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O blog da Escola Bíblica Dominical

Posts de Agosto, 2007

União de Blogueiros Evangélicos

Publicado por Editor em 2007/08/31

selo7.gifUNIÃO DE BLOGUEIROS EVANGÉLICOS
Divulgando o Evangelho por meio da internet

Fonte: http://blogueirosevangelicos.blogspot.com/

Depois de algum tempo de debate e solicitação de vários colegas da blogosfera cristã, criamos nesta oportunidade o “Blogueiros Evangélicos“, com a finalidade de abrir um espaço onde seja possível unir blogueiros cujos blogs falam eminentemente sobre o Cristianismo e sobre a Palavra de Deus.

A intenção é criar um ambiente virtual onde cristãos comprometidos e dispostos a cumprir o Ide do Senhor Jesus, principalmente no âmbito da internet, possam “dialogar” sobre os diversos temas no que diz respeito ao cristianismo, trocar idéias, debater e, sobretudo, divulgar seus trabalhos.

  • OBJETIVOS
  • Criar um espaço virtual onde congreguem blogueiros evangélicos;
  • Apresentar ferramentas e idéias para a melhoria dos blogs evangélicos;
  • Colocar em debate temas atuais sob o foco da Palavra de Deus;
  • Indicar assuntos para publicação de posts com vistas a defesa da fé cristã;
  • Divulgar os blogs de acordo com os temas abordados;
  • Aprimorar a arte da escrita;
  • Intensificar a participação de cristãos na blogosfera;
  • Trocar dicas sobre blogs e internet.
  • QUEM PODE PARTICIPAR?
  • Todos blogueiros que possuam blogs voltados eminentemente para a divulgação da Palavra de Deus, inserido-se nessa definição a publicação de mensagens bíblicas, estudos, ensaios e comentários sobre fatos sociais à luz da Bíblia, sobre os diversos temas relativos ao cristianismo como teologia, apologia, louvor e adoração, etc.

  • QUAL A CONTRAPARTIDA?
  • A participação nesta União de Blogueiros Evangélicos é completamente gratuita. A única contrapartida que solicitamos é que seja colocado em seu blog um dos nossos emblemas com o link do Blogueiros Evangélicos para a divulgação deste projeto.

     


     

     

     

    • COMO PARTICIPAR?

    Para participar desta União de Blogueiros Evangélicos e ter o seu blog inserido na relação de parceiros, basta simplesmente enviar um e-mail com a solicitação para o endereço eletrônico: comoviveremos@gmail.com, ou então, deixe o seu comentário neste post.

  • SEJA UM COLABORADOR
  • Por se tratar de um blog comunitário, precisaremos de colaboradores para a sua manutenção. Caso você tenha interesse, deixe seu comentário.

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    Enviado em Publicações | 5 Comentários »

    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico – 4

    Publicado por Editor em 2007/08/30

    banner.gif

    PEDRO, UM DISCÍPULO SINCERO e DINAMICO

    Pr. Edevir Peron

     Fonte: http://www.adcorreiapinto.com.br

    Introdução.
    Mediante o tema da lição em estudo, “sinceridade e dinamismo”, são qualidades encontradas na vida de Pedro, o apostolo de Cristo que mais se manifestou em todos os acontecimentos do ministério de Jesus. Apesar de suas franquezas, sempre esteve disposto a auxiliar o seu mestre em todas as circunstancias. Qualidades essas que devem estar presentes também em nossas vidas.

    I. Pedro, pescador de homens (Lc 5.8-10).
    Pedro, sua profissão.

    Pedro era um pescador, juntamente com seu irmão André; e sócios de Tiago e João, também irmãos Lc 5. 10. Sua área de trabalho era o mar da Galiléia. Lago que fica no Norte da terra de Israel. É formado pelo rio Jordão. Mede 21 km de norte a sul, e a sua largura é de 13 km. Tinha peixe em abundância e estava sujeito a tempestades violentas. Era chamado também de lago de Quinerete (Nm 34.11), de Genesaré (Lc 5.1) e de Tiberíades (Jo 6.1).

    Nesse mar e nas cidades adjacentes, Jesus realizou grade parte do seu ministério.

    Residência.
    Pedro tinha sua casa em Cafarnaum Mc 1. 21 e 29. Sua sogra certamente morava com ele Mt 8. 14.
    Você pode ver nas fotos abaixo a ruína de Cafarnaum, e a ruína do templo bizantino, construído sobre as ruínas que se acreditava ter sido a casa de Pedro.

    Seu nome.
    Seu nome próprio; no grego: Simwn (Simôn), em Mt 10. 2. e Simewn (simeôn), em 2Pd 1. 1. Que é a forma abreviada no hebraico שִמְעוֹן (Shimeon), significa famoso.
    Seu nome dado por Jesus; no grego Pέtroς (Petros); que significa pedra pequena. Ou Kηfaς (Kéfas); essa ultima é uma transliteração do aramaico para o grego, que também significa pedra.

    Pescador de Homens.
    Não sabemos por quanto tempo Pedro foi pescador do mar da Galiléia; mas quem sabe desde a sua juventude. Porem agora chegou à hora de mudar de profissão; mas quem quer mudar de profissão, sempre procura algo mais fácil e mais lucrativo; pois todos querem progredir. Mas Pedro, não pensou assim; antes renunciou o seu próprio trabalho para seguir a Cristo.
    Vamos para o texto bíblico: 1 Certa vez, quando a multidão apertava Jesus para ouvir a palavra de Deus, ele estava junto ao lago de Genezaré;
    2 e viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores haviam descido deles, e estavam lavando as redes.
    3 Entrando ele num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, sentando-se, ensinava do barco as multidões.
    4 Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo e lançai as vossas redes para a pesca.
    5 Ao que disse Simão: Mestre trabalhamos a noite toda, e nada apanhamos; mas, sobre tua palavra, lançarei as redes.
    6 Feito isto apanharam uma grande quantidade de peixes, de modo que as redes se rompiam.
    7 Acenaram então aos companheiros que estavam no outro barco, para virem ajudá-los. Eles, pois, vieram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique.
    8 Vendo isso Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.
    9 Pois, à vista da pesca que haviam feito, o espanto se apoderara dele e de todos os que com ele estavam,
    10 bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão. Disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens Lc 5. 8-10.
    Vimos no texto acima que, Pedro e seus companheiro tinham trabalhado a noite toda, e decepcionados por não terem apanhado nada, e muito cansados, lavavam as redes para voltarem para casa descansar. Mas naquele momento se aproxima alguém, seguido de uma multidão. Depois de uma longa noite de trabalho sem nenhum lucro, agora é preciso ainda emprestar o barco para alguém de cima dele falar ao povo? Porem Pedro não questionou, e assim teve a oportunidade de ouvir a mensagem que Jesus pregou naquele dia; e certamente já comovido pela mensagem que ouviu, Pedro recebe a ordem do mestre para lançar novamente as redes; Pedro conta para Jesus que durante toda a noite não tinham pescado nada, mas prontamente obedeceu à ordem e, o grade milagre aconteceu; com o que tinha ouvido de Jesus, mais o milagre; Pedro reconhece ser um pecador; e confessou prostrado aos pés do Senhor, recebeu ali o chamado para o glorioso ministério, “pescador de homens”. E sem fazer nenhuma pergunta, deixou imediatamente as redes, e seguiu a Jesus Mt 4. 20.

    I. Caráter de Pedro.
    Ao começar falar do caráter de Pedro, é bom lembrar que caráter e temperamento são coisas distintas; ainda que muitas vezes o temperamento influencia no caráter. Vejamos em primeiro lugar sobre o temperamento de Pedro; para depois o seu caráter.

    Temperamento.
    Vejamos o que diz o dicionário português Aurélio: [Do lat. temperamentu.]
    S. m.
    1. Estado fisiológico ou constituição particular do corpo; compleição.
    2. O conjunto dos traços psicofisiológicos de uma pessoa, e que lhe determinam as reações emocionais, os estados de humor, o caráter.
    3. Índole, feitio, caráter, têmpera.

    Para um estudo mais aprofundado dos quatro temperamentos; sugerimos a leitura do livro: TEMPERAMENTOS TRANSFORMADOS; De Tim LaHaye. Editora Mundo Cristão.

    Veja no gráfico abaixo os quatro temperamentos, suas qualidades e defeitos.

     


    Extraído do livro: Temperamentos Transformados; de Tim LaHaye. Editora Mundo Cristão.

    Temperamento de Pedro.
    Quando estudamos a Bíblia, nos textos que se referem ao apostolo Pedro; e comparando com o gráfico acima; concordamos com muitos teólogos e estudiosos da Bíblia que o temperamento de Pedro era sanguíneo.

    Qualidades e defeitos.
    Estudando as referencias a seguir, podemos aprender muito com as virtudes e fraquezas de Pedro. E assim; imitar o seu bom caráter.
    Em Mt 4. 20, quando Jesus chamou a Pedro; sua pronta reação foi: “imediatamente deixou suas redes e o seguiu”. Encontramos nos evangelhos as palavras: “então disse Pedro”, mais vezes do que a soma das palavras de todos os demais discípulos.
    Cristo dá o nome Pedro, ou Cefas, a Simão (para designar firmeza) Jo 1. 42.
    Quando Pedro se mostrava fraco ou vacilante, Jesus dirigia-se a ele pelo nome original, Simão, antes do nome que significa pedra Lc 22. 31; Mc 14. 37; Jo 21. 15.

    Também é bom lembrar aqui, que a rocha a que Jesus se referiu, não era Pedro; mais Ele próprio. Vejamos: Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não prevalecerão contra ela Mt 16. 18.
    Quando Jesus se refere a Pedro, a palavra grega usada é Pέtroς (Petros); que significa pedra pequena. E quando Jesus se refere a Ele próprio, a palavra e pέtra (petra), que significa pedra grande, ou rochedo. Em Mt 7. 24, ode Jesus fala da casa sobre a rocha; o termo grego empregado ali é petra. E também em Mt 27. 60 ode diz que o tumulo que Jesus foi sepultado era cavado na rocha; o termo grego ali também é petra. E nas edições das Bíblias em português, em Mt 16. 18. O pronome demonstrativo é “esta” referindo-se a primeira pessoa, ou seja: a pessoa que esta falando; Jesus.

    Certo dia, em um ato impulsivo, Pedro propõe a Jesus para também andar por sobre o mar Mt 14. 29. Logo em seguida Jesus chamou-o de homem de pequena fé Mt 14. 31.

    Quando Jesus perguntou, “e vóz, quem dizeis que eu sou”? Pedro é o primeiro a responder: Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo Mt 16.16;

    Quando Jesus foi abandonado por muitos, e perguntou aos doze se queriam ir também; foi outra vês o sanguíneo que respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” Jo 6. 68.

    Reprova a Jesus Mt 16. 22. É repreendido por Jesus Mt 16. 23.

    Assiste a transfiguração; e foi o único a falar Mt 17. 1-8.

    Fisga o peixe com a moeda na boca Mt 17. 27.

    Foi o único a reagir, quando o seu Mestre ia ser preso; Corta a orelha de Malco Jo 18. 10-11; Lc 22. 50.

    Foi ele que disse a Jesus que morreria com ele Mt 26. 35. Porem; nega a Cristo Mc 14. 68.
    João não teve coragem de entrar no túmulo sozinho Jo 20. 6. mas Pedro entrou Mt 20. 3-8.
    Jesus ressuscitado lhe aparece 1Co 15. 5.

    Jesus que tinha conhecimento da ousadia e esforço de Pedro, disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas” Jo 21.15.

    Assiste a ascensão At 1. 9.

    Fala a Igreja infantil At 1.16.

    Após receber a virtude do Espírito Santo At 1. 8; 2. 1-9.

    Prega no dia de Pentecoste, e ganha quase três mil almas At 2. 14-47.

    Cura o coxo da porta formosa At 3.7.

    Ameaçado pelo Sinédrio At 4. 17.

    Recebe a revelação da mentira, e repreende a Ananias, e Safira At 5. 3.

    Deitam-se enfermos nas ruas, para que quando Pedro passar, sua sombra se projete neles At 5. 15.

    Liberto do cárcere por um anjo At 5. 19.

    Sua defesa perante o Sinédrio At 5. 29.

    Enviado a Samaria At 8. 14.

    Denuncia a Simão, o mágico At 8. 14-24.

    Cura Enéias, paralítico At 9. 34.

    Ressuscita Dorcas At 9. 40.

    Sua defesa em Jerusalém At 11. 5.

    Preso por Herodes At 12. 4.

    Liberto por um anjo At 12. 9.

    No concílio em Jerusalém At 15. 7.

    Sua esposa o acompanha nas suas viagens 1Co 9. 5.

    Apóstolo da circuncisão Gl 2. 8.

    Uma das “colunas” na Igreja primitiva Gl 2. 9.

    Paulo o resiste, Gl 2. 11.

    Escreve duas epístolas 1Pe 1. 1; 2Pe 1. 1.

    Trabalha em Babilônia 1Pe 5. 13.

    Seu martírio predito Jo 21. 18.

    Os escritores antigos testificam que sofreu martírio mais ou menos no tempo que Paulo, nas perseguições de Nero. Orígenes diz que Pedro se sentiu indigno de sofrer como seu Mestre e, por seu próprio pedido, foi crucificado de cabeça para baixo.

    Certamente: Pedro foi vitorioso,
    Devido à oração intercessora de
    Jesus por ele Jo 17. 1-26.

    Conclusão.
    Esse é o homem considerado indouto e sem letras; porem dotados de uma sabedoria sobrenatural; foi um grande exemplo de renuncia, e de zelo pela obra do Mestre. Ele nos deixou o mandamento:
    Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo. E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo 1Pd 1. 15-19.

    Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade.
    2Pd 3. 18.

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    Marketing para a Escola Dominical

    Publicado por Editor em 2007/08/29

    MARKETING PARA A ESCOLA DOMINICAL

    Novo paradigma para a administração e organização da principal agência de educação cristã da igreja 

    Pr. César Moisés

    Fonte: www.escoladominical.com.br

    INTRODUÇÃO 

    Já é por muitos conhecida a urgência de se repensar em um programa de (re)integração dos alunos à ED. A percepção primeira dessa realidade veio da CPAD, quando, após constatar que cerca de 80% da membresia não participava da ED, lançou, em 1996/1997, o Biênio da Escola Dominical, que teve como lema: “Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor” (2Cr 34.15). Desde então, os avanços experimentados pelo principal Departamento da Igreja tem sido de proporções consideráveis. Entretanto, estamos em um outro momento pendular. Naquele o “Livro da Lei”, a Bíblia, livro texto da ED estava “perdido”. Nesse, a metáfora mais adequada é a analogia dos alunos com a décima dracma que foi perdida dentro da própria casa (Lc 15.8 e 9). Assim, devemos “achar” os alunos “perdidos” dentro da Igreja, para depois nos lançarmos à procura da clientela externa. Os novos tempos exigem uma postura diferente. É um novo paradigma que desponta, e devemos nos adequar à nova dinâmica. A gestão educacional da ED precisa, urgentemente, ser mudada.    

    O que é um paradigma

    Segundo o Dicionário de Sociologia, o termo paradigma vem da lingüística. Ele aparece a partir dos estudos do lingüista suíço Saussure, nos anos 20 e nos demais que se seguiram do século XX. Saussure estabeleceu a teoria do signo lingüístico. O que são signos lingüísticos? Os signos lingüísticos são os elementos constituintes de uma língua, os quais se relacionam, ou seja, existem solidários entre si. 

    Pela exigüidade de espaço, não poderemos ver como aconteceu o processo de transformação da terminologia em sua completude. No entanto, relacionamos, apenas a título de informação, o momento em que o termo saiu de seu sentido original e passou a ter uma outra conotação. Segundo o mesmo léxico, a designação de paradigma passou da lingüística para a gramática, designando o modelo de uma classe gramatical. Daí, o termo paradigma passou para a linguagem em geral e entrou nas Ciências Sociais, onde tem igualmente a acepção de modelo ou matriz, de algo que serve de referência.

    Qual o aspecto mais relevante do paradigma 

    O aspecto mais relevante reside em sua capacidade de possuir qualidades ou características que fazem dele um tipo. Isso traz ao paradigma a propensão e tendência de ser reproduzido. Na verdade esse é o seu “objetivo”. A sua carga semântica é forte, pois se liga a norma, ao conjunto de regras que regem determinada situação ou grupo, destinando-se a servir de exemplo, e assim ser imitado.  

    Quem ou o “que” determina o paradigma

    As mudanças com suas ondas de transformações determinam as novas dinâmicas organizacionais. Essas mudanças criam o paradigma. E esse, por seu turno, cristaliza o modelo que vem com a nova onda. Como o homem, se não em todos os sentidos, mas pelo menos em alguns, é produto do meio, evidentemente que haverá o estabelecimento de um conflito no momento do mesmo ser educado “cristãmente” na ED, em contraposição com a educação laica que ele recebe durante a semana na escola. E por que partimos desse pressuposto? Por que, em tese, a escola laica se adequou aos novos tempos, ao novo paradigma educacional, e a ED não. Ela permanece sendo aquela instituição centenária que “todos” “amam”, mantida pela força da tradição, mas que não mudou em nada no sentido administrativo, pedagógico, didático, recepcional e em outras dimensões que fazem parte do bojo organizacional e estrutural da ED. 

    Cientes de que é inadmissível permanecer na postura passiva e resistente do paradigma de visão educacional tradicional, e levando em conta que a nossa tarefa educativa é gigantesca, pois devemos ensinar “todas as coisas que Jesus ensinou” a “todas as nações” (Mt 28.19,20), é imprescindível agora pensar em como realizarmos o nosso trabalho de maneira cristã em moldes contemporâneos. 

    Qual é o novo paradigma educacional

    O novo paradigma educacional em vigência, é o do humanismo, da prevalecência do homem, do pragmatismo, sendo que a ênfase desse último aspecto, conforme postulou John Dewey, recai na tese fundamental de que “a verdade de uma doutrina consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação”. Excetuando os elementos narcisistas e hedonistas desse pensamento, podemos extrair dele boas coisas. Por exemplo, nessa nova dinâmica a compreensão da utilidade do que se está aprendendo é fundamental para cativar alunos. 

