova da humanidade de Jesus é a Sua ressurreição. Com efeito, o fato de Jesus ter ressuscitado pressupõe que tenha morrido, o que, como vimos, é uma demonstração de Sua humanidade. Mas, além disso, as Escrituras são claras ao dizer que Jesus foi ressuscitado por Deus (At.2:34; 13:30; Rm.8:11). Ora, se Jesus foi ressuscitado por Deus, isto significa que quem foi ressuscitado foi o homem Jesus e nem poderia ser diferente, vez que Deus jamais poderia morrer. Jesus foi ressuscitado para que se cumprissem as Escrituras (Lc.24:44-48) e, nesta ressurreição, Jesus é o primogênito dentre os mortos (Cl.1:18), as primícias dos que dormem (I Co.15:20), porque foi o primeiro homem a ressurgir em corpo espiritual (I Co.15:44), incorruptível (I Co.15:42), imortal (I Co.15:54).

– É importante observar que a humanidade de Jesus não terminou com a Sua morte, como muitos pensam. Ao ser ressuscitado, Jesus manteve a Sua humanidade, já, agora, porém, não mais esvaziada da Sua divindade, daí porque, a partir da ressurreição, estar em Jesus a Divindade e a Humanidade em plena atividade, pois Ele venceu a morte e o inferno (Ap.1:18). Tanto a humanidade de Jesus não terminou que a Bíblia diz que seremos semelhantes a Ele (I Jo.3:2) e que quem é o mediador entre Deus e os homens, na atualidade, é Jesus Cristo homem (I Tm.2:5), pois só o homem Jesus pode entender o pecador (Hb.2:10-18).

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

Jesus, o Filho de Deus – 5

Jesus, o Filho de Deus

Osiel Varela

Texto Áureo: I Jo. 4.15: Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.

Exórdio:
Além da questão da Divindade de Jesus Cristo, a sua posição como Filho de Deus, é uma questão que tem sido discutida por séculos, dentro e fora da Igreja.
A posição de Jesus sobre si mesmo, como Filho de Deus, a qual Ele próprio, sempre deixou clara para os seus Discípulos e seus seguidores, e até mesmo para os principais de Israel, tendo inclusive, esta declaração usada como fundamento para sua condenação, no Sinédrio, como em Marcos14. 61.64:Ele, porém…nada respondeu. Tornou o sumo sacerdote a interrogá-lo…És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Respondeu Jesus: Eu o sou; …o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que precisamos ainda de testemunhas? Acabais de ouvir a blasfêmia; que vos parece? E todos o condenaram como réu de morte.
Isto posto, vamos procurar estabelecer vínculos desta Filiação Divina, que possam ajudar aos professores da lição 02 – CPAD/2008.
I-Introdução:
João 1. 12,13: Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;
A outra questão que está posta e se interliga, obrigatoriamente a primeira, é sobre a Unigenicidade, pois Jesus Cristo é chamado de Filho Unigênito de Deus. Tal afirmação bíblica tem trazido controvérsias de entendimento, uma vez que: os que a procuram entender, baseiam-se muitas vezes na questão lingüística, então tem definições e declarações de todo o tipo, umas procuram descaracterizar a divindade de Jesus, pela etmologia da palavra, dizendo que Cristo é também criado.
Usando inclusive o versículo que lemos acima, na abertura deste item.
Outros procuram sem sabedoria estabelecer unicamente a Unigenicidade como hierarquia divina entre a Trindade.
Fico com a explicação do Pastor Ezequias Soares, no tópico II.2 da Lição- pg. 14. Sobre nossa posição, leia a conclusão.
Busquemos então dentro da Bíblia os argumentos divinos sobre a qualidade prima de Jesus Cristo – Filho de Deus.
II-Entendendo Jesus como Filho de Deus:
Não se pode entender a questão de Jesus – Filho de Deus, sem levar em consideração a kenosis – vide nosso comentário da lição 01-2008 – Desta forma é que muitos estudiosos ou pensadores em suas tentativas de definir a humanidade do Filho de Deus, concentraram os seus ensinos na falta da Divindade de Jesus, entre elas a teoria Kenótica que apresentou Cristo como a manifestação do Logos esvaziada da divindade, isto é, negou-se a divindade de Jesus, ou a tornou totalmente distanciada do Jesus-Homem, ora isto torna então o Filho de Deus uma criatura, o que Ele definitivamente, não o é.
“Estas postulações são contrárias à imutabilidade de Deus e não concordam com passagens das Escrituras que dão atributos divinos ao Jesus histórico.” (Louis Berkhof)“Filho de Deus” no Novo Testamento:
Durante todo o Novo Testamento, a expressão “filho de Deus” é aplicada repetidamente, no singular, apenas para Jesus, com a possível exceção de Lucas 3:38 (no final da genealogia de Jesus cuja ascendência volta até Adão), onde podia argumentar-se que Adão está implicitamente sendo chamado de filho de Deus, com o que nós não concordamos, pois cairíamos na mesma situação sobre os casamento na época de Noé. “Filhos de Deus” é aplicado aos outros apenas no plural.
O Novo Testamento chama Jesus de “filho único de Deus” João 1:8, I João 4:9, “Seu próprio filho” Romanos 8:3. Também refere-se a Jesus simplesmente como “o filho”, especialmente quando “o Pai” é usado para se referir a Deus, como na frase “a Pai e do Filho” , II João 1:9, Mateus 28:19).
Outro ponto a ser estudado, entendido e necessariamente explicado, é o entendimento da Declaração do Pai, por ocasião do batismo de Jesus, Mateus 3.17.
Eu procuro entender este versículo como, uma declaração de um Pai, no caso o Pai celestial.
Acompanhe o raciocínio:
Mateus 11.27: Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, [senão o] Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, [senão o] Filho….
Ora, um pai, quando vê seu filho realizando algo notório, principalmente relevante para alguém, algo que só ele pode fazer, diz com todas as palavras, para todos ouvirem: este é meu filho, ou seja este é igual a mim, fez o que precisava ser feito e que só eu poderia fazer, hoje diria, tem o meu DNA.
Ao levarmos este raciocínio para o campo espiritual, o Pai estava dizendo:
Este é o meu Filho, é igual a mim! Tem a mesma essência em tudo é igual a mim, o Pai!
Bem como, é preciso entender a posição de João ao escrever o capítulo 1 e versículo 14, com referência a Jesus, a frase “o Unigênito do Pai” (Jo 1.14), indica que, como o Filho de Deus, Ele era o representante exclusivo do Ser e caráter daquele que o enviou. No original, o artigo definido está omitido tanto antes de “Unigênito” quanto antes de “Pai”, e sua ausência em cada caso serve para enfatizar as características referidas nos termos usados.
III-Entendendo Jesus como Deus:É fundamental o entendimento que Jesus faz parte da Trindade (não abordamos ainda o assunto, mas acho relevante o professor, procurar entender, sobre esta doutrina, para melhor aproveitamento destas Lições, creio que isto não seja dificuldade em nosso arraial Assembleiano).
De certo, é que precisamos ter este entendimento, desta forma veja a questão deslindada, abaixo;.
Lendo as passagens em Tito 2:13-14: 13 aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras.
E a de 2 Pedro 1:1-3: Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:Graça e paz vos sejam multiplicadas no pleno conhecimento de Deus e de Jesus nosso Senhor; visto como o seu divino poder nos tem dado tudo..
Vemos duas passagens que podem ser consideradas juntas por causa de sua frase idêntica: “Deus e Salvador” (theou kai soteros).
Em ambas as passagens, “Jesus Cristo” é o objeto da frase. Alguns argumentam que “Salvador” se aplica a Jesus, mas “Deus” é uma referência ao Pai: “Deus (o Pai) e Salvador Jesus Cristo.” Contudo, isto não é apoiado pela construção grega. Esta frase é aplicada a uma pessoa: Jesus Cristo.
Primeiro: esta é a leitura mais natural do texto.
Segundo: os dois nomes ficam sob um artigo, que precede “Deus.” Isto indica que eles têm que ser construídos juntos, não separadamente. E mais, esta frase foi uma fórmula comum e sempre denotou uma divindade, não duas pessoas separadas. Quando ambos Paulo e Pedro usaram a frase, então, “seus leitores sempre a entenderiam como uma referência a uma só pessoa, Jesus Cristo.Simplesmente não ocorreria a eles que ‘Deus’ pudesse significar o Pai, com Jesus Cristo como o ‘Salvador” .
O que isto tudo significa: é que Pedro e Paulo entenderam que Jesus era ambos, “Deus e Salvador”.
Isto é fator preponderante para entendimento de um texto, em Hermenêutica, diria até mesmo básico, pois o leitor ou o hermeneuta, precisa posicionar-se no lugar do ouvinte e do escritor, tal como, no momento em que é feita a declaração pelos autores bíblicos.
Da mesma forma, é necessário o estudo dos Evangelhos, para entender como cada um dos Escritores, apresentam a Jesus Cristo.
Na segunda metade do século 1, algumas comunidades escreveram suas memórias da vida e dos ensinos de Jesus, criando os primeiros evangelhos. Os evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João serão depois considerados inspirados, e incorporados à Bíblia. No evangelho de Marcos a narrativa só começa quando Jesus é reconhecido como filho de Deus, no batismo.
Diz um professor de Teologia da Metodista: Entre as idéias dos primeiros seguidores de Jesus estava, a de que, ele seria um profeta e libertador escatológico, Ou um enviado de Deus e, portanto, seu filho. Mesmo que possamos entender, que é parcial a idéia do professor Nogueira, fica claro, que mesmo a Teologia mais liberal, senão todos, mas, parte deles se dá, por vencidos pela qualidade de Jesus: Filho de DEUS.
IV-Ouvindo a voz de testemunhas e do próprio Pai e do Filho, à respeito:
Podemos ouvir aqueles que estavam presentes na ocasião e no tempo dos fatos:
A Palavra dos Profetas:
Zacarias12.10 :Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; e olharão para aquele a quem traspassaram, e o prantearão como quem pranteia por seu filho único; e chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito.Neste texto temos a palavra yachid, ou seu único filho, veja Gn. 22.2: Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único.
A Palavra do Pai:
Mateus 3.17: e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.
A Palavra do próprio Filho:
João 14. 9: Respondeu-lhe Jesus: Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheces, Felipe? Quem me viu a mim, viu o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
João 10.30: Eu e o Pai somos um.
João 17. 5:”Pai, glorifica ao Filho com a glória que possuí em Ti no início, antes que fossem lançados os fundamentos do mundo.”
A Palavra dita sobre, Jesus pelos Anjos: Anjo Gabriel para Maria, na Anunciação:
Lc 1:31,32,35: “Eis que conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo…por isso o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus.”
A palavra de quem estava no Círculo Íntimo de Jesus:
Mateus 16.16: Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
O Círculo Íntimo:
Simão Pedro -Cefas (uma pedra)
Tiago(mais velho;)João (discípulo amado) Boanerges(o filho do trovão) ;André (irmão de Pedro;)Filipe.
A palavra de quem estava presente ao ato de suplício, condenação, da Crucificação, e na Morte de Jesus:
Marcos 15. 39: Ora, o centurião, que estava defronte dele, vendo-o assim expirar, disse: Verdadeiramente este homem era filho de Deus.
O próprio Jesus- Na Hora da sua Morte:
Lucas 23. 46: Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
A Palavra de quem viu Jesus após a morte:
João 20.28: Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu, e Deus meu!
Conclusão:
Alguém, poderá querer se utilizar o texto de João1. 12,13: Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. Até mesmo, se utilizando da forma como o texto narra sobre o nascimento destes que, são agora chamados filhos de Deus.
Professor e aluno cuidado! Não confunda, estes são os que passaram pelo processo de : “é necessário, nascer de novo”, leia o texto bíblico de João 3. 3-13: Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade …que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus…Nicodemos: Como pode…nascer, sendo velho? porventura pode …entrar no ventre de sua mãe, e nascer ? Jesus: Em verdade…se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo. Jesus é o Filho de Deus, por tudo quanto estudamos na Lição, e como, apresentado aqui, ainda que de maneira sucinta, neste pequeno comentário.
Achamos, por bem, não discorrermos sobre a palavra Unigênito, mas o faremos no decorrer da Lição, neste site e no nosso site de Teologia:
http://nucleosetadvilacurucasandresp.globolog.com.br/
Fonte:
Bíblia Plenitude;
Apontamentos do autor;
Lição – CPAD;
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal – CPAD;
O Cristão – blog de David Brito;
Igreja Shalom: Rev. Edilson B Nogueira;
Kenosis – Texto de Moisés Olímpio Ferreira -A KÉNOSIS DE CRISTO (Uma breve visão histórica, teológica e gramatical)
Wikipedia;
Autor: Osiel Varela – Ministro das Assembléias de Deus – Missão.
Alguém já disse que, Pedro ficou extasiado com a resposta de Jesus: “Não foi a carne e o sangue quem te revelou, mas meu Pai que está nos céus”, mas na verdade esta declaração não nasceu de uma elaboração intelectual ou um entusiasmo de sentimento do próprio Pedro mas, veio-lhe dos céus! Nasceu no coração de Deus.Consagrado no Belém em 26/09/1996.
Congrega em Santo André, V. Curuçá. SP.Pr. Nivaldo Rodrigues.Ligado ao Belém.
Professor de Teologia; Pós – graduado em Bíblia.

Jesus, o Filho de Deus – 4

JESUS, O FILHO DE DEUS – Hb 1.1-8

Pr. Adilson Guilhermel

Lição 2 – 13/01/2008
Texto Bíblico: I Jo 4.15 Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus

PASSOS DECISIVOS PARA CRER EM JESUS

1. CONFESSÁ-LO E ACEITÁ-LO

  • Ele é o salvador proclamado – Hb 1.1 HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,  Is 9.6 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
  • Ele é o enviado confirmado – Hb 1.2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. Is 7.14 Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.
  • Ele é o domínio sustentante – Hb 1.3a O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder,  Jd 25 Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém.

2. CONVERTER-SE E BUSCÁ-LO

  • Ele é o abnegado sacrificado – Hb 1.3b…havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;  Hb 9.14 Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?
  • Ele é a potestade vitoriosa – Hb 1.4 Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.  Ef 1.21 Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;
  • Ele é o vencedor glorificado – Hb 1.5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho? Hb 2.9 Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.

3. CONSAGRAR-SE E SEGUI-LO

  • DEle é a honra como exclusivo – Hb 1.6 E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz:E todos os anjos de Deus o adorem.  I Tm 1.17 Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.
  • DEle é a honra como unigênito – Hb 1.7 E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.  2 Pe 1.17  Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido.
  • DEle é a honra como divindade – Hb 1.8 Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.  Jo 5.23 Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou

Pastor Adilson Guilhermel
www.pastorguilhermel.com.brr

Jesus, o Filho de Deus – 2

JESUS, O FILHO DE DEUS

Texto Áureo: I Jo. 4.15 – Leitura Bíblica em Classe: Hb. 1.1-8

Pb. José Roberto A. Barbosa

Objetivo: Mostrar que Cristo é o Filho de Deus, tendo relação particular com o Pai, por meio do qual, podemos conhecê-LO.

INTRODUÇÃO
Jesus é o Filho de Deus, mas que tipo de filiação seria essa? Poderíamos assemelhá-la com a filiação dos anjos ou dos homens criados por Deus. Em que sentido Jesus é, particularmente, o Filho de Deus? Quais as implicações desse ensinamento para a vida de cada cristão? Tentaremos, na aula de hoje, tecer alguns comentários a respeito dessas indagações.

