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Posts de Julho, 2007

José um lider piedoso e temente a Deus – 3

Publicado por Editor em 2007/07/31

JOSÉ, UM LÍDER PIEDOSO E TEMENTE A DEUS

Fonte: http://radioboasnovas.net

INTRODUÇÃO

José é um dos mais ilustres personagens das Escrituras. Talvez, tenha sido o que mais manifestou o caráter cristão de todas as pessoas descritas no A.T. Pode-se perceber sua importância no fato de ter lhe sido dado tanto espaço quanto ao que foi dado à Abraão no livro de Gênesis.

IQUEM ERA JOSÉ ?

Foi o primeiro filho de Jacó com Raquel. Seu nome vem de uma palavra hebraica que significa “Yahweh acrescentará” ou “Yahweh adicionará”. Muitas pessoas tiveram esse nome no A.T., porém, o mais conhecido foi o personagem do qual estamos estudando, o patriarca José, o décimo primeiro filho de Jacó e o primeiro de sua esposa favorita, Raquel.

II – QUAL A IMPORTÂNCIA DE JOSÉ NO CONTEXTO HISTÓRICO DO POVO HEBREU?

Deus desde a época de Abraão havia revelado que sua descendência passariam quatro séculos em terra alheia (Gn 15:13-16). Os habitantes de Canaã eram povos pagãos dados ao sincretismo e a mistura de religião, costume, etc com povos à quem dominavam ou se aliavam, fato aliás, que faria com que Israel perdesse sua identidade. Porém, no Egito, os hebreus não seriam tentados a casar-se com mulheres egípcias nem a misturar-se com os egípcios, pois estes desprezavam os povos pastores(Gn 46:34). E José, é o instrumento que Deus usa para levar a cabo o plano de transferir seu povo para o Egito. Nesta história podemos ver brilhar a providência de Deus. Ele lança mão dos desígnios distorcidos dos homens e os converte em meios para efetuar seus planos (Gn 50:20).

 

III – POR QUE JOSÉ FOI VENDIDO POR SEUS IRMÃOS?

3.1.José comunicava à seu pai, o mal que se divulgava entre seus irmãos, que eram de baixas qualidades morais, irreverentes (Gn 37:1,2). Fato que pode ser visto na conduta de Judá, que se casa com uma cananéia e todo o seu procedimento é descrito no capítulo 38.

3.2. Jacó amava José mais do que os seus outros filhos, pois José nasceu na velhice de Jacó e era filho de sua esposa predileta, Raquel (Gn 37:3). Além de dar-lhe uma túnica de cores, vestimenta esta usada apenas pelos governantes, sacerdotes e outras pessoas de distinção que não precisavam trabalhar manualmente. Jacó, com isso, provoca a ira de seus filhos.

3.3. A ingenuidade de José ao contar seus sonhos que levava a crer que o restante de sua família se inclinaria diante dele da mesma forma que as pessoas prestavam homenagem aos reis da época (Gn 37:5-11), fato cumprido mais tarde (Gn 50:18).

IV – JOSÉ FOI LEVADO AO EGITO (Gn 37:12-28)

José tinha dezessete anos ao ser vendido por seus irmãos como escravo (Gn 37:2). Passou treze anos como escravo (Gn 41:46) e pelo menos três anos no cárcere(Gn 40-41:1), evento este ocorrido provavelmente 200 anos após a chamada de Abraão (Gn 12:1-3). Por que será que Deus permitiu que José fosse encarcerado? Será que o Senhor não livra do mal? Claro que sim, entretanto a provação foi um instrumento que Deus utilizou para moldar o caráter de José, tornando-o maduro, paciente e firme a fim de que José prestasse serviço a Deus e aos homens em tempo oportuno. Mesmo no cárcere ele se destacou pelo seu caráter e liderança (Gn 39:22).

V – QUAL ERA O CONTEXTO HISTÓRICO- CULTURAL DA ÉPOCA DE JOSÉ?

Alguns críticos vêem o fundo histórico e cronológico da vida de José situado no período de dominação dos reis hicsos1, haja vista que, para eles, seria impossível que os egípcios permitissem que um estrangeiro chegasse a patente que José alcançou. Entretanto, encontramos diversas razões para acreditar que essa época se enquadra no período Médio do Império Egípcio:

5.1.Todos os nomes próprios descrito em Gênesis, nesse momento histórico, são de origem egípcia, e não hicsa (Gn 39:1; 41:45).