    Analisando esse paradigma com as “lentes do cristianismo”, ou seja, passando a encará-lo do ponto de vista da cosmovisão cristã, é possível aproveitar esse momento em vez de ingenuamente negá-lo ou querermos resisti-lo. Persistir em um ensino homogêneo, que considera todos iguais, que não respeita as individualidades cognitivas e meramente informa, é escancarar as portas da ED e obrigar os alunos a se evadirem.  

    Quais as implicações desse novo paradigma para a ED

    As implicações que subentendemos como mudanças a serem implementadas na ED, estão situadas em pelo menos, quatro níveis: 

    a)                     Mudança Estrutural: Esse ponto refere-se não apenas a questão física, predial e mobiliária, mas, principalmente sobre a questão organizacional, administrativa, pedagógica e grupal. A descentralização de poder deverá ocorrer de fato e direito. Mais do que nunca o conselho de Jetro está em voga (Ex 18.13-26);

    b)                     Mudança Tecnológica: Tem se dito, com propriedade, que o analfabeto do século 21 é quem não sabe lidar com a tecnologia. E, diga-se de passagem, nesse ponto nossos filhos (e alunos) estão alguns anos luz em nossa frente. Mas isso não tem que ser necessariamente assim, urge que aprendamos a utilizar toda a parafernália tecnológica para podermos nos aproximar do “mundo” dele

    c)                     Mudança Comportamental: Isso em todos os aspectos. No relacionamento intra e interpessoal. No tratamento com os colegas da equipe e principalmente com a clientela discente. Essa mudança comportamental deverá iniciar com os recepcionistas e ir até o pastor. Todos, sem exceção, deverão trabalhar no sentido de atrair, conquistar e manter alunos na ED;

    d)                     Mudança de Valores: Também conhecida como “cultura educacional”. Esse aspecto é o mais importante, pois, sem mudança pessoal e interior da cultura educacional (valores) do superintendente não podemos esperar mudanças na administração ou gestão da ED. Só para exemplificar, o que o superintendente imagina que seja a ED? Uma extensão do culto? Um culto com outro nome? A ED pode, e deve glorificar a Deus, mas Ela não é um culto, é aula, atendimento informal e personalizado visando aproximar os alunos de Deus, com vistas a formá-los, tendo como modelo valorativo e transcendental o Senhor Jesus (Ef 4.11-16).

    O que as pessoas esperam da ED 

    A “nova” visão do que é ED, na verdade, é uma readequação ao que ela sempre foi, mas que, de um tempo a esta parte deixou de ser. A ED é a continuidade da Missão Educativa que Deus outorgou ao seu povo (Gn 18.18 e 19; Dt 4.1-9; 6.1-25; Mt 28.19 e 20; Ef 4.11-16 etc.), visando formá-lo e satisfazer a sua necessidade de conhecimento: “Quando teu filho te perguntar [...]”, disse o Senhor (Dt 6.20). Na readequação da ED, a despeito dessa afirmação ser um truísmo, devemos saber que sem aluno não se tem ED. Por isso, entender a missão e a visão de Deus para a Educação Cristã é o ponto crucial, para podermos estabelecer uma “política de qualidade” pela qual a equipe da ED deverá se pautar. A célebre pergunta do marketing não é “o que queremos vender?”, mas, “quem é o nosso cliente?” É preciso saber quem são os nossos alunos potenciais, qual o seu perfil, e assim, sem modificarmos a Verdade Escriturística, readequarmos nossos métodos de atração, conquista, atendimento e manutenção dos mesmos. É preciso, a exemplo de Jesus, oferecer respostas ao que as pessoas buscam (Jo 3.1-21; 4.1-30). É fato que elas poderão não gostar de todas as respostas, mas, a satisfação proporcionada nas ocasiões anteriores assegurará a freqüência, e dirão, parafraseando Pedro: “Para onde iremos nós? Só a ED tem as Palavras de vida eterna” (Jo 6.68).  

    O que aquelas crianças e adolescentes precisavam para viver bem e se sentirem humanas e que puderam encontrar no trabalho de Robert Raikes, há 226 anos, são as mesmas necessidades que motivam as pessoas pós-modernas a buscarem uma ED: 

    Um propósito para o qual viver;

    Pessoas com quem viver;

    Princípios pelos quais viver;

    Força para seguir vivendo.

    Uma ED que não oferece satisfação e repostas para essas quatro necessidades básicas não está à altura de representar o Reino de Deus como agência de Educação Cristã. Evidentemente que cada pessoa, de acordo com a faixa etária, maturação biológica e mental, condição social, possui carências de diferentes matizes e formas de manifestar diante das quatro necessidades acima elencadas. Um exemplo típico do que está sendo colocado, pode ser visto na diferença que existe entre lecionar para uma classe de adultos na faixa etária dos vinte e cinco aos quarenta anos e lecionar para pessoas da terceira idade. Os anseios e motivos podem ser os quatro enunciados acima, no entanto, a forma pela qual irá se manifestar a necessidade bem como a sua satisfação serão diferentes. Os interesses de ambos os grupos são distintos. 

    A administração, ou a gestão dessa demanda é o que deverá orientar o trabalho da equipe da ED. A Missão Educativa da Igreja está determinada há nada menos que dois mil anos, que devemos ensinar e educar, é ponto pacífico em nossa reflexão. A pergunta inquietante é: “Como atrair as pessoas pós-modernas para a ED, quando a mídia, o estresse e outras coisas oferecem a “tentação” de prendê-las ao conforto do sofá aos domingos”? A resposta é simples: Precisamos motivá-las. E isso representa um duplo desafio: criar ou identificar a necessidade e apresentar um elemento adequado para satisfazer essa carência. 

    Jesus, o Mestre por excelência, conhecia muito bem as pessoas (Mc 2.8; At 1.24). Certa feita, após o milagre da multiplicação dos pães, Jesus disse que sabia que muitos estavam à sua procura não pelos sinais que O viram fazer, mas pelo pão que Ele ofereceu (Jo 6.26). Ouvir Jesus já era por demais gratificante e satisfatório. Agora, imagine, Ele ainda oferecia comida para aqueles que se dispunha a ouvi-LO. Qual era intenção de Jesus com esse tipo de atendimento? Fez Ele isso para que as pessoas não voltassem?      

              

    Marketing para a ED. Um novo paradigma para administrá-la 

    É sabido por todos nós que durante muitos anos marketing foi confundido com propaganda, venda etc. No entanto, estudos recentes, têm mostrado que o marketing é uma atividade central das instituições modernas visando atender eficazmente alguma área de necessidade humana. Ele é um conjunto de ações, que pressupõe entendimento de todos os fatores que influenciam o comportamento das pessoas, e não simplesmente o mero ato de propagandear ou vender. Uma definição de marketing, na visão de Philip Kloter, uma das maiores autoridades da área, pode nos oferecer uma boa visão:

    Marketing é análise, planejamento, implementação e controle de programas cuidadosamente formulados para causar trocas voluntárias de valores com mercados-alvo e alcançar objetivos institucionais. Marketing envolve programar as ofertas da instituição para atender às necessidades e aos desejos de mercados-alvo, usando preço, comunicação e distribuição eficazes para informar, motivar e atender a esses mercados.

    Essa definição nos possibilita entender que marketing não é algo realizado sem conhecimento de quem seja o nosso público-alvo. Mostra-nos também, que não devemos realizar ações por acaso, elas devem ser vislumbradas em todas as suas dimensões anteriormente. Aprendemos também, que o propósito do marketing é estabelecer uma relação de trocas voluntárias de valores, isso significa que a nossa oferta da ED deve ser compatível com as respostas que esperamos de nossos alunos, ou seja, a freqüência deles. Para isso é necessário proporcionar satisfação, e temos condições de fazer isso na ED. Basta apenas um planejamento eficaz, e, a “simples” necessidade que as pessoas têm do “sagrado” proporcionará um bom motivo para que elas venham a ED. As necessidades que foram citadas acima, também constituem uma ótima fonte de estimulo à ED. Administrar essa demanda é a função precípua do marketing, daí o porquê de o utilizarmos como ferramenta de ação na ED. Essa relação não é nova, o que você acha desse pensamento: “Bem-aventurada a Escola Dominical administrada como um Banco, pois os seus negócios serão bem dirigidos e terão o respeito de todos”. Parece “liberal” demais essa comparação, mas ela não foi dita agora. Ela faz parte das “Bem-aventuranças da Escola Dominical”, escritas na extinta Revista Seara (CPAD), número 61, de outubro de 1967. O que ultimamente vem sendo utilizado pelas instituições seculares, denominado de marketing educacional, deve ser encarado por nós como uma ferramenta que tornará mais dinâmico o nosso trabalho, não tendo nenhuma correlação com liberalismo ou mercantilismo. 

    Finalizando, cabe aqui dizer, que o principal responsável pelo atendimento de necessidades discentes, é o professor da ED, pois as aulas podem ser elementos satisfacionais na busca de respostas espirituais. No entanto, toda a equipe da ED pode atender parte das necessidades com apenas um pouco de cordialidade, educação, boa vontade e espontaneidade. Basta que essa meta seja estabelecida e implantada uma política de qualidade visando alcançar excelência nesse aspecto. O superintendente e toda a equipe da ED deverão se conscientizar de que o propósito da ED é educar as pessoas cristãmente, e isso só pode acontecer se as pessoas vierem para o educandário. E elas só virão à ED se forem bem atendidas, encontrarem respostas, se puder interagir com a comunidade, e obtiverem força para continuar vivendo. Fazendo isso, com certeza estaremos administrando segundo o poder que Deus nos deu, e em tudo o Senhor será glorificado (1Pd 4.11b). 

    Pastor César Moisés Carvalho é autor do livro Marketing para a Escola Dominical.

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    Dinâmica da troca de um segredo

    Publicado por Editor em 2007/08/29

    TROCA DE UM SEGREDO

    - Participantes: 15 a 30 pessoas

    - Tempo Estimado: 45

    - Modalidade: Problemas Pessoais.

    - Objetivo: Fortalecer o espírito de amizade entre os membros do
    grupo.

    - Material: Lápis e papel para os integrantes.

    - Descrição: O coordenador distribui um pedaço de papel e um lápis
    para cada integrante que deverá escrever algum problema, angústia ou
    dificuldade por que está passando e não consegue expressar oralmente.

    Deve-se recomendar que os papéis não sejam identificados a não ser
    que o integrante assim desejar. Os papéis devem ser dobrados de modo
    semelhante e colocados em um recipiente no centro do grupo. O
    coordenador distribui os papéis aleatoriamente entre os integrantes.

    Neste ponto, cada integrante deve analisar o problema recebido como
    se fosse seu e procurar definir qual seria a sua solução para o
    mesmo. Após certo intervalo de tempo, definido pelo coordenador, cada
    integrante deve explicar para o grupo em primeira pessoa o problema
    recebido e solução que seria utilizada para o mesmo. Esta etapa deve
    ser realizada com bastante seriedade não sendo admitidos quaisquer
    comentários ou perguntas. Em seguida é aberto o debate com relação
    aos problemas colocados e as soluções apresentadas.

    Possíveis questionamentos:
    - Como você se sentiu ao descrever o problema?
    - Como se sentiu ao explicar o problema de um outro?
    - Como se sentiu quando o seu problema foi relatado por outro?
    - No seu entender, o outro compreendeu seu problema?
    - Conseguiu pôr-se na sua situação?
    - Você sentiu que compreendeu o problema da outra pessoa?
    - Como você se sentiu em relação aos outros membros do grupo?
    - Mudaram seus sentimentos em relação aos outros, como conseqüência
    da dinâmica?

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    Dinâmica das duas máscaras

    Publicado por Editor em 2007/08/29

    Dinâmica: Duas máscaras Material

    Material: Folhas em branco, Canetas ou hidrocor, Barbante de 50 cm, Tesoura.

    Desenvolvimento : Cada participante recebe um folha em branco. Em cada lado da folha desenha uma máscara e escreve:

    Lado 1 : Aquilo que acha que é. ( alegre, triste, feio, bonito. ) ( Como me vejo )

    Lado 2 : Escreve como os outros me vêem. ( 3 aspectos como os outros me vêem. )

    Colocar a máscara no rosto do lado “como me vejo”. Circular pelo ambiente lendo o que está escrito na máscara dos outros e deixando que as pessoas leiam o que está escrito na sua. Após um tempo, mede-se o lado da máscara e continua a circular, se conhecendo. Partilhar em grupo como cada um acha que é, o que os outros acham, etc…

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    Dinâmica das varinhas

    Publicado por Editor em 2007/08/29

    Dinâmica das Varinhas

    Material a ser usado:

    Um feixe de 16 varinhas (pode-se usar palitos de churrasco)

    Objetivo: União do grupo. A fé como força que pode agregar, unir e dar resistência às pessoas.

    1. Pedir que um dos participantes pegue uma das varinhas e a quebre. (o que fará facilmente).

    2. Pedir que outro participante quebre cinco varinhas juntas num só feixe (será um pouco mais difícil).

    3. Pedir que outro participante, quebre todas as varinhas que restaram, se não conseguir, poderá chamar uma outra pessoa para ajudá-lo.

    4. Pedir que todos os participantes falem sobre o que observaram e concluíram.

    5. Terminar com uma reflexão sobre a importância de estarmos unidos.

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    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico – 3

    Publicado por Editor em 2007/08/29

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    PEDRO, UM DISCÍPULO SINCERO E DINÂMICO

    Fonte: www.radioboasnovas.net

    INTRODUÇÃO

    O apóstolo Pedro, sem dúvida, é um dos mais controvertidos personagens do Novo Testamento. Suas qualidades quase sempre são ofuscadas por suas trapalhadas e pulsílamidades que o tornam o discípulo mais sincero, mais previsível de todos. Porém, percebemos na história deste homem de Deus, uma história de superação, aliada à uma vida de completa dependência de Deus.

    I – QUEM ERA PEDRO?

    Seu nome hebraico original dos apóstolo Pedro é Symeon (At. 15:14; 2 Ped. 1:1), um nome pessoal comum no A.T. O Senhor deu a Simão, filho de Jonas, o nome de Pedro. No grego esse nome significa “pedregulho” ou “pedra pequena”. Algumas vêzes, os evangelhos usam a combinação “Simão Pedro”, como em Mt 16:16, Lc 5:8; Jo 1:40; 6:8; 13:6). O equivalente aramaico do nome Pedro é “Cefas”. Ele era de Betsaida, uma aldeia ao norte da Galiléia (Jo 1:44), possuía “um” irmão por nome André, era pescador, casado e morava com sua sogra em Cafarnaum ( Mc 1:21,29).

    II – É PEDRO O FUNDAMENTO DA IGREJA?

    A Igreja católica com base em Mt 16:18, ensina que Pedro é a “Pedra” sobre a qual a Igreja está edificada. Entretanto, podemos observar em todo Novo Testamento que:

    a) O próprio Pedro usa a palavra para se referir a Jesus (Atos 4:11; 1 Pe 2:4-8);

    b) As parábolas de Jesus sobre os dois construtores e os dois alicerceres ensinam que Jesus é a rocha (Mt 7:24-27).

    c) O apóstolo Paulo também ensina que Cristo é o fundamento do edifício de Deus (1 Cor 3:11) e a pedra angular (Ef. 2:20-22).

    d) A expressão “chaves do reino dos céus”, não significa as chaves da Igreja como se Pedro fosse o primeiro papa da Igreja, fato, aliás, que se torna insustentável pois além do mesmo ser casado (Mc 1:29-30), condição que não é possível a um papa, também não presidia à Igreja primitiva que tinha como líder o apóstolo Tiago (At 15; Gl 2:9). “Chaves” não significa autoridade sobre a Igreja, tampouco sobre os céus (para mandar chuva), pois aos discípulos Jesus deu a mesma autoridade (Jo 20:22,23), mas fala-nos da proeminência na abertura da pregação do evangelho, primeiro aos judeus (At 20) e depois aos gentios (At 10).

    III – QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DA PERSONALIDADE DE PEDRO?

    a) Impulsivo – suas reações eram pulsílames (Mc 1:29; Mt 4:20; 14:28-29; 17:1-13);

    b) Egoísta - Pedro demonstra seu egoísmo ao se preocupar consigo mesmo (Mt 16: 18-22).

    c) Interesseiro – Sua preocupação era com sua satisfação pessoal (Mt 19:27).

    d) Soberbo – para Pedro, tudo o que ele fazia era “o melhor”(Mt 26:33)

    f) Inconstante – O mesmo Pedro de diz “Tu és o Cristo, o filho do Deus Vivo”, na mesmo capítulo chama Jesus à parte e repreende-o por o mestre está falando sobre sua morte e ressurreição (Mt 16:22). Antes havia recebido um elogio (Mt 16:18), agora, uma repreensão (MT 16:23).

     

    III – DEPOIS DE SUA CONVERSÃO SEU CARÁTER MUDOU?

    Claramente podemos ver a mudança de um Simão inconstante, para um Pedro “pedra” maduro, diante das seguintes características em sua vida:

    a) A constância de Pedro (At 3:1-7)- Pedro e João estavam indo juntos” ao templo para oração”, quando viram um coxo e disse: “olha para nós”, não era mais o Pedro soberbo e inconstante.

    b) A coragem ( At 4:13) – Não obstante à perseguição, manteve-se firme na propagação da mensagem do evangelho.

    c) A Sabedoria (At 4:19-20) – Pedro teve sabedoria ao administrar suas emoções.

    d) A Alegria (At 5:41) – mesmo depois de sofrer açoites, ele se alegrou.

    e) Humildade – (At 9:36-42; 10: 25,26) Pedro mostra humildade ao pedir às pessoas saírem, pois outro prefeririam fazê-lo em público para trazer a glória para si.

    e) Espírito de Oração (Atos 10);No monte da transfiguração Pedro não conseguiu ora “uma hora”( Lc 9:32), mas agora orava pelos gentios.

    f) O Amor (At 10:21-29); Ao levar à mensagem aos gentios.

    g) Amabilidade (At 11:4) – Pedro responde aos da circuncisão na explicação de sua visita à casa de Cornélio com amabilidade.

    h) Homem de fé (At 12:6) – dormia porque estava tranquilo, confiante, entregue aos cuidados do pai.

    i) Líder – O apóstolo Paulo relata em Gl 2:8 que Pedro era um líder eficiente nos primeiros dias da Igreja.

    j) Maturidade – Talvez a maior prova da maturidade do apóstolo Pedro tenha sido a mansidão que ele demonstra quando Paulo o resiste “face-a-face” (Gl 2:11). E mesmo no fim de sua vida, Pedro o chama de “amado irmão Paulo”, reconhecendo sua sabedoria e colocando os escritos de Paulo em pé de igualdade aos do Antigo Testamento.