1. JESUS: O FILHO DE DEUS
Todos aqueles que recebem a Jesus como salvador pessoal se tornam filhos de Deus (Jo. 1.12), como são também filhos de Deus os anjos (Jó1.6; 38.7). Contudo, a filiação dos homens e dos anjos é diferente da de Cristo. Os seres humanos são filhos de Deus por adoção (Rm. 8.15) e os anjos por criação (Sl. 148.5) enquanto que Jesus é Filho de Deus por eleição. Por isso, a relação existente entre o Pai e o Filho, conforme está escrito em Jo. 1.1, é um atestado de Sua plena divindade (Jo. 10.10-38). Assim sendo, muitos são os filhos de Deus, mas apenas Cristo é O FILHO DE DEUS, o Unigênito (Jo. 3.16). Jesus é, assim, o Filho Eterno na relação Eterna com o Pai (Mt. 3.17; Jo. 5.18-40).

2. A PRIMOGENITURA DE CRISTO
O texto de Hb. 1.5 é uma citação direta do Sl. 2.7, o qual antecipa o reconhecimento revelado de Cristo como o Filho Eterno do Pai. Essa filiação é confirmada pelos sofrimentos pelos quais Jesus passou, e, mais especificamente, pela ressurreição (At. 13.33; Ro. 1.4). Jesus Cristo é o primogênito entre muitos irmãos (Rm. 8.29) e de tudo o que fora criado (Cl. 1.16). Essa aplicação da primogenitura a Cristo pode ser remetida, também, à tradição antiga de coroamento dos reis (Sl. 89.27). Dizer, então, que Jesus é o primogênito ou gerado, do Pai, não quer dizer que Ele tenha tido um início, já que Ele mesmo é o Princípio e o Fim de todas as coisas (Ap. 22.13) e o Pai da Eternidade (Is. 6.9). A palavra primogênito, no grego, é “prototokos” que não apenas significa “o filho mais velho”, bem como aquele que tem a supremacia, preeminência, predomínio e autoridade. A esse respeito, lembremos que Davi, embora não fosse o mais velho (I Sm. 16.11), fora chamado de primogênito (Sl. 89.20,27). É nesse contexto que Cristo é introduzido, em Cl. 1.18, como “o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência”.

3. A REVELAÇÃO POR MEIO DO FILHO
A proeminência de Cristo, entre tudo e todos, é explicitamente apresentada por meio do ato revelacional de Deus em Hb. 1.1.2. O autor da Epístola ao Hebreus diz que “Deus falou” e, por isso, podemos ter conhecimento e relacionamento com esse Deus. Ele falou – de muitos modos – isto é, pelo Urim e Tummin, por visões, voz audível e sonhos (ver Nm. 12.6-8). A revelação de “outrora” – dada aos pais hebreus e aos profetas de Israel – era fragmentada e venho a obter plenitude na anunciação do Senhor (Hb. 2.3). Agradou ao Pai, nesses últimos dias, ou melhor, nos dias do Messias, revelar-se, ao mundo, por meio do Seu Filho Jesus Cristo (Jo. 1.3; 18; 15.15). A supremacia da revelação de Cristo é comprovada por ser Ele o Filho (Hb. 1.1,2), superior aos anjos (Hb. 1.4), tendo, sobre estes, a proeminência (Hb. 1.6-9; Gl. 3.16).

CONCLUSÃO
Jesus é o Filho de Deus. Com essa declaração, não estamos afirmando outra coisa senão que Ele é Deus. Assim entenderam os contemporâneos de Jesus e O quiseram apedrejar, e nós, nos dias atuais, tendo uma tão grande nuvem de testemunhas a favor dessa doutrina não podemos deixar de atentar para essa verdade. Ele é Deus, é o Verbo que se fez carne, enviado, pelo Pai, para revelá-LO. Diante de tão grande salvação, resta-nos, com todos os anjos, dobramo-nos diante dEle, glorificando-O como Senhor de todo o Universo, mas, primordialmente, de nossas vidas.

BIBLIOGRAFIA
ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.). Comentário bíblico pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

VINE, W.E., UNGER, M. F., WHITE JR, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

Jesus, o Filho de Deus – 1

LIÇÃO Nº 2 – JESUS, O FILHO DE DEUS

Dr. Caramuru Afonso

Fonte: http://www.escoladominical.com.br

Ao chamar Jesus de “Filho de Deus”, a Bíblia demonstra Sua divindade e o apresenta como uma das Pessoas da Trindade.

INTRODUÇÃO

– Na lição anterior, vimos que a Bíblia nos mostra claramente que Jesus é Deus, o que bem verificamos na Sua qualificação como Verbo de Deus. Nesta lição, veremos que a expressão “Filho de Deus” também expressa esta mesma realidade: a de que Jesus é Deus, uma das Pessoas da Trindade.

– A expressão “Filho de Deus” nem de longe indica que Jesus tenha sido criado por Deus, como defendem alguns. Muito pelo contrário, a expressão se apresenta nas Escrituras como mais uma declaração de que Jesus é Deus, portador da mesma natureza do Pai.

I – O QUE É “FILHO”

Colaboração/Gráfico: Jair César

– A expressão “filhos de Deus”, no plural, surge, pela vez primeira, nas Escrituras, em Gn.6:2-4, na expressão hebraica “ben Elohim” (אלהים וכּ) expressão esta que tem sido alvo de muita discussão, mas que se entende serem os descendentes da linhagem de Sete. Assim, “filhos de Deus” são considerados aqueles que “invocam o nome do Senhor” (Gn.4:26), ou seja, aqueles que fizeram menção de servir a Deus, de ter a Deus como o seu Senhor. Em Jó 1:6, 2:1 e 38:7 (que muitos consideram ser o livro mais antigo das Escrituras), a mesma expressão “filhos de Deus” é utilizada, mas se referindo aos anjos, mais precisamente aos “anjos fiéis”, já que Satanás é mencionado à parte, nos dois primeiros textos, como um intruso, como alguém que se insere no meio dos “filhos de Deus” sem o ser.

– Em ambos estes textos, verificamos que a expressão “filhos de Deus” pretende demonstrar não uma relação de criação, ou seja, os “filhos de Deus” não são assim chamados porque foram criados por Deus, pois, se assim fosse, não seriam apenas “filhos de Deus” os descendentes de Sete, mas também os descendentes de Caim, como também Satanás não teria sido excluído da expressão, mas, sim, uma relação de comunhão, de compartilhamento da natureza, de semelhança de caráter, de sintonia espiritual.

– Esta mesma circunstância é repetida em o Novo Testamento, quando a expressão “filhos de Deus” (νιοι θεου) é utilizada pelo Senhor Jesus, no sermão do monte, para caracterizar os Seus discípulos (Mt.5:9), tendo o apóstolo João sido claríssimo ao afirmar que “filhos de Deus” são os que creram em Jesus (Jo.1:12), aqueles que são guiados por Deus, como bem esclarece Paulo na epístola aos romanos (Rm.8:14).

– Assim, a expressão “filhos de Deus” apresenta-se como uma relação de comunhão com Deus, de convívio com Deus, de integração na Sua natureza (cfe. II Pe.1:4), algo muito diferente de “criatura”, expressão que, na Bíblia, se refere a tudo quanto recebe vida da parte de Deus, seja no Antigo Testamento (Ez.1:20; 47:9), onde a palavra empregada é “chay” (תי), seja em o Novo Testamento, onde a palavra empregada é “ktisis” (κτίσις) (Mc.16:15; Rm.1:25; 8:19,21,39; II Co.5:17; Gl.6:15; Cl.1:23; Hb.4:13) ou sua derivada “ktisma” (κτισμα) (I Tm.4:4; Ap.5:13).

– Há, portanto, uma diferença substancial entre “filho” e “criatura” no texto bíblico. Em Ez.1:20, o ser celestial que é visto pelo profeta é chamado de “criatura vivente”, querendo, com isto, denunciar que aquele ser que contemplava em sua visão era uma criação de Deus, era um ser celestial. Não estava ali o profeta a fazer qualquer consideração a respeito da relação daquele ser com Deus, mas, sim, enfatizar que se tratava de um ser real, de um ser dotado de inteligência, de um ser superior que se lhe apresentava. Assim, pelo que vemos no texto, afirmar que algo é “criatura” é dizer que é um ser real, um ser criado por Deus, não uma fantasia, não o fruto de uma fértil imaginação. “Criatura” diz respeito a existência, a presença de uma vida concedida por Deus.

– Em Ez.47:9, o profeta, uma vez mais, utilizar-se-á da expressão “criatura” para, desta feita, falar dos seres vivos que habitarão no Mar Morto, que voltará a ter vida. “Criatura”, aqui, portanto, está intimamente relacionada com a vida concedida por Deus, com os seres criados pelo Senhor, sejam seres espirituais, sejam seres materiais, criados sobre a face da Terra.

– Esta distinção também é feita em o Novo Testamento. “Criatura” é todo ser criado por Deus. Quando o texto sagrado quer se referir aos seres criados por Deus como tal, não se utiliza da expressão “filho”, mas, sim, “criatura”. Em Mc.16:15, o Senhor Jesus manda pregar o Evangelho a toda “criatura”, aqui entendida a pessoa humana, mostrando, claramente, que, antes de se ter ouvido o Evangelho e crido, as pessoas nada mais são que “criaturas” e não “filhos”, o que somente ocorre quando crêem em Cristo, quando, então, se tornam “novas criaturas” (II Co.5:17; Gl.6:15). Este mesmo sentido é repetido por Paulo na epístola aos colossenses, quando se diz que o evangelho tem de ser pregado a toda criatura que está debaixo do céu.

– Este, também, o sentido empregado por Paulo na epístola aos romanos. Ao falar da corrupção geral da humanidade, Paulo diz que ela se caracteriza por se servir mais à criatura do que ao Criador (Rm.1:25), criaturas estas que são, no contexto, o homem corruptível, as aves, os quadrúpedes e os répteis (Rm.1:23). Em Rm.8:19, aliás, vemos o contraponto entre “filho” e “criatura”, pois o apóstolo nos fala que “a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus”, ou seja, há uma espera de toda a criação pela redenção dos filhos de Deus, o que nos mostra claramente que são coisas distintas “os filhos de Deus” e a “criatura”. Ainda no capítulo 8 de Romanos, Paulo diz que nenhuma “criatura” nos pode separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, mostrando, mais uma vez, que não só criaturas e filhos de Deus são coisas distintas, como não há qualquer possibilidade de qualquer criatura abalar o relacionamento especial que existe entre Deus e Seus filhos, relacionamento este moldado pelo amor e na pessoa de Jesus Cristo. A filiação, como se vê, envolve algo muito mais sublime que a criação.

– Por fim, vemos que toda “criatura”, além de ter sido feita por Deus, e, por isso, ser naturalmente boa (I Tm.4:4), está totalmente sob o controle do Senhor, devendo perante Ele prestar contas (Hb.4:13), bem como reconhecer a Sua majestade e domínio (Ap.5:13), circunstância que nada tem que ver com a filiação, já que todos deverão se dobrar diante do Senhor Jesus (Fp.2:10,11).

– Assim, vemos, claramente, que, nas Escrituras, “filho” não se confunde com “criatura”, são conceitos distintos, que, muitas vezes, aliás, são contrapostos. Deste modo, se “filhos de Deus” não são “criaturas de Deus”, muito menos a expressão “Filho de Deus” pode significar “criatura de Deus”.

II – O QUE É “FILHO DE DEUS”

– Por primeiro, é bom salientar que a expressão “Filho” ou “Filho de Deus”, sempre surge no singular, sendo, portanto, uma expressão que, embora tenha a mesma conotação da que estávamos até aqui analisando, “filhos de Deus”, mostra uma distinção, uma exclusividade. A expressão “Filho” ou “Filho de Deus” apresenta-se no singular porque há apenas um Filho, porque Ele é único, não há outro. Ele é “o Filho”, sendo importante observarmos a presença deste artigo definido que, além de ser singular, também é determinado, perfeitamente identificado.

– A primeira vez que, nas Escrituras, temos o uso desta expressão designativa e distintiva “Filho” é no Salmo 2, um dos salmos ditos “messiânicos”, como também “reais”. Ali, Davi, inspirado pelo Espírito Santo, anuncia uma declaração do Senhor: “Tu és Meu Filho, Eu hoje Te gerei” (Sl.2:7).

OBS: “…Este texto [Sl.2:7, observação nossa] tem dupla interpretação, pois fala do acordo que o Senhor fez com o Senhor, antes da encarnação de Cristo. Um faria o papel de Pai e outro faria o papel de Filho, pois Eles não eram conhecidos antes da encarnação de Cristo como Pai e Filho, respectivamente. Este texto é uma profecia a respeito do contrato da encarnação de Cristo, o mistério escondido no seio do Pai. Não se refere a um tempo misterioso onde Deus gerou Deus. Mas se refere à encarnação de Cristo, fato narrado novamente como cumprimento profético em Hebreus 1.(…). A promessa feita ao que faria o papel do Filho: a promessa da herança das nações. A fidelidade do Filho fará com que o Pai Lhe entregue a terra e a sua plenitude….” (ROCHA, Dr. Aldery Nelson. Bíblia revelada Di Nelson, v.29: Joel – a libação foi cortada na última semana de Daniel, pp.117-8)

– Este salmo apresenta os povos da Terra se levantando contra o Senhor e contra o Seu ungido, ou seja, contra o escolhido por Deus para reinar, o que os comentaristas têm aplicado seja a Israel, seja ao próprio Davi, já que Israel havia sido escolhido como “reino sacerdotal” (Ex.19:5,6), assim como Davi e a sua linhagem escolhidas para reinar sobre Israel para sempre (II Sm.7:8-16). No entanto, bem sabemos que o texto também se aplica a Jesus, como deixa claro o Espírito Santo ao revelar isto aos discípulos numa das mais marcantes experiências espirituais coletivas da igreja primitiva de Jerusalém (At.4:24-31).

– Vemos, pois, que o salmista revela uma contrariedade dos gentios, dos rebeldes contra Deus, contra o Senhor e contra o Seu Ungido (em hebraico, “Mashiach”, i.e., Messias e, em grego, “Cristo”). Este “Ungido” foi feito Rei sobre o monte santo de Sião pelo próprio Senhor (Sl.2:6) e o salmista é instado por Deus a repetir uma proclamação feita pelo próprio Deus, qual seja: “Tu és Meu Filho, hoje Te gerei” (Sl.2:7).

OBS: O texto da “Bíblia Hebraica”, tradução de David Gorodovits e Jairo Fridlin, é bem elucidativa e, por isso, a transcrevemos: ‘…Ele dirá: ‘Eu ungi o Meu rei, sobre Tsión, Meu santo Monte’. Proclamarei o que me disse o Eterno: ‘Tu és Meu filho, hoje te gerei’…” (Sl.2:6,7).

– Temos, pois, no Salmo 2, pela vez primeira nas Escrituras, a demonstração da natureza do relacionamento entre o Pai e o Seu Ungido, entre o Pai e o Cristo, qual seja, a de que o Cristo é o Filho. É importante vermos que não há possibilidade de se ter Filho sem que se tenha Pai. Se o Cristo é o Filho, isto é porque há um Pai.

– Chamar uma das Pessoas Divinas como “Pai” é muito interessante, porquanto, imediatamente, se uma das Pessoas é “Pai”, há de existir uma que é “Filho”. Processa-se, assim, algo semelhante a que se tem na gramática, onde a existência de uma “primeira pessoa” impõe a existência de uma “segunda pessoa”, pois, se alguém “fala”, fala, necessariamente, “com” alguém, pois a comunicação exige dois pólos para se efetuar.

