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Posts de Novembro, 2007

A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 3

Publicado por Editor em 2007/11/27

A promessa de uma velhice feliz e frutífera

Pr. Atair Germano

Blog do Autor 

 Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes” (Sl 92.14)

1. INTRODUÇÃO

Em todas as épocas o ser humano tem se preocupado com o envelhecimento. Apesar de ser um fato, o envelhecimento é rejeitado por muitos. Entende-se que três coisas colaboram para tal rejeição: a perda do vigor físico, da beleza estética e o medo da morte.

É decorrente destas perspectivas que surgem as tentativas de adiar ou neutralizar o envelhecimento e a morte. A busca pela imortalidade e rejuvenescimento através de fontes e fórmulas mágicas, tão ilustrados em contos e estórias, quer sejam em narrativas escriturísticas e cinematográficas é prova disto.

A entrada do pecado no mundo fez com que gradativamente a longevidade fosse diminuindo (Gn 5.27; 6.3; Sl 90.10). Com isso, a terceira idade foi chegando cada vez mais cedo.

“Nossa sociedade atual dá grande importância para a aparência com o objetivo básico de se encontrar o belo e o jovem. O aspecto da pele, a cor dos cabelos, e a estrutura muscular são os principais alvos a serem alterados.A indústria dos cosméticos fornece os mais diferentes métodos de rejuvenescimento. As academias de ginástica propiciam a manutenção do físico dentro dos padrões clássicos de beleza.” 1

2. O QUE É A TERCEIRA IDADE E QUANDO CHEGA?

Conforme a wikipédia “A terceira idade é uma etapa da vida de um indivíduo. A época em que uma pessoa é considerada na fase da terceira idade varia conforme a cultura e desenvolvimento da sociedade em que vive. Em países classificados como em desenvolvimento, por exemplo, alguém é considerado de terceira idade a partir dos 60 anos. Para a geriatria, somente após alcançar 75 anos a pessoa é considerada de terceira idade. Com a chegada da terceira idade, alguns problemas de saúde passam a ser mais frequentes, e outros, incomuns nas fases de vida anteriores, começam a aparecer. Não existe um consenso com relação a fronteira que limita a fase pré e pós velhice, nem tão pouco, quais são os indícios mais comuns da chegada nesta fase. Dados do IBGE demonstram que entre os anos de 1995 e 1999, no Brasil, o número de pessoas com mais de 60 anos cresceu em 14,5%”

Para muitos, velhice é uma questão de “cabeça”. Neste sentido a idade biológica nem sempre corresponde ao “estado de espírito”. Há jovens velhos e velhos jovens.

3. O QUE A SOCIEDADE PENSA DA TERCEIRA IDADE?

Também aqui encontramos diferenças importantes:

“As sociedades ricas, de primeiro mundo, encaram a terceira idade de maneira bastante prática e objetiva. O idoso recebe nestas sociedades todos os seus direitos, e têm bem nítidos os seus limites, sendo que em determinados países há clara tendência em aproveitá-lo inclusive profissionalmente. Infelizmente sociedades pobres como a nossa, tendem a isolar o idoso, não sendo rara a idéia de considerá-lo inútil, um verdadeiro peso morto. A exagerada valorização da juventude, tão própria da sociedade moderna, contribui muito para piorar o conceito de terceira idade em nosso meio. A Saúde Pública e a Previdência Social não estão estruturadas para cuidar de maneira eficiente da terceira idade. A pobreza e a miséria colocam grande parte de nossa sociedade muito afastada de qualquer benefício trazido pelo mundo moderno. Tudo isso coloca uma carga muito negativa sobre a terceira idade em nosso meio dificultando muito a sua situação.A sociedade brasileira ainda não teve tempo de se adaptar às grandes mudanças ocorridas, e o idoso ainda está longe de se sentir integrado a tais mudanças.”2

O que me chama a atenção é que tal realidade acaba sendo vivenciada também na igreja, onde muitas não estão preparadas para dar o suporte e espaço necessário para os irmãos da terceira idade. Como resultado, nossos anciãos tornam-se também um peso, ao mesmo tempo em que são excluídos de muitas (ou todas) atividades.

4 – OS PROBLEMAS DA TERCEIRA IDADE À LUZ DA BÍBLIA

Relacionaremos alguns problemas que surgem naturalmente com a chegada da terceira idade:

-Maior vulnerabilidade às doenças (Ec 12.1-7): Este texto, na Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) ficou assim:

“Lembre do seu Criador enquanto você ainda é jovem, antes que venham os dias maus e cheguem os anos em que você dirá: “Não tenho mais prazer na vida.” Lembre dele antes que chegue o tempo em que você achará que a luz do sol, da lua e das estrelas perdeu o seu brilho e que as nuvens de chuva nunca vão embora. Então os seus braços, que sempre o defenderam, começarão a tremer, e as suas pernas, que agora são fortes, ficarão fracas. Os seus dentes cairão, e sobrarão tão poucos, que você não conseguirá mastigar a sua comida. A sua vista ficará tão fraca, que você não poderá mais ver as coisas claramente. Então os seus braços, que sempre o defenderam, começarão a tremer, e as suas pernas, que agora são fortes, ficarão fracas. Os seus dentes cairão, e sobrarão tão poucos, que você não conseguirá mastigar a sua comida. A sua vista ficará tão fraca, que você não poderá mais ver as coisas claramente. Você ficará surdo e não poderá ouvir o barulho da rua. Você quase não conseguirá ouvir o moinho moendo ou a música tocando. E levantará cedo, quando os passarinhos começam a cantar. Então você terá medo de lugares altos, e até caminhar será perigoso. Os seus cabelos ficarão brancos, e você perderá o gosto pelas coisas. Nós estaremos caminhando para o nosso último descanso; e, quando isso acontecer, haverá gente chorando por nossa causa nas ruas. Então você terá medo de lugares altos, e até caminhar será perigoso. Os seus cabelos ficarão brancos, e você perderá o gosto pelas coisas. Nós estaremos caminhando para o nosso último descanso; e, quando isso acontecer, haverá gente chorando por nossa causa nas ruas. A vida vai se acabar como uma lamparina de ouro cai e quebra, quando a sua corrente de prata se arrebenta, ou como um pote de barro se despedaça quando a corda do poço se parte. Então o nosso corpo voltará para o pó da terra, de onde veio, e o nosso espírito voltará para Deus, que o deu.”

-Maior dependência (Jo 21.18): Com a velhice surge uma maior dependência da ajuda de outras pessoas. A família e a igreja devem estar atentas para as necessidades daqueles (principalmente os enfermos) que precisam de ajuda para se deslocar, caminhar, sentar, levantar e para outras atividades. Por outro lado, o idoso não pode ser orgulhoso ao ponto de rejeitar tal ajuda, tentando muitas vezes “provar” que não está tão velho assim.

-Solidão e abandono (Sl 71.9; 2 Tm 4.9-11): A solidão não é um projeto de Deus para o homem. Milhares de idosos, irmãos, irmãs e obreiros acabam a vida largados, abandonados, desprezados, rejeitados pela própria família, filhos e inclusive (e infelizmente) pela igreja. Que grande injustiça. Como desamparar aqueles que nos deu amparo, proteção, educação e acima de tudo amor. Lembre-se que você pode chegar a terceira idade. Quando isso acontecer como você pretende de ser tratado?

Conta-se que algumas crianças observavam seu pai preparando algo com madeira. Despertadas pela curiosidade, perguntaram ao pai o que era aquilo. O pai disse-lhes que se tratava de uma mesa para o vovô, pois não suportava mais o “velho” com suas conversas “chatas” sempre que se reuniam para tomar as refeições. A partir daquela data o vovô iria comer lá fora! Passados alguns dias, aquele pai viu as crianças fazendo algo também com algumas madeiras. Perguntados sobre o que estavam fazendo, as crianças responderam: – É uma mesa, para quando o senhor ficar velho como o vovô, comer também lá fora!

Colhemos aquilo que plantamos!

5 – COMO SER FELIZ NA TERCEIRA IDADE À LUZ DA PALAVRA DE DEUS

-Sentindo-se útil (Gn 12.4; Js 14.10-11; At 7.23, 30): Abraão, Moisés, e tantos outros grandes heróis da fé, foram usados por Deus na terceira idade. Deus não faz acepção de pessoas. Ele usa quem quer, quando quer, onde quer e da maneira que deseja. Deus que lhe usar ainda na velhice. A questão é se você quer ser usado por Deus! “Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes” diz o Salmo 92.14.

-Testemunhando e louvando a Deus (Sl 71.17-24): A epígrafe do Salmo diz “Súplicas de um ancião”. No versículo 18 o salmista declara “Não me desampares, pois, ó Deus, até à minha velhice e às cãs; até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às vindouras o teu poder”. A seqüência do salmo é uma linda declaração em forma de adoração e louvor. Amado ancião, enquanto tiver saúde ensine, pregue, evangelize, interceda, cante, visite, envolva-se na obra de Deus.

-Buscando o poder do Espírito Santo (At 2.17): Daniel, assim como o apóstolo João, são exemplos de homens que experimentaram mesmo em idade avançada a manifestação do poder de Deus. Ambos continuaram a ter visões da parte de Deus (Dn 10-12; Ap 1.9-20). Em Atos 2.17 lemos que os velhos sonharão envolvidos pelo poder do Espírito, fruto do cumprimento da “promessa” (Lc 24.49). É possível chegar e viver a terceira idade cheio do Espírito Santo!

-Lendo e estudando (2 Tm 4.13): A leitura e o estudo colaboram para o exercício e para o rejuvenescimento mental. Quando paramos de buscar o conhecimento “envelhecemos”. O apóstolo Paulo é um grande exemplo de alguém que em todas as fases da vida valorizou a leitura e o estudo.

-Confiando na fidelidade de Deus (Is 46.3-4): “Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.” Deus é o mesmo e cuida de nós desde a infância até a velhice. Confie e espere nele.

-Tendo a consciência de que deixou a herança da fé para as futuras gerações (2 Tm 1.5): “pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti.” Estamos deixando para a próxima geração uma boa herança espiritual? Tal herança é transmitida através do ensino da sã doutrina e dos bons custumes, como também através dos bons exemplos (Dt 11.18-21; 2 Tm 2.2; Fl 4.9).

A terceira idade é um momento singular para a vida de um indivíduo. Experiência e conhecimento angariados ao longo da vida, constituem um tesouro acumulado que deve ser compartilhado por nossos amados “anciãos” e “anciãs”. Valorizemos e honremos os mais velhos, reconhecendo a sua importância no Reino de Deus! Ser feliz e frutífero nesta fase da vida não é uma simples possibilidade, mas sim, um ideal de Deus para as nossas vidas.
____________________

1Extraído do livro “Ficar Jovem Leva Tempo….Um Guia Para Viver Melhor”Editora Saraiva, de autoria de João Roberto D. Azevedo.

2 Extraído do site http://www.vivatranquilo.com.br/

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A promessa de uma velhice feliz e frutífera – subsídios

Publicado por Editor em 2007/11/26

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A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 1

Comentarista: Dr. Caramuru Afonso

A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 2

Comentarista: Pb. José Roberto Barbosa

A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 3

Comentarista: Pr. Altair Germano

A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 4

Fonte: Rádio Boas Novas

A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 5

Comentarista: Pr. Osiel Varela

 A promessa de uma velhice feliz e frutífera -6

Comentarista : Pr. Adilson Guilhermel

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A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 2

Publicado por Editor em 2007/11/26

A PROMESSA DE UMA VELHICE FELIZ E FRUTÍFERA

Texto Áureo: Sl. 92.14 – Leitura Bíblica em Classe: Sl. 92.12-15; Is. 40.28-31

 

Pb. José Roberto A. Barbosa

Fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/


Objetivo: Refletir a respeito da velhice com ênfase na percepção bíblica, haja vista que, para o Senhor, o ser humano é especial em todas as etapas da vida.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito das promessas de Deus em relação à velhice. Para esse fim, analisaremos: 1) como a sociedade moderna vê a velhice; 2) o posicionamento bíblico no tratamento aos idosos; e por fim, 3) apresentaremos alguns princípios para uma velhice frutífera na obra do Senhor.

1. A VELHICE NA SOCIEDADE ATUAL
O discurso da sociedade moderna celebra tudo aquilo que é novo, e em contrapartida, desvaloriza o que é velho. Isso é perfeitamente compreensível, ainda que inaceitável, haja vista a tendência utilitária nos relacionamentos. Quando as pessoas não mais nos servem, são descartadas do mesmo modo como se faz com um copo plástico. Por isso, muitos filhos, que inclusive aprenderam dos seus pais, se desfazem dos seus genitores, por acharem que eles não mais são úteis. O extremo dessa crença é a defesa da eutanásia, já praticada em alguns países, sob a justificativa da atenuação do sofrimento terminal, principalmente, dos idosos. Atitudes como essas mascaram o desrespeito camuflado por aqueles que dedicaram suas vidas ao trabalho, mas que, agora, devido às limitações físicas, são posicionadas como seres de “segunda categoria”. Mas nem sempre isso foi assim, se nos voltarmos para a Bíblia, veremos que, desde os tempos antigos, Deus teve a velhice em alta estima, percebendo, nessa, uma oportunidade para a frutificação espiritual.

2. A VELHICE NA BÍBLICA
A palavra velhice, em hebraico, é “zaquen” que pode ser encontrada nas seguintes referências: Gn. 1811-13; Jz. 19.17,20; Jó. 14.8; Is. 47.6. Algumas passagens bíblicas, como a de Pv. 17.6, mostra a virtude do envelhecimento. Em Lv. 19.32, os idosos são apresentados como dignos de respeito por causa de sua sabedoria (Sl. 119.100). Interessante que durante a peregrinação pelo deserto, Moisés escolheu pessoas idosas para assistir na liderança (Ex. 24.1). Devemos também ressaltar que o verbo que dá origem à palavra “zaquen” é usado para aconselhar (I Rs. 12.6,8; Jó. 12.20; Ez. 7.26). No Novo Testamento, a palavra grega para ancião, bastante conhecida no seio eclesiástico, é “presbíteros”. Ela pode ser encontrada em Lc. 15.25; Jo. 8.9; At. 2.17; I Tm. 5.1; Tt. 2.2 que contrasta com os jovens (At. 2.17). Na igreja, o presbítero passou a ser um título dado aqueles que assumem posição de liderança (At. 11.30; 15.2,4,6,22,23; 16.4; I Pe. 5.1). E como tais, devam ser dignos de respeito e honra duplicada, especialmente os que estão envolvidos no ensino (I Tm. 5.17). Em sua velhice, João, o discípulo amado, que se denominava um “presbítero” (II e III Jo), desfrutou desse tipo de honra, pelo testemunho e maturidade espiritual. Na perspectiva escatológica, não devemos esquecer que ao redor do trono de Deus estarão vinte e quatro anciãos (Ap. 4.4) que têm posição de grande proeminência (Ap. 7.11).

3. A FRUTIFICAÇÃO NA VELHICE
Há quem cite o Sl. 90.10 para defender que a velhice é uma etapa da vida marcada por canseira e enfado. Com base em tal passagem, muitos admitem que a essa fase da vida é imprópria para a frutificação. É preciso, no entanto, atentar para o contexto no qual esse versículo se encontra. O salmista está fazendo uma avaliação da limitação da vida humana na terra com base em sua experiência. Essa declaração, portanto, não pode ser tomada como doutrina, sendo generalizada para toda a igreja. Outro texto também citado para justificar a inutilidade dos idosos no trabalho do Senhor é o de Ec. 12.1. Na verdade o pregador, nesse versículo, chama a atenção dos jovens para temerem ao Senhor desde a mocidade (12.13). No contexto geral da Escritura, a velhice, como as demais etapas de vida, constitui-se em oportunidade singular para produzir frutos (Sl. 92.14). Para tanto, devemos estar alicerçados no Senhor, meditando na Sua Palavra, nos alimentando nEle que nos dá a seiva da plena maturidade (Sl. 92.13). A maturidade e experiência dos mais velhos servem de estímulo e orientação para os que estão dando os primeiros passos na caminhada cristã (Dt. 26.1-11; 16.11). Na medida do possível, os idosos precisam continuar investindo na formação bíblica e no exercício espiritual a fim de auxiliar e servir de exemplo para os mais jovens. E esses, por sua vez, devem olhar para os idosos reconhecendo, como Paulo, que apesar das limitações do corpo físico, o homem interior pode ser continuamente renovado (II Co. 4.16).

CONCLUSÃO
Homens e mulheres de Deus tais como Abraão e Sara (Gn. 22.1,2), Moisés (Dt. 29.5; At. 4.23,30,36) e Davi (I Cr. 29.27,28) desfrutaram de uma velhice produtiva no temor ao Senhor. O desses homens e mulheres da Bíblia é o mesmo a quem servimos hoje e como Ele mesmo o diz, em Is. 46.4: “E até à velhice eu serei o mesmo, e ainda até às cãs eu vos carregarei; eu vos fiz, e eu vos levarei, e eu vos trarei, e vos livrarei”. As promessas de Deus de uma velhice em sua presença nos motivam à produção do fruto do Espírito (Gl. 5.22).

BIBLIOGRAFIA
COLSON, C. & PEARCEY, N. E agora, como viveremos? Rio de Janeiro: CPAD, 2000.VINE, W.E., UNGER, M. F., WHITE JR, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

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A promessa de uma velhice feliz e frutífera – 1

Publicado por Editor em 2007/11/26

A PROMESSA DE UMA VELHICE FELIZ E FRUTÍFERA

Dr. Caramuru Afonso

Fonte: www.escoladominical.com.br

Deus promete ao justo uma velhice feliz e frutífera para a glória do Seu nome.

INTRODUÇÃO

- Na seqüência do estudo das promessas de Deus, veremos hoje uma promessa que, assim como a do lar feliz, está voltada para a “vida debaixo do sol”: a promessa de uma velhice feliz e frutífera para o justo.

- O justo que atinge a terceira idade tem a oportunidade de, com sua experiência, desfrutar da alegria de sua fidelidade ao Senhor e, mediante seu exemplo, fazer com que ainda frutos desta justiça sejam produzidos para a glória de Deus.

I – O QUE É A TERCEIRA IDADE

Colaboração/Gráfico: Enomir Santos

- Muito conhecida é a história mitológica grega, segundo a qual, o herói Édipo teve de enfrentar a temível Esfinge, ser monstruoso que apresentava um enigma que ninguém conseguia decifrar. Todo aquele que não decifrava o enigma era devorado por aquele monstro. Édipo apresentou-se ao monstro e recebeu o enigma, a saber: “qual é o animal que, de manhã, anda com quatro patas; à tarde, com duas e, à noite, com três”. Édipo decifrou o enigma, respondendo que é o homem, pois, no início da vida, anda engatinhando (com quatro patas, portanto), à tarde, anda com dois pés (desde quando aprende a ar até a maturidade) e, no ocaso da vida, normalmente, precisa de uma bengala para ampará-lo, andando, assim, com três patas (os dois pés e a bengala). Nesta lenda grega, temos a idéia de “terceira idade”, ou seja, a terceira fase da vida do homem, também chamada de “velhice”.

- Os especialistas da atualidade consideram que a terceira idade se inicia aos 60 anos de idade, razão pela qual, por exemplo, têm os governos de todo o mundo procurado estabelecer esta como a idade mínima para a aposentadoria (como, recentemente, no Brasil se estabeleceu e se tenta estabelecer na Itália), por se entender que é a partir desta idade que as pessoas sentem as limitações próprias do envelhecimento. No Brasil, aliás, esta idéia se tornou, recentemente, oficial, com a publicação do chamado Estatuto do Idoso (lei 10.741/2003), que, em seu artigo 1º, considera idosa a pessoa que tenha 60 anos de idade ou mais. Este entendimento, aliás, encontra respaldo bíblico, pois as Escrituras, como se vê no Salmo 90, salmo atribuído a Moisés, entendia-se que o limite da vida humana seria de 70 anos (Sl.90:10), sendo que o ultrapassasse disso seria apenas “canseira e enfado”, ou seja, para se utilizar aqui de uma expressão que era, comumente, dita pelo nosso saudoso avô paterno, “hora extra dada pela misericórdia divina”.

- A terceira idade, portanto, é um dos períodos da vida humana, período este, como os demais (infância/juventude e maturidade), dotado de características próprias e particulares, que não se confundem com as demais fases da vida e que, portanto, não é nem melhor, nem pior que as demais, devendo, assim, ser considerada como um novo período, que terá de ser compreendido e assimilado não só pelo idoso, mas, também, por todos que o cercam, a começar dos dois principais grupos sociais a que fazemos parte como servos de Deus: a família e a igreja.

- A primeira coisa que devemos discernir, ao falarmos da terceira idade, é que atingir esta fase da vida é uma bênção divina. Quem chega à terceira idade, atinge este patamar da vida humana por graça e misericórdia de Deus. A vida é um dom de Deus (I Sm.2:6), assim como o é a sua manutenção. A longevidade, ou seja, a vida longa, é uma bênção que Deus dá ao homem, uma recompensa por sua fidelidade e obediência aos princípios da Palavra de Deus, em especial os atinentes a uma vida familiar de acordo com as Escrituras Sagradas.

OBS: “…Atingir idade avançada com freqüência é considerado na Bíblia como uma bênção divina, uma recompensa pela piedade (ver Jó 5:36; Gn.15:15; Ef.6:3). Isso está ligado a vários atos que prometem especificamente que quem os fizer atingirá avançada idade, como ser obediente aos pais ou devolver ao ninho o passarinho pequeno caído do mesmo….”(R. N. CHAMPLIN. Idade.In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3, p.199).

Entre os muçulmanos, aliás, mesmo a falta de memória própria da velhice é considerada uma bênção, como se vê no Corão: “…Deus é Quem vos cria, depois vos recolhe. Entre vós há quem chegará à senilidade, até ao ponto em que de nada se lembrará do que tenha sabido….”(16:70a).

- Poderão, entretanto, muitos objetarem o que estamos a falar, dizendo que, muitas vezes, os ímpios também têm vida longa, apesar de toda a sua impiedade, de modo que, nem sempre, a longevidade, o fato de alguém atingir a terceira idade, é resultado da bênção divina. Em primeiro lugar, devemos observar que a longevidade é uma promessa relativa ao comportamento no relacionamento pai e filho, que não está vinculada a uma relação de comunhão com o Senhor. Em segundo lugar, a longevidade é uma demonstração da misericórdia de Deus, pois, aos ímpios, apesar de seus pecados, está-se prolongando a vida para dar, ainda, oportunidade de salvação a esta pessoa, não deixando, pois, de ser bênção.

- Assim, nunca podemos considerar que a velhice seja um estorvo ou um fardo a se enfrentar, mas, muito pelo contrário, é uma bênção que dada a Deus aos idosos e, como tal, devemos ver, nos idosos, antes de mais nada, alguém que alcançou a graça divina e que, pela sua idade avançada, é uma pessoa ricamente abençoada pelo Senhor. Ao enxergamos no idoso, sobretudo, um ser abençoado por Deus, certamente, teremos uma visão do idoso bem diversa daquela que o mundo costuma oferecer a esta faixa etária.

- Neste sentido, aliás, andou bem o Estatuto do Idoso (lei 10.741/2003), ao considerar que “… o envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social” (art.8º), pois se tem, pelo Estado, o reconhecimento de que uma bênção divina deve ser, entre os homens, considerada um direito e ser, assim, tratado pelos órgãos incumbidos de zelar pela direção e governo da sociedade.

- A segunda coisa que devemos observar na terceira idade é que ela é a fase da vida em que predomina a experiência. Indubitavelmente, os idosos são pessoas que têm, em relação aos demais seres humanos, muito mais experiência, pois o acúmulo dos anos vividos faz com que, inevitavelmente, os idosos já tenham passado por, praticamente, todas as situações e problemas que se apresentam na existência humana sobre a face da terra. A experiência acumulada dos anos é um dos degraus do aperfeiçoamento humano, tanto no aspecto material, como no aspecto espiritual. O apóstolo Paulo ensina-nos que é a experiência é fruto de um processo de aprendizado, que começa com a tribulação, passa pela paciência e desemboca na experiência que, por sua vez, dá origem à esperança(Rm.5:3-5), que é uma das chamadas “virtudes teologais”, que, como bem define o Catecismo da Igreja Romana, são virtudes que “adaptam as faculdades do homem à participação da natureza divina”, que fundam, animam e caracterizam o caráter cristão(CIC -1812 e 1813). Os idosos, portanto, por serem experientes, constituem-se numa fonte de esperança para aqueles que estão à sua volta.

OBS: “…Sempre foi uma noção popular difundida entre os povos do Oriente que a sabedoria amadurecia com a idade e que os principais repositórios dela eram os velhos. Ouve, meu filho, a instrução de teu pai, e não esqueças os ensinamentos de tua mãe, pois que serão como que uma coroa de graças em tua cabeça, e correntes de ouro em teu pescoço.(Provérbios 1:8,9)….” (Nathan AUSUBEL. Relações familiares, esquemas tradicionais de.In: A Judaica, v.6, p.712)

- O terceiro ponto que devemos verificar, ao contemplarmos a terceira idade, é efeito desta esperança trazida pelos idosos. Segundo o texto sagrado mencionado no tópico anterior, a “esperança não traz confusão”. Um dos papéis mais importantes da terceira idade é o de promover o conselho, a orientação. Por terem experiência, os idosos trazem esperança aos mais jovens e seus conselhos são importantíssimos para dissipar a incerteza, a confusão e a ansiedade que é própria daqueles que, por serem mais jovens, não têm, ainda, esta vivência, própria dos de mais idade. Provérbio português, muito provavelmente de origem árabe, diz: ” Se o jovem soubesse e o velho pudesse, não haveria no mundo o que não se fizesse”. A Bíblia fala-nos da excelência de vivermos junto a conselheiros (Pv.11:14) e não há melhores conselheiros do que os mais idosos. As Escrituras registram o caso do rei Roboão, que perdeu quase todo o seu reino, porque não quis dar ouvido aos conselhos dos mais velhos de sua corte (I Rs.12:1-15).