    CONCLUSÃO

    A vida do Apóstolo Pedro nos mostra o quanto, como cristãos, precisamos diariamente aperfeiçoar nosso caráter. Pedro com toda sua fragilidade e inconstância, a partir da experiência do Pentecoste, mostrou o que o Espírito Santo é capaz de fazer na vida de um homem quando o mesmo se coloca na vontade de Deus. Portanto, nos entreguemos à Ele sem reservas e vejamos o quanto o Senhor será capaz de realizar em nossas vidas.

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    Lição: As promessa de Deus para a sua vida

    Publicado por Editor em 2007/08/29


    4º Trimestre de 2007

     

    A cada trimestre, um reforço espiritual para aqueles que desejam edificar suas vidas na Palavra de Deus.
    No 4º trimestre de 2007, estaremos estudando o tema As promessas de Deus para a sua vida
    64 páginas / Formato: 13,8 x 21cm / Trimestral
    Comentarista: Pastor Geremias do Couto

    SUMÁRIO DA LIÇÃO:

    1- O caráter das promessas de Deus
    2- As promessas de Deus e a sua soberania
    3- A promessa da salvação
    4- A promessa do batismo no Espírito Santo
    5- A promessa da cura divina
    6- A promessa da paz interior
    7- A promessa da verdadeira prosperidade
    8- A promessa de um lar feliz
    9- A promessa de uma velhice feliz e frutífera
    10- A promessa de segurança num mundo inseguro
    11- A promessa da segunda vinda de Cristo
    12- A promessa de nossa entrada no céu
    13- Como alcançar as promessas de Deus

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    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico – 2

    Publicado por Editor em 2007/08/27

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    PEDRO, UM DISCÍPULO SINCERO E DINÂMICO

    Texto Áureo: II Co. 5.17 – Leitura Bíblica em Classe: I Pe. 1.3-23; 2.1-3.

    Pb. José Roberto A. Barbosa

    Fonte: www.subsidioebd.blogspot.com/

    Objetivo: Mostrar as características do verdadeiro discipulado, tendo, como exemplo, o apóstolo Pedro, um seguidor de Cristo.

    INTRODUÇÃO
    Se o papel da missão é fazer discípulos, saber o que significa ser um discípulo de Cristo é condição necessária para o amadurecimento do caráter. Na lição de hoje, veremos que o verdadeiro discipulado demanda obediência à voz daquele que nos chama das trevas para sua maravilhosa luz.

     

    1. DEFINIÇÃO DE TERMOS

    A palavra “discípulo”, em grego, é “mathétés”, cujo significado é “aprendiz” ou “aquele que segue” e está geralmente atrelada aos discípulos de Cristo. No Novo Testamento, é Cristo quem chama aqueles que deverão ir após Ele (Mc. 1.17; 2.14; Lc. 5.1-11; Mt. 4.18-21). Nos tempos antigos, esperava-se que o discípulo, um dia, viesse a se tornar um mestre, mas, no cristianismo, Cristo será sempre o Grande Mestre, enquanto vivermos (Mt. 23.8; 10.24-25; Lc. 14.26,27; Jo. 11.16). O discípulo genuíno não se furta a obedecer ao Seu mestre e a seguir o Seu comando (Mt. 12.46-50; Mc. 3.31-45). Eles são chamados a dedicar suas vidas inteiramente ao serviço do Mestre (Mt. 16.15-19; Mc. 1.17; Lc. 5.10), isso inclui a proclamação do evangelho do reino (Mt. 10.24-25; 16.24-25; Mc. 6.7-12). Há, no grego, uma outra palavra que costuma estar associada ao discipulado. Trata-se do verbo “akolouthêo” que significa “seguir” (Mt. 4.25; 16.24) ou acompanhar (I Co. 10.4) ou, propriamente, “tornar-se um discípulo” (Mt. 4.20). No evangelho de João, esse verbo é usado várias vezes como uma resposta que o ouvinte dar à voz de Cristo (Jo. 10.4, 5, 27).

     

    2. PEDRO, UM DISCÍPULO DE CRISTO

    Simão Pedro era irmão de André, ambos eram pescadores. Segundo o relato bíblico, Pedro era natural de Betsaida, uma aldeia que ficava ao norte do mar da Galiléia (Jo. 1.44). Veio a estabelecer sua residência em Cafarnaum, noroeste do lago e, com ele, residia sua esposa, a sogra e André (Mc. 1.21,29). Certo dia, Pedro teve um encontro com Jesus que o chamou para ser um pescador de homens (Lc. 5.10). O nome Simão significa “formoso”, o qual fora mudado, por Jesus, em Betânia (Jo. 1.42), para Pedro (em grego) ou Cefas (aramaico), cujo sentido é “pedra ou pedregulho”. Ao longo de sua vida, Pedro amadureceu e seu caráter veio a ser solidificado como o de uma pedra (Mt. 16.18; Mc. 3.16; Lc. 6.14; Jo. 1.42). Mesmo tendo negado a Cristo, durante a prisão do Mestre (Mt. 26.69-75), o Senhor não desistiu dele e o procurou após Sua ressurreição (Mc. 16.7-7; Mt. 28.10; Lc. 24.12). Em uma de suas últimas aparições, depois de ressurreto, Jesus fez uma pergunta inquietante a Pedro: tu me amas? (Jo. 21.15-17). A resposta, dada imediatamente, fora consolidada com seu testemunho, no dia de Pentecostes (At. 3.1-9). No final de sua vida, Pedro reforçou seu testemunho por Cristo com a própria vida (Jo. 21.18,19). De acordo com a tradição eclesiástica, fora crucificado de cabeça para baixo, negando-se a morrer do mesmo modo que o Seu Mestre.

     

    3. EXIGÊNCIAS CRISTÃS QUANTO AO DISCIPULADO

    Pelo exemplo de Pedro, aprendemos que o discipulado trás exigências que precisam ser obedecidas pela fé. Espera-se de um discípulo de Cristo: 1) que renuncie a si mesmo, aos seus interesses egoístas, para seguir, continuamente, a direção do Mestre (Mt. 23.7-12); 2) que não seja arrogante, antes demonstre humildade, já que esta sempre foi uma característica do ministério do Senhor Jesus Cristo (Mt. 18.1-4); 3) que não seja amante das riquezas, pondo a prosperidade material em primeiro plano (Mt. 29.23-30); 4) que esteja disposto a sofrer, e, se preciso for, entregar sua própria vida para a glória de Cristo (Mt. 10.17-33); 5) e o mais importante, que demonstre fé em Jesus, afinal, é pouco provável que alguém tenha a coragem de ir até as últimas conseqüências, a menos que creia e esteja disposto a obedecer a ordem de Cristo (Mt. 18.5; Jo. 2.11; 6.69; 11.45).

     

    CONCLUSÃO

    Ser discípulo de Cristo é um ato, não apenas um conjunto de teorias. É interessante destacar que, no NT, o discipulado é apresentado como uma ação, concretizada por meio do verbo “seguir” (Mt. 9.9). Esse verbo, em Mt. 16.24, está em seu aspecto durativo, dando a idéia de continuidade, assim sendo, aquele que é chamado, por Cristo, deve fazê-lo continuamente, negando-se a si mesmo e carregando a sua cruz.

     

    BIBLIOGRAFIA
    BONHOEFFER, D. Discipulado. 7ª ed. São Leopoldo: Sinodal, 2002.

    VINE, W.E., UNGER, M. F., WHITE JR, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

     

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    Pedro, um discípulo dinâmico e sincero – subsídios

    Publicado por Editor em 2007/08/27

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    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico – 1

    Comentarista: Dr. Caramuru Afonso

    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico -2

    Comentarista: Pb. José Roberto

    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico – 3

    Comentarista: Rádio Boas Novas

    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico -4

    Comentarista: Pr. Edevir Peron

    Pedro, um discípulo sincero e dinâmico – 5 

    Comentarista: Pr. Adilson Guilhermel

     

     

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    Pedro, um discípulo dinâmico e sincero – 1

    Publicado por Editor em 2007/08/27

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    PEDRO, UM DISCÍPULO SINCERO E DINÂMICO – 1

    Dr. Caramuru Afonso

    Fonte: www.escoladominical.com.br

    INTRODUÇÃO

    - Na seqüência da análise de vidas de personagens bíblicas para o aprimoramento do nosso caráter cristão, estudaremos a segunda personagem do Novo Testamento – o apóstolo Pedro.

    - O ilustre comentarista quis realçar, na vida de Pedro, a sinceridade e o dinamismo, características indispensáveis para que sirvamos a Deus até a volta do Senhor.

    I – A BIOGRAFIA DE PEDRO (I) – SIMÃO, O PESCADOR DE PEIXES QUE SE TORNOU OUVINTE DE CRISTO

    Colaboração/gráfico: Enomir Santos

    - Nesta lição, estudaremos a segunda personagem do Novo Testamento, o apóstolo Pedro, um dos doze, que tem proeminência na narrativa dos Evangelhos e na primeira parte do livro de Atos dos Apóstolos e que é, sem dúvida, um grande exemplo da mudança de caráter que Jesus faz na vida de todos quantos O aceitam como Senhor e Salvador de suas vidas.

    - Pedro surge, pela vez primeira, nas Escrituras Sagradas, em Mt.4:18, quando nos é informado que seu nome era “Simão”, forma diminutiva de “Simeão” (em hebraico, “Shimon”), cujo significado é “Deus ouviu”, nome, aliás, do segundo filho de Jacó e Lia (ou Léia), onde se dá a explicação do significado deste nome (Gn.29:33).

    - Simão era filho de Jonas, por isso chamado de “Barjonas”, palavra que, em aramaico, significa “filho de Jonas” (Mt.16:17), tendo tido o seu nome mudado por Jesus para “Pedro” (Mc.3:16; Jo.1:42), que significa “pedregulho”, “pedra pequena”, mesmo significado da palavra “Cefas” (Jo.1:42; I Co.15:5 e Gl.2:9), que é a versão aramaica do nome “Pedro”, que é grego. Jonas, seu pai, deveria ser um pescador. Como bem explica o pastor Osmar José da Silva, “…os filhos de Jonas, André e Pedro, trabalhavam na pescaria com o pai, embora tudo leva a crer que Simão tinha o seu barco próprio. A pesca era um dos negócios rentáveis naqueles dias; possuir barcos e redes para a indústria pesqueira não era para pessoas pobres e, portanto, estes homens eram considerados classe média alta; possuidores de suas casas próprias e viviam bem, para os padrões da época. A indústria da pesca era uma das mais importantes naqueles dias…” (Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade (São Paulo:s.e., 2001), v.6, p.22-3).

    - Simão, como seu irmão André, era de Betsaida (Jo.1:44), cidade cujo nome significa “casa de pesca” ou “casa do pescador”, a revelar, portanto, a própria vocação da cidade, cidade esta que ficava à margem nordeste do mar da Galiléia, situada perto de Cafarnaum, onde Pedro foi morar, pois ali era a sua casa (Mt.8:13,14). Era casado, tanto que, já quando estava a pregar o Evangelho, se fazia acompanhar de sua mulher (I Co.9:5), além do que um dos primeiros milagres de Jesus, em Seu ministério público, foi o de curar a sogra de Pedro.

    - O irmão de Simão, André, era discípulo de João Batista (Jo.1:37,40) e, quando este testificou que Jesus era o Messias, imediatamente passou a segui-lO, tendo, então, ido ao encontro de seu irmão Pedro e lhe falado a respeito de Jesus, oportunidade em que o Senhor lhe mudou o nome. Isto nos revela que Pedro, assim como André, tinham uma preocupação com respeito ao reino de Deus, às coisas espirituais, dentro do clima surgido naquele tempo de ansiedade pela vinda do Messias, ante a opressão ocasionada pelo domínio romano, que havia se intensificado. Apesar de indoutos, de não terem freqüentado as academias rabínicas, de terem se dedicado, ainda jovens, à pesca, eram homens que anelavam pela redenção de Israel.

    - Apesar de Jesus ter mudado o nome de Pedro, este não O seguiu de imediato. Com efeito, depois deste encontro, que ocorreu em Betânia, da outra banda do Jordão, onde João batizava (Mt.3:13; Jo.1:28,35 — não confundir com a aldeia de mesmo nome onde moravam Lázaro e suas irmãs), vemos que Jesus foi para a Galiléia, mas Pedro não O seguiu, tendo retornado à pesca, assim como seu irmão André (Mt.4:18).

    - Pedro só iria abandonar tudo e seguir a Cristo no episódio que os estudiosos da Bíblia chamam de “pesca maravilhosa”, descrito com minúcias em Lc.5:1-11, quando nos é informado que Jesus foi pregar no mar da Galiléia e, como a multidão o apertava, entrou no barco de Simão e dali os ensinou. Depois da preleção, mandou que Pedro fosse para o mar alto e lançasse as redes para pescar, o que totalmente contrário à lógica, vez que haviam pescado a noite inteira e nada haviam apanhado. Entretanto, Simão, diante desta ordem do Senhor, que nem sequer pescador era, obedeceu e houve uma grande quantidade de peixes. Simão, então, prostrou-se diante do Senhor e pediu que Se ausentasse dele pois era ele um homem pecador. Jesus, porém, disse para que Simão não temesse e o chamou para que fosse, dali em diante, pescador de homens. Foi, então, que Pedro tudo deixou e passou a seguir o Senhor.

    - Já aqui vemos que Pedro precisou de um sinal para compreender que deveria seguir a Cristo. Não fora suficiente o encontro que tivera em Betânia além do Jordão, que lhe tivesse sido mudado o nome. Pedro mostra-se aqui como um típico representante dos “crentes da circuncisão”, pois, como bom judeu, movia-se através de sinais (I Co.1:22). Diante do sinal, porém, rende-se ao Senhor Jesus, o que não foi algo fácil para um homem como Pedro, que, ao longo da narrativa dos Evangelhos, revela ser um homem impulsivo, violento e que, assim agindo, demonstrava uma certa simpatia para com o partido dos zelotes, os radicais judeus que entendiam que a libertação de Israel deveria se dar pela revolta ao domínio romano.

    - Pedro obedeceu ao Senhor Jesus. Lançou a rede sob a palavra de Cristo (Lc.5:5) e, ao ver o sinal da pesca maravilhosa, reconheceu o senhorio e a divindade de Jesus, tanto que se prostrou aos Seus pés e se confessou um pecador, incapaz de ter a companhia de Cristo, o Santo (Is.40:25; Os.11:9). Não há como seguir a Jesus sem que se tenha a obediência à Palavra de Deus, a fé nesta mesma Palavra, a confissão dos pecados e o reconhecimento do senhorio e da divindade de Cristo Jesus. Já tivemos esta experiência?

    OBS: O gesto de Pedro é um explícito reconhecimento da divindade de Cristo, máxime para quem simpatizava com os zelotes, como era o caso de Simão, para quem, no dizer do historiador judeu, Flávio Josefo, “…há um só Deus, ao qual se deve reconhecer por senhor e rei; eles tem um amor pela liberdade, que não há tormentos que não sofram e não deixem sofrer as pessoas mais caras, antes que dar a quem que seja o nome de senhor e de mestre.…” (Antigüidades Judaicas XVIII, 2, 760. In: História dos hebreus. Trad. Vicente Pedroso, 1990, v.2, p.154). Dizemos que Simão era, no mínimo, simpatizante dos zelotes, porque se mostrou, ao longo da narrativa dos Evangelhos, uma pessoa que aceitava o uso da violência e vivia armado, assim como os zelotes.

    - Mas, observemos o texto sagrado, Pedro abandonou tudo e seguiu a Cristo, mas não pediu perdão pelos seus pecados. Reconheceu-se pecador, viu em Jesus o Messias, mas não se arrependeu dos seus pecados, o que faria, apenas, depois de ter negado a Cristo, ocasião em que choraria amargamente e, então, se converteria (Lc.22:62). Por isso, já no final do Seu ministério terreno, Jesus, em um gesto surpreendente para nós, diz que Pedro ainda precisava se converter (Lc.22:32). A conversão exige mais do que a obediência à Palavra, a confissão dos pecados e o reconhecimento do senhorio e divindade do Senhor: exige arrependimento dos pecados. Sem o arrependimento, não há como obter-se a salvação. Daí porque a pregação de Cristo ter sido a do arrependimento, antes de mais nada (Mc.1:15; Lc.5:32; At.5:31).

    - Dos primeiros discípulos a ser chamado, Pedro também faria parte do chamado “círculo íntimo do Senhor”, as três “colunas” do colégio apostólico, como denominaria o apóstolo Paulo (Gl.2:9), os três discípulos que presenciaram os momentos mais profundos do ministério terreno de Cristo (Mc.5:37; Mc.9:2; 14:33; Lc.8:51). Apesar desta “intimidade”, Pedro não passava de um “ouvinte” (outro significado do nome “Simão”), antes de se converter. Não podemos ser apenas ouvintes da Palavra do Senhor, pois isto é insuficiente para que alcancemos a salvação (Tg.1:23,25). Devemos ser ouvintes e praticantes, cumpridores de tudo quanto o Senhor nos ensinar.

    - Mas, além de ter sido um dos três que desfrutavam de maior intimidade com o Senhor, Pedro, também, teve experiências singulares no ministério terreno de Cristo, a ponto de, inclusive, se ter criado a falsa doutrina do “primado de Pedro”, em que, inclusive, está baseado o Romanismo. Pedro foi o discípulo a quem o Pai revelou a identidade de Jesus como Filho do Deus vivo (Mt.16:16,17), como também o que presenciou o milagre da moeda na boca do peixe para o pagamento das didracmas de Cristo e do próprio Pedro (Mt.17:27).