– O mesmo ocorre aqui. Quando a Bíblia denomina uma das Pessoas divinas de Pai, está a nos dizer que existe um “Filho”, pois a “paternidade” é uma relação, não é algo que se possa ter isoladamente. Assim, logo de início, percebemos que a identificação de Deus como “Pai” já nos estabelece, na Bíblia Sagrada, duas verdades importantíssimas:

a) Deus, embora seja único, é plural em Sua personalidade.

b) Deus não é um ser que queira ser isolado, mas antes tem prazer em Se relacionar com outros seres, pois é Pai.

– A primeira vez em que Deus é chamado de “Pai” nas Escrituras é em Dt.32:6, quando Moisés, em seu último cântico, ao profetizar a respeito da corrupção dos filhos de Israel. Nesta passagem, Moisés afirma que, embora Deus fosse a verdade, a Rocha cuja obra é perfeita, seja justo e reto, os filhos de Israel se corromperam, são uma geração perversa e torcida e, por isso, “não são filhos dEle” (Dt.32:5). Com o pecado retribuíam ao Senhor, que é, então, chamado explicitamente de “Pai”, porque adquiriu, fez e estabeleceu aquele povo.

– Nesta expressão profética de Moisés, vemos no que constitui a “paternidade” de Deus, porque esta Pessoa Divina é denominada de “Pai”. Deus é chamado de “Pai” porque adquiriu, fez e estabeleceu Israel. Notamos, pois, que há um relacionamento entre Deus e Israel e, por isso, Deus é Pai de Israel, porque o adquiriu, o fez e o estabeleceu.

– Aqui, quando o salmista é instado a dizer que o Senhor proclamou, “recitou o Seu decreto”, declarando ao Ungido como “Seu Filho”, vemos o Senhor dizendo que é o Pai e que este Filho é único, distinto de todos os demais, mesmo os “filhos dEle”, expressão que nos remete aos “filhos de Deus”, algo de que tratamos supra.

– Este relacionamento explicitado pela declaração revelada ao salmista distingue o Filho de todos os demais seres e, por isso, mostra que a filiação é muito mais do que a aquisição, a feitura e o estabelecimento do povo de Israel. O Filho é alguém “ungido”, “separado” para um relacionamento especial com o Pai, relacionamento este que o fará herdeiro de todas as nações, que trará o governo de todas as nações a Ele, a uma posição de ser adorado por todos aqueles que, por nEle confiarem, serão bem-aventurados (Sl.2:8-12).

– Ser Filho, portanto, é ter condições de assumir o comando e controle de toda a terra, de todas as nações, por concessão do Pai, de estabelecer um canal com todas as nações, de modo que, aqueles que nEle confiarem e servirem a Deus com temor e se alegrar com tremor, alcançarão a bem-aventurança, ao passo que todos aqueles que se mantiverem rebelados contra o Pai e o Filho, serão esmigalhados, despedaçados como a um vaso de oleiro. Ser Filho, pois, é desfrutar de uma condição singular, a de fazer o contacto entre Deus e as nações, de mostrar o Pai a todos, oferecendo, assim, a vida e a bem-aventurança, a tantos quantos desejarem servir a Deus e a nEle confiarem.

– O salmista, também, mostra que o Filho é um ser divino. Embora tudo faça por anuência do Pai, o Filho é da mesma natureza que o Pai, por isso é o Filho. Não nos esqueçamos que o salmista diz que o Senhor chamou o Ungido de “Meu Filho”, algo distintivo e exclusivo. Ora, quando se diz Deus e o “Filho de Deus”, estamos a dizer de alguém que tem a mesma natureza de Deus. O salmista, no Salmo 8, por exemplo, mostra bem este ser o sentido da expressão no pensamento hebraico, quando fala do “homem” e, logo em seguida, do “filho do homem”, querendo com esta expressão falar do mesmo homem (Sl.8:4), algo que se repete em outras passagens das Escrituras, como, v.g., Jó 16:21; 25:6; Sl.144:3; Is.51:12; 56:2.

– A divindade deste Filho revelado ao salmista é tanta que esta personagem deve ser adorada, pois é este o sentido da expressão “Beijai o Filho”, que vemos no Sl.2:12.’Beijar o Filho” é adorá-lO, reconhecer a Sua autoridade, submeter-se a Ele, pois só assim se terá vida, só assim não se perecerá no caminho. O beijo, na Antigüidade, é ato de submissão, de reconhecimento de autoridade, de adoração. Vemos, pois, que o Filho é um ser que deve ser adorado, que concede vida, a denunciar, pois, que se trata de um ser divino.

– No Sl.80:17, salmo atribuído a Asafe, vemos o clamor do levita ao Senhor para que, na restauração do povo de Israel, do “rebanho do Senhor” (Sl.80:1), da “vinha do Senhor” (Sl.80:8), estivesse o Senhor com a Sua mão sobre “o varão da Tua destra”, “o filho do homem que fortificaste para Ti”. Aqui o salmista nos mostra que a salvação do povo dependia da atuação da mão do Senhor sobre “o varão da Tua destra”, “o filho do homem que fortificaste para Ti”. Temos, pois, que o “Ungido”, além de uma natureza divina, também teria uma natureza humana. É o “varão” (em hebraico ” ‘iysh ” – איש), o “filho do homem” (literalmente “filho de Adão”, em hebraico, “ben ‘adam” – אךם וכּ). Somente através deste “varão”, que está “à destra do Senhor”, poderia haver salvação (Sl.80:18).

– Este varão, que muitos comentaristas identificam com alguns reis de Israel ou mesmo com Zorobabel, sabemos que, profeticamente, é o Senhor Jesus, Aquele que, por ser Filho, está à destra do Senhor (At.7:55; Hb.1:13; Ap.3:21), posição singular que demonstra a Sua majestade, a Sua divindade, além da Sua humanidade declarada especificamente pelo salmista.

– No Sl.89, um masquil de Etã, o ezraíta, o salmista fala a respeito do “Ungido de Deus”, identificado não só com o rei Davi, mas com a descendência eterna que havia sido prometida a ele (Sl.89:4). Esta descendência, este “Ungido”, o “Santo de Deus”, o “Eleito do povo” (Sl.89:19) é, então, revelado “em visão” ao salmista, apresentado como tendo sido ungido com o santo óleo de Deus, alguém que é distinguido dos demais, como explicaria, mais tarde, em complementação a este salmo, o escritor aos hebreus (Hb.1:8,9).

OBS: “A palavra masquil numa versão portuguesa das Escrituras indica que o tradutor preferiu transliterar a palavra, ao invés ed dar-lhe uma tradução, pois embora a palavra Masquil seja o particípio de um verbo que significa “tornar sábio ou prudente”, o seu significado é impreciso nos salmos. Dados os demais sentidos do verbo, as interpretações poderiam ser “salmo eficaz” ou “salmo habilidoso”, dandoa entender que o mesmo expressa um devido entendimento prático e eficiente de algo a ser tratado no corpo do salmo, fruto da realidade do autor….(Rev. Raimundo Montenegro. In: Portal da Igreja Presbiteriana do Brasil. Disponível em: http://www.ipb.org.br/tira_duvidas/mostra_duvidas.php3?id=69 Acesso em 20 nov. 2007).

III – JESUS, O FILHO PRIMOGÊNITO DE DEUS

– Este “Ungido” é apresentado como Filho, pois chama ao Senhor de “Pai” (Sl.89:26), sendo, ademais, posto no Seu lugar de “primogênito”, mais elevado do que os reis da Terra (Sl.89:27). Aqui, portanto, vemos que o Filho é titular de um lugar exclusivo: o de “primogênito”.

– Dizer que o Filho é o “primogênito” não quer, em absoluto, dizer que Ele é a “primeira criatura”. Já vimos que “filho” e “criatura” são conceitos distintos, que não podem ser confundidos no texto sagrado. Mas, além de “filho” não ser “criatura”, é interessante observar que a “primogenitura” é resultado da invocação do Filho. Como diz a tradução direta do hebraico de David Gorodovits e Jairo Fridlin, o Ungido “é constituído” primogênito, ou seja, trata-se de uma posição que é adquirida, que não é resultado de criação, mas um direito concedido pelo Pai.

– A primogenitura, na Bíblia, mais do que uma posição de precedência de nascimento é um direito, uma bênção, tanto que Jacó a obteve mesmo não tendo sido o primeiro a nascer. A primogenitura, em Israel, ficou vinculada à idéia de pertencimento a Deus. Os primogênitos eram do Senhor (Ex.13:2). Israel, mesmo, foi chamado de primogênito de Deus (Ex.4:22), não porque tenha sido a primeira nação a ser formada pelo Senhor, mas porque Ele a escolheu para lhe ser a propriedade peculiar dentre os povos (Ex.19:5,6).

– O Filho de Deus é o primogênito, não porque tenha sido o primeiro a ser criado, mas, sim, porque foi o escolhido pelo Pai para ser o Seu Enviado (Jo.5:23,30,36,37; 6:39,44,57; 8:16,18,42; 12:49; 14:24; 20:21), ou seja, foi escolhido para ter Aquele que restauraria o relacionamento entre Deus e os homens. O Filho é Aquele que tem um relacionamento especial com o Pai, Aquele que sempre faz a vontade do Pai e que faz com que a Sua vontade prevaleça sobre todas as nações. Ele é o “primogênito” porque foi o escolhido para mostrar o significado da filiação e trazer outros para que também fossem aceitos como filhos, ainda que de natureza diversa da do Pai, seriam recebidos como filhos, seriam adotados como filhos, porque confiaram no Filho “primogênito”.

OBS: Aliás, segundo Russell Norman Champlin, a expressão “filhos de Deus” no hebraico tem, entre outras conotações, a de “enviados de Deus”, sendo, assim, semelhante à expressão grega “anjos”. Destarte, a expressão “filhos de Deus” pode significar “enviados de Deus” (Filho de Deus. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p. 735) e, assim, quando se denomina o Senhor Jesus de “Filho de Deus” está-se a dizer que é Ele “o Enviado de Deus”, o Enviado por excelência, como nos retrata o apóstolo João em seu Evangelho, como mostram as referências indicadas, o que, aliás, dá um novo colorido à própria figura do “Anjo do Senhor”, associado às teofanias do Antigo Testamento, como salientado na lição anterior.

– É interessante ressaltar a idéia de que a “primogenitura” é o fruto de uma escolha, de uma deliberação do Pai, em virtude do relacionamento especial mantido entre ambos. O Filho foi “gerado”, ou seja, como vimos na lição anterior, foi “manifestado”, “revelado” como Aquele que tinha um relacionamento perfeito de comunhão com o Pai e, por isso, a Pessoa apropriada para nos levar ao conhecimento do que é esta relação e, assim, enquanto Deus e enquanto homem, nos levar a ter o mesmo relacionamento: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm.8:29).

– Foi este o sentido que Paulo deu ao dizer que Jesus é o “primogênito de toda a criação” (Cl.1:15), precisamente por ser “a imagem do Deus invisível”, ou, como diz o escritor aos hebreus, “a expressa imagem da pessoa do Pai” (Hb.1:3), expressões que só confirmam aquilo que o próprio Jesus havia dito a Seu respeito, notadamente quando afirmou que quem O visse, estava a ver o Pai (Jo.14:9). Jesus é o “primogênito” “…por ser o primeiro a pertencer à espécie humana espiritual, o protótipo de todos os remidos, cuja imagem será neles impressa, com perfeição, quando da ressurreição e glorificação dos santos….’ (CHAMPLIN, Russell Norman. Primogênito. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.384).

– Jesus é o primeiro a ser revelado aos homens como “a imagem do Pai” e, por isso, é o “primogênito”, o primeiro a irromper a imagem do Pai, na Sua plenitude, para a humanidade. Aliás, em hebraico, “primogênito” é “bekor”, ou, nas suas variantes, “bekirah” e “bakar” (כוךכּ), significa “aquele que primeiro irrompe, ou seja, aquele que primeiro aparece, surge.

– Através do Filho, Deus falou-nos nos últimos dias (Hb.1:1), revelando-se na Sua totalidade, totalidade esta entendida, logicamente, como aquilo que é necessário para que o homem saiba a fim de se conformar à mesma imagem (Jo.15:15), de sorte que não há outro que possa ter sido o primeiro a revelar o próprio Deus em Sua inteireza. Jesus é, assim, o “primogênito de toda a criação”, não o primeiro a ser criado, visto que é o Criador de todas as coisas (Cl.1:16), mas o primeiro a mostrar, a revelar, em Sua integridade, o Pai. Só Jesus fez conhecer a Deus (Jo.1:18).

OBS: Eis, aliás, um dos motivos pelos quais Moisés disse que surgiria um outro profeta no meio do povo de Israel (Dt.18:15,18), profeta este que falaria tudo o que viesse da parte de Deus, sendo, portanto, maior que o próprio Moisés, que não pôde ver a Deus em Sua integridade (Ex.33:20). Como disse o escritor aos hebreus, enquanto Moisés foi servo fiel em toda a sua casa, o Filho é o próprio edificador da casa e, por isso, digno de maior honra (Hb.3:2-6).

– Assim, além de ser o primeiro a revelar a “imagem do Pai”, Jesus também é o primeiro a ter, como homem, assumido esta imagem e, sem pecado, ido até a morte com esta imagem, vencendo o mundo e nos dando condições de também o fazer. Assim, por ter vencido a morte, foi ressuscitado dentre os mortos e, assim, se constituiu no “primogênito entre muitos irmãos” (Rm.8:29), o “primogênito dentre os mortos” (Cl.1:18; Ap.1:5). “…Ele foi o primeiro a experimentar à morte e voltar à vida com uma nova modalidade de vida, revestido de imortalidade em Seu próprio corpo. Na qualidade de Logos eterno, Jesus Cristo já era plena divindade; mas, quando da Sua ressurreição, o Seu próprio corpo humano foi divinizado, isto é, veio a participar da natureza divina. Os filhos de Deus, remidos pelo sangue de Cristo, haverão de receber essa nova natureza, essa imortalidade no corpo…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Primogênito. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.5, p.384). Por isso, Jesus é chamado de “as primícias dos que dormem” (I Co.15:20).

– Assim, a idéia de que o Filho é o primogênito não tem qualquer relação com o ser “primeira criatura”, mas, sim, a circunstância de que foi o primeiro a manifestar a imagem do Pai e, nesta manifestação, por ter Se humanizado, sido, também, o primeiro ser humano a vencer a morte e o pecado e a aparecer em corpo glorioso, o primeiro de uma série, os filhos de Deus que o Pai Lhe há de conceder (Jo.6:37,39,44,45,65; 10:29; Hb.2:13b). Aliás, no mesmo instante em que Paulo chama a Cristo de “primogênito de toda a criação”, de “primogênito dos mortos”, também o chama de “princípio” (Cl.1:18), a mostrar que é ele o princípio, ou seja, em grego, a “arché” (αρχή), ou seja, como vimos, na lição anterior, a fonte de tudo, o Criador de tudo, o que torna completamente impossível que o texto queira significar “primeira criatura”, como insistiam, no século III, os discípulos de Ário e como ensinam equivocadamente, na atualidade, as Testemunhas de Jeová.

