A tecnologia a serviço do mal – 1

 

TEMA – Tempos trabalhosos: como enfrentar os desafios deste século

COMENTARISTA : Elinaldo Renovato de Lima

LIÇÃO Nº 9 – A TECNOLOGIA A SERVIÇO DO MAL

                                   Dominado pelo pecado, o homem faz com que todas as suas criações contribuam para a sua morte e destruição espiritual.

INTRODUÇÃO

- O pecado, quando praticado, domina o homem (Gn.4:7; Jo.8:34), que dele não consegue se desvencilhar por sua própria força, necessitando de Cristo para o fazer (Jo.8:32,36). Assim, embora tenha sido aquinhoado por Deus com capacidade intelectual (Gn.2:19,20), tal capacidade sempre é utilizada para o mal (Sl.14:2,3).

- Os tempos trabalhosos em que vivemos é período de dupla multiplicação: multiplicação da ciência (Dn.12:4) e multiplicação da iniqüidade (Mt.24:12). Por isso, como nunca antes na história da humanidade, contemplamos o uso da tecnologia a serviço do mal. Como igreja, temos de nos utilizar da tecnologia, sem a qual poremos obstáculos à pregação do Evangelho e ao ensino da Palavra, mas lutar tenazmente contra a multiplicação da iniqüidade pela multiplicação da ciência.

I – O QUE É TECNOLOGIA

- “Tecnologia” é a “teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana”, palavra surgida por volta do século XVIII, formado de “tékhné”, palavra grega que significa “artesanato, arte, ciência, indústria” e “logos”, que significa “linguagem, proposição”. É “um termo que envolve o conhecimento técnico e científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento. Dependendo do contexto, a tecnologia pode ser:

a) as ferramentas e as máquinas que ajudam a resolver problemas;

b) as técnicas, conhecimentos, métodos, materiais, ferramentas, e processos usados para resolver problemas ou ao menos facilitar a solução dos mesmos;

c) um método ou processo de construção e trabalho (tal como a tecnologia de manufatura, a tecnologia de infra-estrutura ou a tecnologia espacial);

d) a aplicação de recursos para a resolução de problemas;

O termo tecnologia também pode ser usado para descrever o nível de conhecimento científico, matemático e técnico de uma determinada cultura;

Na economia, a tecnologia é o estado atual de nosso conhecimento de como combinar recursos para produzir produtos desejados (e nosso conhecimento do que pode ser produzido).…” (WIKIPEDIA. Tecnologia. Disponível em:

- Diante desta realidade, temos de concordar com as conclusões nascidas no Concílio Vaticano II, quando a Igreja Romana fez uma atualização de suas doutrinas e tradições frente às transformações vividas pelo mundo, segundo as quais, ” … estes instrumentos(os meios de comunicação, observação nossa), retamente empregados, representam subsídios valiosos ao gênero humano, porquanto muito contribuem para recrear e aprimorar os espíritos e propagar e firmar o reino de Deus; sabe também que os homens podem utilizá-los contra o desígnio do divino Criador e convertê-los em perdição de si próprios(…) (a Igreja, observação nossa) angustia-se pelos danos causados mui freqüentemente à sociedade humana pelo mau uso deles…” (Decreto Inter Mirifica, nº 2).

- Devemos observar que a comunicação é a ação de tornar comum aquilo que é peculiar de cada um. Os homens, feitos para viverem em grupo, em sociedade, dependem da comunicação para serem verdadeiros seres humanos. Não há vida social sem comunicação, é indispensável que os homens se comuniquem entre si e que se comuniquem com Deus para que o propósito de sua criação seja alcançado. Não é à toa que Deus comparecia, na viração do dia, para Se comunicar com o homem (Gn.3:8) e que seu propósito seja restabelecer esta comunicação para todo o sempre (Ap.21:3).

- Se assim é, não pode o cristão, que está no mundo embora não seja do mundo (Jo.17:11,14), omitir-se de travar uma comunicação com os demais homens. Muito pelo contrário, os crentes só são mantidos no mundo para que possa comunicar-se com os demais homens, anunciando-se a melhor notícia que o homem pode receber(Mc.16:15): a de que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo.3:16).

- Nenhum meio de comunicação é mau em si mesmo. Muito pelo contrário, o meio de comunicação, como o próprio nome diz, é um meio, é um instrumento, que não pode trazer nem bem nem mal a quem quer que seja. A maldade não se encontra no meio de comunicação, mas no coração do homem que o utiliza. Quem o disse foi o próprio Jesus que, questionado sobre o costume de lavar as mãos, afirmou, solenemente, que o mal vem do coração do homem e não de qualquer ritual ou elemento exterior ao homem (Mt.15:10-20).

- Toda a discussão que se travou (e ainda se trava) na igreja a respeito dos meios de comunicação, portanto, é algo totalmente estéril e sem qualquer sentido, diante destes ensinamentos do Senhor. Nenhum meio de comunicação é mau em si mesmo, mas, sim, o coração dos homens que o comandam. Quando surgiu o rádio, não faltaram aqueles que afirmavam que o mesmo era um instrumento diabólico, a verdadeira “caixinha do diabo”. Surgiu a televisão e passou esta a ser assim considerada, como o é, atualmente, o computador, considerado por muitos como sendo a verdadeira “ferramenta do anticristo”. Enquanto a igreja se digladia em torno destes conceitos, que nada mais são que preconceitos contra o desconhecido, trazendo uma série de tristezas, divisões e problemas sem-número no seio do povo de Deus, o adversário prossegue avançando e ocupando todos os espaços nestes meios de comunicação, ante a inércia inexplicável e antibíblica da Igreja. É hora de apenas nos firmarmos na doutrina da Palavra de Deus, que aponta que devemos ter um coração puro, cheio da presença de Deus e que devemos, com esta ser transformado por Jesus, usar todos os meios para anunciar que Deus ama o homem e que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva para o céu.

OBS:  Um exemplo do que estamos a dizer está nas palavras do próprio criador da Internet, o professor Leonard Kleinrock que, em entrevista por ocasião dos 30 anos da internet, afirmou : “Fazendo balanço, não crê que ele e seus colegas criaram um monstro. ” Alguém pode antecipar as comunicações entre computadores, mas não entre homens, afirmou Kleinrock. ‘Quando chegou o correio eletrônico, essa foi a primeira pista de que a interação entre pessoas era realmente a aplicação assassina, afirmou. ‘Temos que sopesar o bem e o mal. ‘Existe algo que se possa controlar ?’ Não. A pornografia é um bom exemplo disso’, completou.…” (CNN en español. Ciencia y tecnologia. Hacía 30 años dos computadoras balbuceantes daban nacimiento a internet. 2.set.1999.http://www. google.com.br/search?q=cache:OX21u5Zvv_4J:166.114.106.9/~arteaga/INF-099/www.puc.cl/curso_dist/cbc/anexos/texto_a/inter30.html+30+anos,+internet,+pornografia&hl=pt-BR&ie=UTF-8. Acesso em 18 jul.2003) (tradução nossa)

- A importância dos meios de comunicação na vida da humanidade é algo crucial e fundamental nos nossos dias. O controle dos meios de comunicação significa o controle do próprio mundo e a Igreja deve estar atenta a isto, pois se entregar tais meios ao controle do adversário, estará trazendo grandes obstáculos à obra de evangelização. Verdade é que Jesus promete vitória da Igreja sobre as portas do inferno (mt.16:18), mas também determina que façamos a nossa parte, revestindo-nos da armadura de Deus e sendo vigilantes na luta contra as hostes espirituais da maldade (Ef.6:12-18). Uma das armas colocadas à disposição do crente são os calçados na preparação (ou prontidão, conforme a versão NVI) do evangelho da paz. Será que podemos, nos nossos dias, dizer que estamos prontos a evangelizar se não estivermos inseridos e usando dos meios de comunicação trazidos pela moderna tecnologia ?

- Vemos que Jesus usava dos meios de comunicação disponíveis no seu tempo para poder divulgar a sua mensagem da maneira mais eficiente. Subia a um monte para que a multidão O ouvisse e O visse, para que houvesse uma melhor apreensão dos Seus ensinos. Apresentava-se nas festividades em Jerusalém, exatamente porque ali havia a maior confluência possível de judeus, para que Sua mensagem pudesse ser ouvida pelo maior número de pessoas possível. Se gastava Seu tempo na evangelização de uma só pessoa, é porque esta pessoa era um elemento-chave para a atração de multidões ou de cidades inteiras, como aconteceu seja com a mulher samaritana, seja com o(s) ex-endemoninhado(s) gadarenos(s). Portanto, os exemplos que o Mestre nos deixou são de aproveitamento máximo dos meios de comunicação para que a mensagem do Evangelho possa ser divulgada ao maior número de pessoas de uma só vez.

- Esta importância da comunicação está presente nas próprias leis humanas. A nossa Constituição, por exemplo, dedica um capítulo a este assunto e se preocupa em que os meios de comunicação não fiquem nas mãos de uma ou poucas pessoas (objetivo que, entretanto, é, por enquanto, ainda apenas um sonho) (artigo 220, § 5º), que a propriedade de empresas jornalísticas e de radiodifusão fiquem, majoritariamente, nas mãos de brasileiras (artigo 222) e que a produção e programação das emissoras de rádio e televisão atendam a alguns princípios, em especial a preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, bem como a promoção da cultura nacional e regional (outros objetivos que ainda não se verificam na realidade) (artigo 221).

OBS:  Como afirma o pastor Samuel Câmara, da Assembléia de Deus de Belém/PA e presidente da Rede Boas Novas, a maior rede de TV evangélica do Brasil (48 emissoras de TV aberta, 37 canais de TV a cabo e três canais de satélite): “…Tecnicamente, a TV brasileira está entre as melhores do mundo. Falando de conteúdo da programação, contudo, é uma das piores do mundo. Ela desrespeita seus objetivos legais de informar, divertir e educar a sociedade.…” (Carlos FERNANDES. A televisão é um ministério. Eclésia, ano VII, nº 77, maio 2002, p.22).

- Como vimos, a intenção das pessoas que controlam o conteúdo da informação e da mensagem que será transmitida pelos meios de comunicação é o que deve estar no centro da preocupação seja do cristão, seja de todo e qualquer ser humano. É preciso que saibamos que do coração dos homens brota a maldade e que, notadamente nos dias em que vivemos, em que a mensagem é divulgada instantaneamente para o mundo todo, o risco de imprecisão, de falsidade e de manipulação é muito grande, de modo que devemos ter, sempre, um juízo crítico sobre toda informação e mensagem que nos venha ao encontro. Devemos agir com discernimento espiritual e seguir a recomendação sábia do apóstolo Paulo que nos manda examinar tudo e reter o bem (I Ts.5:21).

- O primeiro aspecto que devemos verificar é que os meios de comunicação, embora sejam cada vez mais abundantes e mais desenvolvidos, paulatinamente estão se concentrando nas mãos de alguns poucos empresários em todo o mundo. O fenômeno da concentração dos meios de comunicação em mãos de poucos tem se intensificado nos últimos anos com um recrudescimento espantoso. Os grupos de mídia têm se fundido, têm formado grandes impérios e as poucas resistências que havia, em alguns países, estão desaparecendo. No início de 2003, as barreiras legislativas que existiam nos Estados Unidos para a formação de grandes redes de telecomunicações desapareceram: na Europa, as legislações, já há alguns anos, não são tão rígidas como eram antigamente, a ponto de, por exemplo, termos na Itália a situação inusitada de todas as emissoras de televisão estarem, atualmente, sob controle do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que, aliás, preside a União Européia neste segundo semestre de 2003. No Brasil, mesmo, permitiu-se, em emenda constitucional promulgada no final do ano passado, o ingresso de pessoas jurídicas estrangeiras em até 30% do capital das empresas de comunicação, o que significará o entrelaçamento das grandes empresas brasileiras aos impérios mundiais já existentes de comunicações.

- Ora, se o número de controladores dos meios de comunicação em todo o mundo é pequeno e exíguo, naturalmente que poderão eles defender seus interesses comerciais de forma muito mais poderosa e desenvolver projetos políticos e econômicos que sejam de seu agrado, já que somente publicarão aquilo que lhes interessarem. Ao mesmo tempo, vemos que diversas indústrias do entretenimento, além do puro interesse comercial, sem qualquer preocupação moral, têm se comprometido abertamente com o satanismo ou outros movimentos religiosos e espirituais contrários à sã doutrina (como a Nova Era), o que explica, exatamente, o motivo de ter havido uma grande degeneração do conteúdo das informações e mensagens nos últimos tempos nos meios de comunicação de massa.

OBS:  Para se ter idéia do poder que a mídia representa na nossa sociedade, observemos considerações de uma reportagem da revista Veja sobre a novela da Rede Globo de Televisão, Mulheres Apaixonadas, no horário de maior audiência da televisão brasileira :”…Há quem diga que as novelas influenciam o comportamento das pessoas, e há quem diga que isso é balela. É uma velha discussão, que não tem data para acabar. O que se sabe com certeza, e até já foi comprovado por pesquisas universitárias, é que o produto cultural mais popular do país tem um poder impressionante para pautar debates sobre questões políticas e da intimidade do brasileiro.(…). Mulheres Apaixonadas também é um êxito extraordinário do ponto de vista comercial. Já estabeleceu um recorde na emissora, com duas inserções de merchandising por capítulo – aquelas situações em que um personagem utiliza ou elogia um certo produto quase sempre sem nenhuma sutileza. O preço do merchandising é mais alto que o da exibição de um comercial de trinta segundos no horário nobre.(…). Cada inserção de merchandising em Mulheres Apaixonadas custa atualmente 453 000 reais (412 000 ficam com a emissora e o restante é dividido pelos profissionais que trabalharam na cena). Um comercial de trinta segundos na faixa de horário da novela custa 193 380 reais.…” (Ricardo VALLADARES. Mulheres apaixonadas e apaixonantes. Veja, ano 36, nº 27, 9 jul.2003, p.68).

- Ao mesmo tempo em que isto ocorre, o Estado, mesmo prometendo ser democrático e, no caso brasileiro, procurando deixar para a história o passado do regime autoritário militar e sua conhecida censura aos meios de comunicação, censura que está explicitamente proibida na nossa atual Constituição (artigo 220, § 2º), é implacável na repressão à chamada radiodifusão comunitária (as chamadas “rádios e televisões piratas”), um meio em que há o desenvolvimento de meios de comunicação de pessoas que não estão ligadas a estes poderosos grupos, numa clara indicação de que a liberdade de comunicação prevista na Constituição (artigo 5º, IX) não é para todos.

OBS:  Eis o que diz a respeito o pastor Samuel Câmara na entrevista dada à revista Eclésia: “…O que poderia ser feito para melhorar a qualidade da TV brasileira, sem recorrer a princípios como a censura ?  O fundamental é democratizá-la. Como meio de comunicação de massa, a televisão jamais deveria estar na mão de quem, individualmente, quer fazer a consciência da sociedade brasileira pensando predominantemente no lucro, na audiência, ainda que isso represente triturar todos os princípios morais e sociais. Nesse caso qual seria a solução ? Bem, acredito que se a TV tornar-se segmentada, interativa e mais natural, vai refletir o dia-a-dia das pessoas.” (Carlos FERNANDES. A televisão é um ministério. Eclésia, ano VII, nº 77, maio 2002, p.22)

- Este estado de coisas lembra-nos, claramente, que já estamos em plena atividade do espírito do anticristo no mundo das comunicações, numa velocidade impressionante, na montagem do cenário que servirá de fundo para a ditadura mundial do filho da perdição, que estará baseada num amplo apoio empresarial (cfr. Ap.18).

- Não é de se admirar, portanto, que rádio, televisão e internet sejam, hoje, os maiores divulgadores de valores antibíblicos e prejudiciais à saúde espiritual do gênero humano. A pornografia domina, para tristeza dos próprios criadores da internet, mais de 80% do conteúdo das mensagens na rede mundial de computadores, sendo um celeiro fértil para prática abomináveis como a pedofilia, a prostituição infantil e o tráfico de mulheres. A televisão é a maior incentivadora da prostituição, da impureza sexual, da falência da instituição familiar, da violência, do uso de drogas e da criminalidade. Estatísticas sérias demonstram claramente que o início da divulgação de certas mensagens na programação infanto-juvenil, no Brasil, por intermédio da televisão, há cerca de 20 anos, foi fundamental para que os índices de gravidezes de adolescentes explodisse e que houvesse a iniciação sexual precoce de nossos jovens, sem se falar no aumento do poder sedutor dos narcotraficantes sobre os moços, levados, também, pelo consumismo desenfreado estimulado pela televisão, o que se ampliou sobremaneira com o acesso da população pobre a este meio de comunicação com o Plano Real.

OBS:  Para não dizermos que os crentes ou religiosos são os únicos que falam mal da qualidade atual da televisão, trazemos aqui o testemunho insuspeito de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, um dos grandes nomes da televisão brasileira que, ao lado de Walter Clark, criou o chamado “padrão Globo de qualidade”, uma das marcas registradas da televisão brasileira e mundial. Em recente entrevista à revista Veja, o “ex-todo-poderoso da Rede Globo” assim se expressou: “…Veja – Como o senhor avalia a televisão de hoje em dia ?  Boni – Ela está ruim, porque se instalou uma mentalidade imediatista nas emissoras. Eles pensam na programação minuto a minuto, entram em brigas de foice por um ponto de audiência e, nesse processo, acabam fazendo concessões desnecessárias ao mau gosto.(…). O melhor espetáculo do mundo é o ser humano. Ele está sendo desprezado nesses programas policiais, nesses shows de auditório que lidam com o mundo-cão. Esprema um programa policial qualquer: sobram dez minutos de informação. O resto é gritaria e redundância. Eu baniria todos eles da TV. A atração é sempre o criminoso, é o sujeito que tem um desvio sexual qualquer, é o que destruiu a família. Enquanto isto, dá-lhe merchandising de creme para cabelo. Consumismo associado ao pior do ser humano: essa fórmula tem de parar.…” ( Ricardo VALLADARES. A TV está ruim. Veja, ano 36, nº 24, p.14).

- Enquanto boa parcela da igreja discutia se a televisão era boa ou má, se o crente deveria ter, ou não, televisão, esta era dominada, completamente, por satanistas, espiritualistas e pessoas sem quaisquer escrúpulos morais, que têm o dinheiro como seu único deus, que moldavam o comportamento de toda uma geração, inclusive dos próprios filhos de crentes, verdadeiros “televizinhos”, geração que não pôde sequer ter acesso às boas-novas do Evangelho, que era o grande ausente das programações. Ao mesmo tempo, a boa programação das emissoras educativas era totalmente ignorada pela população e pela Igreja, sendo raríssimos aqueles que, através da televisão, conseguiram aprimorar seus conhecimentos em cursos de línguas, cursos supletivos, documentários etc.

- Para impedir o mau uso da mídia secular, o cristão tem de seguir a sã doutrina. Ensinam as Escrituras que todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas convém, que todas as coisas devem ser dominadas pelo homem, que não se pode deixar dominar por elas (I Co.6:12). Desta forma, o cristão pode, sim, ter rádio, televisão e internet, desde que não se deixe dominar por estas coisas, pois, como filho de Deus, deve fazer a vontade de Deus e dominar sobre todas as criações e invenções que existem sobre a Terra (Gn.1:26).

OBS:  Em 1970, portanto há mais de 30 anos atrás, um livro didático destinado para o final do então curso primário, hoje primeira fase do ensino fundamental, já nos ensinava a respeito do assunto, numa propriedade que vale a pena transcrevê-lo: “…A televisão é hoje uma personagem encravada na família. É uma senhora intrometida. Vai se apresentando, ora com juízo e arte, ora destramelada. E quanto briga ela suscita ! O pai quer ouvir o Repórter Esso. Certas mães não podem perder o último capítulo da novela. Os pequenos querem ver as chatices dos Três Patetas. Os maiores têm seus programas prediletos – cada um o seu. Ninguém se entende ! (…) A senhora televisão necessita de disciplina, como as crianças. Ora vai um, ora via outro. Não é preciso brigar. Escolher bem os programas influi muito na formação do caráter. Se o menino vê cenas de bandidos, de crimes, de sujeiras, de bobagens, ele está perdendo um tempo precioso. E está habituando sua consciência ao mundo da mediocridade e do vício.(…). Podemos selecionar os bons programas e ouvi-los aproveitando o bom e rejeitando o menos bom. O espírito crítico é isso: saber o que presta e o que não presta. Convém discutir isto com o pai ou a mãe o que foi notado. Eles ajudarão a esclarecer o valor dos programas.(…). O problema da televisão é saber escolher. E permitir a cada um de satisfazer a sua escolha…” (Maria Junqueira SCHMIDT. Curso de educação moral e cívica.2.ed.rev., p.105-6).

- Em primeiro lugar, o cristão deve saber administrar o seu tempo e não prejudicar o seu período de devoção diária, de adoração a Deus, de dedicação à família e de cumprimento de seus deveres em função do uso dos meios de comunicação. Devemos aproveitar o nosso tempo, que é precioso na nossa vida de comunhão com Deus (Ef.5:16; Cl.4:5).

- Em segundo lugar, o cristão deve ter discernimento espiritual para escolher a programação, para saber ao que deve assistir e ao que não deve fazê-lo. Devemos estar conscientes de que a programação sempre tem uma finalidade comercial, empresarial e, não raras vezes, espiritual. O que está por detrás daquela programação? Qual é o seu interesse ? Convém utilizarmos nosso tempo assistindo àquele programa? Trará ele alguma edificação para nós ou será uma fonte de problemas morais, comportamentais e de outra natureza em nossas famílias? Saibamos que, como crentes, devemos ter este discernimento (I Co.2:7-16).

- Em terceiro lugar, o cristão que é pai ou mãe deve verificar a programação infanto-juvenil e avaliar a conveniência, ou não, de seus filhos assistirem a este ou àquele programa. Não nos iludamos com os aparentemente desenhos animados, muitos dos quais são, na feliz expressão do pastor Daniel Vargas, da AD no Belenzinho, em São Paulo/SP, verdadeiros “demônios animados”, desenhos que foram criados com o nítido propósito de criarem adoradores ao adversário (neste campo, aliás, conhecidos são os estudos do pastor Josué Yrion, pastor brasileiro radicado nos Estados Unidos, que tem provado o intento satanista na Walt Disney, uma das maiores indústrias de entretenimento do mundo). O ocultismo, o esoterismo têm sido mensagens constantes em desenhos e programas infanto-juvenis e devemos manter nossos filhos longe deste veneno. Não devemos, entretanto, tão somente proibir mas buscar explicar aos pequeninos os motivos e as razões pelas quais não devem assistir a estes programas, buscando, também, apoio junto aos departamentos infanto-juvenis de nossas igrejas para um trabalho complementar de conscientização.

- Em quarto lugar, o cristão deve procurar ser uma pessoa informada, conhecedora dos fatos e acontecimentos que estão se dando ao redor de si e no mundo, para que possa contextualizar a sua mensagem, para que possa ser um eficaz instrumento do Senhor na divulgação da Sua Palavra e responda às indagações dos ímpios a respeito de sua fé (I Pe.3:15). O crente não pode apresentar-se como uma pessoa alienada, fora da realidade, pois isto em nada contribui para que dê testemunho dos benefícios e das vantagens de aceitar a Cristo como seu Salvador. Jesus não era uma pessoa alienada e estava bem ciente do que ocorria à Sua volta (Lc.13:1-5). Nesta busca de informação, deve saber utilizar-se dos diversos meios de comunicação com sabedoria e equilíbrio. Assim, deve:

a) evitar confiar em apenas uma fonte de informação, pois a multiplicidade garante maior proximidade da imparcialidade;

b) procurar descobrir quais os interesses que se encontram atrás de uma determinada notícia e se tais interesses são favoráveis ou contrários ao povo de Deus;

c) saber que a rádio e a televisão trazem mensagens instantâneas, sem muita discussão, mas que os jornais e as revistas são fontes de maior profundidade e menor emoção;

d) conferir as informações com a Palavra de Deus, que é a única verdade (Jo.17:17);

e)não espalhar notícias recebidas sem que tenha tido o cuidado de verificar a sua procedência e a sua veracidade.

- Nos anos 1990, algumas denominações religiosas ditas evangélicas iniciaram uma reversão neste absenteísmo na mídia, chegando, mesmo, a conseguir controlar algumas emissoras de rádio e de televisão, e, até mesmo, a controlar redes inteiras de emissoras no país. Esta movimentação gerou, de imediato, uma reação contrária de amplos setores da mídia contra os evangélicos, com alguma ressonância, inclusive, na Igreja Romana (ela própria acabou montando sua própria rede de televisão, bem como expandindo sua rede de emissoras de rádio), a ponto de se criar uma verdadeira guerra entre a Rede Globo de Televisão e certos segmentos evangélicos. Entretanto, é com tristeza que temos presenciado que, depois deste fervor, as programações das principais emissoras controladas por evangélicos passou a ser ditada pela mesma valoração das demais emissoras e, hoje em dia, salvo alguns programas (alguns até que seria melhor que nem existissem…), raramente em horário nobre, as programações não diferem das das demais emissoras, ou seja, o intuito evangelístico e moralizador foi vencido pelo mesmo critério mercantilista dos grupos descompromissados com a Palavra de Deus. Tanto assim é que os principais programas evangelísticos na atualidade são produções independentes, que compram horários nas emissoras comerciais.

OBS:  Esta situação lamentável é observada pelos especialistas neste assunto, como vemos nesta reportagem: “…Quando estreou na Record, Turma do Gueto tinha nobres ambições. Seria o primeiro programa brasileiro estrelado majoritariamente por atores negros, e mostraria de maneira equilibrada as dificuldades de quem vive na periferia de São Paulo. Passados oito meses, o seriado mudou de cara. Ele se transformou num festival de violência. Embora alguns elementos da trama original tenham sido preservados – como as cenas numa escolinha – o assunto principal passou a ser a bandidagem. Há tiroteio em cada um dos episódios.(…). Com as mudanças que promoveu em Turma do Gueto, a Record passa a ter dois troféus de mérito duvidoso em suas mãos: exibe o programa policial mais sensacionalista da televisão brasileira, o Cidade Alerta, e o seriado mais violento. Não deixa de ser irônico, para uma emissora que é propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus e impõe vetos a certos artistas e cantores por julgá-los mau exemplo para os crentes.(…). Mas uma coisa é ser contra o diabo, outra é figurar no Ibope do jeito que o diabo gosta. Assim como o sensacionalismo aumenta a fatia de audiência abocanhada pela Record nos fins de tarde, a violência incrementa a audiência de Turma do Gueto.…” ( Ricardo VALLADARES. Fé na bala. Veja, ano 36, nº 28, p.101).

- Inserir-se na mídia, portanto, não é apenas produzir programas evangelísticos ou transmitir cultos ou similares na rádio, na televisão ou na internet, mas, sobretudo, utilizar-se de todos os meios e mecanismos existentes em termos de comunicação audiovisual para transmitir os valores constantes da Palavra de Deus. É fundamental que o mesmo conteúdo a que os cidadãos estejam acostumados a ver ou ouvir seja transmitido mas com valores diametralmente opostos àqueles que têm animado as atuais programações. E, sobretudo, que as pessoas que se lancem nestas atividades não sejam tomados pelo amor do dinheiro, mas busquem, sempre, o reino de Deus e a sua justiça, que tenham consciência de que, embora tudo deva ser realizado com dinheiro, não deve visar ao dinheiro, para que não caiamos na mesma armadilha que levou ao atual fracasso das iniciativas supramencionadas, que ainda esperamos seja transformado em vitória.

OBS: A situação atual da presença evangélica ou supostamente evangélica na televisão brasileira mostra que o que se precisa ter é uma programação com conteúdo de Palavra de Deus, não bastando ter apenas programas ou tempo de programação. Senão vejamos. O campeão de tempo de programas de televisão no Brasil é um pastor evangélico neopentecostal, que tem quase 100 horas semanais de programação em várias redes de televisão, inclusive em horário nobre, mas com pequena e tímida audiência, em mera transmissão de cultos gravados, a um alto custo que o obriga a pedir dinheiro por diversas vezes durante o programa. Simultaneamente, o programa de televisão mais pornográfico que está no ar é, por incrível que pareça, apresentado por uma pessoa que se afirma evangélica e faz questão de dizê-lo durante seu terrível programa. É preciso, pois, mudarmos os conceitos, pois nem super-exposição nem declarações de conversão no mínimo suspeitas têm sido suficientes para melhorar o nível e o uso dos meios de comunicação. Uma vez mais trazemos a opinião do pastor Samuel Câmara: ” …Nós, evangélicos, começamos muito tarde a produzir televisão. A TV secular fez 50 anos no Brasil, mas a televisão evangélica ainda é incipiente. Somos iniciantes. Contudo, eu parabenizado e aprecio todos os programas e iniciativas dos evangélicos em televisão. O pouco que temos de programas evangélicos é tudo e o melhor que dispomos nesta fase. Mas espero que o nosso atraso nos sirva de lição. Aquele formato ‘pastor diante da câmera’ está obsoleto ? Não. É verdade que a variedade no formato de uma programação de TV evangélica é requisito fundamental. Mas o que você chama de formato ‘pastor diante da câmera’ tem seu lugar nesta variedade. Que espaço a RBN dedica a este gênero ?  Na RBN, por exemplo, púlpito e pregações ocupam de 15% a 20% da nossa programação. O restante da grade inclui variedades, jornalismo, infantis, musicais, entrevistas etc.…” (Carlos FERNANDES. A televisão é um ministério. Eclésia, ano VII, nº 77, p.24).

Mensagem do Papa para o 41º Dia Mundial das Comunicações

quinta: 17 de maio de 2007

As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação

Solenidade da Ascensão -  20 de maio de 2007

Assessoria de Imprensa da CNBB

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI

Queridos irmãos e irmãs:

1. O tema do 41º Dia Mundial das Comunicações Sociais, «As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação», convida-nos a refletir sobre dois assuntos de imensa importância. A formação das crianças é o primeiro. O segundo, talvez menos óbvio mas não menos importante, é a formação dos meios de comunicação social.

Os complexos desafios que se apresentam para a educação nos dias de hoje estão freqüentemente vinculados à ampla influência dos meios de comunicação social no nosso mundo. Como um dos aspectos do fenômeno da globalização, e facilitados pelo rápido desenvolvimento da tecnologia, os meios de comunicação social modelam profundamente o ambiente cultural (cf. Papa João Paulo II, Carta Apostólica O rápido desenvolvimento, 3). Com efeito, algumas pessoas afirmam que a influência formativa dos meios de comunicação social concorre com a da escola, da Igreja e talvez mesmo do lar. «Para muitas pessoas, a realidade corresponde ao que os mass media definem como tal» (Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Aetatis novae, 4).

2. A relação entre crianças, meios de comunicação social e educação pode ser considerada a partir de duas perspectivas: a formação das crianças por parte dos mass media; e a formação das crianças para que respondam apropriadamente aos mass media. Sobressai um tipo de reciprocidade que indica as responsabilidades dos meios de comunicação social como indústria e a necessidade de uma participação ativa e crítica dos leitores, dos espectadores e dos ouvintes. Nesta perspectiva, formar-se no uso apropriado dos meios de comunicação social é essencial para o desenvolvimento cultural, moral e espiritual das crianças.

Como é que se há de salvaguardar e promover o bem comum? Educar as crianças a serem judiciosas no uso dos mass media é uma responsabilidade que cabe aos pais, à Igreja e à escola. O papel dos pais é de importância primordial. Eles têm o direito e o dever de assegurar o uso prudente dos meios de comunicação social, formando a consciência dos seus filhos a fim de que expressem juízos sadios e objetivos, que sucessivamente há de de orientá-los na escolha ou rejeição dos programas disponíveis (cf. Papa João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 76). Ao agir deste modo, os pais deveriam contar com o encorajamento e a assistência das escolas e das paróquias, para garantir que este aspecto difícil mas estimulante da educação é apoiado pela comunidade mais vasta.

A educação aos mass media deveria ser positiva. As crianças expostas ao que é estética e moralmente excelente são ajudadas a desenvolver o apreço, a prudência e as capacidades de discernimento. Aqui é importante reconhecer o valor fundamental do exemplo dos pais e os benefícios da apresentação aos jovens dos clássicos infantis da literatura, das belas-artes e da música edificante. Enquanto a literatura popular terá sempre o seu espaço na cultura, a tentação do sensacionalismo não deveria ser passivamente aceite nos lugares de ensino. A beleza, uma espécie de espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos.

Como a educação em geral, a educação aos mass media exige a formação no exercício da liberdade. Trata-se de uma tarefa exigente. Muitas vezes a liberdade é apresentada como uma busca implacável do prazer e de novas experiências. Contudo, isto é uma condenação, não uma libertação! A verdadeira liberdade jamais poderia condenar o indivíduo – especialmente a criança – a uma busca insaciável de novidades. À luz da verdade, a liberdade autêntica é experimentada como uma resposta definitiva ao «sim» de Deus à humanidade, enquanto nos chama a escolher, não indiscriminada mas deliberadamente, tudo o que é bom, verdadeiro e belo. Os pais são guardiães da liberdade de seus filhos; e promovendo gradualmente esta  liberdade, os introduz na profunda alegria da vida. (cf. Discurso no V Encontro Mundial das Famílias, Valência, 8 de Julho de 2006).

3. Esta aspiração sincera dos pais e professores de educar as crianças pelos caminhos da beleza, da verdade e da bondade somente pode ser sustentada pela indústria dos meios de comunicação social, na medida em que ela promover a dignidade humana fundamental, o valor genuíno do matrimônio e da vida familiar, e as conquistas e as finalidades positivas da humanidade. Deste modo, a necessidade que os mass media têm de se comprometerem na formação efetiva e nos padrões éticos é considerada com particular interesse e mesmo urgência, não só pelos pais e professores, mas também por todos aqueles que têm um sentido de responsabilidade cívica.

Mesmo quando estamos convencidos de que muitas pessoas comprometidas nos meios de comunicação social desejam realizar o que é justo (cf. Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Ética nas Comunicações, 4), devemos reconhecer também que as que trabalham neste campo enfrentam «pressões psicológicas e dilemas éticos particulares» (Aetatis novae, 19), que por vezes vêem a concorrência comercial pressionar os comunicadores para níveis mais baixos. Qualquer tendência a produzir programas – inclusive desenhos animados e videojogos – que, em nome do entretenimento, exaltam a violência e apresentam comportamentos anti-sociais ou a banalização da sexualidade humana, constitui uma perversão, e é ainda mais repugnante quando tais programas são destinados às crianças e aos adolescentes. Como é que se poderia explicar este «entretenimento» aos numerosos jovens inocentes que na realidade são vítimas da violência, da exploração e do abuso? A este propósito, todos deveriam refletir sobre o contraste entre Cristo, que «as tomou [as crianças] nos braços e as abençoou, impondo-lhes as mãos» (Mc 10, 16) e aquele que «escandaliza… estes pequeninos», a quem «seria melhor… que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho» (Lc 17, 2). Uma vez mais, exorto os responsáveis da indústria dos meios de comunicação social a salvaguardarem o bem comum, a promoverem a verdade, a protegerem a dignidade humana de cada indivíduo e a fomentarem o respeito pelas necessidades da família.

4. A própria Igreja, à luz da mensagem de salvação que lhe foi confiada, é também uma mestra de humanidade e valoriza a oportunidade de oferecer assistência aos pais, aos educadores, aos comunicadores e aos jovens. Os seus programas paroquiais e escolares deveriam ocupar um lugar de vanguarda na educação aos mass media nos dias de hoje. Sobretudo, a Igreja deseja partilhar uma visão da dignidade humana que é central para toda a comunicação  digna. «Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa» (Deus caritas est, 18).

Vaticano, 24 de janeiro de 2007, festa de São Francisco de Sales

Bento XVI.

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

A integridade do mundo relativista – 1

TEMA – Tempos trabalhosos: como enfrentar os desafios deste século

COMENTARISTA : Elinaldo Renovato de Lima

LIÇÃO Nº 8 – A INTEGRIDADE NO MUNDO RELATIVISTA

                                   Na soberba da vida, que existe no mundo, há uma recusa em se aceitarem os valores absolutos da Palavra de Deus.

INTRODUÇÃO

- Nos tempos trabalhosos em que vivemos, o homem é amante de si mesmo, soberbo e orgulhoso (II Tm.3:1-3), quer “ser igual a Deus”, demonstrando, assim, toda a sua rebeldia contra a soberania do Senhor. Uma das principais conseqüências deste comportamento é o da recusa em aceitar valores morais absolutos, valores estes indicados pelo próprio Deus quando da criação do homem.

- Uma sociedade, como a do mundo de hoje, que se recusa a aceitar a Deus, é uma sociedade onde não haverá como se estabelecer uma noção do que é certo e do que é errado e, por isso, é uma sociedade que caminha, cada vez mais, para o relativismo moral, onde a única máxima existente é a de que “tudo é relativo”.

I – NOÇÃO DE ÉTICA E DE MORAL

-          “Ética” é palavra de origem grega, que vem de “ethos”, que quer dizer costume, hábito, disposição. Em latim, a palavra usada para dar a mesma idéia é “mos, moris”. Advém daí que, etimologicamente, temos que “ética” e  “moral” se confundem, pois ambas dizem respeito ao conjunto de padrões e de atitudes que as pessoas devem ter no seu dia-a-dia, no seu cotidiano.

-          A ética, portanto, preocupa-se com a conduta ideal do indivíduo, ou seja, qual deve ser o comportamento do indivíduo ao exercer uma determinada atividade, ao desempenhar uma determinada ação, ou seja, como o indivíduo deve agir enquanto vive.

OBS: “…A ética é a ciência da conduta ideal. Aborda a conduta ideal do indivíduo, isto é, nossa responsabilidade primária. Os Evangelhos nos ensinam que a transformação moral nos conduz às perfeições de Deus Pai (Mt.5.48). E daí, parte-se para a transformação de acordo com a imagem do Filho de Deus (Rm. 8.29; Ii Co. 3.18). Precisamos cuidar de nosso próprio desenvolvimento espiritual como indivíduos. Essa transformação reflete em nossa conduta pessoal, pois a conversão cristã gera essa transformação na vida do ser humano direcionando-o à ética pessoal ( II Co. 5.17) …” ( Pr. José Elias CROCE. Lição 1 – O cristão e a ética. Betel Dominical, jovens e adultos, 3º trim. 2001, p.8)

-          A Bíblia nos mostra que Deus fez o homem dotado de moralidade, pois feito à imagem e semelhança de Deus (Gn.1:26) e Deus é um ser eminentemente moral, de forma que o homem não poderia ser diferente. Como demonstração desta moralidade ínsita à natureza humana, Deus estabeleceu, já no jardim do Éden, uma regra a ser observada, referente à árvore da ciência do bem e do mal (Gn.2:16,17). Neste estabelecimento da regra, Deus denuncia não só a moralidade do homem como a sua liberdade. Assim, a vida do homem está envolvida, integralmente, com a ética, com a conduta que deve seguir.

-          Não é, portanto, desarrazoado que, desde as épocas mais antigas, tenha o homem se debruçado sobre a questão do comportamento que deve ser seguido no viver cotidiano, a ponto de uma das partes tradicionais da filosofia ser, exatamente, a ética, aqui concebida como a reflexão de como deve ser o agir humano, de qual a conduta ideal do indivíduo.

-          Desde a criação, portanto, ao homem tem sido proposta uma conduta ideal, qual seja, a obediência a Deus e a Seus mandamentos, que é a ética divina, a verdadeira ética que conduz o homem à comunhão com seu Criador e à vida eterna, mas o homem, desde a queda, tem enveredado por outros caminhos, buscando, dentro de sua capacidade e de seus pensamentos, outras condutas de vida, outras formas de comportamento, que dão ensejo às diversas éticas que têm sido criadas ao longo da história da humanidade.