- O quarto ponto que devemos observar, ao analisarmos a terceira idade, diz respeito a que esta fase da vida é uma demonstração de honra para o ser humano. Se o caráter do homem fiel a Deus é tratado como o de uma criança, ou seja, devemos ter uma inocência como de uma criança, não é menos verdadeiro que as Escrituras consideram que o idoso é uma figura da honradez e da fidelidade, tanto que Deus, mais de uma oportunidade, Se apresentou na Bíblia Sagrada como um “ancião de dias” (cfe. Dn.7:9), a provar que Deus Se identifica com os mais idosos, pois a idade avançada é uma demonstração de honra. Por isso, na lei de Moisés, já se determinava a honra aos idosos (Lv.19:32).

OBS: É importante aqui considerar que Deus não é um velho, como alguns chegam a imaginar, ao ler passagens como esta mencionada em Daniel. Deus é Espírito (Jo.4:24) e, portanto, não é velho nem novo. Se, às vezes, é visto como um “ancião” em passagens bíblicas, é apenas uma forma de manifestação para que entendamos que Deus tem a honra e deve merecer o nosso respeito e consideração, assim como os mais velhos em nossa sociedade.

- A associação da velhice à honra também é encontrada nas passagens bíblicas que indicam que as “cãs”, ou seja, os cabelos brancos, presentes, normalmente, em virtude da idade avançada, são uma prova de honradez e de respeito que as pessoas devam merecer (Pv.20:29). Aliás, os cabelos brancos, diz o texto sagrado, revela a própria beleza dos velhos, ou seja, é um sinal de sua experiência e de sua consideração, motivo pelo qual não conseguimos entender porque muitos crentes insistem em escondê-las…

OBS: “…12. « Levanta-te perante uma cabeça branca e honra a pessoa do ancião » (Lv 19, 32). Honrar os anciãos exige a seu respeito um triplo dever: o acolhimento, a assistência, a valorização das suas qualidades. Em muitos ambientes isto acontece quase espontaneamente, como por antigo costume. Em outros, porém, especialmente nas nações mais desenvolvidas economicamente, impõe-se uma necessária inversão de tendência, para que os que avançam pelos anos possam envelhecer com dignidade, sem temor de ficarem reduzidos a não contar para mais nada. É preciso convencer-se de que é próprio de uma civilização plenamente humana respeitar e amar os anciãos, para que estes se sintam, apesar da diminuição das forças, parte viva da sociedade. Já dizia Cícero que « o peso da idade é mais leve para quem se sente respeitado e amado pelos jovens ».O espírito humano, por outro lado, mesmo ressentindo-se do envelhecimento do corpo, permanece de certa forma sempre jovem, se viver orientado para o eterno; e experimenta mais vivamente esta perene juventude, quando, ao testemunho interior da boa consciência, se une o afecto diligente e grato dos entes queridos. Então o homem, como escreve S. Gregório de Nazianzo, « não envelhecerá no espírito: aceitará a dissolução como o momento estabelecido para a necessária liberdade. Suavemente emigrará para o além onde ninguém é imaturo ou velho, mas todos são perfeitos na idade espiritual »….” (JOÃO PAULO II. Carta aos anciãos. http://www.capeladelourdes.org.br/magisterio/carta_aos_anciaos.htm Acesso em 10 abr.2004).

II – AS LIMITAÇÕES DA TERCEIRA IDADE

Colaboração/Gráfico: Jair César

- Quando falamos em terceira idade, imediatamente nos vem à mente a idéia de limitação, de fraqueza e de dependência, porquanto, nesta terceira fase da existência, como nos indicou a lenda grega mencionada no início deste estudo, é inevitável associarmos à idade avançada as muitas limitações que vêm ao homem a partir do momento em que o envelhecimento vai se efetivando.

OBS: Esta idéia está bem patente no seguinte verso do Corão, que transcrevemos: “…Deus é Quem vos criou da debilidade; depois da debilidade vos vigorou, depois do vigor vos reduziu (novamente) à debilidade, e à velhice.(30:54)…”.

- O envelhecimento, sabemos todos, é conseqüência da degeneração crescente e progressiva de nosso organismo, que já não se recompõe com o mesmo vigor ao longo dos anos, havendo, mesmo, partes de nosso organismo que nem sequer realizam um trabalho de constante renovação, como é o caso das células nervosas. A Bíblia explica-nos que o envelhecimento é conseqüência do pecado, pois, até a queda do homem, não havia este processo, já que o homem fora feito para viver eternamente.

- Sendo, portanto, efeito do pecado, o envelhecimento traz, em si mesmo, circunstâncias que não são queridas pelo ser humano e que lhe representam um certo mal-estar, já que se trata de um processo para o qual o homem não foi criado, algo que lhe é estranho à sua natureza. Tudo aquilo que é estranho à natureza de alguém não é algo que se harmonize com este alguém, não é algo que seja facilmente assimilável nem tampouco algo que produza benefícios e vantagens.

- Por causa disso, o envelhecimento, assim como a morte física, são assuntos que trazem ao homem uma perplexidade e um certo inconformismo, que são naturais e que não representam qualquer atitude de rebeldia contra o Criador, mas se mostram como mais uma evidência de que não é este o projeto primitivo de Deus para o homem. Por isso, sonhos como o do “elixir da juventude”, que tanto animaram cientistas e pensadores ao longo dos séculos, continuam vivos e presentes nas mentes de todos os homens, ainda hoje. Aliás, quando vemos o sucesso que tem tido a chamada “medicina estética” e os investimentos milionários que faz a indústria farmacêutica para a promoção do prolongamento da vida e, mais, para retardamento ou eliminação de fatores de envelhecimento, não estamos a perpetuar os sonhos dos alquimistas medievais que buscavam um remédio que impedisse a possibilidade do envelhecimento? Como já dizia o sábio (e já então velho) Salomão: “o que foi isso é o que há de ser, e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol.” (Ec.1:9).

- O primeiro ponto que temos de enfrentar, portanto, quando estamos a falar em limitações decorrentes do envelhecimento, é o fato de que, apesar de não termos sido feitos para aceitá-las, temos de nos conformar com elas, porquanto são conseqüências de nossa natureza pecaminosa. A aceitação do envelhecimento é uma medida extremamente salutar, que deve vir tanto do próprio que está envelhecendo, como, também, daqueles que estão à sua volta. A aceitação do envelhecimento importa, para o que está envelhecendo, em assumir a nova realidade, comportando-se de modo a se adaptar às mudanças, não buscando enganar-se com subterfúgios ou ilusórias promessas advindas no mundo contra esta inexorável realidade. Para os que estão à sua volta, o envelhecimento do próximo deve ser levado em conta, mediante a não marginalização do idoso, mas a contínua e progressiva alteração de atividades por parte do idoso que deverá, cada vez menos, ser aproveitado em atividades físicas para passar a exercer ações mais voltadas para o lado intelectual.

- Na vida familiar, a aceitação do envelhecimento por parte do idoso importa em delegação de tarefas que exigem desgaste físico e agilidade que não se apresentam tão intensamente. É necessário que os filhos compreendam que seus pais já não podem mais atuar como antigamente, buscando, sempre que possível, substituir os mais velhos naquelas tarefas que lhe exigem mais, como, por exemplo, a mãe idosa que já não mais consegue ter a mesma agilidade e condição física para fazer a higiene da casa, ou o pai que, antes, era o motorista de primeira hora para todos os integrantes do lar. Esta substituição deve ser vista com naturalidade, como um imperativo da idade, não como um fardo ou uma demonstração de inutilidade.

- Reside aqui, talvez, o grande problema quando estamos a tratar de terceira idade na família. Vivemos num mundo em que o ser humano é avaliado por aquilo que ele pode oferecer aos outros. A falta de Deus e, conseqüentemente, a falta de amor no mundo pecador, faz com que as pessoas sejam tratadas como meros instrumentos de benefícios e vantagens para os outros. O egoísmo dominante nas relações sociais, onde os homens são amantes de si mesmos, cruéis e totalmente abomináveis a Deus (cfe. II Tm.3:2-5; Rm.1:29-32), vê valor no ser humano apenas enquanto ele pode servir a seus interesses. Uma vez não mais servindo para tanto, os homens são, simplesmente, descartados, deixados à margem, sem qualquer importância.

- Ora, quando falamos dos idosos, esta indignidade a que é relegada a pessoa humana, fruto de um sistema dominado por Satanás (cfe. Ef.2:2; Jo.8:44), que odeia o homem, mostra-se evidente, pois, a partir do momento que surgem as limitações decorrentes da idade, não mais serve o ser humano para os propósitos de enriquecimento de alguns ou de obtenção de vantagens ou benefícios por parte de outros, e isto inclusive no ambiente familiar. No momento em que os homens e as mulheres tornam-se mais velhos, não podendo servir mais aos filhos, netos ou a seus empregadores, como antes, são vistos como pessoas “inúteis”, como pessoas de que não mais se tirarão tantas vantagens quanto antes. E o mais triste é que, os idosos, muitas vezes, aceitam esta consideração de que são, doravante, “inúteis”, de que sua “utilidade” era, tão somente, o de servir aos propósitos egoísticos dos outros (até porque, muitas vezes, são tão egoístas quanto os outros…). É a partir desta constatação que advém toda a discriminação, marginalização e sentimento de impotência e desencanto que cercam a questão da idade avançada na atualidade.

- Contudo, não é este o ponto-de-vista divino revelado nas Escrituras Sagradas. Deus não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34) e, portanto, não vê o idoso como uma pessoa inútil, até porque Deus não criou o homem para servir de objeto aos interesses egoísticos de outros seres humanos. Deus criou o homem com dignidade, tanto que o fez à Sua imagem e semelhança (Gn.1:27). Não seria na terceira idade, que, como vimos, é resultado de uma bênção de Deus, que o homem e a mulher deixariam de ser amados por Deus ou seriam, por Ele, considerados “inúteis”. Muito pelo contrário, Deus promete nos acompanhar e estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt.28:20), ainda se estivermos na terceira idade (Is.46:4; Jo.21:18,19). A terceira idade é uma mudança de papel do ser humano diante dos seus semelhantes, nada mais do que isto, cabendo ao idoso aceitar esta realidade, agradecer a Deus por ter atingido esta fase da vida e se esforçar para cumprir o seu novo papel de acordo com a direção dada pelo Senhor.

- A primeira limitação da pessoa idosa é de natureza física. Como vimos, o envelhecimento é um processo biológico pelo qual não há mais a mesma renovação das células do organismo e o metabolismo vai se alterando, paulatinamente, de forma que o idoso já não tem mais a mesma agilidade, o mesmo vigor de antes (Jó 30:2). Não resta dúvida de que uma vida moderada, sem excessos, de acordo com os princípios estabelecidos na Palavra de Deus, trarão ao idoso um envelhecimento não mais lento, mas muito mais saudável. Disto temos provas nas próprias Escrituras, que nos falam de pessoas que, embora envelhecidas, em virtude de sua vida de comunhão com Deus, tiveram uma velhice de qualidade e altamente saudável, como nos mostram os casos de Moisés (Dt.34:7) e Calebe (Js.14:10,11). Entretanto, isto não impede que pessoas igualmente fiéis a Deus, em virtude da maneira como viveram ao longo do tempo, tenham tido uma velhice não tão saudável assim, pois, acima de tudo, devemos observar que aqui, como nunca, vigora a chamada “lei da ceifa”, de forma que, na velhice, colheremos o que plantamos, ao longo da vida, para a nossa vida física. Exemplos disso são os casos de Eli (I Sm.4:15,18) e de Davi (I Rs.1:1-4).

- Diante desta limitação de ordem física, o idoso deve, ao longo do tempo, desvencilhar-se de uma atividade de muita agitação, que exija dele muito esforço físico, passando a delegar estas atribuições aos mais jovens, o que inclui, inclusive, as atividades familiares e eclesiásticas. Nosso organismo envelhece e não podemos ter a mesma agenda, aos 60 anos, que tínhamos aos 40 e, muito menos, aos 20 anos. Torna-se, também, necessário bem dimensionar as tarefas e os encargos a serem assumidos, procurando-se, muito mais, servir de conselheiro, de orientador e de auxiliar do que de principal executor das atividades. Os idosos devem compreender que precisam entregar estas ações que exigem maior esforço físico aos mais jovens, sem abrir mão da experiência acumulada ao longo do tempo, mas dela fazendo uso em funções de orientação e supervisão, não mais de execução. Deus dá-nos o exemplo disto ao estabelecer que os levitas e sacerdotes deveriam servir como executores na casa do Senhor somente até os cinqüenta anos de idade (Nm.4:2,3; 8:24,25), mas que eram os anciãos aqueles que deveriam observar e realizar os julgamentos concernentes às questões mais graves, como as que se referissem à entrada do homicida involuntário nas cidades de refúgio (Dt.19:12).

OBS: A Constituição brasileira, aliás, tem dispositivo semelhante, ao impor a aposentadoria compulsória do funcionário público ou do magistrado aos 70 anos de idade, como se verifica dos artigos 40, inciso II e 92, inciso VI. Diz-nos a Bíblia que nossa justiça tem de exceder a dos escribas e fariseus (Mt.5:20), de modo que não podemos considerar como correta a total desconsideração desta limitação da pessoa idosa na igreja, em especial no que diz respeito ao seu governo. As experiências gerontocráticas (“gerontocracia” é o governo dos idosos) na história da humanidade nunca foram bem sucedidas, como se vê nos casos dos juízes Eli e Samuel, na Bíblia, ou, então, nos regimes comunistas da extinta União Soviética antes do último governo, de Mikhail Gorbatchev e na China até o período imediatamente subseqüente a Mao Tsé-Tung, de modo que devemos tomar cuidado e voltar aos princípios biblicamente estabelecidos para que o dinamismo do movimento pentecostal não venha, justo nos últimos dias em que estamos vivendo, a sofrer solução de continuidade por causa deste fator.

- A segunda limitação é de ordem psicológica. Os idosos, como vimos, têm de aceitar a sua nova condição, não podendo se sentir inúteis, pois inúteis não são. A utilidade não deve ser medida com o olhar voltado para o passado. Aqui, aliás, deve estar bem presente o conselho dado pelo apóstolo Paulo, segundo o qual, devemos nos esquecer das coisas que para trás ficaram e prosseguir para o alvo da soberana vocação em Cristo Jesus (Fp.3:13,14). O idoso deve lembrar-se do passado, mas não como uma forma de nostalgia, de saudade de um tempo que não volta mais, não como uma fonte de depressão ou de sentimento de impotência e de inutilidade, como, infelizmente, costuma ocorrer nos nossos dias, mas, bem ao contrário, deve ver o passado como algo que só ele tem acesso para trazer, no presente, lições a serem dadas pelos mais jovens, a quem está garantido o futuro. O idoso deve ser conscientizado de que é a ponte entre o passado e o futuro, neste presente, sendo, portanto, de fundamental importância para a melhoria do presente no futuro. Como vimos supra, o idoso tem de ser uma fonte de esperança, não um repositório de frustração, impotência ou lamento.

- Um bom exemplo que temos na Bíblia a respeito desta disposição de ajuda para o futuro e de compreensão de suas limitações no presente em Barzilai, um idoso de 80 anos que foi de crucial importância para que Davi tivesse condições de retomar o trono que lhe havia sido usurpado por seu filho Absalão(II Sm.17:27-29). Barzilai não tinha vergonha alguma de dizer que era velho (II Sm.19:31-40), assumia a condição de que o que lhe estava reservado era esperar a morte, mas não cessava de ajudar os outros, tanto que conseguiu para um de seus servos as honrarias de que abrira mão.

- A atitude em relação à morte, a propósito, é um fator predominante na terceira idade. Embora a morte seja uma realidade iminente em qualquer fase da vida, pois a morte não tem data certa, o fato é que, na terceira idade, ela é sentida muito mais próxima do que nas demais fases da vida. O idoso, como ninguém, portanto, tem a morte como algo próximo e algo com que se deverá lidar diariamente, principalmente porque há a intensificação da degeneração do organismo, com os subseqüentes problemas decorrentes de enfermidades, que serão cada vez mais comuns e corriqueiras. Barzilai, mesmo, é um exemplo de um idoso que via a morte como seu destino. No entanto, o idoso não deve deprimir-se com a proximidade da morte, bem como seus familiares não devem permitir que esta preocupação, que é crescente e inevitável, assumam o grau de uma obsessão ou de uma perda da vontade de viver. Muito pelo contrário, é indispensável que esta realidade e este pensamento sejam moderados e que sirvam de estímulo e incentivo a que o idoso busque, o quanto antes, fazer valer a sua experiência para a montagem do futuro dos seus descendentes e para a melhoria do presente. Este mesmo sentimento que houve em Barzilai, de ajudar o rei destronado, de, após a vitória, fazê-la um benefício para o seu servo Quimã, deve estar no coração de todo idoso que, mesmo sabendo que a morte se aproxima, aproveitar o que Deus ainda lhe dá de vida para fazer o bem e ajudar os próximos, em especial, os seus descendentes, com a sua experiência acumulada ao longo dos anos.

- Também do ponto-de-vista psicológico, é fundamental que o idoso se sinta útil para os familiares. É indispensável que haja, por parte dos membros da família, a atribuição de funções e tarefas compatíveis com a idade e com o talento do idoso, a fim de fazê-lo sentir útil, o que, certamente, representará um alento e estímulo que, não raro, proporciona até maior longevidade. Caso não haja a possibilidade de atribuição de tarefas dentro do lar, é imperioso que se arrumem tarefas e atividades fora do lar, em serviços voluntários na comunidade ou na igreja, a fim de que o idoso se sinta útil. Temos uma experiência que muito nos mostrou a importância de atitudes como esta. Conhecemos um senhor que era fiscal de rendas do Estado de São Paulo e que se aposentou aos 70 anos de idade (a aposentadoria compulsória). A aposentadoria não tinha sido desejada e o senhor voltou a morar na sua cidade natal, vivendo praticamente sozinho. Entrou em profunda depressão, mas um familiar seu, sabendo da situação, acabou lhe convidando para que fosse trabalhar como voluntário no juizado de pequenas causas da cidade, como conciliador (pessoa que tenta o acordo entre as partes antes do caso ir para o juiz), já que referido cidadão era formado em Direito. O senhor aceitou o convite e executou este serviço, com extrema habilidade e proveito, por sete anos, até a sua morte, tendo, pouco antes de falecer, dito que agradecia a Deus pela oportunidade que tinha tido, naqueles anos, de ter podido contribuir para o bem-estar dos seus conterrâneos.

OBS: Também tivemos conhecimento, há alguns anos, de que, em uma cidade do país, a polícia estava recrutando idosos para servirem de “olheiros” em alguns pontos da cidade, contribuindo, assim, para o policiamento, tendo havido grandes resultados, já que os idosos costumam, mesmo, ficar nas praças e ruas das cidades, conversando, animadamente, entre si, não podendo os criminosos saber se estão, ou não, passando informações à polícia, informações estas que são muito precisas, dada a experiência e o conhecimento que os idosos têm sobre o cotidiano das cidades e bairros em que vivem.

- Neste particular, a igreja deve, também, melhor utilizar os seus idosos. Por não estarem mais submetidos ao cotidiano agitado dos grandes centros, os idosos são pessoas ideais para trabalhos que exigem tempo maior e dedicação, tais como os trabalhos de visitas, de acompanhamento e de oração, até porque orar não requer esforço físico nem agilidade, não sendo, pois, a idade um obstáculo para este ministério, mas, antes, até a oportunidade para que pessoas que, quando mais jovens, não oravam tanto, compensem, agora nesta fase da vida, o tempo em que deixaram de orar no passado. Não é de se estranhar, aliás, que os “círculos de oração” tenham se originado entre as irmãs de idade mais avançada. A Bíblia revela-nos que este é um trabalho próprio dos de mais idade, verdadeiros baluartes e colunas do povo de Deus, mesmo quando Deus estava em silêncio, como vemos nos exemplos de Simeão e de Ana, idosos de oração, com quem Deus falava, mesmo estando calado para o povo por mais de 400 anos (Lc.2:25-38).

- Terceira limitação que temos com relação aos idosos é a de ordem econômica. Os idosos, num mundo de extrema competição e rivalidade como o nosso, são marginalizados do mercado de trabalho, seja porque conseguiram a aposentadoria (algo cada vez mais raro e difícil no mundo de hoje, principalmente no Brasil), seja porque, simplesmente, não têm mais colocação, nem mesmo no emprego informal. Esta situação é das mais angustiantes para o idoso, principalmente para aqueles que, durante a vida, não tiveram o cuidado de prover o seu futuro. Por causa desta situação, muitas vezes, o idoso é considerado pelos familiares como um estorvo, como uma fonte de despesa, o que, efetivamente, é um absurdo e uma cabal demonstração de ingratidão por parte dos filhos e familiares mais próximos.

- Os idosos devem ser amparados por seus familiares, quando já não mais puderem prover os recursos para a sua própria sobrevivência. É um dever indeclinável dos filhos, sendo, aliás, um dos principais aspectos concernentes à honra que se deve dar aos pais, algo que não é meramente moral, mas que também se traduz em assistência material. Jesus deixou isto bem claro, ao recriminar tradição judaica que se desenvolvera, ao arrepio das Escrituras, que permitia que os filhos contribuíssem para o templo em detrimento da ajuda a seus pais (Mt.15:3-6). Devem os filhos se esforçar para que seus pais tenham uma vida minimamente digna, suplementando seus recursos quando insuficientes para a sua sobrevivência, como também buscando obter do Poder Público todos os benefícios a que seus pais têm direito (aposentadoria, carteiras garantidoras de gratuidade nos transportes públicos, de descontos na aquisição de medicamentos etc.). Aliás, o fato de os idosos não serem devidamente respeitados é uma prova de que a nação não é agradável a Deus (Is.3:1,5).

OBS: O homem é particularmente ingrato. Além desta observação de Jesus a respeito da tradição contrária ao sustento dos pais, temos até um provérbio judeu a indicar que nunca foi tão voluntário o cumprimento deste dever pelos filhos de Israel: “…Quando atingiam a maturidade, os filhos e as filhas tinham a obrigação de sustentar os pais, da melhor maneira que pudessem, quando isto se tornasse necessário. Deveriam tomar conta deles com devoção na doença e na velhice. ‘Meu filho’ escreveu Jesus Ben-Sira, o grande mestre de sabedoria de Jerusalém (c. do início do século II a.E.C.), ‘ ajuda a teu pai na velhice, e não o aborreças enquanto ele for vivo, e tem paciência com ele se a mente dele fraquejar.’ No entanto, nem todos os filhos e filhas judeus comportavam-se como modelos de devoção a seus pais nas horas da adversidade. Esses réprobos aparecem ilustrados no dito popular judaico, cheio de amargura:’ um pai pode sustentar dez filhos e, no entanto, dez filhos não podem sustentar um pai’…” (Nathan AUSUBEL. Relações familiares, esquemas tradicionais de.In: A Judaica, v.6, p.712).

- Sob o ponto-de-vista econômico, também, é importante salientarmos que os idosos não podem ser vistos como uma fonte de recursos dos mais jovens, que, não raras vezes, inclusive entre “crentes”, costumam considerar as parcas economias de seus pais como parte de seu orçamento, efetuando uma cruel exploração dos recursos econômico-financeiros dos mais velhos. Evidentemente que os idosos têm o dever de ajudar seus filhos e netos em algumas ocasiões de necessidade e de penúria, mormente nos tempos de dificuldades em que vivemos. Aliás, nas regiões mais carentes do país, são os idosos aposentados quem sustentam filhos e netos e movimentam a economia local. No entanto, não deve haver exploração, ou seja, devemos nos lembrar que os idosos têm suas próprias despesas e não podem, de forma alguma, ser privados do mínimo indispensável à sua sobrevivência por causa de despesas imoderadas dos seus descendentes, os quais, muitas vezes, já constituíram famílias. Aliás, é com pesar que temos visto, nestes dias tão trabalhosos e difíceis (II Tm.3:1), que muitos têm explorado os idosos, inclusive servindo-se deles para obter aposentadorias que nunca são utilizadas por eles, mas que saem direto do banco para o bolso dos familiares mais jovens, atitudes repugnantes mas cada vez mais freqüentes num mundo de maior iniqüidade (Mt.24:12), onde pais e filhos estão sempre em conflito (Mt.10:21).

- A quarta limitação dos idosos é de ordem social. Os idosos, em virtude de suas limitações físicas, psicológicas e econômicas, acabam sofrendo limitações de ordem social, porquanto seu modo de vida diferenciado em relação às demais faixas etárias causam um certo alijamento do dia-a-dia da sociedade. Entretanto, este alijamento não pode se traduzir em marginalização. Os idosos devem ser aproveitados em atividades e em tarefas que tragam um bem-estar a si mesmos bem como à própria comunidade e não tratados com desdém ou com repugnância, como sói ocorrer, inclusive na igreja local. Devemos levar em consideração as observações e as limitações dos idosos na igreja local, jamais lhes privando de participar das reuniões e, o que é mais importante, permitindo que eles possam freqüentar as atividades da igreja sem se sentir incomodados ou marginalizados. Vivemos num país onde o número de pessoas jovens ainda é superior ao de pessoas idosas, apesar de estarmos num processo de envelhecimento acentuado de nossa população, e, por causa disto, não são poucas as atitudes que se têm tomado nas igrejas que tornam incômodas nossas reuniões para os idosos, quando não as afugentam, Faz-se preciso que a liderança da igreja local tome providências no sentido de evitar que isto aconteça e que permita a participação ativa dos idosos nas atividades da igreja, bem como haja, na igreja, um espaço, para o atendimento e supressão das necessidades peculiares a esta faixa etária, que está aumentando em nosso país.

OBS: Sendo, como são, os idosos peças importantes em certas tarefas da igreja local, como visitas, acompanhamentos, aconselhamentos e, sobretudo, oração, não podem as lideranças alijar os idosos do cotidiano da igreja local, nem ceder ao vigor, encanto e modismo dos mais jovens, muito especialmente na liturgia das reuniões, pois isto representará um entristecimento desnecessário e um desalento aos mais idosos, que trará inúmeros prejuízos ao desenvolvimento da obra. Temos visto, com tristeza, que muitos irmãos de idade, em virtude dos “modismos” e inovações trazidos por jovens inconseqüentes, têm deixado de congregar e de participar das atividades da igreja local, algo que, efetivamente, não pode ser admitido nem tolerado pelo ministério.