OBS: Ário foi um presbítero de Alexandria, que viveu entre os anos 256 e 336 d.C., líder de uma das maiores heresias que perturbaram a Igreja no período pós-apostólico, pois ensinava que Jesus era um ser criado, ou seja, negava a divindade de Jesus. Por causa do desenvolvimento de sua doutrina, que ameaçou a própria unidade doutrinária da Igreja, foi convocado o Concílio de Nicéia que, em 352, confirmou o ensino bíblico da dupla natureza de Cristo. O pensamento de Ário a respeito de Cristo é praticamente o que foi adotado por Charles Taze Russell, fundador das Testemunhas de Jeová.

IV – JESUS, O FILHO UNIGÊNITO DE DEUS

– Em Os.11:1, também, temos uma referência ao “filho”, referência esta que, no contexto, parece ser apenas a Israel, que, quando menino, isto é, nação recém-formada, foi chamada do Egito por Deus para com o Senhor firmar um pacto e se tornar a nação peculiar de Deus entre os povos. No entanto, como nos ensina Mt.2:15, esta referência também era uma profecia a respeito de Jesus, que, enquanto menino, também, foi chamado do Egito, para onde fora com seus pais por determinação divina, ante o furor de Herodes contra as crianças nascidas em Belém.

– Nesta passagem, vemos, claramente, que o Filho é diverso de Israel e de qualquer outro ser do Universo. Embora o profeta se dirija a Israel como o filho chamado do Egito, em Os.11:2, vemos que, ao mencionar os pecados do povo, é utilizado o plural, que contrasta com o singular do versículo primeiro. Percebe-se, assim, que, se Israel e Cristo foram ambos chamados do Egito, somente Israel pecou, de modo que o Filho mantém singular na Sua fidelidade e obediência ao Pai (Jo.8:29;12:50), sendo, portanto, excluído da continuidade da descrição do profeta. O Filho chamado do Egito que não pecou, que Se fez homem mas, mesmo assim, venceu o pecado, é o “primogênito de toda a criação”, “o princípio e o primogênito dentre os mortos”, Aquele que é igual ao Pai (Jo.5:18,19,26; 10:30).

– Esta singularidade do Filho, que já tantas vezes temos salientado ao longo deste estudo, explica a expressão “Unigênito do Pai” (Jo.1:14) ou “Filho Unigênito”(Jo.1:18; 3:16; I Jo.4:9) ou, ainda, “Unigênito Filho de Deus” (Jo.3:18), todas expressões cunhadas pelo apóstolo João para se referir ao Senhor Jesus. Além destas expressões, a palavra “unigênito” só aparece na Versão Almeida Revista e Corrigida em duas outras oportunidades: em Zc.12:10, onde também se refere a Jesus e em Hb.11:17, quando Isaque é chamado de “unigênito”.

– A palavra “unigênito” significa “filho único”. Em Zc.12:10, a palavra hebraica é “yachyid” (יחיך), que significa, precisamente, “filho único”, como também a palavra que aparece nos escritos joaninos é o grego “monogenes” (μονογενής), palavra, aliás, que, sem se referir ao Senhor Jesus, é repetida em outros textos do Novo Testamento, como em Lc.7:12, para se referir ao filho único da viúva de Naim; em Lc.8:42, para se referir à filha única de Jairo e em Lc.9:38, para se referir ao jovem lunático, que também era filho único.

– Como se verifica, portanto, “Unigênito” quer dizer “único” e, neste sentido, vemos que Jesus é Único, o Filho Único, Aquele que é Filho por natureza, porque é Deus, que é tão eterno quanto o Pai, que é igual ao Pai, que é Um por natureza com o Pai, Aquele que é antes de todas as coisas (Cl.1:17), Aquele que estava com Deus e é Deus (Jo.1:1). Não é por outro motivo que o próprio Jesus Se distingue dos demais “filhos de Deus”, já ressurreto, ao falar em “Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus” (Jo.20:17).

– Quando se vê que Jesus é o “Filho Unigênito”, cai por terra toda e qualquer argumentação de que seja Ele uma “primeira criatura”, “o mais excelente ou o maior de todos os homens”. Ele é único e, deste modo, não há ninguém igual a Ele. Não pode, pois, ser confundido com os anjos, pois eles são muitos, milhares de milhares, milhões de milhões (Sl.68:17; Hb.12:22; Ap.5:11), nem tampouco ser confundido com os seres humanos, embora Se tenha feito carne (Nm.1:16; 10:36; Dt.33:2; Dn.7:10; Lc.12:1; Jd.14). Assim, não se pode dizer que Jesus seja algum dos anjos (como Miguel, Gabriel ou qualquer outro), nem que seja tão somente um ser humano como qualquer outro.

– Jesus é o “Unigênito” porque só Ele “…participa, desde toda eternidade passada, da natureza divina(…). O Filho ‘era’, não ‘tornou-se’. Ele é alguém eternamente gerado, porquanto não teve começo no tempo….” (CHAMPLIN, Russell Norman. Unigênito, Cristo como o. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.6, p.538).

– Ninguém jamais teve ou terá a mesma natureza de Jesus. Ele é o Filho de Deus por natureza, é igual ao Pai. Os salvos, na atualidade, embora sejam filhos de Deus, porque creram no Seu nome (Jo.1:12), não são ainda como Ele é (I Jo.3:1,2), porque ainda temos um corpo corruptível (I Co.15:42-54). Entretanto, mesmo quando formos glorificados, seremos tão somente semelhantes a Ele, visto que, embora passemos a ter um corpo glorioso, teremos sido “transformados”, seremos “tornados” como Ele passou a ser após a ressurreição, mas permaneceremos sendo criaturas de Deus, criaturas redimidas, tornadas eternas, mas, ainda assim, criaturas, tanto que nos assentaremos com o Filho no Seu trono, enquanto o Filho estará no trono do Pai (Ap.3:21).

– Jesus é Unigênito, porque, enquanto é Filho por natureza, nós somos filhos por adoção (Rm.8:15; 9:4; Gl.4:5; Ef.1:5). Desta maneira, o fato de sermos feitos filhos de Deus, o fato de sermos glorificados não retirará, em absoluto, a condição de Unigênito do Senhor Jesus, tanto que, quando o Senhor Se manifestar para salvar a Israel, na batalha do Armagedom, acompanhado dos Seus santos, já glorificados, o pranto que os israelitas manifestarão será o pranto como o pranto do “unigênito”, ou seja, o choro como quando se chora pela perda de um filho único (Zc.12:10), mas até nesta expressão se mostra que o Senhor Se apresentará como Unigênito, como Aquele que é Único, apesar de toda a redenção do corpo dos arrebatados, que com Ele estarão, redenção esta que a Bíblia chama de adoção (Rm.8:23).

– Corroborando esta visão de Zacarias, temos a visão do profeta Daniel, que, na visão dos quatro animais simbólicos, também viu um como “o filho do homem”, que se dirigiu ao ancião de dias e que se chegou até Ele, recebendo o domínio e honra, um domínio eterno, que jamais passará (Dn.7:13,14). Vemos, pois, que, embora seja de Israel o choro como o choro de um unigênito, o fato é que este que vem do céu é o Filho, Filho que tem acesso ao “ancião de dias”, ao Pai, Filho que é “um”.

– Jesus é Unigênito, porque é o Filho de Deus (Mt.8:29; 27:35; Lc.1:35; 22:70; Jo.1:34; II Co.1:19; Gl.2:20; Hb.4:14; I Jo.4:15; Ap.2:18), enquanto que os que nEle crêem foram feitos filhos de Deus (Jo.1:12; Gl.3:26), foram chamados para ser filhos de Deus (Mt.5:9; I Jo.3:1), filhos de Deus que ainda não assumiram, em toda a sua plenitude, tal condição (Rm.8:19,21 ; I Jo.3:2). Assim, só Jesus é Filho de Deus desde sempre, é o Único, o Unigênito.

– Por fim, é interessante observar que o fato de ser “unigênito” não significa que se é exclusivo. Neste passo, elucidativo é o texto de Hb.11:17, onde Isaque é chamado de “unigênito”. Ao fazê-lo, o escritor aos hebreus mostra que o fato de ser “único” não significa que não haja outros filhos. Com efeito, sabemos que Abraão teve outro filho além de Isaque, Ismael (Gn.16:15), mas, nem por isso, Isaque deixou de ser chamado por Deus de “único filho” (Gn.22:2), uma vez que só Isaque era o “herdeiro da promessa” (Gn.17:15-21; Rm.9:8; Gl.4:22). Assim, também, embora haja outros filhos de Deus, Jesus é chamado de “Unigênito”, de “Único”, pois só Ele é o “herdeiro da promessa”, a promessa feita no Éden para a humanidade, a “semente da mulher” (Gn.3:15) ou, como preferiu traduzir a Versão Almeida Revista e Atualizada e a Nova Versão Internacional, o “descendente da mulher” bem como a “posteridade de Abraão” (Gl.3:16).

– Neste passo, vemos quão maravilhoso é o amor de Deus para conosco (I Jo.3:1). Enquanto Isaque era o “unigênito” e, deste modo, não herdaram a promessa nem Ismael, nem os filhos de Cetura (Gn.25:2,5), Jesus, embora Se mantenha Unigênito, fez-nos herdeiros da promessa (Rm.9:8; Gl.4:28,31). Por isso, somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm.8:16,17). Por isso, Jesus é superior, é o Único. Aleluia!

V – O PAPEL DE JESUS COMO FILHO DE DEUS

– Vemos, portanto, que as Escrituras mostram que Jesus é o Filho de Deus e que ser “Filho de Deus” é dizer que Jesus é Deus e, mais do que isto, que é uma das Pessoas divinas, pois vemos claramente que há uma distinção entre Pai e Filho. Embora ambos sejam um (Jo.10:30), as Escrituras esclarecem que se tratam de Pessoas distintas, visto que nos diz que o Pai ama o Filho (Jo.3:35), envia o Filho (Jo.5:23,37), tem uma vontade (Jo.5:30), não deixava o Filho sozinho (Jo.8:29), agrada-Se do que faz o Filho (Jo.8:29), glorifica o Filho (Jo.8:54, 12:28) entre outras passagens. Há uma perfeita sintonia entre Pai e Filho, porque ambos são Deus, têm a mesma natureza (Jo.5:17-21,26; 8:18; 12:50; 14:9,10; 16:15), são o único e verdadeiro Deus.

– Mas ser Filho, além de dizer que é Deus, significa também que Jesus foi enviado para revelar a Divindade aos homens. Com efeito, o Filho, que estava no seio do Pai, teve a missão de fazer o Pai conhecido dos homens (Jo.1:18; 8:19,26,27,38; 10:32; 12:49; 14:7-10; 16:15). Como Filho, Jesus é o Enviado, como já dissemos supra, a Pessoa que Se humanizou para que Deus Se revelasse à humanidade, o Emanuel, o Deus conosco (Mt.1:23).

– No entanto, ser Filho de Deus é algo que nos revela algo mais do que a possibilidade de conhecermos a Deus, pois isto já havíamos visto na lição anterior, quando observamos que Jesus é o Verbo de Deus. Ser Filho também nos mostra que Deus é um ser relacional, ou seja, um ser que estabelece relacionamento, que quer se relacionar com o homem. Enquanto Verbo, apenas aprendemos que Deus quer Se comunicar com o homem, fazendo-o pelo Verbo, o Logos, mas, quando aprendemos que Jesus é o Filho, entendemos que Deus é um ser que Se relaciona, um ser único que, porém, é uma pluralidade de Pessoas, Pessoas que Se relacionam, tanto que a que Se revela ao homem é o Filho, a indicar que há um Pai e que tal relacionamento é um relacionamento de amor, tanto que denominadas as pessoas de Pai e de Filho.

– Ao nos revelar que é o Filho de Deus, Jesus nos mostra que Deus quer manter um relacionamento de amor com o homem, que a Sua essência é o amor e que há uma disposição divina para restaurar esta comunhão perdida com o homem por causa do pecado, restauração esta que se dá em termos de amor. Ao Se apresentar como o Filho, Jesus mostra que é amado do Pai (Jo.5:20; 10:17;14:31;15:9) e que o Pai ama o homem, tanto que enviou o Filho (Jo.3:16) e, por meio dEle, ama a todos quantos O recebem (Jo.8:42; 14:21,23; 16:27). Por ser Filho, Jesus nos mostra Seu grande amor, ao dar a Sua vida por nós (Jo.10:17; 13:1; Rm.5:8).

– Ao nos revelar que é o Filho de Deus, Jesus nos mostra que, para amarmos a Deus, devemos renunciar a nós mesmos e fazermos a vontade do Pai (Mc.8:34; Lc.9:23). Ser Filho importa em fazer a vontade do Pai, em cumpri-la estritamente, por amor. Jesus é o Filho porque foi obediente até a morte (Fp.2:8), porque, como Filho, deveria fazer aquilo que o Pai determinou (Jo.5:30,36; 6:39; 8:29; 10:18; 12:27,49,50; 14:31; Hb.10:7).

– Ao Se mostrar como Filho, Jesus ensina que devemos obedecer ao Pai, que devemos guardar os Seus mandamentos, se quisermos alcançar a salvação (Jo.5:23). Não nos esqueçamos que a figura do filho está vinculada à obediência e à honra na lei de Moisés (Ex.20:12; Dt.5:16), figura da realidade espiritual descortinada pela graça de Jesus Cristo (Hb.10:1). Não podemos ser como os judeus dos dias do ministério terreno de Jesus, que desonravam o Pai (Jo.8:49) e, por isso, não receberam a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador (Jo.1:11).

– Ao nos revelar que é o Filho de Deus, Jesus nos mostra que, ao estabelecermos um relacionamento com Deus, devemos seguir a Sua direção e orientação. O Pai é Aquele que deve nos ensinar, que deve nos guiar (Jo.6:45; 8:28). Também sabemos que a principal tarefa dos pais em relação aos filhos é o ensino (Dt.6:6-9; Ef.6:4), de forma que, ao Se mostrar como Filho, Jesus diz o quanto devemos seguir a orientação e o ensino do Pai, orientação e ensino que se encontram única e exclusivamente na Sua Palavra (Rm.15:4), até porque somente conhecemos o Pai pelo Filho (Jo.14:6-11), que é, como vimos na lição anterior, a própria Palavra (Jo.1:1; Ap.19:13).

– Ao nos revelar que é o Filho de Deus, Jesus nos mostra que o propósito da vida nada mais é senão glorificar a Deus através das nossas obras. Jesus é o Filho porque fez o Pai conhecido dos homens e este conhecimento se deu por meio da glorificação do Pai, glorificação que só foi possível por causa das obras realizadas pelo Filho (Jo.5:36; 10:25,32,36-38; 14:10-13; 15:24;17:1). Ao sermos feitos “filhos de Deus”, precisamos ter esta mesma consciência, de que devemos glorificar a Deus em nossas vidas, em nossas obras (Mt.5:16; Jo.15:8,16; 20:21).

– Por fim, devemos observar que as Escrituras demonstram que todas as criaturas reconheceram que Jesus é o Filho de Deus, não havendo, pois, como se negar tal verdade. Diz-nos a lei de Moisés que o testemunho de dois ou três é verdadeiro (Dt.17:6; 19:15; Mt.18:16; II Co.13:1; I Tm.5:19; Hb.10:28). Pois bem, há muito mais que duas ou três testemunhas a mostrar, na Bíblia Sagrada, que Jesus é o Filho de Deus.