-          Quando se fala, portanto, em conduta ideal do indivíduo, em forma de agir, em comportamentos adequados, sempre teremos, de um lado, o comportamento exigido por Deus, proposto pelo Criador, determinado pelo Soberano Senhor dos céus e da terra, como, também, de outro lado, as propostas humanas de conduta e de comportamento, fruto da rebeldia do ser humano e de seu estado pecaminoso.

OBS: “…Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões, resolvendo aquilo que tem a ver com nossa vida, a vida da empresa e de nossos semelhantes. Ninguém faz isso no vácuo. Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções. Hoje, sabe-se que nem mesmo na área das chamadas ciências exatas é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados pelo que cremos. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do que acreditamos é certo ou errado. É isso que chamamos de ética: o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões. Cada um de nós tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões…!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciado decisivamente nossas opções.

Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As chamadas ÉTICAS HUMANÍSTICAS tomam o ser humano como seu princípio orientador, seguindo o axioma de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”. O hedonismo, por exemplo, ensina que o certo é aquilo que é agradável. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. O individualismo e o materialismo modernos são formas atuais de hedonismo. Já o utilitarismo tem como princípio orientador o que for útil para o maior número de pessoas. O nazismo, dizimando milhares de judeus em nomes do que é útil, demonstrou que na falta de quem decida mais exatamente o sentido de “útil”, tal princípio orientador acaba por justificar os interesses de poderosos inescrupulosos e o egoísmo dos indivíduos. O existencialismo, por sua vez, defende que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Seu principio orientador é que o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte. O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna, que tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual.

A ÉTICA NATURALÍSTICA toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e desaparecer à medida em que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo. Numa sociedade dominada pela teoria evolucionista não foi difícil para esse tipo de ética encontrar lugar. Cresce a aceitação pública do aborto (em caso de fetos deficientes) e da eutanásia (elimina doentes, velhos e inválidos). (Rev. Augustus Nicodemus LOPES. A ética nossa de

 cada dia.

-          Cumprimos a Palavra de Deus, praticamos as ações e atitudes que a Bíblia nos determina, porque, antes, cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e a única regra de fé e prática que deve ser seguida. Temos a convicção, que nasce em nós por dom de Deus (Ef.2:8), pela aceitação da ação de convencimento do Espírito Santo (Jo.16:8-11).

-          Destarte, quem não tem fé verdadeira e genuína, não pode, em absoluto, ter um comportamento ou conduta que esteja de acordo com a Palavra de Deus, ou seja, a ética cristã exige uma verdadeira conversão do indivíduo. É por isso que vemos com preocupação a constatação de que a ética tem sido relegada a um plano absolutamente secundário na pregação do evangelho nos nossos dias, tanto que o fenômeno tem sido observado até por sociólogos da religião, como Antonio Flávio Pierucci, que o denominou de “des-moralização religiosa”, algo, aliás, que já tinha sido previsto nas Escrituras (II Pe.2:1-3)

OBS: “…Os cristãos entendem que éticas baseadas exclusivamente no homem e na natureza são inadequadas, já que ambos, como os temos hoje, estão profundamente afetados pelos efeitos da entrada do pecado no mundo. A ÉTICA CRISTÃ, por sua vez, parte de diversos pressupostos associados com o Cristianismo histórico. Tem como fundamento principal a existência de um único Deus, criador dos céus e da terra. Vê o homem, não como fruto de um processo evolutivo (o que o eximiria de responsabilidades morais) mas como criação de Deus, ao qual é responsável moralmente. Entende que o homem pecou, afastando-se de Deus; como tal, não é moralmente neutro, mas naturalmente inclinado a tomar decisões movido acima de tudo pela cobiça e pelo egoísmo (por natureza, segue uma ética humanística ou naturalística). Um outro postulado é o de que Deus enviou seu Filho Jesus Cristo ao mundo para salvar o homem. Mediante fé em Jesus Cristo, o homem decaído é restaurado, renovado e capacitado a viver uma vida de amor a Deus e ao próximo. A vontade de Deus para a humanidade encontra-se na Bíblia. Ela revela os padrões morais de Deus, como encontramos nos 10 mandamentos e no sermão do Monte. Mais que isso, ela nos revela o que Deus fez para que o homem pudesse vir a obedecê-lo. A ÉTICA CRISTÃ, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta nesse mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais o homem poderá chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são a vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.”
(Rev. Augustus Nicodemus LOPES. A ética nossa de cada dia. http://www.thirdmill.org/files/portuguese/

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-          A existência de um comportamento distinto e de acordo com a Palavra de Deus foi algo que faltou na geração do êxodo entre os filhos de Israel, tanto que foi o responsável, ao lado da incredulidade (Hb.3:19), pelo fracasso e morte daquele povo no deserto. Deus não Se agradou daqueles que tomaram um comportamento semelhante aos dos outros povos, que assumiram as mesmas ações e condutas decorrentes de pensamentos humanos e rebeldes contra Deus. O resultado de tal atitude inconseqüente foi a sua própria destruição e prostração no deserto (I Co.10:5). Quem quer agradar ao mundo, às éticas fundadas no pecado e na rebeldia, torna-se inimigo de Deus (Tg.4:4).

II – O CONTRASTE ENTRE A ÉTICA DO CRISTÃO E A ÉTICA DO MUNDO

-          Sob um discurso de tolerância e de liberdade, o mundo, hodiernamente, defende a idéia do “relativismo ético”, ou seja, nega que haja padrões de comportamento válidos para todos os homens, independentemente da época, da cultura ou da vontade de cada ser humano. Dentro deste pensamento, não é considerado exigível dos homens qualquer conduta estabelecida “a priori” por quem quer que seja. Deste modo, entende-se que não possa ser imposto qualquer comportamento a qualquer homem, sendo “fanáticos” e “intolerantes” aqueles que assim não entendem.

-          Entretanto, este tipo de pensamento é antibíblico, porquanto é mera conseqüência do pecado do homem, da sua recusa em obedecer a Deus e à ética estabelecida pelo Criador dos céus e da terra. Não negamos a liberdade de cada indivíduo de viver conforme a sua vontade, pois o livre-arbítrio foi dado ao homem pelo próprio Deus e, desta forma, é igualmente antibíblico agir de forma a negá-lo ou procurar massacrá-lo, mas não resta dúvida de que existe uma ordem universal instituída por Deus e que esta ordem deve ser observada pelo homem.

-          Portanto, existe, sim, uma conduta que deve ser perseguida pelo ser humano, que é a conduta determinada por Deus, por Ele revelada em Sua Palavra, que deve ser a nossa única regra de fé e prática. Ao contrário do que se diz no mundo, existe, sim, um padrão universal de conduta, que independe de cultura, de época ou da vontade de cada ser humano: o padrão bíblico, o padrão estabelecido por Deus e revelado ao homem por Sua Palavra.

OBS: “…O Mestre Jesus, ensinador por excelência, inicia agora seu maravilhoso discurso, popularmente conhecido como Sermão da Montanha. Nunca um discurso foi tão universal. O Sermão da Montanha não proferido para judeus, mas era eficaz para tantos quanto ouvissem (Mt 7.24). Aqui, não há questões culturais. Aqui não há exteriorização. Aqui, são as profundezas do coração humano que são sondados. Jesus identificou em todo esse discurso que o primeiro alvo do evangelho genuíno é transformar o interior do homem. O resto, é de acordo com o querer do Espírito pela atuação da Palavra. O sermaõ do monte não é mandamento, é ideal, alvo a ser perseguido. Sabemos perfeitamente que ser humano algum pode alcançar tão altas exigências de amor e santidade pelo braço da carne, mas somente pelo poder do Espírito e pela graça de Deus. Se o sermão da montanha fosse mandamento, estaríamos em situação dificil, com certeza Jesus teria mentido quanto ao seu jugo suave e fardo leve (Mt 11.28). Mas todos os salvos almejam e procuram viver de acordo com esta ética do reino. Aleluias!!! Sermos súditos do Reino implica empenharmo-nos resolutamente para viver o padrão ético de Deus para seu povo…. Existe uma ética, uma legislação vigente neste reino: A legislação vigente do reino é de uma simplicidade e de uma profundidade espiritual muito grande. “O Teu trono, oh Deus, é para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amas a justiça e odeias a iniqüidade;” (Sl 45.6,7a)…. Com o propósito de responder a todas as indagações e estabelecer o padrão de conduta dos cidadãos do reino, Jesus proferiu um discurso-chave popularmente conhecido como “Sermão do Monte”. Este sermão nos mostra que a real vida em Cristo requer a substituição de nosso padrão de justiça. Ser um cidadão do reino independe do que temos ou fazemos, mas do que somos. É um estado interior. O Sermão do Monte é a base a todos os que desejam viver realmente o Cristianismo bíblico…” http://www.scriptura.hpg.ig.com.br/novo/mateus/mt005.htm).

-          A inobservância do padrão bíblico gera a ira de Deus sobre os desobedientes (Rm.1:18) e o resultado desta recusa à ética divina é o abandono de Deus, de forma que haja a concupiscência dos corações humanos à imundícia e toda a sorte de desordem, de desequilíbrio e de iniqüidade no seio da humanidade (Rm.1:26-32).

OBS: “…01- A maldade humana tem gerado nas pessoas uma total falta de caráter quando diz respeito às coisas de Deus. Quase sempre os seres humanos estão dispostos a se tornarem bons conhecedores das verdades bíblicas, sem contudo, ter a intenção de se tornarem praticantes. 02 – Jesus quer não somente a nossa fé, mas também a nossa fidelidade. Fé é crença, enquanto fidelidade é prática da vontade de Deus. Fidelidade e obediência são a mesma coisa nesse sentido. Essa deve ser a marca ou o ponto distinto entre os discípulos de Jesus e os escribas e fariseus. Enquanto escribas e fariseus são excelentes professores de leis que só passam por seus livros e intelectos, os discípulos devem se tornar homens com o coração cheio de verdades para a vida diária…” (Rev. Ary Sérgio  Abreu MOTA. Uma janela para o sermão do monte. http://www.ejesus.com.br/estudos/2000-01/uma_janela_para_o_sermao_do_monte.htm).

-          Por causa do “relativismo ético”, é que se tem um vazio nas relações humanas, uma perplexidade quanto aos rumos e às orientações que se devam tomar no tratamento dos principais problemas morais, tentando o homem em vão buscar a solução para este vazio em técnicas de auto-ajuda ou em valores como os direitos humanos. A solução para o homem está em acolher a ética divina, constante da Palavra de Deus e exemplificada de forma ímpar na vida e no ministério de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

-          Ora, Deus, após ter revelado Sua ética na Sua Palavra e no exemplo de Jesus Cristo, constituiu um povo Seu para viver conforme a Sua vontade (Gl.6:15,16), a saber, a Sua Igreja, que tem um dever indeclinável sobre a face da terra, qual seja, o de pregar o evangelho, ou seja, anunciar aos homens que existe uma salvação e que é possível a transformação da vã maneira de viver que tem sido vivida pela humanidade (I Pe.1:18).

-          Como povo de Deus, como anunciadora das boas-novas da salvação, a Igreja tem de pregar, a todo momento, que o homem deve assumir o comportamento exigido por Deus, deve se reconciliar com seu Criador e isto impõe a assunção de uma vida de santidade e de agrado a Deus. É mister que, com desenvoltura, a Igreja proclame que o mundo deve ” se arrepender e se salvar desta geração perversa” (At.2:37-40).

-          Mas, para fazer esta proclamação, a Igreja deve se comportar como Jesus, ou seja, deve pregar a ética divina com autoridade (Mt.7:29), ou seja, deve ter, ela própria, uma vida tal que faça com que todos lhe indiquem como sendo “cristã”, ou seja, “parecida com Cristo”(At.11:26), pois, caso contrário, acabará repetindo o fracasso representado pelos escribas e fariseus (Mt.23:2-4), prestando, assim, enorme desserviço à obra de Deus, com graves conseqüências para os que assim agirem (Mt.7:20-23; 25:31-46).

OBS: “…O propósito da doutrina de Cristo é a mudança da vida dos cristãos, pelo que o termo não deve subentender meros conceitos intelectuais e religiosos. E, para tanto, temos que entender aqueles ensinos usados pelo Espírito Santo a fim de transformar almas humanas, tornando-as semelhantes ao seu Mestre. As doutrinas dos credos religiosos tendem a estagnar a viva energia dos ensinamentos de Cristo. Quando Ele disse: ‘ aprendei de mim’ não estava pensando em alguma sistematização de idéias a Seu respeito e, sim, na capacidade transformadora de Sua doutrina e Espírito, capaz de transformar Seus discípulos. Portanto, a doutrina de Cristo não consiste somente naquilo em que cremos. Antes, trata-se de uma maneira de viver. De outra sorte, a fé cristã seria apenas outra filosofia e a comunidade cristã seria apenas mais uma religião. Em outras palavras: o propósito da doutrina de Jesus não é somente para que possamos crer em Suas palavras e na Sua pessoa, mas também devemos viver o que Ele ensinou…Não é bastante crer, é necessário praticar, edificar a casa sobre a Rocha e, se necessário, cavar fundo, lançando os alicerces com segurança…” (Osmar José da SILVA. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.5, p.77-8).

-          A Igreja é, portanto, um povo que, liberto do mal (Jo.17:15), bem como do pecado (Jo.8:32-36), tem o devido discernimento do que é certo ou errado, do que agrada e do que não agrada a Deus e, portanto, age com plena liberdade, pois não está mais escravizada pelo pecado. A liberdade do cristão, entretanto, sempre é responsável e segue a padrões estabelecidos por Deus, a Quem servimos e a Quem queremos agradar. Tudo é lícito ao cristão, vez que não tem ele mais malícia nem maldade, mas nem tudo lhe convém(I Co.10:23), vez que, agora, a vida que vive, vive-a em e para Cristo (Gl.2:20).

-          O cristão somente deve praticar o que seja bom para edificação, o que seja verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama e em que haja alguma virtude e algum louvor (Fp.4:8), coisas que correspondem ao fruto do Espírito e contra o que não há lei humana que possa querer evitar (Gl.5:22,23).

-          O objetivo do cristão deve ser, sempre, a glória de Deus, daí porque Jesus ter nos alertado de que as nossas obras farão os homens glorificarem a Deus (Mt.5:16). Aliás, foi este o propósito de todo o ministério terreno de Cristo (Jo.17:4). Tudo o que fizermos deve redundar na glorificação do Senhor ( I Co.10:31) e isto no relacionamento com todos os homens, indistintamente, pertençam eles a qualquer um dos três povos da terra (judeus, gentios e igreja) (I Co.10:33).

-          Quando se fala em escândalo ante judeus, gentios e igreja de Deus (I Co.10:33), devemos salientar que a Palavra de Deus assim considera aqueles que, dizendo-se cristãos, não estiverem sendo fiéis e forem apanhados em pecado, trazendo, assim, escândalo, ou seja, perplexidade resultante da discordância entre o que é dito e pregado e o que é vivido pelo suposto servo de Deus. Em hipótese alguma, poderemos considerar escândalo toda e qualquer calúnia ou injúria que for levantada contra um sincero servo de Deus, como fruto da oposição satânica a seu fiel proceder diante de Deus. Pelo contrário, antes de maldição, esta circunstância é, segundo a Palavra de Deus, uma bem-aventurança, uma bênção, um motivo para o regozijo do crente (Mt.5:11,12; I Pe.2:19-25)

-          Será que o nosso comportamento tem sido desta ordem no meio dos homens? Será que nossa conduta revela que somos sal da terra e luz do mundo, ou já estamos irremediavelmente comprometidos com os princípios, valores, crenças e comportamento mundanos? Será que nossa conduta tem servido para a glória de Deus, ou temos sido motivo de escândalo na igreja, entre os judeus ou entre os gentios? Este trimestre nos levará de encontro a alguns dos principais dilemas morais da humanidade nos dias de hoje e qual a resposta bíblica, ou seja, a resposta divina a estas questões. Será que poderemos dizer que nossa conduta é a esperada por Deus? Que Deus nos abençoe e nos faça melhorar os nossos caminhos, para que, a cada dia, possamos nos santificar ainda mais (Ap.22:11), pois Jesus está às portas e, no arrebatamento, somente levará para Si aqueles que forem achados fiéis(Mt.24:45-47).

III – A POSTURA ÉTICA É CONSEQÜÊNCIA DA POSTURA DIANTE DE DEUS

- O homem, nestes dias trabalhosos, enganado pelo pecado, arroga-se o ilusório direito de “ser igual a Deus”. Uma das conseqüências desta divinização humana é, precisamente, o surgimento de “éticas humanas”, que, por serem originárias da mente humana, são incapazes de abarcar toda a realidade humana, são insuficientes para dirigir a vida humana e, por conseguinte, só servem para dar a impressão de que não existem valores absolutos, que não existe uma ordem a indicar qual deva ser o comportamento humano.

- O estabelecimento de um padrão de moralidade está diretamente relacionado com a postura que o ser humano tenha diante de Deus. Deus, por definição, é o Ser Supremo, é o Ser Soberano, Aquele que governa todo o universo. Portanto, dependendo da postura que o ser humano tenha em relação a Deus, terá um determinado padrão de moralidade a seguir.

- Se o homem aceita a Deus, reconhece Sua existência, Sua soberania, Sua distinção em relação aos seres criados, logicamente reconhece que Deus é quem determina o que é certo e o que é o errado, pois só Ele, por ser o autor da criação, tem poder e autoridade para dizê-lo. Diante disto, quem reconhece a existência de Deus bem como Sua transcendência e imanência (como vimos na lição anterior, cuja leitura recomendamos), não tem outra alternativa senão reconhecer que é Deus quem diz o que é o certo e o que é errado.

- Esta é a verdadeira realidade das coisas, a realidade trazida pelo Evangelho e que procura ser obnubilada das mentes humanas pelo adversário das nossas almas (II Co.4:4). Quem aceita a soberania divina, sabe que é Deus quem diz o que é certo e o que é errado, passando, então, a seguir a Sua orientação, vez que sabe que Ele é o Senhor e que nós somos tão somente Seus servos.

- Por isso, Deus, desde os primórdios da humanidade, procurou mostrar ao homem qual o comportamento que ele deveria seguir, como se lê em Gn.2:16,17. Ali está bem claro e evidente a todos quantos quiserem entender que quem ordena e diz o que é o certo e o que é o errado é o Senhor Deus. Ele “ordenou” ao homem qual a conduta que deveria ser observada, embora tenha feito o homem com a liberdade, o livre-arbítrio entre seguir, ou não, o que havia sido prescrito, o que havia sido determinado. Já tinha, pois, o homem, desde antes do pecado, o conhecimento do que era bom e do que era mau. É Deus quem determina o que é bom e o que é mau.

- É este o sentido da expressão do salmista quando diz que os mandamentos do Senhor são “amplíssimos” (Sl.119:96), ou seja, por ter sido o próprio Criador do homem, Deus, que conhece cada ser humano intimamente, desde a sua estrutura (Sl.103:14), encarregou-Se de mostrar ao homem como deveria ser o seu comportamento em todos os aspectos da vida, em todas as decisões que o ser humano deveria tomar ao longo da sua existência sobre a face da Terra. A Palavra de Deus é, portanto, este guia, este manual ético que deve sempre se encontrar à disposição do ser humano nas seguidas decisões que ele é obrigado a fazer a cada instante de sua vida.

- Tudo o que diz respeito ao comportamento humano sobre a face da Terra tem, assim, uma orientação nas Escrituras Sagradas, às vezes não de forma explícita, até porque surgem questões que estão relacionadas com o desenvolvimento tecnológico-científico, que até então nem sequer eram imaginadas pelo homem, mas que estão perfeitamente previstas por Deus, Que é onisciente.

- Neste sentido, aliás, é que se deve entender o texto de Dt.29:29, tão citado como uma válvula de escape aos “mistérios ocultos” das especulações teológicas, mas que tem um lado a que nem sempre se dá o devido valor, qual seja, o de que as coisas referentes à vida terrena, ao dia-a-dia do homem sobre a face da Terra estão todas reveladas na Bíblia Sagrada.

- A rebeldia humana contra Deus faz com que os homens se arroguem o direito de dizer o que é bom e o que é mau. Não é o homem quem diz o que é certo ou o que é errado, mas, sim, o Senhor Deus. Isto é importante, porque, nos tempos em que vivemos, não faltam aqueles que entendem que é o homem quem deva estabelecer o que é certo ou o que é errado, como também, vigora, na atualidade, o entendimento de que “certo e errado” são noções sociais, estabelecidas pelos próprios homens, conceitos que variam de tempo para tempo, de lugar para lugar, de cultura para cultura.

OBS: “…Outro dos perigosos paradoxos que enfrentamos é a religiosidade que todos dizem possuir e, ao mesmo tempo, a falta de reverência, já não diremos amor, para com Deus. A todos os outros males, a raça humana aumenta este — o de rejeitar a Deus e adorar-se a si mesma. A adoração do homem é a culpada de que tenham medrado e venham a medrar ainda as ideologias totalitárias que tanto mal têm feito e nos farão ainda. Por esse antropoteísmo nasceram os ditadores e é por ele que o comunismo se imporá. A deificação do ‘leader’ é mais outro sinal do tempo solene em que vivemos!…” (MINHAM, Júlio. As maravilhas da ciência, p.440).

- Ora, na rebeldia do homem, surge a especulação a respeito da própria existência de Deus e, ante a negativa desta existência, tem-se como conseqüência direta a própria desconsideração de todas as normas dadas por Deus aos homens na sua conduta sobre a face da Terra.

- A partir do momento que se nega a existência de Deus (o ateísmo), não há quem determine o que é certo e o que é errado, não existem valores absolutos, não há no que se apegar com relação ao que seja certo e ao que seja errado. Esta postura traz grandes dificuldades para a própria convivência entre as pessoas, como se verificou, aliás, nos regimes comunistas do século XX, que adotaram, dentro da filosofia marxista-leninista, o ateísmo como característica da organização de suas sociedades.

- A negação de Deus gera a negação do padrão de moralidade estabelecido por Deus e, em virtude disso, não há mais qualquer norte, qualquer referência entre o que seja certo e o que seja errado, criando-se um vazio que prejudica grandemente a própria convivência entre os homens, já que não é possível o estabelecimento de uma sociedade em que não existam tais parâmetros.

- A construção de uma ética dentro de sociedades que acolheram e abraçaram o ateísmo como padrão de vida sempre foi um desafio enorme para o homem e resultou no estabelecimento das maiores atrocidades, a comprovar o que dizem as Escrituras a respeito. Com efeito, ao indicar que o homem ateu é um ignorante, o salmista, por duas vezes, associa o ateísmo à corrupção de costumes e ao predomínio do mal (Sl.14:1; 53:1).

- A história está a comprovar isto. Na Revolução Francesa, na sua fase mais radical, quando se negou a própria existência de Deus e se adorou a “Razão”, tivemos o tenebroso período do “Terror” e do “Grande Terror”, onde as atrocidades e a violência alcançaram seu ponto máximo, com a guilhotina funcionando noite e dia, fazendo rolar milhares de cabeças inocentes.

OBS: “…Herbert, Chamette, Mamoro e o prussiano Anacharsis Clotz impuseram à Assembléia [a Assembléia Francesa, observação nossa] a abolição de toda a religião e substituí-la pelo culto da razão. Este decreto tornou-se efetivo no dia 10 de novembro de 1793. A jovem e linda amante de Mamoro, conhecida por todos como uma libertina, empregada num café cantante, ricamente vestida foi apresentada por Chaumette à Convenção e tomando-a pela mão disse: ‘Mortais, cessai de tremer perante os trovões dum deus que vosso medo criou: Não reconheçais de hoje em diante outra divindade que a da razão. Eu vos apresento a sua imagem mais nobre e pura (u’a meretriz), e se deveis ter ídolos oferecei sacrifícios somente aos que sejam como este!…’ Herbert, o presidente, abraçou o novo ‘deus que não conheceram seus pais’ (Dn.11:38) e numa louca procissão foi a deusa levada para Notre Dame, onde a entronizaram e lhe prestaram culto com toda a solenidade. Após entronizar a deusa da razão, começou uma guerra de morte contra a Bíblia. Milhares delas foram queimadas e quando a população entrou no salão nobre do Paço Municipal, levando espetados num pau os restos de um Breviário e um Novo Testamento que tinham retirado das chamas, Herbert disse que: ‘tinham expiado no fogo as loucuras que por sua causa cometera a raça humana’ (‘Journal de Paris’, 14 de nov. 1793, n. 318, p. 1.279. Lacretelle. ‘ Hist. de France pendent le dix. siegle’, p. 309, Paris, 1825)…” (MINHAM, Júlio. As maravilhas da ciência, p.303).

- Nos países comunistas, então, não foi diferente. Durante o governo de Stálin, na extinta União Soviética, mais de 35 milhões de pessoas foram mortas, por discordarem do regime soviético. Na China, na chamada “Revolução Cultural”, levada a cabo por Mao Tsé-Tung, também foram cometidas imensas atrocidades, sem se falar no verdadeiro assassínio coletivo praticado, no Camboja, pelo seguidor de Mao, o tirano Pol Pot, que matou parte considerável de sua população.

- Os ateus, portanto, constroem as noções de certo e de errado conforme as suas próprias mentes, sem ter de prestar contas a ninguém (isto é, assim pensam, já que entendem que Deus não existe). Entre os ateus, merecem destaque os que são materialistas, ou seja, que negam a existência de qualquer coisa além da matéria, como é o caso dos marxistas-leninistas que se orgulham em chamar sua filosofia de “materialismo histórico”.

- O resultado desta atitude de rebeldia, entretanto, nada mais é que a mais completa discórdia e aviltamento da dignidade da pessoa humana. Não é por outro motivo que os regimes comunistas redundaram no mais completo fracasso e na maior desilusão que se tem conhecimento na história da humanidade.

OBS: “… Isto se torna mais particularmente óbvio quando o pecador acha que ele somente pode afirmar sua própria liberdade negando explicitamente Deus. A dependência da criatura de seu Criador, e a dependência da consciência moral da lei divina são consideradas por ele como uma escravidão intolerável. Por conseguinte, ele vê o ateísmo como uma verdadeira espuma de emancipação e de libertação do homem, considerando que a religião ou até mesmo o reconhecimento de uma lei moral, constituem formas de alienação. O homem, então, deseja fazer decisões independentes a respeito do que é bom e do que é mau, ou decisões a respeito de valores; em um simples gesto, ele rejeita tanto a idéia de Deus quanto a idéia de pecado. É através desta audácia do pecado que ele pretende se tornar adulto e livre, e reivindica esta emancipação não apenas para si próprio, mas para a humanidade inteira. Tendo se tornado o seu próprio centro, o homem pecador tende a se afirmar e a satisfazer seu desejo para o infinito pelo uso das coisas: riqueza, poder e prazer, desprezando outras pessoas e as pilhando injustamente bem como as tratando como objetos ou instrumentos. Por via de conseqüência, ele faz a sua própria contribuição para a criação daquelas verdadeiras estruturas de exploração e de escravidão que ele alega condenar.…” (CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução Libertatis conscientia, nn.41 e 42) (tradução nossa de texto oficial em inglês).

- Mas não é apenas o ateísmo que cria condições para que não haja valores absolutos morais, vez que não haverá quem diga o que é certo ou errado, a permitir, assim, que os poderosos imponham a sua vontade e contribuam para a indignidade do ser humano, para o seu aviltamento e para situações que aumentam ainda mais o sofrimento e a miséria dos que vivem sem Deus e sem salvação.

- Também o panteísmo, tão em voga nos nossos dias, é uma forma de se eliminar a crença em valores morais absolutos. Como vimos na lição anterior, o panteísmo é a crença na existência em um Deus, mas um Deus que Se confunde com a própria criação, ou seja, Deus e o mundo seriam a mesma coisa. Este tipo de pensamento faz com que o homem se sinta um verdadeiro deus, já que faz parte de Deus. Ora, se o homem faz parte de Deus, tem o poder de dizer o que é certo e o que é errado. Assim como no ateísmo, portanto, é o homem, e não Deus (já que o homem faz parte de Deus), quem diz o que é certo e o que não o é.

- No panteísmo, portanto, há a crença de que o homem é quem determina o que é certo e o que é errado e os valores morais absolutos determinados por Deus, através de Sua Palavra, são tratados apenas como regras impostas por alguns homens sobre outros, sem qualquer validade para as gerações seguintes, principalmente diante da “evolução” da humanidade.

- Este conceito de que o homem é o seu próprio senhor e quem estabelece o que é o certo e o que é o errado, ou seja, que determina qual é a conduta que deve ser seguida, ninguém tendo nada que ver com isto, é o sentimento que iniciou a ser adotado pela humanidade, com mais presteza, a partir do século XIX, quando se começou a verificar que a crença na razão, na ciência e na matéria tinha sido um equívoco.

- Friedrich Nietzsche, filósofo alemão (1844-1900), passou a defender abertamente que a moral apresentada pelo Cristianismo, a chamada “moral judaico-cristã”, era uma
”moral do fraco”, “moral do vencido”, que havia sido imposta por alguns sobre outros, dizendo que o homem deveria assumir a sua condição e ele próprio montar uma moral que fosse além do bem e do mal. Esta atitude de soberba diante de Deus (Nietzsche é o filósofo que disse que Deus havia morrido) somente aumentou quando passou a surgir a idéia de que o homem era divino e, portanto, tinha “direito” de determinar o que é o certo e o que é o errado.

- Criando uma espiritualidade em torno de si (tendo, para tanto, o apoio de filosofias religiosas orientais e da teosofia, a matriz do movimento Nova Era, que tem se caracterizado por esta intensificação da divinização do homem), o homem passou a se arrogar o direito de determinar qual a moral que deveria observar. Hoje estão em alta pensamentos filosóficos segundo os quais o certo e o errado são resultado de consenso estabelecido entre as pessoas numa determinada sociedade. Entre os próprios que se dizem cristãos, há disseminação desta idéia, a ponto de grupos religiosos estarem dizendo que não lhes compete discutir ou influir nas decisões dos seus fiéis, devendo aceitar as suas posições, como, por exemplo, pasmem todos, a própria “orientação sexual” (neste ponto, por exemplo, é textual a diocese de New York da Igreja Episcopal americana).

- O resultado desta circunstância está em que, nos dias em que vivemos, avança a idéia de que os valores morais absolutos da Palavra de Deus são apenas “preconceitos”, “atrasos”, “conceitos retrógrados” e outras coisas que, lamentavelmente, são divulgados pela mídia e tidos como verdadeiros por um número cada vez maior de pessoas.

- Esta postura também é abraçada pelos “deístas”, aqueles que crêem em Deus e que O consideram distinto das criaturas, mas que acham que Deus abandonou o mundo, deixando à própria sorte e, portanto, permitindo ao homem que dissesse “como” deveria se portar no cotidiano da sua vida sobre a face da Terra, caminhando no sentido da “evolução espiritual” às suas próprias custas. Assim, os deístas, embora acreditem em valores morais absolutos, entendem que, de um modo ou de outro, os homens, mais cedo ou mais tarde, viverão de acordo com eles, sendo, portanto, tolerantes ao máximo com os desvios de conduta atualmente existentes.

- Este quadro é o que determina o comportamento da humanidade na atualidade. Numa descrição extremamente fiel ao que ocorre no mundo de hoje, o chefe da Igreja Romana, o Papa Bento XVI, quando ainda era o cardeal decano do Colégio dos Cardeais, na homilia da missa rezada antes do recolhimento dos cardeais para a escolha do novo Papa, que viria a ser o próprio autor da homilia, assim se expressou:  “…Quantos ventos de doutrina temos conhecido nestas últimas décadas, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensar… A pequena barca do pensamento de muitos cristãos tem estado freqüentemente agitada por estas ondas — jogada de um lado para o outro: do marxismo ao liberalismo, até o libertinismo; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e assim vai. Nos nossos dias, nascem novas seitas e se realiza o que disse São Paulo sobre o engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente (cf. Ef.4:14). Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, vem freqüentemente rotulado como fundamentalismo.  Ao passo que o relativismo, que é deixar-se portar como e segundo os ventos de doutrina, sejam eles os que forem, aparece como a única atitude de nobreza nos tempos de hoje. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida só o próprio eu e as suas vontades…” (RATZINGER, Joseph. Homilia da Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, 18 abr. 2005) (tradução nossa de texto oficial em italiano).

- Crer em verdades absolutas, em valores absolutos, em princípios imutáveis, oriundos de Deus, é algo que é repelido e rechaçado pela grande parte da humanidade dos nossos dias. Os verdadeiros servos de Deus são tachados de “fanáticos”, “atrasados”, “preconceituosos”, “fundamentalistas”. É este o mundo em que estamos a viver, um mundo onde “tudo é relativo”.

IV – A FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA E O RELATIVISMO MORAL DELA ADVINDO

- Nosso comentarista aponta uma vertente filosófica que dá base para o relativismo moral dos nossos dias: o pragmatismo. Mas, ao lado desta corrente filosófica, podemos, também, acrescentar o existencialismo que, se já perdeu o seu vigor na atualidade, teve grande influência sobre os principais formadores de opinião da atualidade, sendo, mesmo, a base de toda a “cultura do imediatismo” que tanto tem se alastrado, inclusive nos meios ditos  evangélicos, que o digam as doutrinas da confissão positiva e da teologia da prosperidade. Falemos, pois, destas duas correntes filosóficas, que tanto têm influenciado o comportamento dos homens dos tempos trabalhosos e ameaçam a saúde espiritual do corpo de Cristo.

- O pragmatismo é o nome que recebeu uma corrente filosófica surgida no final do século XIX, com origem nos Estados Unidos da América, mas que encontra suas raízes nos pensamentos dos ingleses Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873), considerados os pais do “utilitarismo”. Segundo o pragmatismo, deve-se valorizar mais a prática do que a teoria (daí o seu nome, pois “pragmático” significa concreto, aplicado, prático), considerando que devemos dar mais importância às conseqüências e efeitos da ação do que a seus princípios e pressupostos.

- Para o pragmatismo, a verdade é medida pela utilidade, ou seja, é verdadeiro aquilo que for útil, aquilo que der resultados favoráveis, que corresponderem aos desejos do agente. Percebe-se, claramente, que se trata de um pensamento extremamente adequado para os “homens amantes de si mesmo”. É verdade aquilo que for do agrado de alguém. Trata-se da redução da verdade à vontade do homem, uma contemporânea maneira de expressar o antigo pensamento do filósofo grego Protágoras que dizia que “o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são e das que não são, enquanto não são”.

- O pragmatismo encontrou guarida em diversos segmentos da intelectualidade. Filósofos como os norte-americanos William James(1842-1910), Charles Peirce (1839-1914) e John Dewey(1859-1952) influenciaram vários setores das ciências, moldando o pensamento científico aos preceitos da utilidade, influência esta que se tornou ainda mais forte diante da circunstância de os Estados Unidos terem se tornado, na época destes pensadores, uma superpotência mundial. Na ciência, na atualidade, vigora a idéia da “verdade pragmática”, também chamada de “quase-verdade”, ou seja, que se deve considerar como verdadeiro aquilo que mais contribui para o bem estar da humanidade em geral.

- Assim é que, na atualidade, tem encontrado guarida a filosofia do norte-americano Richard Rorty (1931-), chamada de “neopragmatismo” ou “liberalismo pragmático”, segundo o qual “…Uma sociedade liberal é uma sociedade que se contenta em chamar “verdadeiro” ao resultado de tais encontros, seja ele qual for. É por isto que uma sociedade liberal não é bem servida por uma tentativa de lhe proporcionar “fundamentos filosóficos”, já que a tentativa de proporcionar tais fundamentos pressupõe uma ordem natural de assuntos e de argumentos que é anterior e ultrapassa os resultados de encontros entre vocabulários velhos e novos.…”(ESPADA, João Carlos e ROSAS, João Cardoso. Rorty(1931). O liberalismo pragmático. http://www.google.com/search?q=cache:SA0T036EN2sJ:home.uchicago.edu/~monteiro/works/rorty-tpc-ic-ensaio.pdf+%22Richard+Rorty%22,+verdade&hl=pt-BR Acesso em 14 set. 2005). Percebe-se, pois, que, embora mudem os filósofos da moda, sempre são buscados “doutores” que justifiquem as concupiscências praticadas nos nossos dias.

OBS: “…Rorty afirma que “verdadeiro é aquilo que é aprovado num sistema de crenças válido para a maioria dos fatos na maioria dos casos”. Dito de outra maneira, verdadeira é a descrição do sujeito que satisfaça as exigências morais do certo e do errado, do bom e do mau, numa dada forma de vida.…” (COSTA, Jurandir Freire. Rorty e a psicanálise. http://www.google.com/search?q=cache:yPOXtQf893oJ:www.cfh.ufsc.br/~wfil/Rorty2.htm+%22Richard+Rorty%22,+verdade&hl=pt-BR Acesso em 14 set. 2005).

- As posições de Richard Rorty têm sido grandemente elogiadas e apreciadas no mundo acadêmico. Segundo Luiz Eduardo Soares, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMGH): “…’A obra de Richard Rorty está, hoje, consagrada em todo o mundo. Inúmeros motivos a tornam uma das mais ricas, sofisticadas, influentes, inspiradoras, intelectualmente provocadoras e politicamente relevantes da filosofia contemporânea. Em primeiro lugar, Rorty reinscreveu a filosofia norte-americana no mapa do pensamento mundial, onde há décadas não tinha mais lugar, salvo no capítulo exclusivo da filosofia analítica. Para fazê-lo, redescreveu, isto é, contou com uma dicção única e inconfundível, por um ângulo absolutamente original, sua versão da história da filosofia, na qual tornaram-se possíveis, inteligíveis e até necessários encontros, parcerias e diálogos surpreendentes. Ao operar esta reinscrição, Rorty cumpriu o papel simétrico complementar: ajudou a trazer de volta para as salas de aula dos EUA a filosofia européia continental, arquivada, desde os anos cinqüenta, como retórica metafísica e má literatura. Desse modo, contribuiu para tornar o ambiente universitário norte-americano mais cosmopolita e sensível às grandes questões de nosso tempo e para abrir brechas na hegemonia do neopositivismo. Em segundo lugar, coube a Richard Rorty uma função singular: combinar convicções democráticas e os valores da revolução burguesa de 1789 com o radicalismo antifundacionista, antiessencialista, cujas conseqüências foram, freqüentemente, confundidas com o ceticismo, o relativismo e o sectarismo antiinstitucionalista do anarquismo. Ambos os movimentos convergiam: a redescrição da história da filosofia, com a reinscrição dos filósofos americanos pragmatistas no centro dos debates modernos e a dupla requalificação – da democracia, que alterava os termos de suas ‘justificação’, passando a prescindir de ‘fundamentação’; e do antifundacionalismo filosófico, que perdia parte de seu glamour radical ao afastar-se do sectarismo político, mas ganhava em responsabilidade ‘realista’.…” (http://www.google.com/search?q=cache:CF8rJ4fgz0MJ:www.rubedo.psc.br/Revista/eufmg/textos/pragmat.htm+%22Richard+Rorty%22,+verdade&hl=pt-BR Acesso em 15 set. 2005). Vê-se, portanto, a influência que Rorty tem tido na formação do pensamento do principal país do mundo na atualidade.

-  Temos, assim, o quadro deprimente que é condenado pelo Senhor na Sua Palavra, quando, através do profeta Isaías, que, em seu capítulo 5, é usado por Deus para deplorar aqueles que “…ao mal chamam bem e ao bem, mal, que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade e fazem do amargo doce e do doce, amargo” (Is.5:20). Todas as pessoas que têm sido usadas pelo “mistério da injustiça” para divulgar as idéias de que é o homem e não Deus quem determina o que é o certo e o que é o errado, portanto, são tratadas pelo Senhor com um “ai”. Em virtude destes homens, a ira do Senhor se acendeu contra o mundo, que seguirá suas torpes orientações e, por isso, após o arrebatamento da Igreja, sobrevirá o negro período da Grande Tribulação.