 

5.2. Em Gn 41:14, mostra que José, ao ser convidado à presença de faraó, barbeou-se para que o rei não se sentisse ofendido, fato que seria um grande insulto ao rei hicso, cujo costume era o uso de barba.

 

5.3.Quando os irmão de José vieram à procura de grãos, ele os separou no horário de jantar porque “os egípcios não podiam comer com os hebreus” (Gn 43:32). Já entre os hicsos não haveria tal costume por serem tembém povos semitas.

 

5.4.Preconceitos egípcios que dizia serem os pastores uma abominação para o Egito(Gn 46:34), ao contrário dos hicsos que eram pastores.

VI – JOSÉ, PRIMEIRO MINISTRO DO EGITO (Cap. 41)

Ao contar 30 anos de idade e depois de treze anos de disciplina e preparação(37:2; 41:46), Deus permitiu que José chegasse a um lugar onde ele pudesse honrá-lo. Porém não se envaideceu de sua posição nem se aproveitou pessoalmente de sua autoridade, antes, reconheceu que foi elevado para desenpenhar um serviço em benefício dos outros.

 

VII – JOSÉ E SEUS IRMÃOS (Cap. 42-45)

 

Não obstante a tragédia que cercou a vida de José por treze anos, promovida por seus irmãos, mesmo assim, o patriarca perdoou-lhes e lhes consolou dizendo-lhes que havia sido a mão de Deus que o enviara ao Egito, e não eles, mostrando ser um tipo de Cristo ( Gn 45:7).

VIII – OS ÚLTIMOS DIAS DE JOSÉ (Cap. 46-50)

José e toda a sua família ficaram unidos no Egito, e muitos anos felizes se passaram. Entretanto, os filhos de Israel eram exilados no Egito. O desígnio de Deus haveria de alterar essa situação(Ex.12:37-51), e José profetiza nos seus últimos dias que Israel seria livrado do Egito(Gn 50:24). O livro de Gênesis termina com a expressão melancólica “o puseram no caixão no Egito”(Gn 50:26). Mais tarde Moisés levou os ossos de José, quando Israel saiu do Egito, e foram sepultados em Siquém(Js. 24:32).

 

IX – LIÇÕES DA VIDA DE JOSÉ

9.1.Pureza Pessoal – Não foi levado por paixões carnais e não cedeu à tentação. Procurou levar uma vida pura e sem mácula.

9.2. Prosperidade nos negócios – José foi fiel ao Senhor e por isso foi abençoado por Deus.

 

9.3.A importância de cuidar dos pais(Pv. 1:8; 10:1; 17:21; 23:22; 28:24).

 

9.4.Toda a sua vida é um exemplo de providência divina, mostrando, assim, que o último capítulo da vida de um homem que teme ao Senhor, é sempre escrito por Deus.

 

9.5.Sua vida mostra uma similaridade com a vida de Cristo:

 

a) Foi rejeitado pelos irmãos (Gn 37:20-36, ver Jo 1:11);

 

b) Foi invejado (Gn 37:11,19; ver Mt 27:18; Mc 15:10);

 

c) Foi vendido por seus irmãos (Gn 37:28; ver Mt 26:15).

 

d) Seus irmãos não creram nele (Gn 37: 8, 19; Ver, Jo 7:5);

 

e) Perdoou seus irmãos (Gn 45:15, ver Lc 23:34);

 

f) Em seu amor pelo pai (Gn 46:27 ver Jo 5: 19-47);

 

Conclusão

Com a vida de José podemos aprender que Deus mantém o controle da história da humanidade, usando o livre arbítrio do homem no cumprimento de seus propósitos, esperando de cada um de nós fidelidade, dedicação, amor e compaixão, características que faziam parte do caráter de José, e deve, também, ser parte integrante do nosso, pois Cristo foi o nosso maior exemplo(1 Pe 2:21).

Nota:

1. Os hicsos eram os povos de origem semítica(descendente de Sem, filho de Noé) que penetraram no Egito à nível do Delta por volta do século XVIII a.C. E que eventualmente obtiveram o controle político de maior parte do Egito por 150 anos (1720-1570 a.C.)

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Ester, uma rainha altruísta – 6

Publicado por Editor em 2007/07/30

ESTER, UMA RAINHA ALTRUÍSTA

Leitura Bíblica em Classe

 


Ester 3.12,13; 4.13-17

Esboço da Lição

 

Introdução

 

I. A Pérsia no tempo de Ester.

 

II. Aspectos do caráter de Ester.

 

III. Como lidar com situações adversas.

 

Conclusão

 

Tema deste Subsídio

Quem foi Ester?