III. AS POSSIBILIDADES DA TERCEIRA IDADE

- Como já temos dissertado neste estudo, a terceira idade é tão somente uma nova fase da vida humana, o resultado de uma bênção divina e o idoso deve, assim como aqueles que estão à sua volta, conscientizar-se desta mudança e passar a atuar na família, na igreja e na sociedade dentro destas novas perspectivas, assumindo novas tarefas, novas atividades, condizentes com a sua nova faixa etária e que estejam de acordo com o seu talento, algo que se torna tanto mais importante quanto sabemos que a população de idosos tem crescido em todo o mundo, inclusive no Brasil.

OBS: “…Segundo o último censo do IBGE, em 2000, o número de idosos atingiu cerca de 8,6% da população, o que eqüivale a 15 milhões de pessoas. Para os próximos vinte anos, a previsão é de que esse número será de 15% do total da população. É uma estatística que não pode ser mais ignorada.O aumento da expectativa de vida do brasileiro se deve, entre outros fatores, ao progresso da medicina, às melhores condições sociais e econômicas e – porque não dizer – ao rígido controle demográfico e a uma mentalidade anti-vida, que têm levado à diminuição da taxa de fecundidade nos últimos anos. Daí, uma expressão usada para definir o Brasil de hoje: “um país jovem de cabelos brancos”.Era de se desejar que a longevidade fosse acompanhada de melhor qualidade de vida para os que alcançam idade mais avançada.No Brasil, porém, enquanto a média de vida é de cerca de 68 anos, a média de idade com qualidade de vida é de mais ou menos 60 anos.Além disso, o abandono de nossos idosos se evidencia na precariedade dos serviços e programas sociais e de saúde nessa faixa etária, particularmente para os de baixa renda….( D. Raymundo DAMASCENO. Fraternidade e vidas idosas. In:Campanha da Fraternidade 2003. Textos Complementares. http://www.cf.org.br/cf2003/fraternidade_eas_pessoas_idosas.php Acesso em 10 abr.2004).

- Vimos que uma das características da terceira idade é a maior intensidade que se deve dar à orientação e supervisão do que à execução, pois, além de não haver mais o vigor e a agilidade física, o idoso tem maior experiência e sabedoria. Portanto, uma das principais tarefas a ser assumidas pelo idoso, nesta sua fase da vida, é a atinente à orientação, aconselhamento e supervisão.

- Diz-nos as Sagradas Escrituras que uma das mais belas bênçãos que Deus reserva ao homem ou mulher de bem é a de se tornar avô. O salmista afirma que o homem que teme ao Senhor, que anda nos Seus caminhos, entre outras bênçãos, verá os filhos de seus filhos e a paz sobre Israel (Sl.128:1,6). Ser avô, portanto, é uma grande bênção de Deus para o ser humano. Segundo temos ouvido dos irmãos em Cristo que têm recebido esta dádiva celestial, a alegria de ser avô é mais sublime até que a de ser pai, pois, quando alguém se torna avô, dizem, tem-se a mesma alegria que se teve quando foi pai, sem que, no entanto, se tenha o mesmo fardo e responsabilidade. Tem-se, assim, o mesmo prazer sem a correspondente dose de responsabilidade.

- A educação dos filhos, conforme já vimos, é, sem dúvida alguma, responsabilidade dos pais, responsabilidade esta que é indelegável, intransferível. Assim, não podem os avós assumir o lugar dos pais, como tem ocorrido com cada vez maior freqüência nos nossos dias, seja porque tem aumentado o número de pais solteiros, separados ou divorciados, seja porque os pais, ambos, trabalham fora e deixam seus filhos aos cuidados dos avós durante boa parte do dia, até porque são os avós as pessoas mais confiáveis e habilitadas a exercer este papel.

- Entretanto, embora compreendamos que os avós sejam as pessoas mais adequadas a ficar com os netos durante o período de ausência dos pais no lar, por causa do trabalho, não podemos permitir que a esta permanência com os avós corresponda a transferência ou delegação do poder de educação dos netos. Os avós são auxiliares na tarefa de educação dos netos, ou seja, têm o dever de ajudar os seus filhos a educar os netos, mas ajuda que deve se circunscrever a orientações, sugestões, conselhos e observações a serem feitos aos pais, já que os avós têm mais experiência e, no mais das vezes, conhecem muito bem seus próprios filhos, que agora se tornaram pais. Dentro desta linha de pensamento, não vemos com bons olhos atitudes assumidas por alguns avós, no sentido de imprimirem aos netos uma determinada educação, aproveitando-se do tempo que com eles convivem, sem consultar os pais ou lhes dar alguma satisfação, gerando-se conflitos na criança quanto ao papel de cada qual, que serão nefastos para a formação do caráter e da personalidade da criança.

OBS: Neste particular, temos conhecimento do testemunho de um pastor que disse ter recebido a visita de seu sogro, também um pastor (aliás, um dos mais importantes pastores de nossa denominação, um dos desbravadores do trabalho missionário na América do Sul), algum tempo depois de ter passado alguns dias na casa do seu sogro, numa cidade mais ou menos distante de onde morava. O pastor, avô que era, havia observado que, durante aqueles dias, seu genro não havia tratado bem os netos. Deixou o tempo passar e, quando teve um tempinho, viajou para a casa do genro, com o único objetivo de lhe dar orientações a respeito das necessárias mudanças que deveria haver na educação dos seus netos. Sem ofender a autoridade paterna, sem se imiscuir no relacionamento dos netos com o genro dele e pai deles, o obreiro cumpriu seu papel de avô. Que exemplo a ser seguido !

- A criação e educação dos filhos é tarefa reservada aos pais(Dt.6:7-9) e, dentro do princípio de independência existente entre o lar dos pais e o lar dos respectivos filhos que se casam (Gn.2:24), qualquer interferência dos avós, além do auxílio e da ajuda na criação e educação dos netos, é uma ação que contraria os princípios bíblicos concernentes à família, de modo que não podem ser tolerados, admitido, muito menos praticados por quem se diz servo de Deus.

- A orientação, aconselhamento, sugestão e supervisão não devem ocorrer apenas no que se refere à educação e criação dos netos, mas deve abranger, também, outros aspectos da vida do casal. Assim, é missão dos idosos continuar orientando seus filhos, embora já casados, naquilo que entenderem não estar sendo bem conduzido pelos filhos, pois o conselho é sempre bom para o bom êxito dos projetos (Pv.15:22). O idoso estará, assim, fazendo valer a sua experiência e se sentindo útil, cumprindo o seu papel de ponte entre o passado e o futuro. Os jovens devem, diante disto, buscar sempre o conselho dos mais idosos, não se considerando sabichões nem auto-suficientes, pois, como nos manda a Bíblia, devemos considerar os outros superiores a nós mesmos (Fp.2:3). Não nos envergonhamos de dizer que sempre pedimos, ainda hoje, com quase quatro décadas de vida, conselhos aos mais idosos, independentemente de sua escolaridade ou erudição, até porque os idosos são formados na “escola da vida”, que vale muito mais do que títulos e diplomas universitários no cotidiano de nosso viver. Embora Salomão não tivesse ainda recebido a sabedoria de Deus em uma intensidade especial, começou muito bem seu governo porque buscou conselhos junto a seu pai, Davi (I Rs.2:1-11), algo que já seu filho Roboão não fez e, por isso, perdeu praticamente todo o reino.

- Entendemos, mesmo, que o idoso deve usar esta sua capacidade decorrente da experiência na própria orientação e aconselhamento junto ao ministério na igreja local, principalmente se for um obreiro jubilado. O idoso deve ser, sempre, uma sentinela, alguém que está vigilante e que, ao perceber qualquer movimento estranho que pode comprometer a saúde da obra de Deus, com respeito e equilíbrio, apresentar a sua notícia a quem de direito, zelando, assim, pelo bem-estar da igreja do Senhor. Conhecemos um diácono que, no alto dos seus 92(noventa e dois) anos de idade, não cessa de estar atento a todo e qualquer movimento, atitude ou ensino estranhos que venham a se aninhar na casa do Senhor. Sempre com extrema habilidade e fundamentação bíblica, ao notar qualquer coisa que não se apresenta como correta, escreve cartas às pessoas envolvidas, cartas que, muitas vezes, têm servido para edificação e melhoria espiritual do povo de Deus.

- O idoso deve dedicar-se mais à oração. A oração é uma atividade que requer menor esforço físico e mental, sendo, portanto, uma tarefa apropriada para pessoas com limitações físicas como é o idoso. À medida que os anos vão avançando, o idoso já não pode ler tanto a Palavra de Deus, pois os problemas de visão se acentuam, como também já não tem mais saúde física para se submeter a longos períodos de jejum. Resta, portanto, a oração, como uma arma importante que Deus deixa nas mãos do idoso, para que interceda junto a Deus pelo bem de todos os seus familiares, de seus irmãos em Cristo, de sua comunidade, de seu país. Como já dissemos supra, nos dias do nascimento de Jesus, o templo em Jerusalém tinha, pelo menos, duas colunas de oração, Simeão e Ana, que foram, não sem razão, exatamente as pessoas que puderam contemplar naquele pequenino bebê o Salvador do mundo. O idoso, assim, dedicando-se à oração, será aquele que renovará a esperança da igreja, que poderá ver, nas mínimas coisas, a grandiosidade das promessas e da fidelidade do Senhor. Temos o prazer de conhecermos e privarmos do amor e da amizade de um presbítero no litoral sul paulista, que, aliás, neste ano de 2004, no mês de janeiro, completou 100(cem) anos de idade. Com todo o peso de seu centenário, que o impede, inclusive, de ir regularmente à igreja local onde congrega, ele sempre diz que não cessa de orar pelos seus irmãos. Temos a convicção de que esta oração intercessória tem sido extremamente agradável ao Senhor, um verdadeiro incenso que tem subido como cheiro suave a Deus e que tem sido um dos principais motivos pelos quais o Senhor tem granjeado este amado irmão com um século de vida !

IV – A PROMESSA DA VELHICE FELIZ E FRUTÍFERA

- De tudo quanto já analisamos, verificamos que a velhice, como tudo na “vida debaixo do sol”, tem suas vantagens e desvantagens. Se, de um lado, o idoso é uma pessoa dotada de experiência, podendo, por isso, orientar os outros e contribuir muito para a glória do Senhor, de outro, possui limitações decorrentes de sua idade.

- No entanto, quando vemos o texto sagrado, observamos que a velhice não é um fardo, mas, antes, uma promessa divina, uma bênção que o Senhor reserva àqueles que Lhe tem servido fielmente. Se é fato que muitos atingem a terceira idade em meio a tristes situações, a grandes sofrimentos, também vemos que o Senhor reservou aos justos uma velhice que, tendo, naturalmente, os estorvos próprios da idade, que, como já salientamos, são resultado do pecado, são uma oportunidade para que o nome do Senhor seja glorificado e os justos, em recompensa por sua fidelidade, desfrutem de momentos ímpares de realização e de contentamento.

- A Abraão, por exemplo, prometeu Deus que morreria em boa velhice (Gn.15:15). Ao mesmo tempo em que o Senhor revelava ao patriarca que só a quarta geração sua viria, efetivamente, a conquistar a terra de Canaã, também anunciava ao patriarca que ele morreria em boa velhice. Com efeito, quando vemos a vida de Abraão, notamos que, após ter atingido o ápice de seu relacionamento com Deus, quando não titubeou em levar Isaque ao sacrifício, o patriarca, tendo enviuvado, casou-se com Cetura, com quem teve seis filhos. Mostrava, assim, ainda ser abençoado pelo Senhor quanto à reprodução biológica.

- Como se não bastasse esta fecundidade, o velho patriarca ainda teve prosperidade na sua vida familiar, tanto no que tange ao aspecto emocional, quanto ao material. Embora tivesse entregado todo seu patrimônio a Isaque, Abraão ainda tinha o bastante para presentear seus outros filhos, revelando, assim, tanto um bem-estar material como um relacionamento afetivo positivo com eles. Por fim, Abraão nos é mostrado como um pai dedicado e que usava toda sua experiência para bem orientar seus filhos, tanto que os aconselhou a que vivessem na terra oriental, a fim de que não colidissem com os desígnios divinos, que reservavam Canaã para Isaque e seus descendentes. Não foi à toa que os filhos de Cetura deram origem às prósperas tribos árabes do deserto, até hoje existentes na região.

- Esta bênção divina é sintetizada nas Escrituras pela expressão “velho e farto de dias” (Gn.25:8), que é utilizada, também, em relação a Isaque (Gn.35:29), Jó (Jó 42:17), Davi (I Cr.29:28) cujo significado é idoso e satisfeito. Vemos, pois, que o Deus prometeu a Abraão foi a de que teria idade avançada, mas, também, satisfação, um sentimento de realização. Este é, também, o sentido de “boa velhice”, expressão que aparece na promessa que Deus dá a Abraão e que também qualifica a terceira idade na vida de Gedeão (Jz.8:32) e de Davi (I Cr.29:28).

- A promessa da velhice feliz e frutífera, feita individualmente a Abraão, é uma promessa extensiva a todos os justos, como nós a encontramos no Sl.92:12-15. A velhice, como vimos, é resultante de diversos fatores, mas, para o justo, representa um período de felicidade, de satisfação.

- A promessa de felicidade e satisfação na velhice, portanto, não é uma promessa geral, mas restrita apenas aos justos. Os exemplos que já mencionamos bem revela isto: somente homens justos como Jó, Abraão, Isaque, Gedeão e Davi, puderam desfrutar desta promessa. Ao mencionar a promessa da velhice, o salmista fala do justo. Mas quem é este justo? O próprio texto explica: “os que estão plantados na casa do Senhor” (Sl.92:13a).

- Esta expressão do salmista faz-nos lembrar outra, do Senhor Jesus, que disse que “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mt.15:13a), que nos dá conta de que a plantação é uma obra de Deus, a indicar que estamos a tratar da salvação que, como já vimos em lição anterior, é uma promessa que tem sua origem em Deus.

- Desta maneira, percebemos claramente que a promessa da velhice feliz e frutífera é dirigida ao salvo, ou seja, à Igreja, pois somente o justo, aquele que é plantado na casa do Senhor, e plantado pelo próprio Deus, dará os frutos viçosos e florescentes na velhice.

- Outra indicação de que a promessa diz respeito à Igreja, temos no fato de que o salmista fala que os justos “ainda darão frutos na velhice”. O uso de “ainda” demonstra que se trata de pessoas que, ao longo de sua existência, deram frutos. Isto relaciona, aliás, a promessa da velhice com a lei da semeadura (Gl.6:7). Assim, se não só os justos que atingem a terceira idade, o fato é que a felicidade e frutificação da velhice só pode ser algo agradável e espiritual para aqueles que, durante sua existência, assim procederam, pois, como ensina o Senhor Jesus, uma árvore má não pode dar bons frutos (Mt.7:18). Não é por outro motivo que Elifaz, o amigo de Jó, diz que os justos são recolhidos na velhice como “feixes de trigo a seu tempo”, ou seja, a morte de um justo idoso é a colheita de alguém que deu muito fruto, que serviu de instrumento para a alimentação espiritual de muitos (Jó 5:26).

- Estes frutos, segundo a promessa, serão viçosos e florescentes, ou, na Versão Almeida Revista e Atualizada, “cheios de seiva e de verdor”. É mais uma indicação de que se trata de promessa dirigida à Igreja, pois para que e tenha fruto “cheio de seiva”, ou seja, fruto com substância, com conteúdo, é preciso que se esteja ligado à videira, que o idoso, em questão, seja alguém que se constitua em uma vara desta videira (Jo.15:5). Para que este fruto seja “florescente” ou “cheio de verdor”, ou, ainda, “verdejante” (NVI), é preciso que não tenha sofrido o efeito do tempo, que se mantenha renovado a cada dia, o que somente é possível para aquele cujo homem interior é uma nova criatura a cada manhã (II Co.4:16), aquele que está em Cristo Jesus (II Co.5:17).

- O propósito da promessa também nos mostra que se trata de promessa dirigida à Igreja. Diz o salmista que a produção de frutos viçosos e florescentes se faz “para anunciarem que o Senhor é reto” (Sl.92:15a). O objetivo pelo qual o Senhor faz com que o justo tenha longos dias de vida sobre a Terra é o de mostrar a toda a humanidade a Sua justiça, a Sua retidão. A vida do justo idoso é um testemunho da retidão divina, é uma verdadeira pregação do Evangelho. O justo idoso proclama, com a sua vida feliz e frutífera, que Deus é justo, que Cristo é a nossa justiça (I Co.1:30).

- Assim, embora possamos dizer que a promessa da velhice é uma promessa material, na medida em que está relacionada com a “vida debaixo do sol”, é inegável que seu propósito é espiritual, na medida em que serve de testemunho da justiça de Deus para todos os homens. Não é por outro motivo, aliás, que, ao término do seu cântico, o salmista tenha reconhecido e proclamado que o Senhor era a sua rocha e que nEle não havia injustiça (Sl.92:15b). A longevidade de um servo do Senhor, por tudo que ocorre com Ele na sua terceira idade, é uma demonstração cabal de que Deus é justo. Aliás, na velhice, o próprio justo tem a oportunidade de verificar que Deus é justo, o que aumenta, ainda mais, a força de seu testemunho. O salmista mostra isto, ao dizer que, na sua velhice, podia constatar a justiça de Deus, inclusive nas coisas materiais (Sl.37:25).

- Por isso, o justo que alcança esta promessa é dito que morre em “boa velhice” ou que é “velho e farto de dias”, expressões que denotam satisfação, realização, bem-estar. O servo do Senhor que é agraciado com a longevidade desfruta o sentimento de gozo pela compreensão, na sua vida, de que Deus é justo, que é Ele próprio o escudo do servo de Deus, o seu grandíssimo galardão, como, aliás, Se identificou a Abraão na oportunidade em que lhe prometeu a velhice (Gn.15:1).

- Este propósito espiritual é repetido no Salmo 71, onde o salmista pede a Deus que não o desampare apesar de seus cabelos brancos, pois ele ainda queria anunciar a força e o poder de Deus às gerações mais novas (Sl.71:18), assim como a própria justiça de Deus (Sl.71:19). Vemos, pois, que o objetivo de o Senhor dar longevidade a Seus servos outro não é senão a proclamação da Sua justiça, tanto que promete, através do profeta Isaías, ser o mesmo para com Seus servos mesmo na velhice (Is.46:4). O apóstolo Paulo é um exemplo disto, pois, mesmo velho (Fm.9), persistia em combater o bom combate e fazaer por merecer a coroa de justiça (II Tm.4:7,8).

- Muitos têm esperado uma “velhice feliz”, entendendo esta como sendo a obtenção de uma aposentadoria condigna (algo cada vez mais difícil), com saúde física, que permita não depender de ninguém e desfrutar dos momentos de ócio, merecidos após uma longa existência. No entanto, o que Deus promete é algo bem diverso: é a possibilidade de usar a experiência de vida para testemunhar e anunciar a justiça e o poder de Deus. Ainda que haja dificuldades econômico-financeiras, ainda que haja, mesmo, problemas de saúde, o fato é que o servo do Senhor que chega à terceira idade, é uma testemunha viva da retidão de Deus, é alguém que, com sua vida e experiência, tem, na sua existência, a oportunidade de proclamar que Deus é a nossa rocha e que nEle não há injustiça, o que trará uma satisfação, um gozo, uma alegria espiritual que dinheiro ou saúde física alguma poderão dar. Que possamos ser beneficiários desta promessa. Amém!

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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A Promessa de um Lar Feliz no Antigo Testamento

Publicado por Editor em 2007/11/23

A Promessa de um Lar Feliz no Antigo Testamento

Pr. Esdras Costa Bentho

Fonte: Blog do autor

Família, Projeto Divino

Em nossa obra A Família no Antigo Testamento: História e Sociologia, descrevemos a família bíblica como “o âmago da estrutura social”. Na Tanach, exclusivamente em Berê’shîth (Gênesis), encontramos o princípio judaico-cristão da família no texto que diz: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele. Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apergar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam” (Gn 2.18,21-25).

Família, Centro de Comunhão
Deus é quem decidiu criar a família. Esta foi formada para ser um centro de comunhão e cooperação entre os cônjuges. Um núcleo por meio do qual as bênçãos divinas fluiriam e se espalhariam sobre a terra (Gn 1.28). Não era parte do projeto célico que o homem vivesse só, sem ninguém ao seu lado para compartilhar tudo o que era e tudo o que recebeu da parte de Deus, pois o homem sente-se pessoa não apenas pelo que é, mas também quando vê o seu reflexo no outro que lhe é semelhante. Portanto, a sentença divina ecoada nos umbrais eternos expressa o amor e o cuidado celeste para com a vida afetiva do homem. O próprio Deus não estava solitário na eternidade, mas partilhava de incomensurável comunhão com o Filho e o Santo Espírito. Deus é um ser pessoal e sociável às suas criaturas morais. No entanto, contrapondo a natureza divina à humana, concluímos que o intrínseco relacionamento entre a divindade e o ente humano dá-se em níveis transcendentais, metafísicos.

Por conseguinte, faltava ao homem alguém que lhe fosse semelhante, ossos dos seus ossos, carne de sua carne, alguém que se chamasse “varoa” porquanto do “varão” foi formada. Essa correspondência não foi encontrada nos seres irracionais criados, mas na criatura tomada de sua própria carne e essência. A mulher era ao homem o vis-à-vis de sua existência. Seu reflexo. Partida e chegada. O homem e a mulher se identificam mutuamente por compartilharem da mesmíssima imagem divina: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1.27). Homem e mulher, portanto, fazem parte do mesmo projeto celífluo. Sentem-se tão necessários à existência do outro quanto dependem individualmente do ar que respiram. Esta interdependência é inerente à formação moral e espiritual do próprio ser. Faz parte do mistério, da teia de encontros e desencontros, de fluxo e refluxo que cercam a união entre homem e mulher. A união conjugal, portanto, antes de ser um contrato jurídico, era um ato de amor, companheirismo e cumplicidade em que as principais necessidades humanas eram plenamente satisfeitas. Homem e mulher se auto-realizavam um no outro.

A Constituição do Núcleo Familiar
A constituição do núcleo familiar a priori foi composta por um homem e uma mulher. Mais tarde, acrescentou-se ao casal os filhos gerados dessa união. A partir do nascimento dos primeiros filhos, a família tornou-se o primeiro sistema social no qual o ser humano é inserido.
A primeira família, formada apenas por duas pessoas, tornou-se numerosa por meio dos filhos que, ao serem gerados, se inseriram no núcleo familiar assumindo diversos papéis dentro do sistema: filho, irmão, neto, primo, etc. A família não foi criada, portanto, como um sistema fechado, mas dinâmico, e, com o passar do tempo, o número de seus membros foi aumentando gradativamente, e destes formando novos núcleos familiares ligados por consangüinidade e afinidade.

Terminologia e Conceito de Família no Antigo Testamento

O hebraico do Antigo Testamento costuma usar três palavras para família: bayît, bêt, mishpāhâ.

Bayît. A primeira delas é bayît, que designa tanto uma “residência”, “templo”, “lar”, a “parte interior de uma casa”, “casa”, quanto também o conceito de “família” ou “os moradores de uma mesma casa”. O sentido de habitação é um dos mais freqüentes usos do termo (Êx 12.7; Lv 25.29; Dt 11.20).

Bêt. Outro vocábulo muito freqüente é bêt, cujo sentido literal é “casa” e ocorre juntamente com outros termos formando uma idéia completa tal qual bêt’ēl (Casa de Deus), bêt lehem (Belém ou “casa de pão”), e assim por diante. O termo bêt designa “pessoas de uma casa”, ou juntamente com ‘āb designa “casa do pai”.

Mishpāhiâ. O terceiro vocábulo, mishpāhiâ, literalmente significa “família”, “parentes” ou “clã”. A ênfase está nos laços sangüíneos que existem entre as pessoas de um mesmo círculo. Segundo Harris, o termo “se emprega como subdivisão de um grupo maior, tal qual uma tribo ou nação (Nm 11.10)”.

Portanto, família para o hebreu designava tanto o vínculo consangüíneo existente entre um grupo de pessoas em uma mesma casa quanto o conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco.

Das trezentas e sessenta e sete ocasiões em que o termo “família” aparece no Antigo Testamento, cerca de cento e cinqüenta e duas aparecem no livro de Números referindo-se aos descendentes das tribos, isto é, aqueles cujo laço sangüíneo o relaciona a determinada tribo, família ou clã. É o caso, por exemplo, de Números 1.2: “Levantai o censo de toda a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas famílias, segundo a casa de seus pais, contando todos os homens, nominalmente, cabeça por cabeça” (ARA).

Temos nesse texto um exemplo do uso de “congregação” (‘ēdâ) para referir-se a “todo o povo de Israel”, “famílias” (mishpāhiâ), para designar o “clã”, como principal unidade social, de tamanho intermediário entre a tribo e a “casa” (bayît) de seus pais. Este último pode ser traduzido por “família”, e refere-se àquela unidade consangüínea menor que habita uma mesma casa.

Um outro aspecto que deve ser notado a respeito dos termos e da composição das antigas famílias bíblicas é que os costumes locais, vez por outra, incluíam os servos ou escravos como integrantes da família. Isto é facilmente observado no termo hebraico shiphâ, que é traduzido por “criada” ou “escrava”, mas uma escrava associada à mishpāhiâ, isto é, ao núcleo familiar. A escrava denominada shiphiâ, segundo Harris, era uma serva que podia ser dada de presente a uma filha quando esta se casasse (Gn 29.24,29). E de acordo com a lei de Nuzi, uma esposa estéril podia entregar sua serva ao marido a fim de ter vicariamente um filho, por meio da serva (Gn 16.2; 30.3,4). Um menino nascido de tal união seria o herdeiro, a menos que a própria esposa mais tarde tivesse um filho.

A junção dos vocábulos bayît, bêt, mishpāhiâ e shiphiâ demonstra que o conceito de família para o hebreu abrangia tanto os parentes próximos, longínquos, quanto os escravos. Desde que houvesse uma relação consangüínea ou de afinidades, já se constituía um membro da unidade familiar.

As famílias, portanto, eram extensas e, após os doze filhos de Jacó, reuniam-se em tribos que seguiam minuciosamente a tradição familiar. Os “pais patriarcais” detinham o poder e o governo soberano sobre o grupo familiar.