- O pragmatismo descrê na existência da verdade, transforma a verdade em um mero acordo de vontades das pessoas. Não existiria, para os pragmáticos uma verdade única, mas tão somente consensos gerados pelos homens e que podem ser alterados através dos tempos. Este “relativismo” é completamente contrário ao que ensinam as Escrituras, que, aliás, são A verdade (Jo.17:17). A negação da existência de uma verdade absoluta, que independa do homem, é a negação do próprio Deus, que é a verdade (Dt.32:4; Jr.10:10; Jo.14:6).

- O existencialismo é o nome dado para uma corrente filosófica que encontrou seu esplendor na segunda metade do século XX.  Segundo esta linha de pensamento, “…no homem, a existência, que se identifica com a sua liberdade, precede a essência; por isso, desde nosso nascimento, somos lançados e abandonados no mundo, sem apoio e sem referência a valores; somos nós que devemos criar nossos valores por nossa própria liberdade e sob nossa própria responsabilidade. Quando Sartre diz que a existência precede a essência, quer mostrar que a liberdade é a essência do homem.(…) Quanto ao homem, ele é aquilo que cada um faz de sua vida, nos limites das determinações físicas, psicológicas ou sociais que pesam sobre ele. Mas não existe uma natureza humana da qual nossa existência seria um simples desenvolvimento. O cerne do existencialismo é a liberdade, pois cada indivíduo é definido por aquilo que ele faz. Donde o interesse dos existencialistas pela política: somos responsáveis por nós mesmos e por aquilo que nos cerca, notadamente, a sociedade: aquilo que nos cerca é nossa obra.…” (JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Existencialismo. In: Dicionário básico de filosofia, p.92).

- Esta corrente filosófica teve grande desenvolvimento no período entre as duas guerras mundiais e no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial tendo tido seu esplendor na figura do filósofo francês Jean Paul Sartre (1905-1980). “… Para Sartre, cujo pensamento é ateísta, a descoberta do absurdo da vida pelo homem que toma consciência de ser finito, marcado pela morte, deve levar à busca de uma justificativa, de um sentido para a existência humana.(…). Sartre defende a liberdade como uma das características fundamentais da existência humana. Segundo ele, paradoxalmente, ‘o homem está condenado a ser livre’ e precisa assumir essa liberdade vivendo autenticamente seu projeto de vida — seu engajamento — recusando os papéis sociais que lhe são impostos pelas normas convencionais da sociedade. É assim que ‘nós somos aquilo que fazemos do que fazem de nós’…” (JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Sartre. In: Dicionário básico de filosofia, p.219).

- Como se pode perceber, o pensamento existencialista procura encontrar uma justificativa para a existência finita do homem, ou seja, acha que a vida do homem se resume a esta vida sobre a face da Terra e que o homem, antes de mais nada, existe e que a sua essência será o que fizer enquanto estiver vivo. Dizer que “a existência precede a essência” é dizer que é o homem que diz o que ele será, linha de pensamento que recusa a existência de um Ser Superior, de alguém que dite o que o homem deva, ou não, fazer. Sartre era ateu e, na verdade, como afirma R.N. Champlin, “…Sartre (…) ampliou o ateísmo de Nietzsche, procurando dar ao ateísmo um alicerce coerente e lógico…” (R.N. CHAMPLIN. Existencialismo. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.624).

- Tem-se, portanto, uma erudita afirmação de que o homem é quem diz o que deve, ou não, fazer, o que é certo e o que é errado, sendo o verdadeiro centro de sua  vontade e que consistiria nisto a própria liberdade do homem. Mais uma vez, querendo se dizer independente de Deus, o homem assina a sua sentença de escravidão diante do pecado, do maligno e das hostes espirituais da maldade.

- A Bíblia mostra, claramente, que o homem, ao ser criado por Deus, foi criado com liberdade, podendo optar entre o bem e o mal. Entretanto, Deus “ordenou” ao homem o que era o certo e o que era o errado e, deste modo, não há que se falar em uma existência que preceda à essência. Deus pré-existe ao homem, criou-o e, portanto, tem o legítimo direito de determinar o que é o certo e o que é o errado. Ao homem cabe, apenas, exercer o seu livre-arbítrio e responder pela opção feita. A morte é, sem dúvida, um absurdo, porque não se encontra no plano original de Deus, mas a morte não é o fim da existência, mas, muito pelo contrário, apenas o início da eternidade, que será o resultado do exercício da liberdade feito pelo homem aqui na Terra.

- Sartre e o existencialismo encontraram grande acolhida no mundo sedento por um embasamento que lhes permitissem viver como bem quisessem, que lhes permitissem dar um devido respaldo racional para a sua recusa deliberada de viver segundo os padrões estabelecidos por Deus. O mundo de hoje, a exemplo dos que apostataram da fé e a ele pertencem, vive à procura “para si [de] doutores conforme as suas próprias concupiscências” (II Tm.4:3b). No entanto, isto nada muda com respeito ao fato de que cada um terá de prestar contas da sua vida diante do Senhor no momento oportuno.

- Tanto assim é que, de forma surpreendente, o filósofo francês acabou por apoiar abertamente o regime soviético, apesar das muitas evidências dos massacres por ele cometidos, caindo em descrédito, descrédito que tentou remediar ao condenar a invasão soviética da Hungria, mas que ficaria permanente quando defendeu a “Revolução Cultural” na China em 1968. Em 2005, no ano de seu centenário de nascimento, Sartre é considerado um pensador superado e enterrado como ideólogo, sobrevivendo apenas como um escritor. Se, porém, sua obra foi tida por desacreditada, os fundamentos de seu pensamento ganharam eco e acolhida no mundo sem Deus e sem salvação, que, embora recorrendo a outros pensadores, mantêm a firme disposição de determinar a moral do homem, como se isto fosse possível.

OBS: “…Por sua defesa de idéias e regimes indefensáveis, o pensador Sartre, que em seu tempo foi um pop star da filosofia, hoje é um desses anacronismos que só uns poucos intelectuais brasileiros ainda sustentam.…” (Rinaldo GAMA. O que sobrou de Sartre? Veja, edição 1922, ano 38, n.37,  14 set. 2005, p.125).

V – A TENTATIVA DE JUSTIFICATIVA DO RELATIVISMO MORAL PELA DIVERSIDADE CULTURAL

- É importante observarmos que muitos dos que defendem o relativismo moral alegam a questão referente à cultura, ou seja, dizem que as sociedades dos homens em torno do mundo são diferentes, têm valores diversos, não sendo, pois, possível haver valores absolutos desta ou daquela natureza. Entretanto, apesar da cultura de cada povo ser diferente, isto, de modo algum, significa que não haja a noção de pecado em cada cultura. Disto há provas evidentes na Bíblia Sagrada, como quando vemos como os cristãos trataram a questão das diferenças de costumes entre judeus e gentios, num reconhecimento de que o relacionamento com Deus, a ética está acima das culturas dos povos, como, aliás, ficou evidenciado no chamado “concílio de Jerusalém” (At.15).

- O desenvolvimento das comunicações e dos meios de transporte fez com que o mundo se tornasse uma verdadeira “aldeia global”, onde todos os homens, em todos os continentes, pudessem ter contacto quase que imediato, em tempo real. Isto fez com que a humanidade, numa proporção até hoje nunca antes vista no mundo, percebesse a grande diferença de culturas que existe no mundo.

- Cultura, como ensinam os antropólogos (a Antropologia é a ciência que estuda o homem na sua totalidade, ou seja, o homem e a suas obras, tendo como conceito fundamental o de “cultura”), é, segundo a classifica definição de Edward B. Taylor,  “…aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade…” (apud MARCONI, Marina de A. e  PRESOTTO, Zélia M.A.. Antropologia: uma introdução, p.42). Assim, a cultura é um conjunto de idéias, abstrações e comportamento que os homens têm numa determinada sociedade.

- Como podemos verificar, portanto, a cultura é resultado de uma convivência do homem em grupos sociais, pois o homem é um ser gregário, isto é, que vive em sociedade, pois “não é bom que o homem esteja só” (Gn.2:18). Nesta convivência, os homens acabam criando hábitos, costumes, crenças e uma forma de ver e se relacionar com o mundo que o cerca, inclusive com o sobrenatural, com o que está além da matéria. Temos, portanto, que a cultura é, essencialmente, uma criação humana, pois o homem tem este poder criativo, como Deus nos mostra na Sua Palavra em Gn.2:19,20.

- Sendo, porém, uma criação humana, tem-se que a cultura jamais pode afrontar os princípios estabelecidos por Deus ao homem. O poder criativo do homem está sujeito à observância dos princípios éticos estabelecidos pelo Senhor, tanto que Deus apenas determinou que o homem desse nomes aos seres criados depois que lhe ordenou o que era o certo e o que era o errado.

- Evidentemente que, ao pecar, o homem perdeu a comunhão com o Senhor e, por causa disso, passou a estar sob o domínio do pecado, pecado este que determina a própria formação da cultura por parte do homem, como vemos já na civilização caimita (Gn.4:17-24), cultura, aliás, que preponderou sobre a cultura da descendência de Sete (Gn.6:1,2), gerando um modo de vida que fez com que o Senhor destruísse a raça humana no dilúvio (Gn.6:5-7).

- Com a dispersão da comunidade única pós-diluviana após o juízo de Babel (Gn.11:9), naturalmente que os povos ali nascidos passaram a construir diferentes culturas, até porque a língua é um fator fundamental na formação de uma cultura e Deus confundiu as línguas, impondo, pois, uma diversidade cultural para o mundo.

-  As nações ali formadas, inicialmente isoladas, passaram, pouco a pouco, a manter um contacto que hoje é muito intenso e praticamente diário. Esta diversidade gera nos seres humanos a sensação de que não existe um único modo de vida, uma única forma de se viver sobre a face da Terra, a mesma impressão que toda criança sente ao ir para a escola e perceber que nem todas as famílias têm o mesmo sistema de criação e educação que ela tem em casa.

- Esta sensação, porém, não pode, em absoluto, levar-nos à conclusão de que não existem valores morais absolutos. A comunidade única pós-diluviana, de onde provêm todas as nações, tinha como fundamento moral a principiologia divina, a conduta estabelecida por Deus ao homem, desde o Éden, e que foi renovada a Noé (Gn.9:1-17), princípios que são denominados pelos estudiosos da Bíblia de “pacto noaico” e, particularmente, pelos rabinos judeus de “os sete preceitos dos descendentes de Noé” (Shéva Mitsvót Benê Nôach), a saber: praticar a eqüidade, não blasfemar o nome de Deus, não praticar idolatria, imoralidades, assassinatos e roubos e não tirar e comer o membro de um animal estando ele vivo.

- Esta principiologia básica, logicamente, em virtude do pecado, acabou sendo distorcida, como já havia sido antes do dilúvio. É tarefa da Igreja pregar o Evangelho, pregar a salvação em Cristo Jesus e, com a salvação, com o novo nascimento, nasce uma nova ética, a ética cristã, a ética estabelecida pelo Senhor, fundamentalmente, no Sermão do Monte, e complementada pelo Novo Testamento, que, com o Antigo, forma um conjunto único e completo da revelação divina à humanidade.

- Deve, portanto, a Igreja se inserir na cultura de um povo, não atacá-la nem tentar modificá-la de fora para dentro, mas, sim, inserir-se dentro da cultura de uma determinada sociedade e, ali, mediante a pregação eficaz e poderosa da Palavra de Deus, ser o instrumento para o novo nascimento das pessoas. Este novo nascimento fará com que as pessoas mudem de conduta e esta modificação trará, inevitavelmente, novos hábitos, novos costumes e a cultura será transformada, retornando-se à principiologia divina distorcida ao longo da vida pecaminosa da sociedade.

- Este processo é o que se tem denominado pelos teólogos de “inculturação”, ou seja, a Igreja, a exemplo do seu Senhor, deve, em primeiro lugar, “encarnar-se” na sociedade que está sendo evangelizada (assim como Jesus Se fez carne e habitou entre nós-Jo.1:14), “encarnação” que não tem, entretanto, qualquer sentido de conivência e prática do pecado com os integrantes da sociedade em pecado (Jesus em tudo foi tentado, mas jamais pecou!- Hb.4:15).

OBS: Por isso, temos muitas restrições a métodos de evangelização que têm surgido na atualidade. Se é necessário termos trabalhos específicos e construídos dentro da  cultura de “grupos alternativos” na sociedade, não é menos verdadeiro que não podem os crentes, sob este pretexto, praticarem as mesmas condutas pecaminosas e malignas das pessoas que devem ser atingidas pela mensagem do Evangelho.

- Depois da “encarnação”, a Igreja deve  promover a “transformação”, ou seja, assim como seu Mestre fez-Se carne e habitou entre nós e, depois, começou a pregar o Evangelho e a conclamar o povo ao arrependimento dos pecados, os cristãos, como corpo de Cristo, devem fazer o mesmo, mostrando, através da pregação, dos sinais que se seguem e de uma vida frutífera (Mc.16:15,20; Jo.15:16), que, em Cristo, se é uma nova criatura (II Co.5:17; Gl.6:15).

- Esta transformação fará, necessariamente, que haja modificação cultural naquilo que não é compatível com a Palavra de Deus. A Igreja, então, faz com que haja uma “recriação” da vida social, com a conformação não mais com o pecado e o mundo, mas com a vontade de Deus, o que, aliás, é historicamente comprovado, pois mesmo os maiores inimigos do Evangelho reconhecem, como é o caso de Karl Marx, que a doutrina cristã efetuou grandes transformações sociais.

- Percebe-se, portanto, que não existem “várias morais” nem que a “moral depende de cada sociedade”, como se tem defendido ultimamente e é praticamente um consenso no mundo em que vivemos, mas, antes, que existe uma ética que está acima das culturas e que a diversidade cultural em nada altera a realidade de princípios morais absolutos. A diversidade cultural existe e é obra de Deus, mas a existência de valores morais universais, válidos para todos os homens, pois decorrente de uma determinação divina a toda a humanidade, é também uma realidade presente e inafastável.

VI – O CRENTE E OS PRINCÍPIOS BÍBLICOS DE COMPORTAMENTO

- Pelo que temos afirmado, vemos que o verdadeiro e genuíno servo do Senhor deve, diante destas idéias que querem afirmar que “tudo é relativo”, olhar para o Senhor e para a Sua Palavra, porquanto não há como deixar de reconhecer que Deus estabeleceu normas éticas a serem seguidas pelo homem. O homem é criação divina e, conquanto tenha obtido uma posição de destaque com relação à criação sobre a Terra (Gn.1:26,28), não foi posto acima de Deus em hipótese alguma. Deus é quem dá as ordens ao homem (Hb.2:16) e, portanto, cabe ao homem, se quiser desfrutar da felicidade que lhe foi oferecida pelo seu Criador, seguir os preceitos estabelecidos pelo Senhor e que lhe foram tornados conhecidos pela Palavra de Deus.

- No Salmo 119, cujo tema é precisamente a Palavra do Senhor, vemos que só ela pode ser a única regra de fé e prática para o ser humano. A felicidade, a bem-aventurança encontra-se, diz o salmista, em se “trilhar os caminhos retos e andar na lei do Senhor” (Sl.119:1). Quem anda nos caminhos do Senhor, não pratica a iniqüidade (Sl.119:3) e, por isso, não está separado de Deus, gozando, assim, de plena comunhão com o Senhor, que nada mais é que a vida eterna.

- Deus é quem ordena as normas pelas quais nos devemos guiar (Sl.119:4), desde a nossa mais tenra idade (Sl.119:9) até o ocaso da nossa existência sobre a face da Terra(Sl.119:100), existência que não termina com a morte física, como ensinaram falsamente os existencialistas ou os materialistas. Na Terra, estamos, sim, de passagem (Sl.119:19), mas temos convicção de que Deus nos amou e proporcionou a nossa salvação (Sl.119:41), salvação que vem, precisamente, pelo ouvir pela Palavra de Deus. Esta salvação dá-nos a convicção e certeza de uma eternidade com Deus, não havendo mais a angústia e o temor decorrentes da morte, que justificariam a “liberdade” defendida por Sartre (Sl.119:44,50). Aliás, como explica o salmista, a única liberdade possível para o homem é aquela obtida por se viver segundo a Palavra do Senhor (Sl.119:45).

- O servo do Senhor deve seguir os valores absolutos determinados por Deus mesmo quando forem zombados pelos orgulhosos, ou seja, aqueles que rejeitam a soberania divina (Sl.119:51) e não só praticar o que mandam as Escrituras Sagradas, como mostrar-se indignado com a rebeldia ostentada pelos pecadores inveterados  e contumazes (Sl.119:53) até porque é próprio dos ímpios combaterem a conduta lícita e ética dos servos de Deus (Sl.119:61,69, 78, 85, 86, 122).

- Diante do relativismo moral que predomina na atualidade, o cristão deve estabelecer sua conduta segundo os mandamentos ordenados pelo Senhor, que devem ser aceitos e obedecidos (Sl.119:91). É tarefa de cada filho de Deus pautar por uma conduta que demonstre a supremacia dos valores estabelecidos por Deus e que devem ser seguidos por todos os seres humanos. Disto, aliás, tinha consciência o chefe da Igreja Romana, que, no pronunciamento supramencionado, afirmou que “…Nós, porém, temos uma outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É Ele a medida do verdadeiro humanismo: ‘Adulta’ não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente arraigada na amizade com Cristo. É esta amizade que se abre a todo que é bom e se dá o critério de discernir entre o verdadeiro e o falso, entre o engano e a verdade. Esta fé adulta devemos amadurecer, a esta fé devemos guiar o rebanho de Cristo. E é esta fé — só a fé — que cria unidade e se realiza na caridade. São Paulo oferece-se a este propósito — em contraste com as aventuras de cores que são como espumas flutuantes das ondas — uma boa palavra: fazer a verdade na caridade, como fórmula fundamental da existência cristã. Em Cristo, coincidem a verdade e a caridade. Na medida em que nos aproximamos a Cristo, também na nossa vida, verdade e caridade se fundem. A caridade sem verdade será cega, a verdade sem caridade como “um sino que tine” (I Co.13:1).…” (RATZINGER, Joseph. Homilia da Missa Eligendo Pro Romano Pontifice, 18 abr. 2005) (tradução nossa de texto oficial em italiano).

- Se alguém que não desfruta de vera comunhão com o Senhor tem tamanha visão de como devemos nos guiar em tempos de relativismo moral, como devemos, então, reagir a esta circunstância em que as pessoas insistem em dizer que não há uma moral absoluta? Aos que insistem em renegar que existe a Verdade, a Verdade que é Jesus (Jo.14:6), verdade que nos santifica, pois é a Palavra de Deus (Jo.17:17). Devemos ter a mesma reação que teve nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, cujo exemplo devemos seguir (I Pe.2:21), ou seja, viver de acordo com a vontade de Deus (Jo.17:4), não pecar (Hb.9:28). Que cada um de nós possa ser um verdadeiro imitador de Cristo e não nos deixemos levar pelo relativismo moral (I Co.11:1).

OBS: Reproduzimos, aqui, por ser absolutamente pertinente, as palavras do grande pregador inglês Charles Spurgeon: “…Algumas coisas são verdadeiras e algumas são falsas. Considero isso um axioma. Mas há muitas pessoas que, evidentemente, não acreditam nisso. Parece que o princípio vigente na era atual é este: ‘ As coisas são verdadeiras ou falsas, conforme o ponto de vista do qual as olhamos. O preto é branco, e o branco é preto, segundo as circunstâncias; e não importa muito como as denominemos. É certo que a verdade é verdadeira, mas seria descortês dizer que o seu oposto é mentira. não devemos ter mentalidade estreita e, sim, lembrar o moto: ‘Tantos homens, tantas mentes’. Os nossos antepassados eram decididos quanto a manter marcos. Tinham vigorosas noções sobre pontos fixos da doutrina revelada, e se apegavam tenazmente àquilo que acreditavam ser escriturístico. Seus campos eram protegidos por cercas e valas, mas seus filhos arrancaram as cercas, encheram as valas, nivelaram tudo e brincaram de pular carniça com as pedras que marcavam os limites. A escola moderna de pensamento ri-se do ‘ridículo’ caráter positivo dos reformadores e dos puritanos. Vai avançando em ‘gloriosa’ liberalidade, e não vai demorar muito, estarão proclamando uma grande aliança entre o céu e o inferno, ou melhor, o amálgama dos dois estabelecimentos em termos de concessão mútua, permitindo que a falsidade e a verdade se deitem lado a lado, como o leão com o cordeiro. Todavia, apesar disso, minha firme crença antiquada é que uma doutrinas são verdadeiras, e que afirmações que sejam diametralmente opostas a ela não são verdadeiras — que quando ‘Não” é o fato, ‘Sim” está fora do páreo, e que quando ‘Sim” é justificável, ‘Não” tem que ser abandonado.…” (SPURGEON, Charles. Lições aos meus alunos. Trad. Odayr Olivetti, p.45).

As portas do inferno – Subsídios

SUBSÍDIOS

  • As portas do inferno - 1
  • As portas do inferno - 2
  • As portas do inferno – 2

    www.escoladominical.com

    TEMA – Tempos trabalhosos: como enfrentar os desafios deste século

    COMENTARISTA : Elinaldo Renovato de Lima

    ESBOÇO Nº 7

    LIÇÃO Nº 7 – AS PORTAS DO INFERNO

                                       A Igreja sempre sofrerá a oposição das portas do inferno em sua peregrinação rumo a Jerusalém celestial.

    INTRODUÇÃO

    - Ao revelar o grande mistério que estava oculto desde o princípio dos séculos, ou seja, a Igreja (Ef.3:4,5), o Senhor Jesus logo deixou claro que o que acompanharia a Sua Igreja sobre a face da Terra seria a oposição das hostes espirituais da maldade (Mt.16:18), que chamou de “portas do inferno”.

    - O cristão tem de estar plenamente consciente que, apesar de termos prometidas todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (Ef.1:3), são inevitáveis, inafastáveis e certas as aflições enquanto estivermos nesta Terra (Jo.16:33; At.14:22), promovidas pelo adversário de nossas almas, mas, se perseverarmos até o fim, seremos vencedores (Mt.10:22; 24:13; Mc.13:13; Jo.16:33; II Tm.4:7,8; I Jo.5:4).

    I – O QUE SÃO AS PORTAS DO INFERNO

    - O título de nossa lição é diretamente retirado da chamada “declaração de Cesaréia”, como é conhecida pelos estudiosos da Bíblia a revelação de Jesus a respeito da Igreja, que está em Mt.16:18. Após o próprio Pai ter revelado a Pedro que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus vivo (Mt.16:16), Jesus, então, revela o grande mistério que estava oculto desde antes da fundação do mundo, qual seja, o de que Deus iria formar, de judeus e gentios, um povo espiritual, um povo que teria comunhão com Ele, porque teria o perdão dos seus pecados e, assim, se reconciliaria com o seu Deus, vivendo com Ele eternamente (Ef.3:3-6).

    - A revelação da formação deste povo, a Igreja, era algo que, até então, era desconhecido de todos os seres do universo, era um segredo de Deus que havia sido guardado até aquele instante para ser revelado para a humanidade. Assim como Pedro havia recebido uma revelação do Pai que lhe permitiu identificar em Cristo o Filho de Deus vivo, o Salvador, assim também todo e qualquer homem poderia ter acesso ao Pai, mediante o Filho, pela comunhão com o Espírito Santo, restabelecendo-se aquele estado de convivência entre Deus e o homem que havia sido destruído pela entrada do pecado no mundo.

    - Ninguém sabia, até então, que Deus criaria um povo Seu, especial, zeloso de boas obras, um povo que teria comunhão com Ele, por causa da derrubada da parede de separação, que era o pecado (Is.59:2; Ef.3:14:14-16). Nem mesmo o adversário de nossas almas tinha conhecimento desta estratégia divina, visto que este intento divino não havia sido manifestado aos homens (Ef.3:5), o que o impedira de saber, já que o diabo não é onisciente. O que Satanás sabia era que Deus enviaria o Seu Filho para a salvação do homem, mas desconhecia, por completo, que tal salvação se daria mediante a criação de um novo povo, de uma nova nação, que teria acesso ao Pai em um mesmo Espírito, por meio do Filho (Ef.3:18).

    - Não foi por outro motivo, pois, que Jesus, assim que revelou este mistério, que passou a ser conhecido não só dos homens, mas, também, dos anjos de Deus e do diabo e seus anjos maus, que o Senhor Jesus, de imediato, sabedor da oposição que sempre faz o adversário à obra de Deus (por isso seu nome é Satanás, que significa “adversário”, “opositor” em hebraico), fez questão de observar que esta Igreja haveria de ter uma companhia indesejada, mas inevitável enquanto estivesse sobre a face da Terra: as portas do inferno.

    - É oportuno verificar, nesta declaração de Jesus, o foco divino no que tange à obra de Deus e ao papel da Igreja, foco este que se tem perdido nestes tempos trabalhosos em que vivemos. Ao anunciar o “mistério de Cristo”, Jesus poderia ter, como se costuma dizer, ter “dourado a pílula”, ou seja, ter anunciado algumas promessas para esta Igreja, povo abençoado e que tem um sem-número de promessas na Palavra de Deus.

    - Jesus poderia, por exemplo, ter dito que a Igreja seria edificada por Ele e moraria eternamente com o Senhor na nova Jerusalém, como, aliás, consta das Escrituras em Ap.21:3. Poderia, também, ter dito que a Igreja receberia o revestimento de poder para ser testemunha dEle diante dos homens, como o próprio Jesus anunciou instantes antes de Sua ascensão aos céus (At.1:8) ou, ainda, que a Igreja faria obras maiores que as que seriam realizadas no ministério terreno do Senhor (Jo.14:12). Seriam declarações verdadeiras e animadoras para este povo, cuja existência era revelada naquele momento sublime da história do plano divino para a salvação.

    - Entretanto, ao contrário de muitos “pregadores” dos tempos trabalhosos, Jesus não se importava em “animar”, “incentivar” ou “estimular” o Seu auditório, para criar um “clima psicológico favorável” para a manifestação do Espírito Santo. Jesus tinha um compromisso muito mais sério e importante, tinha consciência da Sua responsabilidade diante do Pai, que era o de fazer a vontade do Pai, a razão de ser de Sua vida, a ponto de ter denominado de a “Sua comida” (Jo.4:34), como a indicar que a Sua sobrevivência sobre a face da Terra somente se dava por causa deste propósito de cumprir a vontade de Seu Pai.

    - Diante desta consciência de Seu papel na obra do Pai, Jesus, de imediato, ao revelar o surgimento da Igreja, de pronto salientou que o que caracterizaria a vida de um cristão seria a oposição das portas do inferno contra si, a luta incessante contra as hostes espirituais da maldade, como diria, anos mais tarde, o apóstolo Paulo (Ef.6:12). Se alguns cristãos são menos abençoados do que outros, em termos materiais, se uns têm uma longa vida de comunhão com Cristo e outros apenas alguns instantes (como o ladrão da cruz), uma coisa é certa: todos sofrerão a oposição das “portas do inferno”, todos terão de enfrentar uma batalha renhida contra as forças malignas que, em todos os setores da “vida debaixo do sol”, estarão sempre sendo utilizados para tentar nos impedir de chegar aos céus.

    - A expressão “portas do inferno” constante das Versões Almeida (Revista e Corrigida, Revista e Atualizada, Fiel e Corrigida, Edição Contemporânea),  da Versão do Pe. Antonio Pereira de Figueiredo, da Bíblia na Linguagem de Hoje, da Versão dos Monges de Mardesous, é traduzida por “portas do Hades” na Nova Versão Internacional, na Bíblia de Jerusalém, na Tradução Brasileira e na Tradução da Imprensa Bíblica Brasileira, por “potência da morte” na Tradução Ecumênica Brasileira, por “forças do inferno” na Bíblia Viva, por “poder da morte” na Edição Pastoral e por “morte” na Nova Tradução na Linguagem de Hoje. A expressão grega é “púlai hadou” (πύλαι άδου), ou seja, literalmente “portas do Hades”.

    - Esta expressão, como ensina R.N. Champlin, “…era uma expressão oriental para indicar a corte, o trono, o poder e a dignidade do reino do mundo inferior. No V.T. (como aqui no texto), indica o poder da morte. A idéia principal é que a igreja nunca será destruída por qualquer poder, nem mesmo pela morte ou pelo resultado da morte, nem pelo reino do mal. A igreja é eterna; a morte, ou qualquer outro poder oculto e perverso, jamais poderão ser vitoriosos sobre ela…” (O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, v.1, p.447, com. Mt.16:18).

    - Para os comentaristas da Bíblia de Jerusalém, “Hades” designa a “morada dos mortos” e “…as suas ‘portas’ personificadas evocam as potências do Mal que, depois de terem arrastado os homens à morte do pecado, os encadeiam definitivamente na morte eterna. Seguindo o seu Mestre que morreu, ‘desceu aos infernos’ (I Pe.3:19) e ressuscitou 9At.2:27,31), a Igreja deverá ter por missão arrancar os eleitos ao império da morte temporal e, sobretudo, eterna, para conduzi-los ao Reino dos Céus (cf Cl.1:3, I Co.15:26; Ap.6:8; 20:13)…” (BÍBLIA DE JERUSALÉM, nota “a”, p.1734). Como afirmam os comentaristas da Tradução Ecumênica Brasileira, “…O Hades não conseguirá reter na morte os membros da comunidade messiânica congregada por Jesus…” (BÍBLIA TRADUÇÃO ECUMÊNICA BRASILEIRA, nota “o”, p.1890-1).

    - Os comentaristas da Bíblia de Estudo Plenitude afirmam que “…a expressão portas do inferno significa que ‘o poder da morte’ não pode evitar o avanço do Reino, nem reivindicar vitória sobre aqueles que pertencem a Deus…” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, com. Mt.16.18, p.971). Para os comentaristas da Bíblia de Estudo NVI, “…as ‘portas do Hades’ podem significar os ‘poderes da morte’, i.e., todas as forças opostas a Cristo e a Seu reino…” (BÍBLIA DE ESTUDO NVI, com. Mt.16:18, p.1644).

    - O comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal afirma, por sua vez, que “…as ‘portas do inferno’ representam Satanás e a totalidade do mal no mundo, lutando para destruir a igreja de Jesus Cristo” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, com. Mt.16:18, p.1421); Matthew Henry, o grande comentarista bíblico inglês, assim também entendeu, ao dizer que “…as portas do inferno são os poderes e políticas do reino do diabo, a cabeça e os chifres do dragão, pelos quais ele faz guerra contra o Cordeiro; tudo o que provém das portas do inferno, tendo sido produzido e tramado lá. Elas lutam contra a igreja através da oposição das verdades do evangelho, da corrupção das ordenanças do evangelho, através da perseguição dos bons ministros e dos bons cristãos, pressionando ou dirigindo, persuadindo por astúcia ou forçando por crueldade, aqueles que são inconsistentes com a pureza da religião, este é o desenho das portas do inferno, para arrancar o nome da Cristandade (Sl.83:4), para devorar o Filho do homem (Ap.12:9), para destruir completamente esta cidade.…” (HENRY, Matthew. Matthew Henry Complete Commentary on the Whole Bible. Disponível em: http://bible.crosswalk.com/ Commentaries /MatthewHenryComplete/mhc-com.cgi?book=mt&chapter=016 Acesso em 29 mar. 2007) (tradução nossa de texto em inglês).

    - Na Bíblia de Estudo de Genebra de 1599, as “portas do inferno” são comparadas às “fortalezas”, mencionadas por Paulo em II Co.10:4, sendo consideradas como “…os inimigos da Igreja [que] são comparados a um reino forte, e, conseqüentemente, por ‘portas’ são mencionadas cidades que se fazem fortes com preparação sábia e fortificações, e este é o significado: tudo o que Satanás pode fazer por astúcia e por força…” (BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA, com. Mt.16:18, nota “m”. Disponível em: http://bible.crosswalk.com/Commentaries/GenevaStudyBible/gen.cgi?book=mt&chapter=016 Acesso em 29 mar. 2007) (tradução nossa de texto em inglês). É este também o sentido dado por John Wesley, que, em suas Notas Explanatórias das Escrituras, afirma que “…como as portas e as muralhas eram a força das cidades, e como as cortes de justiça se reuniam nas portas, esta frase propriamente significa o poder e a política de Satanás e seus instrumentos.…” (WESLEY, John. John Wesley’s Explanatory Notes on the Whole Bible. Disponível em: http://bible.crosswalk.com/Commentaries/WesleysExplanatoryNotes /wes.cgi?book=mt&chapter=016 Acesso em 29 mar. 2007) (tradução nossa de texto em inglês).

    - Pelo que podemos observar, pois, as “portas do inferno” constituem-se no conjunto das forças e estratégias utilizadas pelo inimigo de nossas almas, o “deus deste século” (II Co.4:4), o “príncipe deste mundo” (Jo.12:31; 14:30; 16:11), a fim de impedir o avanço da Igreja, e da obra que tem a realizar para o Senhor enquanto Ele não vem arrebatá-la. O aumento da operação das “portas do inferno” nestes tempos trabalhosos em que vivemos é mais um dos desafios que se apresentam ao povo de Deus.

    II – A PERSEGUIÇÃO DAS AUTORIDADES: O PODER POLÍTICO CONTRA A IGREJA

    - O ilustre comentarista selecionou para esta lição a perseguição como tema, estabelecendo a “perseguição” como a forma de manifestação das “portas do inferno”. Não resta dúvida de que a perseguição é uma das armas utilizadas pelo adversário para tentar impedir o avanço da Igreja, mas não é tão somente através dela que se identificam as “portas do inferno”. É interessante observamos que há, no texto sagrado, uma pluralidade, seja na expressão “portas do inferno”, como nas expressões correlatas que se referem à atuação maligna contra a Igreja, como “fortalezas” (I Co.10:4), “hostes espirituais da maldade” (Ef.6:12) ou “ardis” (II Co.2:10,11).

    - A pluralidade de ações é algo que é inerente à atuação do adversário, pois ele é a “mais astuta de todas as alimárias do campo” (Gn.3:1), o pai da mentira (Jo.8:44), um ser que não tem firmeza, que vive a vaguear (Jó 1:7), volúvel e que tem como especialidade a variedade, visto que as mentiras podem ser muitas, sendo única tão somente a verdade, que é um elemento ausente de seu caráter. Assim, não é apenas pela perseguição que se apresentam as “portas do inferno”, mas, também, de modo muito mais sutil do que a perseguição disfarçada. Por isso, além deste modo de demonstração das “portas do inferno”, que é o tema e objeto dos comentários das Lições Bíblicas, trataremos de outros, ainda que de modo sucinto, até diante das lições que ainda estão por vir.

    - Quando Jesus nos fala que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”, indica-nos, de pronto, que há uma oposição entre a Igreja e as “portas do inferno”, que haveria uma luta entre uma e outra. Como corpo de Cristo (I Co.12:27), a Igreja tem de prosseguir a obra realizada pelo Senhor Jesus em Seu ministério terreno e Jesus veio ao mundo para “andar fazendo bem e curar a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At.10:38), “desfazer as obras do diabo” (I Jo.3:8). Assim, como pode o diabo estar a favor da Igreja, se a missão desta é desfazer tudo quanto ele tem feito, livrar os homens da escravidão do pecado e das cadeias por ele impostas por intermédio do domínio da carne sobre o homem?

    - A investida de Satanás contra a Igreja começou no mesmo dia da declaração de Cesaréia, pois o diabo não se cansa de acusar, noite e dia, os salvos (Ap.12:10). O primeiro a ser atacado foi a própria cabeça da Igreja, aliás o único membro da Igreja até então. Logo depois que Jesus revelou o mistério da Igreja, começou a dizer aos discípulos que seria necessária a Sua morte e ressurreição para que a Igreja se formasse, para que houvesse salvação(Mt.16:21) e o diabo usa a boca do próprio Pedro, o mesmo que havia sido instrumento do Pai, para tentar dissuadir o Senhor de Seu intento. Através de Pedro, o inimigo tentou criar em Jesus um sentimento de auto-piedade, de auto-compaixão, que o impedisse de renunciar a si mesmo e de levar avante o projeto divino da salvação. Jesus repreendeu o inimigo de pronto, dizendo que Satanás servia de escândalo, de tropeço para Cristo e que ele só compreendia as coisas dos homens, mas não as de Deus (Mt.16:22,23).

    - Já no ensinamento de Cristo, vemos que o trabalho da salvação do homem, que é a obra de Jesus, hoje anunciada pela Igreja, teria a oposição de pessoas que, usadas pelo adversário, se levantariam contra o povo de Deus, pessoas que seriam “grandes” na sociedade, pessoas dotadas de posição social e de autoridade, com poder de ditar as leis, de suprimir a liberdade e, muitas vezes, até a própria vida dos cristãos. Jesus disse que deveria ir a Jerusalém, a capital dos judeus, a cidade do poder judaico então existente e “padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas”. Jesus teria de sofrer nas mãos das autoridades civis, religiosas e intelectuais. Como diz conhecido cântico, “assim como fizeram ao meu Mestre, me odeiam porque eu O aceitei” (Jo.15:20).

    - “Perseguição” é o “ato de seguir até o fim, instar, reclamar, buscar, procurar, prosseguir, continuar”, sendo uma palavra que vem do latim “persequor”, que, por sua vez, vem da raiz “sequ”, que tem a idéia de “que segue assiduamente, que prossegue sem descanso; que não larga, que não descontinua”, ou, numa expressão bem popular, “que não larga do pé”. Desde o anúncio da “declaração de Cesaréia”, o adversário não “larga do pé” da Igreja, não descansa em seu intento de matar, roubar e destruir a noiva do Cordeiro (Jo.10:10).

    - Assim que uma pessoa aceita a Cristo e passa a pertencer à Igreja, passa a ter em seu encalço o adversário, que não descansa enquanto não conseguir tirar esta pessoa da luz, trazendo-a de volta para as trevas. É uma luta incansável do adversário e, por isso, o Senhor nos manda ter bom ânimo, pois não podemos nos cansar. O diabo não cansa, dia e noite vive a nos acusar, a tentar nos fazer abandonar a jornada. Mas, temos de ter confiança em Cristo, pois o diabo não consegue arrebatar aqueles que estão nas mãos do Senhor (Jo.10:28), embora o Senhor nunca impeça alguém de, voluntariamente, deixar os Seus caminhos.

    - A “perseguição” dá-se, em primeiro lugar, por intermédio da utilização da autoridade. Jesus tinha de ir a Jerusalém, a capital da Judéia, a sede do poder, onde estavam os “anciãos”. O poder político é uma das armas usadas pelo adversário para tentar derrotar a Igreja. Não nos esqueçamos de que a expressão de Jesus é “portas do inferno” e que as portas, como vimos supra, falava das autoridades de uma cidade, do poder de uma cidade daquele tempo. Nas portas, estavam as defesas (cfr. Ne.7:3- autoridade militar) e os juízes para julgar (cfr. Rt.4:1,2 – autoridade judiciária).

    - Conquanto o poder político não seja em si um mal, pois é algo estabelecido por Deus (Rm.13:1,2), o fato é que, desde o início da história da humanidade, o homem, desvirtuado pelo pecado, tem feito deste poder político um instrumento de sua rebeldia contra Deus, querendo, com ele, tornar-se grandioso e poderoso na Terra (Gn.10:8), através dele se considerar auto-suficiente e de posse dele sentir-se alguém que pode menosprezar o Senhor (Ex.5:2). Tanto assim é que as próprias Escrituras nos mostram que há um sistema político alheio e rebelde ao Senhor, representado pela estátua do sonho do rei Nabucodonosor, interpretado por Daniel (Dn.2), chamado no Apocalipse de Babilônia (Ap.18:2) e que, por se ter construído em rebeldia ao Senhor, está a serviço do inimigo para tentar impedir o avanço da Igreja.