– Pois bem, no anúncio da concepção de Jesus, é Ele apresentado pelo anjo Gabriel como o Filho de Deus (Lc.1:35). Depois, temos o testemunho do próprio Jesus, ainda adolescente, quando Se apresentou aos Seus “pais social-biológicos” como o Filho, na medida em que dizia tratar dos negócios de Seu Pai (Lc.2:49). Ao longo do Seu ministério terreno, Jesus sempre Se declarou Filho de Deus, tendo sido este, aliás, o motivo de toda a oposição que enfrentou (e até hoje enfrenta) por parte dos judeus (Mt. 27:43; Jo.5:18; Lc.22:70; Jo.9:35-37; 10:36; 11:4; 19:7).

– Mas, para que o testemunho de Jesus não ficasse sem a devida confirmação (Jo.8:16,18), o Pai declarou, também, mais de uma vez, que Jesus é o Filho de Deus (Mt.3:17; 17:5; Mc.1:11; 9:7; Lc.3:22; 9:35; Jo.12:28), como também pessoas que conviveram com o Senhor o declararam ao longo de Seu ministério terreno (Mt.14:33; 16:16; Jo.1:49; 6:69; 11:27).

– O Espírito Santo, também, declara que Jesus é o Filho de Deus, porquanto vemos, em primeiro lugar, que João Batista, cheio que era do Espírito, testificou que Jesus é o Filho de Deus (Jo.1:32-34). Posteriormente, observamos que os apóstolos, possuidores e revestidos do Espírito Santo (Jo.14:17; 20:22; At.2:4), ousadamente pregavam que Jesus é o Filho de Deus (At.9:20; II Co.1:19; I Jo.4:15), O que não é surpreendente, visto que o trabalho do Espírito de Deus é, precisamente, lembrar aquilo que o Senhor Jesus disse e ensinou (Jo.14:26; 15:26).

– O próprio diabo, ainda que querendo lançar Jesus na dúvida, admitiu que Jesus é o Filho de Deus (Mt.4:3,6; Lc.4:3,9), sendo, a este respeito, seguido nesta declaração pelos seus anjos, que também afirmaram ser o Senhor Jesus o Filho de Deus (Mt.8:29; Mc.3:11; Lc.4:41).

– Por fim, vemos que a própria natureza testificou que Jesus é o Filho de Deus, quando da crucifixão, o que fez com que o centurião romano reconhecesse que Jesus é o Filho de Deus, ante tamanha alteração da natureza (Mt.27:45,51,54; Mc.15:38,39; Lc.23:44-47).

– Por isso, ante tantas testemunhas e tantos testemunhos, como podemos rejeitar esta verdade bíblica? Eis o motivo pelo qual todos quantos a rejeitarem, ante a extrema dureza de seus corações, acabarão por sofrerem a morte eterna, já que não receberam o Filho e, por não terem o Filho, não têm a vida (I Jo.5:12). Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo, tem o testemunho e quem a Deus não crê mentiroso O fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu (I Jo.5:10). Não haverá, portanto, como alegar ignorância naquele dia, que para quem não tem a vida, será fatídico e trágico (Ap.20:14,15). Que creiamos que Jesus é o Filho de Deus e tenhamos, assim, a vida eterna (I Jo.5:20). Amém!

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.


Jesus, o verbo de Deus – 5

JESUS, O VERBO DE DEUS

Pr. Osiel Varela
http://estudandopalavra.blogspot.com

Lição 01 – CPAD 06/12/2008

Texto Áureo:
Jo. 1.14: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.

– Leitura Bíblica em Classe: Jo. 1.1-10,14
JOÃO 1.1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.2 Ele estava no princípio com Deus.3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez…ss

Verbetes:
Encarnação – mistério pelo qual Deus se fez homem; ato em que Deus se fez homem, unindo a natureza humana à divina. Pequena Enciclopédia Bíblica O S Boyer.
Encarnar – ser a personificação, o modelo de (homem); nascer como ser humano (Jesus – filho do homem, filho de Maria) – Dicionário Aurélio
LOGOS THEOU (grego) – “Palavra de Deus”. Uma expressão sagrada para A Palavra de Deus que é viva e exerce poder conforme nos é dito “no início era A Palavra, e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus” (João 1:1). Ela também se expressa no contexto no livro de Hebreus (4:12) do Novo Testamento para mostrar a ponte entre a alma e o espírito.
Demiurgo – criatura intermediária entre a natureza divina e a humana. Um deus inferior, que emanou do próprio Deus.
Morphe: -forma
Logos: Fílon (pensador de Alexandria – judeu; segundo Fröhlich, foi um judeu helenista, filósofo da religião.) dá ao seu logos um papel distinto na criação: é a causa.
EXÓRDIO:
O comentarista deste trimestre Pr. Ezequias Soares, é um dos teólogos mais importantes das Assembléias de Deus e do Cristianismo brasileiro, portanto, comentar, ou melhor discorrer sobre seus ensinamentos, não será tarefa fácil, e a nossa única pretensão, ao tecer comentários da lição, é apenas colaborar, o quanto isto é possível, contando com a ajuda do Espírito Santo.
INTRODUÇÃO:
Eis uma questão que secularmente tem sido causa de discussões plenas de ardor e de decepções, para aqueles que sobre ela se debruçaram, sem ter a Revelação do Espírito Santo ou sem considerar substancialmente a Fé, como ancora para obter, o crer nesta verdade.
I JOÃO 1.1-3: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida (pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada); sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.
VEJA OS CONCEITOS DESDE A IGREJA PRIMITIVA SOBRE O LOGOS:
NEGAVAM A DEIDADE:
Ebionitas (Jesus foi escolhido por causa de sua piedade legal e por ocasião do batismo recebeu a filiação – adocionismo),
Adocionismo de Hermas (Jesus homem, por sua dignidade, foi escolhido pelo Logos e, na ressurreição constituído Filho);
monarquianos dinâmicos (defendiam que Jesus foi um homem deificado pelo Logos)
NEGAVAM A PLENA HUMANIDADE
Apolinarianismo (O Logos – Espírito – estaria no lugar da alma humana, de modo que Jesus não era plenamente homem. Se Cristo assim fosse, teria pecaminosidade)
(Cristo não tinha espírito humano, mas O Logos, manipulava um corpo humano)
NEGAVAM A PLENA DEIDADE
Arianismo (O Logos foi criado por Deus em determinado tempo da eternidade. Ele foi apenas o primeiro a ser criado, e, embora especialmente escolhido por Deus para a obra criadora que posteriormente haveria de ocorrer, o Logos não era Deus, mas um deus). ( Logos Encarnado [Jesus Cristo], é assim inferior a Deus, embora seja objeto próprio da adoção, estando acima de todas as demais criações
A REVELAÇÃO:
Quando João escreve este primeiro capítulo do seu Evangelho, todos os que lêem o Novo Testamento, notam de imediato, que há uma Revelação Nova desabrochando, além da Biografia do Livro, sem a qual ele não seria um Evangelho.
Porém, podemos notar que, João escreve com uma visão descortinada, desde o Eterno Princípio e do Eterno Conselho para Salvação, em que o Filho, há de, pela kenosis, (Fp. 2.5-9;Gl.4.4) encarnar-se para cumprimento do “gospel edênico” ou Proto-Evangelho de Gn. 3.15: Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
Para mim, neste texto, o significativo ou a Grande Revelação, encontra-se no fato de que o Verbo do Eterno Princípio, passa a ter Poder Salvítico ou Salvífico quando, como Logos é encarnado como Homem e passa a ser carne (uma hipérbole), como eu e você, [Jo.1.14: E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.] e, à partir de então, realiza a Obra proclamada por Deus, no Livro da Gênesis, para Salvação do Homem!
DEUS EM CARNE:
I JOÃO 4.1-3: Amados, não creiais a todo espírito…Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus;
Este texto de João é capaz de simplificar todo o entendimento necessário para o Evangelho, ao juntarmos este ao texto em tela, nesta lição.
João revela a identidade de Jesus, na passagem desta lição, ao esclarecer onde estava o Logos, no Princípio Eternal, o que ocorreu para que Ele fosse nivelado e conduzido voluntariamente, a forma humana : “E o Verbo se fez carne, No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.”
Na leitura de Gn. 1. 1: No princípio criou Deus os céus e a terra, encontramos Elohim, palavra que significa deuses, e este versículo é usado por João, numa Exegese Revelada, em seu Evangelho, no capítulo 1.1-2: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus, como uma confirmação da Própria Palavra de Deus, na Regra de que a Bíblia explica a própria Bíblia.
João consegue estabelecer o axioma que aparentemente, estava sem resolução: para ser um Salvador Perfeito, Cristo deveria ser plenamente Deus (porque só Deus poderia nos salvar) e plenamente homem (porque o pecador inteiro necessita ser renovado). Esta é a grande revelação que precisamos guardar em nossos corações.
Parece uma aparente precipitação do autor do presente comentário, mas, não o é, tendo em vista que, em sua experiência como ensinador cristão, já encontrei muito crente novo ou antigo, que tinha dúvida sobre como Cristo pôde suportar as tentações e até mesmo o flagelo da cruz, confundindo todo um preceito divino, redentivo, remidor e salvífico, da necessidade de que, um homem, (lembre de Gn. 3.15), nascido de mulher, fosse a resposta de Deus a Satanás, para desfazer a obra deste último: a maldição na Criação; Deus usa então, daquilo que Satanás pensava ter dominado para sempre, para vencer a astúcia, do mesmo Adversário, com a vinda de Jesus, o Verbo, o Logos Encarnado.
A CONFIRMAÇÃO:
A Bíblia tem inúmeras citações sobre a questão do Logos, e nos quais a deidade Cristo, nos são reveladas, com clareza; muito embora a Teologia, desta área seja realmente difícil, temos uma saída para a aparente dificuldade teológica, a arma mais forte do crente em Cristo, a Fé, pois há em nós o Espírito Santo, que nos leva a alcançar, o entendimento real da necessidade desta Encarnação de Jesus Cristo, O Logos – A Palavra, sem a perda de sua divindade, para Salvação de toda a Humanidade.
Outros textos:
Mateus 8. 27: E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
Mateus 9. 6: Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
Estes textos, para mim não deixam dúvida da consciência de Jesus, de sua atuação pelo poder do Logos, A Palavra dita, pela Palavra Encarnada:
como O Cristo,
como Homem,
e Como Deus,
Com poder para realizar aquilo que:
Um homem pode fazer, cheio do Espírito Santo: curar um enfermo;
Aquilo que só Deus pode fazer: perdoar a humanidade, representada ali pelo paralítico.
Aquilo que o Filho pode fazer, pois tudo foi feito por Ele e para Ele: ordenar pela Palavra, a Criação.
A FORMA DA HABITAÇÃO DO VERBO:
Habitou – significa literalmente: “tabernaculou”. Faça a analogia com o Tabernáculo de Deus entre o povo hebreu; onde a Glória de Deus se manifestou? Ali.
Jesus , o Verbo Encarnado, veio identificar-se com o homem, com a humanidade, pelo processo divino e único da Encarnação do Logos.
A Santa habitação de Deus entre os homens, agora entre todos, não mais no deserto, mas nas cidades, vilas e povoados, fora e dentro de Israel.
No Lugar Santíssimo, estava a Arca e na Arca estava por cima “O Glória”, símbolo da presença de Deus. Este era o Logos presente nas terras da Palestinas daqueles dias.
CONCLUSÃO:
Não se pode deixar de lado a questão do Jesus, O Verbo, pois sua compreensão é fundamental, para estabelecimento da Teologia da sua Humanidade ou Divindade.
Para mim, não resta dúvida quanto a isto, pois é uma questão dogmática colocada por João em:
I JOÃO 1.1-2: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida; (pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada);I JOÃO 4.1-3: Amados, não creiais a todo espírito…Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus!
Poderíamos falar mais, porém é bom ouvir e ler de outros comentaristas.
Excelente e difícil tema, é hora de crescermos com o Conhecimento.
Parabéns a CPAD, após o excelente currículo das EBD-2007, nos preparou mais um excelente Trimestre.
Fonte:
Pequena Enciclopédia O S Boyer;
Heresiologia – SETAD-SP – Oráculo;
Dicionário Aurélio
Pequeno Dicionário Universal – Bucland;
Bíblia de Estdo Aplicação Pessoal – CPAD;
Bíblia Plenitude – SBB; – veja pág. 1070;
Apontamentos do autor;
Site Speculum.
Autor: Osiel Varela – Ministro das Assembléias de Deus – Missão.
Consagrado no Belém em 26/09/1996. Membro em Santo André V. Curuçá. SP.
Pr. Nivaldo Rodrigues. Ligado ao Belém. Professor de Teologia; Pós – graduado em Bíblia.

Jesus, o verbo de Deus – 4

JESUS, O VERBO DE DEUS – Jo 1.1-10,14

Lição 1 – 6/1/2008
Texto Bíblico: Jo 1.14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai,  cheio de graça e de verdade.

DEUS FILHO, A VERDADE INEGÁVEL

1. COMO O CRISTO ENCARNADO

  • Mostrou a Sua divindade Jo 1.1  No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus  Mt 16.16 E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
  • Mostrou a Sua eternidade Jo 1.2 Ele estava no princípio com Deus   Ap 1.8 Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso
  • Mostrou a Sua autoridade Jo 1.3 Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.   Jo 10.18 Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai

2. COMO O CRISTO UNIGÊNITO

  • Veio trazer a ressurreição Jo 1.4  Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens  Jo 11.25 Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;
  • Veio trazer a revelação Jo 1.9 Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo.  Gl 1.12  Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo
  • Veio trazer a compreensão Jo 1.5 e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não o compreenderam   Jo 17.8 Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste.

3. COMO O CRISTO VERDADEIRO

  • Foi testificado Jo 1.7 Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por Ele   Jo 8.18 Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou
  • Foi autenticado –  Jo 1.8  Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz. Jo 1.29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo 
  • Foi desprezado Jo 1.10 estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele e o mundo não O conheceu  Is 53.3 Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

 Pastor Adilson Guilhermel
rwww.pastorguilhermel.com

Jesus, o verbo de Deus – 2

JESUS, O VERBO DE DEUS

Texto Áureo: Jo. 1.14 – Leitura Bíblica em Classe: Jo. 1.1-10,14

Pb. José Roberto A. Barbosa

Fonte: http://subsidioebd.blogspot.com/
Objetivo: Mostrar que Jesus é o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós, a fim de nos redimir do pecado.

INTRODUÇÃO
É comumente aceito que Jesus é o Verbo de Deus. Mas o que quer isso dizer, afinal? Isso tem alguma relação com sua divindade? Qual o significado do termo “verbo” em relação a Jesus? Essas são algumas das questões importantes que pretendemos responder ao longo desta lição.

1. A DIVINDADE DE CRISTO
A divindade de Cristo é uma doutrina atestada tanto na Escritura quanto na história da igreja. Se apelarmos para o evangelho, o que já nos é suficiente, veremos que Jesus tinha autoconsciência de sua divindade, como Aquele que pode perdoar pecados (Mc. 2.5,7), que é Senhor do sábado (Ex. 20.8-11; Mc. 2.27,28). No evangelho de João, Jesus alegou ser um com o Pai (Jo. 10.30), de modo que ao vê-LO, conhecemos o Pai (Jo. 14.7-9). Em Jo. 8.58, há uma nítida afirmação de sua preexistência, especialmente, se compararmos com Ex. 3.14,15. Essa declaração de Jesus, inclusive, incitou aos presentes a quererem apedrejá-LO (Jo. 8.59), por considerarem que sua afirmação seria uma blasfêmia, provavelmente, à luz de Lv. 24.16. Jesus é Deus porque, como tal, tem poder sobre a vida e a morte (Jo. 5.21); 11.25). Finalmente, um testemunho claro da divindade de Cristo encontra-se na declaração de fé de Tomé, em Jo. 20.28.