Nestes idos patriarcais, viviam em acampamentos comuns emigrando de um canto a outro à busca de pastagem para o rebanho ou de subsistência para a numerosa família: “Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai. Ló, que ia com Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas” (Gn 13.3,5 – ARA).

Esta conjuntura social possibilitou o contato com várias populações também agricultoras e, vez por outra, a possibilidade de haver intercâmbio comercial e união matrimonial que, dado às características da tradição hebréia, eram geralmente rejeitadas (Gn 34).

Composição da Família hebraica

A extensa família hebréia, portanto, distinguia-se quanto à composição das suas unidades:

‘Āb. O pai, do hebraico ‘āb, tanto designa o “originador” de uma descendência quanto o “ancestro” ou “líder”. O termo dentro do contexto nômade, seminômade ou da vida sedentária hebréia também se refere a “alguém revestido de autoridade sobre”. O ‘āb é o responsável direto pela família, cabendo-lhe todas as decisões sociais, culturais e jurídicas que dizem respeito ao bem-estar do núcleo familiar. Todos são igualmente dependentes dele e, por isso, denomina-se “casa de meu pai”, bêt ‘āb , ou bayît ‘āb, representando o núcleo familiar básico ou pessoas da mesma casa (Gn 24.38,40; 28.21; 41.51; 46.31). O ‘āb, portanto, é o pai de família ou chefe da casa ou do grupo doméstico, quer este grupo seja numeroso quer não.

Mishpāhiâ. O clã ou mishpāhiâ, como é designado no Antigo Testamento, era uma unidade familiar mais ampla do que a anterior. Abrangia várias famílias em uma comunidade geográfica mais ampla. O clã era liderado pelos mais velhos ou “anciãos”, que conseqüentemente eram os cabeças das famílias. Os anciãos, do hebraico zāqēn, faziam parte de uma categoria social entre os hebreus, conhecidos pelos sábios conselhos, prudência, vivência e capacidade para julgar situações embaraçosas. Estes são chamados de “anciãos de Israel” (Êx 3.16,18; 12.21; 17.6), “anciãos dos filhos de Israel” (Êx 4.29;), “anciãos do povo” (Êx 19.7; Nm 11.24), “anciãos da congregação” (Lv 4.5), “anciãos da cidade” (Dt 19.12; 21.3). Esta composição social também era comum entre os moabitas e midianitas (Nm 22.7). Os anciãos auxiliavam na resolução de problemas ligados à virgindade (Dt 22.15), homicídios (Dt 19.12; 21.1), in passim. Números 11.25 menciona setenta anciãos que profetizaram quando sobre eles o Espírito do Senhor desceu. Segundo H. Schmidt, o clã parece incluir um grupo de mil homens com capacidade para guerrear (cf. Mq 5.1; 1 Sm 8.12; 23.23).

Matteh. A tribo, do hebraico matteh, era um conjunto de clãs. O termo original significa, ipsis verbis, “vara”, “bordão” ou “haste”, passando a significar “tribo” em razão de os líderes usarem bastões ou varas como símbolo de autoridade investida. Todas as famílias que compunham uma tribo eram uma comunidade religiosa, econômica e juridicamente ligada pela consangüinidade e afinidades familiares. As responsabilidades, entre outras, incluíam: a defesa militar, a solidariedade entre os seus membros, a educação das crianças conforme a tradição da tribo, o cuidado com a propriedade familiar e a manutenção das riquezas e bens comuns.

Em uma determinada tribo estava a unidade básica do núcleo familiar sob a responsabilidade do ‘āb, que por sua vez se subordinava ao mishpāhiâ; a somatória destes compunha o matteh: “Dos filhos de Simeão, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo a casa de seus pais…” (Nm 1.22 – ARA). Todos se consideravam filhos de um mesmo ancestral – como por exemplo, um dos doze filhos de Jacó -, do qual recebiam um nome epônimo (Nm 1). O representante de cada matteh era chamado de “cabeça da casa de seu pai” (Nm 1.4), “príncipe da tribo de seu pai” ou “cabeça dos milhares de Israel” (Nm 1.16).

Correndo o risco de perturbar a clareza das informações acima expendidas, creio ser necessário recorrer a dois teóricos sociais para auxiliar-nos na compreensão desse formato social: Durkheim e Weber. O modelo social acima descrito adequa-se ao tipo de solidariedade social proposta por Durkheim: a solidariedade mecânica. Nesta, os indivíduos possuem sua identidade mediante a família, a religião, a tradição e os costumes da tribo. Todos reconhecem e vivem os mesmos valores seguindo a tradição ancestral, do qual a coletividade procede. Uma “família-tronco” perpetua-se em torno do chefe de família pela instituição de um “herdeiro associado”. Os indivíduos nesse modelo social vivem sob a coerção dos fatos sociais. Os fatos sociais, segundo Durkheim: “É toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior; ou ainda, que é geral no conjunto de uma determinada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais.” (As Regras do Método Sociológico, p. 92) .

Para M. Weber, contudo, não é necessário que a ordem social tenha de se opor e se distinguir dos indivíduos, como uma realidade exterior a eles; ao contrário, estas normas se manifestam em cada indivíduo sob forma de motivação. A ação tradicional, uma das quatro formas de ação social proposta por Weber, por exemplo, é motivada pelo costume, tradição, hábito, crenças e valores -, pelos quais o indivíduo age movido pela obediência a eles, em razão de estarem fortemente enraizados na base do ethos tanto em sua vida quanto na do grupo.
A distinção entre um e outro está basicamente no método empregado. Émile Durkheim baseia-se nos métodos positivistas fundamentados em Augusto Comte e Herbert Spencer, enquanto Max Weber fundamenta-se na distinção formulada por Wilhelm Dilthey entre explicar (erklären) e compreender (verstehen), que são as bases da sociologia compreensiva.
No entanto, embora os dois teóricos – e ainda podemos acrescentar o materialismo histórico de Karl Marx – não concordem entre si quanto à coerção dos fatos sociais, as duas explicações acima demonstradas, correndo o risco de uma simplificação exacerbada, auxiliam na compreensão de que seja qual for o grupo social, o indivíduo, seja por motivação seja por coerção, vive sob as bases do ethos compartilhado por todos.

BENTHO, Esdras Costa. A Família no Antigo Testamento: história e sociologia. 3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
LÉVI-STRAUSS, C. As Estruturas Elementares do Parentesco. Petrópolis: Vozes, 1982.
HARRIS, R. Laird (et al.). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.
BENETTI, Santos. Sexualidade e Erotismo na Bíblia. São Paulo: Paulinas, 1998, p. 23.
SCHMIDT, Werner H. Introduccion al Antiguo Testamento. Salamanca: Ediciones Sígueme, 1983, p. 49.
WERBER, M. Economia e Sociedade: Fundamentos da Sociologia Compreensiva. Brasília: Editora da UnB, v. 1, 1991,[ pp. 15,16.]

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A Importância do Ensino Religioso na Família

Publicado por Editor em 2007/11/23

A Importância do Ensino Religioso na Família
Por Vanderlei de Barros Rosas
Data: 20/11/2007

A Família é a célula mater da sociedade. O núcleo familiar é o primeiro grupo social do qual participamos e recebemos, não somente herança genética ou material, mas principalmente moral.  Nossa formação de caráter depende, fundamentalmente, do exemplo ou modelo familiar que temos na formação de nossa personalidade. Segundo os psicólogos deterministas a formação da personalidade do indivíduo ocorre em sua fase infantil. Precisamos entender que existem desvios de comportamento causados por influências sociais (meio social, meios de comunicações, grupos sociais etc.) e crises existenciais que podem fazer o indivíduo, em determinada fase de sua vida ao fazer opções pessoais que ignoram totalmente todo tipo de informação ou exemplo familiar, e em geral estes desvios são terríveis, social e emocionalmente falando.

O ensino religioso na família tem um papel importantíssimo na formação do indivíduo, ou melhor, na formação da pessoa como um todo. Venho de uma tendência batista puritana, portanto, minha tese se reveste desta influência (entre tios e primos somos 11 pastores batista na família). Minha tese é que o ensino religioso na família produz a possibilidade do indivíduo estruturar-se de tal maneira que cria como objetivo básico o bem-estar pessoal e familiar através de uma vida regrada, saudável e estruturada.

Vejamos alguns dos benefícios que o Ensino Religioso, pode produzir no indivíduo e na sociedade, seja este ensino católico, protestante, judaico, islâmico etc., desde que haja seriedade e coerência familiar:

• A Espiritualidade – A prática do culto doméstico (evangélicos), as novenas (católicos), o estudo da Torah (Judeus) dentre outras práticas domésticas do ensino religioso promovem a espiritualidade no lar.  Vivemos em um mundo globalizado, onde a individualidade, o materialismo-consumista tem ocupado a primazia no ambiente familiar, portanto valores espirituais são importantes na vida familiar.

• A Moralidade – Precisamos definir primeiramente a diferença entre moralismo e moralidade.  Moralidade são princípios morais e Moralismo é o legalismo desses princípios. O comportamento moral tem tudo a ver com a conduta religiosa da família. O apelo à sensualidade é muito grande.  Os jovens são instruídos pela mídia a usar a camisinha, em uma atitude amoral, pois toda a cristandade baseia-se no casamento como sendo uma manifestação da graça divina como propósito para o homem e mulher (fica isto bem definido em Gênesis, livro sagrado para católicos, protestantes e judeus).

• A Fraternidade – O amor fraternal é o fundamento religioso na maioria das religiões, sejam elas cristãs ou não-cristãs (personalistas ou animistas). A identidade de que todos partimos de uma mesma origem divina nos irmana.

• A Solidariedade – O princípio básico religioso é a questão do amor ao próximo e atendimento aos mais necessitados.  A solidariedade, tendo a opção pelos pobres, não é privilégio  da Teologia da libertação, ou de campanhas Governamentais ou de ONGs.

• A Intelectualidade – A leitura diária do livro sagrado (Bíblia Sagrada, A bíblia segundo Allan Kardec, Alcorão etc.), promove o ambiente de intelectualidade e interesse pelas diversas formas de leitura.

• A Musicalidade – A música é a linguagem universal, e que na realidade é um dos excelentes meios pela qual a religiosidade se expressa.  Dizem que quem canta, ora duas vezes.

• A Sociabilidade – A prática de princípios litúrgicos, bem como o cumprimento das atividades eclesiásticas, promovem no religioso um maior desenvolvimento de expressão de liderança e facilidade de comunicação.

 A Prosperidade – A religiosidade sendo expressa na família estabelece princípios e objetivos do clã, oferecendo-lhe uma melhor forma de administração, bem como definição de objetivos. Precisamos tomar muito cuidado por conta de várias teologias que têm aparecido por aí, principalmente na tal “Teologia da Prosperidade”, pensamento este que estabelece as bênçãos divinas como sinal material de prosperidade na vida do indivíduo.

• A Transcendentalidade – O ensino religioso na família permite ao indivíduo a enxergar além deste momento imediato, mas levando-o a uma dimensão que somente o divino pode oferecer, ou seja, a transcendentalidade.

A Humanidade – Nada torna mais o homem ser humano do que a sua própria religiosidade, e, paradoxalmente, nada torna o homem mais divino que a expressão desta religiosidade. A religiosidade popular é uma manifestação bem clara disto, quando o homem em tentativa de manipulação do sagrado aproxima-se do “santo”, agora pelo profano, não mais pelo sacerdócio institucionalizado. Esta tensão é extremamente vivida na religiosidade familiar, onde a estrutura institucional é o suporte, porém, o que vale na prática é a relação sagrado-profano.

A religiosidade familiar é importantíssima na formação de todo e qualquer ser humano. O maior perigo que a família moderna enfrenta é a “pós-modernidade”, mas sobre isto veremos no próximo artigo: Os perigos da globalização.

“Instrui o menino no caminho que ele deve andar, que até quando envelhecer não se desviará dele”, Prov.22.6.

 

 

 

Prof. Vanderlei de Barros Rosas – Professor de Filosofia e Teologia. Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil; Pós-graduado em Missiologia pelo Centro Evangélico de Missões; Pós-graduado em educação religiosa pelo Instituto Batista de Educação religiosa


Fontes:
Portal Mundo dos Filósofos

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Escola Bíblica Dominical – Qual a sua importância nos dias de hoje?

Publicado por Editor em 2007/11/23

Escola Bíblica Dominical – Qual a sua importância nos dias de hoje?
Por João Rodrigo Weronka
Data: 21/11/2007

Desde o começo da história do relacionamento de Deus com o povo hebreu, pode-se perceber que havia uma ordenação, da parte de Deus, para que o seu povo o conhecesse melhor, soubesse o que agradava e o que desagradava a Ele. Moisés foi um dos primeiros grandes professores, pois foi o responsável por receber as instruções divinas e ensiná-las ao povo. Tudo que Deus queria era que o povo lhe fosse fiel e que não errasse pelo caminho.O que se sucedeu foi que o povo, rebelando-se, não quis ouvir os bons conselhos, indo cada um por seu caminho. Isto trouxe destruição aos desobedientes, sendo isto muito pesaroso a Deus.

Todos os profetas foram, acima de tudo, ensinadores. Exortavam o povo a voltar para Deus, apontavam onde estavam os erros, traziam as ordenações do Senhor. Lembravam o povo de tudo aquilo que Deus tinha feito por eles. Mas Jesus foi o maior mestre, sem dúvidas. Usava situações cotidianas, comuns ao povo, para ensinar as grandes verdades de Deus. Ensinava a todos, indiscriminadamente: ricos, pobres, velhos, jovens. Após Cristo ter sido crucificado e ter ressucitado, os apóstolos foram os encarregados de ensinar os seus discípulos. Pedro, Tiago, João e Paulo, inclusive, escreveram diversas cartas, sendo que algumas foram destinadas a certas igrejas, enquanto outras tiveram um âmbito de circulação mais amplo, servindo a várias igrejas, em diversos lugares.

Quais eram os objetivos destas cartas? Ensinar a correta doutrina, ensinar como defender sua fé, alertar sobre falsos mestres e ensinos, exortar os irmãos quando eles estavam dando lugar ao pecado, fortalecer a fé, consolar uns aos outros, explicar o que ainda está por vir, evidenciar o amor e a graça de Deus para conosco. Este conhecimento da Palavra é muito louvado pela própria Bíblia. Salomão escreveu muito acerca das maravilhas e das bençãos recebidas de Deus por conhecer Sua lei. O livro de Provérbios é cheio destes escritos.

Durante toda a história da Igreja, o ensino teve um papel muito importante na vida cristã. Mas houve um período onde a Palavra tinha sido deixada de lado pelas pessoas. Apenas as autoridades eclesiásticas, diziam, eram os únicos que tinham a capacidade de interpretar corretamente as Escrituras e, assim, ensinar o povo. No século XVI, porém, com a Reforma Protestante, a Bíblia voltou a circular entre as pessoas, tornando o conhecimento dela mais amplo aos leigos. E em 1780, na Inglaterra, Robert Rikes fundou a primeira Escola Bíblica Dominical (EBD), que na época tinha o objetivo de ensinar as crianças pobres e delinqüentes da sua cidade. No Brasil, a primeira EBD teve início em 1855, fundada pelo missionário Robert Kalley e sua esposa, em Petrópolis, RJ.

Mas e hoje? Será que o ensino bíblico ainda é importante para o cristão? Evidente que sim. As necessidades que nós temos são as mesmas que qualquer pessoa, em qualquer tempo, têm no que concerne ao conhecimento do ser e da vontade de Deus. E é ainda mais importante, porque na sociedade comtemporânea há um pluralismo de religiões, crenças e filosofias que, se os cristãos não estiverem devidamente informados sobre o que crêem, ficarão confusos, podendo até mesmo enfraquecer sua fé, darão péssimo testemunho, não saberão evangelizar e aceitarão um sem-número de doutrinas estranhas à Verdade do Evangelho.

Quando conhecemos as Escrituras, elas nos levam a abandonar o pecado em nossas vidas e a praticar a justiça. Sabemos quem realmente é Deus, e o que Ele espera de nós, e o que Ele pode fazer por nós. Sentimos prazer em seguir seus mandamentos, confiamos na sua suficiência; somos mais submissos aos atos providenciais Dele. Entendemos que precisamos de Cristo, confiamos Nele e nos desperta um grande desejo pelo seu retorno. Aprendemos que não sabemos nem mesmo orar sem a ajuda do Espírito Santo, quanto mais saber pelo que orar. Descobrimos que promessas estão disponíveis para nós, e como podemos pleitear tais promessas. Conhecendo melhor as Escrituras, sabemos a real utilidade das boas obras e qual o seu lugar na vida do cristão. Aprendemos obediência. Aprendemos que não devemos nos apegar às coisas do mundo. Sabemos contra o que devemos lutar. Enfim, o estudo da Palavra de Deus nos dá alegria, ensina-nos a amar e nos ensina que a fonte destes está em Deus.

É inaceitável existir ‘cristãos’ que não queiram conhecer a Deus profundamente. Que tipo de cristão é esse que quer manter um relacionamento com Deus sem saber como Ele é ou o que Ele quer? Aparentemente, são pessoas que não tem temor a Deus, nem respeito à Palavra e sem sabedoria. ‘O temor de Deus é o princípio da sabedoria’: se tememos a Deus, já é alguma coisa; a partir daí a pessoa vai crescendo no entendimento, dia após dia, recebendo mais e mais sabedoria de Deus, e amaremos cada vez mais a Sua Palavra. Assim como o alimento físico mantém nosso corpo, devemos nos alimentar diariamente da Palavra de Deus, a fim de que não nos tornemos ‘anoréxicos espirituais’.

 

 

João Rodrigo Weronka é palestrante, professor de Escola Bíblica, pesquisador no campo de apologética e religiões desde 2002. Congrego na Igreja do Evangelho Quadrangular Jd. Marambaia – São José dos Pinhais – PR desde 2001


Fontes:
NAPEC – Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão

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Responda e concorra a livro grátis

Publicado por Editor em 2007/11/20

Participe da promoção do blog da UBE – União de Blogueiros Evangélicos e concorra ao livro “Blog: Entenda a revolução que vai mudar seu mundo“. 

Clique aqui e participe. 

Eis aqui mais uma promoção de livros da Editora Thomas Nelson Brasil em parceria com a UBE. Nesta feita o prêmio será o livro “Blog: Entenda a revolução que vai mudar seu mundo” de Hugh Hewitt.

Uma obra importante de leitura obrigatória para todo blogueiro. O Pr. Altair inclusive já postou um texto falando sobre o livro de Hewitt [LEITURA OBRIGATÓRIA PARA BLOGUEIROS!]. Pois bem, se você quer ganhar esse livro dê uma lida no seu release e, ao final, veja como participar

Em Blog – Compreendendo a revolução mundial no uso da informação, Hugh Hewitt chama atenção de empresas e executivos de marketing para o que considera mudança tão importante na comunicação quanto a própria imprensa criada por Gutenberg. Lançamento da Thomas Nelson Brasil, o livro chega às livrarias em fevereiro.

Livro: Blog – Compreendendo a revolução mundial no uso da informação
Autor: Hugh Hewitt
Editora: Thomas Nelson Brasil
Páginas: 264
Preço: R$ 34,90

Bem mais do que inocentes diários eletrônicos, os blogs hoje representam uma mudança radical no uso da informação. Podem ser perigosos para quem não entende a velocidade e a força dos posts, podem ser alavanca de sucesso para quem souber tirar proveito deles. Em Blog – Compreendendo a revolução mundial no uso da informação (264 páginas, Thomas Nelson Brasil) Hugh Hewitt, um influente colunista norte-americano, mostra que empresários, políticos e executivos de marketing precisam logo ocupar espaço nesse movimento que, sem cuidado, vira avalanche contra eles mesmos.

Hewitt, também blogueiro, vem se tornando um historiador em tempo real (como é próprio da internet) do que foi batizado como Blogosfera. De forma ativa, ele vivenciou os processos deflagrados por importantes blogs norte-americanos que resultaram em recentes escândalos nacionais. O primeiro envolvendo o senador republicano Trent Lott e o outro, John Kerry, candidato à presidência dos Estados Unidos contra George W. Bush.

Lott teve uma declaração de apoio a antigo político racista discutida exaustivamente na internet, o que o levou a renunciar à liderança de seu partido no Senado. Já Kerry foi pego em uma mentira. Para atacar o comando militar do país, disse ter sido enviado clandestinamente ao Camboja, nos anos 70, quando na verdade não esteve lá. O episódio comprometeu sua campanha.

Com base nos casos desses dois políticos, entre outros contados em Blog, Hewitt defende que empresários e executivos de marketing devem ter muita atenção a essa nova mídia para não perderem espaço no mercado em pouco tempo. O escritor sustenta que os blogs são os megafones da mídia. O que ocorreu com os políticos ocorre também com as empresas.

Marketing e confiança
Hugh Hewitt aponta o investimento nos blogs como um caminho urgente para os responsáveis pelo marketing das empresas. Públicos específicos como é difícil ter na mídia tradicional e valores mais baixos são aspectos atraentes para a exploração dos blogs.

No livro, ele dá dicas de como escolher os blogueiros e considera fundamental a atenção aos conteúdos: pelo alcance e velocidade do veículo, a confiança é o grande produto em questão. Um engano, uma informação mal-usada e, segundo Hewitt, o blog se esvazia rapidamente. Nesse caso, a empresa envolvida se vê numa repercussão negativa quase instantânea, a avalanche a que se refere.

Números
O site norte-americano Technorati (http://technorati.com/), espécie de observador do que é divulgado pela Internet e citado em Blog por Hugh Hewitt, afirma que há na rede hoje mais de 66 milhões de blogs registrados. Ainda segundo o site, 175 mil são criados todos os dias. Eram cerca de 50 apenas, em 1999, quando, de acordo com Hewitt, teve início o fenômeno.
Sobre o autor

Hugh Hewitt é blogueiro e possui uma coluna semanal no The Daily Standard, a edição on-line de The Weekly Standard, e no WorldNetDaily.com. Além disso, é apresentador de um programa de rádio transmitido em mais de 70 cidades dos Estados Unidos e professor do curso de Direito da Chapman University.
Hewitt recebeu três prêmios Emmy como apresentador do noticiário noturno Life & Times. O The Wall Street Journal considerou Hugh Hewitt o historiador não-oficial do movimento blogueiro.
Mais informações com André Argolo/Ivani Cardoso (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814.4600

COMO PARTICIPAR?

Para participar da promoção e concorrer aos 05 (cinco) livros que serão presenteados, basta responder à pergunta?

QUAL A IMPORTÂNCIA DOS BLOGS?

Não esqueça de registrar o seu nome completo e o seu e-mail.
Caso não queira divulgar seu e-mail, envie-nos uma mensagem para blogelicos@gmail.com, ok!
Capriche na resposta e boa sorte!

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Como ter um lar feliz?

Publicado por Editor em 2007/11/20

Como ter um lar feliz?

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A promessa de um lar feliz – subsídios

Publicado por Editor em 2007/11/20

 

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A promessa de uma lar feliz – 1

Comentarista: Pr. Altair Germano

A promessa de uma lar feliz – 2

Comentarista: Dr. Caramuru Afonso

A promessa de uma lar feliz – 3

Comentarista: Pb. José Roberto A. Barbosa

A promessa de um lar feliz – 4

Fonte: Rádio Boas Novas 

A promessa de um lar feliz no Antigo Testamento

Pr. Esdras Costa Bento

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Como ter um lar feliz?

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A promessa de um lar feliz – 3

Publicado por Editor em 2007/11/20

A PROMESSA DE UM LAR FELIZ

Pb. José Roberto A. Barbosa

Fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/

Texto Áureo: Dt. 11.21 – Leitura Bíblica em Classe: Dt. 11.18-21; Ef. 6.1-4

Pb. José Roberto A. Barbosa
Objetivo: Mostrar que a promessa de um lar cristão feliz pode se tornar uma realidade se tão somente colocarmos em prática o amor de Deus que fora derramado em nossos corações.

INTRODUÇÃO
A palavra “lar”, de acordo com o dicionário Houaiss, em sua raiz, remete a Laris, o deus mitológico responsável pela proteção domiciliar. Desse vocábulo deriva-se, também, o termo “lareira”, apontando para o fogo une e aquece a família. Dentro de uma perspectiva cristã, veremos, na lição de hoje, qual o modelo bíblico para a constituição do lar, os requisitos necessários para a obtenção de um lar feliz, e, por último, as bênçãos decorrentes da felicidade familiar.

1. A CONSTITUIÇÃO BÍBLICA DO LAR
O lar é uma constituição divina e, desde o princípio, é monogâmico (Mc. 10.6-9), homem e mulher (Gn. 5.2; Mt. 19.4). É tão importante que boa parte do decálogo está a ele relacionado (Ex. 20.14,17), bem como dos preceitos levíticos (Lv. 18.6-18; 20.14-21; 21.7-15). A poligamia, defendida em algumas culturas, se trata de uma invenção humana (Gn. 4.19). O ensinamento às crianças no caminho no temor ao Senhor também é um dos princípios basilares da constituição do lar (Pv. 22.6). A autoridade do homem, como cabeça do lar, sempre foi uma norma na sociedade patriarcal (Gn. 3.16) e retomada por Paulo em suas epístolas (I Co. 11.3-10). Jesus, em seus ensinamentos, apelou para os fundamentos originais da criação como diretriz para o lar (Mt. 5.27-32; 18.19,20). Os apóstolos nos apresentam algumas recomendações para a consolidação do lar cristão (I Co. 7.1-28; 11.3; II Co. 6.14; Ef. 5.22; Cl. 3.18; I Tm. 5.8; I Pe. 3.1-7).