    - Desde o início da história da Igreja, temos visto a utilização do poder político para tentar impedir a pregação do Evangelho, que é a tarefa primordial da Igreja. Ainda em Jerusalém, a igreja primitiva recebeu a ordem de não mais pregar o Evangelho do Sinédrio, o principal órgão judaico daquele tempo (At.4:18), ordem que, logicamente, não foi atendida, visto que mais importa obedecer a Deus do que aos homens (At.5:29).

    - A perseguição feita pelo poder político traz inúmeros sofrimentos à Igreja. Por causa do desatendimento da ordem do Sinédrio, os discípulos foram presos (At.5:18), açoitados (At.5:40) e até mortos, como ocorreu com Estêvão(At.7:58-60) e Tiago, o filho de Zebedeu (At.12:1,2). Que dizer, então, da perseguição sofrida pelos cristãos, que foram obrigados a sair de Jerusalém (At.8:1)? E os milhares de cristãos mortos durante as dez perseguições do Império Romano, profetizadas em Ap.2:10?

    - A perseguição do poder político para impedir a pregação do Evangelho ainda prossegue em nossos dias, mesmo diante das grandes conquistas relacionadas com a proteção e o reconhecimento dos direitos fundamentais da pessoa humana. Ainda hoje, em pleno século XXI, pessoas são presas, torturadas e mortas única e exclusivamente porque professam o nome do Senhor Jesus, como se pode ver em boa parte dos países muçulmanos. Temos de orar por estes irmãos, os mártires destes tempos trabalhosos, bem como colaborar com iniciativas como as da “Missão Portas Abertas” (www.portasbaertas.org.br) , que tem sido uma grande arma da Igreja na ajuda à igreja perseguida.

    - Mas a perseguição não se dá apenas pelo uso da força bruta, da proibição clara e objetiva de pregação do Evangelho, máxime nos dias trabalhosos em que vivemos, onde as sutilezas do inimigo estão mais aguçadas do que nunca, em que, como dissemos no início deste trimestre letivo, o inimigo não se apresenta ameaçador, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (I Pe.5:8), mas como a astuta e quase imperceptível serpente (Gn.3:1), que, sorrateiramente, se insere no meio do povo de Deus e prepara, com muito cuidado, o seu bote fatal.

    - Muitas vezes, o inimigo não se apresenta violentamente,  com penas cruéis e violentas contra os servos do Senhor, mas se utiliza do poder político para minar, de modo sutil e sorrateiro, o povo de Deus, enfraquecendo-o sem que ele o possa perceber. Nos dias do apóstolo Paulo, o procônsul romano Sérgio Paulo mostrava-se simpático à Palavra de Deus, mas era impedido de dar um passo em direção a Jesus Cristo porque Elimas, o encantador, resistia, de modo sorrateiro e oculto, não permitindo que o procônsul ouvisse o Evangelho. Elimas jamais poderia agir de forma violenta, pois, além de não ter autoridade para tanto, estava diante de um varão prudente, como era o procônsul. Entretanto, ao perceber, pelo discernimento espiritual, o que se passava, Paulo não titubeou e desmascarou a artimanha deste “filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça”(At.13:8).

    - A “perseguição silenciosa, astuta, camuflada” é a mais dura de todas as perseguições, porque não é aparente, não traz repugnância aos olhos da sociedade e se apresenta como algo normal e compreensível. “…As crueldades gentílicas não prejudicarão os cristãos; ao contrário, ‘o sangue dos cristãos é como semente que brota’…”, dizia Tertuliano (150/55-222), o grande apologista cristão. Se as dez perseguições romanas aumentaram o número de cristãos, a perseguição sutil, camuflada praticamente destruiu a Igreja, depois que foi instituída por Constantino, o imperador que decretou o “Édito da Tolerância”, norme bem apropriado para a lei que permitiu que os cristãos tivessem liberdade de culto no Império Romano, datado de 313.

    - O “Édito da Tolerância” de Constantino é o protótipo da “perseguição camuflada”. Através deste tipo de perseguição, não se proíbe a Igreja de pregar o Evangelho e de cultuar a Deus, mas, sim, de combater o pecado. Vivemos um período similar. A Igreja não é proibida de servir a Deus, de pregar o Evangelho, mas é proibida de combater o pecado. O poder político é ardilosamente orientado pelo inimigo de nossas almas para impedir que o pecado seja combatido.

    - A idéia básica da “perseguição camuflada” é a pregação da “tolerância máxima”, ou seja, a elaboração de leis, regras e regulamentos que exijam das pessoas a “máxima tolerância”, tolerância não entendida como o respeito ao livre-arbítrio das pessoas, o que é um comportamento que todo servo do Senhor deve ter, uma vez que Deus criou o homem com o livre-arbítrio e o respeita, mas, sim, de consentimento e concordância com o pecado, algo impossível para quem tem o Espírito de Deus(Jo.14:17; Rm.8:9), o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus (Fp.2:5), Espírito e sentimento que fazem com que o servo de Deus abomine o pecado (Zc.13:1; Rm.6:2; Hb.12:4; I Jo.3:8).

    - O poder político tem sido utilizado para que as pessoas sejam obrigadas a consentir e concordar com o pecado, sejam impedidas de combater contra o pecado. Sob o nome de “tolerância”, de “democracia” e até mesmo de “proteção aos direitos fundamentais da pessoa humana”, inúmeras iniciativas têm procurado forçar as pessoas a aceitar o pecado, a consentir com a sua prática, quando não se está a estimulá-la.

    - Assim, por exemplo, recentemente em nosso país, iniciou-se uma campanha para a aprovação do crime de homofobia, criminalizando, na prática, toda e qualquer manifestação contrária ao homossexualismo. Ora, que é isto senão uma demonstração da “perseguição camuflada” contra a Igreja? A Igreja tem a obrigação de dizer ao mundo que a Palavra de Deus condena a prática do homossexualismo voluntário, que esta atitude é, aos olhos de Deus, o ápice da rebeldia do homem contra o seu Criador (Rm.1:26-28). Apesar de ser direito fundamental da pessoa humana a liberdade de manifestação do pensamento, tenta-se impedir a pregação contra o homossexualismo, enquanto que a pregação contra o heterossexualismo continuará sendo livre e ilimitada. Que é isto senão a utilização do poder político para se impedir a pregação da Palavra de Deus, a tarefa da Igreja?

    OBS: Recomendamos a leitura do artigo “A nova religião nacional”, do filósofo Olavo de Carvalho, na seção Reflexões do Portal Escola Dominical, a respeito do assunto. Trata-se de um artigo de uma pessoa que não professa a fé cristã mas que mostra, com argúcia e inteligência, de modo secular, como se está diante de uma verdadeira perseguição religiosa, ainda que camuflada.

    - Passou-se a considerar que a defesa da Palavra de Deus e de seus valores e princípios, sem qualquer tolerância com o pecado, é uma atitude de “fundamentalismo religioso”. Sob este nome, o inimigo tem alardeado e convencido muitas pessoas que os defensores de uma autêntica vida cristã são tão nocivos e perniciosos quanto os terroristas do chamado “fundamentalismo islâmico”. A utilização, aliás, da mesma palavra (“fundamentalismo”) já faz parte da estratégia do adversário de criar ojeriza e repugnância da sociedade a tudo quanto representar a defesa da Bíblia Sagrada e do seu teor. Vivemos dias em que todo aquele que diz que não há comunhão entre a luz e as trevas e que quem não aceitar a Cristo sofrerá a morte eterna é considerado um elemento “intolerante”, “preconceituoso”, “ignorante” e “indigno de conviver ou ter sucesso na sociedade”. A discriminação contra este “tipo de gente” é evidente e não é considerada atentatória aos direitos humanos, mas uma “atitude civilizada e pós-moderna”. Tem-se, assim, uma evidente perseguição religiosa, ainda que camuflada, mais uma atuação das “portas do inferno”.

    - Que deve o servo do Senhor fazer diante de um quadro de perseguição camuflada? Agir como agem os nossos irmãos em Cristo da igreja abertamente perseguida, como agiram os irmãos da igreja primitiva e dos outros períodos da história da igreja. Temos de combater o bom combate ((II Tm.4:7). Apesar de toda a oposição, continuar a proclamar e a viver o que diz a Palavra de Deus, não titubear nem vacilar, mas seguir em frente dizendo que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva para o céu. Dizer que pecado é pecado, que Deus ama o pecador, mas abomina o pecado e que há uma solução para o pecado do homem: crer em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29).

    - Se, por causa da manutenção da fé em Deus e na Sua Palavra, viermos a ser discriminados, ridicularizados e a “perseguição camuflada” tornar-se perseguição aberta, o servo do Senhor deve exultar e se alegrar, porque é grande o galardão nos céus (Mt.5:12), regozijar-se de ter sido julgado digno de padecer afronta pelo nome de Jesus (At.5:41).

    - Sabemos que não é fácil uma atitude destas, mas o genuíno e autêntico servo do Senhor tem de ter este sentimento. Como dissemos, Jesus, logo após ter feito a “declaração de Cesaréia”, ensinou aos discípulos que deveria padecer e morrer para cumprir a vontade de Deus e o inimigo, imediatamente, usando a boca de Pedro, procurou criar no Senhor um sentimento de auto-comiseração. O verdadeiro servo do Senhor Jesus não tem pena de si mesmo, não se coloca à frente da vontade de Deus, mas se nega a si próprio e toma a cruz (Mc.8:34; Lc.9:23). Quem não toma a sua cruz e não segue após o Senhor,  quem ama mais a si ou a outrem do que ao Senhor não é digno do Senhor (Mt.10:37,38).

    - A pressão exercida pelo mundo sobre cada servo do Senhor para que ele “deixe de ser fanático”, “faça uma trégua com o pecado”, “seja tolerante com o pecado” tem sido intensa, é cada vez maior. Como a perseguição camuflada não se apresenta violenta, não é sanguinária, tem aparência de civilidade, consegue ser muito mais forte do que a perseguição aberta. Quem não se revolta ao ver cenas de incêndio de templos de igrejas, de condenações à morte de pessoas somente por causa da pregação do Evangelho? No entanto, quantos não estão indiferentes e até defendem atitudes de “repressão ao fundamentalismo”, como as que têm sido feitas na atualidade?

    - Os “anciãos” dos nossos dias, os governantes têm sido facilmente induzidos pelo adversário de nossas almas a tomar iniciativas simpáticas a movimentos que, embora minoritários na sociedade, têm se organizado eficaz e eficientemente e, por intermédio da propaganda e da mídia, têm conseguido o consentimento da “maioria silenciosa” e, com isso, criado inúmeros obstáculos à pregação do Evangelho. Verdade é que, em muitos casos, têm tido, também, a ajuda de muitos servos do Senhor que, na sua simplicidade e, quiçá, teimosia, têm aberto inúmeras brechas para que o adversário penetre e destrua grandes oportunidades de evangelização, como, por exemplo, nos abusos relacionados com a poluição sonora e visual, que têm permitido o surgimento de legislações que têm sensivelmente prejudicado as igrejas locais.

    - A pressão social exercida contra o “fundamentalismo religioso” tem levado muitos servos do Senhor a procurar um “cessar-fogo” com o pecado. Já não são poucos os que, a exemplo dos “lapsi” da época das perseguições romanas, aceitam fazer algum tipo de acordo com o perseguidor, a fim de se livrar dos inconvenientes de ser crente. Assim, conquanto digam servir a Deus, aceitam em consentir com as práticas pecaminosas, não raro também passando a praticar o pecado sob a ilusão de que Deus é compreensivo e bondoso a ponto de os perdoar. Passam a professar um “cristianismo light”, permissivo, extremamente tolerante com o pecado, passando a “se conformar com o mundo”. Passam a defender condutas como o aborto, a eutanásia, o homossexualismo, a união estável, a erotização infantil e tantas outras práticas abomináveis, única e exclusivamente para terem “paz e sossego” na sua “vida religiosa”.

    - Tal comportamento, porém, não tem qualquer respaldo bíblico. Muito pelo contrário, a Bíblia Sagrada é clara ao dizer que não há comunhão entre a luz e as trevas (II Co.6:14), até porque foi Deus quem fez esta separação (Gn.1:4). Só teremos comunhão com o Senhor se andarmos na luz, onde Ele está (I Jo.1:7). Quem é de Deus, diz o Senhor Jesus, vem para a luz e deixa as trevas (Jo.3:21), porque em Deus não há trevas nenhumas (I Jo.1:5).

    - O apóstolo Paulo diz que somente seremos verdadeiros servos do Senhor se apresentarmos os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando com este mundo, para que experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm.12:1,2). Não se conformar com o mundo é não tomar a forma deste mundo, é não aceitar a maneira de viver do mundo. Por isso, o cristão jamais pode consentir com a prática do pecado, pois são dignos de morte tanto quem pratica tais coisas, como quem consente com a sua prática (Rm.1:32).

    - Diante da “perseguição camuflada”, precisamos lutar contra as hostes espirituais da maldade, revestindo-nos da armadura de Deus, cuja arma de ataque é a espada do Espírito, que é, precisamente, a Palavra de Deus (Ef.6:17) e que tem no escudo da fé a principal arma para se defender dos dardos inflamados do inimigo (Ef.6:16). Somente confiando em Deus e nas Suas promessas, poderemos manter o bom combate contra o pecado, mesmo em meio a esta “perseguição camuflada”, mas crescente.

    III – A PERSEGUIÇÃO DAS AUTORIDADES RELIGIOSAS E DOS ESCRIBAS – O PODER RELIGIOSO E INTELECTUAL CONTRA A IGREJA

    - Mas, além dos “anciãos”, Jesus disse aos discípulos que haveria de padecer perante os “principais dos sacerdotes”, ou seja, perante as autoridades religiosas. As autoridades religiosas são, também, grandes perseguidoras da Igreja, por incrível que isto possa parecer à primeira vista.

    - A “religiosidade” é algo ínsito no homem, mas como o ser humano tem o livre-arbítrio, este sentimento religioso é facilmente desviado em seu intento, deixando de ser uma forma de se religar a Deus para se tornar na exaltação do próprio homem ou, mesmo, na adoração do inimigo de nossas almas. O pecado faz com que o homem abandone a Deus e a Sua verdade e passe a adorar deuses criados conforme a sua imaginação (Rm.1:21-23). Com o tempo, esta idolatria degenerou ainda mais, chegando, mesmo, o homem a defender como “prova de civilização” a total ausência de religião, o chamado “agnosticismo”, quando não o ateísmo explícito, quase sempre acompanhado de um materialismo, que foi, aliás, a tônica e característica da humanidade em boa parte dos séculos XIX e XX.

    - No entanto, após a grande decepção humana com o predomínio da ciência arrogante e orgulhosa de si mesma, cujo resultado foi a maior mortandade já conhecida na história da humanidade, no século XX, o homem tem procurado reavivar uma religiosidade, como têm demonstrado os movimentos religiosos surgidos nos últimos cem anos e a própria adoção, notadamente no Ocidente, de filosofias e religiões milenares como o hinduísmo, o budismo e o taoísmo. Sob o influxo do movimento Nova Era, os homens têm se considerado “deuses” e, muitos, até, têm resolvido adorar o próprio diabo, pois o século XX também trouxe, na onda da retomada da espiritualidade, o satanismo organizado e explícito.

    - Estas “autoridades religiosas”, obviamente, têm perseguido impiedosamente a Igreja. Quando não distorcem as Escrituras, com suas heresias e falsas doutrinas, atacando os crentes fiéis que se mantêm nos ensinos da Bíblia Sagrada (Bíblia esta que tem sido alvo de todo tipo de ataque dos “eruditos” e dos “iluminados espirituais”), estas “autoridades religiosas” passam a confundir as pessoas, notadamente os crentes não familiarizados com a Palavra de Deus, pregando uma auto-suficiência do homem, uma salvação por conta própria. Não cansam de dizer que “Jesus é coisa do passado”, que “já foi o tempo do Cristianismo” e que é preciso surgir um “novo sentimento religioso”, em que as “guerras religiosas e a intolerância do passado cedam lugar à harmonia, à paz, à unidade religiosa”.

    - As “autoridades religiosas” estão fechando o cerco contra a Igreja, exigindo, cada vez mais, um “sincretismo religioso”, um “ecumenismo”, a “união de todas as religiões”. As “autoridades religiosas” passam a exigir de todos os homens a aceitação de que “todos os caminhos levam a Deus” e de que “pregar que só Jesus salva é intolerância e a razão de ser de todas as guerras e mortes ocorridas em nome da religião”. Não resta dúvida de que muito se matou em nome de Deus, mas que isto se deu única e exclusivamente por causa das “autoridades religiosas”, que, aliás, em nome de Deus, mataram o próprio Deus feito homem.

    - Não são poucos os servos do Senhor que têm aceitado esta “convivência fraterna” com as “autoridades religiosas”, esquecendo-se de que a verdade não pode compactuar com a mentira. As “autoridades religiosas” têm conseguido o seu intento, obtendo uma “uniformização” dos discursos, das práticas e das crenças religiosas. As liturgias, notadamente entre os que cristãos se dizem ser, estão cada vez mais parecidas, abundando a religiosidade, o formalismo e o entretenimento e faltando a Palavra de Deus, a pregação da verdade e a transformação de vidas. As “autoridades religiosas” dos nossos dias têm conseguido calar muitos discípulos de Jesus Cristo que, em vez de procurarem obedecer a Deus, já têm deixado de divulgar a doutrina, como fizeram os apóstolos em Jerusalém (At.5:28).

    - Dentre as “autoridades religiosas”, destacamos as responsáveis pela “perseguição camuflada”, que são os “falsos doutores”, que introduzem, encobertamente, heresias de perdição no meio do povo de Deus (II Pe.2:1). Estes, camuflados, pressionarão muitos a seguir as suas dissoluções (II Pe.2:2), blasfemando o caminho da verdade, gerando descrédito, morte e perdição. Devemos ter o mesmo discernimento espiritual dos crentes da igreja de Éfeso (Ap.2:2), para não sermos levados de roldão para o mesmo destino de perdição que os aguarda (II Pe.2:3). Muitos são os que são discriminados, perseguidos e até expulsos de igrejas locais, porque “autoridades religiosas” que ali estão são “falsos doutores”.

    - Mas Jesus disse, também, que padeceria perante os escribas, que eram os estudiosos das Escrituras, aqueles que tinham conhecimento da Palavra de Deus nos dias do Seu ministério terreno. Os escribas aqui representam os “intelectuais”, os “sábios e instruídos” que, no entanto, não têm acesso, apesar de toda sua ciência, à revelação divina (Mt.11:25). Com efeito, toda a ciência humana, embora seja boa e desejável, não tem como se comparar à doutrina, ao ensino de Deus ao homem, não passando de “esterco” (Fp.3:8), ou seja, como um elemento a ajudar na fortificação do saber proveniente de Deus, que, porém, existe e subsiste independentemente deste conhecer humano.

    - Os “intelectuais”, os “sábios e instruídos” sempre foram elementos utilizados pelo inimigo para enfrentar o povo de Deus. No Egito, vemos como a ciência foi utilizada para enfrentar Israel, através dos magos (Ex.7:22, v.g.), que foram, durante algum tempo, o motivo do endurecimento do coração de Faraó.

    OBS: A propósito, não foi por acaso que Deus permitiu que Moisés fosse instruído em toda a ciência do Egito (At.7:22), pois somente alguém dotado de profundo conhecimento da ciência teria condições de enfrentar eficazmente a oposição científica.

    - A Bíblia, mesmo, fala da “falsamente chamada ciência”, cujo objetivo é tão somente se opor à Palavra de Deus (I Tm.6:20), falsa ciência, aliás, que foi objeto de estudo das duas lições anteriores. Estes “intelectuais” têm produzido, também, uma grande perseguição à Igreja, seja na organização do sistema educacional, onde tentam incutir seus princípios e valores contrários à sã doutrina na mente das crianças, adolescentes e jovens, seja na própria justificativa e estímulo às práticas pecaminosas. A “falsa ciência”, a “ciência do Egito” continua a querer mostrar que não há diferença alguma entre o viver santo e o viver pecaminoso, que as práticas pecaminosas não representam mal algum à sociedade, mas, antes, são verdadeiras provas da “evolução”, do “progresso” e da “civilização” da humanidade.

    - Não faltam, em os nossos dias, filósofos, cientistas, sumidades intelectuais que têm como única meta a “desmistificação” da Bíblia Sagrada, o “sepultamento” dos princípios e valores cristãos. Não são poucos sequer os teólogos que, sob o influxo do “liberalismo teológico”, são os primeiros a descrer nas Escrituras e no próprio Deus por elas revelado! Quanta blasfêmia tem saído de seminários e centros de estudos teológicos nos tempos trabalhosos em que vivemos! A “falsa teologia” também está crescendo e convencendo a muitos a abandonar o caminho da verdade. Mas não sejamos como aqueles que correm atrás destes “falsos doutores” para terem justificativa de suas concupiscências (II Tm.4:3,4), mas continuemos a olhar para Jesus, o autor e consumador da nossa fé (Hb.12:2). Em vez dos aplausos e do “reconhecimento intelectual”, prefiramos antes ser maltratados com o povo de Deus do que, por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito (Hb.11:25,26).

    - A perseguição intelectual tem sido terrível, não sendo poucos os servos do Senhor que, quando não conseguem ser alijados das universidades (e até mesmo dos seminários teológicos…), são duramente discriminados e têm sua produção intelectual marginalizada e ridicularizada pela comunidade científica. Enquanto isto, na base do sistema educacional, há uma luta incessante para retirar toda e qualquer referência à sã doutrina nas aulas, com adoção de métodos e sistemas pedagógicos que privilegiam a “tolerância máxima com o pecado”, bem como a idéia de que há uma oposição absoluta entre religião e fé. Os princípios e valores cristãos não podem mais ser ensinados, sendo seu ensino ou menção considerado como “proselitismo”, algo inadmissível numa sociedade que se quer sincrética ou sem qualquer religiosidade.

    - Contra esta perseguição, devem os servos do Senhor empunhar a espada do Espírito, demonstrar a fragilidade da “falsamente chamada ciência”, esforçando-se para que, assim como Moisés, com conhecimento suficiente, a começar das Escrituras Sagradas, possamos comprovar o erro destes “falsos cientistas” e, como fez o apóstolo Paulo, conquistar alguns destes “sábios e instruídos” para o reino de Deus (At.17:32-34).

    IV – A ASTÚCIA DO ADVERSÁRIO CONTRA A IGREJA – AS “PROPOSTAS ESPERTAS” DE SATANÁS PARA DESVIAR A IGREJA DA VIDA ETERNA

    - Como dissemos antes, não é apenas pela perseguição que se manifestam as “portas do inferno”, mas também pela “astúcia”, pela “preparação esperta”, como vimos supra. Nem sempre o inimigo vem bramando como um leão, buscando a quem possa tragar mas alertando aqueles que escaparem de seu ataque, mas, e cada vez mais, aparece ele sorrateiro, deslizando como uma serpente, pegando a todos os desprevenidos que, depois de seduzidos por ela, não têm como resistir ao seu bote fatal.

    - O inimigo continua a ser “a antiga serpente, que engana todo o mundo” (Ap.12:9) e, por isso, quando mente, faz aquilo que está conforme a sua natureza (Jo.8:44). Por isso, uma de suas armas prediletas é o engano, a mentira, a ilusão, fazendo com que o homem acredite em suas palavras, a fim de desviá-lo da verdade, fazendo-o crer em fábulas, ou seja, em “histórias da carochinha” (II Tm.4:4).

    - Alguns poderão dizer que já falamos desta atitude do inimigo, ao abordarmos a “perseguição camuflada”, mas não é o caso. A “perseguição camuflada” é uma “perseguição”, é um ato de seguir até o fim, de ir atrás de alguém, mas que se encontra, enganosamente, sob a aparência da normalidade. É uma perseguição, mas que se esconde sob a roupagem de uma atitude amistosa e não contrária ao cristão. Tem-se engano mas na forma como a perseguição se apresenta.

    - A astúcia de que se está a falar é algo muito mais sutil. Não se trata de uma perseguição que não o é na aparência, mas de uma atitude que se apresenta como inocente, gentil, pacífica, valiosa, mas que é, no fundo, uma mentira do inimigo que procura, assim, desviar o cristão dos seus objetivos, de sua missão enquanto servo do Senhor. Não se trata de uma oposição a uma atitude do crente fiel, mas de uma aproximação amistosa para que o crente se desvie dos retos caminhos do Senhor.

    - O adversário não perseguiu o primeiro casal. No relato da queda do homem, vemo-lo se apresentando à mulher e iniciando um diálogo com ela, de uma forma aparentemente inocente e inócua. Perguntar à mulher o que Deus havia dito e apresentando uma falsa ordem como a que conhecia foi o ponto de partida para dizer à mulher que o que Deus dissera não era verdade e que, se o casal comesse o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, em vez de morrer, seria igual a Deus.

    - A astúcia, como se vê, está relacionada com uma atitude de aproximação, com um diálogo, com uma proposta de companheirismo e de bem-estar ao homem, mas que tem por objetivo o distanciamento do homem da vontade de Deus, o lançamento do homem no campo da dúvida e no descrédito da Palavra de Deus, a fim de levá-lo à desobediência e à incredulidade.

    - A aproximação com o inimigo é o primeiro passo para a queda. O adversário luta incessantemente para dialogar com o servo do Senhor e nós devemos ter o mesmo discernimento que teve o Senhor Jesus ainda em Cesaréia. O texto sagrado mostra-nos que Pedro tomou Jesus à parte, quis ter um diálogo particular com o Senhor. Usado pelo diabo, usava a estratégia da aproximação, do estabelecimento de uma intimidade com o Senhor, a fim de impedir que Ele cumprisse a vontade do Pai.

    - O diabo procurará, sempre, “um particular com o crente”. Conhecedor das coisas que são dos homens, o inimigo bem sabe quais são nossos pontos fracos, nossos “calcanhares-de-Aquiles”, nossos desejos mais profundos, confessados na solidão de nossas orações, de nossos pensamentos em voz alta. O adversário não é onisciente, nem tem condições de saber o que pensamos, mas tudo o que manifestamos, ainda que na solidão, chega aos seus ouvidos (até porque o maior sistema de espionagem que existe é o de Satanás, que tem a seu dispor milhões e milhões de mensageiros). Disto sabendo, o diabo procura, sempre, ter “um particular”, tomar-nos à parte para, então, assim como fez com a mulher (que estava solitária neste instante, quando deveria estar com seu marido), iniciar um diálogo, que tem grande probabilidade de levar à queda.

    - Neste ponto, vemos com grande preocupação a tendência dos dias trabalhosos de os crentes se isolarem, de partir para um “individualismo espiritual”, atitude demasiadamente apropriada para as “portas do inferno”. “Não é bom que o homem esteja só”, disse o Senhor (Gn.2:18a) e, para tanto, resolveu edificar a Igreja, que é “o conjunto dos reunidos para fora”, decidindo que, neste grupo de pessoas , é que daria o aperfeiçoamento dos santos, o crescimento espiritual (Ef.4:11-16), inclusive por intermédio do exercício dos dons espirituais (I Co.14).

    - Os tempos trabalhosos em que vivemos, onde são cada vez mais freqüentes os escândalos, as decepções, as traições, os fracassos nos relacionamentos interpessoais, têm levado muitos a achar que podem servir a Deus de forma solitária, num suposto contacto direto com Deus, como se isto fosse possível, como se este fosse o modelo bíblico. Somente amo a Deus, se amo o próximo e, se não amo o próximo, o amor do Pai não está em mim (I Jo.2:9,10; 3:16-18).

    - Aceitar o “individualismo espiritual” é aceitar uma “proposta esperta” do inimigo, é se deixar ser tomado à parte pelo adversário e iniciar um diálogo que pode levar ao fracasso espiritual, ao desvio da verdade. Precisamos ter prazer na lei do Senhor, nela meditar de dia e de noite (Sl.1:2), para que evitemos esta oferta, fruto da astúcia do inimigo, uma das “portas do inferno” que tem conseguido derrubar a muitos. Como diz o proverbista, por duas vezes, “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” (Pv.22:3; 27:12).

    - Mas, além de tomar Jesus à parte, Pedro, usado pelo inimigo, também procurou repreender Jesus. Umas das formas de manifestação desta sutileza maligna é a sua irreverência, o seu desrespeito para com a figura do Senhor Jesus. O adversário odeia a Cristo e tudo procura fazer para menosprezá-lO, desprezá-lO, diminuí-lO. Na conversa do inimigo, sempre perceberemos o intento de difamar, apequenar o Senhor Jesus. Aqui, Pedro, ainda sob o impacto da revelação que tivera do Pai, deixou-se levar pela vaidade e se acha na condição de “repreender” a Jesus. A palavra grega é “epitimaó” (επιτιμάω), cujo significado é “censurar”, “advertir”, “mandar”, “admoestar”.

    - Talvez envaidecido pela grande experiência espiritual que desfrutara, Pedro tenha extrapolado e se achado no direito de “advertir”, de “censurar”, de “mandar” em Jesus. Este é o grande perigo desta astúcia do inimigo, fazer-nos crer que podemos querer corrigir o Senhor Jesus, orientá-lO, dizer o que Ele deve fazer. Muitos hoje caíram nesta astúcia e tratam o Senhor Jesus como um “empregado qualificado”. Não podem mais coisa alguma ao Senhor, mas “decretam”, “declaram”, “determinam”. Trocaram a fé em Jesus, a confiança na Sua Palavra pela “determinação”, pela obrigação que tem o Senhor Jesus de atender aos seus caprichos, desejos e vontades. Deixaram-se enganar e seduzir pela “antiga serpente”.

    - Quem somos nós para exigir algo do Senhor Jesus? Para querer ensinar-Lhe? Para dizer o que Ele deve fazer? Afastemo-nos deste comportamento, destes ensinos sem qualquer respaldo bíblico e que tão somente se constituem em mais uma “proposta esperta” do inimigo para nos iludir. Quando queremos repreender o Senhor Jesus, estamos deixando de considerá-lO como Senhor, negamos o Seu senhorio sobre nós e, desta maneira, não poderemos desfrutar da eternidade ao Seu lado. Ao negarmos o senhorio de Cristo, fazemo-nos rebeldes contra o Senhor e o pecado de rebelião é como o pecado de feitiçaria e o porfiar (isto é, o lutar contra Deus e Sua vontade) como iniqüidade e idolatria (I Sm.15:23) e, pela falta de um, por dois motivos ficaremos do lado de fora da cidade santa (Ap.22:15).

    - Também é “repreender a Jesus” o ataque às Escrituras Sagradas. Muitos são os servos do Senhor que, na atualidade, estão se deixando seduzir pela astúcia do inimigo e crendo em suas mentiras, deixando de aceitar trechos da Bíblia Sagrada, sob a justificativa de que são “textos não inspirados”, “textos válidos tão somente para a cultura daquele tempo”,
    ”textos mal traduzidos”, “textos adulterados” e assim por diante. A Bíblia Sagrada é a fiel testemunha de Cristo (Jo.5:39), cujo teor permanece para sempre, jamais passará, ainda que os céus e a terra passem (Mt.24:35; Mc.13:31; I Pe.1:25).

    - Muitos são os “crentes” destes tempos trabalhosos que têm aceitado “interpretações”, “visões”, “revelações”, “profecias” que escamoteiam a Palavra de Deus, implícita ou explicitamente. Movimentos surgem todos os dias aceitando apenas este ou aquele livro da Bíblia, ou, então, põem no mesmo nível doutrinas de homens (e, muitas vezes, doutrinas de demônios) e as Escrituras, que, em confronto com tais doutrinas, sempre levam desvantagem. São pessoas que “repreendem Jesus”, que já ingressaram pelo caminho da astúcia do inimigo e se encontram enganados, dando ouvido a “espíritos enganadores” (I Tm.4:1).

    - A astúcia do inimigo também se manifesta através do estímulo e incentivo ao sentimento de auto-compaixão, de auto-piedade. “Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te acontecerá isso” (Mt.16:22). Como vimos supra, para sermos servos de Deus, é necessário que renunciemos a nós mesmos. Ora, ao começarmos a nos preocupar conosco mesmos, a termos pena de nós mesmos, dó de nossa vida, a nos considerarmos algo extremamente valioso que mereça ser preservado, estamos no sentido contrário da Palavra de Deus, “porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de Mim, perder a sua vida a salvará.”(Lc.9:24).

    - A salvação exige a renúncia de nós mesmos, o abandono do nosso “eu”. Mas os dias em que vivemos, como já se viu neste trimestre, são os dias do egoísmo, do amor de si mesmo. O inimigo incutiu na mente dos incrédulos este amor narcisista, egoístico e tem apresentado a proposta da auto-compaixão para os servos de Deus e muitos têm perdido as suas vidas porque procuram salvá-la, ou seja, na busca da própria satisfação, na procura do contentamento próprio, no “aproveitar a vida”, acabam perdendo a eternidade.

    - Muitos estão a viver como nos dias do profeta Isaías, em que o povo só buscava a própria satisfação e, com arrogância, exclamava: “…comamos e bebamos, porque amanhã morreremos”(Is.22:13 “in fine”), selando a própria sentença de condenação. Entretanto, não é a morte o que nos oferece o Senhor, mas vida, e vida com abundância (Jo.10:10b). O adversário procura, dentro de sua “proposta esperta”, fazer que comamos e bebamos, sem saber que neste comer e beber fora da vontade do Senhor, estaremos a selar a nossa própria morte.

    - Não estamos aqui para cumprir a nossa vontade, mas a vontade do Senhor. Se somos o corpo de Cristo, devemos, como Ele, viver para cumprir a vontade do Pai (Hb.10:5,9). O corpo de Cristo foi preparado para que fizesse a vontade de Deus e é a Igreja este corpo sobre a face da Terra na atualidade.

    - A astúcia do inimigo também se manifesta por intermédio da persuasão racional. Como disse o Senhor, o inimigo conhece as coisas que são dos homens e, entre estas coisas, está a razão humana, a lógica imperfeita do ser humano. Deus fez o homem com capacidade de pensar e criar coisas, tanto que permitiu ao homem dar nome aos animais (Gn.2:19,20). Entretanto, depois que pecou, o homem se desviou da retidão original e utilizou a sua capacidade intelectual para se distanciar do Senhor (Ec.7:29). Por isso, como vimos supra, os “sábios e instruídos” são incapazes de entender as coisas de Deus, pois só o homem espiritual pode fazê-lo (I Co.2:11-16).

    - O resultado disto é que a razão humana, a lógica do homem não tem condições de entender a revelação divina e, obscurecida como está a mente dos incrédulos (II Co.4:4), a razão é facilmente manipulada pelo adversário de nossas almas, que, assim, confunde os homens que, a partir de sua lógica, crê nas mentiras e ilusões trazidas pelo inimigo. Por isso, a pregação do Evangelho é, aos olhos do homem natural, uma “loucura” (I Co.1:21-23), embora seja a verdadeira sabedoria, a sabedoria que vem do alto (Tg.3:17).

    - O inimigo busca, então, levar o homem, para desviá-lo da verdade, para o campo da lógica humana, da imperfeita capacidade humana de raciocinar, porque, como é conhecedor das coisas dos homens, pode facilmente manipular o ser humano e fazê-lo crer na mentira, “justificada racionalmente”. Assim tem construído a “falsamente chamada ciência” e também tem conseguido fazer muitos servos do Senhor fracassar.

    - Quando aceitamos a proposta esperta da “lógica humana”, corremos o risco de nos desviar dos caminhos do Senhor. Para os incrédulos, o Evangelho é uma contradição, é um absurdo, algo que não tem como subsistir. Na mentalidade romana, impregnada da cultura racional helenística, o Evangelho era um contra-senso, o que é bem expresso na expressão do governador romano Festo ao rei Agripa, que dizia que a discussão a respeito da pregação de Paulo eram “…questões acerca da sua superstição, e de um tal Jesus, defunto, que Paulo afirmava viver” (At.25:19). Para Festo, o Evangelho, que Paulo corretamente considerava “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm.1:16), era tão somente um distúrbio mental, um delírio produzido pelo estudo excessivo (At.26:14).

    - Usado pelo inimigo, Pedro não teve dúvidas em dizer a Cristo que “de modo nenhum te acontecerá isso”. Pelo lado da lógica humana, nada havia de mais certo. Jesus dissera que o Messias, o Rei de Israel, iria sofrer nas mãos dos anciãos, dos principais dos sacerdotes e dos escribas. Ora, como poderia a cúpula da sociedade judaica, que aguardava o Messias,  rejeitá-lo? Como poderia o “Filho de Deus vivo”, revelado há momentos atrás, pelo próprio Pai, falar em sofrimento e nas mãos de homens considerados santos da sociedade do povo eleito? Era um contra-senso, um absurdo que não fazia sentido algum!

    - Além do mais, como poderia o “Filho de Deus vivo” morrer, como Jesus estava afirmando? Deus, por um acaso, poderia morrer? Outro absurdo! Mas, não bastasse isso, falava-se em uma ressurreição imediata, quando todos ensinavam a ressurreição do último dia e, a propósito, a ressurreição, por ser contrária aos princípios filosóficos então predominantes, era até mesmo rechaçada por muitos, como os saduceus. Como, então, não entender que tudo o que Jesus dissera não fazia sentido algum e deveria ser repelido?

    - Esta “certeza” advinda da lógica humana tem sido uma poderosa arma usada pelo inimigo para retirar muitos do caminho da salvação. Nestes tempos trabalhosos em que vivemos, devemos ser vigilantes e não permitir que a “dona razão” venha a sufocar a nossa fé, venha a nos fazer perder a direção do Espírito Santo. A razão deve ser utilizada pelo salvo, pois não somos robôs, não somos irracionais, mas temos de dirigir a nossa mente segundo o Espírito de Deus, pois temos a mente de Cristo.

    - O cristão jamais deve abrir mão do uso da razão. Seu culto a Deus é racional (Rm.12:1) e está ele a pregar, como o apóstolo Paulo, palavras de verdade e de um são juízo (At.26:25). Entretanto, não pode se deixar enganar pelas imperfeições das “muitas invenções humanas”, pela cegueira mental dos incrédulos. A razão sem a fé torna-se uma potente arma das “portas do inferno” para selar a nossa perdição. Não devemos nos surpreender, pois, com os resultados do “liberalismo teológico” que têm sido catastróficos, pois, a partir do instante em que o estudioso da Bíblia deixa a fé, a direção do Espírito Santo para tentar entender a Palavra tão somente com a lógica humana, perde-se e chega à mesma conclusão ilusória de Pedro: “de modo algum acontecerá isso”. A lógica humana gera a descrença, a incredulidade. Tomemos cuidado!

    - Mas o texto sagrado que estamos a analisar também nos ensina como devemos agir diante da astúcia do inimigo, diante de sua “proposta esperta”, que é uma das “portas do inferno”. Devemos ter discernimento espiritual e, com a autoridade do nome de Jesus, repreender o inimigo. “Para trás de Mim, Satanás, que Me serves de escândalo, porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mt.16:23) foi a resposta de Jesus à astúcia do inimigo.

    - Não há como vencermos a astúcia do inimigo a não ser através do discernimento espiritual e, para que o tenhamos, é necessário termos o Espírito Santo em nós, ou seja, nascermos de novo e mantermos uma vida de santificação. Sem que o Espírito Santo esteja em nós, jamais poderemos vencer o adversário, pois “…maior é o que está em vós do que o que está no mundo.” (I Jo.4:4 “in fine”).

    - Pedro tinha acabado de ter uma revelação do Pai, por isso a lógica humana levaria a considerar que suas palavras ditas ao Senhor eram a continuação daquela revelação. Se Jesus fosse guiado pela lógica humana, teria sido enganado. Mas Jesus, que havia sido ungido pelo Espírito Santo, mantinha comunhão com Deus, Deus era com Ele e, por isso, soube bem distinguir a voz de Deus da voz do inimigo.