    - Parece, então, ser até paradoxal que, no final de Seu ministério terreno, Jesus tivesse dito a Pedro que ele necessitaria se converter, diante de tantas experiências vividas ao longo daqueles mais de três anos na companhia do Mestre. Entretanto, esta era a realidade espiritual de Pedro: fazia companhia a Cristo, mas não passava de um “ouvinte”, ainda era “Simão” e não um “Pedro”, uma “pedra viva de Cristo” (I Pe.2:5), que pudesse oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus.

    - Com efeito, vemos que, durante o ministério terreno de Jesus, Pedro era um discípulo que, ou se adiantava, ou se atrasava em relação à vontade do Senhor, numa oscilação de quem não tinha, ainda, se entregado a Cristo, passado a não mais viver, mas a Cristo viver nele. Em vários episódios, vemos que Pedro está sempre em dissintonia com o Senhor.

    - Logo no início de sua convivência com o Senhor, vemos Jesus entrando na casa de Pedro, em Cafarnaum, certamente para se alimentar, depois do culto sabatino na sinagoga (Mt.8:14-17; Mc.1:29-32; Lc.4:38-41). A sogra de Pedro, porém, estava ardendo em febre. Jesus foi ao encontro da sogra, tomou-a pela mão e a curou. Pedro nada fez, nem sequer pediu a Jesus que curasse sua sogra, o que parece ter sido feito pelos outros que acompanhavam a Jesus e isto depois de ter sarado a enfermidade do criado do centurião. Estava, pois, atrasado, aquém da vontade do Senhor.

    - Mas, ainda na casa de Pedro, Jesus, depois de ter curado a muitos enfermos naquele mesmo dia, no dia seguinte, sendo ainda escuro, foi orar (Mc.2:36-39). Simão e os outros seguem-nO, mas não para orar, mas para chamá-lO, pois havia outros enfermos que haviam se dirigido até a casa da sogra de Pedro. Jesus, então, lhes diz que é necessário que ele vá pregar o Evangelho em outros lugares, não podendo ficar somente na casa de Pedro. Mais uma vez, Pedro se encontrava aquém da vontade do Senhor.

    - No episódio da tempestade no mar da Galiléia em que Jesus anda por sobre as águas (Mt.14:22-36; Mc.6:45,46; Jo.6:15-21), vemos que Pedro, assim como os outros discípulos, primeiro achou que Jesus fosse um fantasma, mas, depois, quando Jesus Se identificou, Pedro foi mais ousado que todos os demais e pede uma comprovação do dito de Cristo, pedindo que também se lhe fosse possível andar sobre as águas, o que é concedido, mas, quando já andava sobre as águas, Pedro temeu os ventos, as ondas e a tempestade, começando a afundar, tendo sido socorrido por Cristo e retornado, nEle segurando, ao barco. Pedro esteve aquém da vontade do Senhor e depois foi para além da vontade de Cristo, sendo, depois, considerado um homem de pouca fé pelo Senhor, em virtude de suas dúvidas. Atrasado ou adiantado, mas nunca no centro da vontade do Senhor.

    - Quando Jesus defende Seus discípulos perante os fariseus, porque eles não haviam lavado as mãos quando comiam pão, Pedro pediu que o Senhor explicasse a parábola que contara a respeito dos fariseus (Mt.15:13-20; Mt.7:14-23). Jesus identificou nesta pergunta de Pedro mais uma incompreensão a respeito das coisas de Deus. Era mais uma demonstração de quem se encontrava fora de sintonia com a vontade do Senhor.

    - Em Cesaréia, então, temos uma relevante demonstração desta dissintonia do discípulo em relação ao seu Mestre. Jesus perguntou aos discípulos quem dizia ser o Filho do homem e várias foram as respostas dadas. Pedro, porém, tomou a palavra e disse que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus vivo (Mt.16:16). O próprio Jesus testifica que Pedro havia tido esta revelação diretamente do Pai, pois era impossível que a mente humana chegasse a tal conclusão. Encontramos aqui Pedro como sendo, dos discípulos, o único que se pusera à inteira disposição de Deus para receber tamanha revelação, revelação que permitiria que Jesus revelasse, em seguida, neste diálogo com Pedro, o mistério que havia ficado oculto desde a fundação do mundo, que era a Igreja (Ef.3:3-6). Pedro chegava, assim, à estatura de um verdadeiro profeta (Am.3:7).

    -No entanto, muito provavelmente naquele mesmo dia, Pedro mostraria que ainda estava fora da sintonia com o Senhor, apesar da revelação que lhe havia sido feita pelo Pai. Quando Jesus começou a dizer que importava que deveria morrer pelos nossos pecados, Pedro se deixou usar pelo próprio Satanás e tomou o Senhor à parte, repreendendo-O, querendo que tivesse compaixão dEle próprio. Jesus teve de mandar Satanás se retirar. O homem que havia sido o canal do Pai para a revelação de quem era o Cristo, servia-se, logo em seguida, de instrumento do inimigo. Como poderia ser isto possível? Simplesmente porque Pedro ainda não havia se convertido, guiava-se pela sua impulsividade, tanto que o diabo quis cirandar com ele (Lc.22:31) e não fosse a intercessão de Jesus, certamente teria perdido a sua fé (Lc.22:32).

    - O que percebemos aqui é que Pedro, apesar de ter sido levado por Jesus aos aspectos mais profundos do Seu ministério terreno, continuava sendo um discípulo que ainda não havia se convertido, alguém que ainda não havia se disposto a estar no centro da vontade do Senhor. É elucidativo, aliás, que, na última páscoa, Pedro tenha escolhido se sentar num lugar mais distante de onde estava Jesus, tanto que precisou fazer sinal a João, que estava com seu rosto inclinado no seio do Senhor, para que se perguntasse ao Senhor quem era o traidor (Jo.13:24). Pedro mantinha-se distante de Cristo, apesar de toda a intimidade que se lhe dera (tanto que foram Pedro e João os organizadores de toda a páscoa – Lc.22:8).

    - Precisamos estar no centro da vontade do Senhor, conhecer os Seus desejos (precisamente o que significa a posição física de João, que, reclinando-se no seio do Senhor, podia ouvir-Lhe o coração), a fim de que façamos a Sua vontade. É muito triste desfrutarmos da intimidade que Jesus se nos oferece para ver as Suas maravilhas, contemplar o Seu poder, mas não podermos descobrir qual é a Sua vontade, mantendo-nos distantes dEle, impedindo que venha a nos vencer, a vencer o nosso “eu” e, assim, fazer com que sejamos Seus verdadeiros e convertidos discípulos. Enquanto não nos rendermos ao Senhor, não poderemos ser Seus genuínos e autênticos seguidores e estaremos sempre à mercê do inimigo, que quer nos “cirandar”, isto é, nos “peneirar” como trigo, destruindo-nos totalmente. Cuidado!

    - Apesar de ser usado pelo diabo para tentar demover o Senhor de Sua missão, Pedro continuou a desfrutar da companhia de Jesus. Seis dias depois de ter tido a revelação de quem era Jesus, o discípulo, com Tiago e João, é levado pelo Senhor ao monte da transfiguração, onde pôde o futuro apóstolo ver a Jesus “tal como Ele é”, em glória, numa visão que marcaria para sempre a sua vida (cfr. II Pe.2:16-18). Contemplar a glória de Deus, como se observa, não é, também, prova de conversão. Pedro viu a Jesus glorificado, mas não era ainda convertido. Muitos verão a glória de Deus, o Seu poder, mas, lamentavelmente, por não terem se convertido, não entrarão no reino dos céus (Mt.7:22,23). Qual é a nossa situação?

    - No episódio da transfiguração, mais uma vez, Pedro revela sua dissintonia com o Senhor. Quando Jesus Se transfigura, surgem para falar com Ele Elias e Moisés. Pedro, então, tomou a palavra (ou seja, entremeteu-se numa conversa em que não era parte, prova de que não tinha sabedoria – Pv.20:3), querendo construir três tabernáculos no alto do monte, uma para Cristo, outra para Elias e uma outra para Moisés, pois entendia que o lugar onde estavam era bom. Mais uma vez, Pedro estava totalmente fora dos propósitos divinos. Nem sequer se lembrara dos seus outros nove companheiros, que haviam ficado ao pé do monte. Para falar a verdade, nem mesmo de si mesmo e de Tiago e de João, pois havia planejado armar apenas três tabernáculos, permanecendo ao léu.

    - Pedro assemelhava-se a muitos “crentes” da atualidade, que não pensam nos outros, na necessidade da evangelização, mas querem apenas estar bem, ficar no “lugar bom”, mesmo que ao léu, mesmo que fora dos propósitos divinos. Em vez de falar, de entremeter-se nos assuntos espirituais, pensam apenas em “habitar” junto a “tabernáculos” a serem construídos por homens, como se o que vem do homem pudesse ter algum valor para o que provém da glória divina. Quantos tomam a palavra e não querem sequer ouvir o que Jesus tem a nos dizer, seja através da lei (representada por Moisés), seja através dos profetas (representada por Elias), enfim, o que a Palavra tem a nos ensinar. Querem antes “folguedos” que Palavra. Esta é uma atitude de quem não é convertido ainda. Cuidado!

    - Diante de tamanha insensatez, o Pai Se manifesta e, restabelecendo a ordem das coisas, determina que o Seu Filho fosse ouvido (Mt.17:5). O segredo para o “ouvinte” (i.e., Simão) deixar de ser apenas ouvinte é passar a “escutar o Filho em quem o Pai Se compraz”. “Escutar” significa “estar consciente do que está ouvindo”, “ficar atento para ouvir”. Entretanto, Pedro não sabia sequer o que estava a dizer (Lc.9:33). È muito melhor ouvir do que oferecer sacrifícios de tolos (Ec.5:1), sendo através do ouvir que se obtém a fé salvadora (Rm.10:17).

    - Precisamos ouvir o que Jesus tem a nos dizer, ou seja, precisamos ter contacto diuturno com a Palavra de Deus (Sl.1:1,2). Sem isto, não poderemos saber qual é a vontade de Deus para as nossas vidas. Muitos querem “tomar a palavra” na atualidade, mas não querem ouvir. Pedro não queria ouvir, queria apenas desfrutar da “habitação no bom lugar” e isto era insuficiente para construir uma vida espiritual verdadeira e profícua.

    - Depois da experiência da transfiguração, Pedro tem uma outra experiência com Jesus, relacionada com as didracmas (Mt.17:24-27), o imposto do templo (Ex.30:13; II Cr.24:9; Ne.10:32). Os cobradores do imposto vieram a Pedro e lhe perguntaram se Jesus pagava as didracmas. Pedro, que já conhecia quem era Jesus, respondeu afirmativamente e foi ao encontro de Jesus que, antes que fosse cobrado por Pedro, mostrou ao Seu discípulo que Ele, Jesus, não precisaria pagar aquele tributo, pois era o Senhor de todas as coisas. No entanto, para que não houvesse escândalo, mandou que Pedro fosse ao mar, pescasse com anzol e tomasse uma moeda da boca do peixe que fisgasse, pagando não só o tributo do Senhor, mas o dele próprio.

    - Pedro, impulsivo, foi e fez o que Jesus mandou, uma vez mais mostrando a sua obediência à Palavra do Senhor, apesar de toda a sua ilogicidade. Se bem percebermos o que Jesus disse, Pedro tinha todos os motivos para desconfiar ou, ao menos, debater com o Senhor o que se estava a exigir. Pescar com anzol no mar? Pegar uma moeda da boca de um peixe? Todavia, Pedro foi e fez o que se lhe mandou. Pedro era destemido, atirado, mas isto era insuficiente para servir a Cristo. Tanto assim é que o Senhor providenciou que também ele pagasse o tributo, o que, certamente, não era de sua vontade fazer (mais um indício de sua simpatia pelos zelotes). Jesus, porém, ensinava o apóstolo a ser submisso às autoridades religiosas, lição que seria aprendida e, no futuro, ensinada pelo próprio Pedro, inclusive com extensão à autoridade civil (cfr. I Pe.2:13-17). Pedro, portanto, por causa de suas convicções políticas, não aceitava se submeter à autoridade religiosa, mas foi obrigado a isto por uma ordem de Jesus. Mais uma vez, vemos como Pedro ainda estava aquém da rendição incondicional a Cristo.

    - A próxima experiência que vemos Pedro aprender é a que diz respeito ao perdão (Mt.18:21,22). Quando o Senhor Jesus falava sobre o pecado de um irmão, sobre a disciplina na Igreja, Pedro perguntou-Lhe sobre o limite do perdão, considerando que este limite seria, no máximo, o de sete vezes, defendido, então, pelos “escribas liberais” do seu tempo, com base em Pv.24:16. Entretanto, para surpresa de Pedro, Jesus afirmou que não era sete o limite do perdão, mas, sim, “setenta vezes sete”, número que não corresponde literalmente a quatrocentos e noventa, mas que tem o significado de “sempre”, “sem limite”. Quantitativamente, portanto, percebe-se quanto Pedro estava ainda aquém do centro da vontade de Deus. A diferença era de “setenta vezes”. Uma das características dos “ouvintes” mas não convertidos é, precisamente, o limite que se pretende impor ao amor e à misericórdia divina. Os mais “liberais” sempre se encontram a “setenta vezes” dos parâmetros divinos.

    - A próxima passagem do ministério terreno que envolve Pedro é a que diz respeito à indagação que fez depois do encontro de Jesus com o jovem rico, o chamado “mancebo de qualidade”. Depois de o jovem ter se recusado a servir a Cristo e o Senhor ter condenado o amor às riquezas, Pedro perguntou a Jesus qual seria a recompensa daqueles que O servissem, já que haviam deixado tudo para O seguir (Mt.19:27-30; Mc.10:28-31; Lc.18:28-30). Notamos a insensibilidade espiritual de Pedro. Jesus acabara de dizer que quem amasse as riquezas, perderia a sua salvação, que mais importante era servir a Jesus do que ter bens e posses neste mundo, mas Pedro quis saber qual era a sua recompensa por “ter deixado tudo”.

    - A preocupação com as coisas desta vida quando se serve a Cristo é mais um sinal de que ainda não se está convertido. Pedro, ainda que “setenta vezes” distante dos parâmetros divinos, achava-se no “direito” de exigir alguma recompensa, vez que “havia deixado tudo para seguir a Jesus”. Assemelha-se, assim, a alguns “crentes” da atualidade, que se acham com “direitos” diante de Deus, que “exigem”, “decretam”, “determinam” coisas ao Senhor. Pobres pessoas são estas, pois, assim como o mancebo de qualidade, correm o risco de não ter a salvação. Afinal, Paulo nos ensina que quem espera em Cristo somente para esta vida é o mais miserável de todos os homens (I Co.15:19). Cuidado!

    - Diante desta pergunta de Pedro, o Senhor Jesus, que muito O amava, como ama a todos os ouvintes não convertidos, fez-lhe a promessa de que julgaria as tribos de Israel durante o reino milenial de Cristo, mas que, também, aqueles que, depois dos doze, resolvesse seguir a Cristo, desfrutariam de bênçãos cem vezes maiores do que os bens materiais que tivessem deixado, além de herdar a vida eterna. Para as preocupações das coisas desta vida, Jesus traz a Pedro a realidade dos lugares celestiais em Cristo, onde já fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais (Ef.1:3). Uma lição que seria aprendida por Pedro e por ele, também, ensinada, depois de sua conversão (cfr. I Pe.1:3,4).

    - Outra passagem do ministério de Cristo onde Pedro tem participação é o caso da figueira amaldiçoada que se secou (Mt.21:18-22; Mc.11:12-26), quando o Senhor dá a Pedro a lição da fé. Neste episódio, Jesus, ao procurar figos em uma figueira, embora não fosse tempo de figos, amaldiçoou-a. No dia seguinte, Pedro espantou-se ao ver que a figueira tinha secado conforme as palavras do Senhor. Diante deste espanto, o Senhor disse a Pedro que ele deveria ter fé em Deus, a fim de que o que se pedisse a Deus fosse feito.

    - Neste episódio, vemos como Pedro era, ainda, uma pessoa que necessitava de conversão, de crer em Deus para que pudesse alcançar a salvação de sua alma. Maravilhara-se de que a figueira tivesse se secado, tendo, então, o Senhor mostrado que tudo é possível ao que crê, mas que a fé exige, antes de mais nada, o perdão dos pecados.

    - Quando o Senhor disse aos discípulos que todos se escandalizariam nEle, advertência que foi objetada por Pedro, que afirmou que jamais deixaria seu Mestre (Mt.26:31-35; Mc.14:27-31; Lc.22:31-34; Jo.13:36-38). Tratava-se de mais uma demonstração de que Pedro se guiava única e exclusivamente pelos seus desejos, pelos seus impulsos. Servia a Cristo “do seu jeito”, como tantos “crentes” da atualidade. Achava que sua valentia, sua disposição, seu destemor eram suficientes para servir a Cristo e, desta maneira, de modo algum poderia deixar a Cristo nos instantes de dificuldade.

    - Como Pedro estava equivocado. O próprio Jesus lhe diz que ele haveria de negá-lo três vez antes que o galo cantasse duas vezes, palavras em que Pedro não acreditou, insistindo em devotar ao seu Mestre uma dedicação e lealdade singulares e superiores a de todos os demais discípulos. Como Pedro estava enganado, pois não se serve a Deus por força ou violência, mas pelo Espírito Santo. Quem é nascido da carne, é carne; quem é nascido do Espírito, é espírito (Jo.3:6). Embora não tivesse aceitado de pronto a palavra de Cristo, ela foi bem aprendida, tanto que, anos mais tarde, seria ensinada pelo próprio Pedro aos salvos (cfr. I Pe.1:20-25). Pedro mantinha sua recusa de se converter, achando que, por si só, poderia servir a Cristo.

    - Naquela mesma semana, Cristo lavou os pés dos discípulos, tendo Pedro, uma vez mais, mostrado estar fora do centro da vontade do Senhor (Jo.13:1-20). Não queria que o Senhor lavasse os seus pés, dizendo que isto era ilógico, pois era ele, o discípulo, quem deveria lavar os pés do Mestre, mas, diante da afirmação de Jesus de que, se não permitisse que Ele lavasse seus pés, não teria parte com Ele, Pedro, então, quis que Jesus lhe desse um banho. Nada mais elucidativo do comportamento de Pedro nesta fase de sua vida: aquém e além do propósito do Senhor. Quantos não querem fazer o que Jesus lhes manda e, depois, exageram quando confrontados pelo Senhor com a sua recusa? Entretanto, não há necessidade de “exageros”, pois quem está limpo pela Palavra de Deus sabe perfeitamente qual é a vontade do Senhor. Quem, porém, não foi transformado por esta Palavra, ou recusa fazer o que Deus quer ou, então, parte para “exageros” inadmissíveis, que não passam de pura carnalidade.