2. CONSELHOS PRÁTICOS PARA A CONSOLIDAÇÃO DE UM LAR FELIZ
Existem muitos ministérios que atuam diretamente com casamentos na igreja. Esses trabalhos são necessários a fim de que as congregações aprendam a valorizar o lar cristão. Os cursos para casais podem dirimir muitos dos possíveis problemas com os quais a igreja poderá vir a lidar no futuro. Para tanto, é preciso que pessoas realmente idôneas estejam envolvidas em tais projetos, mas, acima de qualquer coisa, faz-se necessário que estejam cientes das diferenças nos relacionamentos conjugais. Isso porque nem todos os casamentos são iguais, por isso, nem todas as instruções podem ser generalizadas. É um equívoco pensar que todos os lares serão felizes se os cônjuges agirem seguindo um modelo estabelecido por um casal, cuja realidade social, econômica e educacional é completamente distinta de um outro. Ademais, na cultura atual, motivada pelo sexo, muitos conselheiros conjugais também são tentados a pôr ênfase demasiada nesse particular. É inegável que o sexo é um componente importante do casamento, mas este não se reduz a ele. Há outros aspectos de igual ou superior importância, entre eles, a amizade, o companheirismo e o respeito mútuo. Na verdade, é a sujeição em amor, e não o sexo, o princípio fundamental para um casamento feliz. Ainda que pareça paradoxal, o amor envolve sofrimento, e, felicidade, aqui, envolve, também, sacrifício (Ef. 5.2; 22-33).

3. REFLEXÕES SOBRE A FELICIDADE NO LAR
Um lar feliz é um lar onde o amor tem sempre um papel fundamental. É um ambiente no qual as pessoas não têm vergonha de pedir perdão, pois todos agem com graça, ninguém se acha melhor do que o outro. A expressão “eu te amo” é repetida naturalmente, seja por palavras ou por gestos tais como um abraço, um sorriso trocado ou gargalhadas em momentos embaraçosos. Significa aceitar o outro como ele ou ela é, olhando nos olhos, sem cobranças, sem a tentação de querer que o outro seja coisificado e objeto de nossas vontades. É abraçar para celebrar os momentos mais significativos da vida, seja o nascimento de um filhos, a comemoração de mais um ano de vida, a conclusão de mais uma etapa da vida. Um lar feliz, contudo, não se reduz apenas às situações de alegria, abrange também o cuidado de estar ao lado nos momentos de dores, de amenizar o sofrimento com um abraço, de orar ao lado na expectativa de dias melhores, de aceitar a vontade soberana de Deus quando um dos entes parte inesperadamente. É aprender a valorizar os momentos mais simples da existência. Recorrendo ao sentido etimológico da palavra “lar”, é aprender a ficar juntos e firmes, confiando no Senhor em todas as circunstâncias da vida. É acompanhar o filho na caminhada diário da vida, instruindo-o no temor ao Senhor. É tomar atitudes aparentemente desimportantes, como abaixar o som da tv para ouvir a voz suave da pessoa que fala. É investir tempo para, quem sabe, comer pipoca juntos, tomar um sorvete ou partilhar uma comida gostosa. Essas são apenas algumas possibilidades que, definitivamente, não exaurem as muitas possibilidades para que se tenha um lar feliz.

CONCLUSÃO
Vivemos fazendo cursos na tentativa de encontrar as vinte e cinco chaves para a verdadeira felicidade do lar. Essa, no entanto, é resultado de um investimento conjunto de todos aqueles que integram a família. Não existe um segredo e uma resposta fácil para encontrá-la, nem mesmo uma garantia de que os conselhos que se costuma dar surtirão o devido efeito. Mesmo assim, todo o esforço que empreendermos, para a felicidade do lar, valerá a pena, se forem regados em amor. Só assim, debaixo da soberana vontade de Deus, podermos celebrar, com o salmista, a beleza singular de um lar que, acima de qualquer outra coisa, aprendeu a submeter-se ao Senhor (Sl. 128).

BIBLIOGRAFIA
COLSON, C. & PEARCEY, N. E agora, como viveremos? Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
PALMER, M. D. (ed.) Panorama do pensamento cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

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A promessa de um lar feliz – 2

Publicado por Editor em 2007/11/20

LIÇÃO Nº 8 – A PROMESSA DE UM LAR FELIZ

Dr. Caramuru Afonso Francisco

www.escoladominical.com.br 

A família, criada que foi por Deus, deve ser fonte de felicidade a seus integrantes.

INTRODUÇÃO

- Na seqüência do estudo das principais promessas de Deus, analisaremos a promessa de um lar feliz, promessa que assume imenso valor em dias em que a desestruturação familiar é uma das principais características de toda e qualquer sociedade.

- A promessa de um lar feliz é dirigida a toda a humanidade, sendo, portanto, uma promessa geral, mas é condicional, depende da observância da Palavra de Deus nos relacionamentos familiares.

I.- CONCEITO E ATRIBUIÇÕES DA FAMÍLIA

Colaboração/Gráfico: Jair César

- O primeiro grupo social a que uma pessoa pertence é a família, grupo criado pelo próprio Deus (Gn.2:23,24) e que procura suprir as necessidades sentimentais, afetivas e emocionais básicas do ser humano. A função da família é, precisamente, impedir que haja o sentimento de solidão, que caracterizava Adão antes da formação da mulher (Gn.2:20).

- Os homens, mesmo, sem conhecer a Palavra de Deus, reconhecem o papel fundamental que a família exerce na vida de um homem. A Declaração Universal dos Direitos do Homem afirma que “…a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.” (artigo XVI, nº 3), preceito que é repetido pela Constituição brasileira, que afirma que “…a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado…” (art.226). Entretanto, apesar dos preceitos normativos solenes, o adversário tem realizado um trabalho terrível de destruição contra a família, até porque seu trabalho é o de matar, roubar e destruir (Jo.10:10).

- Deus não só criou a família como estabeleceu quais as regras e as condutas que devem ser observadas pelos membros da família. As Escrituras trazem quais os parâmetros do relacionamento entre cônjuges, entre pais e filhos e entre irmãos. O segredo da felicidade no relacionamento familiar está em ter uma conduta conforme a Bíblia Sagrada.

- Como a família foi criada por Deus, é Ele quem deve estabelecer as regras, as normas ao homem, a quem cabe, simplesmente, obedecer. A família não é nossa criação, nem pode ser estruturada segundo os nossos conceitos ou a nossa vontade. Existem princípios que devem ser seguidos. Muito se fala, hoje, a respeito da diversidade de culturas, dos diferentes modos de vida das várias raças, tribos e nações em volta do mundo, mas isto não é suficiente para que consideremos que os princípios estabelecidos por Deus não devam ser observados por todos os homens. Os homens, envolvidos em seus delitos e pecados, acabam distorcendo os princípios estabelecidos por Deus e cabe à igreja, como defensora destes princípios, imergir nas culturas dos povos de modo a que tais culturas sejam transformadas e voltem aos princípios estatuídos pelo Senhor. Observemos que, entre os próprios judeus, a dureza de coração foi responsável pela existência de normas jurídicas sobre a família que estavam em desacordo com os princípios estabelecidos por Deus, como denunciou o próprio Senhor Jesus ao ser indagado sobre a norma do repúdio que vigorava, na época, em Israel (Mt.19:3-8).

- As Escrituras indicam que o homem não foi feito para viver solitariamente. Muito pelo contrário, a Bíblia é explícita ao dizer que, ao contemplar o homem, Deus afirmou que ” não é bom que o homem esteja só” (Gn.1:18), tendo, então, estabelecido a necessidade de criar a mulher, que serviria como uma adjutora, ou seja, como uma ajudadora, que estivesse diante do homem. Esta explicitação do texto bíblico, em que se dá a narrativa da criação da mulher, especifica algo que o próprio Deus já havia delineado no instante em que decidiu criar o ser humano, porquanto, ao nos ser informada a intenção divina, é-nos dito que, no plano divino, estava o de dotar o homem não só de domínio sobre a criação na terra, mas também, de capacidade de reprodução (Gn.1:28), o que exigia a formação da família, único ambiente em que se poderia concretizar o desejo de Deus para o homem.

- É, precisamente, dentro deste escopo que devemos observar a família. Ela é uma instituição que foi criada por Deus para que o homem pudesse cumprir tudo aquilo que Deus havia planejado para que o homem fizesse. Sem a família, seria impossível que o homem frutificasse e se multiplicasse sobre a face da Terra e, por conseguinte, que o homem pudesse dominar sobre a criação que estava na Terra. É interessante notar que, ao exercer a sua primeira função de dominador sobre o restante da natureza terrena, o homem percebeu que estava só, sentimento este que foi observado por Deus. Sem a providência divina de criação da mulher e, por conseguinte, da família, o homem não teria condições sequer de dominar o restante da natureza, pois, acometido que estava de um sentimento de solidão, de falta, não teria condições psicológicas epara se impor frente aos demais seres.

- Alguns estudiosos costumam dizer que a mulher é uma criatura mais excelente que o homem, porque é o resultado do suprimento de uma carência do homem, sendo, portanto, por assim dizer, um aperfeiçoamento da criação divina. No entanto, se bem observarmos a narrativa bíblica, chegaremos à conclusão de que não é a mulher a criação mais excelente na humanidade, mas, sim, a criação da família, pois foi a criação desta instituição que significou a supressão da carência tanto do homem (que havia motivado a criação da mulher), como da própria mulher. O texto bíblico é claro ao indicar que a tão-só criação da mulher era uma condição necessária, porém não suficiente para que se tivesse a solução da questão da solidão. Esta solução, diz-nos o texto sagrado, somente se deu a partir do instante que Deus estabeleceu que homem e mulher, doravante, se uniriam, formando famílias, de modo a permitir que o propósito divino de domínio e frutificação fosse realizado e concretizado pela humanidade. Assim, é a família a mais excelente criação divina para a humanidade, a “obra-prima de Deus”.

- Sem a família, pois, não pode o homem atingir o propósito estabelecido por Deus quando de sua criação. Não há como o homem atender ao que lhe é exigido pelo seu Criador sem que exista a família. Sem a família, o homem não pode sequer ser considerado um homem no sentido estrito da Palavra e as conseqüências que têm vindo à sociedade moderna em virtude do intenso e progressivo processo de desintegração familiar que temos contemplado é uma prova do que estamos a dizer. Via de regra, os criminosos mais hediondos que têm surgido, que nem sequer se portam como seres humanos, tamanha a sua bestialidade, verdadeiras bestas-feras em corpo humano, são pessoas que foram vítimas da ausência da instituição familiar no histórico de suas vidas. A destruição da instituição familiar representa, assim, a própria destruição da humanidade, da imagem e semelhança de Deus na vida dos seres humanos e é por isso que o adversário de nossas almas, que nos odeia e nos detesta, tem investido tanto na destruição desta instituição. Destrua-se a família e estarão destruídos os seres humanos e, por conseguinte, toda a sociedade.

OBS: Uma das maiores demonstrações da dificuldade de nossos tempos está, precisamente, em observarmos que o adversário de nossas almas, o deus deste século, tem conseguido obnubilar a própria concepção de família no meio da humanidade, algo que, para não se dizer que se trata de implicância ou desvario dos crentes, é observado por diversas pessoas, inclusive o ex-chefe da Igreja Romana, que, em 1981, assim afirmou: “…A FAMÍLIA nos tempos de hoje, tanto e talvez mais que outras instituições, tem sido posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. Muitas famílias vivem esta situação na fidelidade àqueles valores que constituem o fundamento do instituto familiar. Outras tornaram-se incertas e perdidas frente a seus deveres, ou ainda mais, duvidosas e quase esquecidas do significado último e da verdade da vida conjugal e familiar. Outras, por fim, estão impedidas por variadas situações de injustiça de realizarem os seus direitos fundamentais….” (JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Familiaris Consortio, nº 1. www.vatican .va Acesso em 01 mar.2004).

- Neste ponto, é importante esclarecermos que o objetivo da família é o de permitir o cumprimento do propósito divino estabelecido para o homem, qual seja, o domínio sobre a criação na Terra, bem como a frutificação e multiplicação na face da Terra e o suprimento da necessidade de companheirismo. A família, portanto, tem como finalidade o suprimento de necessidades relativas à vida sobre a face da Terra, ou seja, a família não tem qualquer finalidade no tocante à vida eterna, como bem explicou Jesus quando questionado pelos saduceus, a indicar que, na eternidade, não haverá a instituição familiar humana (Mc.12:25), pois a família humana terá sido substituída pela Igreja, que é a família de Deus (Ef.2:19), o povo de Deus que habitará para sempre com o Senhor (Ap.21:3).

- Isto não quer dizer que a promessa de um lar feliz não tenha um propósito espiritual, pois, como sabemos, toda promessa de Deus tem, em primeiro lugar, um propósito espiritual. Quando se mostra que a primeira finalidade da família é a frutificação, que não deve ser entendida como reprodução biológica, mas, sim, como a produção de frutos espirituais, tem-se evidente que a família é o ambiente propício para que o homem cresça e se desenvolva no aspecto espiritual, no seu relacionamento com Deus, o que é evidente propósito espiritual, portanto. No entanto, este propósito espiritual da família tem a ver com a “vida debaixo do sol”, ou seja, a família tem o objetivo de fazer com que o homem possa ter uma vida espiritual abundante enquanto não é chamado para conviver com o Senhor na dimensão da eternidade.

- Tanto assim é que o Salmo 128, chamado por alguns de “o salmo da família”, é bem claro ao demonstrar que o lar feliz é resultado, primeiro, de uma vida de comunhão com Deus (“bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos Seus caminhos”), mas tem como objetivo a “vida debaixo do sol”, visto que, em virtude desta obediência, come do trabalho das suas mãos, é feliz, próspero, tem a mulher como videira frutífera, os filhos como planta de oliveira, sendo abençoado desde Sião, vendo os bens de Jerusalém em todos os dias da sua vida e os filhos de seus filhos e a paz sobre Israel. Percebe-se, neste salmo, que não se sai da dimensão terrena. Há uma perspectiva da “vida debaixo do sol”, pois a promessa diz respeito aos “dias de sua vida”. O propósito só não termina com a morte, porque há uma promessa de continuidade de bem-estar, de permanência do exemplo, a promessa da posteridade para as gerações futuras, simbolizada pela oportunidade de se verem, nos seus dias, os netos (“os filhos de seus filhos”). Neste passo, aliás, de se mencionar outro Salmo, desta feita o de número 78, onde a importância do ensino da Palavra para as gerações futuras é, também, anunciado (Sl.78:4-8).

- Entendida a finalidade da família e sua circunscrição a esta dimensão terrena de nossa vida, podemos, então, estabelecer quais seriam as funções da família, qual o seu papel diante da sociedade e de cada ser humano, segundo o propósito estabelecido por Deus.

- A primeira função da família é, conforme observamos na própria Palavra de Deus, a de propiciar a perpetuação da espécie humana. A Bíblia diz que o ser humano foi feito macho e fêmea (Gn.1:27), para que houvesse a frutificação e multiplicação do gênero humano (Gn.1:28). Assim, a primeira função da família é permitir a reprodução da espécie, para que se cumpra o propósito divino para o homem. Tal afirmação bíblica é acolhida, sem restrições pela sociologia. Como afirmam os renomados sociólogos norte-americanos Paulo Horton e Chester Hunt, “…cada sociedade depende principalmente da família para a produção de filhos. Teoricamente, são possíveis outros arranjos, e muitas sociedades têm sistemas para a aceitação de crianças produzidas fora de um relacionamento matrimonial. Porém, nenhuma estabeleceu um conjunto de normas para o suprimento de filhos, exceto como parte de uma família.” (Sociologia, p.170-1). Assim, em dias de profundo desprezo pela instituição do casamento, que, é o meio legítimo para a constituição de uma família, tiveram os legisladores e juristas de estender o conceito de família, a fim de poder abrigar os filhos decorrentes de relacionamentos amorosos que têm surgido nestes nossos dias trabalhosos, tudo porque não se consegue conceber como se pode propagar a espécie senão num ambiente familiar.

OBS: Disto não escapou sequer o Brasil que, na Constituição de 1988, teve de criar duas novas espécies de família para que se impedisse a desproteção dos filhos. Assim é que reconheceu como sendo família não só a oriunda da união estável entre homem e mulher, sem casamento, como também a comunidade formada por um dos pais e seus descendentes(artigo 226 da Constituição da República). Aliás, recentemente, na lei que criou a renda mínima, também se alargou o conceito de família.

- A segunda função da família é a de regrar o relacionamento íntimo e sexual entre homem e mulher. A frutificação e a multiplicação não se fariam desordenadamente, a exemplo do que ocorre com a maior parte das espécies animais irracionais, mas o homem e a mulher, para poder se reproduzir e cumprir o desígnio divino, teriam de constituir solenemente a família, através do casamento (Gn.2:23,24). Como afirmam os já mencionados sociólogos Horton e Hunt: “…a família é a principal instituição através da qual as sociedades organizam e regulam a satisfação dos desejos sexuais…todas as sociedades esperam que a maioria dos contatos sexuais ocorra entre pessoas que suas normas institucionais definem como tendo acesso legítima uma à outra…nenhuma sociedade é inteiramente promíscua.”(op.cit., p.170). A história demonstra que onde a sociedade deixou de ter a família como o ambiente adequado para o relacionamento sexual, gerando, por conseguinte, a disseminação da imoralidade sexual e da prostituição, a civilização simplesmente desmoronou, a sociedade deixou de existir como tal. São exemplos bíblicos do que estamos a dizer a geração dos dias de Noé, a geração dos dias de Ló nas chamadas cidades da planície (Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim), bem como o reino do norte, isto é, o reino de Israel nos dias do profeta Oséias.

- A terceira função da família é a chamada função de socialização, ou seja, a família é o meio pelo qual o ser humano é inserido na vida em sociedade. É na família que o homem aprende as regras e a forma de convivência com os seus semelhantes e com o próprio Deus. Ao estabelecer que o homem deveria frutificar e multiplicar-se sobre a face da Terra, Deus afirmou que isto deveria ser feito para que os homens pudessem sujeitar a criação terrena (Gn.1:28). Ora, ao dizer que a frutificação e a multiplicação antecederiam ao domínio, Deus, implicitamente, estava afirmando que os filhos, resultado desta frutificação e multiplicação, deveriam ser conscientizados de que o homem havia sido criado para dominar a criação na Terra. Esta informação, esta conscientização, que nada mais é senão a “educação” (palavra latina que significa orientação, direção, condução para um determinado lugar), é, portanto, uma das tarefas primordiais da família. Esta função educadora da família, que, no ato da criação, foi apenas implicitamente indicada nas Escrituras, foi explicitamente considerada pelo Senhor na dispensação da lei, quando Moisés determinou que os pais nunca deixassem de instruir e de ensinar seus filhos os mandamentos dados por Deus a Israel (Dt.6:6-9), algo que, posteriormente, foi relembrado em forma poética pelo salmista (Sl.78:1-8).

- A quarta função da família é a chamada função afetiva, ou seja, a família é o local estabelecido por Deus para que o homem e a mulher não se sintam sós, mas possam se complementar, possam alcançar satisfação e prazer. Diz-nos as Escrituras que foi para retirar este sentimento de solidão que se abateu sobre Adão após a nomeação dos animais que Deus criou a mulher e, em seguida, a instituição familiar. A família é o lugar em que o homem e a mulher se sentem realizados do ponto-de-vista humano, em que se satisfazem todos os sentimentos e emoções que vêm da própria alma. O homem é um ser social, não foi feito para viver sozinho e, somente na família, esta necessidade é suprida. Como afirmou, com muita propriedade, a Constituição “Gaudium et Spes”, documento do Concílio Vaticano II, que foi a reunião que estabeleceu os atuais parâmetros da doutrina da Igreja Romana, …Deus não criou o homem solitário. Desde o início, ‘ Deus os criou varão e mulher’ (Gn.1,27). Esta união constituiu a primeira forma de comunhão de pessoas. O homem é, com efeito, por sua natureza íntima, um ser social. Sem relações com os outros, não pode nem viver nem desenvolver seus dores. Deus, portanto, como lemos novamente na Escritura Sagrada, viu ‘ serem muito boas todas as coisas que fizera’ (Gn.1,31).” (Gaudium et Spes, nº 12.In: Compêndio do Vaticano II. Ed. Vozes, p.154-5). Horton e Hunt afirmam que “…seja o que for que as pessoas precisam, uma delas é a resposta humana íntima. A opinião psiquiátrica sustenta que provavelmente a maior causa isolada de dificuldades emocionais, problemas de comportamento e até de moléstia física é a falta de amor, isto é, a falta de um relacionamento cálido e afetuoso com um pequeno círculo de pessoas íntimas…”(Sociologia, p.171). O conteúdo afetivo da família está demonstrado nas Escrituras quando se afirma que, na constituição da família, o homem deverá deixar seu pai e sua mãe e se apegar à sua mulher (Gn.2:24). São dois gestos de forte teor emocional e sentimental: deve-se deixar pai e mãe, ou seja, existe um vínculo, existe algo que prendia o homem à sua família, e, ao mesmo tempo, deve-se apegar à sua mulher, isto é, deve-se criar um vínculo, um “cordão de três dobras” no novo casal (Ec.4:12). A existência deste relacionamento afetivo na família é tão característico que, para figurar o Seu relacionamento amoroso com o homem, Deus não usará outro símbolo senão o da própria família, pondo-se como Pai e Seu Filho como Noivo da Igreja.

OBS: A presença do afeto na família é tão peculiar a este grupo social que, na atualidade, em meio à própria descaracterização da família frente aos princípios bíblicos, que os juristas têm, cada vez mais, considerado que o que identifica uma família nos nossos dias é, precisamente, a existência da “afeição” entre os integrantes de um núcleo familiar. Neste sentido, aliás, vale a pena aqui reproduzir o pronunciamento do pastor batista Gilson Bifano na 84ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira, realizada em 2003: “…Que é uma família?

Não podemos continuar aceitando a definição clássica de família como sendo tão somente quando vivem sob um mesmo teto um casal e um ou mais filhos. Temos, como igreja, de rever nosso conceito de família, ampliar nossa visão e pensar nos vários tipos de família. Temos em nossas igrejas: – famílias conjugais. São aqueles casais sem filhos ainda ou que não tiveram filhos; temos famílias nucleares, compostas de pai, mãe e filhos;- temos famílias unipessoais (onde só uma pessoa mora numa casa, podendo ser um solteiro, uma viúva, ou uma divorciada). – temos as famílias monoparenterais quando há somente a presença de um dos pais e a família ampliada ou extensa. Quando nós, como igrejas, pensarmos nessa amplitude, teremos melhores condições de ajudar as famílias a serem a realização do plano de Deus para a sociedade. Na Bíblia, encontramos exemplos de vários de tipos de família. – famílias monoparenterais, como é o caso de Agar e Ismael, depois de serem expulsos por Sara. – família de solteiros, como parece: Marta, Maria e Lázaro.

- também no Novo Testamento, encontramos a família nuclear formada por José, Maria, Jesus e seus irmãos.

- temos exemplo de uma família conjugal, um casal que aparentemente não teve filhos, como é o caso de Áquila e Priscila.

- vemos também no Novo Testamento o caso de Pedro, que possivelmente tinha a sua sogra por perto, e é exemplo de uma família ampliada. Uma pastoral ou um ministério com famílias não deve ter como alvo somente os casais da igreja….” (Gilson BIFANO. A família e os desafios de um novo tempo. http://www.clickfamilia.org.br/familia/index_lista_resultado.asp?ID=620 Acesso em 05 mar.2004).

- A quinta função da família é a função protetora. Como ensinam Horton e Hunt, “…em todas as sociedades, a família oferece um certo grau de proteção física, econômica e psicológica a seus membros…” (op. cit., p.172). É na família que nós encontramos proteção, ou seja, na família, nós temos um “lar”, um local onde somos acolhidos e desfrutamos de liberdade, um lugar onde está a nossa privacidade e intimidade. Nos povos pagãos, era no ambiente familiar que se invocava a proteção das divindades dos antepassados, os chamados “deuses lares”. Este ambiente de intimidade e de privacidade peculiares à família é a razão e fundamento de vários dispositivos legais adotados pelos povos civilizados, como as garantias da inviolabilidade do domicílio (ninguém pode penetrar na casa de alguém, mesmo que tenha ordem judicial para tanto, durante a noite) e do segredo de justiça que envolve as disputas forenses relativas a causas familiares. Deus sempre tratou a família com integral respeito relativo a esta intimidade, algo que, lamentavelmente, não tem sido observado em algumas igrejas locais. A família é inviolável, é o espaço criado por Deus para que as pessoas desfrutassem de sua intimidade e privacidade. Em várias ocasiões, vemos o Senhor determinando este respeito, como, por exemplo, no episódio da Páscoa, em que as famílias deveriam ficar em suas residências, somente se permitindo que famílias pequenas se reunissem(Ex.12:3,4), ou, então, no milagre da ressurreição da filha de Jairo, quando se permitiu apenas que o núcleo familiar estivesse com Jesus e Seus discípulos mais íntimos (Lc.9:51). O lar é um ambiente de proteção, de intimidade, resultado da vida de afeto que se estabelece entre os cônjuges e entre os cônjuges e seus filhos. Mais uma vez, a família é usada como figura do relacionamento entre Deus e o homem, quando, no sermão do monte, Jesus afirma que devemos orar a Deus como nosso Pai e, portanto, num ambiente de intimidade (Mt.6:6).

- A sexta função da família é a função econômica. Horton e Hunt, com propriedade, afirmam que “…a família é a unidade econômica básica na maioria das sociedades primitivas…”(op.cit., p.172). Ainda que, na nossa sociedade atual, esta função econômica tenha perdido, consideravelmente, sua importância, vez que “.exceto na fazenda, a família já não é mais a unidade básica de produção econômica…tornou-se, na verdade, uma unidade de consumo econômico, fundada no companheirismo, afeição e recreação….”(op.cit., p.176), o fato é que a subsistência da chamada “população economicamente inativa” (crianças, inválidos, idosos sem condições de trabalhar, desempregados crônicos etc.) continua sendo uma tarefa da instituição familiar, mormente em países subdesenvolvidos, como é o caso do Brasil, em que a infra-estrutura de assistência social é , ainda, sofrível. Tanto assim é que a nossa Constituição comete, primordialmente, à família a tarefa de sustento das pessoas que não têm condições de trabalhar e de se sustentar (artigo 203 da Constituição da República: “A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente da contribuição à seguridade social e tem por objetivos:…….V – a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não ter meios de prover á própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.” – grifo nosso). A função econômica da família foi estabelecida por Deus logo após a bênção que deu ao primeiro casal, ao determinar que a natureza estava à sua disposição para obterem o necessário mantimento (Gn.1:29,30), mantimento este que passou a ser obtido com dificuldade e de forma penosa, depois do pecado do homem (Gn.3:17-19). O cuidado que se deve ter no sustento dos integrantes da família é algo que deve sempre estar na mente dos verdadeiros e autênticos crentes, porquanto foi o que se observou na vida de Jesus e de Sua família terrena (Mt.13:55; Mc.6:3).