    - Quantos não têm sido iludidos pelo adversário porque não têm comunhão com Deus, porque não conhecem a voz do Senhor. “As Minhas ovelhas ouvem a minha voz, e Eu as conheço, e elas Me seguem”(Jo.10:27), disse o Senhor. Podemos dizer que somos ovelhas do Senhor ou temos sido iludidos pelos Pedros que, embora vasos de Deus no passado, hoje se deixam enganar pelo adversário? Precisamos ter a mente de Cristo se quisermos ter vantagem sobre as “portas do inferno”.

    - Para vencermos a astúcia do inimigo, precisamos nos colocar à frente do adversário. “Para trás de Mim, Satanás”, disse o Senhor Jesus. O diabo pôs-se à Sua frente, para impedir a Sua passagem, para atrapalhar a Sua visão, para retirar o foco do cumprimento da vontade de Deus para a auto-piedade, para a auto-compaixão. Onde está a atenção das nossas vidas? Para realizar a vontade de Deus ou para cuidar de nós e dos nossos? Se temos o nosso olhar desviado pelo inimigo, estamos em densas trevas, pois, como disse o Senhor no sermão do monte, “a candeia do corpo são os olhos, de sorte que se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt.6:22,23).

    - Para onde estamos olhando? Para as campinas verdejantes e promissoras de ganhos materiais e passageiros de Sodoma, como Ló, ou para as promessas de Deus, como Abraão? Onde estão os nossos pensamentos: nas coisas de cima ou nas coisas da Terra? Onde está o nosso coração: nos tesouros desta vida ou nos tesouros das mansões celestiais? “Para trás de Mim, Satanás”, disse o Senhor e devemos ser Seus imitadores (I Co.11:1).

    - Precisamos ter uma fé inabalável, que cresça cada vez mais. Vivemos dias muito difíceis e não podemos nos contentar em estacionar na vida espiritual. Precisamos andar de fé em fé, pois a justiça de Deus é movida pela fé do princípio ao fim, somos aceitos por Deus por causa da fé (Rm.1:17 NVI, NTLH). Nesta fé, que não é cega nem instintiva, mas que tem a colaboração da razão, perfeitamente sabemos que o inimigo não é capaz de compreender a dimensão da fé, embora bem entenda a natureza pecaminosa do homem e saiba, como ninguém, manipular a sua mente. Entretanto, se temos fé, não nos impressionaremos com os argumentos falaciosos da astúcia do maligno e prosseguiremos o bom combate, guardando a fé até o instante de terminarmos a nossa carreira. A vitória que vence o mundo é a nossa fé (I Jo.5:4). A fé permite que olhemos sempre para Jesus, suportemos a afronta e aguardemos o gozo que nos está preparado. Pela fé, sabemos que as portas do inferno, embora tenham vantagem, embora estejam a oprimir cada vez o povo de Deus, não hão de prevalecer. Brevemente, seremos glorificados e, num abrir e fechar de olhos, estaremos para sempre com o Senhor. Aleluia! Falta um poucochinho de tempo, e o que há de vir, virá, e não tardará. Por isso, como não somos daqueles que não se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma, não rejeitemos a fé em Deus, que tem grande e avultado galardão e façamos a vontade do Senhor para que alcancemos a promessa (Hb.10:35-39). As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja! Amém!

    Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

    As portas do inferno – 1

    AS PORTAS DO INFERNO
    Texto Áureo: Mt. 16.18 – Leitura Bíblica em Classe: At. 4.1-4

    Fonte: http://subsidioebd.blogspot.com/

    Pb. José Roberto A. Barbosa

    Objetivo: Mostrar como as perseguições tem sido usadas por Satanás para arrefecer a força da igreja, a qual, tem prevalecido contras suas hostes.

    INTRODUÇÃO
    A palavra perseguição, etmologicamente, vem do latim: per – através, e sequi – seguir. O sentido específico aponta para o ato de ser seguido por algo que cause opressão sistemática. Tal opressão pode se dar de várias maneiras, seja por meios religiosos, teológicos, legais, políticos e/ou culturais, haja vista que esses elementos costuma atuar de modo integrado a fim de que os perseguidos não encontrem escapatória. Para os cristãos, a perseguição faz parte da caminhada, já que Cristo nos advertiu nesse sentido (Mt. 5.11,12; Lc. 11.48,51; 21.12; Mc. 4.17; Jo. 15.20). Estevão, um dos primeiros mártires da Era Cristã, sentiu na pele o peso da perseguição (At. 7.52), mas não apenas ele, a igreja primitiva pagou um alto preço por seguir a Jesus (Hb. 11.38; I Jo. 3.12), basta ler as histórias dos mártires do Coliseu para constatar. Paulo é um caso especial de alguém que perseguiu e depois passou a ser perseguido (At. 9.1-9; Fp. 3.6; I Co. 15.32; II Co. 11.23). No Apocalipse, a igreja de Esmirna, tipifica a igreja perseguida e vitoriosa (Ap. 2.9,13).

    1. PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA
    A religião é um instrumento poderoso de perseguição. Jesus foi alvo de intensos ataques dos religiosos de sua época (Jo. 5.16). A perseguição religiosa é perigosa porque ela se manifesta debaixo da pretensa autoridade de que age em nome de Deus. As autoridades católicas e protestantes, ao longo da história, estabeleceram inquisições a fim de julgar e punir todos aqueles que, literalmente, “rezavam fora de suas cartilhas”. A religião se acha detentora de verdade, e, com base em “sua” verdade, persegue a todos aqueles que a ela se opõem. É nesse contexto que, aqueles que seguem a Cristo, que é a Verdade (Jo. 14.6), são vítimas das intensas perseguições religiosas.

    2. PERSEGUIÇÃO TEOLÓGICA
    O estudo teológico nada tem de negativo, muito pelo contrário, é importante que as igrejas, nos dias atuais, diante de tantas perversões do evangelho, motivem os membros de suas igrejas a freqüentarem cursos teológicos nos quais o estudo da Bíblia seja prioritário. Infelizmente, algumas vertentes teológicas não se coadunam com a ortodoxia do evangelho, e pior, perseguem aqueles que adotam um posicionamento diferenciado. Na atualidade, destacamos três visões teológicas que tem ampla predominância no contexto teológico cristão, e, por isso, perseguem aos que as contestam: 1) o tradicionalismo – põe as tradições humanos acima da Bíblia; 2) o liberalismo – põe a razão humana acima da Bíblia, e 3) o fundamentalismo – interpreta a Bíblia ao pé da letra, sem levar em conta o contexto e sua revelação evangélica geral e sobrenatural (Gl. 1.9; II Tm. 3.16).

    3. PERSEGUIÇÃO POLÍTICA
    Para refletir a respeito de como acontece a perseguição político-religiosa, basta lembrar da união entre Caifás e Pilátos na execução de Cristo (Jo. 19.7). Pilatos queriam se manter no poder, e, para isso, sabia que não poderia desagradar a religião judaica. Por isso, mesmo com o apelo de sua esposa (Mt. 27.19), Pilatos determinou que Jesus fosse crucificado (Jo. 19.6). A política, debaixo da influência da religião, mesmo na democracia, persegue intensamente aqueles que escutam a Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Uma das formas que isso acontece é através da mídia, e não por acaso, os políticos são os principais detentores dos meios de comunicação de massa, os quais servem aos interesses de perpetuação do poder, sempre em consonância com a religião. A saída para a igreja perseguida pela política é buscar o poder do Espírito que vem do alto (Lc. 24.49; At. 1.8; 4.33).

    4. PERSEGUIÇÃO LEGAL
    Como adiantamos acima, a democracia é estabelecida e mantida por meio dos interesses do povo. Sabendo disso, os políticos controlam a opinião pública por meio da mídia de modo que, paulatinamente, a cosmovisão cristã seja substituída por uma anti-cristã. Quando as pessoas acatam, com naturalidade, práticas distantes dos padrões cristãos, chamando o certo de errado e o errado de certo (Is. 5.20), e agindo como acham que é certo (Jz. 21.25), então, os políticos, com a aprovação do povo, trata logo de mudar as leis. É preciso, portanto, que os cristãos, enquanto cidadãos que têm dupla cidadania, tenham o cuidado necessário na escolha dos seus representantes. E, caso alguma lei de oponha à verdade do evangelho, façamos como os apóstolos da igreja primitiva, ouçamos, antes, a Deus do que aos homens (At. 5.29).

    5. PERSEGUIÇÃO CULTURAL
    O termo “cultura” pode ser definido como o conjunto das realizações de uma sociedade, envolvendo, assim, a língua, a alimentação, as vestimentas, as festas, a religião, etc. Ela é, predominantemente, humana, isto é, resultante das construções sociais. Como o homem caiu, e se encontra distanciado de Deus (Rm. 3.23), há uma tendência para que sua produção cultural se oponha à verdade de Deus (Rm. 1.18). Na prática, a literatura, o cinema, as novelas e a música persegue os valores cristãos se oponde fortemente a eles. É preciso sabermos que por trás de todas essas produções artísticas está uma visão de mundo que faz apologia ao prazer sem limites, à vida distante do Criador, a ostentação dos bens materiais, entre outros. A mídia se encarrega de estabelecer e sustentar a cultura humana em oposição a verdade divina.

    CONCLUSÃO
    A igreja passará por perseguições enquanto estiver na terra, afinal, como bem ressaltou o apóstolo Paulo escrevendo ao jovem Timóteo: “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Tm. 3.12). Mas não devemos temê-las, cientes de que as venceremos pela fé em Cristo (I Jo. 5.4). Temos, também, a certeza dAquele que está conosco, de que as portas do infernos não resistirão a força de Sua igreja (Mt. 16.18).

    BIBLIOGRAFIA
    COLSON, C. PEARCEY, N. O cristão na cultura de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006
    PALMER, M. D. Panorama do pensamento cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001

    Os perigos da Teoria da Evolução – 3

    OS PERIGOS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO

    Introdução

    A teoria da evolução tem sido ensinada em nossas escolas e universidades como uma verdade absoluta e inquestionável, relegando a criação do mundo e do homem ao acaso, algo produzido pelo próprio ambiente, que em condições favoráveis puderam produzir tudo isso que somos e o universo que nos rodeia. Todavia, à luz das Escrituras, podemos afirmar taxativamente que tal teoria é diabólica, e tem como objetivo descartar a pessoa como o Criador do Universo e de todas as coisas. A Biblia diz que “tudo foi feito por Ele, por meio Dele e para Ele são todas as coisas” (Rm 11:36). I –

    O QUE É A TEORIA DA EVOLUÇÃO?

    É a teoria que defende que a origem da vida se deve a um fato que ocorreu no passado após a explosão do Big Bang, que gerou apenas dois tipos de gases, hidrogênio e hélio. Segundo os evolucionistas, foi a partir destes gases que a vida se desenvolveu. Em outras palavras, a vida na terra evoluiu da matéria inorgânica e progrediu para formas mais complexas com o tempo.

    II – TODO EVOLUCIONISTA ACREDITA QUE O HOMEM FOI PRODUTO DO ACASO?

    Não, há dois tipos principais de evolucionistas: 2.1.Evolucionista ateísta – que acredita que a criação é obra do acaso; 2.2.Evolucionista teísta – que acredita que Deus criou, e a criação passou por um processo de evolução. Todavia, tanto o evolucionismo ateísta como o teista, são confrontados com a verdade das Escrituras que diz que Deus criou o universo, a terra, as plantas, os animais e o homem (coroa da criação) em seis dias (Gn 1 e 2).

    III – A TEORIA DA EVOLUÇÃO PODE SER CONSIDERADA COMO UMA CIÊNCIA?

    Não. Porque é teoria. Quando a teoria pode ser provada através do processo científico (ver conceito na lição p. 36), então a teoria, torna-se lei. Ex. A lei da gravidade de Newton. Existem algumas provas científicas de que a teoria da evolução não pode ser considerada ciência: 3.1. Argumento da Termodinâmica Termodinâmica é um ramo da FÍSICA que estuda os processos de conservação e transformação de energia em toda a natureza . A PRIMEIRA LEI DA TERMODINÂMICA (lei da conservação da energia) diz que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

    A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA diz que a quantidade DISPONÍVEL de energia para executar trabalho útil está sempre decrescendo, desorganizando, indisponibilizando ( ENTROPIA ). Estas verdades científicas estão de acordo com duas verdades Bíblicas: 1º Que a natureza não pode ser obra do acaso(Gn 1:1; Hb 11:3), e 2º que Deus criou tudo perfeito (Gn 1:1), porém o pecado desorganizou toda a criação. 3.2. Argumento Biológico – Lei da Biogênese (Mendel) Segundo esta lei científica, a “ a vida provém somente de vida” e cada ser vivo descende de outro semenhante a ele, ou seja, o homem não poderia ter evoluído de uma matéria inorgânica (Bíblia – Gn 1:11”árvores frutíferas que dêem fruto segundo sua espécie” e Gn 1:28 “frutificai-vos e multiplicai-vos e enchei a terra” 3.3.Argumentos da história – as tradições da raça humana apontam para uma origem e uma linhagem comuns na Ásia Central, partindo de um único centro (Bíblia – o Édem se localizava na Ásia Central conforme Gn 2:10-14). 3.4.Argumento da Filologia – o estudo das linguas da humanidade apontam para uma origem em comum (Confusão das línguas Gn 11:1-9). 3.5.Argumento da Psicologia – A psicologia revela claramente que as almas dos homens, quaisquer que sejam as tribos ou nações a que pertençam, são essencialmente idênticas (Jó 12:10; Is 57:16; At 17:26). 3.6.Argumento das Ciências Naturais ou da Fisiologia – É agora opinião comum dos especialistas em fisiologia comparada, que a raça humana constitui tão somente uma única espécie (Is 42:5; At 17:26). 3.7.Argumento Matemático – Dois astrônomos inglêses, através de cálculo matemático, chegaram a conclusão que a probabilidade da vida se transformar espontaneamente em universo é de 1040.000 em outras palavras: IMPOSSÍVEL.

    IV – QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE A TEORIA DA EVOLUÇÃO E A BÍBLIA?

     Argumentos evolucionista-teísta Relatos Bíblicos A atmosfera original diminuiu (metano, amoníaco e outros gazes venenosos) e continua se transformando sucessivamente em espécie oxidante (oxigênio e nitrogênio) como hoje conhecida. A atmosfera foi criada na maior brevidade possível e permaneceu substancialmente a mesma (Gênesis 1:6-8). Através do reino vegetal surgiu a atmosfera, atualmente conhecida. A atmosfera precedeu a vida vegetal (Gênesis 1:6-12). Os primeiros seres viventes evoluíram na água e dirigiram-se à terra Os primeiros seres vivos foram criados sobre a terra, e eles seguiram os seres vivos da água (Gênesis 1:11-13, 20-23). Existe (ou ao menos deveria existir) um relacionamento (uma constante e coerente mudança) entre as diversas espécies de plantas. As plantas foram criadas em espécies diferentes, cada uma “segundo a sua espécie” (Gênesis 1:11-12). Demorou muito tempo até as plantas evoluírem. As plantas foram criadas no primeiro dia de sua existência, com a sua semente e seus frutos (= a doutrina bíblica de criação com a aparência de idade – Gênesis 1:11-12). A terra é um grão de areia relativamente insignificante no oceano das vias lácteas A terra é o centro do universo (do ponto de vista teológico, não astronômico!), e os outros planetas e vias lácteas têm sentido secundário para servir às necessidades do homem (Gênesis 1:14-15). A vida começou com criaturas simples e evoluiu para animais mais complexos. Entre os primeiros animais se encontram os “grandes animais marinhos” – animais mamíferos altamente desenvolvidos – e também as assim chamadas “espécies inferiores” (Gênesis 1:21) Existem diferenças mínimas entre as espécies de animais mais desenvolvidos (macacos) e o homem. Animais e homens pertencem a espécies diferentes. (Gênesis 1:24-27; At 17:26). O argumento dos fósseis fala de morte e destruição desde o início Deus criou tudo de uma maneira que era “tudo muito bom”. A morte foi introduzida no universo somente depois que o homem se separou de Deus (Gênesis 1:31; Romanos 5:12; e 8:20). O homem evoluiu segundo a imagem do macaco, por conseguinte semelhante ao macaco. O homem foi criado segundo a imagem de Deus, semelhante a Deus (Gênesis 1:26-27; Jó 33:4; Sl 8:5-8; 1 Cor 15:39). A evolução teve uma duração de milhares de anos. A criação durou seis dias de 24 horas (Gênesis 1). A evolução é um processo contínuo. Deus concluiu toda a sua obra criativa no sexto dia, e Ele não está mais envolvido no aperfeiçoamento da ordem criada (Gênesis 2:1-3). Conclusão A teoria da Evolução só prova a rebelião do homem em rejeitar a Deus e a Sua Palavra, pois como foi demonstrado, ela não encontra fundamentos nem na Bíblia e nem na ciência, muito embora seja encarada como verdade cientifica, entretanto, tal visão está totalmente dissociada da realidade, trazendo à luz a verdade que Tiago mostrou quando disse que a sabedoria que leva o homem para longe de Deus é “ terrena, animal e demoníaca”(Tg 3:15), entretanto a do alto é “ pura, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e bons frutos, imparcial e sem fingimento”(Tg 3:17).

    A saúde física e mental – 3

    O SEGREDO DE UM ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL

    Os pesquisadores contemporâneos têm relutado em documentar uma verdade que a Bíblia estabeleceu há muito tempo: os seres humanos são um todo indivisível. O que normalmente dividimos em partes físicas, mentais e espirituais, na verdade são coisas inter-relacionadas e inseparáveis. Em outras palavras, o que afeta a mente, afeta o corpo. Nossa condição espiritual tem efeitos sobre nossa condição física, e vice-versa. Somos seres inteiros e integrados.

    Por exemplo, os pesquisadores científicos descobriram em estudos controlados que a gargalhada alegre e feliz produz mudanças mensuráveis no sistema imunológico de uma pessoa. Você, na verdade, pode ajudar seu corpo a lutar melhor contra as doenças sendo uma pessoa feliz! Esses estudos mostram o quão relacionado é o trabalho da mente e do corpo.

    Milhares de anos atrás, a Palavra de Deus já apontava para essa ligação vital entre a mente e o corpo que só recentemente foi aceita pela teoria médica:

    “O coração bem disposto é remédio eficiente, mas o espírito oprimido resseca os ossos”. Provérbios 17:22 (A não ser quando indicado, todos os textos bíblicos da série DESCOBERTAS BÍBLICAS são da Nova Versão Internacional da Bíblia [NVI].).

    De acordo com o apóstolo João, quão intimamente é a ligação entre a mente, o corpo e nosso bem estar espiritual?

    “Amado, oro para que você TENHA BOA SAÚDE e tudo lhe corra bem, assim como vai bem a sua alma”. III João 2

    Nosso Criador deseja que tenhamos “boa saúde”. A Palavra de Deus pode servir como nossa fonte de saúde, bem como nossa fonte de vida eterna.

    Já que a saúde física e mental e nosso bem estar espiritual andam juntos, Paulo faz o seguinte apelo:

    “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. I Coríntios 10:31

    O evangelho inclui tanto a restauração física quanto espiritual. Um estilo de vida saudável pode nos ajudar a sermos cristãos vibrantes.

    Aqui estão oito princípios a serem seguidos se realmente desejamos ter uma vida mais saudável e produtiva:

    1. AR PURO

    O ar puro e fresco é essencial para uma boa saúde. Durante o dia e enquanto dormimos à noite, uma ventilação apropriada de nosso lar e de nosso local de trabalho assegura que nosso sangue sempre distribua quantidades suficientes de oxigênio para todas as partes do corpo. Respirar profundamente várias vezes durante uma caminha matinal é uma ótima maneira de oxigenar nosso corpo.

    O tipo de ar que respiramos obviamente é importante. Tenha cuidado de não se sujeitar a fumaça, gases e bactérias que se espalham pelo ar vindas de alguma fonte escondia. O cigarro polui o ar e é um dos grandes assassinos hoje. A pesquisa científica estabeleceu um relacionamento causal entre o tabaco e o câncer de pulmão, o enfisema e a doença do coração. A dependência do corpo à nicotina de alguns cigarros torna o cigarro um dos hábitos mais difíceis de serem vencidos. O cigarro matará 12 milhões de pessoas por ano até o ano de 2020 se a tendência atual continuar.

    2. LUZ SOLAR

    Os benefícios da luz solar são vários:

    “a) 15-30 minutos de exposição diária à luz solar no começo da manhã ou no final da tarde ajuda o corpo a sintetizar ou a criar sua própria vitamina D, um nutriente/hormônio essencial para a pele. A vitamina D ajuda o sangue a produzir cálcio e fósforo, que fortalecem e reparam a massa óssea.

    b) A luz do sol funciona como desinfetante e um assassino de bactérias.

    c) O sol supre a energia com a qual o reino vegetal pode converter dióxido de carbono e água em carboidratos… Sem esse processo, os animais e os seres humanos morreriam de fome.

    d) A luz solar também ajuda uma pessoa a se ajustar a um trabalho noturno a alivia a depressão relacionada a dias mais escuros, característicos do inverno.

    Cuidado: A luz do sol também pode ser prejudicial. Uma exposição muito prolongada pode queimar a pele, aumentar o risco de câncer de pele, acelerar o processo de envelhecimento, danificar os olhos e causar cataratas”. [Todas as citações dessa Lição são do Look Up and Live: A Guide to Health, Adult Lessons, First Quarter 1993 (Nampa, Idaho: Pacific Press Publishing Association). Muito do material dessa lição que não está entre aspas, é condensado desse mesmo material].

    3. DESCANSO

    O corpo precisa de descanso a fim de se recuperar. Precisamos ter tempo para nos recrearmos e descansarmos das tensões do trabalho e das responsabilidades familiares. Sem essa dosagem necessária de descanso, as pessoas freqüentemente experimentam sentimentos de ansiedade, depressão e irritabilidade. Tal estresse emocional pode levar a doenças, e com isso nos forçar a dar um tempo muito maior de descanso ao corpo, a fim de recuperar o tempo perdido. A verdade é simplesmente essa: não há substituto para uma boa noite de sono.

    Recarregar nossas baterias espirituais diariamente também é importante para nossa saúde física. Meditação, estudo da Bíblia e oração diariamente curam o corpo da mesma maneira que a alma. Outras coisas de que precisamos são: uma parada regular do ciclo de trabalhos, um dia de descanso semanal e férias uma ou duas vezes por ano.

    4. EXERCÍCIO

    O exercício é vital para nossa saúde:

    “a) O exercício ajuda a normalizar a pressão sangüínea.

    b) O exercício permite que mais sangue alcance as partes mais distantes do corpo, mantendo as extremidades aquecidas.

    c) O exercício libera tanto a tensão física quanto a emocional, e com isso ajuda você a se sentir melhor com a vida. O exercício normalmente é a melhor cura para as preocupações e estresses.

    d) O exercício proporciona energia elétrica para o cérebro e as células nervosas. Ele promove a saúde ao estimular o sistema imunológico. Quando o corpo é mantido saudável mediante exercícios apropriados, a mente funciona mais criativa e eficientemente.

    e) Ele pode ajudar sua compleição física e mantê-lo vistoso.

    f) O exercício nos dá mais energia, e assim retarda tanto a fadiga física quanto a emocional.

    g) Ele ajuda na produção cerebral de um químico que faz com que você tenha um sentimento de bem-estar e aumenta sua tolerância à dor”.

    Se você não se exercitado regularmente, comece num ritmo tranqüilo e aumente gradualmente à medida que for ganhando resistência. Pode ser uma idéia melhor procurar seu médico antes de começar. Seu objetivo deveria ser o de se engajar em qualquer tipo de exercício que seja compatível a andar 1,5 quilômetros em 15 minutos quatro ou mais vezes por semana.

    5. ÁGUA

    Por ser essencial a cada célula do corpo, deveríamos beber muita água.

    “a) Por ter o seu peso constituído de aproximadamente 70 por cento de água…

    b) O corpo precisa de cerca de dois litros de água por dia para efetuar todas as suas funções. Algumas dessas funções incluem a circulação sangüínea, a excreção, o transporte de nutrientes e a digestão.

    c) Uma pessoa possui, em média, entre 15 a 40 bilhões de células cerebrais. Cada uma delas é constituída de aproximadamente 70-85 por cento de água. Uma quantidade suficiente de água para suprir essas células mantém você mentalmente alerta e ajuda a prevenir a depressão e a irritabilidade.

    d) Não é apenas a água que você ingere que é importante. Um banho frio ou morno diário melhora a circulação, ajudando assim a aumentar a energia do corpo e da mente. Um banho pode também aliviar a tensão nervosa, que é a causa de muitas doenças, pois enfraquecem o sistema imunológico. Tomar banho também remove as impurezas da pele e pode reduzir a febre.”

    6. ALIMENTAÇÃO APROPRIADA

    Na criação, Deus instruiu Adão e Eva a se alimentarem de plantas, grãos e frutas (Gênesis 1:29). Depois que Adão e Eva pecaram, os vegetais foram adicionados à dieta deles (Gênesis 3:18). Depois do dilúvio, o Criador acrescentou a carne “limpa” de alguns animais à dieta alimentar dos seres humanos (Gênesis 7:2, 3; 9:1-6).

    A carne de animais contém tanto as gorduras saturadas quanto o colesterol, que aumentam o risco de hipertensão, enfarto, ataque cardíaco, câncer, obesidade, diabetes, e outras doenças. Nos dias atuais, muitos médicos alertam aqueles que comem carne a incluírem em suas dietas apenas as carnes limpas e bem cozidas, bem como de peixe, e ainda assim, comê-las esporadicamente.

    Por perceberem que as pessoas que se alimentam de uma dieta vegetariana são mais saudáveis e vivem por mais tempo, muitos especialistas em nutrição e saúde afirmam que seria bom voltarmos à dieta original da humanidade, formada por plantas, grãos e frutas, com o acréscimo de vegetais.

    Se você pretende começar uma alimentação totalmente vegetariana, certifique-se antes de entender como proporcionar uma dieta balanceada com todos os nutritivos e sem carne. Coma cinco ou seis porções por dia de uma grande variedade de frutas, plantas, grãos, legumes e vegetais. Os vegetais verdes e amarelos, juntamente com as frutas cítricas, são especialmente importantes. Use farinha de trigo integral, e use arroz integral ao invés de arroz branco.

    Sua ingestão de amido e complexos vitamínicos deveria se constituir de seis ou mais porções por dia. Substitua sua ingestão de gorduras animais (manteiga, creme, requeijão, margarina, etc.) por gorduras vegetais. A dieta acima é adequada se você não come carne, mas usa produtos derivados do leite.

    Aqueles que escolhem ter carne em sua alimentação deveriam comer apenas aquelas que a Bíblia indica como “limpas” ou apropriadas para o consumo humano. Quando Deus deu permissão para as pessoas comerem carne, depois do dilúvio (Gênesis 7:2, 3; Levítico 11:47), Ele definiu quais carnes eram limpas e quais eram imundas e não apropriadas para serem comidas.

    Leia em Levítico 11 e Deuteronômio 14 a lista de pássaros, animais e peixes que Deus denominou impróprios de serem comidos. De acordo com esses capítulos, os animais limpos devem ter unha fendida e devem ruminar. Os peixes limpos devem ter tanto escamas quanto barbatanas. As aves de rapina também são proibidas.

    Dentre os animais impuros, os suínos em especial são mencionados e condenados (Deuteronômio 14:8). Uma grande porcentagem de corpos humanos que foram autopsiados estava infectada com a triquina. Essas pequenas larvas são transmitidas aos seres humanos pela ingestão da carne de porco. Pesquisas científicas atuais revelam cada vez mais o porquê de Deus ter declarado alguns tipos de carne imundos. Uma dessas razões pode ser o perigo de doenças, tais como o verme da triquina, que é encontrado no porco. Outra razão pode ser os efeitos devastadores da gordura saturada ao sistema digestivo humano.

    7. EVITAR SUBSTÂNCIAS PREJUDICIAIS

    Que conselhos a Bíblia nos dá sobre bebidas alcoólicas?

    “O vinho é zombador, e a bebida fermentada provoca brigas; não é sábio deixar-se dominar por eles”. Provérbios 20:1

    “Nem ladrões, nem avarentos, nem ALCOÓLATRAS, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus”. I Coríntios 6:10

    O álcool afeta os seguintes sistemas do corpo:

    “a) O sistema imunológico – o álcool diminui a habilidade dos leucócitos de lutar contra as doenças, aumentando com isso o risco de pneumonias, tuberculoses, hepatites, e vários tipos de câncer.

    b) O sistema endócrino – apenas duas ou três doses de bebida alcoólica por dia aumenta o risco de abortos espontâneos, morte prematura e nascimentos prematuros.

    c) O sistema circulatório – o uso de álcool aumenta o risco de doença das coronárias do coração, reduz o açúcar no sangue e eleva a pressão sangüínea, causando a hipertensão.

    d) O sistema digestivo – O álcool irrita o estômago, causando assim um sangramento gástrico… O uso habitual do álcool aumenta o risco de problemas no rim, de hepatite, e de cirrose do fígado”.

    O álcool é responsável por um grande número de suicídios, mortes em acidentes de automóveis, casos de abuso infantil e violência familiar.

    8. CONFIANÇA NO PODER DIVINO

    Uma pessoa perseguida por medo ou culpa terá dificuldades em se beneficiar completamente dessas práticas saudáveis que acabamos de descrever. Por outro lado, uma pessoa que desfruta de uma fé ativa em Deus irá experimentar a maior fonte de bem estar:

    “Bendiga o Senhor a minha alma! Não esqueça nenhuma das Suas bênçãos! É Ele que perdoa todos os seus pecados e CURA TODAS AS SUAS DOENÇAS, que RESGATA A SUA VIDA da sepultura”. Salmo 103:2-4

    David Larson, um consultor do Instituto de Saúde Mental do Estados Unidos, fez uma extensa pesquisa sobre a relação entre religião e saúde. Seu estudo demonstrou uma ligação direta entre um cristão praticante e a saúde. Ele se surpreendeu ao descobrir que aqueles que freqüentam a igreja vivem mais tempo que os que não freqüentam. Os freqüentadores de igreja têm um número menor de incidência de ataque do coração, endurecimento das artérias, pressão alta, e outras doenças. Aqueles que têm fé em Deus vivem produzindo mais porque têm menos tendência a ficarem depressivos, a se tornarem alcoólatras, a serem presos por desacato, ou a se envolverem num casamento infeliz. Confiança no poder divino é a base para um bem estar genuíno e uma vida saudável e feliz.

    Aproximadamente 50.000 adventistas do sétimo dia foram estudados, primariamente na Califórnia, EUA, durante 30 anos. Os resultados mostraram que os homens adventistas vivem 8,9 anos a mais e a as mulheres 7,5 anos a mais que a média da população em geral. Estudos feitos em Adventistas na Holanda, Noruega e Polônia apresentaram resultados parecidos. Os pesquisadores atribuem uma expectativa de vida maior dos adventistas devido ao costume que eles têm de seguir alguns ou todos os oito princípios de saúde esboçados nessa lição. Aqueles que seguem esses princípios não apenas têm uma vida mais longa, mas também vivem qualitativamente melhor.

    Aplicar a perspectiva bíblica à nossa vida faz diferença em tudo, oferecendo com isso evidência convincente de que o cristianismo é a religião mais prática e razoável de todo o mundo. Ela muda as pessoas – seu modo de pensar e de agir – e cria um novo estilo de vida.

    Em virtude da íntima relação entre mente, corpo e vida espiritual, os cristãos que vivem pela Palavra de Deus desejarão seguir os princípios de um estilo de vida saudável enquanto se preparam para a segunda vinda de Jesus (I João 3:1-3). Cristo não deseja apenas que estejamos prontos para encontrá-lO quando Ele vier, mas também deseja melhorar a qualidade de nossas vidas no presente. Podemos cooperar com Ele ao seguir os princípios básicos de saúde de Deus.

    Jesus promete nos libertar de todo hábito prejudicial pelo Seu “poder que atua em nós” (Efésios 3:20). Se você está tentando superar algum hábito prejudicial à sua saúde, tal como o uso do tabaco ou de bebidas alcoólicas, suas melhores resoluções para deixar isso de lado freqüentemente se transformam em promessas não cumpridas. Mas, ao nos apropriarmos do poder de Deus que “atua em” nós, Deus nos dará forças para superar qualquer coisa. A Palavra de Deus promete: “Tudo posso nAquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

    http://www.discoveronline.org/portuguese/portug18.htm

    A saúde física e mental – Subsídios

    SUBSÍDIOS

  • A saúde física e mental - 1
  • A saúde física e mental - 2
  • A saúde física e mental - 3
  • A saúde física e mental – 2

    LIÇÃO Nº 6 – A SAÚDE FÍSICA E MENTAL

    Fonte – www.escoladominical.com.br

    Embora seja conseqüência do pecado dos primeiros pais, a doença somente será extirpada quando da glorificação da Igreja.

    INTRODUÇÃO

    - O homem foi criado perfeito, tanto física quanto moralmente. O pecado fez com que o homem estivesse sujeito à morte física e, conseqüentemente, à doença.

    - A doença, embora possa ser debelada pelo poder de Deus, não será extirpada do gênero humano enquanto não houver a glorificação, quando, então, estaremos totalmente imunes de toda e qualquer enfermidade.

    I – A SAÚDE

    - Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, saúde é “estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para a forma particular de vida (raça, gênero, espécie) e para a fase particular de seu ciclo vital”, é o “estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar”. Vem do latim “salus, salutis”, que significa “salvação, conservação da vida”.

    - Como se pode perceber, pelas definições dadas, a saúde é um quadro de manutenção da vida, de pleno funcionamento de todos os órgãos e de uma harmonia entre todas as funções do organismo. Nada mais é, portanto, do que a realização daquilo que foi projetado para o organismo, o cumprimento de todo o propósito estabelecido para aquele ser vivo.

    - É, portanto, claro que o estado de saúde exige, para sua ocorrência, que se tenha a perfeita realização do propósito divino para o homem. A saúde é o pleno funcionamento do organismo humano, o cumprimento do propósito divino, pois foi Deus quem criou o homem (Gn.1:26,27), como, aliás, estudamos na lição anterior.

    - Para que houvesse plena saúde, porém, seria preciso que o homem se mantivesse de acordo com o propósito divino, que era, como vemos no relato da criação, o de manter uma comunhão com Deus e de, a partir desta comunhão, dominar sobre a criação terrena. Temos aqui a síntese do que se chamou de “mordomia”, ou seja, o homem deveria ser servo de Deus, cuidando da Terra para o Senhor.

    - Contudo, o homem não obedeceu a este propósito divino e pecou.Ao desobedecer a Deus, o homem perdeu este estado de equilíbrio, tanto que um dos juízos lançados por Deus sobre ele foi o da morte física: “…maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também de produzirá e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás…” (Gn.3:17 “in fine”-19).

    - A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra, antes o local da realização do propósito divino para o homem, passou a ser um obstáculo para este mesmo ser humano. A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem. A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem.

    - O homem passou a ter a natureza como um obstáculo, como um fator de estorvo, em vez de um complemento que só lhe trazia alegria e ajuda na sua sustentação (Gn.2:9). A natureza passou a colaborar com a perda da saúde, passou a ser um fator que contribuiria para a corrupção progressiva e constante do corpo humano. Daí termos o fato de a natureza ter seres que, para o homem, são geradores de doenças, os chamados “agentes patogênicos”. Isto é resultado da sentença divina sobre o homem, por causa do pecado, algo que somente será modificação depois que a natureza for redimida (Rm.8:19-23), o que ocorrerá apenas por ocasião do reino milenial de Cristo (Is.11:6; 65:25).

    - Como se não bastasse o fato de a natureza passar a colaborar para a degeneração do homem, temos que o próprio organismo humano, por si só, após o pecado, haveria de iniciar sua marcha para a sua extinção. Como resultado do pecado, o corpo humano passou a sofrer de uma degeneração contínua, independentemente da ação de “agentes patogênicos”, porque o Senhor estabeleceu que o homem deveria tornar à terra, ou seja, que haveria uma inexorável e inevitável caminhada do organismo de volta à terra, ou seja, que o corpo tenderia a se desfazer, a deixar de existir enquanto tal.

    - Assim, podemos afirmar que a doença e a morte física não estavam projetadas para o homem, não faziam parte do propósito divino, mas que são resultado do pecado, conseqüências do pecado. Assim, quando Deus apresentou o Seu plano da salvação, esta teria, necessariamente, de propiciar um mecanismo de erradicação da doença e da morte física. A salvação é o restabelecimento da comunhão entre Deus e o homem, o retorno à condição originalmente prevista para o ser humano, demonstrando, desta maneira, tanto a fidelidade divina, quanto a Sua misericórdia.

    - A saúde do homem, portanto, é um objetivo perseguido por Deus quando do estabelecimento do plano da salvação. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29), ao tirar o pecado, haveria, também, de tirar tudo aquilo que era conseqüência do pecado, ou seja, a morte física e o seu corolário, que é a doença. Não é por acaso que, durante Seu ministério terreno, Jesus tenha, por diversas vezes, curado enfermos, como comprovação de que Seu trabalho, sobre a face da Terra, era restaurar aquele estado anterior ao pecado, um estado onde a doença simplesmente inexistia (Mt.8:16; 12:15; 14:14; 19:2; 21:14; Mc.1:34; 6:5; Lc.7:21). Na sua feliz síntese do ministério de Cristo, o apóstolo Pedro não deixou de lembrar que Jesus “…andou fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At.10:38b).

    - O plano de Deus para a salvação do homem, portanto, abrange a cura das enfermidades dos homens, a erradicação da doença, o restabelecimento da saúde. Como Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8), continua a ser Aquele que foi dar saúde ao criado do centurião romano (Mt.8:7), o mesmo que foi anunciado por Pedro e que deu saúde para Enéias (At.9:34). Por isso, dentre as tarefas que o Senhor deixou à Sua Igreja, está a de curar os enfermos (Mc.16:18).

    - No entanto, o fato de que a saúde faz parte do plano de Deus para a salvação não significa que a doença venha a ser erradicada da vida de todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. Assim como o fato de ser salvo não nos livra da morte física, conseqüência praticamente inevitável do pecado e que acomete tanto os salvos quanto os ímpios, assim também não estamos imunes à doença. Jesus cura os enfermos, este é um sinal de que venceu a morte e o inferno, de que é o Salvador do mundo, mas daí a se dizer que todo salvo não fica doente há uma grande distância.

    - Assim falamos porque, lamentavelmente, entre os falsos ensinos destes últimos dias está o da chamada “doutrina da confissão positiva”, que defende a idéia de que a doença tem como causa o pecado e que, quando somos perdoados de nossos pecados, adquirimos, como efeito da salvação, a imunidade à doença. Assim, sendo este falso ensinamento, que tem encontrado guarida em muitos púlpitos na atualidade, quando uma pessoa está doente isto é sinal de que perdeu a comunhão com Deus, que pecou e, por isso, adoeceu. Doença para o salvo seria, pois, efeito imediato do pecado, da perda da comunhão com Deus.

    - É importante afirmar que este pensamento não é novo. Na verdade, é uma das mais antigas distorções que se tem notícia nas Escrituras. É a tese apresentada pelos amigos de Jó, que, depois de terem chorado durante sete dias ao ver o lamentável estado em que se encontrava o patriarca (Jó 2:12,13), acometido de uma enfermidade terrível, que o transformou numa verdadeira “ferida ambulante” da cabeça aos pés (Jó 2:7), passaram a atribuir a doença dele a um suposto pecado cometido e que deveria ser confessado. No entanto, Jó sempre se declarou inocente, inocência esta que foi atestada pelo próprio Deus, mesmo depois que Jó estava doente (Jó 42:7).