 

Autor

Setor de Educação Cristã

 

Palavras Chaves

Obediência; altruísmo; coragem; prontidão para ouvir; ação; estratégia; oração.

 


Mais Informações sobre a Lição

 

Estimamos a segurança mesmo sabendo que neste mundo não seja algo garantido ― as posses podem ser destruídas, a beleza se desvanece, os relacionamentos podem ser rompidos e a morte é inevitável. A verdadeira segurança, então, deve ser encontrada após esta vida. Somente quando a nossa segurança repousa em Deus e em sua imutável natureza é que podemos enfrentar os desafios que a vida certamente trará ao nosso caminho.

 

A beleza e o caráter de Ester conquistaram o coração de Assuero (ou Xerxes), e assim o rei fez de Ester sua rainha. Mesmo em sua posição tão favorecida, ela arriscou a própria vida, entrando à presença do rei sem ser chamada. Não havia sequer a garantia de que o rei a receberia. Embora fosse a rainha, não estava completamente segura. Mas, com cautela e coragem, Ester decidiu arriscar sua vida, abordando o rei a favor do seu povo.

 

Ela elaborou os seus planos cuidadosamente. Pediu aos judeus que jejuassem e orassem com ela antes de entrar à presença do rei. Então, no dia escolhido, Ester foi à presença de Assuero, e este lhe pediu que se aproximasse e falasse. Porém, em vez de expressar seu pedido de forma direta, Ester convidou o rei e Hamã para um banquete. Assuero era suficientemente sagaz para perceber que a rainha tinha algo em mente; no entanto, ela transmitiu a importância da questão, insistindo em um segundo banquete.

 

Neste ínterim, Deus estava trabalhando “nos bastidores”. O Senhor fez com que o rei lesse os registros históricos do reino, à noite, e descobrisse que Mardoqueu certa vez salvou a sua vida. Assuero não perdeu tempo para honrar Mardoqueu por tal ato. Durante o segundo banquete, Ester revelou ao rei a conspiração de Hamã contra os judeus, e este foi sentenciado. Existe uma rigorosa justiça na morte de Hamã na forca que ele mesmo havia construído para Mardoqueu, e parece muito adequado o dia em que os judeus deveriam ser assassinados tenha se tornado o dia da morte de seus inimigos. O risco que Ester correu confirmou que Deus era a fonte de sua segurança.

 

Quanto de sua segurança reside em suas posses, posição ou reputação? Deus não pôs você nesta posição apenas para seu próprio benefício: Ele o fez para que você o sirva. Como no caso de Ester, isto pode envolver o risco de sua segurança. Você está disposto a permitir que Deus seja a sua maior segurança?

 

Pontos fortes e êxitos:

 

· Sua beleza e seu caráter conquistaram o coração do rei da Pérsia.

 

· Combinou a coragem com um cuidadoso planejamento.

 

· Estava aberta a conselhos e disposta a agir.

 

· Preocupava-se mais com os outros do que com a sua própria segurança.

 

Lições de vida:

 

· Servir a Deus frequentemente exige que arrisquemos a nossa própria segurança.

 

· Deus tem sempre um propósito para as situações em que nos coloca.

 

· Embora a coragem seja sempre uma qualidade vital, ela não substitui o cuidadoso planejamento.

 

Informações essenciais:

 

· Local: Império Persa.

 

· Ocupação: Mulher de Assuero (Xerxes), rainha da Pérsia.

 

· Familiares: Primo – Mardoqueu; esposo – Assuero; Pai – Abiail.

 

Versículo-chave:

 

Vai, e ajunta todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite, e eu e as minhas moças também assim jejuaremos; e assim irei ter com o rei, ainda que não é segundo a lei; e, perecendo, pereço” (Et 4.16).
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 692

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José, um líder piedoso e temente a Deus – 2

Publicado por Editor em 2007/07/30

 

JOSÉ, UM LÍDER PIEDOSO E TEMENTE A DEUS

 

 

Texto Áureo: Pv. 16.17 – Leitura Bíblica em Classe: Gn. 39.7-9; 45.4,5

 

 

 

Pb. José Roberto A. Barbosa

 

Fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/

 


Objetivo: Mostrar que o temor ao Senhor, em piedade, é o princípio da sabedoria por meio da qual, podemos seguir o exemplo de José.

