A ORIGEM DO UNIVERSO

Texto Áureo: I Tm. 6.20 – Leitura Bíblica em Classe: Gn. 1.1,2; Sl. 19.1-6; 136.3,5-9; Hb. 11.3

Pb. José Roberto Alves Barbosa

Objetivo: Refletir sobre a criação do universo em uma perspectiva cristã, mostrando que Deus criou os céus e a terra e os sustem como o seu poder infinito.

INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, a teoria evolucionista, que será melhor estudada na semana seguinte, adquiriu proeminência nos meios acadêmicos, em virtude da onda materialista – estudada semana passada – que predomina a cosmovisão do homem moderno. Na lição de hoje, estudaremos, a partir de uma visão bíblico-teológica, a origem criacionista do universo.

1. DEFININDO CRIACIONISMO
O criacionismo cosmológico, de acordo com o padrão bíblico de Gn. 1.1, pode ser definido como a crença de que o começo de todas as coisas ocorreu mediante um ato criativo de Deus. Essa idéia nega que a matéria tenha existido desde a eternidade, tendo sido apenas reformada ou posta em boa ordem. Esse ensino dá a entender que houve um tempo que somente Deus existia. A criação, portanto, teria sido, ex hihilo – do latim, do nada, mediante o poder de Sua palavra. Por conseguinte, a vida humana foi criada por um ato especial, da matéria já existente, para em seguida, receber o sopro do princípio espiritual. A referência de Hb. 11.3 reforça a perspectiva cristã de que a matéria não é eterna e que Deus fez o mundo de coisas “que não aparecem”, isto é, de coisas imateriais.

2. CRIACIONISMO E CIÊNCIA
3.1 A ciência não tem a última palavra
A sociedade moderna escolheu a ciência como substituta da religião. De certo modo, é possível dizer que a ciência se transformou numa espécie de religião. Enquanto que na Era Medieval, os líderes religiosos tinha a palavra final em matéria de conhecimento, atualmente, a figura do padre, com suas indumentárias eclesiásticas, foi trocada pelas vestimentas do cientista, dentro do espaço “sagrado” do seu laboratório. Sob a égide da ciência, muitos dogmas têm sido construídos nessa sociedade atual, e é nesse contexto, que se insere a doutrina do evolucionismo. A verdade científica é estabelecida como se fosse eminentemente material, e, diante disso, os ingredientes da receita estão definidos, a fôrma também, de modo que não se pode chegar a nenhuma conclusão, a não ser, conforme os pressupostos admitidos, que Deus não existe e que tudo não passa de matéria. Talvez seja o caso da ciência ser menos dogmática e mais dialética, reconhecendo, comoo fez Pascal, que existem razões que a própria razão desconhece, ou em uma fala de Hamlet, de Shakespeare, abrindo-se para a verdade de que há mais mistérios entre os céus e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia.

3.2 A Bíblia não é um livro de ciência
Por outro lado, há uma defesa de alguns religiosos, no sentido de que a Bíblia é um livro de ciência, que detem todas as verdades científicas. Essa é uma assertiva que a própria Escritura não faz de se mesma. Ela nunca se propôs a ter a última palavra no tocante às questões geográficas, históricas ou sociológicas. A Bíblia é a Palavra de Deus, é lâmpada para os nossos pés, luz para os nossos caminhos (Sl. 119.5). Essa Palavra é inspirada pelo Espírito de Deus (II Pe. 1.20,21) , com vistas a, conforme está bem exposto em II Tm. 3.16, que sejamos habilitados para o serviço de Deus, e principalmente, para que desenvolvamos um relacionamento com Ele (Mt. 22.29; Lc. 24.42-45). Portanto, defender uma visão científica da criação, a partir de Gn. 1., parece ser uma ousadia desnecessária. O mais viável, nesse particular, é entender quais as verdades teológicas que esse texto nos revela a respeito da criação de Deus. É com essa prerrogativa em mente que podemos conduzir o pensamento moderno, cativo nas teias do materialismo, à obediência a Cristo (II Co. 10.5).

3. NO PRINCÍPIO CRIOU DEUS
No princípio, no momento em que Deus começou a agir sobre o caos, veio à existência à materialidade. Deus criou a matéria ex nihilo – isto é, o material do imaterial. Em Hb. 11.3, o autor da epístola reforça o ensinamento de que as coisas visíveis vieram das invisíveis. Isso nos mostra que não somos objeto do acaso, mas de uma Deus que projetou e propôs a criação. Esse Deus – Elohim, em hebraico – criou o universo a partir da palavra, com Sua sabedoria (Pv. 3.19). O mesmo Deus que criou os céus e a terra não nos abandonou, como afirmou Paulo, em Atenas, “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” (At. 17.28). O marco central da atuação desse Deus, na história, é quando Ele se faz carne e resolve habitar no meio dos homens (Jo. 1.1,14). O grandioso mistério a respeito da criação do universo, de acordo com o relato de Jo. 1.3, é o de que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Em termos gerais, a verdade teológica que Gn.1.1 nos trás é a de que existe um Criador, e este é Deus, que, em Cristo, nos amou graciosamente. A criação, nesse sentido, é um ato gracioso, como também o é de Deus ter vindo a terra e nos dado a salvação em Cristo (Ef. 2.8,9).

CONCLUSÃO
Não podemos afirmar, em detalhes, nem do ponto de vista científico muito menos teológico, a respeito de como o universo foi criado. A esse respeito, devemos nos recolher à limitação que nos é própria (Ec. 3.11). Sabemos apenas o que nos é revelado, e o que é essencial, principalmente, o de que Deus é o criador de todas as coisas em Cristo (Is. 42.5; 45.18; Ml. 2.10; Ef; 3.9; Ap. 10.6), mas não somente isso, mas que está no controle de tudo, inclusive de nossas vidas (Lc. 21.18).

REFERÊNCIA
ALVES, R. Filosofia da ciência. São Paulo: Ars Poética, 1996.
COLSON, C. PEARCEY, N. O cristão na cultura de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006

Fonte: http://subsidioebd.blogspot.com/

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