    - A começar de Jó, portanto, vemos que o fato de uma pessoa ficar doente não significa que seja, necessariamente, alguém que esteja sofrendo de uma punição divina por causa de seus próprios pecados. A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres de Deus que, apesar de terem uma vida de comunhão com o Senhor, adoeceram e, por vezes, até morreram doentes, sem que esta doença significasse qualquer desvio espiritual ou pecado por parte do servo do Senhor. A propósito, o profeta que maior número de milagres fez no Antigo Testamento, Eliseu, em que repousava porção dobrada do Espírito Santo que havia estado em Elias, diz-nos as Escrituras, morreu por causa de uma doença (II Rs.13:14).

    - A doença é uma conseqüência do juízo divino sobre a humanidade, feita ao primeiro casal, por causa do pecado. Herdamos do primeiro casal, em cujos lombos já estávamos (cfr. Hb.7:10), a natureza pecaminosa e passamos a viver numa terra amaldiçoada em virtude da iniqüidade. Nascidos à imagem e semelhança de Adão (Gn.5:3), concebidos em pecado (Sl.51:5), não temos como deixar de possuir um corpo que está marcado para tornar à terra, como também uma natureza que, adquirida a consciência, nos leva a pecar contra Deus. Estamos destinados a tornar à terra e, como tal, não temos como fugir da doença. Pode ser que morramos por motivo outro que não a doença, mas jamais podemos dizer que, por causa da salvação, jamais ficaremos doentes.

    - O corpo humano será redimido pela obra salvadora de Cristo Jesus, mas isto não é algo que já tenha acontecido, mas algo que ainda esperamos (Rm.8:23), algo que acontecerá somente com a glorificação, estágio final do processo da salvação (I Co.15:50-56), que, para a Igreja, se dará quando do arrebatamento. A morte é o último inimigo a ser vencido, algo que se dará tão somente com a destruição do sistema mundano, como nos mostra, claramente o capítulo 25 do livro do profeta Isaías.

    - Assim, como ainda estamos neste “corpo do pecado”, enquanto ainda temos um corpo corruptível, o corpo que está destinado à terra, de onde foi formado, temos de conviver com a doença, ela pode aparecer como uma ocorrência em nossas vidas, ainda mais nos tempos trabalhosos em que vivemos, dias em que, apesar da multiplicação da ciência (Dn.12:4), surgiriam cada vez mais doenças (Mt.24:7).

    - É oportuno deixar consignado que Deus pode atuar, ao lançar juízos sobre os homens, trazendo doenças sobre as pessoas. É uma das formas de Deus demonstrar Seu desagrado para com o pecado. A Bíblia está, também, repleta de exemplos em que doenças foram utilizadas para julgamento de nações e de povos, como a quinta praga lançada sobre o Egito, a praza das úlceras (Ex.9:8-12); a lepra, que, durante toda a história do povo hebreu, sempre esteve vinculada a uma maldição ou juízo divinos, como nos casos de Miriã (Nm.12:10), de Geazi (II Rs.5:27), e do rei Uzias (II Rs.15:5) e as doenças que acometeram tanto um rei fiel como Asa, mas que havia entristecido o Senhor ao perseguir um profeta(II Cr.16:9,10,12), como um rei infiel, como o rei Jeorão de Judá (II Cr.21:18,19).

    - Mas, também, não podemos nos esquecer que, por vezes, a doença foi impingida por Deus não por causa de algum pecado, mas com outros objetivos, como a retidão e sinceridade de alguém, como no caso do filho de Jeroboão (I Rs.14:12,13), ou, mesmo, para a manifestação das obras de Deus, como no caso do cego de nascença (Jo.9:1-3). Vemos, portanto, que a doença não está necessariamente vinculada a pecado e que é, antes de tudo, uma ocorrência a que estão sujeitos todos os homens, diante da sua própria constituição estrutural, depois que o pecado entrou no mundo.

    II – O CUIDADO COM A SAÚDE FÍSICA

    - Sendo a saúde um estado criado pelo próprio Deus e que se encontra precarizado, tornado imperfeito e insuficiente por causa do pecado, logo percebemos que se trata de um bem que deve ser preservado pelo ser humano. Quando o homem se conscientiza que a saúde é uma dádiva divina, é um estado que corresponde ao propósito de Deus, um dentre tantos dons que o Senhor nos concede, reconhece a necessidade que tem, diante do Senhor, de se esforçar para a sua manutenção, sabendo que, como tudo é do Senhor (Sl.24:1), terá de prestar contas do que fez com o seu organismo durante o tempo de peregrinação sobre a face da Terra (Sl.119:19a).

    - O cuidado com a saúde insere-se, portanto, dentre aquelas tarefas que foram cometidas ao ser humano na sua qualidade de “mordomo-mor” sobre a face da Terra. Temos de cuidar de nosso organismo, porque a vida é um dom dado por Deus (Gn.2:7; I Sm.2:6) e que nos está “emprestado”, que nos foi dado em confiança, motivo por que deveremos prestar contas do que tivermos feito com ele, em especial aqueles que alcançarem a salvação na pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Co.5:10).

    - A Bíblia Sagrada afirma que o corpo do salvo é templo do Espírito Santo (I Co.6:19). Sendo templo, é algo que é sagrado, algo que se encontra dedicado para o serviço de Deus. Nosso corpo é morada do Espírito Santo, é a Sua habitação. Sendo assim, devemos manter o nosso corpo em perfeita santidade, porque Deus é santo. Não só não podemos usar nosso corpo como instrumento do pecado, porque isto é comportamento de quem não alcançou a salvação (Rm.6:12,13), como também devemos ter o corpo pronto para ser oferecido em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional (Rm.12:1).

    - Como templo do Espírito Santo e como instrumento de justiça e de adoração, o corpo do salvo não pode, em hipótese alguma, ser mantido em um estado de contaminação com o pecado, nem tampouco num estado de fraqueza e de debilidade que comprometa o nosso raciocínio, o nosso pensamento, o nosso discernimento, seja espiritual, seja natural. Precisamos ter um corpo sadio, para que nossas faculdades mentais tenham condição de também se desenvolver plenamente, sem o que não poderemos servir a Deus de acordo com a Sua vontade. “Mens sana in corpore sano” (isto é, mente sã em corpo são) é uma exigência divina para que possamos servir a Deus a contento, de acordo com a excelência da Sua santidade.

    - Mas a Bíblia Sagrada também se refere ao corpo como sendo um tabernáculo ou uma tenda. Paulo diz que o nosso corpo é a “… nossa casa terrestre deste tabernáculo…” e, mais, que se trata de uma casa que irá se desfazer (II Co.5:1). Pedro, também, utiliza-se da mesma figura, ao afirmar que “…brevemente hei de deixar este meu tabernáculo…” ( II Pe.1:14).

    -   Esta figura do corpo como sendo o tabernáculo é muito profunda e significativa. Trata-se de uma expressão utilizada por quem tinha pleno conhecimento do significado do tabernáculo para o povo de Israel. A palavra ” tabernáculo”  quer dizer habitação, morada e diz respeito à construção móvel que Deus determinou que Moisés fizesse e que acompanhou o povo na sua peregrinação no deserto e que existiu até a construção do templo no reinado de Salomão. O que o tabernáculo pode nos ensinar a respeito do nosso corpo?

    - Em primeiro lugar, o tabernáculo era uma construção móvel (Nm.10:21), ou seja, era uma edificação que não foi feita para ficar no mesmo lugar durante todos os tempos, mas algo que ia de um lugar para outro, embora estivesse seguindo um caminho pré-determinado por Deus (qual seja, a Terra Prometida). O nosso corpo, também, não é algo que foi feito para perdurar para sempre. O corpo é algo passageiro, algo que tem um tempo determinado, algo que está submetido ao espaço e ao tempo, algo que envelhece, algo que se modifica, mas algo que deve ser conduzido com um objetivo previamente determinado pelo Senhor, assim como o tabernáculo era levado pelo povo para um lugar já mostrado a Israel por Deus.

    - Quando temos consciência de que o nosso corpo é uma construção móvel, é algo que serve para nossa peregrinação no caminho traçado pelo Senhor para cada um de nós, temos uma conduta totalmente diferente com relação a nosso corpo do que o temos feito ou que as pessoas sem esta consciência fazem. Não podemos tratar o corpo como algo irrelevante para Deus quando tomamos consciência de que ele é algo que devemos conduzir na nossa caminhada para o céu.

    -  Em segundo lugar, o tabernáculo era uma construção que foi feita para um determinado período da história de Israel(I Rs.8:4), ou seja, não foi algo que perdurou para sempre. Nosso corpo, de igual forma, não foi feito para durar para sempre. Nosso corpo é do pó da terra e a ele tornará(Gn.3:19) ou, se estivermos entre aqueles que serão arrebatados ainda vivos, teremos nossos corpos transformados num corpo glorioso(I Co.15:52). O corpo é uma casa terrestre que se desfará, como diz o apóstolo Paulo. Quando sabemos que o nosso corpo irá se desfazer, que ele não herdará a vida eterna, não damos vazão a pensamentos e a desejos instigados pela natureza pecaminosa que têm por finalidade e objetivo a satisfação de necessidades criadas unicamente para o corpo, pois, então, teremos noção de que o corpo é algo passageiro, algo feito apenas para esta dimensão terrestre e que não pode comprometer a nossa eternidade.

    - Em terceiro lugar, o tabernáculo foi construído segundo um modelo dado por Deus a Moisés(Ex.25:40). Nosso corpo foi feito segundo a vontade de Deus, pois foi o próprio Deus que o formou e, portanto, deve ser utilizado segundo o modelo estabelecido pelo Senhor, ou seja, deve ser usado e administrado de acordo com a forma determinada por Deus e que se encontra nas Escrituras Sagradas. Qualquer uso do corpo fora destes parâmetros, portanto, é algo que não deve ser admitido nem adotado por um mordomo do Senhor.

    - Quando percebemos que o corpo foi feito por Deus e segue um modelo Seu, imediatamente abandonamos o falso pensamento de que ” Deus só quer o coração” e de que as coisas relativas ao corpo são irrelevantes do ponto-de-vista de nossa vida espiritual ou que sejam até assunto que prejudique a nossa comunhão com o Senhor. Passamos a ter consciência de que o corpo não é primordial no nosso contacto com Deus mas tem um papel a cumprir, de tal maneira que temos de levá-lo em conta e com ele também nos ocuparmos para que sejamos achados servos fiéis e prudentes por nosso Senhor.

    - Em quarto lugar, o tabernáculo não se confundia com a glória de Deus(Ex.40:34-38), mas era através dele que o povo de Israel notava a presença e a direção de Deus na caminhada para Canaã. Nosso corpo, de igual maneira, não se confunde com a glória de Deus. Nosso corpo é matéria, enquanto que Deus é espírito (Jo.4:24), mas é o nosso corpo que serve de receptáculo para a glória do Senhor, para o Seu Espírito. É neste corpo que habita a Divindade (Jo.14:23), de tal maneira que o corpo é também figurado como sendo o templo do Espírito Santo (I Co.6:19). Por causa disto, tudo o que fazemos neste mundo é conhecido dos demais homens através deste corpo e, por meio dele, as pessoas darão, ou não, glória a Deus pelos nossos atos (Mt.5:16) e é pela forma de que dele nos utilizamos que seremos julgados pelo Senhor no tribunal de Cristo (II Co.5:10).

    - Quando temos consciência de que o nosso corpo é o instrumento que Deus nos dá para que, neste mundo, o Seu nome seja glorificado pelas obras que façamos, quando percebemos que ele é o veículo pelo qual os demais homens notarão a presença e a direção de Deus em nós e para eles, passamos a ter um comportamento totalmente diverso da conduta negligente e displicente que muitos têm levado em relação aos seus corpos. Os homens não têm condições de ver o nosso interior, de compreender-nos pelo que há dentro de nós, mas somente perceberão o que há em nós, a nossa eterna salvação, a nossa pureza, a nossa felicidade através de nosso corpo, pois é ele que, a exemplo do tabernáculo, fará o homem natural notar que, dentro de nós, dentro daquele invólucro, está a presença e a direção do Senhor.

    - Em quinto lugar, o tabernáculo era uma edificação que, exteriormente, não causava esplendor, admiração ou atenção. Com efeito, revela-nos a Bíblia que a parte externa do tabernáculo era composta de uma cobertura de peles de teixugo em cima(Ex.25:14),última cobertura de uma série de camadas de outras peles, cobertura que não causava nenhuma admiração a quem a visse, ao contrário, por exemplo, do templo (seja o primeiro, seja o segundo, como vemos, v.g., em Mt.24:1). De igual modo, o nosso corpo não deve ser o alvo de nossas atenções. A satisfação de suas necessidades não deve ser o centro de nossas vidas (Mt.6:31-33), mas devemos procurar aparecer menos na aparência e na fisionomia e nos conscientizarmos de que, sobre nós, sobre o nosso corpo, deve reluzir a glória de Deus (Jo.3:30).

    - Quando nos conscientizamos de que o nosso corpo não deve ser um fim em si mesmo, nossa conduta passa a ser diferente do comportamento que tanto tem caracterizado os nossos dias de culto ao corpo e a tudo o que lhe diz respeito, culto este que tem, inclusive, já invadido a comunidade evangélica. Vivemos, hoje, a época do domínio da moda, da aparência, da beleza estética, com um sem-número de distúrbios e desequilíbrios de toda a sorte. Teremos a devida conduta e nos aproximaremos da modéstia que tanto caracterizou o nosso Senhor em sua vida terrena se nos lembrarmos de que o corpo não deve ter parecer nem formosura, mas deve ser capaz de tornar visível a glória de Deus para os que conosco convivem (vide lições do terceiro trimestre de 2003: 8 – Cuidando do corpo e da mente e 12 – A modéstia cristã).

    - Em sexto lugar, o tabernáculo era uma edificação que foi feita com a vinda de materiais de todo o povo de Israel, de tudo quanto Deus tinha dado ao Seu povo quando ele saiu do Egito, uma contribuição coletiva e voluntária de todos os israelitas (Ex.35:20-29). De igual modo, Deus, ao fazer o corpo do homem, teve a contribuição de todos os elementos da terra, pois, como vimos, a composição química do organismo humano possui todos os elementos, ainda que em pequenas quantidades, como a demonstrar que o nosso corpo é o resultado de uma cooperação coletiva de toda a natureza.

    - Quando observamos que o nosso corpo é resultado de uma combinação de todos os elementos da terra, percebemos, como nunca, que o homem deve respeitar a natureza e dela cuidar com extremo zelo, pois somos, por assim dizer, uma síntese da natureza. Deus fez-nos desta natureza, dotou-nos de um corpo que é a combinação de toda a natureza, para que nos sentíssemos integrados nela, como elemento-chave para a manutenção do seu equilíbrio. Quando não exercemos bem esta mordomia, sofremos juntamente com a natureza e, tal como ela, nosso corpo aguarda uma redenção (Rm.8:22,23).

    - Em sétimo lugar, o tabernáculo foi substituído pelo templo de Salomão, mais majestoso e cuja glória ficou indelevelmente marcada na mente dos israelitas, mesmo após décadas de cativeiro (Ed.3:12). Aliás, o que caracteriza e diferencia o templo (ou os templos) do tabernáculo é que nele(s) a glória de Deus era uma nota marcante (I Rs.9:3;Ag.2:7), enquanto que, no tabernáculo, ela se efetivava pela nuvem ou pelo fogo, que ficavam sobre o tabernáculo (Ex.40:38). De igual modo, o nosso corpo, tal qual o tabernáculo, tem a glória de Deus sobre nós, quando a Ele nos consagramos e, através de nosso corpo, esta glória é demonstrada aos demais seres humanos, mas não se trata de um corpo glorioso, de um corpo que tenha a glória como sua característica. Este corpo terreno jamais será caracterizado pela glória, pois é um corpo terreno, corpo este que será substituído por um corpo espiritual, um corpo glorioso (I Co.15:40-49).

    - Quando temos consciência de que o corpo que agora temos será substituído por um corpo espiritual, por um corpo glorioso, passamos a viver diferentemente, na perspectiva da vinda de Jesus e da eternidade, perspectivas estas indispensáveis para que tenhamos uma vida santa e consagrada a Deus (vide lição 13 do terceiro trimestre de 2003 – Esperando a vinda de Jesus).

    - Além de ser comparado a um tabernáculo, o corpo é também chamado de “templo do Espírito Santo” (I Co.6:19), como vimos supra, numa perspectiva que já vimos, em parte, ao tratarmos da consideração do corpo como tabernáculo, pois tanto o templo, quanto o tabernáculo nos dão de idéia de morada, de habitação. Esta morada e esta habitação, entretanto, representam algo mais do que o que já temos falado, ou seja, de que seja uma morada de Deus. Quando dizemos que o corpo é o templo do Espírito Santo, devemos ter a exata noção desta afirmação diante do que se entendia por templo na época em que foi escrito o texto pelo apóstolo Paulo.

    - Quando Paulo fala em templo, está se referindo a um lugar de adoração, a um lugar onde a divindade era cultuada. Como judeu que era, Paulo, ao se utilizar da expressão  ” templo” bem sabia que estava se referindo a um lugar de adoração, pois o templo era a casa santificada pelo próprio Deus, onde Deus prometera estar presente e atento a todas as súplicas do Seu povo (I Rs.9:3; II Cr.7:16) bem como casa de sacrifício, onde Deus prometer estar pronto a perdoar e purificar o Seu povo (II Cr.7:12-14). Ao mesmo tempo, enquanto apóstolo dos gentios, escrevendo para gentios (“in casu”, os coríntios), Paulo sabia que o templo era um local onde se praticava o culto às divindades, onde os gentios sacrificavam e praticavam atos que agradavam aos deuses, tanto assim que, por exemplo, os deuses de fertilidade tinham seus templos como verdadeiros prostíbulos e locais de obscenidades.

    - Assim, quando Paulo nos afirma que o nosso corpo é templo do Espírito Santo, está nos dizendo que o corpo deve ser uma parte do homem que deve ser destinada a agradar ao Senhor. O corpo é um local onde devemos adorar a Deus, um lugar onde devemos demonstrar a pureza de nosso interior, um lugar que deve demonstrar o perdão dos nossos pecados, um lugar onde tudo o que façamos tenha por objetivo agradar a Deus. Muito ao contrário dos que defendem a falsa doutrina de que ” Deus só quer o coração”, o que a Bíblia nos ensina, através desta figura, é que o corpo é o lugar em que devemos adorar a Deus, ou seja, servi-lO. É através do corpo que estaremos comprovando se, realmente, fomos santificados, fomos perdoados, fomos purificados e se, realmente, estamos agradando a Deus.

    - Outra expressão bíblica utilizada para o nosso corpo é a que compara o corpo humano a um vaso de barro. Jeremias, no capítulo 18 de seu livro, relata-nos a experiência que Deus lhe fez passar na casa do oleiro, em que diz que o homem nada mais é do que um vaso de barro nas Suas mãos (Jr.18:6) e, no livro de Lamentações, afirma que os filhos de Sião ” são reputados por vasos de barro ” (Lm.4:22). Paulo, quando escreve aos coríntios, também afirma que temos o conhecimento de Jesus Cristo, um verdadeiro tesouro, “em vasos de barro” (II Co.4:2) e torna a fazer a comparação do homem como um vaso de barro quando escreve a Timóteo, dizendo que “…há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém para desonra” e que “… se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor…” ( II Tm.2:20,21).

    - A imagem do oleiro e do vaso é uma figura bíblica que nos fala do homem exterior, do corpo humano e que demonstra que seu criador é o Senhor, tanto quanto das demais partes do ser humano (alma e espírito). Também nos dá conta de que o corpo é um elemento material e que é feito do pó da terra. Mas o prisma que queremos aqui ressaltar desta figura bíblica é a que diz respeito ao corpo como um veículo para a comunicação da glória de Deus. O vaso tem de ter um conteúdo. Não basta que tenha um material, mas que seja usado para guardar um conteúdo. Paulo afirma-nos que este conteúdo tem de ser um tesouro, ou seja, que o vaso esteja próprio para ” a iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( II Co.4:6b). Nosso corpo deve servir para que Jesus seja glorificado entre os homens, deve refletir ” como um espelho a glória do Senhor” (II Co.3:18).

    - Quando falamos que nosso corpo é um vaso de barro, ressaltamos a fraqueza de nosso corpo, a sua debilidade, a sua fragilidade, a sua dependência extrema da parte do oleiro, que é o Senhor. Quando nos conscientizamos de que nosso corpo é débil, é frágil, é apenas um vaso de barro, não damos importância à aparência, passamos a ser vigilantes quanto à manutenção do conteúdo, pois o vaso, em si mesmo, valor algum tem, pois é apenas um vaso de barro, mas o que está dentro de si, o tesouro, este, sim, é dotado de valor e nos faz valer algo. Devemos valorizar o que está dentro de nós, jamais nos deixando iludir pelo astucioso comprador, o adversário de nossas almas (Pv.20:14).

    - Já pudemos perceber que, nos tempos trabalhosos em que estamos a viver, não faltam elementos que procuram distorcer este cuidado com a saúde física, buscando nos levar para uma destruição completa deste “tabernáculo”, deste “templo do Espírito Santo”.

    - Dentre as características dos homens dos tempos trabalhosos, como temos estudado durante este trimestre, está a amizade com os deleites acima da amizade com Deus (II Tm.3:4). A busca incessante do prazer a todo custo tem sido uma tônica da atualidade. O resultado disto, diante da incontinência, que também é característica do nosso tempo, é um sem-número de doenças e de enfermidades que atingem níveis nunca antes vividos no planeta, de tal sorte que, apesar de todo o desenvolvimento da ciência, está a humanidade a enfrentar um número espetacular de epidemias e endemias em todo o planeta, doenças incuráveis e que estão a matar cada vez mais e cuja cura, muitas vezes, é impossível, porque se encontra além das próprias possibilidades da ciência, por mais evoluída que ela possa ser.

    - A busca incessante do prazer tem multiplicado os problemas relacionados com as doenças sexualmente transmissíveis (DST), entre as quais ganha relevo a “aids” (síndrome de imunodeficiência adquirida), enfermidade que tem matado milhões de pessoas anualmente em todo o mundo, apesar dos esforços gigantescos dos governos e das grandes corporações da indústria química em busca de uma cura. Não só a “aids”, mas todas as demais doenças sexualmente transmissíveis (cada vez mais freqüentes e que não são debeladas, embora muitas tenham cura) revelam um ambiente de promiscuidade e de prostituição, uma sexualidade que está totalmente em desacordo com os princípios estabelecidos por Deus. O homem, na sua arrogância e rebeldia, não admite reconhecer a necessidade de uma modificação de sua conduta sexual, preferindo criar paliativos como o “sexo seguro” e a massificação do uso de preservativos, a admitir que a segurança e a saúde dependem, fundamentalmente, de se voltar ao que determina a Palavra de Deus a respeito. Não é à toa que, embora os grupos de risco tenham sido modificados ao longo dos anos, jamais se encontre entre eles o grupo dos verdadeiros e genuínos servos do Senhor que praticam o sexo conforme os ditames da Bíblia Sagrada.

    - Outro grave problema de saúde dos nossos dias é a obesidade, já considerada uma verdadeira endemia, inclusive, e a começar dos países desenvolvidos, ditos de Primeiro Mundo. A obesidade é resultado de uma alimentação desequilibrada, fundada em alimentos industrializados e que são produzidos sob o prisma do lucro cada vez maior, bem como de um sedentarismo, que é fruto do luxo e do conforto buscados cada vez mais pela “sociedade globalizada de consumo”. A falta de exercícios físicos e a má alimentação resultam no aumento da massa corporal, com inevitável comprometimento das funções orgânicas, gerando uma série de desequilíbrios, que nada mais são que fatores geradores de doenças. Hoje, temos crianças e adolescentes sofrendo de enfermidades que eram, até pouco tempo atrás, peculiares aos idosos, como hipertensão arterial, diabetes e arterioesclerose. O combate à obesidade exige uma total transformação do atual “modus vivendi” da humanidade, o que está fora do alcance da ciência médica. A ganância, a busca do luxo, em uma palavra, o amor do dinheiro (I Tm.6:10), não permitem que se reverta um quadro tão prejudicial ao gênero humano.

    - Por se falar em ganância e em amor do dinheiro, estão eles também vinculados a outro grave problema de saúde registrado nos dias atuais, as doenças que são subproduto da desnutrição alimentar e das precárias condições de saneamento básico em todo o mundo. Milhões de pessoas morrem por causa das péssimas condições de higiene a que estão submetidas, bem como por causa da fome. A miséria e a exclusão de milhões de pessoas dos benefícios do progresso e da civilização têm gerado mortes sobre mortes. A contaminação da água pela falta de sistemas de esgotos, a falta de tratamento da água, a falta de alimentação num mundo cada vez mais poluído e hostil à espécie humana são causadores de inúmeras doenças e mortes. Os tempos trabalhosos dos homens “amantes de si mesmo”, “cruéis”, “sem amor para com os bons” têm produzido milhares de mortos entre crianças inocentes e pessoas que sofrem o processo desumano e antibíblico de exclusão social e de concentração de renda nas mãos daqueles que estão a enriquecer cada vez mais, da “futura corte do Anticristo” (cfr. Ap.18).

    III – O CUIDADO COM A SAÚDE MENTAL

    - Mas, como dissemos supra, não basta cuidarmos do corpo. A saúde envolve, também, a mente, esta faculdade que não é do corpo, mas, sim, da alma. Voltando ao Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, vemos que “saúde mental” é “estado caracterizado pelo desenvolvimento equilibrado da personalidade de um indivíduo, boa adaptação ao meio social e boa tolerância aos desafios da existência individual e social”. A saúde mental é o mesmo estado de equilíbrio que caracteriza a saúde física, mas que está voltada para a personalidade do indivíduo.

    - A alma é aquela porção do homem que nos permite perceber que somos diferentes dos demais seres, que nos permite conhecer a nós mesmos, que faz com que sejamos portadores de um entendimento, de um sentimento, de uma vontade. Esta junção de entendimento, sentimento e vontade é o que se denomina de “PERSONALIDADE”.

    - A palavra ” personalidade”  vem de ” pessoa” que, por sua vez, vem de ” persona”, palavra latina que significa ” pelo som”.  ” Persona”  é o nome que recebiam as máscaras dos atores no teatro antigo. Ao contrário do que ocorre hoje, nos teatros da Grécia ou de Roma, na Antigüidade, os atores não mostravam seus rostos, mas faziam suas apresentações segurando máscaras que escondiam as suas faces, exatamente para que o público soubesse que não eram as pessoas que estavam encenando que viviam aquelas situações mas as “personagens”  da peça teatral. A “pessoa” , portanto, era a personagem, um ser diferente daquele ator que a estava representando no palco.

    - A nossa alma, portanto, é a nossa “pessoa”, é aquilo que nos faz diferentes dos demais, é a nossa parte que nos identifica diante de Deus e dos homens. É a nossa alma que contém a nossa “personalidade”,  aquilo que nós somos e que, através do corpo, tornamos conhecidos aos homens e a Deus (se bem que Deus não necessita da exteriorização do nosso corpo para nos conhecer, pois Ele bem sabe o que há no nosso íntimo, antes que isto venha à tona no mundo exterior – I Sm.16:7; Jo.2:25).

    - Esta personalidade do homem precisa estar sob o governo de Deus. É algo que também nos foi dado por Deus e do qual também deveremos prestar contas diante do Senhor de todas as coisas. Que esta personalidade, que esta individualidade é de Deus não há qualquer dúvida pelo que está nas Escrituras, como, por exemplo, no Sl.24:1, onde, textualmente, diz-se que é do Senhor ” aqueles que nele (i.e., no mundo)  habitam”, ou seja, cada indivíduo, cada alma. Em Ez.18:4, o texto é ainda mais enfático, ao afirmar que ” Eis que todas as almas são Minhas (é o Senhor quem está falando, observação nossa).

    - Quantas vezes ouvimos alguém dizer que não pode mudar, que esta é a sua personalidade, é o seu modo de ser, é o seu temperamento, é o seu caráter, que Deus o fez assim e assim ele será para sempre, tendo os outros de aceitá-lo “por amor ao próximo”. Entretanto, tais pensamentos são totalmente contrários ao que nos ensina a Palavra de Deus. Esta personalidade, esta “nossa” individualidade, este “nosso” jeito de ser não é ” nosso”, mas de Deus. Foi Deus quem nos criou, inclusive a “nossa”  alma e ela tem de estar sob o Seu senhorio. Eis um dos grandes, senão o maior desafio do homem na sua busca de Deus: renunciar-se a si mesmo, renunciar ao seu “eu”, à “sua” personalidade e colocá-la à inteira disposição do Senhor.

    - Não há outro caminho para o fiel mordomo do Senhor, não há outro modo para que possamos agradar a Deus e servi-lO verdadeiramente. É este o sentido da palavra que Jesus proferiu ao dizer que ” quem achar a sua vida (ou alma) perdê-la-á e quem perder a sua vida por amor de Mim achá-la-á” (Mt.10:39). Se negamos a nossa própria personalidade, se deixamos de viver para que Cristo viva em nós(Gl.2:20), ou seja, tenha pleno controle de nossa alma, teremos encontrado a verdadeira vida, que é a comunhão perfeita com o Senhor, pois a alma é do Senhor e não podemos querer nos afastar dEle, o que será morte e a pior de todas as mortes, a morte eterna, a morte espiritual, a chamada segunda morte (Ap.20:14,15).

    - Assim, também temos de cuidar da saúde mental, ou seja, mantermos um equilíbrio em nossa personalidade, equilíbrio este que está diretamente relacionado com a nossa submissão voluntária a Deus e à Sua vontade. Sem que renunciemos a nós mesmos e aceitemos o plano de Deus para as nossas vidas, teremos imensos conflitos em nosso interior e sucumbiremos às enfermidades mentais, aos males psicopatológicos, que, não raras vezes, gerarão doenças físicas, o que se costumou denominar de “doenças psicossomáticas”, males físicos que são causados por problemas psíquicos, distúrbios nas funções orgânicas que têm origem na mente das pessoas, em problemas psicológicos.

    - Os tempos trabalhosos em que vivemos são dias de inúmeros distúrbios mentais. Praticamente não há pessoa que não se queixe de problemas relacionados com a mente, sejam problemas emocionais, sentimentais, afetivos, sejam distúrbios mais graves. Chegou-se mesmo a cunhar o dito popular que de “poeta, médico e louco, todo muito tem um pouco”. O fato, entretanto, é que as enfermidades psíquicas têm aumentado a cada dia que passa.

    - O aumento do pecado no mundo é, sem dúvida, o principal motivo para a intensificação dos problemas psíquicos, das enfermidades mentais. Os tempos trabalhosos são tempos de desamor, de egoísmo, de crueldade, de ingratidão, de falta de afeto natural. O individualismo e egoísmo crescentes levam à completa desconsideração do próximo, levam a um progressivo e contínuo isolamento das pessoas, a uma desconfiança cada vez maior. Tudo isto abala a estrutura psíquica do ser humano, que não foi feito para viver só (Gn.2:18), que necessita ter um mínimo de convivência com o próximo, que precisa amar e ser amado, que necessita receber afeto e carinho, que depende de uma condição mínima de convivência para que possa viver.

    - Os dias de hoje, entretanto, são dias de crueldade, de egoísmo, em que as pessoas temem relacionar-se com outras, medo este que já está se tornando pavor diante da crueldade e da ingratidão reinantes. Neste isolamento de tudo e de todos, os homens angustiam-se, entram em depressão, recorrendo a subterfúgios que somente aumentam ainda mais as suas carências. O uso de drogas para se fugir da realidade e se alcançar a alegria momentânea, a busca do prazer sexual como sucedâneo do amor, a procura das riquezas para se fazer reconhecido e respeitado no meio social, o uso da tecnologia para a criação de mundos virtuais, tudo tem sido vão na solução deste impasse, nesta incessante e incansável investigação para que obter o equilíbrio mental e psíquico, algo que somente se obtém mediante o restabelecimento da comunhão com Deus, o que se faz somente por intermédio de Jesus Cristo.

    - As alternativas que o homem cria para superar esta sua carência de Deus na sua alma não passam de mais algumas das muitas invenções por ele forjadas (Ec.7:29), que somente têm produzido mais problemas emocionais, sentimentais, afetivos e psíquicos. Assim, o uso de drogas aumenta a criminalidade e a violência, gerando ainda mais traumas e problemas de isolamento, piorando a dura realidade dos tempos trabalhosos. O prazer sexual desregrado e ilimitado atinge com ferida mortal a instituição familiar, gerando ainda mais falta de afeto e de proteção ao gênero humano. A ganância também é fator de maior desequilíbrio, com aumento da violência, da criminalidade e redução do homem a mera mercadoria, enquanto que o uso da tecnologia tem animalizado ainda mais o homem, como os perniciosos efeitos da internet têm comprovado atualmente (pedofilia, disseminação da pornografia, pactos coletivos de suicídio etc.).

    - Em meio a este “vazio afetivo e espiritual”, o adversário de nossas almas, que cega o entendimento dos incrédulos para que não vejam a luz do evangelho de Cristo (II Co.4:4), tem intensificado os seus ataques, aproveitando-se da situação para contaminar as mentes humanas com toda sorte de mensagens prejudiciais e destrutivas, seja pelo controle da mídia, onde tem disseminado toda a sorte de falsos ensinos e de doutrinas opostas à Palavra de Deus, seja pela divulgação de doutrinas consistentes na busca de uma “espiritualidade individual”, por meio de meditações, técnicas terapêuticas repletas de esoterismo, quando não no explícito culto a ele próprio (o satanismo). A atuação demoníaca tem se fortalecido grandemente, com grave prejuízo à saúde mental, como, aliás, teremos ocasião de estudar em lição próxima.

    - Diante de um estado tão calamitoso, a Igreja deve se lembrar que foi chamada para fora deste mundo de entendimento cegado pelo adversário, para ter a “mente de Cristo” (I Co.2:16). A “mente de Cristo”, ensina-nos Paulo, somente é obtida mediante a ação do Espírito Santo em nossas vidas, pois “…ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus”(I Co.2:11 “in fine”). Entretanto, pelo Seu grande amor, “…Deus no-las revelou pelo Seu Espírito, porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus(…) nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.” (I Co.2:10,12).

    - Depende, portanto, de cada um de nós permitir que o Espírito Santo habite em nós, para que venhamos a conhecer as coisas de Deus e, assim, ter a “mente de Cristo”. Sem a “mente de Cristo”, jamais teremos saúde mental. Sem o Espírito de Deus, estaremos sujeitos a sermos cegados em nosso entendimento pelo adversário de nossas almas, cujos ardis não podemos ignorar (II Co.2:11). Precisamos ter uma vida de santidade, de comunhão com Deus, precisamos buscar a Deus para não permitir que a nossa mente venha a ser enganada pelo inimigo.

    - Para termos a “mente de Cristo”, é indispensável que meditemos na Palavra do Senhor de dia e de noite (Sl.1:1,2). É fundamental que não permitamos que os nossos olhos sejam a porta de entrada daquilo que não agrada a Deus (Mt.5:22,23). Se vigiarmos para que os nossos sentidos físicos não sejam utilizados para levar à nossa mente aquilo que não é agradável ao Senhor, certamente estaremos preparando terreno para que o Espírito possa atuar em nossa mente e, assim, tenhamos a “mente de Cristo”, tudo discernindo espiritualmente e evitando ser apanhados nos embaraços e laços que o adversário sempre está a pôr diante de nós.

    - Como diz o poeta sacro, “nas horas que passo pensando em Jesus, as trevas desfaço, buscando a luz. Que horas de vida tão doces pra mim, Jesus me convida que eu suba para Si” (primeira estrofe do hino 17 da Harpa Cristã). Em que temos pensado durante o dia? Que temos visto e o que tem chamado a nossa atenção? A saúde mental exige que tenhamos a “mente de Cristo”. Sem ela, cairemos na mesma “onda” dos incrédulos, correndo de um lado para outro, cegos pecadores, que nada enxergam por causa de seu pecado (Is.59:10; Sf.1:17), o que redundará em problemas psíquicos, que podem até gerar doenças psicossomáticas. As depressões, ansiedades, síndromes de pânico e demais enfermidades mentais, tão corriqueiras nos dias de hoje, relacionadas estão quase sempre com esta falta da “mente de Cristo”. Que tenhamos saúde mental nos submetendo ao Senhor e nEle pensando a todo instante!

    IV – O CRENTE DIANTE DAS DOENÇAS

    - Visto que temos de cuidar da saúde física e mental, já que isto faz parte da mordomia humana, em especial, daqueles que estão em comunhão com Deus, os integrantes da Igreja, como devemos nos comportar diante das doenças? As doenças são inevitáveis, como, então, enfrentá-las?

    - Por primeiro, como já dissemos supra, nem toda doença é resultado de uma punição divina, de um pecado específico. A doença é algo que vem ao homem por causa da entrada do pecado no mundo, mas pode ser tanto um castigo divino, como uma oportunidade para a manifestação das obras de Deus, como resultado de negligência do homem no desempenho da sua mordomia em relação a seu corpo e a sua mente.

    - Se assim é, o primeiro passo para enfrentarmos uma doença é saber a sua causa, a sua origem. Se a doença é fruto de um castigo divino, de uma punição do Senhor, em vão será nossa ida aos médicos, pois se se trata de uma ação divina, de uma “ferida” de Deus, os médicos nada poderão fazer para debelála. “Operando Eu, quem impedirá?”, diz o Senhor por intermédio do profeta (Is.43:13 “in fine”). Na Bíblia, temos dois exemplos elucidativos desta realidade: Miriã, feita leprosa por ação direta do Senhor, foi curada, depois que Moisés pediu a Deus que a curasse. Detectado o problema da doença, obteve-se a cura. Já no caso do rei Asa, igualmente ferido pelo Senhor, não foi ele curado, já que buscou ajuda junto aos médicos, quando o seu problema era diante do Senhor, pelo mal que fizera a um profeta.

    - A falta de conhecimento da causa da doença tem sido um dos principais fatores para a desorientação e para o grande sofrimento que acometem muitos crentes e seus familiares em instantes de doença. Corre-se de um lado para outro, visitam-se médicos de todo tipo e de todos os lugares, não raro esgotando-se os recursos econômico-financeiros de muitos, a exemplo do que ocorreu com a mulher do fluxo de sangue (Mc.5:26; Lc.8:43), quando a questão é de outra natureza. Por falta de discernimento, também, fazem-se filas de pessoas orando pelo enfermo, dia após dia, sem qualquer resultado efetivo, gerando apenas escândalo e descrédito, também porque o doente não fez a sua parte, pedindo a Deus a revelação da causa do mal, Deus que continua a revelar Seu segredo aos Seus servos (Am.3:7). Se formos humildes, se nos pusermos debaixo da potente mão de Deus(I Pe.5:6), nestes momentos de enfermidade, certamente teremos o discernimento espiritual e, guiados pelo Espírito de Deus, saberemos tirar importantes lições destes momentos, pois Deus também é o autor do dia mau, feito para que nos resistamos durante a sua passagem (Pv.16:4; Ef.6:13).

    - Devemos, portanto, ante a doença, buscar a orientação divina, a direção do Espírito Santo, para não só sabermos a causa da doença, como também como devemos nos conduzir durante o seu tratamento. Assim fazendo, contribuiremos não só para a nossa saúde, como para o fortalecimento espiritual próprio, da igreja e de todos os que estão à nossa volta. Mesmo na doença, o crente pode ser uma bênção!

    - Vemos, pois, que não é falta de fé nem demonstração de incredulidade a ida de um crente a um médico. Muito pelo contrário, em momento algum nas Escrituras há qualquer menosprezo ou desprezo pela atividade médica, sem dúvida uma das mais sublimes da humanidade. Houve até um grande cooperador da obra de Deus que era médico, Lucas, que é afetuosamente chamado por Paulo de “médico amado” (Cl.4:14). No entanto, precisamos ter o devido discernimento espiritual para sabermos se a ida ao médico solucionará, ou não, o problema da doença.