    - Após a páscoa, onde, como vimos, Pedro se manteve distante de onde estava Jesus, o Senhor chama o Seu “círculo íntimo” para o Getsêmane (Mt.26:36-46; Mc.14:32-42; Lc.22:39-46; Jo.18:1). Pedro, Tiago e João vão fazer companhia a Jesus, que se distancia deles cerca de um tiro de pedra e começa a orar, uma oração extremamente angustiante, onde se inicia a solidão do Senhor na Sua tarefa singular de salvar a humanidade. Os discípulos não O acompanham em oração, dormem, pois estavam sobrecarregados. Ali Pedro já poderia ter percebido que, assim como os demais, não tinha podido velar nem uma hora com o Senhor, tanto que o Senhor Se dirigiu especificamente a Pedro, chamando-o de “Simão”, a fim de advertir-lhe a sua igualdade com os demais (Mc.14:37), pois os fatos desmentiam todas as bravatas anunciadas por Pedro anteriormente. No entanto, sua carnalidade não lhe permitia ver que estava na mesma condição dos demais, que toda a sua valentia seria inútil.

    - Jesus é o mesmo (Hb.13:8). Continua a advertir todos quantos dEle se aproximam, ainda que sem uma genuína conversão, afim de que se arrependam dos seus pecados e aceitem a submissão ao Senhor. Jesus não Se cansa de lhes falar, através do Seu corpo místico, que é a Igreja, da necessidade que têm de nascer de novo, de aceitar o Seu jugo suave e Seu fardo leve, de renunciar a Si mesmos, tomar a Sua cruz, para que possam segui-lO e alcançar a salvação, que é o fim de nossa vida espiritual, de nossa fé (como ensinará Pedro – I Pe.1:9). Queira o Senhor que, ao contrário de Pedro na oportunidade que estamos a tratar, despertemos do sono espiritual e possamos ser esclarecidos por Cristo (Ef.5:14).

    - Segue-se, então, a prisão do Senhor no jardim. Pedro, como sempre, impetuoso, tenta livrar o Senhor usando da violência. Corta a orelha do servo do sumo sacerdote, de nome Malco (Jo.18:10), revelando, mais uma vez, como estava fora da vontade de Deus. Jesus opera, então, o milagre de pôr a orelha de Malco no lugar e manda que Pedro não mais usasse da espada.

    - Tem início a mais importante experiência da vida de Pedro: a sua conversão. Jesus foi preso e levado até a casa de Anãs. Assim como João, Pedro começa a seguir os passos de Jesus, mas, em mais uma demonstração física de seu estado espiritual, segue-O de longe (Mt.26:58; Mc.14:54; Lc.22:54), tendo sido levado para dentro da porta da casa por João (Jo.18:16). Este distanciamento físico de Pedro revelava quanto Pedro estava longe, ainda, do Senhor Jesus, porque não era ainda convertido.

    - Entretanto, Pedro havia estado com Jesus e foi prontamente reconhecido pelos criados do sumo sacerdote. A porteira reconheceu-lhe (Mt.26:69; Jo.18:17), tendo, então, Pedro negado Jesus pela primeira vez, dizendo que não era Seu discípulo. Uma outra criada o vê, depois que ele se dirigiu ao vestíbulo, reconhece-o, mas ele nega a Cristo pela segunda vez (Mt.26:71,72), dizendo não conhecer “tal homem”. Pouco depois, não só um, mas vários que ali estavam, aquentando-se, como ele (Mc.14:67; Lc.22:55), denunciando o seu sotaque galileu, começaram a falar que ele era discípulo de Jesus, mas ele, então, não só negou ser discípulo e conhecer a Cristo, como começou a praguejar e a jurar neste sentido. Então, o galo cantou pela segunda vez e Pedro se lembrou das palavras de Cristo, Cristo, aliás, que olhou para ele com um olhar penetrante (Lc.22:61).

    - Após o segundo canto do galo, Pedro caiu em si. Viu que de nada valera seus esforços humanos para servir a Cristo. A violência, a impetuosidade, o destemor, a ousadia haviam sido infrutíferos. No momento em que foi apresentado à dificuldade, ao risco de vida, Pedro negara a Cristo, recorrendo inclusive a maldições e juramentos. Vergonhosamente negava uma convivência de mais de três anos. Depois do olhar de Cristo, Pedro se retirou do local e chorou amargamente (Mt.26:75; Mc.14:72; Lc.22:62).

    - Este choro amargo de Pedro foi importantíssimo para a sua vida espiritual. Era a tristeza segundo Deus que opera o arrependimento para a salvação (II Co.7:9,10). Pedro, pela primeira vez, não só reconheceu ser pecador ou a soberania de Jesus, mas se arrependeu do que havia feito. Havia se arrependido e confiado em Cristo, que, com um simples olhar, mantinha o caminho aberto para a reconciliação, disposição esta que fez questão de reafirmar, já ressuscitado, na mensagem angelical às mulheres tornadas testemunhas de Seu ressurgir (Mc.16:7). Chegara o dia da conversão de Pedro.

    - Não há conversão sem que haja, antes, arrependimento de pecados e o arrependimento envolve dois aspectos: tristeza pelo que se cometeu e disposição de não mais repetir os erros, ou seja, mudança de mentalidade (a palavra grega “metanóia”, que é a palavra traduzida por arrependimento indica, precisamente, a mudança de mentalidade). Somente há perdão de pecados se houver arrependimento. Não basta apenas a confissão nem a tristeza pelo cometimento da falta. Se não houver a disposição de mudança, a “mudança de mentalidade”, não teremos senão o remorso, a sinceridade, que é importante mas insuficiente para se alcançar a salvação (Hb.12:17). A conversão envolve, necessariamente, o arrependimento (Jr.31:19).

    OBS: Recentemente, em uma entrevista, um dos mais famosos entrevistadores da televisão brasileira afirmou que o que considerava ser a maior mensagem do Cristianismo era o “perdão imediato”, de modo que “não haveria como um pecado impedir a salvação de alguém”. Esqueceu-se, porém, esta celebridade que só há “perdão imediato” quando há arrependimento. Sem arrependimento, não há perdão e a mensagem do Evangelho prega o arrependimento e remissão dos pecados (At.5:31). Não nos iludamos com estas “facilidades” que o mundo vem apregoando.

    II – A BIOGRAFIA DE PEDRO (II) – PEDRO, O PESCADOR DE HOMENS, A PEDRA VIVA DE CRISTO QUE ABRIU AS PORTAS DO EVANGELHO A JUDEUS E GENTIOS

    - Pedro havia se convertido a Cristo Jesus. Tendo chorado amargamente e sentido o perdão dos seus pecados, não se isola do grupo, como fizera Judas Iscariotes, que apenas tinha sentido remorso e não arrependimento. Está com os outros dez discípulos naqueles dias difíceis e sombrios após a morte do Senhor. Já era outro, pois não incitou os companheiros a uma revolta ou a uma atitude precipitada, mas, juntamente com eles, trancara-se no cenáculo com medo dos judeus (Jo.20:19).

    - Ao terceiro dia, as mulheres vão ao encontro dos discípulos e afirmam que Jesus ressuscitou. Pedro e João vão, então, ao sepulcro, para averiguar esta notícia. Pedro e João estão agora juntos, lado a lado, numa clara demonstração da mudança operada em Pedro (Jo.20:2-4). A propósito, foi precisamente Pedro quem teve a ousadia de entrar no sepulcro e ter uma ampla e completa visão de tudo o que ali havia. Sua ousadia, seu dinamismo agora estavam sendo utilizados sob a direção do Espírito de Deus, pois ele havia se convertido (Jo.20:6-10). Pedro, assim, demonstrou ter crido na mensagem angelical, que o incluíra entre os servos do Senhor. Não mais se preocupara com a negação vergonhosa de três ou quatro dias antes, porque, quando nos convertemos, “…uma coisa fazemos, e é que, esquecendo-nos das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de nós, prosseguimos para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp.3:13,14 com alteração das formas verbais), pois, “se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Co.5:17).

    - Ao contemplar os lençóis e o sepulcro vazio, Pedro retirou-se dali admirado consigo mesmo (Lc.24:12). Era alguém que, a partir de então, meditava no que estava a ver, que não tinha pressa em tomar a palavra, um homem que demonstrava sua mudança, sua transformação, sem que tivesse perdido o seu temperamento, temperamento que se encontrava, agora, sob o controle do Espírito, Espírito Santo que receberia naquele mesmo dia (Jo.20:22).

    - Todavia, ainda Pedro teria uma outra demonstração de fraqueza, mesmo após a conversão. Depois que Jesus havia aparecido segunda vez aos discípulos no cenáculo, oportunidade em que a incredulidade de Tomé fora lançada em rosto, não mais apareceu. Os dias foram se passando e Pedro desanimou. A ausência do Senhor foi entendida por ele como sendo um abandono e, a despeito de ter sido chamado para ser um pescador de homens, quis voltar a ser pescador de peixes e, rapidamente, dada sua impetuosidade e presença de espírito, conseguiu que os discípulos tudo abandonassem e voltassem para a vida da pesca, que havia sido deixada há mais de três anos (Jo.21:3).

    - Pedro estava convertido, mas estava “mal acostumado”. O Senhor havia se apresentado miraculosamente durante dois domingos e Pedro, dentro de sua impetuosidade, achava que tais aparições deveriam ser freqüentes e contínuas. Como o Senhor não mais aparecera, Pedro desanimou e resolveu voltar à vida velha, ao modo antigo de viver. Estava convertido, mas ainda não estava maduro.

    - Muitos são os “crentes” da atualidade que, apesar de terem tido uma real experiência com o Senhor, de serem convertidos, ainda não alcançaram a maturidade espiritual, querendo que haja sinais e maravilhas a cada instante, a cada momento. Correm atrás destes sinais e maravilhas, invertendo a ordem das coisas, pois os sinais e maravilhas é que devem seguir aos que crêem e não o contrário (Mc.16:17). Quando milagres não acontecem, quando não há maravilhas extraordinárias (e a palavra “extraordinária” significa exatamente “algo fora do normal”, algo que não se repete sempre), resolvem voltar à vida velha, ao pecado. Devemos esquecer as coisas que ficaram para trás e olhar para o alvo, que é a salvação das nossas almas.

    - Pedro resolveu ir pescar, saindo, uma vez mais, do centro da vontade de Deus. Repetiu-se, então, a experiência da pesca maravilhosa, que havia levado Pedro a deixar tudo por Jesus. Nada apanharam, mas, sob a palavra de Cristo, fizeram uma nova pesca milagrosa. Mas, se não fosse por João, Pedro nem sequer teria percebido que era o Senhor. Estava novamente cego e surdo para as coisas de Deus. É interessante notar que se encontrava nu ou quase que totalmente nu, tanto que, ao saber que se tratava do Senhor, cingiu-se com a túnica (Jo.21:7).

    - Quando deixamos a direção de Deus, quando tencionamos voltar para a vida antiga, antes de nossa conversão, perdemos as vestes espirituais (Ap.3:18). Não nos iludamos: quem não estiver trajado de vestes espirituais, não herdará o reino de Deus (Ap.16:15).

    - Pedro puxou a rede para a terra e ali estavam 153 grandes peixes, sem que a rede se rompesse. Era o fim da carreira de pescador de peixes de Pedro. Na refeição, Jesus, então, Se dirige para Simão, filho de Jonas e, por três vezes, pergunta-lhe se ele O amava. Era a aplicação da lei da semeadura. Pedro havia negado o Senhor por três vezes, deveria confessá-lO também por três vezes. Havia, também, voltado a ser pescador de peixes, mas deveria agora assumir, de vez, a sua condição de pescador de homens.

    - Pedro agora era um outro homem. Não vemos mais a sua arrogância, a sua auto-suficiência. Perguntado se amava a Cristo, na primeira e na segunda vez, responde que sim, mas, mais do que isto, que o Senhor sabia que ele O amava (Jo.21:15). Não era mais o “sabe-tudo”, o “valente”, o “repreendedor”, mas o humilde servo de Jesus, a ovelha que é conhecida pelo seu pastor (Jo.10:14.27). Jesus, então, manda a Pedro que apascentasse os Seus cordeiros, a demonstrar que o obreiro não tem domínio sobre o rebanho, que é de Deus, lição que, muito bem aprendida por Pedro, foi depois por ele mesmo ensinada à Igreja (I Pe.5:2,3).

    OBS: Como é diferente, aliás, a lição de Jesus que Pedro tão bem aprendeu e ensinou com o que faz o Romanismo que põe os supostos “sucessores de Pedro” como monarcas absolutos e infalíveis…

    - Por fim, na terceira pergunta, Pedro entristece-se pela insistência do Senhor, mas, em vez de repreender o Mestre, como fizera anteriormente, de se exaltar, como tantas vezes procedeu, Pedro rende-se incondicionalmente a Jesus, dizendo que Ele sabia tudo. Era a renúncia incondicional de si mesmo, a auto-negação, o passo que ainda faltava para que Pedro fosse usado poderosamente na obra de Deus.

    - Ante tal confissão, Jesus diz a Pedro que ele envelheceria e que, assim como não faria mais a sua vontade, no sentido espiritual, no final de seus dias, também seria levado para onde não queria, sendo, também, dito que haveria de morrer pelo Evangelho (Jo.21:18,19). Pedro, então, quis saber a respeito do destino de João, mas, numa clara demonstração de que não tinha “primado” entre os apóstolos, isto não lhe foi revelado.

    - Jesus subiu aos céus e mandou que os discípulos aguardassem em Jerusalém o revestimento de poder para que pudessem iniciar o trabalho de pregação do Evangelho a toda a criatura. Reunidos para orar e buscar o Senhor pelo tempo que fosse necessário, vemos Pedro se levantando entre os discípulos e dirigindo a escolha de um substituto para Judas Iscariotes, oportunidade em que foi escolhido Matias, que passou a ser contado entre os doze apóstolos (At.1:15-26).

    - Esta atitude de Pedro, porém, não parece ter tido a aprovação divina. O texto sagrado informa-nos que Matias passou a ser considerado apóstolo, sem afirmar que o Senhor o tivesse escolhido como tal, bem assim não há qualquer indicação de que houvesse a necessidade de se completar já o colégio apostólico ou que fossem necessários doze apóstolos. Vemos, assim, que, mesmo entre convertidos, há decisões que são tomadas sem a prévia direção e orientação do Espírito de Deus, cujas conseqüências podem ser funestas à obra do Senhor ou, simplesmente, indiferentes a ela, como parece ter sido o caso.

    - No dia de Pentecostes, os discípulos são batizados com o Espírito Santo e o que faltava para que Pedro se tornasse o pescador de homens aconteceu. Revestido de poder, Pedro levanta-se entre os discípulos e prega à multidão que se aglomerara para ver o que se passava no cenáculo. Seu temperamento destemido, ousado e impulsivo, sob pleno envolvimento e controle do Espírito Santo, abriu a porta do Evangelho para os judeus, sendo esta a “primeira chave” mencionada pelo Senhor em Mt.16:19. Quase três mil almas se converteram ao Senhor, tendo Pedro, em seu sermão, falado sobre o arrependimento dos pecados e a necessidade deste arrependimento para o perdão dos pecados (At.2:38-40). Pedro havia experimentado esta salvação e, revestido de poder, podia, agora, anunciá-la com toda a ousadia que lhe era inata.

    - O destemido Pedro tornou-se um homem de oração. O revestimento de poder não foi um instante esporádico de manifestação do poder de Deus na vida de Pedro. Ele passou a ter uma vida de oração.Aquele homem que não pudera velar nem uma hora com o Senhor no Getsêmane, era agora um homem que orava constantemente. Em At.3:12, vemos na companhia de João (como estão juntos agora…), indo ao templo, na hora da oração. Encontrou-se, então, com um coxo na porta Formosa do templo e ali, dizendo não ter prata nem ouro, mas poder de Deus, curou aquele homem, o que causou um movimento intenso no templo, oportunidade para que Pedro pregasse outro sermão e quase cinco mil pessoas se convertessem a Jesus (At.3:1-4:4).

    - Os sinais e maravilhas acompanham os verdadeiros e genuínos crentes, que se dedicam a uma vida de santificação, consagração, oração e meditação na Palavra de Deus. Não há sinais e maravilhas com emoções e desleixo espiritual. Para que o poder de Deus se manifeste, é preciso que haja renúncia por parte dos “crentes”, uma vida devocional intensa e ininterrupta. Hoje em dia, não há mais a manifestação do poder de Deus por causa da ausência desta preparação. Os crentes não oram, não lêem a Palavra de Deus, não se consagram e, depois, querem que o “poder de Deus caia”. Os movimentos que surgem em locais quetais nada mais mais que manifestações carnais, muitas vezes induzidas por estratégias de neurolinguística e outras técnicas hipnóticas e de comunicação. Cuidado!

    - Pedro e os demais discípulos, então, são levados ao Sinédrio, o mesmo tribunal que havia levado Jesus para ser condenado à morte. Mas Pedro agora está revestido de poder e é convertido, pronto a morrer pelo Senhor. Antes, uma simples criada abalara a sua opção por Cristo, mas agora nem mesmo o Sinédrio poderia calá-lo. Pedro pregou para os máximos intérpretes da lei judaica, que ficaram admirados com a sua pregação, sabendo que se tratava de homem sem letras e indouto. Quando instados a se calar, Pedro disse não ser justo deixar de falar o que tinham visto e ouvido. Era o destemor, a ousadia sob o controle do Espírito Santo. Diante de tamanha ousadia e poder de Deus, foram os discípulos soltos e, então, foram orar a Deus e o poder era tanto que o local onde estavam reunidos tremeu e todos foram cheios do Espírito Santo (At.4:5-31).