- A sétima função da família é a função de “status”, ou seja, é através da família que o ser humano obtém a sua primeira posição na sociedade, posição esta que pode ser alterada, mas jamais alguém deixa de ocupar o lugar que lhe dá a estrutura social pelo fato de pertencer a uma determinada família. Deus, ao estabelecer a família, determinou que seria através dela que o homem ocuparia a sua posição de dominador sobre a criação na Terra. Também, ao estabelecer as regras que regeriam o povo de Israel, teve o cuidado de nunca permitir que as famílias e, conseqüentemente, as tribos de Seu povo se descaracterizassem e se misturassem entre si (Nm.27:1-11), tendo, também, sido proibido o aparentamento com os estrangeiros descompromissados com a lei do Senhor (Dt.7:1-4;Ed.9,10). A família deve manter a sua posição diante de Deus, temos de servir a Deus e levar nossa família a também fazê-lo, para que, em nossas vidas, seja uma realidade a afirmação de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”.

II- AS CONDIÇÕES PARA A PROMESSA DE UM LAR FELIZ

- Nota-se, portanto, que o papel da família para o ser humano é fundamental para que o homem cumpra, em toda a sua plenitude, o papel que o Senhor lhe reservou na ordem do universo. Não é por outro motivo, pois, que Deus prometeu ao ser humano que a família seria um ambiente de felicidade e de satisfação, tanto espiritual quanto emocional e material.

- Desde o início, a família está relacionada com a promessa de bênção da parte de Deus. Assim que Deus criou o primeiro casal é dito que Ele os abençoou (Gn.1:28) e esta bênção estava relacionada diretamente com a família, pois se tratava de uma tríplice bênção: frutificação, multiplicação e alcance da plenitude da terra, propósitos que o homem, de modo solitário, jamais poderia atingir.

- Não há como desvincular a família da satisfação, alegria e felicidade que Deus promete aos homens. Sem a família, o homem jamais poderá produzir o fruto esperado pelo Senhor (que é o fruto do Espírito Santo, pois o homem deve amar a Deus e ao próximo como a si mesmo e, portanto, jamais produzirá a integridade do fruto do Espírito se não estiver em sociedade, sociedade cuja base é a família), jamais poderá se multiplicar, como também não pode encher a terra, visto que a reprodução biológica e a manutenção da vida social e da comunhão com Deus nesta reprodução de gerações dependem da existência e formação contínua de famílias.

OBS: A propósito, vemos como o diabo trabalha sempre contra os propósitos divinos, na medida em que tenta, de todas as maneiras, através da destruição da família, criar obstáculos para que o homem atinja a bênção de Deus. Assim, luta tenazmente para que não só o homem não produza o fruto do Espírito, escravizado que está pelo pecado, como alimenta e estimula práticas na sociedade que vão no sentido contrário à bênção divina, como, por exemplo, o ataque ao casamento, única forma legítima de constituição de famílias, o estímulo às “uniões homossexuais”, onde a reprodução é impossível ou, por exemplo, à “libertinagem sexual”, para criar homens e mulheres sem afeto e sem amor para com os bons.

- A promessa de um lar feliz, portanto, é dirigida a toda a humanidade, pois a bênção divina se deu quando da criação, alcançando, assim, tanto a Igreja, quanto aos judeus e aos gentios. É por isso que se explica que, mesmo entre judeus e gentios, famílias bem estruturadas, ainda que não formadas por salvos, produzem êxito, sucesso e bem-estar não só a seus integrantes, quanto às sociedades onde elas se estabelecem. Deus abençoou a humanidade e deu a vida familiar como um sustentáculo para se ter equilíbrio e condições para cumprimento das tarefas do homem junto à ordem cósmica.

- No entanto, esta promessa divina, embora seja geral, é uma promessa condicional, pois depende de o homem seguir os parâmetros estabelecidos por Deus para a vida em família. Como já dito supra, tendo sido Deus o criador da instituição familiar, a Ele, e somente a Ele, cabe determinar como deve ser a vida em família. Assim, a bênção de Deus virá apenas se a família viver de acordo com estes princípios e regras estabelecidos pelo Senhor e que estão nas Sagradas Escrituras.

- Ao contemplarmos a Bíblia Sagrada, percebemos que a bênção de Deus sobre a humanidade estava condicionada à obediência ao Senhor. Em Gn.2:16,17, vemos que Deus condicionou a comunhão com Ele à obediência. Quando o homem quebrou este compromisso, pecando, um dos primeiros pontos atingidos foi, precisamente, o da família, como se verifica de Gn.3:16, quando se mostra que o pecado trouxe problemas de relacionamento entre o homem e a mulher, bem como, em Gn.4, vemos como o pecado destruiu o relacionamento entre irmãos.

- Esta circunstância fica mais evidente quando analisamos a lei de Moisés. Embora a lei fosse circunscrita ao relacionamento entre Deus e Israel, tratou-se de um progresso na revelação de Deus aos homens e, se o pecado, entrando no mundo, trouxe problemas para a família, é na lei que vemos, em primeiro lugar nas Escrituras, como deveriam se moldar os relacionamentos familiares a fim de que se tivesse sobre eles a bênção divina. A condicionalidade da promessa do lar feliz evidencia-se na lei, quando o Senhor mostra a Israel que a felicidade no lar dependia da observância de Sua Palavra.

- Em Dt.6:6-9 e 11:18-20, Moisés mostra ao povo de Israel que era fundamental que, em se tendo a observância individual da Palavra do Senhor, fosse esta mesma doutrina ensinada aos familiares, como condição “sine qua non” (ou seja, indispensável) para que se tivesse a felicidade no lar, para que se atingissem os propósitos de Deus para a família e para cada um de seus integrantes.

- A promessa de um lar feliz, portanto, exige a prévia observância dos mandamentos do Senhor, sem o que não se terá a bênção de Deus.

- A primeira regra prevista para um relacionamento familiar sadio é o que mesmo seja construído sob o amor e a divina orientação do Senhor. Uma família não pode ter outro alicerce senão o amor, não um amor carnal, um mero instinto sexual, mas um amor verdadeiro, vindo dos céus, um amor que signifique disposição a, desinteressadamente, buscar o bem e o êxito do outro, um amor altruísta, portanto. É neste sentido que devemos entender os deveres impostos a maridos e mulheres na Bíblia Sagrada (Ef.5:22-29).

- O amor conjugal tem como finalidade a construção de um projeto de vida comum entre o marido e a mulher. Quando Adão viu Eva, afirmou que ela era “osso dos seus ossos”, “carne da minha carne” (Gn.2:23), ou seja, havia uma unidade de propósitos, de fins, de objetivos, passavam, como diz o texto sagrado, a ser “uma só carne” (Gn.2:24). Ser uma só carne não é apenas ter relações sexuais, mas é muito mais do que isto, é estabelecer um só projeto de vida. Uma família precisa ter um só plano de vida , um propósito de vida em comum, para o bem de todos em amor.

- Para que uma família seja bem construída, entretanto, faz-se preciso que ela seja nasça segundo a orientação divina, de acordo com a vontade de Deus. O primeiro casal foi criado por um ato divino (Gn.2:22) e assim deve ser a criação de toda e qualquer família. Devemos buscar intensamente a Deus para que construamos nossa família de acordo com a sua vontade.

- Neste ponto, aliás, realça aqui uma questão importante, que tem ganhado relevância, notadamente em nosso país, diante do reconhecimento como entidade familiar pela nossa lei da chamada “união estável entre homem e mulher”, o que é popularmente conhecido como “amasiamento”, “concubinato” , “amancebamento” , entre outras denominações. Embora a nossa Constituição tenha, para efeito de proteção do Estado, reconhecido este tipo de união como formadora de família(art.226, § 3º), o fato é que as pessoas que procuram este tipo de união, ao invés do casamento, cujas regras e deveres são sérios, solenes e explicitamente estabelecidos em lei, demonstram não querer assumir responsabilidades, não ter sinceridade e desejo de, realmente, formar “uma só carne” com o companheiro, comportamento que revela, desta forma, uma incompatibilidade com um caráter genuinamente cristão, onde deve imperar a santidade(I Pe.1:15), a verdade(Jo.17:17) e a transparência (Fp.4:5). Além do mais, diz a Bíblia, que, entre os cristãos verdadeiros, o casamento deve ser venerado, ou seja, respeitado e levado com a devida seriedade (Hb.13:4).

- O amor conjugal é uma comunhão de vida, é o desejo de construir com o outro uma nova vida, uma vida distinta da vivida até então, onde se levará em conta o outro e não a si mesmo (I Co.7:4). O jurista romano Modestino, que viveu antes de Cristo, já dizia que “o casamento é a comunhão de vida humana e divina entre um homem e uma mulher”, ou seja, até mesmo entre os pagãos havia o reconhecimento de que o casamento impõe uma unidade de vida material e espiritual, de modo a permitir a construção de uma nova vida. É por isso que a Bíblia, ao apresentar a formação da família, diz que o casal deve deixar pai e mãe e se apegar a seu cônjuge, formando um novo grupo social, uma nova família, com objetivos, fins e “modus vivendi” próprio. É por este motivo que não pode o casal querer continuar na dependência de seus pais, fonte de um sem-número de problemas que, não raras vezes, acabam gerando a própria destruição do casamento. A Palavra de Deus manda que o casal deixe seus pais, que estes não venham a participar da constituição da nova família, pois sua interferência não está no propósito divino para a construção de lares sólidos e que sejam verdadeiros altares para a adoração do Senhor.

- Esta unidade de propósitos (Ez.37:19, parte final), também, revela que a família deve ter uma mesma direção espiritual, pois se trata de uma comunhão que se estabelece entre homem e mulher e esta comunhão deve ser, sobretudo, espiritual. É por este motivo que não pode o servo de Deus unir-se a um ímpio em casamento, pois se terá um jugo desigual, que gerará um conflito interno insuperável e que não poderá resultar senão em grandes problemas e tribulações, já que não há comunhão entre a luz e as trevas (II Co.6:14; Jo.3:19-21). Um servo de Deus que, deliberadamente, desobedece às Escrituras e se une a uma pessoa ímpia, terá uma vida familiar extremamente difícil, porquanto as Escrituras consignam que a felicidade na vida conjugal depende da união e da existência do “cordão de três dobras”, ou seja, de uma perfeita comunhão entre Deus, o marido e a mulher (Ec.4:12). Como poderão andar dois juntos, se não estiverem de acordo ? (Am.3:3).

- Desnecessário seria dizer, a esta altura do estudo, que o amor conjugal não se limita apenas a aspectos físicos. Um dos grandes enganos que o adversário tem propugnado, nos últimos tempos, é a idéia de que a vida a dois resume-se a aspectos sexuais. O sexo faz parte do amor conjugal, mas, além de a sexualidade não se circunscrever à genitalidade, como tem sido propagandeado nestes dias maus que vivemos, também não é o único aspecto do amor entre marido e mulher. Entretanto, como Jesus já havia profetizado, este desprezo ao casamento e à própria família é uma das características marcantes do período imediatamente anterior à volta de Jesus (Mt.24:37-39).

- Marido e mulher, como já vimos, devem viver em união, em unidade de propósitos, não querendo um dominar ao outro, mas sabendo que nem mesmo os próprios corpos estão sob seu domínio, mas, sim, sob o domínio do cônjuge. Homem e mulher têm estruturas físicas, sentimentais e emocionais diversas e Deus, que os criou (Gn.1:27), sabe muito bem destas diferenças. Daí porque estabeleceu funções distintas para o marido e para a mulher na vida conjugal, o que não é senão a constatação de que eles são seres distintos, embora, diante de Deus, sejam iguais, pois para o Senhor não há acepção de pessoas (Dt.10:17).

- Uma das conseqüências do pecado do homem foi o término da situação original de equilíbrio e harmonia entre ambos os sexos (Gn.3:16). O pecado trouxe ao mundo a injustiça, a iniqüidade (I Jo.3:4), de forma que não é de se admirar que, desde então, o homem tenha estabelecido, nas relações sociais, a começar da relação familiar, uma injusta superioridade sobre a mulher. Como relataram as Nações Unidas, na década de 1990, na conferência sobre a situação da mulher, esta tem sido discriminada em todas as classes sociais, em todos os países do mundo, sem qualquer exceção, uma comprovação de que a Palavra de Deus é a verdade. Entretanto, no princípio não foi assim e o estatuto bíblico da família não pode, em absoluto, ser utilizado para confirmar ou aprovar algo que é fruto do pecado. Uma família cristã está livre do poder do pecado, não tem qualquer compromisso com o mundo e, portanto, deve refletir o modelo bíblico original, que é o da igualdade de tratamento, o da igualdade de direitos, mas o da diversidade de funções e de atividades.

OBS: “…Essa cultura arcaica de diminuir a mulher não tem fundamento no espírito da Criação. (…). As mulheres não podem ser diminuídas diante dos homens em nada; o Senhor ordenou que fosse uma só carne, isto é, iguais. Eles completam um ao outro para tornar possível a procriação e dar ao fruto nascido o privilégio de ser um indivíduo portador de um corpo físico, ama, espírito e, sobretudo, da imagem do Criador.(…) O Senhor também não fez a mulher inferior ao homem em termos espirituais; ela também traz consigo a imagem do Criador e é possuída de um espírito imortal e assexuado como os homens. Quando o texto bíblico diz que o Senhor criou macho e fêmea à Sua imagem, Ele não determinou se um deles seria maior ou menor em autoridade…”( Osmar José da SILVA. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.2, p.63-4).

- O marido, diz a Palavra de Deus, deve ser a cabeça do casal (I Co.11:3), ou seja, a direção, o planejamento familiar, a estruturação dos projetos, dos fins a ser perseguidos deve ser de iniciativa e decisão do marido. Isto, entretanto, não quer dizer, como têm entendido os homens brasileiros, típicos machistas latino-americanos, que o marido deva ser um ditador no lar, o único senhor, o dono absoluto da verdade, que pela ameaça, pela força física e pela brutalidade domine os demais membros da família. Em primeiro lugar, a Bíblia diz que, embora o marido seja a cabeça da mulher, Cristo é a sua cabeça (I Co.11:3). Ora, toda e qualquer decisão, toda e qualquer autoridade do marido está submetida a Cristo e à Sua vontade. O marido é, assim, mero despenseiro de Cristo no lar e, como tal, deve ser achado fiel ao seu Senhor (I Co.4:1,2). Quão diferente é, pois, o modelo bíblico do que vemos, freqüentemente, nos lares de crentes brasileiros !

- Em segundo lugar, ser a cabeça do casal importa em ter capacidade intelectual, em pensar, em ter condições de dirigir os demais membros da família. Lamentavelmente, vemos, hoje em dia, famílias desorientadas, perdidas, em que a mulher é obrigada a tomar decisões e a dar as rédeas na sua casa, porque o marido não tem juízo, não pensa, não raciocina, não se comporta como um verdadeiro “macho”. Na Bíblia, o “macho” é aquele que pensa, que projeta, que planeja, não o que espanca, bate e usa da força bruta. Um marido que não tem capacidade de planejamento, que não prever todas as hipóteses possíveis corre o risco de deixar sua família em situação difícil, ainda que seja santo, como é o caso do profeta cuja viúva teve de ter o socorro miraculoso de Eliseu para superar a dificuldade por ele deixada (I Rs.4:1-7).

- Em terceiro lugar, ser a cabeça do casal importa em capacidade de amar como Cristo amou a Igreja, ou seja, o marido precisa ter o amor divino (que os gregos denominavam de “agape”), um amor desinteressado, um amor disposto ao auto-sacrifício. Ser cabeça da família é estar disposto a se sacrificar pela mulher e pelos filhos, a se prejudicar para que a família tenha um mínimo de dignidade. Muitos supostos crentes gostam de mandar, de exigir obediência, submissão, mas são preguiçosos, não buscam obter uma melhor e maior remuneração, não gostam de trabalhar, não querem servir mas ser apenas servidos. Não são maridos que estejam cumprindo a Palavra de Deus.

- Em quarto lugar, ser a cabeça do casal é tomar a decisão, mas não significa imposição da vontade sem a participação dos demais membros da família. A Bíblia informa-nos que Deus, que é Soberano, não impõe a Sua vontade ao homem, busca a sua anuência, convida para o Seu projeto. Ora, se Deus é assim, por que o marido seria diferente ? Vejamos a forma de expressão de Jesus em Sua oração sacerdotal: ” tendo consumado a obra que me deste a fazer “(Jo.17:4b), ou seja, houve uma proposta do Pai ao Filho, que foi aceita e cumprida. O marido, portanto, deve propor e obter a aceitação da mulher e dos demais integrantes da família para os propósitos assumidos, propósitos estes que, como vimos, têm de ter, primacialmente, a aprovação divina.

- A mulher, dizem as Escrituras, devem ser sujeitas a seus maridos (Ef.5:22). Ser sujeita significa estar debaixo de uma base, de um lançamento, de uma plataforma (do latim “sub jectum”). A mulher, portanto, deve orientar suas sensações, emoções e intuições de acordo com os planos, projetos e finalidades traçados pelo marido. Não há, portanto, como se exigir sujeição da mulher quando não há tais planos, projetos ou finalidades.

- A mulher deve se unir ao marido nos planos e projetos assumidos, fazendo-o por amor e não por medo, conveniência ou qualquer outro sentimento. Diz o texto sagrado que a sujeição deve ser como ao Senhor, o que implica em sujeição por amor, com dedicação, confiança, humildade, fidelidade e lealdade. Nada mais antibíblico, portanto, do que a idéia que tem sido difundida de que o casamento ou a vida familiar tradicional seja algo contrário à dignidade da mulher ou à sua independência. A mulher, como o homem, não foram feitos para serem “independentes”, pois dependem um do outro para se completarem, para que possam transformar em realidades todo o potencial humano. A chamada “liberação feminina” é mais uma das mentiras satânicas e resultado de uma postura antibíblica dos homens, inclusive de cristãos, que confundem a sujeição da mulher com opressão, escravidão ou algo semelhante.

- A mulher tem o direito (diríamos, mesmo, o dever) de opinar junto a seu marido sobre os planos, projetos e objetivos que devem ser buscados pela família, usando de sua capacidade intuitiva aguçada, de sua sensibilidade e emoção para que seja tomada a melhor decisão. Até pelo fato de ser mais sensível e intuitiva do que o homem, a mulher é um importante canal para que seja obtida e comunicada a vontade de Deus num determinado fim perseguido pela família. Jesus deixou-nos claro que a mulher é a principal fonte de comunicação para a divulgação de Seus propósitos, como vemos nos exemplos da profetisa Ana (Lc.2:38) e das mulheres que foram ao túmulo vazio (Lc.24:9).

- A mulher é a principal responsável pela manutenção do afeto e da sensibilidade nas relações familiares, seja como mãe (Is.49:15), seja como mulher (Pv.31:11; Ct.3:1).

- A administração do cotidiano do lar, segundo os planos e diretrizes decididos pelo marido, deve ficar com a mulher, pois sua intuição e sensibilidade são fundamentais para que a família possa suprir todas as suas necessidades econômico-financeiras, de higiene e vestuário entre outras (Pv.31:13-27).

- A primeira regra sobre o relacionamento entre pais e filhos diz respeito à honra que os filhos devem devotar a seus pais. Um dos dez mandamentos, o único mandamento com promessa, afirma que os filhos devem honrar pai e mãe para que os seus dias fossem prolongados na terra (Ex.20:12; Dt.5:16; Ef.6:2,3). Os filhos devem, portanto, respeitar seus pais, ser-lhes obedientes e dar-lhes a devida dignidade. A honra envolve o reconhecimento dos filhos de que seus pais são um dos fatores primordiais da sua existência e não se resume apenas na obediência, que é um fator importante, mas não exclusivo. Honrar pai e mãe envolve, também, zelar pela imagem social dos genitores, evitando que os pais sejam alvo de calúnias, injúrias e difamações na sociedade onde vivemos. Lamentavelmente, vemos que, nos nossos dias, há um grande incentivo para que os filhos critiquem e denigram a imagem de seus pais na sociedade. Aliás, dentro da filosofia mundana hoje reinante, é imperioso que o jovem ou o adolescente xinguem, difamem e desprezem seus pais perante os seus amigos e companheiros de grupo. Isto tudo contraria o que ensina a Palavra do Senhor.

- A obediência aos pais é condicionada. Como bem explana o apóstolo Paulo, a obediência aos pais somente tem sentido enquanto estiver em consonância com a obediência ao Senhor (Ef.6:1). É a isto que a Bíblia denomina de obediência justa. Devemos obedecer a Deus, em primeiro lugar, depois aos homens (At.5:29). Assim sendo, os filhos não devem obedecer a seus pais quando esta obediência significar pecado, ofensa a Deus. Dizemos isto pois, há alguns anos atrás, tivemos a surpresa em saber que um crente chegou a se queixar das professores da Escola Dominical de seu filho, porque, ao mandar seu filho mentir para um cobrador que lhe batia a porta, dizendo que não estava, o filho falou a verdade, “desobedecendo” ao Pai. A que ponto chegamos !

- Dar a devida honra aos pais significa, também, amparar-lhes na dificuldade e, primordialmente, quando em idade avançada. Este princípio, aliás, além de ser bíblico, é até, no Brasil, um dever constitucional, como se observa no artigo 229 da Constituição da República, que afirma que “… os filhos maiores têm o dever de ajudar os pais na velhice, carência ou enfermidade”. É triste vermos que, hoje em dia, muitas pessoas que se dizem servas de Deus abandonam seus pais idosos à própria mercê, delas não cuidando, nem com elas se importando, numa atitude de ingratidão que põe em dúvida a sua suposta conversão ao Senhor.

OBS: O Corão, livro sagrado dos islâmicos, em diversas passagens, afirma este dever dos filhos para com os pais. Assim, por exemplo: “…Dize (ainda mais): Vinde, para que eu vos prescreva o que vosso Senhor vos vedou: Não Lhe atribuais parceiros; tratai com benevolência vossos pais; não sejais filicidas, por temor à miséria- Nós vos sustentaremos, tão bem quanto aos vossos filhos…” (6:151). Os judeus, também, tinham este pensamento: “…Quando atingiam a maturidade, os filhos e as filhas tinham a obrigação de sustentar os pais, da melhor maneira que pudessem, quando isto tornasse necessário. Deveriam tomar conta deles com devoção na doença e na velhice. ‘Meu filho,’ escreveu Jesus Ben-Sira, o grande mestre de sabedoria de Jerusalém (c. do início do século II a.E.C.), ‘ajuda a teu pai na velhice, e não o aborreças enquanto ele for vivo, e tem paciência com ele se a mente dele fraquejar. No entanto, nem todos os filhos e filhas judeus comportavam-se como modelos de devoção a seus pais nas horas das adversidades. Esses réprobos aparecem ilustrados no dito popular judaico, cheio de amargura:’ um pai pode sustentar dez filhos, e no entanto dez filhos não podem sustentar um pai.’…” (Nathan AUSUBEL. Relações familiares, esquemas tradicionais de. In: JUDAICA, v.6, p.712).

- A segunda regra constante da Bíblia Sagrada com respeito à relação entre pais e filhos é de que os pais devem ensinar a Palavra do Senhor a seus filhos (Dt.6:6-9). Moisés é bem incisivo ao afirmar que os pais deveriam intimar a Palavra do Senhor a seus filhos. Intimar é mais do que ensinar, é mais do que orientar. Intimar é determinar, é falar com autoridade a doutrina. Tanto assim é que, hoje em dia, usamos a expressão “intimar” sempre que uma autoridade chama alguém para que compareça em algum lugar. É um chamado de quem tem autoridade. Dentro desta perspectiva, vemos que os pais somente se incumbirão deste dever se forem verdadeiros imitadores de Jesus. O Senhor, ao proferir o sermão do monte, fê-lo com autoridade (Mt.7:29). Assim, os pais, ao ministrarem a Palavra do Senhor, devem não apenas demonstrar conhecimento racional, mas, sobretudo, devem, com sua vida, mostrar aos filhos um verdadeiro testemunho cristão. A multidão ficou admirada com Jesus não pelo que Ele dissera, pois muito do que disse já tinha sido dito pelos escribas e pelos fariseus. Entretanto, os escribas e fariseus ensinavam uma coisa mas viviam outra totalmente diversa. Como será que nossos filhos têm nos visto ? Como escribas ou fariseus ou como Jesus ?

OBS: ” …Se a felicidade da família judaica girava em torno de uma relação harmoniosa entre marido e mulher, o objetivo principal era o de educar filhos retos e devotos(…). Esse relacionamento entre a educação de filhos dignos, o estudo da Torah (no entender dos devotos, essa era a estrada principal para a virtude) e a recompensa final da vida eterna, formaram uma venerada tradição da religião judaica.(…). Constitui um fato singular o de que em nenhuma outra religião se considera obrigação categórica dos pais assumir a responsabilidade primeira, como educadores, dos próprios filhos. Entre os judeus, em tempos antigos, essa tarefa era considerada uma missão precípua e sagrada. ‘Abençoado é o filho que estudou Torah com o pai, e abençoado o pai que instruiu o filho !’, regozijava-se um antigo Sábio…” (Nathan AUSUBEL. Relações familiares, esquemas tradicionais de. In: JUDAICA,v.6, p.708-9).

- Está aqui um dos maiores problemas que temos enfrentado nas famílias de crentes nos nossos dias. Os pais não têm um bom testemunho. Assim, não se sentem à vontade para ensinarem seus filhos a Palavra do Senhor ou, quando o fazem, criam um ambiente de total falta de autoridade, já que não podem ensinar com autoridade. Como dizer aos filhos que se deve orar e ler a Bíblia diariamente, se os pais não o fazem ? Como ensinar seus filhos que devem ir à igreja assiduamente, se não o fazem ? Como querer que os filhos tenham intimidade com o Senhor, se não lhes ensinam as passagens bíblicas ? Instruir o menino no caminho em que deve andar, eis o que manda dizer a Bíblia Sagrada.