    - Este discernimento espiritual deverá ser obtido pelo próprio doente. Não podemos julgar os outros, pois não sabemos o que há no interior do homem (I Sm.16:7) e, portanto, cabe ao próprio doente descobrir o motivo de sua doença. Quando muito, podemos interceder por ele junto ao Senhor, consolá-lo e confortá-lo, por meio de visitas, impor as mãos sobre ele e orar para que seja curado, mas jamais julgá-lo. Não cometamos o mesmo erro dos amigos de Jó!

    - Se o problema for de pecado, o doente deve confessá-lo e dele se arrepender para que alcance a cura. É por isso que Tiago ensina que, nestes casos, mormente quando a doença seja tal que não se permita a locomoção até a igreja local, deva o doente solicitar a visita de um presbítero, a fim de que, após a confissão, haja a oração, com a unção com óleo, que trará a cura (Tg.5:14,15).

    - Se o problema não for de pecado, mas de manifestação da obra de Deus, devemos aguardar que o Senhor faça a Sua obra, o que poderá ocorrer tanto na cura quanto na morte física. Devemos ter a resignação como conduta, pedindo a Deus misericórdia para suportar o sofrimento e intensificando a nossa comunhão com Ele. Estejamos certos que, se se trata de uma provação divina, ela é para o nosso bem, para melhorar nossa condição diante do Senhor (Rm.8:28). As dores, o incômodo, o sofrimento não são fáceis, mas peçamos ao Senhor que tenha misericórdia de nós, que nos console e conforte para que o Seu propósito seja cumprido. Jó assim procedeu e, antes de ser sarado pelo Senhor, testemunhou que todos os pesadelos, todas as dores, todo o sofrimento atroz de sua enfermidade física lhe havia proporcionado uma maior intimidade com Deus (Jó 42:1-6).

    - Se a doença tiver como causa a negligência em o nosso cuidado com o corpo, devemos, sim, ir ao médico e observar as suas orientações. Devemos mudar a nossa forma de cuidar do organismo, sabendo que aquilo que semearmos, haveremos de colher, até porque Deus não Se deixa escarnecer (Gl.6:7). Faz-se preciso ter um “modus vivendi” saudável, de acordo com a vontade do Senhor, evitando, de todas as maneiras e formas, nos acomodarmos à maneira de viver dos homens dos tempos trabalhosos. Não podemos assumir a forma deste mundo, não podemos nos conformar com este mundo (Rm.12:2) e isto não está relacionado apenas com o aspecto espiritual, mas, também, com a forma como cuidamos de nosso corpo e da nossa mente.

    - Infelizmente, são muitos os cristãos que estão se deixando levar pelos pensamentos e concepções deste mundo, prejudicando grandemente a sua saúde. Mantêm uma dieta alimentar inadequada, rendem-se ao sedentarismo e à agitação cada vez mais intensa, sacrificando a sua saúde física e mental, sem qualquer necessidade. Não acolhamos o modo de vida insano daqueles que estão cegos em seu entendimento pelo adversário de nossas almas. Tenhamos uma vida saudável, que corresponda à vontade do Senhor.

    - Dentre os maus hábitos dos nossos dias, um diz respeito à total falta de prevenção. Quando falamos em médicos, sempre nos reportamos à medicina curativa, mas devemos recorrer aos médicos também como prevenção. Periodicamente, devemos comparecer ao médico para um “check up”, principalmente quando atingimos a meia idade, onde costumam surgir as principais complicações de saúde.

    - A ida a médicos deve ser feita, também, com discernimento espiritual. Nos dias em que vivemos, muitos profissionais da saúde estão comprometidos com terapias, técnicas e procedimentos que adotam filosofias e pensamentos contrários à sã doutrina. É preciso bem verificarmos o tipo de tratamento que nos sugerem e as técnicas e terapias propostos, evitando que adotemos princípios e procedimentos que contrariam a Palavra de Deus. Também precisamos ter a direção do Espírito Santo para não cairmos em mãos de profissionais sem o devido preparo e que sejam animados única e exclusivamente pelo vil metal. Tenhamos cuidado para que não entreguemos a nossa saúde para os “…médicos que não valem nada” (Jó 13:4).

    - Fora as hipóteses de comprometimento com a sã doutrina ou de despreparo intelectual, devemos reconhecer os médicos como autoridades constituídas por Deus para cuidar de nossa saúde e, deste modo, seguir rigorosamente as suas prescrições. Não nos esqueçamos das palavras do Senhor Jesus, no sentido de que os doentes precisam de médico (Mt.9:12; Mc.2:17; Lc.5:31). Muitos crentes dão muito mau testemunho ao descumprirem as prescrições médicas e sofrerem prejuízo em sua saúde por causa de tal comportamento. Rebelião é como pecado de feitiçaria e o porfiar é como iniqüidade e idolatria (I Sm.15:23), atitudes que não só comprometem a saúde física e mental, como a própria espiritualidade do cristão. Obedecer sempre é melhor do que sacrificar! (I Sm.15:22).

    OBS: Sigamos o exemplo de José, que, mesmo sendo o governador do Egito, não deixou de reconhecer a autoridade dos médicos, os únicos que poderiam corretamente embalsamar o corpo de Jacó (Gn.50:2). Não podemos desmerecer o conhecimento científico destes profissionais, posto à disposição para o nosso bem-estar. Ademais, quem não tem condição intelectual, não deve, mesmo, aventurar-se como médic, comos nos dá Is.3:7, onde se extrai a lição de que, para ser médico, como para ser príncipe do povo, necessário se faz uma preparação.

    Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

    A saúde física e mental – 1

    A SAÚDE FÍSICA E MENTAL
    Texto Áureo: III Jo. v.2 – Leitura Bíblica em Classe: Gn. 2.16,17; 6.3; Sl. 90.10

    Pb. José Roberto A. Barbosa

    Objetivo: Refletir a respeito da importância de uma saúde integral, que envolva corpo, alma e espírito.

    INTRODUÇÃO
    O homem pós-moderno, devido ao seu estilo de vida, não tem sabido lidar com o corpo, a alma e o espírito. Na lição de hoje, aprenderemos a respeito do conceito de saúde na Bíblia, destacando seu aspecto integrativo, que envolve o físico, o mental e o espiritual.

    1. A SAÚDE NA BÍBLIA
    No Antigo Testamento, a palavra saúde, que se encontra, primariamente, em Pv. 4.22 e Jr. 8.15 é marpe. A saúde, na cultura judaica, é proveniente de Deus, já que Ele é aquele que tanto aflige quanto cura as doenças ou catástrofes, as quais não podem ser curadas sem Sua intervenção (Dt. 32.39). No Novo Testamento, a palavra que se encontra em III Jo v. 2, é hugiaino, cujo sentido primordial transcende à saúde meramente física, já que seu sentido, aponta para a condição de “estar bem”, tanto mental quanto espiritual. Essa condição fora profetizada por Isaias, quando se referiu à vinda do Messias, em Is. 53.4-6 e cumprida em Cristo (Mt. 8.17): 1) o versículo 4 trata da saúde física – pelas suas pisaduras fomos sarados; 2) o versículo 5 da saúde mental – o castigo que nos traz a paz estava sobre ele; e 3) o versículo 6 trata da saúde espiritual – ele foi moído pelas nossas iniqüidades.

    2. SAÚDE CORPORAL-MENTAL-ESPIRITUAL
     

    2.1 A saúde do corpo
    O corpo, ao contrário do que defendem alguns crentes, nada tem de mal, na verdade, ele é o templo e morada do Espírito Santo (I Co. 6.19). Portanto, deve ser ter seus cuidados especiais, os quais são inferidos, ainda que indiretamente, na declaração de Paulo, em Ef. 5.29. Para a saúde do corpo, é interessante que se tenha uma alimentação equilibrada. Devemos, para esse fim, ouvir alguns conselhos médicos, afinal, o próprio Jesus os recomendou (Mt. 9.12). A prática de exercícios regulares é fundamental para se ter uma vida saudável. Em I Tm. 4.8 Paulo diz que o exercício corporal para pouco é proveitoso, mas, no contexto, ele está comparando-o com o exercício espiritual. Mesmo assim, não deixa de reconhecer que tem algum proveito, e hoje, sabemos que, de fato, para o corpo, tem muito proveito. A alimentação deve ser a mais variada possível, evitando, de preferência, o excesso de gordura animal, e priorizando as variedades de verduras e frutas. É uma pena que o feijão e arroz, anteriormente tão digerido, e que atualmente se sabe, faz muito bem para a saúde, esteja sendo substituído de nossas mesas pelos fast-foods, ricos em gorduras hidrogenadas (transaturadas) e os sucos naturais por refrigerantes que causam males à saúde. Mesmo com todos os cuidados, não se pode negar que, por vivermos em um mundo decaído, não estamos imunes as doenças, nesses casos, não podemos dispensar os cuidados médicos, ao mesmo tempo em que confiamos, a Deus, à cura, ciente de que Ele é soberano e cura como e quando quer. A cura, quando acontece, antecipa o aspecto escatológico da ressurreição, haja vista que chegará o dia em que os corpos daqueles que estão em Cristo serão, definitivamente, glorificados (I Co. 15.50-58).

    2.2 A saúde da mente

    Jesus nos prometeu uma paz que o mundo não conhece, e está à inteira disposição dos crentes (Jo. 14.27). Essa paz nos é apresentada, por Paulo, em Gl. 5.22, como um dos aspectos do fruto do Espírito. Por isso, o Apóstolo recomenda, aos crentes, que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp. 4.7), bem como que “a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos” (Cl. 3.15). A vida moderna, repleta de responsabilidades e exigências, tem contribuído substancialmente para que perdamos essa paz tão valiosa. Devido a competitividade exacerbada, são muitos os que, na busca por acumular riquezas e obter sucesso profissional a qualquer custo, acabam em estresse e depressão. Mas as condições sociais também contribuem para que isso aconteça. A insegurança nos grandes centros urbanos tem fomentado a síndrome do pânico e outras desordens mentais. A solução, para o cristão, é, com o cuidado de não ser levado a outro extremo, o do comodismo, buscar uma vida de simplicidade, sem se deixar levar pelas cobranças descabidas que nos são impostas por uma sociedade alimentada pelo consumismo e pela aparência, certos de que Deus, em Cristo, supre nossas necessidades (Mt. 6.23-34; Fp. 4.19), portanto, aprendamos a viver contentes (I Tm. 6.6), sabendo viver, tanto na abundância quanto na escassez (Fp. 4.11-13)

    2.3 A saúde do espírito

    Para ter saúde espiritual, o primeiro passo é o novo nascimento (Jo. 3.3), pois é por meio deste que nos tornamos, verdadeiramente, filhos de Deus (Jo. 1.12; I Jo. 3.1) e passamos a ter paz com Deus, por meio de Cristo (Ef. 2.14-17). A menos que tenhamos experimentado esse nascimento “de cima”, estaremos sempre distanciados de Deus (Rm. 3.23), portanto, espiritualmente enfermos. Depois desse nascimento, podemos, através da prática da presença de Deus, especialmente através da meditação nas Escrituras e da oração, desfrutar de plena saúde espiritual. Mas é preciso ter em mente que Deus é Espírito (Jo. 4.24), assim, para que possamos ter contato com Ele, devemos andar no Espírito (Jo. 4.24), produzindo o Seu fruto (Gl. 5.22), para que não nos entreguemos às concupiscências da carne (Gl. 5.16). Essa experiência diária é consolidada na medida em que o cristão se entrega o controle de sua vida ao Espírito Santo. A observância legalista de regras exteriores impostas não podem, ao invés de contribuir, agravar as doenças espirituais, incentivando às atitudes hipócritas (Mt. 23.28; Tg. 3.17). Por isso, o arrependimento e a confissão de pecados é condição necessária para a saúde espiritual (Pv. 28.13). Um antigo hino cristão (HC 77) resume bem o segredo da plena saúde espiritual: “Guarda o contacto com teu Salvador, e a nuvem do mal não te cobrirá; pela senda alegre, tu caminharás, indo em contacto com teu Salvador”.

    CONCLUSÃO


    Todos nós desejamos ter saúde física, psicológica e espiritual. E essas, na verdade, estão intrinsecamente interligadas, é possível separá-las apenas para efeitos didáticos. Isso, porém, não quer dizer que o cristão não possa ter doenças por ter crido em Cristo. É interessante reconhecer que estamos em um mundo que aguarda a plena redenção (Rm. 8.22). Por isso, é possível que sejamos alcançados, como as demais pessoas, por enfermidades (II Co. 12.7) e tenhamos que, também, tomar remédios (I Tm. 5.23). Além disso, sabemos também que é possível que, em alguns casos, como o de Jó (Jó. 2.6), Deus tenha um plano soberano da vida de algumas pessoas, por isso, elas passam por enfermidades. Mas, em geral, o caminho é o da saúde integral do corpo, da alma e do espírito. Ela é integral, mas não completa, pois esta só se dera por ocasião da glorificação quando, finalmente, seremos como Ele é (I Jo. 3.2).

    REFERÊNCIA
    COLSON, C. PEARCEY, N. O cristão na cultura de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006
    VINE, W.E., UNGER, M. F., WHITE JR, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

    Fonte: http://subsidioebd.blogspot.com/

    Os perigos da Teoria da Evolução – Subsídios

    Subsídios:

    Os perigos da Teoria da Evolução - 1 

    Os perigos da Teoria da Evolução – 2

    Os perigos da Teoria da Evolução – 3 (link)

    Os perigos da Teoria da Evolução – 2

    Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco 

    TEMA – Tempos trabalhosos: como enfrentar os desafios deste século

    COMENTARISTA : Elinaldo Renovato de Lima

    LIÇÃO Nº 5 – OS PERIGOS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO

                                       A teoria da evolução é tão somente uma teoria, que não foi nem será comprovada, visto que contraria a Palavra de Deus.

    INTRODUÇÃO

    - A teoria da evolução é apresentada pela “falsa ciência” como a maior demonstração de que a Bíblia é tão somente um livro de mitos e lendas, que não é a verdade nem a Palavra de Deus.

    - No entanto, a teoria da evolução ainda não foi comprovada, apesar de todos os esforços científicos e de toda a propaganda da mídia e nem o será, pois contraria a Palavra de Deus, que é a Verdade (Jo.17:17).

    I – O QUE É A TEORIA DA EVOLUÇÃO

    - Costuma-se chamar de “teoria da evolução” à crença de que toda a vida na Terra descende de um ancestral comum, chamado de LUCA, sigla para a expressão em língua inglesa “Last Universal Common Ancestor”, que significa “Último Antepassado Comum Universal”. É interessante, desde já, mostrar que se trata de uma “crença” dos cientistas, como admite a própria Wikipédia, quando afirma que “…a maioria dos biólogos evolucionistas acredita que toda a vida na Terra descende de um ancestral comum…” (WIKIPEDIA. Evolução. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o Acesso em 15 mar. 2007). É meramente uma crença, visto que nenhum cientista até hoje mostrou qualquer exemplar deste “LUCA”, o que é absolutamente necessário para que se tenha um fato científico e não somente uma teoria.

    - A “teoria da evolução” está associada à figura de Charles Darwin (1802-1889), naturalista inglês, que, ainda segundo o Wikipédia, “…alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da seleção natural e sexual…”. Esta sua proposta (observe-se, bem, trata-se de uma proposta, de uma teoria, que deveria ser posteriormente comprovada), no entanto, não era original na sua formulação, pois, cerca de dez anos antes de Darwin apresentá-la à comunidade científica, já havia sido sugerida pelo também inglês Herbert Spencer (1820-1903), um filósofo autodidata, cujo pai tinha verdadeira aversão à religião e que procurou instruir o filho sem qualquer “preconceito religioso”.

    OBS: “…Antes de Darwin, Spencer já havia defendido em termos estritamente biológicos e da maneira mais plena possível a hipótese da evolução orgânica. Tal como Darwin, Spencer fez escavações, examinou fósseis e confrontou os dados existentes com as hipóteses sugeridas pela leitura de Malthus e Lamarck. Escreve ele em sua Autobiografia:  ‘Até o momento em que tive conhecimento das comunicações dos srs. Darwin e Wallace à Linniæan Society, eu considerava que a causa única da evolução orgânica fosse a hereditariedade das modificações produzidas pelo exercício das funções. A Origem das Espécies provou que eu estava enganado, que a maior parte dos fatos não podia ser devida a semelhante causa, (…) que aquilo que eu supunha ser a causa única podia no máximo ser uma causa parcial. (…) Não recordo se [diante disso] me senti vexado de não ter levado mais longe a idéia que exprimira em 1852, isto é, que entre os seres vivos a sobrevivência daqueles que são objetos de uma seleção é uma causa de desenvolvimento [da espécie]. Mas estou seguro de que, se experimentei tal sentimento, ele desapareceu logo diante do prazer que senti ao ver confirmada a teoria da evolução orgânica.’[ Herbert Spencer, Autobiographie. Naissance de l’évolutionnisme libéral, 1889, traduction de l’Anglais et résumés par Henry de Varigny, Paris, Félix Alcan, 1907, Chap. XXI]…” (CARVALHO, Olavo de. Resposta a um vigarista de Boston (2). 4. out. 2004. Disponível em: http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=2562 Acesso em 15 mar. 2007).

    - Bem se vê, portanto, que a “teoria da evolução” está diretamente relacionada com uma tentativa de contrariar as Sagradas Escrituras, de a elas se opor, que é este é seu móvel, é sua intenção deliberada, ainda que remota, o que a qualifica, desde já, como a “falsamente chamada ciência”, de que já falamos na lição anterior. De qualquer modo, não podemos deixar de observar que a “teoria da evolução” parte da premissa de que todas as formas de vida da Terra tiveram uma origem comum.

    OBS: “…Para Spencer, a filosofia é o saber totalmente unificado, e na evolução deve buscar-se a lei fundamental do Universo. O primeiro estado universal é a massa homogênea, informe e confusa. É a fase nebulosa, que se diferencia pela condensação, que dá origem ao sistema planetário em que a Terra se integra, inicialmente em estado ígneo. Pelo esfriamento gradual, aparece a primeira camada terrestre — a crosta —, os continentes, os mares, etc. A vida, na sua forma rudimentar — o protoplasma — produz-se no mundo universal, por combinações químicas indefinidameute complexas. Pela ininterrupta diferenciação e concentração, o protoplasma desenvolve-se e dá lugar à vida orgânica, — vegetal e animal. Pela marcha contínua do homogêneo para o heterogêneo, os seres tornam-se cada vez mais diferenciados e complexos. A sua existência, relacionada com os meios de conservação, desenvolve-se submetida a permanente luta, em que triunfam os mais aptos. O aparecimento do sistema nervoso nos organismos assinala o ponto culminante da evolução animal, donde o homem procede.…” (E.S. Nota. In: SPENCER, Herbert. Do progresso – sua lei e sua causa. Trad. de Eduardo Salgueiro. Disponível em: http://acoruja.haaan.com/book/print/150 Acesso em 15 mar. 2007). É interessante observar que o artigo foi publicado num site ateísta, a demonstrar como os ateus ficam apavorados com as cada vez maiores evidências do “furo” do evolucionismo.

    - O segundo aspecto da teoria da evolução é o aparecimento de novas características em uma linhagem, ou seja, a presença de “modificações nas descendências”, de alterações que façam com que uma espécie se transmude, se transforme em outra. Neste aspecto, até o presente momento, os cientistas somente têm conseguido provar haver diferenças entre espécimes, entre indivíduos, mas diferenças que não fazem com que alguém não seja considerado mais de uma espécie, ou pertença a uma espécie intermediária. Se são observadas diferenças profundas de seres, tem-se que não são da mesma espécie, são seres de outra espécie.

    - O famoso “elo perdido” reaparece aqui. Ninguém jamais comprovou haver modificações de uma espécie para outra, a transformação de uma espécie em outra. Muito pelo contrário, notaram-se diferenciações, modificações, seja em virtude de mutações genéticas (mudanças nos genes, no DNA dos seres), seja em virtude de adaptação ao meio-ambiente, que não fizeram com que houvesse modificação de espécies. O limite estabelecido no texto bíblico, qual seja, a espécie, continua sendo rigorosamente observado pela natureza! No afã de provar sua teoria, os evolucionistas só estão a confirmar, mais e mais, o que a Bíblia nos diz.

    - É interessante observar que a narrativa bíblica dá conta das modificações ao longo das gerações dentro de cada espécie, seja por questões genéticas, seja por questões de adaptação ao meio-ambiente e, até mesmo, por questões que superam a própria questão natural, em virtude de problemas sobrenaturais, de ordem espiritual.

    - Quando o texto sagrado nos fala das conseqüências do pecado do homem sobre a natureza, afirma que a terra foi amaldiçoada por Deus e, em virtude desta maldição, a terra passaria a produzir espinhos e cardos (Gn.3:18). Tudo leva a crer que houve, então, uma alteração natural, uma modificação em alguns vegetais, que não mais serviriam, como antes, de alimento para o homem (Gn.1:29,30). Vê-se, pois, que o fato de os cientistas terem descoberto modificações, dentro da espécie, ao longo das gerações, não tem o condão de infirmar a Bíblia, que prevê esta possibilidade.

    - A Bíblia, a propósito, afirma que, desde a maldição divina sobre a terra, por causa do pecado do homem, a natureza geme, aguardando a sua redenção (Rm.8:19-23). Existe, pois, uma instabilidade na ordem natural, ocasionada pelo pecado do homem, e que se traduz pela presença de mutações genéticas e alterações ambientais, geradoras de modificações, mas tudo dentro da espécie, conforme criado pelo Senhor.

    - Estas modificações atingiram o próprio homem ao longo da história. O pecado fez com que o homem passasse a ter de disputar com a natureza para a sua própria sobrevivência, dando início a uma contínua interferência do homem junto a natureza, intervenção esta que se acirra cada vez mais e que, segundo alguns cientistas, comprometeu de forma irremediável a própria sobrevivência do homem.

    OBS: As desordens causadas pela devastação da natureza são evidentes nos nossos dias. O documentário apresentado pelo ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, ganhador do Oscar de 2007, “Uma verdade inconveniente”, bem como as declarações do cientista inglês James Lovelock, de que o aquecimento global já ultrapassou o ponto sem volta e de que, no final deste século, provavelmente 80% das pessoas terá morrido e os outros 20% estarão vivendo precariamente no Ártico e nas regiões de montanhas mais altas, mostram esta situação de forma inquestionável e que constam de seu livro “A Vingança de Gaia”.

    - Dentro desta interferência, evidentemente que o equilíbrio estabelecido quando da criação se desfaz, gerando a necessidade de as espécies se adaptarem às modificações do meio-ambiente, o que, também, ocasiona modificações, mas, sempre, observe-se, na espécie. Quando os indivíduos de uma espécie não conseguem se adaptar às mudanças, elas se extinguem. Disto, não há a menor dúvida e a extinção de espécies, antes de infirmar, está a corroborar o que ensina o texto sagrado, que afirma, com todas as letras, que o salário do pecado é a morte (Rm.6:23). Tais modificações da natureza, provocadas direta, ou indiretamente, pelo homem, têm como origem o pecado do primeiro casal e, portanto, só podem, mesmo, gerar destruição e extinção.

    - Estas modificações atingem o próprio homem. O texto sagrado mostra-nos que o homem, com o pecado, passou a sofrer a morte física, circunstância que representou uma mudança de sua estrutura, visto que fora criado para se manter indefinidamente vivo. Sem a presença de Deus, isto mudou, sendo sentenciado de que deveria tornar ao pó de onde viera (Gn.3:19). Isto já representou uma modificação orgânica ao homem, indubitavelmente.

    - Como se isto não bastasse, as Escrituras mostram que, quando da mistura étnica entre as descendências de Caim e de Sete, surgiram os “gigantes” (Gn.6:4), numa modificação genética, seja por causa de mutações, seja por causa de adaptações ao meio-ambiente, que já era transformado pelos homens (Gn.4:21,22). O aumento do pecado, além do mais, fez com que o Senhor, uma vez mais, alterasse a estrutura dos seres humanos, não permitindo que eles vivessem mais do que cento e vinte anos (Gn.6:3).

    - Com o dilúvio, então, isto seria grandemente alterado, pois o Senhor, após o juízo, estabeleceria um novo panorama climático na Terra, com o surgimento da chuva (Gn.2:5,6) e das quatro estações (Gn.8:22), o que significou a perpetuação da diminuição da vida do homem sobre a face da Terra, como também a necessidade de uma contínua adaptação às mudanças climáticas, gerando, assim, sempre modificações, mas dentro da mesma espécie.

    - Vemos, portanto, que as modificações encontradas nas pesquisas e experiências dentro da mesma espécie em nada abalam a narrativa bíblica da criação mas confirmam a veracidade da Palavra de Deus, enquanto que, ao não extrapolarem o limite da espécie, tornam ainda mais desautorizada a teoria evolucionista.

    - O terceiro aspecto da teoria da evolução é a seleção natural, ou seja, o mecanismo que faz com que algumas espécies permaneçam e outras se extingam. “…O conceito básico de seleção natural é que as condições ambientais (isto é, a “natureza”) selecionam quão bem uma determinada característica de um organismo ajuda na sobrevivência e reprodução desse organismo. À medida que as condições ambientais não variem, ou permaneçam suficientemente similares, essas características continuam a ser adaptativas e elas tornar-se-ão mais comuns na população.…” (WIKIPEDIA. Seleção natural. Disponível em: New York, Crossroad, 1981, pp. 235-6]…” (CARVALHO, Olavo de. Resposta a um vigarista de Boston 2. end. cit.)

    - Percebemos, portanto, que a teoria da evolução é uma das mais potentes armas que o ateísmo e o materialismo tiveram em suas mãos para, através de uma roupagem científica, numa época em que a ciência adquire “status” de grande credibilidade, procurar levar os homens a uma descrença de Deus, a um menosprezo da figura divina. Mais do que uma teoria científica, o evolucionismo é uma arma poderosa para fazer as pessoas descrer de Deus e menosprezá-lo, é um importante instrumento do “espírito do anticristo”, para, nestes dias difíceis, fazer as pessoas acreditarem, uma vez mais, na “voz da serpente” e se acharem “iguais a Deus, sabendo o bem e o mal”.

    - Assim, o grande perigo apresentado pela teoria da evolução é o de nos levar a descrer em Deus e na Sua Palavra. Muitos são os sedizentes cristãos dos nossos dias que, diante da teoria da evolução, são levados a “reavaliar”, a “repensar” o texto bíblico da criação, não mais crendo nele. Chegam, mesmo, a dizer que a crença na narrativa bíblica da criação é algo totalmente “dispensável” em termos de salvação, pois, afinal de contas, “será salvo quem crer em Jesus, não quem crer na narrativa do Gênesis sobre a criação”.

    - Contudo, quem assim pensa está sendo iludido pelo adversário de nossas almas e se deixando atrair pela sua própria concupiscência. As Escrituras são a verdade (Jo.17:17), não se podendo, portanto, “cortar pedaços” da Bíblia ou nelas crer parcialmente, pois a verdade é una e indivisível. O próprio Jesus afirmou que nada pode ser acrescentado ou diminuído das Escrituras (Mt.5:18; Lc.16:17; Ap.22:18,19). Assim, quem crê em Jesus, crê em todas as Escrituras, sem qualquer exceção.

    - A teoria da evolução não se sustenta cientificamente. É uma mera teoria, pois, como nos ensina o Setor de Educação Cristã da CPAD, não passa de uma explicação de uma realidade, explicação esta que, como vimos, não se comprovou até hoje. A insistência dos cientistas evolucionistas em manter a teoria de pé está relacionada única e exclusivamente com a sua aversão à religião e à idéia de que Deus existe. É fruto exclusivo da arrogância e do sentimento de auto-suficiência que caracteriza os homens dos tempos trabalhosos (II Tm.3:2-4).

    - As aplicações da teoria da evolução no campo sócio-político-econômico redundaram em grandes fracassos e, o que é mais grave, em tragédias inomináveis. O ateísmo e materialismo aplicados à política, à sociologia e à economia viram surgir os regimes comunistas e fascistas do século XX, que mataram milhões de pessoas e se mostraram completamente ilusórios e enganosos. Enquanto isso, as pesquisas e experiências até hoje não lograram mostrar os centenas de milhares de “elos perdidos” que deveriam existir, se a teoria da evolução fosse verdadeira, mas, com o desenvolvimento da genética, cada vez mais se aproximam da realidade narrada no texto bíblico, para desespero dos evolucionistas mais radicais.

    - Apesar disto tudo, há cada vez mais intensa propaganda a favor do evolucionismo na mídia e uma impiedosa perseguição a todos quantos ousem divergir deste pensamento. Iniciativas de cristãos que procuram abrir espaço para o ensino criacionista nas escolas sempre é considerado como “retrocesso”, “atraso” e “indevida imposição religiosa”, como se as pesquisas não estivessem caminhando no sentido da comprovação da narrativa bíblica. Teorias como a do “design inteligente” são, imediatamente, ridicularizadas e atacadas impiedosamente, como se não tivessem as mesmas fraquezas da pesquisa evolucionista. Entretanto, os resultados das pesquisas estão cada vez mais dificultando o evolucionismo, embora isto não seja alardeado. Chegamos ao ponto de os evolucionistas mais radicais terem iniciado uma “cruzada ateísta”, num afã de convencer as pessoas da inexistência de Deus, o que apenas mostra que a situação caminha para o desespero.

    OBS: “…Recentemente as revistas Época (edição 443, de 13/11/2006) e Galileu (edições 185 e 186, de dezembro de 2006 e janeiro de 2007) publicaram matérias sobre os novos ateus. Considerados hoje como os maiores inimigos da religião, o filósofo norte-americano Daniel Dennett e o zoólogo britânico Richard Dawkins lideram o movimento e pregam o fim da influência de Deus na vida das pessoas. O novo ateísmo, como está sendo chamado, critica não apenas a crença em Deus, mas também o respeito pela crença em Deus.(…). Usando palavras fortes, eles dizem que o objetivo de suas obras é fazer os agnósticos, gente que alimenta dúvidas sobre Deus, assumir o ateísmo. Um dos argumentos utilizados por eles é o de que a religiosidade faz mais mal que bem à humanidade…”(PRINCIPAIS nomes do ateísmo declaram guerra contra todo tipo de fé. Mensageiro da paz, ano 77, n. 1461, fev. 2007, p.14).

    - Não podemos, porém, ignorar os ardis do inimigo (II Co.2:11). Apesar do quadro difícil do evolucionismo, é ele quem tem prevalecido e que prevalecerá cada vez mais nestes dias trabalhosos, porquanto o homem se afasta cada vez mais de Deus. As evidências científicas não são suficientes para causar descrédito no evolucionismo, a que se apegam muitos que se dizem cristãos. Por isso, nos dias em que vivemos, não podemos deixar de lutar para que, dentro de um Estado verdadeiro laico e democrático, como é o Brasil, haja a possibilidade de ensino de todas as teorias envolvidas, já que nenhuma se demonstrou, segundo o método científico, como verdadeira. Pesquisa noticiada no “Mensageiro da paz” de fevereiro de 2007, aliás, mostrou que 89% dos brasileiros assim entendem, o que é mais do que suficiente para que se pressione neste sentido.

    OBS: “…Um grande escritor evangélico disse-nos que não precisamos mais nos preocuparmos com a teoria da evolução espontânea pois ela já caiu por terra. Perguntamos-lhe: mas o que é que os nossos filhos têm aprendido nas escolas de ensino fundamental? Ele não respondeu, mas queremos adverti-los que estão ensinando que somos oriundos dos primatas e isso tem gerado conflito em nossas crianças.…” (CARVALHO, Ailton M. de. Deus e a história bíblica dos seis períodos da criação. 4.ed., p.154).

    - Independentemente de se conseguir que o criacionismo ingresse nas escolas oficialmente, cumpre aos mestres cristãos, ou seja, aos pais, em primeiro lugar, bem como aos professores cristãos ensinar o criacionismo aos seus alunos, com destaque para os filhos. O fato de o sistema de ensino ser cerceado de dar a versão bíblica da criação não nos impede de ensiná-los aos filhos e de, enquanto eles aprenderem a teoria da evolução nas escolas, nós lhes mostrarmos, simultaneamente, no lar, a verdade bíblica a respeito. Ocorre que os pais nem mais se preocupam em acompanhar o que está sendo ensinado aos filhos nas escolas e, portanto, nossas crianças, adolescentes e jovens têm sido presa fácil da propaganda evolucionista, cedo descrendo da narrativa bíblica da criação, até porque nem sequer a conheceram ou foram devidamente ensinados a seu respeito.

    - Não há porque temer ensinarmos a verdade a nossos filhos, crianças, adolescentes e jovens. A teoria da evolução não pode se impor, segundo o método científico, como vimos supra. Exemplo digno de nota é o do doutor em Geologia Nahor Neves de Souza Júnior, coordenador do Departamento de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão e diretor da Faculdade de Engenharia Civil do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), que defendeu e foi aprovado com uma tese de doutoramento criacionista a respeito do dilúvio na Universidade de São Paulo (USP), depois de ter, durante todo o seu curso de bacharelado, sempre apresentado uma variante a todas as teorias e hipóteses dadas em sala de aula fundamentadas numa perspectiva evolucionista.

    OBS: Transcrevemos as palavras do renomado geólogo brasileiro: “…A partir do segundo ano, fiquei frente a frente com a evolução. Na ocasião, foram oferecidas disciplinas mais específicas como Paleontologia e Geologia Histórica. Tive de prestar exames em que tanto a origem das rochas como a origem do homem estavam em questão. Com base em minhas convicções e nos novos conhecimentos então adquiridos, escrevia duas respostas; praticamente eram duas provas. Primeiro, procurava responder às questões elaboradas no contexto requerido pelo professor e, em seguida, colocava, numa segunda parte da folha, minhas considerações. Nunca percebi perseguição ou coisa parecida. Sempre houve um bom relacionamento e respeito por parte dos colegas e professores…” (BORGES, Michelson. Por que creio: doze pesquisadores falam sobre ciência e religião, pp.73-4).

    - A educação, como já estudamos em lição passada, inicia-se no lar e é no lar que devemos ensinar a verdade a nossos filhos. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, disse o Senhor Jesus, não para os pecadores, como muitas vezes achamos, mas, sim, para os Seus discípulos (Jo.8:30-32). É dever dos pais ensinar seus filhos o que nos diz a Palavra de Deus a respeito da origem do homem e da criação divina de todas as coisas, vacinando-os contra o veneno da teoria da evolução, a porta de entrada para o surgimento do descrédito em Deus e na Sua Palavra. Não é à toa que os principais evolucionistas sejam, hoje em dia, os líderes de uma “cruzada ateísta” em todo o planeta ou, então, pessoas que, direta ou indiretamente, desde os tempos de Darwin estejam vinculados a movimentos satanistas ou da Nova Era.

    OBS: Já vimos que Thomas Henry Huxley foi o grande divulgador e defensor das teorias de Darwin na comunidade científica. Huxley era um dos mais proeminentes maçons da Academia Real de Ciências de Londres e foi decisivo para que a Maçonaria adotasse a defesa do evolucionismo como uma de suas bandeiras, até porque tal teoria está concorde com a tese maçônica da evolução espiritual do ser humano. Seu neto, Aldous Huxley, conhecido escritor inglês, foi um dos notórios líderes do satanismo, onde foi introduzido por Aleister Crowley (1875-1947), o grande “guru” satanista do século XX.

    - Como não há comunhão entre a luz e as trevas (II Co.6:14), devemos, também, ver com, no mínimo, grande desconfiança todas as teorias e teses que procuram conciliar a teoria da evolução com a narrativa bíblica da criação. Certas iniciativas têm se desenvolvido neste sentido, gerando o que se costuma denominar de “evolucionismo teísta”, “criacionismo evolucionista” ou “evolucionismo criacionista”, que tem, entre seus expoentes, na atualidade, o biólogo e cientista norte-americano Francis Collins, que foi o diretor do Projeto Genoma, responsável pelo mapeamento do DNA humano, autor do livro “A linguagem de Deus”, recentemente publicado no Brasil.

    - Segundo o “evolucionismo teísta”, nas palavras do próprio Francis Collins, é possível acreditar tanto em Deus quanto na teoria de Darwin, “…com certeza. Se no começo dos tempos Deus escolheu usar o mecanismo da evolução para criar a diversidade de vida que existe no planeta, para produzir criaturas que à sua imagem tenham livre-arbítrio, alma e capacidade de discernir entre o bem e o mal…” (CARELLI, Gabriela. Ciência não exclui Deus: entrevista com Francis Collins. Veja, ano 40, n.3, edição 1992, 24 jan. 2007).

    - Entretanto, conforme vimos, há incompatibilidade entre a teoria da evolução e a narrativa bíblica da criação, já que a Bíblia diz que os seres foram criados “segundo a sua espécie”. Não é, pois, possível admitir-se que Deus criou um organismo ancestral comum e que, então, se passou a ter a evolução, nos termos preconizados por Spencer e Darwin, como defendem os evolucionistas teístas. Como bem afirma o físico, professor e pesquisador Zihad Ali, ministro evangélico das Assembléias de Deus em Cuiabá/MT, “…se o relato da Criação em Gênesis não pode ser considerado real ao ser interpretado literalmente, então os milagres registrados na Bíblia e a própria ressurreição de Cristo poderiam ser colocadas em dúvida.(…). A crença na evolução teísta é totalmente anticristã, pois além de negar a veracidade dos primeiros capítulos da Bíblia, faz de Cristo mentiroso. Uma pessoa que diz acreditar em Deus, mas crê na teoria da evolução, pouco difere de um evolucionista ateu.…” (A falsa crença da evolução teísta. Mensageiro da paz, ano 70, n. 1462, mar. 2007, p.16). As palavras deste cientista cristão são perfeitamente corroboradas pelo que diz o apóstolo João, que afirma que quem não crê no Filho de Deus, faz de Deus um mentiroso (I Jo.5:10) e crer em Jesus significa, necessariamente, crer nas Escrituras, pois são elas que testificam do Senhor (Jo.5:39).

    OBS: O próprio Francis Collins demonstra esta reticência na crença na Palavra de Deus na entrevista mencionada, cujo trecho transcrevemos: “…Um exemplo de que uma interpretação unilateral da Bíblia é equivocada é que há duas histórias sobre a criação no livro do Gênesis 1 e 2 – e elas são discordantes. Isso deixa claro que esses textos não foram concebidos como um livro científico, mas para nos ensinar sobre a natureza divina e nossa relação com Ele. Muitas pessoas que crêem em Deus foram levadas a acreditar que, se não levarmos ao pé da letra todas as passagens da Bíblia, perderemos nossa fé e deixaremos de acreditar que Cristo morreu e ressuscitou. Mas ninguém pode afirmar que a Terra tem menos de 10 000 anos a não ser que se rejeitem todas as descobertas fundamentais da geologia, da cosmologia, da física, da química e da biologia.…”(CARELLI, Gabriela. op.cit.). Collins, assim como os evolucionistas ateus, equivoca-se ao atribuir uma cronologia que a Bíblia não dá para nela descrer. Como se não bastasse isso, Collins também põe em dúvida os milagres, agindo assim como nos adverte Zihad Ali: “…A questão dos milagres está relacionada à forma como se acredita em Deus. Se uma pessoa crê e reconhece que Ele estabeleceu as leis da natureza e está pelo menos em parte fora dessa natureza, então é totalmente aceitável que esse Deus seja capaz de intervir no mundo natural. Isso pode aparecer como um milagre, que seria uma suspensão temporária ou um adiamento das leis que Deus criou. Eu não acredito que Deus faça isso com freqüência – nunca testemunhei algo que possa classificar como um milagre.…” Vemos, pois, que o discurso evolucionista teísta pouco difere do ateu em termos de incredulidade…

    - Assim é que também se deve recusar a posição adotada pela Igreja Romana, que tem admitido o mecanismo da evolução desde que sob o aspecto exclusivamente biológico, relativo ao corpo, vez que, no que diz respeito à alma, não haveria que se falar em evolução, já que a alma teria sido criada diretamente por Deus, pensamento que, adotado pelo papa Pio XII na sua encíclica “Humani generis”, foi reafirmada, posteriormente, pelo papa João Paulo II, que considerou que a teoria da evolução “era mais do que uma hipótese”. Tal posicionamento, entretanto, contraria a narrativa bíblica, que afirma que Deus criou tudo “segundo a sua espécie” e de modo singular o ser humano, que, ao contrário dos demais seres, não foi criado pelo poder exclusivo da Palavra, tanto a parte material como a imaterial (Gn.1:26,27; 2:7).