    - Pedro é, então, usado pelo Espírito Santo em mais um dom espiritual: a palavra da ciência. O Espírito Santo lhe revela a artimanha de Ananias e Safira, que morrem pela palavra do apóstolo, após terem se recusado a dizer a verdade. Pedro mostra-se como um instrumento de Deus para a manutenção da santidade no meio do povo de Deus, trazendo temor em toda a igreja, prosseguindo a ser usado com sinais e maravilhas, a ponto de pessoas serem levadas para as ruas a fim de que ao menos a sombra de Pedro pudesse cobri-las, num sinal de que, em alguma vez, houve cura de enfermos por força da cobertura de sombra (At.5:1-16).

    - Pedro, então, sentiu o peso do vitupério de Cristo, a perseguição. O Sinédrio e o sumo sacerdote lançaram mão dos apóstolos e os prenderam. Milagrosamente, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e eles, então, voltaram a pregar. Levados de novo à presença das autoridades religiosas, foram admoestados a se calar, açoitados e, depois, se regozijaram de que fossem dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus, não cessando de ensinar e de anunciar a Jesus Cristo (At.5:17-42).

    - A perseguição aumentou ainda mais. Estêvão foi morto e Saulo começou a liderar uma impiedosa perseguição aos crentes, que se dispersaram, com exceção dos apóstolos. O Evangelho é pregado em Samaria e Pedro, juntamente com João, vão até lá para averiguar o trabalho feito por Filipe (At.8:14). Pedro impôs as mãos sobre os crentes de Samaria e eles também receberam o batismo com o Espírito Santo (At.8:17). Foi, então, Pedro tentado pela oferta de dinheiro. Simão, o mago, ofereceu-lhe dinheiro para ter o mesmo poder, mas Pedro mostra como deve se portar um autêntico e convertido servo do Senhor: rechaçou a oferta de dinheiro e denunciou a falta de comunhão de todos aqueles que não servem a Deus com um coração reto. Pedro, diante de um não convertido, revela que os não convertidos não têm parte no reino de Deus, ainda que se digam “crentes”. Pedro havia sido um destes, mas agora era um salvo remido no sangue de Jesus. Aleluia!

    - Muitos pregadores e ensinadores da Palavra de Deus, que se converteram genuinamente, que foram batizados com o Espírito Santo, não têm resistido seja à perseguição, seja à oferta do dinheiro. Muitos, ao se defrontarem com a perseguição, desanimam, negam o Senhor, tentando, como se fez no passado, retornar à Igreja depois que a perseguição cessa. São os “relapsi” dos dias do Império Romano, que aceitavam oferecer sacrifícios aos deuses pagãos, para não ser queimados na fogueira e, depois, vinham pedir perdão nas igrejas locais, quando a tempestade da perseguição acalmava. Jesus perdoa, é bem verdade, mas devemos ver se há frutos dignos de arrependimento, ou se apenas são não convertidos que querem levar vantagem.

    - A oferta de dinheiro, então, tem sido uma praga nos dias hodiernos. Muitos grandes homens e mulheres de Deus, usados poderosamente por Deus, como foi Pedro, não resistem à simonia, que é a “compra ou venda ilícita de coisas espirituais (como indulgências e sacramentos) ou temporais ligadas às espirituais (como os benefícios eclesiásticos)”, “simonia”, aliás, que é palavra derivada precisamente de “Simão”, o mago. O amor do dinheiro desvia muitos da fé (I Tm.6:10) e é a causa do surgimento de tantos falsos mestres, como bem aprendeu Pedro (II Pe.2:3). Cuidado!

    - Depois de ter pregado o Evangelho em aldeias de samaritanos (At.8:25), Pedro passou a ir visitar as igrejas que haviam se constituído em toda a Judéia, e Galiléia, e Samaria (At.9:31,32), sendo este o principal motivo pelo qual Paulo o denominou de o apóstolo dos da circuncisão, visto que Pedro era, sem dúvida, um apóstolo dedicado a assistir as igrejas de judeus que haviam se convertido a Cristo. Pedro, assim, pelo que se verifica, assim como Paulo, exercia sua autoridade apostólica sem ter uma igreja para administrar.

    OBS: Não é, pois, senão fantasia a afirmação de que Pedro tenha sido “bispo de Jerusalém” (jamais dirigiu a igreja de Jerusalém, que era dirigida por Tiago, irmão do Senhor, como se vê claramente em At.15) e, depois, “bispo de Antioquia”, o que é desmentido pelo fato de Paulo tratar a Pedro como “dos da circuncisão”, quando a igreja em Antioquia era composta de gentios, de onde Paulo e Barnabé foram mandados como missionários, jamais tendo Paulo mencionado que Pedro tenha sido “bispo” ali. Aliás, a passagem de Gl.2 torna-se incompreensível se Pedro fosse o “bispo” daquela igreja e, que, a partir do ano 42, tivesse sido “bispo de Roma”, cidade onde se duvida tenha estado alguma vez.

    - Nestas suas viagens junto aos da circuncisão, Pedro continuou a ser usado por Deus com sinais e maravilhas. Enéias foi curado da sua paralisia (At.9:33,34) e muitos se converteram em Lida e em Sarona. Em Jope, Pedro é usado por Deus para ressuscitar Tabita ou Dorcas (At.9:39-42), tendo, então, ficado ali muitos dias.

    - Era hora de Pedro abrir a porta do Evangelho aos gentios. Tratava-se de fazer Pedro ultrapassar a barreira da resistência cultural. Verdade que já pregara o Evangelho aos samaritanos, mas, apesar de ser um povo hostil aos judeus, de qualquer maneira, era um povo que tinha o sangue israelita. No entanto, como bom servo de Cristo, alguém que agora estava no centro da vontade de Deus, Pedro deveria compreender que a salvação era para toda a humanidade, inclusive para os gentios.

    - Deus, então, de um modo todo especial, trabalha com Pedro para que possa ir até a casa de Cornélio, centurião romano, o primeiro gentio a ser salvo pela atuação da Igreja (At.10-11). Pedro tem uma visão repetida três vezes em que se lhe mostram animais aparentemente impuros, mas que foram purificados pelo próprio Senhor e, depois, ainda que relutantemente, vai a casa de Cornélio, onde prega o Evangelho. Jesus batiza Cornélio e os seus com o Espírito Santo e só, então, Pedro aceita batizá-los nas águas. Ao retornar a Jerusalém, Pedro é alvo de uma verdadeira “comissão” (prova de que não era nem nunca tinha sido “bispo” naquela igreja), quando se chega à conclusão de que a salvação também era para os gentios. Era a “segunda chave” que o Senhor dera a Pedro em Mt.16:19, como o próprio Pedro reconhece em At.15:7.

    - De volta a Jerusalém, Pedro sente, uma vez mais, o ardor da perseguição. Quem foi martirizado desta vez foi Tiago, o companheiro do “círculo íntimo” do ministério terreno de Jesus, uma das “colunas” da igreja. Pedro é preso em seguida, mas vemos como era diferente este Pedro. Preso e pronto para ser morto, dormia tranqüilamente na prisão (At.12:3-19), enquanto que, no passado, uma simples criada o fizera praguejar e jurar em falso. Como o Evangelho transforma as pessoas!

    - Pedro foi acordado por um anjo e saiu da prisão, pensando tratar-se de um sonho. Já na rua é que percebeu que era realidade o seu livramento e foi para a casa de Maria, mãe de João Marcos (o autor do evangelho segundo Marcos), onde os crentes estavam reunidos em oração em favor de Pedro e ali testificou do seu livramento. Partiu, então, para outro lugar, dizem as Escrituras, enquanto que Herodes e os soldados não sabiam como explicar o ocorrido.

    - A partir deste capítulo, o livro de Atos dos Apóstolos não mais se refere a Pedro, que cede seu lugar na narrativa, feita por Lucas, a Paulo. O que sabemos de Pedro na Bíblia, a partir de então, é que esteve em Antioquia, visitando aquela igreja, quando entrou em conflito com Paulo, antes do concílio de Jerusalém, porque passou a evitar comer com os crentes gentios, por causa dos crentes judaizantes (Gl.2:11-14), um comportamento recriminável e que vai contra a sinceridade que sempre caracterizara a vida e o ministério de Pedro. Pedro, porém, não era mais o homem de dura cerviz do passado e, prova disso, é que foi um grande defensor do trabalho de Paulo no concílio de Jerusalém (At.15:7-11), defesa que foi decisiva para que se tomasse a decisão de não impor a lei de Moisés aos cristãos gentios.

    - Pouco sabemos da vida de Pedro a partir de então. A sua primeira epístola é dirigida aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (I Pe.1:1), regiões situadas na área que hoje corresponde à Turquia, a demonstrar que tenha trabalhado nestas regiões, pregando o Evangelho. No final desta carta, Pedro afirmou que a igreja em Babilônia (onde havia uma grande colônia judaica) saudava os destinatários da carta (I Pe.5:13). Tudo nos leva a crer, portanto, que Pedro tenha exercido seu ministério para o oriente, enquanto que Paulo tenha ido para o ocidente. A segunda carta de Pedro não traz qualquer informação a respeito de locais.

    - Cedo surgiu uma tradição de que Pedro teria se deslocado para Roma e ali exercido seu ministério até ser martirizado, assim como Paulo, na primeira grande perseguição romana contra a Igreja, nos dias de Nero. Segundo esta mesma tradição, Pedro teria sido morto no monte Vaticano, em Roma, crucificado de cabeça para baixo, já que não se achou digno de ter a mesma morte de Cristo. Em cima desta tradição, a Igreja Romana pretende se mostrar como o “corpo visível de Cristo” e a “única e verdadeira Igreja de Cristo”, o que foi reafirmado recentemente pelo Vaticano, ao interpretar algumas disposições do Concílio Vaticano II que pareciam ter aquela Igreja alterado seu pensamento a respeito.

    - No entanto, não há qualquer base escriturística para dizermos que Pedro tenha estado em Roma ou lá tenha morrido. Dizer que a “Babilônia” de I Pe.5:13 é uma metáfora e significa “Roma” é ir muito além do texto. Além do mais, se Pedro foi “bispo de Roma”, como explicar que Paulo não o tenha mencionado na epístola aos romanos? São evidentes sinais das Escrituras no sentido contrário da tradição, tradição, ademais, que está vinculada a falsas doutrinas e que, portanto, devem ser, no mínimo, postas sob suspeita pelos amantes da Palavra de Deus.

    - Mais importante do que isto é que, nas suas duas epístolas, encontramos um Pedro que mostra ter aprendido todas as lições ministradas pelo Senhor durante o Seu ministério terreno, como já pudemos ver ao longo da biografia do apóstolo.

    - Nestas duas cartas, Pedro mostra, claramente, que a Igreja deve se preocupar com a santidade, que se inicia com um genuíno e autêntico novo nascimento e que se prova mediante uma conduta exemplar, que deve ter em Cristo o seu único e exclusivo exemplo, conduta esta que se revela tanto na igreja, como na família e na sociedade. Além do mais, a igreja, diz-nos Pedro, precisa estar atenta para tudo o que ocorre à sua volta, jamais se esquecendo da volta de Cristo, devendo, enquanto o Senhor não vem, dedicar-se ao crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, não se deixando levar pelos falsos mestres. Que ensino precioso e que deve estar sempre presente em nossas mentes e corações, se quisermos ter a mesma certeza que o apóstolo deixa, pouco antes de terminar a sua carta, ou seja, a de que “…devemos procurar fazer cada vez mais firme a nossa vocação e eleição, porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçaremos” (II Pe.1:10 com alteração das formas verbais).

    III – O QUE APRENDEMOS A FAZER COM PEDRO

     

    - Depois desta longa biografia do apóstolo Pedro, que lições podemos ter no sentido positivo, ou seja, o que aprendemos a fazer com este vaso de barro que serviu para a glória do nome do Senhor?

    - A primeira lição, destacada pelo ilustre comentarista, é a “sinceridade”, ou seja, “a qualidade de ser sincero”, a “qualidade de ser transparente, honesto”. A palavra “sincero” vem do latim “sincerus”, que significa “puro, sem mistura; leal, franco, verdadeiro”. A palavra vem da expressão “sin cera”, ou seja, “sem cera”, como se intitulavam os vasos que eram vendidos em seu estado verdadeiro, sem que houvesse a aplicação de cera para esconder as fissuras, as falhas que existiam em alguns vasos.

    - A “sinceridade” é um dos atributos indispensáveis para o verdadeiro servo de Deus. Quem considera o livro de Jó o mais antigo da Bíblia, vê que a primeira afirmação do texto sagrado é de que um homem que agradava ao Senhor era, antes de tudo, um homem sincero (Jó 1:1). Paulo recomenda que façamos festa com os asmos da sinceridade e da verdade (I Co.5:8).

    - Pedro sempre foi um homem transparente, que mostrava o que estava a sentir, em todas as ocasiões, salvo no caso em que foi repreendido por Paulo em Antioquia. Mesmo antes de se converter, sempre demonstrou sinceridade e, por isso, podia dizer, com autoridade moral, que procurava despertar nos crentes, em suas cartas, o “ânimo sincero” (II Pe. 3:1).

    - Precisamos ser transparentes, ser aquilo que realmente somos, sem fingimento, sem mentiras, sem falsidade. Deus reprova todos aqueles que adotam a hipocrisia, este grande mal que tem assolado a vida de muitos crentes. Não podemos ter o “fermento da maldade e da malícia” (I Co.5:8), mas dizermos aquilo que pensamos, falarmos sempre a verdade, ainda que isto venha a causar algum desconforto momentâneo. Não poderemos vencer o maligno, nesta vida tão difícil, se não cingirmos os nossos lombos com a verdade (Ef.6:14).

    - Entretanto, é bom que se diga, só a sinceridade é insuficiente na vida de um salvo. É preciso que o salvo seja sincero, mas, quando vemos o testemunho que Deus dá de Jó, verificamos que a sinceridade é apenas o primeiro requisito de um servo de Deus. Faz-se preciso que, além de sincero, o homem seja também reto, temente a Deus e que se desvie do mal (Jó 1:1,8; 2:3). Se a sinceridade não é acompanhada de retidão, de temor a Deus e de desvio do mal, de nada adianta sermos sinceros.

    - Pedro foi sincero desde o primeiro instante em que falou a Cristo. Na pesca maravilhosa, confessou-se um pecador e pediu que o Senhor Se ausentasse dele, demonstrando sinceridade, que foi várias vezes realçada pelo discípulo. Mas esta “sinceridade” nada representou enquanto não houve uma verdadeira conversão, enquanto Pedro não se dispôs a ser reto, temente a Deus e a se desviar do mal.

    - A retidão vem ao homem através da fé em Cristo Jesus (Rm.5:1), a chamada fé salvadora, que vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17). Pedro era sincero, mas, enquanto só resolveu “tomar a palavra” e não ouvir, construiu sobre a areia, tendo sua edificação caído quando veio a grande prova, instante em que negou a Cristo por três vezes. Não basta sermos sinceros, mas é preciso que esta sinceridade seja misturada com a fé, sem o que a palavra que for ouvida será de proveito algum (Hb.4:2).

    - A segunda lição que aprendemos com Pedro é a do dinamismo, outra característica destacada pelo ilustre comentarista. “Dinamismo” é “característica daquele ou daquilo que é enérgico, ativo; diligência, energia, vitalidade”. Pedro, pelo que vemos no texto sagrado, era uma pessoa bem disposta, que tomava a iniciativa quase todas as vezes. Assim, andou por sobre as águas, desembainhou a espada e cortou a orelha de Malco, como também se levantou entre os discípulos e pregou o primeiro sermão da Igreja.

    - Esta iniciativa deve estar presente em cada um dos servos do Senhor. Temos de ser um povo “bem disposto” (Lc.1:17), pois toda a disposição procede do Senhor (Pv.16:33). OP Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16) e “poder”, em grego, é a palavra “dynamis”. “Dinamismo”, portanto, é a ação de quem tem “dynamis”, de quem tem “poder”. Pedro sempre tomou a iniciativa, tanto que as pessoas saíam e levavam os enfermos para as ruas, pois Pedro estava sempre a andar de um lado para outro, sem qualquer comodismo, em busca das almas a salvar. Era um verdadeiro “pescador de homens”, alguém que se “lançava ao mar alto” para ganhar almas para Cristo.

    - Ter iniciativa, disposição, dinamismo é importante, desde que este poder seja o poder de Deus, desde que estejamos na direção do Espírito do Senhor. Tomar a iniciativa fora da vontade do Senhor, sem a direção divina, é tão somente “atrevimento”. As ações de Pedro antes de sua conversão nada mais são do que puro “atrevimento” e, por causa disto, não se sustentavam, pois o que advém da carne é passageiro, “fogo de palha”, para se utilizar de uma expressão popular muito conhecida.

    - É inegável que, não fosse seu dinamismo, Pedro não teria sido a única pessoa na história, além de Jesus, a andar sobre as águas. Mas também não se pode negar que esta “ousadia” de nada valeu. Pedro morreria afogado não fosse o socorro do Senhor Jesus. Também não se pode deixar de reconhecer a valentia de Pedro ao enfrentar toda u’a multidão de soldados armados no jardim, quando da prisão de Jesus, mas isto nada representou quando, alguns instantes depois, teve Pedro de “enfrentar” uma simples criada.

    - O dinamismo, a iniciativa, a ousadia devem ter a direção divina, estar no centro da vontade do Senhor. Hoje há muitos “atrevidos” nos púlpitos, nas reuniões das igrejas locais, mas muito poucos estão sendo dirigidos pelo Espírito de Deus. Seu “dinamismo” não serve, é de um Pedro não convertido, que resultado algum traz a não ser a vergonha e a derrota. Que saibamos ser ousados na presença do Senhor, mas de acordo com a Sua vontade, para glória do Seu nome. Não sejamos “atrevidos”, pois é o próprio Pedro quem diz que os tais não têm futuro promissor (II Pe.2:9,10).