2. O VERBO ENCARNADO
A palavra usada por João, no grego neotestamentário, para Verbo, é “logos”. Esse termo, no contexto helenista, tem a ver com o verbo “legein”, que significa “dizer”, “falar”, “expressar uma opinião”. Para o pensador grego Heráclito, o “logos” seria o princípio sustentador do universo. Essa visão, de algum modo, se coaduna com a declaração de Jo. 1.3, mostrando que Jesus é o fundamento de todas as coisas. No entanto, é mais coerente analisar a utilização dessa palavra na percepção judaica. Em hebraico, o verbo dizer é “dabar”, e corresponde à manifestação da sabedoria divina (Pv. 8.23). Alguns estudiosos defendem que João deva ter se utilizado do livro bíblico de Provérbios para escrever a abertura do evangelho que carrega o seu nome, e não os filósofos gregos. Sendo assim, Cristo é a representação, ou melhor, a ação divina na história, a própria Palavra de Deus que se fez carne e habitou, ou como está escrito no grego do NT, que “construiu sua tenda”, no meio dos homens (Jo. 1.14). A encarnação da Palavra, nesse sentido, é muito mais do que um conceito filosófico, é a atuação do “Deus conosco” na esfera humana (Mt. 1.23). E se é uma sabedoria, não pode ser reduzida ao mero acúmulo de conhecimentos enciclopédicos, mas à submissão, fundamentada no temor do Senhor (Pv. 9.10; 15.33). Não podemos esquecer que o próprio Cristo, ao encarnar-se, aprendeu a obediência (Hb. 5.8).

3. CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE
Ao se tornar carne, Cristo, como a Palavra, manifestou a face graciosa e verdadeira de Deus, a qual, costuma ser ofuscada pela religiosidade humana. Além de revelar a shekináh, isto é, a glória de Deus, João, no versículo 14, diz que o Verbo esteve entre nós, “cheio de graça e de verdade”. A graça de Deus nos é manifestada em seu amor pela humanidade, condicionada ao crer no sacrifício vicário de Jesus (Jo. 3.16; I Jo. 4.9). Paulo, em suas epístolas, faz referência ao amor gracioso de Deus que nos alcançou sendo nós ainda pecadores (Rm. 3.24; Gl. 5.4; Ef. 2.8; Tt. 2.11). Nos tempos em que o Verbo se fez carne havia quem questionasse a existência da verdade (Jo. 19.32). Jesus, no entanto, não apenas mostrou a verdade por meio de seus ensinamentos, Ele mesmo se revelou como a Verdade de Deus (Jo. 14.6; 17.17). É por isso que não é possível uma adoração genuína a Deus, a não ser por meio da Verdade que é Cristo (Jo. 4.24). Sem Cristo, o mundo vagueia, seguindo o curso do movimento das ondas legalistas da religiosidade que engana, distanciando-se da Verdade que liberta (Jo. 8.36).

CONCLUSÃO
Conta-se que em 1969, quando a nave Apolo 11 pousou o solo lunar, os jornalistas noticiaram que homem havia posto seus pés na lua, por conseguinte, aquele teria sido o maior evento histórico de todos os tempos. De pronto, Billy Graham, o conhecido pregador americano, teria refutado tal afirmação, dizendo que o maior evento histórico de todos os tempos não teria sido o homem ter posto suas pisadas na lua, mas Deus, em Cristo, ter estado na terra. Essa é uma estrondosa verdade, pois grande é o mistério da piedade: “Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória” (I Tm. 3.16).

BIBLIOGRAFIA
ERICKSON, M. J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2001.HORTON, S. M. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD
, 1997

Jesus, o verbo de Deus – 1

Jesus, o verbo de Deus 

Dr. Caramuru Afonso

Fonte: www.escoladominical.com.br

A) INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE

Damos início a mais um ano letivo da Escola Bíblica Dominical, pela graça e misericórdia de Deus.

No ano de 2007, tivemos um estudo eminentemente prático, ou seja, baseado nas ações, nas atitudes que o cristão deve ter nestes dias tão difíceis que vivemos.

Agora, ao iniciarmos o ano de 2008, voltaremos à doutrina, à Teologia Sistemática, estudando a doutrina de Cristo, também conhecida como Cristologia, o estudo a respeito da pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus, a segunda Pessoa da Trindade Divina.

O estudo da Cristologia é um dos principais fundamentos da Palavra de Deus, estudo este que deve ser constantemente feito pelos salvos, já que os dias em que vivemos é o dia do aparecimento de “falsos cristos” que enganarão a muitos (Mt.24:23,24). E por que muitos serão enganados? Exatamente porque não conhecem o Cristo verdadeiro, porque não sabem o que as Escrituras falam a respeito de Jesus. A fonte do erro está no desconhecimento da Bíblia Sagrada (Mt.22:29) e é a Bíblia quem testifica a respeito de quem é o Senhor Jesus (Jo.5:39).

Assim, entre os assuntos mais relevantes que se devam estudar nas Escrituras, os relativos à pessoa de Jesus assumem capital importância, não só para nos impedir de errarmos e perdermos a salvação, como também porque este deve ser o tema principal da Igreja, na sua missão de evangelização do mundo (At.2:22; 3:13; 4:10; 5:30,31; 8:5,35; 9:22; 10:36; I Co.1:23; 2:2). Como, porém, pregar a Cristo se não se sabe quem Ele é? O que Deus revela a Seu respeito nas Escrituras?

Vivemos dias em que os que cristãos se dizem ser não lêem a Bíblia, não a estudam e, por causa disso, são facilmente enganados pelos falsos cristos, falsos profetas e falsos mestres que se amontoam cada vez mais. Por isso, é importantíssimo que, neste trimestre, nos debrucemos perante as Escrituras e, tal qual aqueles judeus gregos, procuremos ver a Jesus (Jo.12:21), conhecê-lO, pois só pode ser considerado discípulo do Senhor aquele que O reconhece, que sabe quem Ele é (Jo.10:14).

A primeira lição mostra-nos Jesus como o Verbo de Deus, ou seja, como a própria Palavra, Aquele que, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, criou o mundo e o sustenta pela destra do Seu Poder.

Na lição 2, estudaremos Jesus como o Filho de Deus, ou seja, após termos visto a Sua deidade, veremos a Sua posição na Trindade Divina, o Seu papel de Filho Unigênito do Pai.

Na lição 3, estudaremos a humanidade de Cristo, a fim de termos a perfeita noção a respeito da dupla natureza do Senhor, instituída quando se deu a plenitude dos tempos (Gl.4:4).

A partir da lição 4, passaremos a estudar o ministério terreno de Jesus, a fim de mostrarmos toda a Sua humanidade, analisando a Sua infância (lição 4), Seu batismo (lição 5), Seu ministério profético (lição 6), Seu ministério sacerdotal (lição 7), seu ministério régio (lição 8), Seu ministério de ensino (lição 9), Seus milagres (lição 10), Sua morte (lição 11) e, por fim, Sua condição de Rei dos reis e Senhor dos senhores após a vitória sobre a morte e o pecado (lição 13).

Que o Senhor nos abençoe neste trimestre, a fim de que possamos ter alicerçados nossos conhecimento e fé na pessoa bendita de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e que possamos ter, ao final do trimestre letivo, o mesmo sentimento dos habitantes de Sicar: ” não é pelo teu dito que nós cremos, porque nós mesmos O temos ouvido e sabemos que Este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo” (Jo.4:42).

B) LIÇÃO Nº 1 – JESUS, O VERBO DE DEUS

A Bíblia Sagrada mostra claramente que Jesus é Deus.

I – JESUS É DEUS

Colaboração/Gráfico: Jair César

– A primeira informação que as Escrituras nos trazem a respeito de Jesus é a de que Ele é Deus, é uma das Pessoas Divinas, o Filho. O apóstolo João, ao escrever o seu evangelho, deixa-nos isto bem claro ao afirmar que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo.1:1), numa afirmação tão clarevidente que tem, mesmo, tirado o sono de todos quantos procuram negar esta verdade bíblica, como é o caso das Testemunhas de Jeová. Para que não houvesse qualquer dúvida de quem era este Verbo a que João se referia, o próprio evangelista no-lo diz no versículo 14 deste mesmo capítulo: “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós e vimos a Sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.

– Esta pequena amostra do que dizem as Escrituras a respeito da divindade de Cristo é já uma prova de que não é verdade a afirmativa que muitos fazem de que Jesus somente foi reconhecido como Deus pelos cristãos no Concílio de Nicéia, reunião promovida pelas lideranças cristãs no ano de 325, logo após o término das perseguições romanas contra a Igreja, ocasião em que se produziu a declaração histórica de que “Jesus Cristo é o Filho de Deus, gerado da substância do Pai, gerado, não feito, consubstancial ao Pai.” Tal declaração não foi uma invenção daquele concílio, mas, sim, tão somente uma expressão do que já se cria desde o início da igreja, desde a igreja primitiva e que tinha sido alvo de questionamento por parte do presbítero Ário, de Alexandria, que passara a ensinar que Jesus não era Deus. Portanto, não foi uma doutrina inventada em Nicéia, nem o poderia ser, porquanto, como vimos, o apóstolo João, mais de duzentos anos antes do referido concílio, com a autoridade de quem havia convivido com o Senhor, foi categórico em afirmar que Jesus era Deus.

OBS: Este equívoco de que foi o Concílio de Nicéia quem determinou a doutrina da divindade de Cristo ressurgiu, com grande intensidade, no romance “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, que tanta polêmica e lucro para seus produtores proporcionaram nos últimos anos.

– As Escrituras são abundantes em demonstrar que Jesus é Deus. Em primeiro lugar, mostram-nos claramente que Jesus pré-existiu a todas as coisas, ou seja, que é eterno e a eternidade, nada mais é que um atributo divino. Além da passagem já mencionada de Jo.1:1, vemos a atribuição da pré-existência eterna de Cristo em Cl.1:17, Mq.5:2, Jo.17:3, Jo.8:58, Pv.8:22-31; Ap.13:8, Tt.1:2, Ef.1:4 e Jo.1:3. Tantas referências bíblicas, de autores e de épocas bem diferentes, não nos permitem concluir senão que a Bíblia ensina que Jesus é Deus e isto bem antes da declaração do concílio de Nicéia.

OBS: “…Alguns questionam e procuram afirmar que o Logos poderia ter tido um começo, ou poderia fazer parte da criação, sendo Ele a primeira coisa criada; isso, contudo, é totalmente contrário a qualquer noção já proferida no mundo antigo e também à luz da Palavra de Deus, mesmo nos tempos mais remotos, acerca da natureza do Logos. Um Logos que tivesse tido começo não é o Logos da Antigüidade, nem o que aceitamos como sendo eterno, pois o que é eterno não pode admitir nenhum tipo de começo; este tipo de conceito é uma estranha criação de mentes cheias de preconceitos, que produzem um Cristo conforme a imagem de suas próprias especulações, a fim de adaptá-lo a um sistema teológico interesseiro cuja mentalidade está tão limitada que condiciona Deus às limitações humanas, quando, em verdade, a mente humana jamais poderá alcançar ou esquadrinhar o eterno Senhor….” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.1, p.23-4).

– Como nosso espaço é reduzido e não temos como nos aprofundar em cada referência bíblica, deter-nos-emos na análise da passagem de Provérbios, até porque referido texto foi utilizado por Ário e seus seguidores para tentar negar a divindade de Cristo, como, aliás, ainda hoje é usada pelas Testemunhas de Jeová, que é dos segmentos religiosos que, na atualidade, com mais afincam procuram negar esta verdade bíblica.

– O texto de Provérbios fala-nos a respeito da “sabedoria”, “sabedoria” que é personificada, ou seja, que é equiparada a uma Pessoa. No texto, que é poético e, portanto, cheio de simbolismo, o autor nos transcreve um verdadeiro hino da “sabedoria”, em que se diz que o Senhor a havia possuído (algumas versões dizem “criado”, pois o verbo, em hebraico, tem ambos os significados) no princípio dos seus caminhos e antes de suas obras mais antigas (Pv.8:22) e que, desde a eternidade, ela havia sido ungida, desde o princípio, antes do começo da terra(Pv.8:23). Pelo que verificamos, portanto, a “sabedoria” aqui é uma Pessoa que já existia antes do começo da Terra, no princípio, o que corresponde, precisamente, ao que João nos fala a respeito da existência do Verbo no princípio.

– O que se diz, então, é que a Sabedoria foi gerada (Pv.8:24,25) antes que o mundo fosse criado e, por causa desta expressão, “gerada”, Ário negava que Jesus fosse Deus, porque seria criatura, embora a primeira criatura que tivesse sido feita por Deus, mas não o Criador. No entanto, a expressão “gerar” não significa que tenha havido uma criação, mas, sim, que se manifestou posteriormente como uma Pessoa distinta, a partir do momento em que todas as coisas foram criadas. Esta “geração” não é uma criação, mas, sim, uma manifestação, uma demonstração de sua existência. Assim como o apóstolo João nos revela, o Verbo estava com Deus, o Verbo era Deus, mas a distinção entre Ele e o Pai só se fizeram sentir quando todas as coisas surgiram do nada, como Paulo bem explica em Colossenses, ao dizer que o Senhor é o primogênito de toda a criação, ou seja, o princípio da criação, Aquele através do qual tudo se fez (Cl.1:16,17). Daí porque se ter dito, no Concílio de Nicéia, que Jesus foi gerado, ou seja, manifestado, posto em evidência pára as criaturas, sendo igual ao Pai, tendo a Sua mesma natureza divina.

– A “geração” de Jesus, sob o aspecto divino, nada mais é que a evidência, a manifestação de Sua existência no Seu relacionamento com o Pai, para as demais criaturas. É neste sentido, aliás, que devemos entender, por exemplo, o que se encontra no Salmo 2, texto que é repetido em At.13:33 e Hb.1:5 e 5:5, segundo o qual Deus “gerou” o Filho, ou seja, como explica Russel Shedd, “…A palavra gerei foi compreendida pelos apóstolos nos seguintes sentidos: 1) A ressurreição de Cristo assim nasceu para a eternidade, At.13:33; 2) O fato de Cristo também ter sido Filho de Deus desde a eternidade, Hb.1:5; 3) Cristo, como Filho, recebe de Deus Sua comissão, e a executa com obediência filial (Hb.5:5; Jo.20:21)…” (BÍBLIA SHEDD, com. ao Sl.2:7-9, p.775). Aliás, isto é demonstrado claramente no texto de I Pe.1:19,20, que vale a pena transcrever: “Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o Qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos, por amor de vós.”

OBS: “…A presença do Logos(Cristo), antes de todas as coisas, é fato consumado, que qualquer cristão convertido admite sem questionar. Ele é antes de toda a criação….” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.1, p.22).

– Tanto é este o sentido da expressão, que, antes, reforça do que nega a divindade de Jesus, que, ao analisarmos as Escrituras, veremos que todos os atributos divinos são aplicados a Cristo, numa comprovação de que o Senhor é Deus. Senão vejamos:

a) onipotência – Mt.28:18

b) onisciência – Jo.2:24

c) onipresença – Mt.28:20

d) imutabilidade – Hb.13:8

d) eternidade – Cl.1:17

e) dignidade para ser adorado – Mt.4:10 combinado com Mt.28:9,17

f) criação – Jo.1:3; I Co.8:6; Cl.1:16

g) santidade – At.2:27

h) amor – Jo.15:3; Ef.3:19

i) verdade – Jo.14:6; I Jo.5:20

j) perdão de pecados – Mt.9:5; Lc.5:20

l) uso da expressão “Eu sou” – Jo.8:24,28; 13:19.