    OBS: Este posicionamento inconsistente da Igreja Romana, aliás, causa contradições nas declarações oficiais daquela instituição. Recentemente, por exemplo, o atual chefe da Igreja Romana, o papa Bento XVI, em homilia na cidade alemã de Regensburg, admitiu que a crença numa evolução é a crença na irracionalidade, algo incompatível com a fé cristã, em trecho que vale a pena transcrever: “…Nós cremos em Deus. É esta a nossa decisão básica. Apresenta-se de novo a pergunta: Mas é possível ainda hoje? É uma coisa razoável? Desde o iluminismo, pelo menos uma parte da ciência empenha-se com primor a procurar uma explicação do mundo, na qual Deus seja supérfluo. E assim Ele deveria tornar-se inútil também para a nossa vida. Mas todas as vezes que poderia parecer que quase se conseguiu chegar a esta conclusão manifestava-se sempre de novo: as contas não quadram! As contas sobre o homem, sem Deus, não quadram, e as contas sobre o mundo, sobre todo o universo, sem Ele não quadram. No fim de contas, permanece a alternativa: o que existe na origem? A razão criadora, o Espírito Criador que tudo realiza e suscita o desenvolvimento, ou a Irracionalidade que, privada de qualquer razão, estranhamente produz um cosmos ordenado de maneira matemática e também o homem, a sua razão. Mas ela, então, seria apenas um resultado casual da evolução e por conseguinte, no fundo, também uma coisa irracional.Nós cristãos dizemos: “Creio em Deus Pai, Criador do céu e da terra” creio no Espírito Criador. Nós cremos que na origem está o Verbo eterno, a Razão e não a Irracionalidade. Com esta fé não precisamos de nos esconder, não devemos recear que nos encontramos com ela num beco sem saída. Sentimos alegria em poder conhecer Deus! E procuramos demonstrar também aos outros a racionalidade da fé, como exortou explicitamente São Pedro os cristãos do seu tempo e, com eles, também a nós na sua Primeira Carta (cf. 3, 15)! …” (BENTO XVI. Homilia na solene concelebração eucarística no Islinger Feld em Regensberg em 12.09.2006. Disponível em:  http://www.vatican.va/holy_father/benedit_xvi/homilies/2006/documents/hf_ben-vi_hom_20060912_regensburg_po.html Acesso em 16 mar. 2007).

    - Tanto os “evolucionistas teístas” quanto os romanistas argumentam que a Bíblia não é um manual de ciência, mas tão somente um manual de salvação e, portanto, não se pode considerar que a narrativa bíblica traga informações científicas. A narrativa da criação seria “poética”, não estaria vinculada à realidade, o que seria tarefa da ciência. Esta postura é inaceitável, vez que transforma a Bíblia em um “conto de fadas”, uma “história da carochinha”. Jesus, porém, disse que a Sua Palavra é a Verdade (Jo.17:17). Certo é que a Bíblia não tem preocupação científica, não se importa em nos mostrar “como” as coisas foram feitas, mas não podemos, por causa disso, dizer que o que as Escrituras dizem são apenas “mitos” desprendidos da realidade.

    OBS: “…Os teólogos afirmam que a Bíblia é somente um manual de Salvação, nada tendo como a ciência. Sentimos muito desapontá-los, mas ela é o Manual de Salvação, sim; mas é também muito mais do que um simples Manual de Ciência; é exatamente a bússola de toda e qualquer ciência. Como dizia o professor Júlio Minham: ‘Para conhecer os enigmas dos céus, não preciso mirar um telescópio; basta meditar em espírito alguns minutos sobre as páginas da Bíblia, pois não tenho visto em livro nenhum tanta ciência revelada como nas Escrituras Sagradas’…” (CARVALHO, Ailton M. de. Deus e a história bíblica dos seis períodos da criação. 4.ed. pp.41-2) (destaque no original).

    - Tal postura equivocada, porém, faz-nos ver mais uma insuficiência da teoria da evolução, qual seja, a de que não dá conta da realidade espiritual do ser humano. A teoria da evolução não explica a parte imaterial do homem, não dá conta do homem interior, da alma e do espírito. Nem o poderia dar, vez que se trata de um instrumento para se menosprezar e desprezar a figura divina. O materialismo da teoria da evolução é mais uma demonstração do perigo de sua propagação e de seu acolhimento por tantos quantos se dizem servos do Senhor. É a redução do homem a mero conjunto de matéria, é a negação da sua condição de imagem e semelhança de Deus, Deus que é Espírito e que deseja ser adorado em espírito e em verdade (Jo.4:23,24).

    - Nesta insuficiência notamos, com clareza, o mal, o prejuízo que a teoria da evolução causa na formação espiritual do ser humano, o seu papel de um dos mais importantes e eficientes dardos inflamados do inimigo (Ef.6:16) nestes tempos trabalhosos em que vivemos. Por isso, mais do que nunca, deve a Igreja empunhar o escudo da fé para combater esta “falsamente chamada ciência” e sua teoria predileta, pregando a Palavra, pedindo a Deus para que se nos acrescente a fé (Lc.17:5) e andando de fé em fé (Rm.1:17), pois devemos andar por fé e não por vista (II Co.5:7), pois só assim seremos vencedores, pois esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé (I Jo.5:4).

    - A fé, entretanto, não se confunde, em absoluto, com a ignorância, com o anti-intelectualismo. A fé é a fonte da verdadeira sabedoria, pois permite aos pequeninos ter acesso às coisas que são ocultas aos sábios e entendidos (Mt.11:25). A fé não é cega, mas, pelo contrário, consegue atingir aquilo que a mente humana não consegue alcançar. A fé permite-nos ir além das limitações da razão humana, pois nos permite ter a mente de Cristo (I Co.2:9-16). Esta fé nos faz dispensar qualquer prova científica para crermos, mas também nos mostra que, sempre que a ciência se multiplica, o que nos foi revelado é confirmado pelas evidências, algo bem diverso do que ocorre com os néscios que, no afã de negar a existência de Deus, somente produzem corrupção e imundícia (Sl.14:1-3). Que nestes tempos trabalhosos em que vivemos, saibamos ter esta fé, que, associada à razão, sempre nos mostrará o Deus Todo-Poderoso, Criador dos céus e da terra, Criador de todas as criaturas segundo a sua espécie. Amém!

    Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

    Os perigos da Teoria da Evolução – 1

    OS PERIGOS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO
    Texto Áureo: Gn. 2.7 – Leitura Bíblica em Classe: Gn. 1.11,12,20,21,24,27.

    Pb. José Roberto A. Barbosa

    Objetivo: Refletir a respeito dos perigos de ver o homem como mero produto de uma evolução casual, sem que sido criado por uma intervenção divina.

    INTRODUÇÃO

    Conforme vimos no estudo anterior, o materialismo tem sido a filosofia que tem determinado os currículos escolares. Por conseguinte, os estudos antropológicos apontam para a crença de que o homem seja produto de uma sucessão evolutiva, sem qualquer intervenção divina.

    1. DEFININDO EVOLUCIONISMO


    O evolucionismo é uma teoria sobre a o surgimento da vida biológica elaborado por Charles Darwin (1809-1882), cuja premissa é a de que o mecanismo de desenvolvimento evolutivo é o resultado de variações aleatórias e da seleção natural por meio da competição para a sobrevivência e reprodução. A teoria da evolução reduziu dramaticamente a popularidade do criacionismo, principalmente, nas instituições escolares. Alguns pensadores religiosos consideram que seja possível conciliar essa teoria com o conceito de Deus, como criador do universo, partindo do pressuposto de a seleção natural teria sido o meio que Deus teria usado para criar o universo e o ser humano, é o que se costuma denominar de Evolucionismo Teísta. No geral, a teoria da evolução é aceita, em alguns contextos acadêmicos, como se fosse uma assertiva definitivamente comprovada, sem que se dê margem a qualquer questionamento, muito embora, o próprio nome denuncie que se trata não de uma verdade definitiva, antes de uma “teoria”, isto é, uma cosmovisão, um ponto de vista sem a devida constatação da ciência.

    2. PERIGOS DA TEORIA DA EVOLUÇÃO
    2.1 Não se relacionar com o Criador por não acreditar que Ele exista
    Como o evolucionismo está geralmente atrelado ao materialismo, um dos perigos é o da negação da existência de um Deus, pessoal e inteligente, que tenha projetado a criação do universo e do homem que conduz ao ateísmo. Por se tratar de um fenômeno isolado, e que trás sérias conseqüências ao ser humano, algumas passagens bíblicas se referem ao ateu como néscio (Sl. 14.1; 53.1). O principal problema do ateísmo é que o homem é obrigado a se encontrar só no mundo, enfrentar a vida como algo absurdo, sem sentido, restando-lhe apenas a incerteza e o desespero diante da morte. Em oposição ao ateísmo, cremos que há um Deus que nos ama, que, na verdade é amor (I Jo. 4.8). Que demonstrou esse amor enviando o Seu único filho, Jesus Cristo, para morrer em nosso lugar (Jo. 3.6; Rm. 5.8). Portanto, para o cristão, Cristo é o fundamento tanto da vida presente (I Co. 3.11,12) quanto futura (I Tm. 6.19). Isso nos leva a descansar na convicção de que “as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” (I Co. 2.9).

    2.2 Não mais perceber o valor da criação divina
    A teoria da evolução, ao negar a existência de Deus, percebe a vida humana, e todo o universo, como uma cadeia de ações e reações físicas que funcionam sem os cuidados de Deus. O perigo dessa crença é que o ser humano acaba sendo visto como uma peça, na verdade, uma das menos significativas nessa grande engrenagem denominada universo. Por isso, é comum os adeptos do evolucionismo se referirem ao corpo humano como um amontoado de células que nascem, crescem, se reproduzem e morrem. É válido destacar que essa abordagem científica contribuiu bastante para a defesa da superioridade ariana por Hitler, na Segunda Guerra Mundial. As raças “inferiores” foram levadas às câmaras de gás. Há o perigo do ser humano ser objetificado, sendo percebido como uma coisa que pode ser dissecada em laboratório. A perspectiva cristã se difere dessas visões por ver a vida em sua grandeza e beleza, proveniente de um Deus Onipotente, criador dos céus e da terra (Sl. 8.1-5; 19.1-4) e que a mantêm (At. 17.28).

    2.3 Não mais fazer a distinção entre o que seja certo e errado
    A teoria da evolução, por negar Deus, nega também uma ética maior, mais ou menos como afirma um dos personagens do escritor russo Fiodor Dostoieviski, em seu romance Irmãos Karamazov: “se Deus não existe, tudo é permitido”. As pessoas fazem o que acreditam, em comum acordo, que seja o certo e o errado. Vivem como nos tempos dos juizes, nos quais cada um faz o que parece reto aos seus próprios olhos (Jz. 21.25). Como naqueles mesmos tempos, o perigo é que sejamos entregues à devassidão, por negar a Deus e suas verdades absolutas (Rm. 1.21-32). E fazer conforme está escrito em Is. 5.20, chamando as trevas de luz e a luz de trevas, o doce de amargo e o amargo de doce. Para não correr o risco de sermos destruídos pelo relativismo, precisamos ouvir a voz do evangelho de Cristo, certo de que sua palavra é absoluta, imutável e universal.

    CONCLUSÃO
    A teoria da evolução, sob a égide da ciência, se constitui em um perigo para o indivíduo moderno. O primeiro deles é que afasta o ser humano do seu Criador, impossibilitando um relacionamento necessário com Ele, para o qual fomos criados. Em segundo lugar, podemos acabar tratando a criação, o ser humano e o meio ambiente em geral, como objetos. E por último, a ausência de critérios do que seja certo e errado resulta na destruição de princípios fundamentais para a sobrevivência humana na terra.

    REFERÊNCIA
    COLSON, C. PEARCEY, N. O cristão na cultura de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006
    COLSON, C. PEARCEY, N. Verdade Absoluta. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

    Fonte: http://subsidioebd.blogspot.com/

    A origem do Universo – 2

    LIÇÃO Nº 4 – A ORIGEM DO UNIVERSO

    por Prof. Dr. Caramuru Afonso

    Fonte. www.escoladominical.com.br

    A insistência em excluir Deus da atividade científica é a principal responsável pelo surgimento da “falsa ciência”.

    INTRODUÇÃO

    - Nestes tempos trabalhosos em que vivemos, há uma crença generalizada de que a ciência se opõe à Bíblia, cada vez mais considerada como um “livro de ignorância”. Entretanto, não podemos nos esquecer de que a Bíblia é a Verdade (Jo.17:17) e que, portanto, tudo que se lhe opõe, é falso, inclusive a “falsamente chamada ciência” (I Tm.6:20).

    - Não podemos menosprezar nem sermos inimigos da ciência, mas devemos ter a consciência de que a verdade é única e que, onde a ciência não confirma o que diz a Bíblia, estamos, quando muito, no terreno do atraso científico em relação à revelação divina.

    I – CIÊNCIA E BÍBLIA

    - Na lição anterior, estudamos como a educação tem sido utilizada para afastar a humanidade de Deus e de Sua Palavra nestes tempos trabalhosos em que estamos a viver. Nesta lição e na próxima, estaremos nos detendo na ação do “espírito do anticristo” sobre a atividade científica, atividade esta que é, então, levada até os bancos escolares para ser ensinada às novas gerações.

    - Na empreitada para criar uma mentalidade que menospreze ou despreze a figura divina, o adversário de nossas almas não poderia descurar da atividade científica, de onde vem a principal fonte do conhecimento da humanidade. Uma ciência que seja desvinculada de Deus, que despreze ou menospreze o Senhor, é fundamental para que se tenha um sistema educacional igualmente materialista e oposto ao Senhor.

    - Atualmente, quando se fala em ciência e em cientistas, logo vêm à mente dos homens uma atividade contrária à “religião”, uma atividade que contraria o que foi revelado por Deus nos “livros sagrados”. Todos têm tido a ilusão de que cientista é, necessariamente, uma pessoa sem religião, incrédula e que não admite a realidade espiritual. Tal concepção, que tem sido muito difundida pelas “portas do inferno”, está presente, inclusive, entre os crentes, que, ingenuamente, muitas vezes afirmam que “preferem crer na Bíblia a crer na ciência”, como se a ciência pudesse contrariar a Palavra de Deus. No entanto, este pensamento, quando analisado, mostra-se fraudulento e mentiroso, como, aliás, é próprio de tudo aquilo que é engendrado pelo diabo, pai da mentira que é (Jo.8:44).

    - Quando abrimos a Bíblia Sagrada, percebemos, claramente, que a ciência, ou seja, “cada um dos inúmeros ramos particulares e específicos do conhecimento, caracterizados por sua natureza empírica, lógica e sistemática, baseada em provas, princípios, argumentações ou demonstrações que garantam ou legitimem a sua validade” (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa), nada mais é que uma atividade que resulta da própria capacidade intelectual que Deus deu ao homem.

    - A Bíblia, ao relatar a criação do ser humano, diz, claramente, que o homem foi criado à “imagem e semelhança de Deus”, com poder de domínio sobre toda a criação na face da Terra (Gn.1:26). Este domínio tinha como base a capacidade racional de que o homem foi dotado, tanto que, para perceber que ele tinha este poder, diferenciando-o dos demais seres vivos do planeta (e quem diz que a “diferença específica” do homem é a sua racionalidade é o filósofo grego Aristóteles), Deus mandou que o homem desse nome a todos os animais (Gn.2:19,20).

    - Este gesto divino de permitir ao homem que desse nome a todos os animais tinha um tríplice propósito. Em primeiro lugar, mostrar ao homem que ele tinha capacidade intelectual criativa, ou seja, embora Deus fosse o Criador de todas as coisas, havia dado ao homem uma capacidade especial de criar, “in casu”, os nomes dos animais. Evidentemente, que a capacidade criativa do homem jamais se igualaria a Deus, mas, num ato de amor de Deus ao gênero humano, tinha o homem este potencial criativo que, digamos, era “derivado”.

    - Em segundo lugar, ao permitir que o homem desse nome aos demais seres terrenos, Deus mostrou ao homem que lhe havia sido concedido o poder, o domínio sobre a natureza. O ato de dar nome é uma demonstração de domínio, de superioridade e o homem, ao fazê-lo, tornava-se consciente de que poderia controlar a natureza, utilizá-la em seu proveito, tendo poder de modificá-la, embora devesse preservá-la. Reside, aliás, aí a essência da ordem divina para o homem com relação ao jardim formado no Éden para abrigá-lo, jardim que deveria “lavrar” (isto é, modificá-lo graças a sua capacidade criativa) e “guardar” (isto é, preservar, manter, impedir a sua destruição) (Gn.2:15).

    - Em terceiro lugar, ao permitir que o homem desse nome aos demais seres terrenos, Deus quis mostrar ao homem a necessidade que tinha de viver na companhia do próximo. Somente quando deu nome aos seres, Adão percebeu que estava só. Esta conscientização não visava apenas dar conhecimento ao homem da sua sociabilidade, como tivemos ocasião de estudar na lição 2 deste trimestre, mas, também, demonstrar que nada se faz solitariamente, o que, também para a produção científica é algo relevante e necessário saber. O domínio sobre a natureza deve, também, levar em conta o outro, o próximo, não pode ser uma atividade egoística e sem qualquer preocupação com o conjunto da humanidade.

    - Assim, quando lemos a Bíblia Sagrada, percebemos, nitidamente, que a atividade científica, ou seja, a explicação dos fenômenos que cercam o homem, sejam naturais, sejam os relacionados com o próprio homem, feita com base na razão (i.e., na lógica), por meio de comprovações por experiências e princípios que regram o raciocínio, nada mais é que uma atividade que é resultado de uma capacidade dada por Deus ao homem e que, portanto, não pode ser considerada má em si mesma, nem tampouco uma afronta ao Senhor e à Sua Palavra.

    - Tanto assim é que a Bíblia nos mostra, também, que, muitas vezes, o Senhor, para bem utilizar alguém que tinha escolhido para a Sua obra, fez com que tivesse esta pessoa uma devida preparação científica, que seria necessária para a realização do trabalho para o qual o Senhor o havia chamado. Moisés, para ser líder do povo de Israel, teve, antes, de ser devidamente instruído em toda a ciência do Egito (então, o principal e mais avançado centro científico do mundo) (At.7:22). Salomão, tendo recebido a sabedoria de Deus, dedicou-se ao estudo científico (I Rs.4:33,34). Paulo, este gigante da evangelização do mundo de seu tempo, foi chamado depois de ter sido, devidamente, instruído seja na filosofia grega (Tarso era um centro filosófico respeitável nos dias de Paulo e o conhecimento filosófico do apóstolo está bem demonstrado na sua fala aos areopagitas em Atenas – At.17:19-32), seja no direito romano (Paulo era cidadão romano e tinha amplo conhecimento das leis do Império Romano, como mostram os episódios que envolveram sua prisão e ida para Roma), seja na lei judaica (At.22:3). Se a ciência fosse contrária à Palavra de Deus ou ao próprio Deus, teria o Senhor assim procedido?

    - A ciência tem como objetivos, diz o filósofo da ciência theco Ernest Nagel (1901-1985), o controle prático da natureza, a busca de um conhecimento sistemático e seguro que propicie conclusões certas, tudo mediante um método próprio e rigoroso de investigação. Durante muito tempo, os cientistas sintetizavam este objetivo como a “busca da verdade”. Ora, se a ciência tem em vista a busca da  verdade, a descoberta da realidade de modo a permitir o controle do homem sobre a natureza, tem-se que a ciência nunca pode contrariar a Bíblia Sagrada, já que ela é a verdade (Jo.17:17). Ainda que ciência e Bíblia tenham pontos de partida totalmente diferentes e objetos igualmente distintos, não podem se contrapor, já que ambas têm o mesmo alvo, a saber: a verdade.

    - Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo, ele próprio alguém dotado de vasto e profundo conhecimento científico, não recomenda a seu filho na fé, Timóteo, que se afaste da ciência, como, lamentavelmente, muitos “crentes espirituais” insistem em fazê-lo, sem qualquer respaldo bíblico, mas, sim, que tivesse horror às oposições da falsamente chamada ciência, ou seja, que se afastasse de toda a produção intelectual que, com o pretexto de tentar descobrir a verdade, estivesse fundamentada única e exclusivamente no intuito de se opor a Deus e à Palavra de Deus, uma ciência que, por ser animada por esta oposição, seria tão somente uma “falsa ciência”, mais um ludibrio, mais um ardil plantado pelo “pai da mentira”, sob a roupagem de erudição.

    - Precisamos, nestes dias de grande progresso científico e tecnológico, não cair na armadilha do “anti-intelectualismo”, ou seja, da postura contrária a toda e qualquer atividade intelectual, no posicionamento contrário à ciência, tida e havida como algo “prejudicial à vida espiritual”. Não são poucos os cristãos que, diante da pregação antibíblica da “falsa ciência”, cada vez mais intensa e divulgada pelos arautos do “espírito do anticristo”, são enganados e passam a “atacar a ciência”, como se isto fosse uma atividade proibida ao ser humano ou que tivesse como objetivo ofender a Deus. Esta “oposição entre ciência e Bíblia” é mais um ardil do inimigo, que não podemos, de forma alguma, ignorar (II Co.2:11). A verdadeira e genuína ciência, dentro de seus métodos adequados, jamais contestará a Palavra de Deus, mas a confirmará, mais cedo ou mais tarde, porque Deus é a verdade (Jr.10:10 “in initio”).

    - Em vez de criticarmos a ciência, de lutarmos contra algo que foi criado pelo próprio Deus, qual seja, a capacidade criativa intelectual do homem e a possibilidade que tem ele de controlar, ainda que parcialmente, a natureza, temos, isto sim, de lutarmos contra aqueles que procuram distorcer a ciência, transformando-a em uma inútil arma de ataque à Bíblia Sagrada e a Deus. Devemos ter horror aos “clamores vãos e profanos”, às investidas satânicas na boca de supostos sábios (que, na verdade, como ensina o salmista, são néscios – Sl.14:1) que buscam, de todas as maneiras, usar a ciência como instrumento de fomento à descrença e ao abandono da fé em Deus.

    - Se nos conscientizarmos do valor da “ciência verdadeira”, de quanto uma atividade científica contribui para a evangelização e para a salvação das almas, teríamos, no meio da Igreja, um sem-número de mestres e doutores que, através do aprimoramento científico, demonstrariam, a partir da razão e com a utilização do rigoroso método científico, a verdade estampada na Bíblia Sagrada.

    - Cremos na Bíblia porque ela é a Palavra de Deus e a fé está situada em patamar diferente do da razão. Não precisamos das afirmações científicas para crermos em Deus, ou não, pois a verdade já nos foi revelada e, pelo Espírito Santo, compreendemos coisas que os homens, pela sua própria capacidade, jamais conseguirão entender ou explicar (I Co.2:9-16). Como diz o escritor aos hebreus, “pela fé entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados, de mandeira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb.11:3). Mas, sem dúvida alguma, quando fazemos ciência, partindo da razão e com a utilização do método científico, de modo autêntico e genuíno, chegamos a conclusões tais que passamos a ter certeza das coisas que, pelo Evangelho, já fomos informados (Lc.1:4). É esta firmeza adicional, que nos dá segurança ainda maior na nossa caminhada para o céu, que o inimigo tenta nos impedir de ter, pois seu objetivo é que não tenhamos raiz e, assim, facilmente fraquejemos na nossa jornada para a Jerusalém celestial (Ef.4:14). O conhecimento científico alia-se ao conhecimento bíblico para que tenhamos os nossos passos firmados sobre a rocha (Sl.40:2 “in fine”).

    OBS: “…A compreensão teológica ainda não chegou aonde deveria chegar por estar andando, no máximo, com uma única perna. Assim, o evangelho é uma locomotiva deslizando sobre um único trilho chamado Teologia; o trilho que falta para dar maior estabilidade à máquina chama-se Ciência. Quando a locomotiva deslizar sobre estes dois trilhos, quem sabe poderemos fazer em dez anos o que não fizemos em dois mil anos.…” (CARVALHO, Ailton M. de. Deus e a história bíblica dos seis períodos da criação. 4.ed., p.40).

    - Costuma-se dizer que “a ciência libertou-se da Bíblia” graças a Galileu Galilei (1564-1642), grande físico italiano, que quase foi condenado à morte pela Igreja Romana por causa de suas teorias científicas, que discordavam dos ensinos dogmáticos do catolicismo. Somente não foi condenado porque se retratou de suas idéias, entre as quais a de que a Terra seria móvel, ao contrário dos ensinos então divulgados pela Igreja. Galileu é sempre mencionado como um exemplo de como a intolerância religiosa e o apego à Bíblia Sagrada seriam danosos à humanidade e de como a Bíblia se contrapõe ao progresso e à ciência.

    - Tem-se, porém, que esta história cansativamente repetida e divulgada não é a verdade a respeito do assunto. Há, aqui, um exemplo de como uma mentira repetida inúmeras vezes se torna verdade. Não resta dúvida de que a Igreja Romana perseguiu Galileu e que não concordava que seus dogmas fossem desmentidos pelos experimentos do grande cientista, tanto que o Papa João Paulo II, em 1992, reconheceu o erro da condenação de Galileu, “reabilitando-o” Perante o Vaticano. Mas, daí a tentar dizer que Galileu defendeu o abandono da Bíblia e que foi, assim, o “libertador” da ciência, há uma grande distância.

    - Quando se lê a famosa carta que Galileu escreveu, em 1615, à grã-duquesa Cristina de Lorena, carta que foi o estopim do processo que levou à sua condenação, percebe-se que, ao contrário do que se apregoa, Galileu não era um descrente, um ateu. Muito pelo contrário, na sua carta, Galileu reconhece o valor das Escrituras Sagradas. Afirma, por exemplo, que “…as Escrituras nunca podem mentir…” e, ainda, “…mesmo naquelas proposições que não são ‘de fide’ (i.e., de fé – observação nossa), a autoridade das Sagradas Escrituras devem ser antepostas a todas as escrituras humanas, que não tiverem sido escritas com método demonstrativo, mas como pura narração ou, também, com razões prováveis (…) pois a sabedoria divina supera a todo juízo e conjectura humanos(…)” (GALILEI, Galileu. A Cristina di Lorena. Disponível em: Religião, Ciência. trackback

    Fonte:

    A origem do universo – Criacionismo

    Criacionismo: Válido ainda no terceiro milênio?

    http://dialogue.adventist.org/articles/15_3_javor_p.htm

    Criacionismo não é algo para pusilânimes! O criacionismo se baseia em uma afirmação feita há mais de 3.500 anos, que se encontra na Bíblia: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1). A maior parte dos cientistas contemporâneos, entretanto, acredita que a vida resultou de uma grande explosão de matéria primordial, há bilhões de anos. Assim, crer na criação é remar contra a maré!

    “Nada na Biologia”, escreveu Dob-zhansky, “tem sentido senão à luz da evolução”.1 Os editores da revista Science, apresentando um número especial dedicado à Evolução, afirmaram há não muito tempo: “Os conceitos intelectuais surgidos do nosso entendimento da evolução têm enriquecido e mudado muitos outros campos de estudo”.2 No mesmo número da revista, escreveu Stephen Jay Gould: “A evolução orgânica … [é] um dos fatos mais firmemente validados até hoje pela ciência”.3

    A resposta criacionista tradicional para essas declarações é apontar para falhas nos argumentos evolucionistas. Porém, os criacionistas se destacam quando mostram que suas explanações são melhores que as dos evolucionistas. Seu objetivo deve ser desenvolver seu paradigma tão bem que as pessoas sejam levadas a admitir que “nada na Biologia tem sentido senão à luz do criacionismo”.

    Tendo esse pano de fundo, consideremos alguns aspectos do criacionismo ainda válidos para os pensadores cristãos no século XXI.

    1. O criacionismo é um paradigma com motivação religiosa?

    Sim. Esforços para apresentar o criacionismo sob um manto secular distorcem sua motivação central. No próprio centro do criacionismo está o Criador. A Bíblia ensina que o Criador está intimamente relacionado com a natureza, embora não fazendo parte dela. Segue-se que a religião não pode ser divorciada da ciência. Embora a ciência possa ser praticada sem qualquer referência à religião, a interpretação desses esforços pode ser falha.

    Dentre as grandes civilizações, foi a da Europa Ocidental que deu origem à ciência moderna, com ênfase na experimentação e em formulações matemáticas.4 Várias culturas da Antigüidade, dentre elas as da China e da Arábia, produziram níveis de conhecimento e tecnologia mais elevados do que a Europa medieval. Não obstante, foi na Europa que nasceu a ciência moderna. Para isso contribuiu grandemente a fé judaico-cristã, com sua confiança nas leis da natureza.

    O suposto conflito entre religião e ciência é uma invenção recente, e uma distorção da realidade histórica feita por uma classe de historiadores (conduzida por John Williams Draper e Andrew Dickson White), cujo objetivo era destruir a influência eclesiástica. O secularismo atualmente popular na ciência pode ser apenas um desvio na história da ciência.

    2. Quais são os comprometimentos perceptíveis do criacionismo?

    a. O criacionismo foi originado em um mundo pré-científico, no qual abundavam mitos. A história bíblica da criação é freqüentemente comparada com as histórias da criação existentes em Babilônia e noutros países da antigüidade.

    b. O criacionismo baseia-se na noção de que existe um ser sobrenatural, que não pode ser investigado cientificamente. Além disso, se isso é verdade, nosso mundo está sujeito aos caprichos de forças sobrenaturais, e a ciência não está capacitada a estudar um mundo assim.

    c. O criacionismo restringe o campo susceptível de pesquisa, pois por definição não há como estudar a origem da vida ou o relacionamento entre os organismos.

    d. O criacionismo implica em responsabilidade. Então o ser humano não é a suprema autoridade neste mundo.

    Respostas a essas observações:

    a. O fato de existirem histórias da criação em diferentes culturas da Antigüidade sugere uma fonte comum para elas.

    b. O Ser Supremo revelado na Bíblia criou um mundo com leis que foram expressas, ou que podem ser descobertas. Os seres humanos receberam a ordem de exercer domínio e zelar pela criação utilizando-se dessas leis. Não parecem existir caprichos na operação rotineira da natureza.

    Não obstante, o paradigma criacionista permite a intervenção divina na natureza, quando leis naturais conhecidas são superadas. Os criacionistas crêem que no passado intervenções divinas de grande significado foram dadas a conhecer à humanidade mediante revelações especiais. A ciência moderna desencaminhou-se ao descartar informações reveladas sobrenaturalmente, que são relevantes à própria ciência.

    c. Se o paradigma criacionista é rest-ritivo ou não, depende da perspectiva de cada um. A compreensão da realidade de cada um é que ditará o âmbito de suas indagações.

    3. A ciência foi ajudada ou dificultada pelo criacionismo?

    A visão de mundo criacionista foi um forte fator motivador para os cientistas estudarem a natureza – para realmente fazerem experimentos e descobrirem como Deus dirige o mundo. Foram estes os cientistas “voluntaristas”, que se opuseram aos aristotélicos (que sustentavam que o Universo e tudo o que nele existe tinha de ser construído pelas leis da lógica que o próprio Aristóteles descobrira). Dentre os mais proeminentes cientistas “voluntaristas” destacam-se Van Helmont, Robert Boyle e Isaac Newton.

    A doutrina bíblica da criação nos assegura que vivemos em um mundo sujeito a leis estabelecidas pelo Supremo Legislador. Isto contrasta fortemente com a visão pagã de mundo, na qual a natureza era vista como viva e sendo movida por forças misteriosas. Portanto, a doutrina da criação foi um fator positivo, e possivelmente decisivo, que contribuiu para a origem da ciência moderna.

    4. Existe potencial para explicações no criacionismo?

    Em grande parte a ciência compõe-se de explicações. O teste crucial quanto ao valor de um paradigma baseia-se no seu potencial para explicações. Eis alguns exemplos:

    • Elementos de desígnio observados em todos os níveis na natureza, resultam naturalmente do cri-acionismo.

    • A grande diversidade existente entre os organismos pode ser entendida como reflexo da ilimitada imaginação do Criador.

    • A interação e o apoio mútuos entre organismos é testemunho de um desígnio altruísta.

    • Deixa de existir dificuldade para explicar como a matéria veio à existência. Do mesmo modo a dificuldade de elaboração de complexas árvores filogenéticas.

    • O criacionismo é coerente com a excepcional fidelidade da reprodução genética, bem como com o intervalo bastante limitado de possíveis alterações que possam ocorrer por mutações. (Atualmente foi mostrado, por exemplo, que a bactéria E. coli permanece inalterada no decorrer de milhares de gerações em laboratório).

    Nem todas as manifestações da biosfera têm a ver com os valores da sobrevivência. A vida tem a ver com muito mais do que a mera sobrevivência. Se a sobrevivência fosse o único critério, teríamos um mundo muito mais despovoado e desolado. Com o criacionismo, deixa de existir dificuldade para explicar por que existem organismos unicelulares e multicelulares, bem como por que existe uma exigência absoluta para a coexistência de dois gêneros distintos de organismos (machos e fêmeas).

    • Características comuns entre os organismos são entendidas como provenientes de um mesmo Pro-jetista. Semelhanças nos caminhos metabólicos, por exemplo, geram necessidades metabólicas comuns que podem ser satisfeitas por fontes comuns de alimento. Características diversas proporcionam capacidade para os organismos preencherem diferentes nichos e preservarem sua identidade. As diferenças entre os organismos também refletem a predileção óbvia do Projetista pelas variações.

    • Ao invés de se indagar como um organismo pode ser bem-sucedido para conseguir seu próprio nicho, pergunta-se como pode a espécie contribuir para o bem da biosfera.

    • Fica resolvido o problema da galinha e do ovo. A galinha surgiu primeiro.

    • A razão da existência, dos átomos para cima, é entendida como a expressa vontade do Criador. O entendimento da criação pelos adventistas enfatiza que o Criador não dependeu de matéria pré-existente, que a matéria não é infinitamente antiga, ela foi criada.

    • Uma das características de uma entidade projetada é que o seu todo é maior do que a soma de suas partes. Projeto e organização possibilitam aos componentes de sistemas complexos cooperarem para a expressão de novas funções. Níveis de realidade podem ser dispostos de maneira a mostrar o aparecimento de novas funções em cada nível sucessivo. (Ver Figura 1.)

    • Predação, plantas tóxicas, vírus, sofrimento e morte de organismos não vegetais não se ajustam a um esquema concebido por um sábio Criador onisciente. O paradigma criacionista atribui isso à obra de um poder maligno na natureza. Esse conceito é de maior valia ao considerarmos a imensa sofisticação existente na operação da matéria viva, tudo parecendo conduzir a nada – isto é, à subseqüente morte do organismo.

    5. Podemos fazer predições cientificamente testáveis utilizando o paradigma criacionista?

    O criacionismo tem sido criticado por não levar a predições testáveis. Paradigmas incorretos, porém, podem levar a sugestões testáveis, mas isso não as torna necessariamente boas hipóteses. Simplesmente as torna hipóteses testáveis.

    Quando a predição de um paradigma é testada e o resultado é diferente do predito, às vezes o paradigma é alterado, mas freqüentemente os resultados do teste são reinterpretados, de maneira a permitir a continuação da validade do paradigma. Quando a Missão Viking ao planeta Marte não encontrou evidências de vida no solo da superfície de Marte, embora tivesse sido predita a existência de vida microbiana pelo paradigma químico evolutivo, foi feito o reajuste postulando a existência de organismos vivos no subsolo.

    O paradigma criacionista sugere que, em vez de ter criado apenas algumas poucas espécies, o Criador tenha gerado uma rica variedade de organismos vivos, por isso não seria surpreendente descobrir planetas povoados somente por microorganismos.

    Outras predições que resultam da posição criacionista são:

    • A biosfera está completa. Não se espera que surja alguma nova ordem de organismos. (O paradigma cri-acionista, entretanto, admite novas espécies surgindo dentro da mesma ordem.) Todos os organismos atuais têm ancestrais reconhecíveis.

    • Nenhum organismo vivo surgirá abioticamente.

    • O registro fóssil sugere uma rica variedade de organismos coexistindo desde o princípio.

    6. Conseqüências teológicas do criacionismo

    • A ciência não pode dissociar-se da religião. Os teólogos não devem deixar o âmbito da realidade física inteiramente a cargo dos cientistas. Os teólogos podem não ser capazes de contribuir para a compreensão de como as realidades físicas atuam na natureza, mas eles têm a séria responsabilidade de assessorar os cientistas com relação ao significado mais claro da informação sobrenatural, que tem a ver com a ciência.

    • Para ilustrar isso, podemos imaginar um cientista proveniente de alguma outra parte do Universo, que tenha vindo visitar a Terra uma semana após sua criação. Não tendo tido notícia sobre o recente evento da criação, e observando animais maduros e árvores bem desenvolvidas no Jardim do Éden, esse cientista muito bem poderia concluir que a Terra tivesse existido já por algum tempo. O conflito relativo à idade da Terra resulta do fato de que as técnicas de datação desprezam totalmente a possibilidade de uma Terra madura ter aparecido de súbito.

    • A humanidade é responsável perante o Criador pela maneira como utiliza os recursos naturais.

    • A sabedoria e o requinte do Criador estão documentados em incon-táveis exemplos na natureza. É preciso enfatizar que Ele é não somente o Projetista do mundo, onde objetos e organismos integram-se em um conjunto coerente, como também foi Ele que trouxe tudo à existência, tendo também sustentado tudo no decorrer dos milênios. Compare isso com os famosos experimentos da biosfera, que mostraram quão difícil é estabelecer o equilíbrio de sistemas ecológicos.

    • Embora não tenhamos completa compreensão de como nosso mundo se ajusta ao restante do Universo, nem de que tipo de contribuição poderemos fazer a ele, não pode haver dúvida de que a existência de nosso mundo tem um propósito.

    • A visão adventista de mundo baseia-se no profundo tema do grande conflito entre Cristo e Satanás. A Bíblia afirma que nos últimos dias Satanás trabalhará poderosamente para enganar o mundo. Um dos pilares deste engano pode ser a teoria da evolução.

    Conclusão

    O criacionismo é um paradigma robusto, plenamente capaz de sustentar o empreendimento científico no novo milênio. A aceitação mais ampla do Criacionismo pela comunidade científica no futuro dependerá em parte de quão bem poderão os teólogos convencer os cientistas do inapreciável valor da informação revelada. Além disso, essa abordagem ganhará maior credibilidade à medida que mais cientistas efetuarem pesquisas com base na perspectiva criacionista.

    George T. Javor (Ph.D., pela Columbia University) leciona e faz pesquisas no Departamento de Bioquímica da Escola de Medicina da Universidade Loma Linda, Loma Linda, Califórnia, EUA.

    Notas e referências

    1.    T. Dobzhansky, The American Biology Teacher 35 (1973): 125.

    2.    B. Hanson, G. Chin, A. Sugden, e E. Culotta, Science 284 (1999): 2105.

    3.    S. J. Gould, Science 284 (1999): 2087.

    4.    N. R. Pearcey e C. B. Thaxton, The Soul of Science. Christian Faith and Natural Philosophy (Wheaton, Ill.: Crossway Books, 1994).

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