    - A terceira lição que temos com Pedro é a do arrependimento como início de uma verdadeira vida cristã. Enquanto Pedro não se arrependeu, não houve conversão. Toda a sua convivência com Cristo não foi suficiente para que alcançasse o novo nascimento. Era apenas “Simão”, o “ouvinte”, mas não praticante dos ensinos de Jesus. Quando, porém, se arrependeu, chorando amargamente, aí, sim, tornou-se “Pedro”, a “pedra viva de Cristo” (cfr. I Pe.2:5), uma casa espiritual e sacerdócio santo, que se encontra fundada na rocha, que é Cristo, que Se torna nosso fundamento e não pedra de tropeço.

    - Não é possível sermos servos do Senhor se não nos arrependermos antes dos nossos pecados e crermos em Cristo Jesus. Qualquer outro modo de “geração espiritual” é pura ilusão, pois só quem é gerado pela “semente incorruptível”, pela “Palavra de Deus” (I Pe.1:23). Assim como Pedro foi somente “ouvinte” enquanto não se arrependeu, muitos estão nas igrejas locais, mas ainda não se converteram. Por isso, é tão necessário verificarmos se as pessoas produzem frutos dignos de arrependimento antes de as batizarmos nas águas, para que não venhamos a ter muitos “Simões” no meio do povo de Deus, enganando e sendo enganados.

    - A quarta lição que temos com Pedro é o da obediência à Palavra de Deus, a quem deu primazia. Pedro, mesmo antes de se converter, sempre se mostrou obediente ao que Cristo lhe dizia. Na pesca maravilhosa, disse que lançaria a rede sob a palavra do Senhor e, mesmo já na parte final de seu ministério, não se esquecia de ensinar que a “palavra do Senhor permanece para sempre” (I Pe.1:25). Pedro fez sinais e maravilhas porque era alguém que se guiava pela Palavra de Deus, mesmo que, às vezes, não entendia o teor das Escrituras, como confessa com relação a alguns escritos de Paulo (II Pe.3:15,16).

    - Pedro dava o devido valor às Escrituras, fazendo questão de dizer que elas eram inspiradas pelo Espírito Santo (II Pe.1:20,21), desmentindo assim os seus “supostos sucessores”, que, século após século, negam a primazia da Bíblia Sagrada, construindo uma “tradição” que sufoca a Palavra do Senhor. Pedro afirma, com todas as letras, a inerrância da Bíblia, a sua condição de Palavra de Deus, de única regra de fé e prática para a Igreja.

    - Nos dias em que vivemos, porém, muitos são aqueles que não crêem mais na Bíblia, nem querem dela saber. Constroem fábulas, lendas e mitos e se aferram a eles, a fim de poderem pecar livremente. Amontoam, para si, doutores conforme as suas próprias concupiscências, não suportando mais a sã doutrina (II Tm.4:3,4). Pedro, porém, ensina-nos a seguir as Escrituras, a nos basear nelas, não só na nossa vida diária, mas também nas pregações. Como é bom lermos os sermões de Pedro, fundamentados todos nas Escrituras e não em “histórias da carochinha”, como, lamentavelmente, vemos nos dias de hoje.

    - A quinta lição que aprendemos com Pedro é o de manutenção de uma vida de oração. Depois da sua conversão, vemos que Pedro se tornou um homem de oração. Pedro orou até ser batizado com o Espírito Santo, depois continuou a orar no templo, tendo, ao ser solto, logo ido para uma casa onde havia uma reunião de oração. Antes de comer na casa de Simão, o curtidor de Jope, estava a orar. Um homem dedicado à oração e, por isso mesmo, um instrumento nas mãos do Senhor para realizar sinais e maravilhas.

    - Muitos querem, hoje, que suas sombras curem pessoas, mas, em vez de alterarem a iluminação de seus templos, para que se faça uma “sombra gigante” para atingir os crentes, deveriam dobrar seus joelhos e pôr seu rosto em terra para alcançarem poder de Deus. Pedro dava primazia à Palavra, pregava a Palavra e, por isso, o Senhor fazia com que a Palavra fosse confirmada com sinais e maravilhas, resultado de uma vida de oração (Mc.16:20). Assim procederam os pioneiros de nossa denominação no Brasil e tantos quantos, ao longo da história da Igreja, foram levantados pelo Senhor. Este é o caminho. Estamos dispostos a pagar o mesmo preço?

    - A sexta lição que aprendemos com Pedro é a do equilíbrio na vida espiritual. Depois de ter se convertido, notamos que Pedro é um exemplo de equilíbrio, equilíbrio este sintetizado na sua última recomendação registrada no texto sagrado: “crescei na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (II Pe.3:18). Senão vejamos.

    - Pedro diz que a vida do cristão é uma vida de contínuo crescimento espiritual. Um crente equilibrado é aquele que não pára de crescer, de se desenvolver espiritualmente. Pedro sabia bem quanto custara uma estagnação na vida espiritual, quanto custara a sua recusa em se submeter ao senhorio de Cristo. Devemos sempre, após ter um início genuíno, que é a geração espiritual, o novo nascimento, crescer indefinidamente, a fim de que possamos vencer o mundo e o pecado e alcançar a salvação, que é o fim de nossas almas.

    - Este crescimento, porém, deve se dar em dois aspectos: graça e conhecimento. Não basta crescermos apenas na graça, tornando-nos fanáticos, sem visão espiritual, facilmente levados por qualquer vento de doutrina, por falta de consistência, de raiz espiritual (Mt.13:20,21; Ef.4:14). A vida de oração é uma necessidade, como vimos, mas não é suficiente por si só.

    - Torna-se necessário crescermos no conhecimento, ou seja, é preciso que estudemos e meditemos na Palavra do Senhor, para que tenhamos consistência, raiz espiritual. Sem oração, o poder de Deus não se manifesta, não temos dinamismo nem iniciativa. Mas, sem conhecimento, não teremos firmeza espiritual. Crescer só no conhecimento nos fará intelectuais, sem fervor e sem experiência com Deus, meros ouvintes que não alcançarão a salvação.

    - Mas o equilíbrio também é encontrado na expressão “Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Temos aqui, então, a sétima lição que Pedro nos deixa: para o genuíno cristão, Jesus é Senhor e Salvador. Pedro mostra-nos, com sua experiência pessoal, que não basta dizermos que Jesus salva, mas é necessário que também reconheçamos que Ele é Senhor e que, portanto, deve nos governar. Devemos nos submeter a Cristo, fazer a Sua vontade, não a nossa. Pedro é o único a utilizar a expressão “Senhor e Salvador” no texto sagrado (II Pe.1:11; 2:20; 3:2,18) e isto nos mostra quanto isto foi significativo na vida do apóstolo. Precisamos ter esta mesma concepção e, mais do que isto, esta mesma experiência.

    IV – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM PEDRO

    - Como sempre temos feito ao longo deste trimestre, elenquemos também os contra-exemplos dados por Pedro, a fim de que, ao não repeti-los, também possamos melhorar os nossos caminhos diante do Senhor.

    - O primeiro contra-exemplo que Pedro nos deixa é o de sermos tão somente ouvintes de Jesus Cristo. Durante mais de três anos, Pedro participou do colégio apostólico e, mais do que isto, do chamado “círculo íntimo do Senhor” tão somente como um “ouvinte”, como “Simão”. Não havia se convertido, apesar de todas as maravilhas, ensinos e palavras que recebia de Jesus.

    - Apesar de toda a intimidade que o Senhor abriu para Pedro, este resistiu a se submeter ao Senhor, vendo-o como um Mestre, como alguém divino até, mas se recusando a se render a Ele incondicionalmente. Servia a Deus “do seu jeito”, baseando-se na carne e não no espírito. Na hora crucial, sem estar no centro da vontade de Deus, negou a Cristo, fracassando de modo retumbante.

    - Infelizmente, não são poucos aqueles que têm servido a Cristo da mesma maneira que “Simão”, como simples “ouvintes”, que ouvem mas não compreendem a Palavra de Deus, comportando-se como insensatos (Mt.7:26,27). São pessoas que não nasceram de novo e que, se não se arrependerem, terão um triste fim: a perdição. Que Deus nos guarde para que não sejamos deste grupo, grupo que, infelizmente, constitui “quase todos” os que dizem professar o nome do Senhor na atualidade (Mt.24:12 ARA), “a maior parte dos homens” (Mt.24:12 TB).

    - O segundo contra-exemplo que Pedro nos deixa é o da dissintonia com a vontade de Deus. Pedro era sempre um “crente” que, ou estava aquém da vontade do Senhor, ou além dela, nunca no centro da Sua vontade, até o momento de sua conversão. Devemos estar no centro da vontade do Senhor, ela tem de prevalecer em nossas vidas. Por isso, até, Jesus nos ensinou a isto pedir ao Pai (Mt.6:10).

    - Os dias hodiernos são dias em que se ensina que o crente pode fazer a sua vontade, pois Deus seria obrigado a satisfazê-la. Nada mais enganoso. Não estamos aqui para impedir que Jesus lave nossos pés ou, então, para que Ele nos dê um banho completo, mas para fazer a Sua vontade, sem questionamento, em total submissão. Ele é nosso Senhor e Salvador, como Pedro, posteriormente, aprendeu e nos ensinou. Que nada queiramos a não ser o que o Senhor queira.

    - O terceiro contra-exemplo que Pedro nos deixa é o da confiança na força e na violência. Pedro era um homem impetuoso, impulsivo, que confiava na força e na violência. Cortou a orelha do servo do sumo sacerdote, andava armado com espada, acreditava na sua habilidade, chegando, mesmo, a andar sobre as águas. Todavia, toda esta força e violência de nada lhe serviram. Não foi capaz de enfrentar uma simples criada quando confrontado com o fato de ser discípulo de Jesus, nem tampouco pôde continuar a andar sem se afogar por sobre as águas. A confiança na força, na violência e a própria auto-confiança só dão causa ao fracasso e à vergonha. Entreguemos nosso caminho ao Senhor, confiemos nEle e Ele tudo fará (Sl.37:5).

    - O quarto contra-exemplo que Pedro nos deixa é o da inconstância. A inconstância é a conseqüência de se viver fora da vontade do Senhor, bem como de se confiar em si mesmo ou na força ou violência. Até a sua conversão, Pedro era inconstante.Num momento, conseguia ser o único discípulo que conseguia ter uma revelação divina profunda, como o da identidade espiritual de Cristo, mas, logo em seguida, era precisamente quem se punha à disposição do inimigo para tentar dissuadir Jesus de cumprir a Sua missão. Altos e baixos são freqüentes na caminhada de Pedro com Cristo, a ponto de o inimigo ter querido “peneirá-lo” como o trigo. A vida espiritual deve ser de constância e firmeza, o que se obtém somente por uma vida de oração e de meditação na Palavra do Senhor (I Co.15:58).

    - Como são numerosos os inconstantes nas igrejas locais de hoje em dia ! São “fogo puro” na hora do culto e, no dia seguinte, estão totalmente vazios, sem força sequer para enfrentar a mais simples tentação. Profetizam, falam em línguas estranhas, choram, pulam, alegram-se espiritualmente à noite e, de manhã, praticam as mais vergonhosas coisas que se têm notícia. Por quê? Porque, assim como Pedro, são inconstantes, são guiados pela carne, não pelo Espírito.

    - O quinto contra-exemplo que Pedro nos deixa é o que denominaremos de “indevido vicariato”. Se houve uma vez em que Pedro se portou como “vigário de Cristo” (i.e., substituto de Jesus, que é o falso ensino romanista que procura justificar o Papado), isto se deu na escolha de Matias como o “décimo segundo apóstolo”. Pedro aqui quis se substituir a Jesus, levando os apóstolos a escolher alguém para o lugar que havia sido deixado vago por Judas Iscariotes.

    - Em momento algum, Jesus havia dito aos discípulos que deveria ser escolhido um substituto para Judas Iscariotes, apesar de ter dito que este era o que o havia de trair. A iniciativa de Pedro, portanto, mostrou-se desarrazoada, tanto que a forma de escolha se deu de modo estranho, mediante lançamento de sortes, sem qualquer atuação do Espírito Santo. Pedro estava muito mais preocupado que o Senhor no fato de haver um “lugar vago”, esquecendo-se que a Igreja era de Cristo e que cabia a Ele tal iniciativa.

    - Muitos hoje, também, têm exercido o “indevido vicariato” e, por circunstâncias várias, têm posto nas igrejas locais pessoas que não foram chamadas pelo Senhor, pessoas que são resultado das “sortes”, mas não do chamado do Espírito Santo. Tomemos cuidado para que isto não ocorra em nosso meio, pois a obra é de Deus e tudo que é feito sem a direção do Espírito não tem como prosperar.

    - O sexto contra-exemplo que Pedro nos deixa é o da resistência cultural. Pedro, para poder ir à casa de Cornélio, teve de ter uma revelação insistente da parte do Espírito Santo e, mesmo assim, ao entrar na casa do centurião, considerou que o que estava a fazer não era lícito (At.10:28). Somente batizou nas águas Cornélio e sua família, porque Jesus os batizara com o Espírito Santo. Mostrou, desta maneira, que muito esforço foi necessário para que superasse os limites estabelecidos pela sua cultura, não pelo Evangelho. Este é um grande risco que também vivemos: o de que nossas tradições sufoquem o Espírito Santo, a Palavra de Deus (Mt.15:6). Mesmo após estas demonstrações inequívocas por parte do Senhor, Pedro ainda teve um comportamento repreensível em Antioquia, que o fez passar vergonha diante de todos os crentes (Gl.2:11-14).

    - Muitos assim se conduzem na atualidade. Não conseguem diferenciar o que é cultural, e, portanto, humano, do que é divino. Cultura é humana e, como tal, passageira, limitada no tempo e no espaço. Já a Palavra de Deus não muda, permanece para sempre, nunca há de passar. Devemos, portanto, respeitar as culturas, entendê-las e mantê-las, transformando apenas aquilo que é pecaminoso, não por força, nem por violência, mas pelo Espírito de Deus.

    - O sétimo contra-exemplo que Pedro nos deixa é, precisamente, o da dissimulação, que é a “ocultação, por um indivíduo, de suas verdadeiras intenções e sentimentos; hipocrisia, fingimento”. Embora tenha sido sincero em quase todas as ações, em Antioquia, Pedro, querendo contentar os judaizantes, teve um comportamento dissimulado, passou a não mais comer com os gentios, o que antes fazia. Devemos ser sinceros, manter nossas atitudes, e, ainda que seja bom nos comportarmos de modo a não escandalizarmos os fracos na fé, não podemos, de modo algum, considerar que isto seja uma válvula de escape para termos comportamentos diferentes, “dançarmos conforme a música”, para nos utilizarmos de mais uma expressão popular.

    - Hoje em dia, muitos são os que assim procedem. São pessoas que têm duplo, triplo, enfim, múltiplo comportamento. Dependendo de onde estão, portam-se de um modo diferente, dissimulando sua conduta. Não podemos ser assim, mas é imperioso que sejamos sinceros e pessoas de um só porte, de uma só conduta. Que Deus nos guarde da dissimulação!

    Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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    Paulo, um missionário zeloso e autêntico – 4

    Publicado por Editor em 2007/08/23

    PAULO, UM MISSIONÁRIO ZELOSO E AUTÊNTICO 

    Fonte: www.cpad.com.br

     

    Introdução

    I. Breve biografia de Paulo.                                                                                   II. O zelo apostólico de Paulo.                                                                                III. A autenticidade de Paulo.

     

    Conclusão

     

    Palavras-chave

     

    Zelo, autenticidade

     


    I. Mais informações sobre a lição.

     

    Jamais foi escrita uma biografia do apóstolo Paulo. Essa tarefa é simplesmente impossível por nos faltarem o início e o fim de sua história. Nosso registro de suas atividades começa em sua juventude, pouco antes de ele iniciar o apostolado. Foi aí que Lucas o conheceu e incluiu-o em sua história da Igreja Primitiva. Além disso, só temos algumas notas pessoais nas 13 epístolas eclesiásticas e pastorais escritas por ele em diferentes partes do Império Romano. Apesar das muitas lacunas desses registros, temos o suficiente para tornar o relato um dos mais emocionantes da História.

     

    Está claro que não houve monotonia na vida de Paulo. Sumariando esse período, ele menciona vividamente alguns episódios:

     

    “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo. Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos. Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez (2 Co 11-24-27).

     

    Em lugar algum, porém, esta história é inteiramente contada. Além de um breve relato de um naufrágio, os outros não são mencionados. Não há nenhuma narrativa da noite e do dia terríveis passados em alto mar, agarrado talvez em um destroço. Nem é feita a descrição dos assaltos nas passagens montanhosas, onde os ladrões tornaram-se tão ameaçadores para os viajantes, que eles tinham de se organizar em caravanas. A seguir vieram os rios caudalosos e as enchentes, com apenas algumas pontes para cruzá-los. Para os de viva imaginação, essas aventuras são verdadeiramente estimulantes! 

    Embora não haja registro da infância de Paulo, uma história muito interessante pode ser montada a partir das informações colhidas da história, da tradição e das notas pessoais nos escritos paulinos.

    O nascimento de Paulo 

     

     O grande apóstolo nasceu por volta do ano três de nossa era, no lar de um piedoso casal, no bairro judeu de Tarso. As ruas eram estreitas e as casas pobres, mas aquele dia foi de imensa felicidade para a família. Contemplaram o rosto do filho, e sentiram-se satisfeitos e orgulhosos.

     

    Embora vivessem numa cidade gentia, seus pais resolveram dedicá-lo ao serviço de Deus, e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para educá-lo como um verdadeiro israelita.

     

    O pai pertencia à tribo de Benjamim e gabava-se disso sempre que os vizinhos mencionavam suas árvores genealógicas. Todos sabiam que Saul, o primeiro rei de Israel, era benjamita.

     

    Apesar de morar em Tarso, a família considerava as montanhas orientais da Palestina o seu verdadeiro lar como o faziam os judeus piedosos. Para eles, Jerusalém era a cidade mais bela do mundo, pois ali estava a Casa de Deus. Eles enviavam ofertas para os reparos do Templo, e a cada ano planejavam visitar a Cidade Santa por ocasião da Páscoa.

     

    Oito dias após o nascimento do menino, os pais deram-lhe um nome. A cerimônia foi seguida de uma ceia, para a qual todos os amigos e parentes foram convidados, e cada um levou o seu presente. Ele recebeu o bom nome hebreu de Saulo. Esse era um nome mui querido de todos os descendentes de Benjamim porque assim se chamava o primeiro rei de Israel. Mas como viviam no mundo romano, usaram também a forma latina do nome – Saulo. Nos negócios, ele era Paulo, porque isso impressionava os gentios. Mas a mãe sempre o chamava de Saulo, pois esse nome agradava-lhe o coração.