– Não bastassem todas estas evidências, temos que o próprio Jesus declarou ser Deus, tanto que, por este motivo, foi perseguido pelos escribas, fariseus e principais dos sacerdotes, que, por causa disso, procuravam matá-lo (Jo.5:18) e uma vez tentaram apedrejá-lO (Jo.10:33). Até hoje, um dos principais senões postos pelos judeus e pelos muçulmanos à figura de Jesus são, precisamente, as Suas declarações de que era Deus.

OBS: Como exemplo disto, reproduzimos aqui o que fala a respeito Nathan Ausubel, na Enciclopédia Judaica: “…O passo mais dramático e drástico dado por Paulo foi, sem dúvida, para transformar Jesus o Messias – um conceito judaico – em Jesus ‘o Filho de Deus’ – uma apoteose pagã que não era, em absoluto, uma força de expressão ou um simbolismo (…) se os judeus, à exceção de alguns pequenos grupos, continuaram impermeáveis ao encanto apostólico cristão, foi porque eram adeptos incondicionais da Unidade – ‘a Unicidade’ – de Deus. A concepção paulina de que Deus tinha um filho era inteiramente inaceitável e chocante para eles…” (AUSUBEL, Nathan. Cristianismo, origens judaicas do. In: A JUDAICA, v.5, p.217). Não é diferente a reação dos muçulmanos para esta evidência da Bíblia. Basta-nos, para tanto, reproduzir aqui três versículos do Alcorão: “…E para admoestar aqueles que dizem: Deus teve um filho!A despeito de carecerem de conhecimento a tal respeito; o mesmo tendo acontecido com seus antepassados. É uma blasfêmia o que proferem as suas bocas; não dizem senão mentiras!…” (18:4,5) e “…É inadmissível que Deus tenha tido um filho. Glorificado seja! quando decide uma coisa, basta-lhe dizer: Seja!, e é….” (19:35).

– Por fim, cabe apenas aqui enfocar, ainda que de passagem, que há circunstâncias no Antigo Testamento em que surge uma personagem que, pelas suas características, demonstra ser divina, normalmente denominada nas Escrituras de “o anjo do Senhor” (Gn.32:24,30; 48:15; Js.5:13-15; Jz.13). Seriam, então, aparições do próprio Deus ao homem, as chamadas “teofanias”. Segundo alguns estudiosos, estas “teofanias” seriam aparições do próprio Filho antes de Sua encarnação, quando, então, se teria a “teofania suprema” (Jo.12:45; 14:9). Estas aparições seriam mais uma demonstração de que Jesus pré-existiu à Sua introdução no gênero humano, ou seja, que, como Ele mesmo disse, antes que existisse Abraão, Ele já é (Jo.8:58).

II – JESUS, O VERBO

– Como já tivemos oportunidade de verificar, o texto principal a respeito da deidade de Cristo é o início do evangelho segundo João, em que o “discípulo amado”, inspirado pelo Espírito Santo, mostra-nos com clarevidência a natureza divina do Senhor Jesus.

– Neste texto, Jesus é apresentado como o “Verbo”, palavra que traduz, na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra grega “Logos” (λόγος). O uso desta palavra pelo apóstolo tem trazido muitas discussões ao longo dos séculos, porque se trata de um termo que, na filosofia grega, tinha um significado todo especial, significado este, aliás, que havia sido como que “adaptado” ao judaísmo por um contemporâneo de Cristo, o filósofo judeu Filo(25 a.C.-±50 d.C.), natural de Alexandria e que se tornou o maior comentarista do texto grego do Antigo Testamento (a Septuaginta). Como o texto do evangelho segundo escreveu João é de cerca do ano 100 d.C., muitos discutem da possibilidade de João, um típico judeu palestino, ter tido acesso a tais comentários e, com esta expressão, ter querido expressar tudo o que o termo “Logos” significava no pensamento helenístico (ou seja, o pensamento dominante nos dias apostólicos, resultante da fusão entre o pensamento oriental e o pensamento grego).

– Entendemos que o termo “logos” traduz, sim, toda a riqueza do pensamento helenístico, pois o objetivo do Espírito Santo, ao inspirar o evangelista para escrever este Evangelho, foi mostrar a todos, judeus e gentios, que Jesus é Deus e que se poderia crer nEle como o Salvador (Jo.20:31). Não é por acaso que, ao longo dos séculos, notadamente após a Reforma Protestante, que milhares e milhares de vidas têm se convertido ao ler o evangelho segundo João, um dos mais poderosos instrumentos de evangelização da Igreja.

OBS: “…Qualquer pessoa que leia os conceitos (…) sobre a natureza do Logos, poderá perceber, de imediato, que o conceito do evangelho de João sobre o ‘Logos” realmente tem muitos elementos similares e que, na realidade, o autor desse evangelho se aproveitou de uma idéia corrente e bem conhecida no mundo helenista, a fim de expressar uma profunda verdade concernente à pessoa do Cristo encarnado. Que essa doutrina não foi criada no vácuo, e que não era inteiramente original a João (embora em seus escritos existam elementos diferentes), é fato que não deve causar surpresa a quem quer que seja, e nem deve esse fator ser considerado como algo que labora contra a veracidade dessa doutrina bíblica…” (CHAMPLIN, R.N. Logos (Verbo). In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3, p.900).

– Pois bem, qual é o significado de “Logos” para os gregos, para o pensamento helenístico, enfim, para a filosofia? “Logos” é uma palavra que tem duplo significado: discurso e razão. “Logos” tanto significa “discurso” ou “palavra”, como também, tem o significado de “razão”, “pensamento”, “raciocínio”. Assim, para os gregos, “logos” é uma palavra que tanto nos remete para a linguagem, para a comunicação, como também para a razão, para o pensamento. Ao dizer que Jesus é o “Logos”, portanto, estamos afirmando que, a um só tempo, Jesus é a Palavra, a comunicação que Deus faz de Si mesmo, como também que é Ele a razão, o pensamento, a inteligência que tudo sustenta, que tudo ordena, que tudo organiza.

– O primeiro filósofo a empregar esta palavra foi o efésio Heráclito (570-470 a.C.), que dava o nome de “Logos” ao “princípio de todas as coisas”, princípio este que era o próprio movimento, a própria mudança, porque tudo mudaria, menos a mudança.

OBS: Interessante observar que os estudiosos entendem que João escreveu o seu evangelho em Éfeso.

– Os filósofos estóicos (At.17:18), recuperaram esta idéia do mundo como uma constante mudança que havia em Heráclito e entenderam que o “Logos” é o princípio que animava o universo, a própria essência do mundo, que se encontrava em cada ser humano como princípio racional. “Logos”, aliás, desde Sócrates, tinha deixado de significar apenas “palavra”, “conversa”, para ter o significado de “razão”, de entendimento de algo (470-399 a.C.).

OBS: “…A idéia do Logos reapareceu no estoicismo, onde se tornou um virtual sinônimo de Deus. Os estóicos, porém, não concebiam um Deus pessoal. O Logos, para eles, era um poder cósmico impessoal que se emanaria e se recolheria de novo, em grandes ciclos, criando tudo e, então, anulando tudo, mediante a reabsorção em si mesmo.(…). O Logos existente na razão (racionalidade), dentro da psiquê humana é a força divina em operação. Essa racionalidade (no latim, ratio) torna-se palavra (no latim, oratio) nos lábios humanos, de tal modo que os homens podem falar sabedoria….” (CHAMPLIN, R.N. op. cit., pp.901-2).

– Assim, quando o filósofo judeu Filo comenta as Escrituras, influenciado pelo pensamento grego e tendo conhecimento da lei e dos profetas, entendeu que o “Logos” nada mais era que a Palavra vinda da parte de Deus, a Palavra que tudo havia criado (Gn.1:3,6,9,11,14,20,24,26,29). Deus tudo criou pela Sua Palavra e esta Palavra que, a um só tempo, era “palavra”, “discurso”, mas também ordenava e organizava a criação, era o “Logos”, a Palavra de Deus.

OBS: “…Nos escritos de Filo, o Logos figura como uma manifestação pessoal de Deus, mas também como o poder divino impessoal e transcendental dos estóicos. Outrossim, o Logos ganha, nos escritos de Filo, uma função remidora, tornando-se o meio que leva os homens a uma natureza espiritual mais elevada. Pode-se ver nisso uma grande aproximação da doutrina do Logos, segundo o evangelho de João. Não há como pensar que o ponto de vista joanino do Logos era independente das idéias expostas por Filo….” (CHAMPLIN, R.N. op.cit., p.902).

– Evidentemente que Filo, sendo como era um judeu, não poderia entender que esta “Palavra” viria a ser uma das Pessoas divinas, como nos esclarece o apóstolo João, mas, de qualquer maneira, pôde observar que Deus, através da Sua Palavra (em latim, “Verbum”), criou todas as coisas. “…O Logos é um aspecto de Deus e contudo é conceitualmente distinto do ser transcendente de Deus – em verdade, é o mais alto intermediário entre Deus e o mundo. Baseando-se no conceito de sabedoria em Provérbios (…), Filon louva o Logos como ‘o primogênito de Deus’ (veja Pv. 8.22), a ‘imagem de Deus’ (veja Gn.1:26)(…). O Logos é o meio imaterial através do qual a atividade de Deus se manifesta no mundo. Incorporado à Torah, o Logos é a Lei de Deus segundo a qual os homens devem viver..” (SELTZER, Roberto M. Trad. Elias Davidovich. Povo judeu, pensamento judaico. In: A JUDAICA, v.1, p.191).

OBS: “…O mais eminente de todos os helenistas judeus foi Filon (c. 20 a.E.C. – c. 40 E.C.). Por causa do interesse exclusivo que a Igreja Cristã vislumbrou em sua teologia – que resultou em ser ele ignorado pelos rabinos – a verdadeira grandeza de Filon foi menosprezada até décadas recentes.(…). A idéia de que o historiador patrício Eusébio e outros teólogos do cristianismo primitivo como Clemente e Orígenes houvesse julgado Filon como o primeiro dos Padres da Igreja é inteiramente irônica. Talvez mais surpreendente ainda seja o fato de ele influenciou profundamente a teologia cristã e não deixou, contudo, qualquer sinal de seu pensamento na história judaica religiosa e intelectual. Vale aqui acrescentar que os livros de Filon (…) foram proibidos pelos Sábios Rabínicos…” (AUSUBEL, Nathan. Helenistas judeus. In: A. KOOGAN (ed.). A JUDAICA, v.5, pp.332-3).

– Esta idéia de Filo está bem presente na epístola aos Hebreus, cujo autor apresenta Jesus como sendo a “expressa imagem da pessoa de Deus” (Hb.1:3), o meio pelo qual Deus fez o mundo, o sustentador de todas as coisas pela palavra do Seu poder. Este pensamento do escritor aos hebreus também não era desconhecido do apóstolo Paulo, que fez questão de mostrar a Cristo como sendo o Filho do amor do Pai, a “imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”, onde foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, que é antes de todas as coisas, coisas que subsistem por Ele (Cl.1:13-17).

– Temos, portanto, que a consideração de Jesus como o Logos, ou seja, o Verbo, é a consideração de Jesus como sendo o mediador entre a Divindade e a Sua própria criação. Foi o Verbo quem comunicou, quem expressou a vontade divina que fez com que tudo fosse criado. “Disse Deus” é a expressão utilizada no relato da criação e foi por intermédio dessa Palavra que o mundo foi criado e, como nos ensinam os textos mencionados, que mantêm a existência de todas as coisas.

– Torna-se muito interessante observar que, entre os israelitas, houve a assimilação da palavra grega “Logos” como a tradução da palavra hebraica “dãbhar”. No Sl.33:6, o salmista afirma que “pela palavra do Senhor foram feitos os céus e todo o exército deles pelo espírito de Sua boca”. Temos, então, no salmista, o mesmo pensamento dos textos neotestamentários mencionados e “palavra” é, ali, “dãbhar” (דבך), que tem o significado “estar por detrás e seguir em frente” ou, ainda, “seguir adiante com o que está por detrás”, que é, basicamente, “falar”, ou seja, “deixar as palavras seguir uma após a outra”. “…Dabhar não significa apenas ‘palavra’ mas também ‘ação’… “(LAWRENCE, Nathan. O pensamento hebraico comparado com o pensamento grego(ocidental), p.5. Disponível em: http://www.hoshanarabbah.org/pdfs/heb_grk.pdf Acesso em 13 nov. 2007) (tradução nossa de texto em inglês).

OBS: “…Jesus é mais do que expressão falada: ele é Deus em ação, criando (Gn 1.3), se revelando (Jo 10.30) e salvando (Sl 107.19-20; 1Jo 1.1-2).” (ILUMINA. Verbo. In: Enciclopédia: Dicionário Bíblico CD-ROM).

– Esta assimilação entre “logos” e “dãbhar”, que, evidentemente, não era desconhecida por Filo, mostra-nos, claramente, que se tinha plena convicção de que o “Logos” tinha a mesma natureza, compartilhava da mesma essência de Deus. Não é por menos que João afirma de modo peremptório que o Verbo estava no princípio, estava com Deus e era Deus (Jo.1:1).

– Quando consideramos Jesus como o Verbo de Deus, portanto, devemos observar que estamos considerando que não há como chegar-se ao conhecimento da natureza divina a não ser por Jesus. Ele é o único canal pelo qual podemos ter algum contacto com Deus, porque Ele é a própria expressão da personalidade divina na Criação. Todo o universo, inclusive nós mesmos, foi feito por Ele, pois é a Pessoa Divina que comunica, revela e faz percebida a Deidade para a criação.

– Não há como ver o Pai sem que veja ao Filho, pois Ele é a expressa imagem da pessoa do Pai (Hb.1:3), é a extensão do ser divino que, por ser o Verbo, põe-nos em contacto com Deus. Ninguém pode ter acesso a Deus a não ser por Cristo, pois Ele é o Verbo, o canal de comunicação entre Deus e os homens, o acesso do ser humano à Trindade. O mundo foi feito pelo Verbo e pelo Verbo se mantém, de maneira que não há como conceber que se tenha acesso, em sendo criatura, ao Criador a não ser por este meio pelo qual a criação se fez, pela Palavra, pelo Verbo Divino.

– Quando meditamos nesta circunstância, entendemos claramente porque o apóstolo João insiste em dizer que ninguém jamais viu a Deus (Jo.1:18; I Jo.4:12), no que é seguido por Paulo (I Tm.6:16). Ver a Deus, ou seja, conhecê-lO em toda a plenitude, ter a completa visão de quem Ele é, é algo que somente pode ser realizado pelo próprio Deus. Mesmo Moisés, que teve a revelação da lei, só pôde ver a Deus pelas costas (Ex.33:20-23) tendo tido grande intimidade com o Senhor (Dt.34:10), mas uma intimidade bem inferior ao do Verbo, que é o único que não só contempla a Deus em toda a Sua plenitude, como, ainda, o faz conhecido de todos nós. Só podemos ver o Pai ao vermos o Verbo (Jo.12:45; 14:9).