- Devemos dedicar parte de nosso dia à devoção individual, mas também devemos dedicar parte de nosso dia para a devoção familiar. Como poderemos ser responsáveis diante de Deus com os nossos filhos, se não nos preocupamos em seu crescimento espiritual ? Há muitos crentes que, numa forma absurda, defendem que os filhos devem, primeiro, atingir a maturidade para que decidam se servirão a Deus, ou não. Este pensamento é um conceito antibíblico e que não pode ser compartilhado por um verdadeiro crente. O crente ama o próximo como a si mesmo e como poderá deixar ao léu o seu próprio filho ? Como considerar como possível que um filho seu, que nasceu num lar de um crente, possa ser mantido à margem da Palavra de Deus, à margem de um contacto mais íntimo com o Senhor ? Evidentemente trata-se de uma astuta mentira satânica, a que muitos crentes têm dado crédito.

- Se quisermos ser valorosos instrumentos na mão do Senhor, temos de começar em nossas próprias famílias, junto a nossos filhos. Não é por acaso que Deus inicia o ministério de muitos escolhidos Seus, na Bíblia Sagrada, com determinação para que este ou aquele nome fosse dado a um filho do vaso escolhido. O gesto de dar nome a um filho é a primeira relação que se estabelece entre pai e filho e é neste primeiro ato da relação entre pai e filho que começa o ministério do homem de Deus (cfr. Gn.5:21; Is.8:3,4; Os.1:4-11). No Novo Testamento, um dos requisitos para que sejam escolhidos ministros na casa de Deus é o seu comportamento junto aos filhos (I Tm.3:4,5), pois, como diz o texto sagrado, como alguém que não cuida bem de seus filhos, poderá cuidar bem da igreja de Deus ?

- Mas, para que haja a instrução na Palavra do Senhor, é mister que se tenha comunicação entre pais e filhos. Um dos grandes problemas que temos, nos nossos dias, é a falta de diálogo entre pais e filhos. Pais não se comunicam com os filhos, não há sequer uma conversa um pouco mais longa entre pais e filhos durante vários dias na semana. O corre-corre do cotidiano agitado de nossas cidades, não raras vezes, faz com que pais e filhos não estejam em casa na maior parte dos dias e até não se vejam durante dias. Entretanto, este estado de coisas deve ser driblado pelos pais, pois a falta de comunicação entre pais e filhos é uma brecha que impedirá que se erga um muro contra o pecado e o mal em volta de nossos filhos. Devemos cuidar para que, pelo menos durante um período, a família possa conversar diariamente e dialogar, momento em que, senão diariamente, com uma freqüência no mínimo semanal, seja realizado também um culto doméstico. É preciso que cuidemos da estrutura espiritual de nossos filhos, mas devemos dialogar e ficar sabendo dos sentimentos, das preocupações, das lutas de cada um. Esta falta de convívio no lar é uma necessidade indispensável para os filhos e, se em casa eles não conseguirem ter esta atenção e cuidado, começarão a procurá-lo fora de casa e, sem dúvida, encontrarão quem se disponha a dar-lhes afeto entre os agentes de Belial (más companhias, narcotraficantes, pessoas prostituídas e prostituidoras etc.).

- Mesmo dentro de casa, temos a possibilidade de vermos ser erodido o pouco tempo que teríamos para desfrutar de um convívio familiar. Os meios de comunicação têm sido responsáveis diretos pela ausência de diálogo e comunicação entre pais e filhos. Em vez de conversarem, de ensinarem a Palavra de Deus, muitos pais preferem dar atenção a programas de televisão ou a navegações na internet, de modo que a orientação bíblica e afetiva acaba sendo substituída pelas mensagens explícitas ou subliminares das programações destes meios de comunicação, mensagens estas que, via de regra, divulgam e estimulam condutas totalmente contrárias à Palavra do Senhor. Sobre os meios de comunicação, devemos aqui enfocar que este tempo não pode ser desperdiçado. Que os pais possam seguir os conselhos de Paulo e remir o tempo, porque os dias são maus (se já o eram no tempo de Paulo, que dirá hoje, em que sentimos que a vinda do Senhor se aproxima) (Ef.5:15,16; Cl.4:5).

- O culto doméstico deve ser uma reunião simples, com reverência, em que, numa mensagem que possa ser compreendida por todos, a família louve ao Senhor, ore e compartilhe de suas ansiedades e expectativas, agradecendo a Deus pela salvação e livramentos e pedindo a intervenção divina para a supressão das necessidades existentes. Com a participação de todos, ouça uma mensagem do Senhor através de algum de seus membros e, depois, seja o culto encerrado. Parece algo muito simples, mas sua freqüência trará resultados que só no futuro os pais saberão. Temos a certeza de que o adversário procurará sempre impedir a realização deste culto, mas, com fé no Senhor e discernimento, poderemos restaurar esta grande arma que temos à nossa disposição para a boa educação e formação de nossos filhos.

- A terceira regra que vemos no relacionamento dos pais com os filhos é a que os pais não devem provocar a ira a seus filhos (Ef.6:4). Aqui temos um mandamento que inclui a questão da correção dos filhos pelos pais, questão importante e que deve ser analisada dentro de seus parâmetros bíblicos.

- Os gentios possuíam regras extremamente duras no que respeita à correção dos pais pelos filhos. Até mesmo os romanos, que foram o povo que mais avançou na Antigüidade em termos de direito, reconheciam ao pai o direito de vida e de morte sobre os filhos, ou seja, o pai era o senhor absoluto do filho. A própria palavra “família” contém a idéia de posse e de propriedade, pois “famulus” era o escravo, o servo. Assim, o filho não tinha melhor condição, em certo aspecto, do que o próprio escravo. Esta idéia acabou sendo herdada pela cultura originária de Roma, onde se incluem os povos latinos, como o nosso.

- Entretanto, a Bíblia Sagrada trazia um outro conceito quanto a este assunto. Os pais foram considerados, como já vimos supra, como pessoas que tinham deveres em relação aos filhos, algo que era impensável no ambiente gentílico. Assim, embora tivessem autoridade sobre os filhos, os pais são concebidos, na Palavra de Deus, como alguém que age com autorização divina, a Quem incumbe, com exclusividade, todo o senhorio. Em sendo assim, os pais devem atuar com respeito a Deus e debaixo dos princípios divinos. Não podem os pais decidir sobre a vida e a morte de seus filhos, portanto, nem tampouco atingir-lhes a integridade física, moral e psíquica. Falamos isto pois, há uns três anos atrás, ficamos constrangidos ao sermos interpelados por uma assistente social forense que nos pediu esclarecimentos sobre os ensinamentos das Assembléias de Deus com relação à educação de filhos, pois os últimos três casos graves de maus-tratos naquela cidade tinham sido praticados por pais que se diziam membros assíduos e participantes de nossa denominação.

OBS: “…O controle e a disciplina das crianças eram cuidadosamente moderados pelos suaves preceitos que os Sábios Rabínicos haviam ensinado. Eles fornecem um estudo curioso em contraste com os regulamentos legais e os costumes dos pais em voga entre os romanos e seus contemporâneos. Segundo a lei romana, o pai, enquanto estivesse vivo, continuava sendo o senhor absoluto das ações e dos destinos dos filhos. Entre os judeus, entretanto, o filho, depois de casado, ficava livre para levar uma vida independente, e, contanto que se conduzisse honestamente e não fosse culpado de desrespeito filial, não era responsável por seus atos perante o pai. Desde os primeiros anos da Era Rabínica, os pais eram advertidos para que não fossem desmedidamente rigorosos com os filhos, especialmente ao impor disciplina aos filhos e às filhas mais velhos. Era-lhes apontado que o castigo muitas vezes faz com que a criança fique amargurada e ressentida, e poderia provocar nela um comportamento agressivo, prejudicando assim a sua atitude e afetando-a para toda a vida. Ao contrário, os pais eram aconselhados a demonstrar tolerância e a agir suave e pacientemente com uma criança rebelde ou desobediente, usando com ela da razão ao invés da força (…). Tornou-se uma prática tradicional e bastante generalizada entre os judeus o corrigir os filhos não violentamente, com a vara, mas suavemente, com amor, e com a argumentação. Duas máximas do Talmud tornaram-se linhas mestras para os pais: ‘ Não ameaces a uma criança; castiga-a ou perdoa-lhe… Se tens que bater em teu filho, faze-o com um cordão de sapatos’…” (Nathan AUSUBEL. Relações familiares, esquemas tradicionais de.In: JUDAICA, v.6, p.710)

- Não ter o direito de ofender a integridade física, moral e psíquica dos filhos não significa, em absoluto, que o pai não tenha o direito de corrigir seu filho, direito, aliás, que é, antes de tudo, um dever. A correção do filho é uma demonstração de amor do pai pelo filho (Hb.12:9). Não corrigir o filho, deixá-lo à própria sorte, como têm defendido muitos psicólogos e apologistas da libertinagem nos nossos dias, é algo impensável para quem tem responsabilidade com os filhos que trouxe ao mundo, como também compromisso com Deus.

- É preciso corrigir o filho, inclusive com uso moderado da força física, se necessário for, pois, como diz Salomão, ” não retires a disciplina da criança; porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá” (Pv.23:13). Observe bem o que diz o texto sagrado: devemos fustigar a criança com a vara, ou seja, podemos corrigir a criança com uso de força física, mas desde que o façamos com moderação, com equilíbrio. Fustigar significa bater com alguma coisa flexível, levemente, sem causar traumas, hematomas ou ferimentos. A nossa lei civil, inclusive, diz que somente perde o poder familiar (ou seja, a autoridade sobre os filhos), o pai (ou mãe) que castigar imoderadamente o filho (artigo 1638, I do Código Civil), numa prova de que a idéia que tem sido divulgada (em especial pela mídia) de que não se pode sequer encostar num filho para fins de correção é uma mentira e mais um movimento em prol da desordem e da destruição da família. O castigo equilibrado é possível e não constitui em qualquer ilegalidade perante os homens, bem como diante de Deus.

- Agora, para que um pai possa corrigir, é preciso que, antes, ele tenha ensinado seu filho. O que temos visto é que muitos pais têm corrigido seus filhos, têm castigado sem que, antes, tivessem ensinado seus filhos. Os pais devem agir conforme os ensinamentos da Bíblia Sagrada e as próprias Escrituras indicam quais são os níveis que devem ser seguidos pelos pais, os mesmos níveis com os quais Deus nos ensina a seguir Sua vontade(cfr. II Tm.3:16). Em primeiro lugar, os pais devem ensinar seus filhos. Ninguém nasce sabendo e precisamos ensinar nossos filhos o certo e o errado, o que agrada a Deus e o que não Lhe agrada. Em segundo lugar, devemos redargüir nosso filhos, ou seja, caso não tenham compreendido o ensinamento dado, devemos repeti-lo, mormente nos dias em que vivemos em que o bem virou mal e o mal, bem (Is.5:20). Embora ensinemos nossos filhos a Palavra de Deus, é certo que sofrerão eles a influência dos ambientes que estão a freqüentar, o que os levará a tomar atitudes contrárias aos nossos ensinos. Devemos, então, redargüi-los, ou seja, repetir os ensinamentos. O terceiro nível é o da correção. Se houver, após a repetição dos ensinos, a repetição da atitude errônea, chega o momento do castigo, o momento da correção, com a utilização de medida que seja suficiente para a correção.

OBS: “…é responsabilidade dos pais dar aos filhos criação que os prepare para uma vida do agrado do Senhor. É a família, e não a igreja ou a Escola Dominical, que tem a principal responsabilidade do ensino bíblico e espiritual dos filhos. A igreja e a Escola Dominical apenas ajudam os pais no ensino dos filhos….” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Pais e filhos.p.1839).

- Quando corrigirmos nossos filhos, não podemos, em hipótese alguma, demonstrarmos revolta, ódio, raiva ou ira. Se o pai estiver com este sentimento, não deve disciplinar seu filho naquele instante. Deixe para um instante em que estes sentimentos e emoções deploráveis tenham passado, pois o objetivo da correção não é a vingança contra o filho, nem criar revolta, ódio ou amargura entre pai e filho. É preciso que tudo seja feito com a finalidade de ensinar a virtude e o valor para o filho. Verdade é que a correção gera uma tristeza momentânea no filho(Hb.12:11), mas jamais podemos permitir que esta tristeza se torne em amargura e, muito menos, em raiz de amargura (Hb.12:15). Tudo deve ser feito debaixo da orientação divina e com temperança, ou seja, domínio próprio, que é uma das qualidades do fruto do Espírito Santo (Gl.5:22).

OBS: ” …Na criação dos filhos, os pais não devem ter favoritismo; devem ajudar, como também corrigir e castigar somente faltas intencionais, e dedicar sua vida aos filhos, com amor compassivo, bondade, humildade, mansidão e paciência (Cl.3.12-41,21)….” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL.Pais e filhos.p.1839).

- É este o sentido da expressão bíblica “não provocar a ira aos filhos” que se encontra em Ef.6:4. Devemos agir de tal maneira que o nosso amor seja sentido pelo filho, ainda que inconscientemente. Um dos grandes erros da educação dos antigos, movidos ainda pelo traço cultural remanescente da idéia de senhorio absoluto sobre o filho, era o de desconsiderar totalmente o filho, quase que desumanizá-lo, considerando-o como um saco de pancadas, como um local de descarga de frustrações. Isto somente gera ódio e revolta e, com tristeza, vemos que o comportamento de muitos crentes tem sido este, a afastar seus filhos da igreja. Sem dúvida, este tem sido um dos principais fatores para explicar porque, sendo apenas 20%(vinte por cento) da população brasileira formada de evangélicos, os filhos de evangélicos representem praticamente 40% (quarenta por cento) da população carcerária ou de unidades de adolescentes infratores, uma triste estatística a demonstrar quanto temos de nos movimentar para cuidar de nossas famílias.

OBS: ” Os pais são responsáveis pela educação dos filhos. Deus tem os pais como responsáveis por educar os filhos – não os avós, nem escolas, nem o Estado, nem grupos para jovens, nem colegas ou amigos. Embora cada um desses grupos possa influenciar as crianças, o dever final continua com os pais, e especialmente com o pai, a quem Deus nomeou como ‘chefe’ para comandar e servir a família. São necessárias duas coisas para se ensinar: uma atitude correta e uma base sólida. Uma atmosfera permeada de críticas destrutivas, condenação, expectativas irreais, sarcasmo, intimidação e medo ‘provocarão a ira de uma criança’. Em tal atmosfera, não pode ocorrer um ensinamento profundo. A alternativa positiva seria uma atmosfera cheia de estímulo, ternura, paciência, escuta, afeição e amor. Em tal atmosfera, os pais podem construir nas vidas dos filhos a preciosa base do conhecimento de Deus….” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Dinâmica do Reino. Ordem familiar. Ef.6.4, p.1331). Este mesmo princípio encontra-se reproduzido na Constituição brasileira, no artigo 229, que diz que “Os pais têm o dever de assistir, criar, educar os filhos menores…”, como também no Código Civil, que coloca como primeiro dever dos pais ” dirigir-lhes a criação e educação” (artigo 1634, inciso I).

- Outra regra do relacionamento entre pais e filhos é a que determina que os pais criem seus filhos na doutrina e admoestação do Senhor (Ef.6:4b). Já falamos supra sobre a necessidade de os pais ensinarem a seus filhos os valores e os princípios estabelecidos por Deus nas Escrituras. Mas, além de ensiná-los a Palavra de Deus (e só pode ensinar quem já aprendeu), é necessário que estejamos sempre prontos a guiar nossa conduta educativa na Palavra do Senhor. Devemos ensinar e corrigir conforme a Bíblia nos ensina. Todas as nossas decisões em relação aos nossos filhos deve levar em conta, em primeiro lugar, o efeito que terá sobre a vida espiritual de nossos filhos aquela decisão. Lamentavelmente, muitos têm feito enormes planos e se sacrificado sobremodo para dar a seus filhos o melhor que puderem em várias áreas de sua vida, mas estão totalmente despreocupados com a vida espiritual de seus filhos. Sacrificam-se para saciar desejos consumistas de seus filhos, para deixá-los “na moda”, com os brinquedos de última geração, atualizados com os diversos modismos que surgem a cada instante, de estudarem nas melhores escolas, de terem os principais modos de lazer, mas não se preocupam com a vida espiritual de seus filhos. Não buscam o reino de Deus e a sua justiça para seus filhos, em primeiro lugar (Mt.6:33), e o resultado é um grande fracasso espiritual que atrairá outros fracassos nos outros campos da vida. É preciso que ponhamos Deus em primeiro lugar nas vidas de nossos filhos, para que eles possam optar por mantê-lO nesta posição quando alcançarem a maturidade.

OBS: ” É obrigação solene dos pais (gr. pateres) dar aos filhos a instrução e a disciplina condizente com a formação cristã. Os pais devem ser exemplos de vida e conduta cristãs, e se importar mais com a salvação dos filhos do que com seu emprego, profissão, trabalho na igreja ou posição social (cf. Sl.127.3)….” (BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Pais e filhos. p.1839)

- Por fim, temos o relacionamento entre os irmãos. Este relacionamento deve ser extremamente sadio, guiado pelo amor. Jesus fez-se nosso irmão (Hb.2:11,17) e, portanto, Sua conduta é o exemplo que devemos seguir quando nos relacionarmos com nossos irmãos carnais. Diz a Bíblia que os irmãos devem viver em união e que, nesta união, o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Sl.133). Costumamos espiritualizar os textos bíblicos que se referem aos irmãos, mas nunca devemos nos esquecer de que a figura bíblica nasce de uma relação material que é a de irmãos de sangue. Se somos irmãos em Cristo é porque este relacionamento espiritual retrata o relacionamento carnal ideal que deve haver entre os irmãos. Quando os irmãos não se entendem, a tragédia sobrevém sobre a família como um todo, como vemos nos casos da família de Isaque ou de Davi. Os irmãos devem ser companheiros, ajudar-se mutuamente, respeitar as diferenças de temperamento e de vocações, serem confidentes e prontos a auxiliar o seu irmão naquilo que for necessário.

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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A promessa de um lar feliz – 1

Publicado por Editor em 2007/11/17

A PROMESSA DE UM LAR FELIZ

Pr. Altair Germano

Blog do autor 

1. INTRODUÇÃO

A promessa de um lar feliz transmite a idéia de uma família feliz, visto que a expressão “lar”, dependendo do contexto, pode se referir ao lugar onde a família habita, ou a própria família em si.

Lar, vem do latim lare, que significa parte da cozinha onde se acendia o fogo para preparar os alimentos e aquecer o ambiente; daí se origana o termo lareira.

Segundo o dicionário de Houaiss, o vocábulo “família” pode significar, num sentido mais restrito “grupo social básico, formado por pai, mãe e filhos”, num sentido mais abrangente “pessoas ligadas entre si pelo casamento ou qualquer parentesco”, e ainda num sentido geral “grupo de seres ou coisas com características comuns”.

No hebraico bíblico, o termo para família é mispahah, que significa “família, clã”, isto é, todos os integrantes de um grupo que estavam relacionados por sangue e que ainda sentiam um senso de consangüinidade, parentesco.

No grego do Novo testamento, temos a palavra oikos, que pode significar “habitação, casa, lar ou família (I Tm 5.4) e patria, que primeiramente significa “ascendência, linhagem, tribo (Lc 2.4, At 3.25, Ef 3.15).

A palavra “família” é de origem latina famíliae, e é usada para definir um vínculo doméstico, íntimo.

A família (e/ou lar) é a mais importante instituição social estabelecida por Deus, sendo ela mesma a base de todas as outras. A destruição, inversão de valores, deturpação, descaracterização e a desmoralização da família, implicam diretamente num profundo caos, produzindo os mais terríveis danos à humanidade, quer sejam de ordem moral, espiritual, econômica, fraternal e social.

A preservação do lar e da família depende diretamente da obediência aos princípios estabelecidos por Deus em sua palavra. Negligencia a Bíblia é voltar-se contra o Criador e trabalhar para a destruição das coisas que Ele criou, definidas pelo escritor sagrado como muito boas “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã: o dia sexto.”

2. EXISTE LAR OU FAMÍLIA PERFEITA?

Observemos o que declara o Pr. Josué Gonçalves (1999, p. 11-12)

“Um dos muitos problemas, quando se trata sobre família, é o conceito no meio evangélico, de que, como crentes, nossa família tem que ser perfeita. Afinal, não temos um Deus, um Salvador, a Bíblia, a garantia de uma vida eterna? Isso é o que alegam os defensores desse conceito. Esquecem-se de que a família é formada por pessoas limitadas, imperfeitas, que carregam traumas emocionais, frustrações, que tiveram problemas de orientação na infância, e tudo isso influência a vida comunitária íntima da família. A pregação de que a família deve (ou tem de) ser perfeita leva muitas pessoas a experimentarem frustrações nessa área, pois percebem que este é um alvo impossível de ser alcançado. Como não conseguem alcançá-lo camuflam os problemas, escondendo-os atrás de uma capa de aparência de que ‘tudo vai bem’, quando na realidade não vai. Estes pregadores estão levando as famílias a uma vida farisaica, o que pode ser um dos motivos dos filhos estarem abandonando a fé. Essa atitude torna-se um peso para as pessoas. Não foi isto que Deus planejou para nós seres humanos. Famílias perfeitas não, mas famílias felizes sim.”

O texto acima citado nos conduz para algumas reflexões:

- Em primeiro lugar, a perfeição, embora seja um ideal divino (II Co 13.9, Hb 6.1), é algo que não poderá ser vivenciado plenamente nesta vida devido às limitações que o pecado nos impõem.

- Em segundo lugar, parece-nos que as famílias que mais sofrem como este tipo de problema são as dos obreiros, devido às pressões que sofrem da igreja, e por vezes, do próprio obreiro, exigindo dos seus entes queridos uma conduta “perfeita”, em nome da preservação de sua imagem, não considerando as limitações que a própria natureza humana os impõe. A mulher do obreiro, os filhos do obreiro, embora devam de certa forma zelar pelo ministério do homem de Deus, não podem carregar um fardo impossível de ser suportado.

3. A ORIGEM DO LAR E DA FAMÍLIA

Deus é o criador da família. A criação da família funde-se com a criação da humanidade:

“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move na terra.” (Gn 1.27-28)

Podemos afirmar que o primeiro lar existiu no Édem (Gn 2.8, 15). O lar foi assim preparado e estabelecido por Deus como um lugar de bênçãos e felicidade. A responsabilidade do homem era “cultivar” e “guardar” o seu lar (v.15).

4. A QUEDA DA FAMÍLIA

O pecado entrou na família por meio de uma atitude egoísta e deliberada do homem (I Tm 2.14), conforme detalhes narrados em Gênesis 3.6 “E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.”

5. A CORRUPÇÃO GERAL DA FAMÍLIA

A perda dos referenciais de bondade, santidade, integridade, moralidade e amor, promoveram na família uma corrupção generalizada, “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.” (Gn 6.11-12)

6. SALVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DO LAR E DA FAMÍLIA

A operação da graça de Deus na vida da família pode ser observada pelos seguintes aspectos:

· A salvação profetizada na aliança Adâmica – Gn 3.15
· A salvação figurada na aliança Noética – Gn 6.13-18
· A salvação prometida na aliança Abrâmica – Gn 12.1-3
· A salvação providenciada em Cristo Jesus – At 10.24-48, At 27-34

7. ATRIBUIÇÕES, FINALIDADES OU PROPÓSITOS DE DEUS PARA O LAR E A FAMÍLIA

Segue abaixo uma relação das principais atribuições de Deus para o lar e a família:

Procriação da humanidade e Prazer sexual para o casal (Gn 1.28; Pv 5.15-19) – A prática e o prazer sexual é uma benção de Deus que é legitimada pelo casamento, com o propósito de constituir família e edificar um lar.

Subsistência (Gn 2.15; 3.19) – É no lar e na família que a provisão para o sustento, a alimentação, a vestimenta e outras necessidades básicas de seus membros devem ser supridas.

Educação (Dt 6.4-9) – Um dos grandes erros dos tempos atuais é o fato da família ter terceirizado a educação moral e espiritual dos filhos. Escola e Igreja cumprem hoje o papel principal na formação destes valores, quando na realidade deveriam cumprir um papel auxiliar.

Proteção (Dt 22.8) – O apoio que recebemos da família, a ajuda nos momentos difíceis, o ombro e o peito amigo do marido, da esposa, dos pais e dos filhos, transmitem uma sensação de segurança e proteção insubstituíveis.

Adoração e serviço a Deus (Gn 4.1-5; 26; 8.18-21; 13.1-4; Ex 12.1-21; Dt 6.4-9; 11.18-21; Js 24.15 e outros) – É no lar e na família que a adoração e o serviço a Deus devem ser primeiramente exercitados. A adoração e o serviço na igreja devem ser compreendidos como uma extensão da adoração e do serviço no lar.

8. CONCLUSÃO

O sucesso e a felicidade na família, está em ter a palavra de Deus como fundamento (Mt 7.24-29) e Tê-lo como principal edificador (Salmo 127.1a). Infelizmente, a família cristã tem negligenciado e relativizado os valores cristãos e os princípios da palavra de Deus. O Senhor já não é realmente o edificador de muitos lares e famílias que o confessam e o adoram apenas de lábios. Como resultado, cada dia a família cristã se torna mais infeliz, mais dividida e incapaz de ser sal e luz para os demais lares e famílias da terra.

7. BIBLIOGRAFIA

GONÇALVES, Josué. Família: os segredos do sucesso de uma família bem ajustada. 6 ed. São Paulo: Editora Mensagem para todos, 1999.

HOUAISS, Antonio. Mini Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

LIMA, Elinaldo Renovato de. A Família Cristã nos Dias Atuais. Rio de Janeiro: CPAD, 1989.

VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário VINE: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. 2 ed. Traduzido por Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

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A promessa da verdadeira prosperidade – 6

Publicado por Editor em 2007/11/15

Promessa da Verdadeira Prosperidade

Lição 7 – 4º Trimestre -18/11/2007 – CPAD

Pr. Osiel Varela

Fonte. Blog Estudando a Palavra

TEXTO ÁUREO:Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mateus 6.33.
VERDADE PRÁTICA:A verdadeira prosperidade consiste em ter A Deus como o nosso Supremo Bem, como nosso Criador, Salvador e Senhor.