     

    BALL, Charles Ferguson, A vida e os tempos do apóstolo Paulo, CPAD, Rio de Janeiro, 1998.

     

     Quem foi Paulo?

     

     Judeu, fariseu, encontrado pela primeira vez no livro de Atos com seu nome hebraico – Saulo (At 7.58;13.9). Nasceu em Tarso, Cilícia, cidade localizada na Ásia Menor (atualmente sul da Turquia). Provavelmente nasceu uns dez anos depois de Cristo, pois é mencionado como “um jovem”, na ocasião do apedrejamento de Estevão (At 7.58). Seu pai sem dúvida era judeu, mas comprou ou recebeu cidadania romana. Por essa razão, Paulo mais tarde utilizou-se desse direito por nascimento. Por isso, apelou para ser julgado em Roma pelo próprio imperador César (At 22.25). A despeito de sua cidadania, ele foi criado numa família judaica e tornou-se fariseu. Também descreveu a si mesmo como “hebreu de hebreus”. Foi criado de acordo com o judaísmo e circuncidado no oitavo dia de vida; portanto, era zeloso na obediência de cada ponto da lei mosaica (Fp 3.5,6).

     

    Paulo era tão zeloso da Lei e de sua fé que, em certa época de sua vida, provavelmente no início da adolescência, viajou para Jerusalém, onde foi aluno do mais famoso rabino de sua época. Posteriormente, disse aos líderes judeus: “E nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus, como todos vós hoje sois” (At 22.3).

     

    Todos os mestres judaicos exerciam determinada função para sobreviver; por isso, não é de admirar que esse líder religioso altamente educado aprendesse também uma profissão com seu pai. Paulo era fabricante de tendas (At 18.3) e ocasionalmente a Bíblia menciona como exerceu essa função para se sustentar (1 Co 4.12; 2 Ts 3.8; etc.). Existem amplas evidências nessas e outras passagens de que ele trabalhava, para não impor um jugo sobre as pessoas entre as quais desejava proclamar o evangelho de Cristo (1 Co 9.16-19). Além disso, dada a maneira como os professores itinerantes e filósofos esperavam ser sustentados pelas pessoas com alimentos e finanças, Paulo provavelmente não desejava ser considerado mais um aventureiro (1Ts 2.3-6).

     

     GARDNER, Paul, Quem é quem na Bíblia Sagrada, Vida, São Paulo, 1999.

     

     Saiba mais

     

     ROBERTSON, A.T., Épocas na vida de Paulo, JUERP, Rio de Janeiro, 1982.

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    Paulo, um missionário zeloso e autêntico – 3

    Publicado por Editor em 2007/08/22

    PAULO, UM MISSIONÁRIO AUTÊNTICO E DINÂMICO

    Fonte: www.radioboasnovas.net

    INTRODUÇÃO

    Ninguém pode negar que, depois de Jesus Cristo, o apóstolo Paulo é o personagem mais importante do Novo Testamento. Sua vida, ministério e ensinamentos trouxeram benefícios não só para os seus contemporâneos, mas também, para toda a humanidade. Ele foi “um vaso escolhido” pelo Senhor Jesus (presciência e não predestinação) para levar a mensagem do Evangelho a todos os povos de sua época (At 9.15; Cl 1.23).

    I – BIOGRAFIA DO APÓSTOLO PAULO

    Não é possivel descrever uma biografia completa da vida do apóstolo Paulo, tendo em vista que, não foi registrado nem o início e nem o fim de sua vida. No entanto, a Bíblia registra muitas informações e episódios que aconteceram na vida desse apóstolo: Vejamos:

    • Ele nasceu em tarso da Cilícia (At 22.3). Possivelmente, por volta do ano três de nossa era;

    • Era filho de judeus, da tribo de Benjamin (Fp 3.5);
    • Seu nome “Paulo” deriva-se do grego e significa “pequeno”. Já o nome “Saulo” deriva-se do hebraico e significa “pedido de Deus”;
    • Sua ocupação: fazedor de tendas (At 18.3);
    • Criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a Lei (At 22.3);
    • Testemunhou o apedrejamento de Estêvão e consentiu na morte dele (At 7.58; 8.1);
    • Era um fariseu zeloso pela lei (Fp 3.5; At 23.6; 26.5);
    • Estava determinado a destruir o cristianismo, perseguindo os cristãos (At 9.1,2; 22.4; I Tm 1.13);
    • Teve um encontro com Cristo no caminho de Damasco (At 9.1-19);
    • Após o encontro com Cristo, ficou três dias sem ver, sem comer e nem beber, em Damasco (At 9.9);
    • Ananias ora por ele, Paulo recupera a vista e é batizado (At 9.18);
    • De perseguidor, torna-se perseguido (At 9.19-26);
    • Foi transformado por Deus em um pregador do evangelho (At 9.20,22);
    • Viajou para Arábia, Damasco, Jerusalém, Síria e Cilícia (Gl 1.17-21);
    • Estabelece-se em Antioquia onde pregou e ensinou (At 11.25,26);
    • É chamado por Deus para a obra missionária (At 13.1-3);
    • Pregou o evangelho nas cidades do império romano, em três viagens missionárias 1ª viagem: por volta de 48-49 d.C. (At 13.1-14.28);
    • 2ª viagem: por volta de 50-53 d.C. (At 15.36-18.22);
    • 3ª viagem: por volta de 54-58 d.C. (At 18.23-20.38);
    • Foi priosioneiro em Jerusalém (At 21.26-36);
    • Viajou para Roma e foi preso ali (At 27.1-28.31);
    • Escreveu, treze Cartas ou Epístolas (Romanos à Filemon);
    • Foi chamado de apóstolo dos gentios (Rm 11.13; I Tm 2.7);
    • Considerava-se o menor dos apóstolos (I Co 15.9);
    • Sua história está registrada em At 7.58-28.31 e ao longo de suas Cartas no N.T.

    II – PAULO, UM AUTÊNTICO MISSIONÁRIO

    Em suas cartas, Paulo declara que foi chamado pelo Senhor para ser apóstolo, que significa “enviado” (Rm 1.1; I Co 1.1; Gl 1.1; Ef 1.1). Ele recebe o título de apóstolo dos gentios (I Tm 2.7; II Tm 1.11). Isso porque, realizou três grandes viagens missionárias, destacando-se como um missionário transcultural.

    1. Paulo não se envergonhava do Evangelho de Cristo (Rm 1.16): Após a sua conversão, Paulo tornou-se um pregador do Evangelho. Seu maior desejo era levar as boas novas de salvação à toda criatura. Por isso, jamais se envergonhou do evangelho. Onde chegava, procurava sempre uma ocasião para falar de Cristo, quer seja nas sinagogas (At 13.5; 14.1), nas casas (At 20.20) e de cidade em cidade (At 14.6,7; 15.35). Nem mesmo a prisão era impedimento para ele pregar o evangelho (Fp 1.12,13; II Tm 2.9).

    2. Paulo sentia-se um devedor (Rm 1.14): O desejo de pregar o Evangelho era tão grande na vida do apóstolo Paulo, que ele chegava a ter um sentimento de dívida para com os homens. Ele diz: Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Rm 1.14). Este “sentimento de dívida”, não era restrito apenas aos que estavam perto, mas também, para com aqueles que estavam mais distantes. Por isso, desejava viajar para outras cidades, como expressa o seu desejo de ir até Roma: E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma” (Rm 1.15).

    3. Paulo sentia-se na obrigação de pregar o evangelho (I Co 9.16): Para o apóstolo Paulo, pregar o Evangelho, não era uma tarefa qualquer. Era uma obrigação. Por isso, ele diz: Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (I Co 9.16). Duas verdades, o apóstolo nos ensina neste texto:

    1. Que ninguém pode se gloriar por pregar o Evangelho: Pois é nosso dever. É nossa responsabelidade!
    2. Pregar o Evangelho é uma obrigação: A Grande Comissão não é um pedido. É uma ordem! (Mt 28.18-20; Mc 16.15).
    3. Paulo estava disposto a sofrer por amor à Cristo e ao Evangelho: Quando Paulo se despede dos presbíteros em Éfeso, diz: E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.22-24). Em outra ocasião, em Cesaréia, um profeta por nome Ágabo, tomou a cinta de Paulo, ligando os seus próprios pés e mãos, lhe disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios”. Mas Paulo respondeu: “…eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (At 21.11-13).

    III – PAULO, UM MISSIONÁRIO ZELOSO

    A vida do apóstolo Paulo não foi marcada apenas pela evangelização, mas também, pelo seu zelo para com a igreja de Deus. Por isso, ele diz, escrevendo aos coríntios: Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus…” (II Co 11.2a). Este zelo fala do seu cuidado e de sua preocupação para com a noiva de Cristo. Isto pode ser visto em vários aspectos do seu ministério:

    1. Na visita aos novos crentes (At 14.21,22; 15.36): Sua preocupação não era apenas evangelizar, mas também, visitar os irmãos pelas cidades onde havia anunciado o Evangelho, para exortá-los a permanecer na fé e encorajá-los em meio às perseguições e ao sofrimento.

    2. No fato de deixar obreiros nas cidades onde havia pregado (Tt 1.5): Após pregar o evangelho nas cidades, o apóstolo Paulo costumava deixar obreiros para cuidar do rebanho, como deixou Timóteo em Éfeso (I Tm 1.3) e Tito em Creta (Tt 1.5).

    3. Na orientação aos obreiros (Tm e Tt): Pelo menos três, das treze cartas escritas pelo apóstolo Paulo são denomindadas de Epístolas Pastorais: I Tm, II Tm e Tt. Isto porque, nestas cartas, Paulo orienta aos obreiros sobre seus deveres e responsabilidades. Nestas cartas, o apóstolo descreve as qualificações para aqueles que desejam o episcopado e como estes deveriam cuidar do rebanho do Senhor.

    4. No fato de escrever cartas às igrejas: O apóstolo Paulo procurava sempre se informar acerca das igrejas que já haviam se estabelecido. Baseado nestas informações, ele escrevia cartas, com o objetivo de ensiná-los, corrigir possíveis erros doutrinários e encorajá-los. Por isso, mesmo quando estava preso, aproveitava a oportunidade para escrever e enviá-las para as igrejas.

    CONCLUSÃO

    A vida do apóstolo paulo nos deixa muitas lições. Seu fervor missionário e seu zelo pela igreja de Deus, devem nos servir de ânimo e de estímulo para uma vida de dedicação e serviço à Deus. Mesmo sem dispor de Rádio, Televisão, Internet e meios de transportes modernos, ele pôde ganhar milhares de vidas para Cristo, fundar dezenas de igrejas, treinar obreiros e, através de suas epístolas, contribuir para a edificação das igrejas em todo o mundo. Por isso, é comum dizer que, depois de Cristo, paulo foi o maior homem que este mundo já conheceu.

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    Paulo, um missionário zeloso e autêntico – subsídios

    Publicado por Editor em 2007/08/20

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    Paulo, um missionário zeloso e autêntico – 1

    Comentarista : Dr. Caramuru Afonso

    Paulo, um missionário zeloso e autêntico – 2

    Comentarista : Pb. José Roberto

    Paulo, um missionário zeloso e autêntico – 3

    Comentarista: Rádio Boas Novas

    Paulo, um missionário zeloso e autêntico -

     

    Comentarista – CPAD 

    Enviado em A Escola Dominical | 7 Comentários »

    Paulo, um missionário zeloso e autêntico – 2

    Publicado por Editor em 2007/08/20

    PAULO, UM MISSIONÁRIO ZELOSO E AUTÊNTICO

     

     

    Texto Áureo: II Co. 11.2 – Leitura Bíblica em Classe: II Co. 11.2-6

     

    Pb. José Roberto A. Barbosa

     

    Fonte: subsidioebd.blogspot.com

     

     

     

    Objetivo: Mostrar o valor do zelo missionário, exemplificado no ministério do apóstolo Paulo, o qual, não mediu esforços para levar muitos a Cristo.

     

    INTRODUÇÃO
    Fazer discípulos é uma das missões fundamentais da igreja (Mt. 28.19), mas para isso, precisamos sair das quatro paredes a fim de alcançar toda criatura para Cristo (Mc. 16.15). Na lição de hoje, veremos como Paulo, em seu zelo missionário, obteve bom êxito em tal empreitada.

     

    1. DEFININDO OS TERMOS
    A palavra “missão” vem do latim “missio”, cujo sentido primário, remete ao ato de ser enviado por alguém. Na verdade, a igreja foi enviada ao trabalho missionário, por Cristo. A partir da análise comparada dos textos bíblicos da Ùltima Comissão de Cristo aos seus discípulos, podemos extrair alguns fundamentos para o trabalho missionário: a meta principal da missão é fazer discípulos para que sigam os passos de Cristo (Mt. 28.19). O alcance deve ser expansivo, não pode se restringir à localidade, a fim de que toda a criatura ouça o evangelho (Mc. 16.15). A mensagem que deva ser pregada é a do arrependimento e da remissão de pecados por meio do sacrifício vicário de Cristo (Lc. 24.47). O modelo missionário primordial a ser seguido é o de Cristo (Jo. 21.21), e, também, o de Paulo (I Co. 11.1), os quais, não mediram esforços para que os perdidos fossem salvos. Não devemos depender apenas dos dotes materiais, é fundamental que o façamos no poder do Espírito Santo (At. 1.8). Além disso, é preciso atentar para o zelo que é necessário à obra missionário. Quando falamos em zelo, sigamos o exemplo de Cristo, em seu cuidado pela Casa do Pai (Jo. 2.17) bem como no de Paulo por Deus (Rm. 10.2 Fp. 3.6) e pelos obreiros (II Co. 7.7,11) bem como pelos santos em suas necessidades (II Co. 9.2), ou pelos crentes de modo geral (II Co. 11.2).

     

    2. PAULO, DE PERSEGUIDOR A MISSIONÁRIO
    O nome Paulo significa “pequeno”, o qual, anteriormente foi chamado de Saulo. Nasceu em Tarso, na Cilícia, costa sul da atual Turquia (At. 9.11; 21.39; 22.3). Segundo seu próprio relato, era descendente de uma família hebraica tradicional (II Tm. 1.3; Fp. 3.5; II Co. 11.22; Gl. 1.14). Estudou, ainda jovem, na escola rabínica “aos pés de Gamaliel” (At. 22.3). Paulo era cidadão romano e conhecedor da cultura da época (Fp. 3.5), da qual se aproveitou em algumas de suas viagens missionárias (At. 22.26-29). Quando ainda se chamava Saulo, e ainda ligado aos fariseus, Paulo perseguiu os discípulos de Jesus (At. 9.1,2). Mas, enquanto se dirigia a Tarso, o Senhor o encontrou (At. 9.3-8). Esse encontro de Paulo com Cristo, marcou consideravelmente sua atuação missionária (At. 22.4-10; Gl. 1.13-15; Fl. 3.7; I Tm. 1.13,14).

     

    3. O ZELO DE PAULO NA OBRA MISSIONÁRIA
    Em Jerusalém os cristãos tinham receio dele (At 9.26-28), mas Barnabé o levou aos apóstolos. Foi enviado a Tarso (At 9.30) e dali Barnabé o levou a Antioquia da Síria (At 11.19-30). Com vários companheiros Paulo realizou três viagens missionárias (At 13-20). Em Jerusalém enfrentou a fúria dos opositores, indo parar em Cesaréia (At 21.17-23.35), onde compareceu perante Félix, Festo e Herodes Agripa II (At 24-26}. Tendo apelado para o Imperador, viajou para Roma, onde permaneceu preso durante 2 anos (At 27-28); Ali escreveu as epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses, e Filemon. Nessas e nas demais epístolas que escreveu, fica evidenciado o zelo missionário desse apóstolo de Cristo: 1) no trabalho das mulheres cristãs (I Tm. 2.9-15); 2) na ordem na igreja (I Co. 11,12,13; Tt. 1.10-14; e 3); no trato com os jovens e líderes (II Tm. 2.1-8,15, 16, 22, 23, 3.14; 4.2,5,6,11; Cl. 4.10); e 4) no respeito pelo ser humano, principalmente em situações difíceis (At. 27). Diz a tradição que foi libertado e realizou trabalhos missionários por mais 3 anos mas fora preso novamente e executado em Roma, provavelmente decapitado em 67 d.C., no tempo em que Nero era o imperador.

     

    4. LIÇÃO A PARTIR DE PAULO PARA AS MISSÕES
    A partir do trabalho missionário desenvolvido por Paulo, podemos extrair algumas outras lições importantes, dentre elas, destacamos: 1) o missionário tem consciência do chamado divino para edificar igrejas (Rm. 15.20; 11.23; I Co. 3.10; Ef. 4.12); 2) Paulo sabia que a edificação de igrejas se daria por meio da proclamação da Palavra com poder (At. 17.2,3; Rm. 10.13-18; I Co. 2.1-4; II Tm. 2.15); 3) depois da igreja edificada, Paulo voltava para dar o apoio necessário para a consolidação doutrinária das igrejas (At. 14.21-23; 15.36; 16.4-5; 18.23), quando isso não era possível, escrevia cartas. Com o ministério missionário de Paulo, precisamos saber que missões é uma tarefa séria, que não pode ser confundida com turismo. O missionário precisa ter convicção de sua chamada divina, manusear bem a Palavra, e acima de qualquer outra coisa, ter amor pelas almas distanciadas de Deus (Jo. 3.16; I Jo. 3.16).

     

    CONCLUSÃO
    Quando lemos o livro de Atos, e acompanhamos o trajeto de Paulo em suas viagens missionárias, somos inspirados pelo seu zelo, expressão nítida de amor pelas almas. Numa época de comodismo extremos, que o exemplo de Paulo, sua atuação autêntica e dinâmica, dirigida pelo Espírito Santo, sirva de provocação espiritual para investimos no trabalho missionário (At. 20.21-38).

     

    BIBLIOGRAFIA
    BALL, C. F. A vida e os tempos do apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD,1998
    PFEIFFER, C. F. Dicionário bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

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