– Quando consideramos Jesus como o Verbo, estamos afirmando que Ele é a expressão única da personalidade divina à criação, é o único meio pelo qual podemos ter acesso a Deus. Não é à toa, pois, que Jesus é chamado de “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco”, pois é a Pessoa divina que faz a ponte, a comunicação, a apresentação de Deus à criação.

– Por isso, João afirma que “No princípio era o Verbo” (Jo.1:1). Ao dizer que Jesus existia no princípio, o “discípulo amado” também emprega um outro conceito caro ao pensamento grego: o de “arché” (άρχή), cujo significado é “princípio”, “origem”, “início”.

– As investigações filosóficas começaram na Grécia quando os pensadores passaram a querer descobrir qual era o “princípio” (a “arché”) de todas as coisas e, nesta busca, muitos pensamentos se apresentaram. No entanto, inspirado pelo Espírito Santo, o apóstolo João mostra, claramente, que o “princípio” é o Verbo, o Verbo que estava com Deus, o Verbo que é Deus. Ele é o princípio ordenador de todas as coisas, a razão de tudo, o Logos. Por isso, não é Ele, de modo algum, uma “criatura excelente” ou “a mais excelente das criaturas”, como defendem alguns, mas o próprio Criador, o princípio, a razão de ser de tudo. É este o sentido que se tem na expressão “primogênito de toda a criação” que se encontra em Cl.1:15, pois todas as coisas foram criadas nEle, de modo que não se pode admitir que o texto ali indique Cristo como criatura, quando o que se mostra é, precisamente, o contrário, ou seja, que Jesus é o Criador, o princípio, a origem, o início de tudo quanto foi criado.

– Tanto Jesus é Criador que o apóstolo João, ao mostrar que Ele é o princípio de todas as coisas, é categórico ao dizer que “todas as coisas foram feitas por Ele e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo.1:3). “Princípio” aqui não significa, em absoluto, uma ordem temporal, ou seja, o primeiro a ser criado, mas, sim, que é o meio, a base, o fundamento de tudo quanto se criou. O próprio Filo, ao explicar Gn.1:1, onde se tem a mesma expressão, fez questão de frisar que “…’No princípio Ele criou’ é equivalente a ‘primeiro de tudo Ele criou os céus’…” (FILO. Sobre a criação do mundo. Trad. C.D. Yonge, B.A. Disponível em: http://thriceholy.net/Texts/Creation.html Acesso em 13 nov. 2007) (tradução nossa de texto em inglês), dizendo que havia, assim, uma sucessão numérica e não temporal.

– O mundo foi feito por meio de Jesus e somente por meio dEle pode vir a conhecer a Deus, ao Criador. Não existe outro meio entre Deus e os homens a não ser o Verbo, o Logos. Por isso, a própria criação é uma das promulgações da lei divina e ninguém é inescusável, sendo obrigado a reconhecer que, pela Criação, teve como conhecer a Deus (Rm.1:20).

– Quando falamos em “lei divina”, não devemos nos esquecer, também, que, segundo alguns estudiosos, a idéia de “Logos”, entre os gregos, contrapõe-se a “mythos” (μυθος). Enquanto que esta designa a narrativa, originariamente oral, sem compromisso com a verdade (cfe. I Tm. 1:4, 4:7; II Tm.4:4; Tt.1:14; II Pe.1:16, em que a palavra é traduzida, na Versão Almeida Revista e Corrigida, por “fábula”), “logos” passou a expressar a “palavra escrita”, o fruto do pensamento, da razão, do raciocínio, a expressão da verdade, de onde, aliás, veio a noção grega do “Logos” como o princípio de todas as coisas ou o princípio ordenador do Universo. Neste sentido, pois, o “Logos” se apresenta como a própria “Palavra escrita”, como a “lei divina”, pois “lei”, na origem da palavra latina (“lex”), é “aquilo que pode ser lido”. Assim, o Verbo é, também, enquanto tal, a manifestação “escrita”, “ordenada”, a “revelação inteligente” feita por Deus ao homem.

– Mas não só a lei divina se promulgou em a natureza, o que se fez por meio do Verbo, mas também, na consciência do homem, homem que também foi feito por meio do Verbo, pois tudo o que se fez foi feito por Ele (Jo.1:3), sendo o próprio Jesus a vida que é a luz dos homens (Jo.1:4). Por isso, o Senhor Jesus bem sabe o que há no homem (Jo.2:25), sendo, pois, por Ele, também, que a lei divina se manifesta na consciência de cada ser humano (Rm.2:15), a segunda promulgação da lei de Deus.

– A lei divina, posteriormente, foi promulgada em tábuas de pedra (Ex.24:12), quando foi revelada a Moisés, em Seus preceitos fundamentais. Ora, como vimos supra, o que é reconhecido pelo próprio Filo, o Logos Se incorporou à Torá, até porque a lei de Moisés aponta para o Senhor Jesus em todos os seus pormenores. Todas as Escrituras hebraicas são cristocêntricas, falam de Cristo, dEle testificam (Lc.24:44; Jo.5:39). Por isso, os apóstolos, que somente tinham acesso aos escritos do Antigo Testamento, podiam pregar a Cristo com estes escritos. Assim, também nesta terceira promulgação da lei divina, vemos Jesus como o Verbo, o contacto entre Deus e os homens.

– A quarta promulgação da lei divina é a própria encarnação do Senhor Jesus. “E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo.1:14a). Esta encarnação foi a revelação completa de Deus aos homens (Hb.1:1), revelação esta que será estudada neste trimestre minudentemente em lições seguintes. O Verbo encarnado era “Deus conosco”, a companhia da própria glória (Jo.1:14) e da majestade divinas (II Pe.1:16).

– A quinta promulgação da lei divina, a expressão da vontade de Deus ao homem, são as próprias Escrituras (Rm.15:4), a Bíblia Sagrada, completada que foi pelo Novo Testamento, que se combinam perfeitamente com o Antigo Testamento, sendo seu fiel complemento. São por elas que temos conhecimento de Deus, são por elas que alcançamos a fé salvadora (Rm.10:17). São elas que têm sido utilizadas pelo Espírito Santo para a glorificação do Verbo (Jo.16:13,14) até o dia glorioso da Sua vinda.

– A sexta promulgação da lei divina é a Palavra no coração dos homens que aceitam a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador (Hb.8:10). Quem crê no Senhor, recebe-O em seu coração (Jo.14:23), de modo que não mais vive, mas, sim, Cristo vive nele (Gl.2:20). Por isso, quando o salvo se apresenta ao mundo, mostra a Jesus Cristo, tendo sido o motivo pelo qual os antioquitas chamaram os salvos de “cristãos”, ou seja, “parecidos com Cristo”, “semelhantes a Cristo”. Nossa natureza nova é a do Verbo e, por isso, mesmo em nossa carne, refletimos a glória de Deus encontrada no Verbo (II Co.3:18).

– A sétima promulgação da lei divina, que completa a revelação de Deus por meio do Verbo, e unicamente por Ele, é a vida de cada salvo (II Co.3:2,3). Quando aceitamos a Cristo, temos transformada nossa natureza e passamos a produzir o fruto do Espírito (Jo.15:16). Somos tão somente varas da videira verdadeira (Jo.15:4). Em virtude disto, nossas obras revelam o Filho, de tal sorte que, quando os homens vêem nossas obras, vêem o Filho e glorificam ao Pai que está nos céus (Mt.5:16).

– A vida santa de cada crente autêntico e verdadeiro é mais uma forma de comunicação que se faz com Deus, por meio do Verbo, este tesouro que se encontra em vasos de barro (II Co.4:7). Por isso, não podemos crer que pessoas que só querem aparecer, correm atrás de fama e reconhecimento sejam verdadeiras testemunhas de Jesus. Não, não e não! A testemunha de Jesus é uma prova de que o Verbo continua a fazer a comunicação, a dar o devido acesso a Deus (Hb.10:19,20).

– Esta condição de Cristo como o Verbo de Deus é a própria essência desta Pessoa divina, tanto que, na batalha do Armagedom, será como a Palavra de Deus que o Senhor Se identificará ao descer para salvar Israel e derrotar o Anticristo (Ap.19:13). “Palavra de Deus” na Versão Almeida Revista e Corrigida, mas que, no original, nada mais é que “logos tou theou” (“λόγος του θεου”). Como Logos é que Cristo voltará em glória para instituir Seu reino milenial e ser reconhecido como o Messias pelo povo judeu.

– Quando tomamos consciência de que Jesus é o Verbo Divino, vemos que não há outro meio para nos reconciliarmos com Deus, que não há outro caminho, que só em Cristo está a verdade, só nEle temos vida, que não há como ir ao Pai a não ser por Ele (Jo.14:6). Temos tido esta consciência? Que este trimestre possa no-la dar.

III – O VERBO É VIDA E LUZ AOS HOMENS

– Na descrição feita por João na introdução do evangelho, o “discípulo amado” também nos mostra que, no Verbo, estava a vida e “a vida era a luz dos homens” (Jo.1:4). Quando o Verbo Se fez carne, diz o apóstolo, “ali estava a luz verdadeira, que alumia todo o homem que vem ao mundo” (Jo.1:9).

– O Verbo, portanto, não só é o Criador de todas as coisas, mas a própria fonte de vida, entendida aqui não somente a vida física, mas, principalmente, a vida espiritual, a comunhão com Deus, pois, como se sabe, vida significa união, comunhão, enquanto que morte é separação. O Verbo é o meio pelo qual se liga a Deus, pelo qual se tem vida, sendo esta a função precípua do Filho, como teremos oportunidade de estudar na próxima lição.

– O Verbo é a fonte da vida, a própria vida, vida esta que é a “luz dos homens”. Jesus é vida, como Ele próprio diria durante Seu ministério (Jo.14:6). Jesus veio nos trazer vida e vida com abundância (Jo.10:10) e somente em Seu nome poderemos ter vida (Jo.20:31). Uma vida que, como advém do “Logos”, que é eterno, é uma vida igualmente eterna, a promessa que Ele nos deu (Jo.6:40; 10:28; I Jo.2:25; 5:11).

– Quando João diz que Jesus é a luz, uma vez mais nos remete ao texto da criação em Gênesis. Lá vemos que a primeira palavra divina foi “Haja luz” (Gn.1:3). Assim, ao mencionar que Jesus é a luz, de pronto observamos que se reproduz, novamente, que Jesus é apresentado como sendo o princípio criador, Aquele que estendeu a luminosidade divina à criação e, por isso, é a própria Luz, como, a propósito, disse de Si mesmo, mais de uma vez (Jo.8:12; 12:46). Ao dizer que Jesus é a luz, João, também, reforça a idéia da divindade de Jesus, visto que “Deus é luz” (I Jo.1:5).

– Como o Verbo é a luz, faz com que o homem veja (Mt.6:22.24), permite ao homem que enxergue, que tenha condições de conhecer a realidade do seu Criador. Mais uma vez, percebemos que Jesus é o meio pelo qual o homem tem acesso a Deus, pois é necessário que se possa ter luz para ver a Deus, para conhecê-lO, para distingui-lo, como, aliás, deixou claro o apóstolo Paulo em seu discurso perante os mestres da filosofia grega no Areópago em Atenas (At.17:27).

– Sem a luz, não se pode ver a Deus e Jesus é, precisamente, a luz dos homens, o único meio pelo qual a humanidade pode distinguir e ver claramente quem é Deus e qual é o propósito do seu Criador em relação à sua criatura. Quando a luz surge, tudo ilumina e, se enxergamos e resolvemos nos pôr debaixo desta luz, somos transformados, passando a produzir boas obras (Jo.3:19-21). Entretanto, muitos preferem continuar nas trevas, não aceitam a luz, não a compreendem, continuam a praticar o mal (Jo.1:5).

– O Verbo é luz para todos os homens, o que nos mostra a universalidade desta luz. Não há outro meio, em qualquer época ou lugar, pelo qual os homens podem ver a Deus. Somente por meio do Verbo isto é possível, a única luz, luz que veio para toda a humanidade. É interessante observar que, mesmo os rabinos judeus, concordam que a luz mencionada em Is.60:3, luz para todas as nações, é uma referência ao Messias, a demonstrar, portanto, o caráter universal da missão do Verbo Divino.

– O Verbo, diz-nos o apóstolo João, também deve ser testificado, como havia sido testificado por João, não o apóstolo, mas o último profeta da dispensação da lei, o João Batista (Jo.1:6-8). Assim, embora Ele próprio Se tenha revelado de múltiplas formas, inclusive pela Sua encarnação, tinha de ser testificado pelos homens. Não é por outra razão que o Senhor Jesus disse que nós éramos a luz do mundo (Mt.5:14-16) e que o apóstolo Paulo tenha dito que devemos ser irrepreensíveis e sincertos, inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, resplandecendo como astros no mundo (Fp.2:15). Temos de refletir a luz, porque somos testemunhas desta luz.

OBS: “…Assim como João Batista, não somos a fonte da luz de Deus; simplesmente refletimos essa luz. Jesus Cristo é a Luz verdadeira. Ele nos ajuda a enxergar o caminho para Deus e nos mostra como andar nesse caminho.(…). A palavra ‘testemunha’ indica o nosso papel como refletores da luz de Cristo. Nunca somos apresentados como a luz para os outros, mas estamos sempre indicando a Cristo, a verdadeira Luz.” (BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, com. Jo.1:8, p.1413).

– Mas, esta luz não é apenas a luz dos homens e luz que deve ser testificada pelos homens aos homens, mas é também “a luz verdadeira que alumia todo homem que vem ao mundo”. O Verbo é a luz verdadeira, pois Ele mesmo é a verdade (Jo.14:6). A iluminação, portanto, só pode ser feita pela Bíblia Sagrada, a Sua Palavra, que é a verdade (Jo.17:17).

– Não é, portanto, sem razão que o próprio Jesus, em Seu sermão escatológico, faz questão de alertar Seus discípulos a respeito dos “falsos cristos”, dizendo para que não corramos para lá ou para cá em busca deles, pois o Verbo é “a luz verdadeira que alumia a todo o homem que vem ao mundo”. É o Verbo que ilumina, não os homens que correm ao encontro dEle para ser iluminado, pois Ele Se encontra sempre no mesmo lugar, o lugar da Sua Palavra que não passa e que permanece para sempre (Mt.24:35; I Pe.1:25).

– Nos dias em que vivemos, muitos correm atrás desta “luz verdadeira” de um lado para outro. Estatísticas estimam em cerca de 500.000 (quinhentos mil) o número de “crentes flutuantes”, que vão de igreja em igreja, de denominação em denominação, buscando servir a Deus e isto só na região metropolitana de São Paulo. Não saiam atrás da luz verdadeira, porque é ela que alumia a todo homem.

– Devemos não correr de um lado para outro, mas buscar a “luz que alumia a todo o homem”. Onde está esta luz? No deserto? No interior da casa? Nos sinais e prodígios? Não, não e não! A verdadeira luz Se encontra no Verbo e o Verbo é testificado pela Palavra de Deus. “O mandamento do Senhor ilumina os olhos” (Sl.19:8 “in fine”); “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e luz para o meu caminho’ (Sl.119:105); “A exposição das Tuas palavras dá luz” (Sl.119:130a); “Porque estes mandamentos são lâmpada, este ensino é luz” (Pv.6:23a). “A luz verdadeira” está nas Escrituras Sagradas. Por que, então, sermos negligentes no seu estudo, na sua meditação? “Deixa penetrar a luz! Deixa penetrar a luz! Que a formosa luz de Deus fulgure em ti e serás feliz assim” (refrão do hino 96 da Harpa Cristã, de autoria de José Rodrigues).

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.