INTRODUÇÃO:
O que é ser próspero?
Eis a pergunta que viaja na mente de muitos cristãos.
No mundo de hoje somos bombardeados diariamente pelas mídias (televisão, rádio, outdoor’s, revistas…) com notícias como a recente : “faxineira da Google, ficou milionária comprando as ações da empresa”, só que ao ler todo o conteúdo da notícia vamos ver que aquela empresa no seu início dava como benefício e até como forma de pagamento, ações aos seus primeiros empregados, que confiaram numa pequena empresa de então. A senhora que recebeu as ações quando iniciou na empresa as guardou pois valiam centavos de dólares, nada importante, mais com o crescimento da empresa, cada ação, hoje, varia de $650 a 740 dólares.Isto se chama sorte? Não, apenas previdência, não há milagre algum neste caso.
É assim que somos levados, por exemplos como este, ao sonho da riqueza fácil, da mesma forma outros exemplos, nos são apresentados diariamente, revistas mostram os mais ricos,etc.
Infelizmente este padrão do mundo tem entrado no nosso arraial Cristão avassaladoramente, através de Igrejas que adotaram a Teologia da Prosperidade e da Confissão Positiva (veja matéria no site, endereço:http://www.ebdweb.com.br/; Isto está ocorrendo de tal forma, que se você não ao pregar ou ensinar não proclamar uma palavra de Vitória ou Prosperidade para o auditório, o mesmo fica frustrado, com você e com Deus.
Tenho notado que muitos bons pregadores, aos poucos, estão sendo levados por esta Onda de Prosperidade, alguns até inconscientemente e outros conscientes, para manter sua platéia.
Ser Próspero: Alguns crêem que seja ter muitos bens materiais;Outros não ter doenças; Outros ter um bom emprego.
Outros, vivem uma vida de frustrações vendo outros com todos estes bens e ele que vai a Igreja todos os dias (quase todos), é dizimista fiel, é cooperador, vive muitas vezes uma vida de tribulações e dificuldades na sua vidinha pessoal, com dificuldades inúmeras, nisto a Leitura em Classe é extremamente feliz – leia com atenção.
Outros, não poucos, teem até o perfil do que é ter boa situação (carro do ano, casa própria ou financiada), mas as dívidas ou as diversas doenças o afligem e aos seus, trazendo inúmeras dúvidas ao seu coração

É por isto que creio que esta Lição 7, veio em boa hora, para nos trazer um Verdadeiro Alerta neste intricado mundo da vida diária em que as necessidades são prementes e as dificuldades são muitas na vida dos cristãos, tanto quanto dificultam a vida do descrente, só que há “profetas” bradando:

 

Se você vive uma vida de dificuldades, venha em [minha] reunião e sua vida jamais será a mesma!”, outros: “Nós somos filhos de Deus, não podemos viver uma vida de miséria ou de falta, você ainda não descobriu o verdadeiro sentido de ser cristão, venha conhece-lo em [nossas] reuniões de Poder!”; no entanto, é normal encontrarmos muitos destes “Profetas” pedindo ajuda financeira, para pagarem seus programas de rádio, com apelos emocionais e subjetivos, invocando esta mesma qualidade de Prosperidade para aqueles que cooperarem com eles.
A Bíblia nos afirma que todas as coisas acontecem com o justo e com o ímpio, com o que serve a Deus e com o que não serve!

 

Ec.9. 2: “Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao [justo] e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento“.Sl.11.5: “O Senhor prova o [justo] e o ímpio”;Sl.37.16 ; Pv.10. 3: “O Senhor não deixa o [justo] passar fome”; Pv.10. 16: “O trabalho do [justo] conduz à vida”; Pv.11. 31: Eis que o [justo] é castigado na terra; quanto mais o ímpio e o pecador!Pv.13. 25;Pv.15. 6: Na casa do [justo] há um grande tesouro; mas nos lucros do ímpio há perturbação. Que tesouro maior do que ter Cristo em nossa casa, em nossa alma, e sermos Seu Templo.

ENTENDENDO O PERIGO À LUZ DA BÍBLIA:

A. O perigo de colocar a nossa esperança e nos tornarmos altivos por ter riquezas que são extremamente passageiras:
I Tm.6.17: “manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos;”

Este texto de Paulo a Timóteo nos leva a algumas reflexões:

1- as riquezas são incertas e inseguras; quem se lembra do Grupo Matarazzo, ou da Varig, ou da G.Aronson?
2- o texto também nos fala, que todas as coisas são benção de Deus, pois Ele é o Doador de todas as coisas e dono de tudo (fato explorado pelos positivistas e prosperitianos), aí os homens desprezam o termo “todas as coisas”, e o utilizam apenas para aquilo que interessa nesta vida: as materiais.
3- Colocar a nossa Esperança nas riquezas deste mundo será uma solução terrível, pois as riquezas teem o modo comum da vida do homem, tal qual, a nós elas são passageiras. Veja o que diz a Bíblia sobre esta transitoriedade da nossa vida e da posse das riquezas materiais.: Lc.12.20: “Mas Deus lhe disse: Insensato, [esta noite] te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”
O Apóstolo Paulo, nos afirma em I Co.15.19: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”; uma declaração de que existe coisa melhor na vida futura do crente, tais como, a Ressurreição para uma vida eterna com Deus!

 

SOLUÇÃO:
Como resolver então este dilema?
Há um axioma à ser resolvido.
Teremos todos que ser ricos e prósperos porque somos de Deus, seus Filhos ou devemos desprezar as riquezas e vivermos uma vidinha miserável e difícil, e devemos desprezar os bens desta vida exatamente porque somos Filhos de Deus? É quase um silogismo.

  • Primeiro:
    Deus deu Riquezas e Prosperidade a vários homens na Bíblia

Abraão
José do Egito
Davi
Salomão

Analisando estes homens vemos que todos eles encontram-se registrados no Antigo Testamento e são sempre o exemplo das pregações daqueles que pregam a Prosperidade, no sentido material.
Mas o que é prosperidade:
Fonte: Veja a definição do Dicionário Aurélio:
Próspero= propício;favorável, ditoso (venturoso [feliz]), felicidade, afortunado (feliz, venturoso).
Nada há que ligue prosperidade a fortuna material.
Fonte: Bíblia Plenitude:
Prosperar – chashar [.hb] = estar certo; direito; correto; estar alinhado corretamente com certos requisitos [para nós segundo a reta justiça da Palavra de Deus] o sentido transmitido na palavra é que: algo será bem-sucedido simplesmente por causa de sua retidão, mas retidão segundo a palavra de Deus;
Respondemos assim a primeira questão do texto: “O que é ser próspero?”, fundamentalmente é ser ditoso, feliz, ser propício, ser ditoso
Ser bem-sucedido segundo a Palavra de Deus nem sempre é ser rico, conforme a visão do Mundo;veja os exemplos abaixo.
Observando a Bíblia e o caso de José (Zafenate-Panéia, após ser nomeado governador do Egito), filho de Jacó, encontramos esta verdade em sua vida, leia os versículos:

  • Um escravo próspero.Como escravo na casa de Potifar, Gênesis 39.3: “e que tudo o que ele(José) fazia o Senhor prosperava em sua mão”.
  • Um preso próspero.

Mas continuemos no caso de José, Gênesis 39.21,23: “O Senhor, porém, estava com José e estendeu sobre ele a sua benignidade……e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava”.
Veja que a situação de José não era condizente com a Teoria da Prosperidade, mas ele era próspero, ditoso, afortunado, feliz por causa de Deus em sua vida.
Outros usam o exemplo de Abraão, Gênesis 13.2: “Era Abraão muito rico em gado, em prata e ouro”. Particularmente creio que era fundamento da Promessa abraâmica a posse de bens, com base na declaração de Deus, que dele faria uma grande nação, porém, mesmo assim vemos que Abraão não colocou as riquezas em primeiro lugar no seu coração, pelo menos em dois fatos, podemos ver isto acontecer (no pedido de Deus da vida de Isaque; e na disputa dos pastores de Ló, ele deixou a escolha para Ló; não precisamos correr atrás da Promessa).

  • Crentes verdadeiramente prósperos:

O Apóstolo Paulo sabiamente a palavra Prosperidade para ensinar aos crentes de Corinto, a darem suas ofertas conforme as suas Posses; pela exegese do texto entendemos que nem todos eram ricos, mas todos eram prósperos ou conquistavam seu sustento com a Benção de Deus; Paulo usando a palavra prosperidade de maneira inspirada nos faz entender o que é a verdadeira Prosperidade do Salvo em Cristo, da Igreja do Senhor, uma prosperidade que pode repartir o que tem pois Deus cuida de nós, e assim parafraseamos Ex.16.18-a: “ao que tinha pouco não faltou e ao que muito tinha não sobrou” ou II Co.6.10: “como pobres, mas enriquecendo a muitos;como nada tendo, e possuindo tudo.”;Atos 19.25: “….deste ofício temos a nossa prosperidade”. Bíblia ARC – IBB.
I CORINTIOS 16.1,2: “Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galiléia.No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar.”
Como dizem os amantes da Confissão positiva, temos que declarar estas promessas, tomar posse,etc, nenhum destes homens de Deus teve que realizar nenhum ritual evocativo para obter sua Promessa, mas permaneceram apenas confiando em Deus.Bíblia Plenitude.
Para complementar, veja isto: os primeiros homens chamados de prósperos e inteligentes da Bíblia foram de descendência de pessoas amaldiçoadas por Deus (ainda que uma maldição mitigada): Jabal, Jubal (descendente de Caim, filhos de Lameque -homem duro e ímpio), Ninrode (neto de Cão ou Cam).
Quanto a ter riquezas deste mundo a Bíblia é enfática:
As riquezas deste mundo, tanto no Antigo Testamento quanto, no Novo Testamento, demonstram que elas podem distanciar o homem de Deus, pois colocam seu coração nelas e esquecem quem é o doador das bênçãos.
Ec.7.12: Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o [dinheiro]; mas a excelência da sabedoria é que ela preserva a vida de quem a possui.
Mc.10. 23-24: Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm [riquezas]…Não podeis servir a Deus e às [riquezas].
Rm11. 12: Ora se o tropeço deles é a [riqueza] do mundo, e a sua diminuição a [riqueza] dos gentios, quanto mais a sua plenitude!

  • O que acontece quando o coração do Cristão está focado só na questão da prosperidade e riquezas deste mundo:

Há uma extrema dificuldade do homem natural em lidar com a Riqueza ou Prosperidade em sua vida.
I Tm.6.10: Porque o [amor ao dinheiro é raiz de todos os males]; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Males e dores que nos afastam de Deus, e nos aprisionam nas coisas terrenas e passageiras, fazendo-nos colocar o Reino de Deus em segundo Plano.
A Bíblia tem um exemplo sublime ao qual devemos atentar e entender para verificarmos que embora as Riquezas não devam ser condenadas, nem desprezadas pelo povo de Deus, elas devem tomar o seu lugar apropriado na vida do Cristão para que não sirvam de impedimento para o alvo de nossa Maior Riqueza a Vida eterna e o Reino de Deus. O que fazer com as riquezas que “temos”? na verdade somos Mordomos delas:
No encontro do Jovem rico com Jesus, ele foi impossibilitado (possível [dunatos]= ter a capacidade de agir e poder executar o desejo do seu coração pelo apego à sua fortuna), de seguir a Jesus por causa de sua “Riqueza”, deixando o Maior Bem já dado à Humanidade por Deus: O Salvador Jesus Cristo.
Leia os textos: Mt.19. 21: Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, [vende] tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.
Tal fato levou Jesus a afirmar: Mc.10.21-24: E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Uma coisa te falta; vai vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitos bens. Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!E os discípulos se maravilharam destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus!
Chama-me a atenção este “o amou”, demonstra a compaixão de Jesus por todos nós, quando querem os receber as riquezas do Mundo e não deixamos Ele ser a principal Riqueza em nossa vida.
Lc.12.33: Vendei o que possuís, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não envelheçam; tesouro nos céus que jamais acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.Bíblia digital cortesia Tio Sam.
Tal ocorrência levou Cristo a declarar a lição que devemos tirar deste fato, vejamos então Mt.19.25-26: É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.Com isso eles ficaram sobremaneira maravilhados, dizendo entre si: Quem pode, então, ser salvo?Jesus, fixando os olhos neles, respondeu: Para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível. As riquezas podem ser um impeditivo para muitos pois elas abrasam o coração do desejo de sempre querer mais e mais:
Ec.5.10: Quem ama o [dinheiro] não se fartará de [dinheiro]; nem o que ama a riqueza se fartará do ganho; também isso é vaidade. Mt.6. 19-21: Não ajunteis….Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

O Apóstolo Paulo fala sobre outro tipo de Riqueza, que precisamos conhecer:
Quantos de nós desconhecemos este lado da vida humana, que é o relacionamento espiritual com o Mundo de riquezas Prometidas por Deus à sua Igreja.
Rm.11.33: “Ó profundidade das [riquezas], tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!”

  • Servindo a Deus com suas parcas provisões, como a Igreja da Macedônia, estas se tornam em Riquezas para outros, aí está um dos significados da Abundância e Prosperidade do salvo:

II Co.8.2: “…como, em muita prova de tribulação, a abundância do seu gozo e sua profunda pobreza abundaram em [riquezas] da sua generosidade.”

A Verdadeira Riqueza do Cristão:
A verdadeira Riqueza do Cristão está em Cristo Jesus Nosso Senhor e seu sofrimento que nos deu direito a um Tesouro incorruptível e Eterno, através de seu sofrimento na Cruz do Monte Calvário, Monte da Redenção:
Ef.1. 7,18:…em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as [riquezas] da sua graça…que saibais, qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” ; Ef.2. 7: ” para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça…conosco em Cristo Jesus”; Ef.3. 8,16: “anunciar aos gentios as [riquezas] inescrutáveis de Cristo, para que, segundo as [riquezas] da sua glória..”; Fp.4.19: “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas [riquezas] na glória em Cristo Jesus.” Cl.1.27: “Deus quis fazer conhecer quais são as [riquezas] da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória”; Hb.11. 26: “…tendo por maiores [riquezas] o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito (deste mundo), porque tinha em vista a recompensa.”
Qual o Destino das Riquezas e da Prosperidade material:
Entendemos pela Bíblia que o destino das riquezas deste mundo é um destino de destruição, que não se pode compara as Verdadeiras promessas de prosperidade de Deus.O que acontecerá com as riquezas deste mundo:
Tg.5. 2: “As vossas [riquezas] estão apodrecidas, e as vossas vestes estão roídas pela traça.”;Mt.6. 16.20 :”…mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a [traça] nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.”;Ap.18.16: “dizendo: Ai!ai da grande cidade, da que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas! porque numa só hora foram assoladas tantas [riquezas].”
Podem em muitos casos, servir para afastar, o crente de Cristo; quantos oraram pedindo uma benção a Deus e após receberem se afastaram por causa da “necessidade” de cuidar de seus prósperos negócios que se avultam em riqueza?

Conclusão:Nosso entendimento quanto à questão da Teologia da Prosperidade é que, no presente século, após a realização da Obra salvítica, de Jesus Cristo na cruz do Calvário, a questão das riquezas humanas, [muito embora, Deus abençoe a todos os salvos que as teem, sinal que eles conseguiram tira-las do coração] deve ser entendida sobre uma diferente ótica: em primeiro lugar, na vida do Cristão, do Salvo, deve estar o Reino de Deus e a sua Justiça.
O importante agora, é entendermos pelo Espírito Santo, que as riquezas da Igreja, as riquezas do cristão, são agora de cunho espiritual; sendo as riquezas do AT. , algo como Tipo, para as atuais riquezas que Deus concede a Humanidade na Plenitude do preço do sacrifício de seu filho : I Pe 1.18: “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou [ouro], que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais”; Tiago.5.16- também fala da falibilidade dos projetos humanos e condena os ricos deste mundo, afirmando que toda sua riqueza se enferrujará e será testemunho contra os ricos, que colocaram o seu coração nelas.
E o que falar então, do grande exemplo do próprio Jesus Cristo em, II Co.8. 7-9: ‘Ora, assim como abundais em tudo: em fé, em palavra….amor para conosco, vede que também nesta graça abundeis…mas para provar,…conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que pela sua pobreza fôsseis enriquecidos.” Que riqueza por maior que seja que poderemos comparar à esta!Aleluia!
Agora, pois, no Novo Testamento, estamos, segundo a própria definição de próspero ou prosperidade, sob novidade de vida e de requisitos alinhados e diferenciados das coisas deste mundo, e assim alinhados com a Graça (charisma) e dia-a-dia, alinhados com as Bênçãos do Mundo Espiritual, reaberto para nós por Cristo, na Cruz e sendo guiados pelo Espírito Santo.
Desta maneira, devemos entender o texto de Filipenses 4.13: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”, que tem sido o grande grito de guerra do Arraial da Prosperidade, pelo que, os convido a ler pelo menos o contexto menor, do mesmo texto, para que possamos entender o que o Apóstolo Paulo queria dizer, ao proclamar esta verdade completa, e descobrir o segredo de ser vitorioso em Cristo.
Isaías 43.24, diz: “Não me compraste por [dinheiro] cana aromática, nem com a gordura dos teus sacrifícios me satisfizeste; mas me deste trabalho com os teus pecados, e me cansaste com as tuas iniqüidades.”, nínguém adquirirá nada no Reino de Deus com Fortunas, mas tudo só é obtido de Graça.
No Reino de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo a Riqueza material, por si só é incapaz de produzir fruto para a Verdadeira Prosperidade inalcançável sem a Salvação.

Autor: Osiel Varela – Ministro das Assembléias de Deus – Missão. Consagrado no Belém em 26/09/1996.
Congrega em Santo André, V. Curuçá. SP.Pr. Nivaldo Rodrigues.Ligado ao Belém.

Professor de Teologia; Pós – graduado em Bíblia.

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A promessa da verdadeira prosperidade – 5

Publicado por Editor em 2007/11/15

A PROMESSA DA VERDADEIRA PROSPERIDADE

Pr. Altair Germano

Blog do Pr. Altair Germano 

A verdadeira prosperidade é uma promessa bíblica. Já bem explanada esta semana (ver blog ENSINO DOMINICAL), nossa contribuição será mostrar algumas faces da “falsa Prosperidade”, através de uma breve abordagem histórica e teológica. Do ponto de vista pedagógico, é sempre interessante ao falar sobre o que é “verdadeiro” expor também o “falso”. Como sugestão, os professores podem começar sua aula abordando a “falsa prosperidade” com sua teologia e concluir ensinando sobre a “verdadeira” prosperidade.

1. RETROSPECTIVA HISTÓRICA DA TEOLOGIA DA “FALSA” PROSPERIDADE

O evangelho da prosperidade é algo e novo na história da igreja. Seu aparecimento, contudo, se desenvolveu gradativamente e tem sua origem ligada a pessoas, épocas e lugares diversos. Estaremos aqui, lançando um fundamento histórico, que nos conduzirá a um melhor entendimento da sua expansão no Brasil.

Mediante pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre o assunto, duas raízes históricas e filosóficas foram identificadas: pentecostalismo (Barron, 1987) e várias seitas metafísicas do início do século XX, que floresceram na área de Boston (McConell, 1988). Dessas duas fontes, o pentecostalismo forneceu a base ou o grupo onde a teologia encontrou a maior parte de seus adeptos. Embora as igrejas pentecostais e carismáticas acolheram numa proporção maior , foram as seitas metafísicas que forneceram os ensinos e base que deram forma ao evangelho da prosperidade.

2. A RELAÇÃO COM O PENTECOSTALISMO

No final do século XIX, vários pregadores na América do Norte começaram a afirmar, que todos os cristãos tinham o direito à saúde como parte da expiação. Entre os tais destacaram-se A. J. Gordon, fundador de uma respeitada instituição de ensino teológico, e A. B. Simpson, fundador da Aliança Cristã e Missionária. Ambos escreveram livros sobre cura que até hoje são utilizados.

Os ensinos de prosperidade não tiveram origem dentro do pentecostalismo. Contudo, a tendência das denominações pentecostais de aceitarem afirmações de autoridade profética “extra-bíblica”, criou um espaço teológico onde a doutrina da prosperidade pôde se firmar e crescer. A conclusão histórica que aqui fazemos é que, embora portador da doutrina, o pentecostalismo não a tem como parte de suas crenças fundamentais.

2. AS ORIGENS DAS SEITAS METAFÍSICAS

As seitas metafísicas eram assim conhecidas, por ensinarem que a verdadeira realidade é “meta-física”, ou seja, vai além da realidade física. Isto significa que a esfera do espírito não somente é maior do que o mundo físico, mas controla cada aspecto dele e é a causa de todos os efeitos por ele sofrido.

Além da ênfase no “direito a cura”, esta teologia reivindica também o direito a “prosperidade” por meio da confissão positiva. Os ensinos do evangelho da prosperidade convergem para dois homens: Kenneth Hagin e E. W. Kenyon.

Kenneth Hagin – Nasceu em 1918. Teve uma saúde debilitada em sua infância. Complicando mais a situação, ele foi educado num ambiente de relativa pobreza, porque aquela foi uma época difícil na história dos Estados Unidos e também porque seu pai abandonou a família, quando Hagin tinha seis anos de idade. Ao atingir a adolescência, sua saúde piorou. Aos 16 anos de idade foi confinado a uma cama com perspectivas de pouco tempo de vida. Segundo seu testemunho, ele ficou ali durante 16 meses, antes que sua vida mudasse radicalmente para melhor. Segundo ainda ele narra, duas coisas aconteceram para mudar a sua sorte:

a) Ele afirma ter recebido uma série de visões nas quais foi levado primeiro ao inferno e depois ao céu, três vezes em seguida. Ele diz aos seus seguidores que, logo depois disso, recebeu uma revelação do “verdadeiro” significado de Marcos 11.23, 24 e da natureza da fé cristã. A essência dessa revelação era que, para obter resultados da parte de Deus, o fiel deve confessar em voz alta seus pedidos e nunca duvidar de que tenham sido respondidos, mesmo que as evidências físicas não indiquem que a oração foi atendida. Uma vez feita a oração, o fiel deve afirmar constantemente a resposta, até que surja a prova. Essa é, por certo, a essência daquilo que é hoje ensinado como “confissão positiva”. Hagin afirma que a fonte disso não foi outra senão o próprio Senhor.

b) Hagin não teve nenhum treinamento teológico formal. Assim como o apóstolo Paulo, ele diz que nenhum homem lhe ensinou sua doutrina, uma vez que ele a recebeu diretamente de Cristo. (Em contraste com isso, temos Paulo, que antes de ser converter, era um rabino judeu altamente treinado.).

E. W. Kenyon – Tudo indica que Kenyon foi a verdadeira fonte dos ensinos de Hagin. Kenyon foi pastor em várias igrejas, tornou-se evangelista itinerante sem nenhum vínculo denominacional. Ao passar dos anos iniciou suas atividades como radialista e produziu 18 livretos sobre seus ensinos. Kenyon também não freqüentou um seminário teológico. Para ele, a esfera espiritual pode ser controlada pela mente humana, e se o homem entender corretamente as leis espirituais da vida e tiver fé para agir segundo elas, poderá atingir resultados espantosos.

3. OS FUNDAMENTOS DA TEOLOGIA DA “FALSA” PROSPERIDADE

Além da “autoridade espiritual” e da “saúde plena”, esta teologia ensina que a “prosperidade financeira” é um direito do cristão, pois faz parte da expiação efetuada por Cristo. É comum ouvirmos os pregadores da teologia da prosperidade afirmarem que “Deus quer que seus filhos comam a melhor comida, vistam as melhores roupas, dirijam os melhores carros e tenham as melhores coisas. Observemos o que afirmou Hagin:

“… muitos crentes confundem humildade com pobreza. Um pregador certa vez me disse que fulano possuía humildade, porque andava em um carro muito velho. Repliquei: ‘Isso não é ser humilde – isso é ser ignorante!’ A idéia que o pregador tinha de humildade era a de dirigir um carro velho. Um outro observou: ‘Sabe, Jesus e os discípulos nunca andaram num Cadilac.’ Não havia Cadilac naquela época. Mas Jesus andou num jumento. Era o ‘Cadilac’ da época – o melhor meio de transporte existente. Os crentes têm permitido ao diabo lesá-los em todas as bênçãos que poderiam usufruir. Não era intenção de Deus que vivêssemos em pobreza. Ele disse que éramos para reinar em vida de reis. Quem jamais imaginaria um rei vivendo em estrita pobreza? A idéia de pobreza simplesmente não combina com reis” (Autoridade, 48).

Segundo ainda seus ensinos, a pobreza é fruto da falta do conhecimento de seus direitos, falta de fé para afirmar tais direitos ou o diabo o está impedindo de recebê-los. Se houver uma suspeita de que a última causa é o problema, uma sonora repreensão irá liberar tudo aquilo que o cristão tem por direito: “…tudo quanto você precisa fazer é dizer ; Satanás, tire suas mãos do meu dinheiro” (Limiares, 67).

4. CONCLUSÃO

Pela lógica dos ensinos da “Teologia da Prosperidade”, os profetas e apóstolos deveriam ter sido os crentes e homens mais ricos de todos os tempos. Mas ao contrário disto, viveram de forma simples e nos advertiram quanto ao perigo das riquezas (Tg 2.5; 1 Jo 2.15; 1 Tm 6.9-10). O que não dizer do testemunho de vida de João Batista (Mt 3.4), Pedro e João (At 3.6), Paulo (Fp 4.12) e acima de tudo do próprio Jesus (Mt 8.20).

Não somos apologistas da pobreza, é necessário entender que todo desvio doutrinário é resultado de um acréscimo ou de uma omissão de parte da verdade revelada na Bíblia Sagrada. Apesar de atrativa a “teologia da Prosperidade” é danosa, pois tudo que se insurge contra a sã doutrina é prejudicial à vida do cristão.

BIBLIOGRAFIA

PIERATT, Alan B. O Evangelho da Prosperidade. São Paulo: Vida Nova, 1993.

ROMEIRO, Paulo. Super Crentes: o evangelho segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os profetas da prosperidade. 6 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1998.

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