 

INTRODUÇÃO
O temor ao Senhor e um tema recorrente na Bíblia, enfocado com peculiaridade nos livros poéticos (Jó. 28.28; Sl. 2.11; 86.11; 111.10; Pv. 2.5; 8.13; 9.10; 10.27; 14.27; 15.16; 15.33; 16.6; 19.23; 22.4; 23.17; Ec. 3.14). Em relação à piedade, os escritos paulinos são contundente no sentido de que esta seja uma marca no exercício pastoral (I Tm. 2.2; 4.7,8; 6.6,11). Na lição de hoje, estudaremos a respeito dessas virtudes, ressaltadas na vida de José, um exemplo de liderança piedosa e temente a Deus.

 

1. DEFINIÇÃO DE TERMOS
A palavra “temor”, que aparece, primordialmente, no hebraico, é “iare” tem a ver com a reverência com que o homem se apresenta perante Deus (Dt. 10.12-13) e faz paralelo com a obediência aos Seus mandamentos (Dt. 5.29), a andar no caminho de Deus (Dt. 8.6), fazendo o que Ele ordena (Dt. 6.24) e ouvindo a Sua voz (Dt. 13.4). Em Pv. 1.7., entre outras passagens, esse temor é apresentado como algo positivo que pode ser transformado em adoração quando direcionado a Deus. No Novo Testamento, o verbo é “fobeo” e trata do respeito que se tem a Deus, como no caso de Cornélio (At. 10.2,22). Esse tipo de temor é ensinado no NT (Cl. 3.22; I Pe. 2.17; Ap. 11.18; 14.7; 15.4; 19.5). No que tange á piedade, a palavra grega é “eusebeia”, que pode ser traduzida por reverência, respeito e/ou espiritualidade. A referência de I Tm. 4.7,8 aponta para uma prática contínua e disciplinada da piedade, não como os falsos mestres (I Tm. 4.3,8), mas para o bom testemunho (I tm. 6.11,12).

 

2. JOSÉ, UM HOMEM NO PROPÓSITO DE DEUS
O nome José, significa, em sua origem hebraica, “Ele (Jeová) acrescenta”. O José a que nos referimos, e que serve de lição para nós, foi o filho do patriarca Jacó e de Raquel, que nasceu em Padã-arã (Gn. 28.2; 30.22-24). Por ser o filho predileto de seu pai, acabou sendo odiado pelos seus irmãos (Gn. 37.3,4). Por causa desse ódio, acrescentado por causa dos seus sonhos (Gn. 37.5-7), foi vendido pelos seus irmãos e levado para o Egito, tendo sido comprado por Potifar (Gn. 37.36). Ao ser tentado pela esposa do seu patrão, resistiu (Gn. 39.7-12). Tal atitude o levou à prisão (Gn. 39.19-23), ali, interpretou os sonhos do padeiro e do copeiro do Faraó. Anos depois, interpretaria os sonhos do próprio Faraó (Gn. 41.25-32), o que lhe rendeu participação no governo do Egito (Gn. 41.43). No período da fome na terra de Canaã, seus irmãos partiram em busca de comida no Egito (Gn. 42.6). Após algumas provas, ele se fez conhecer a seus irmãos (Gn. 45.1-28). Reconhecendo que tudo o que havia acontecido havia sido providência de Deus, chamou seu pai e seus irmão para viverem com ele no Egito (Gn. 46.5).

 

3. LIÇÕES A PARTIR DO CARÁTER DE JOSÉ
A vida de José, em especial a forma como ele trata as adversidades, nos deixam lições preciosas à constituição do caráter cristão. Primeiro, em relação à tentação, vemos que: 1) elas podem ser vencidas, pois o Senhor está conosco, (Gn. 39.2), e não há tentação que não sejamos capazes de superar, pois, com Deus, podemos ter escape (I Co. 10.13); 2) para vencer a tentação, precisamos estar ciente de quem somos (Gn. 39.1), filhos de Deus, é um grande privilégio, e uma razão para não pecar (I Jo. 3.1); 3) além da razão ética para não pecarmos, isto é, não querer magoar o próximo, vitimar alguém com a prática pecaminosa, no caso de José, Potifar (Gn. 39.8), temos, também, razões espirituais, pois tememos a Deus, pois o pecado nos priva do relacionamento com Ele (Gn. 39.9); 4) Mas se tudo isso não for bastante, e formos postos em condição de ameaça de pecar, o melhor é seguir o exemplo de José, e fugir (v. 12), fazendo eco à recomendação de Paulo a Timóteo (II Tm. 2.2). A vida de José também nos oferece ensino sobre como devemos enfrentar as provações: 1) ter consciência de que não estamos sós, Deus está conosco, mesmo em meio às adversidades (Gn. 39.21,22), Ele não nos esqueceu (Gn. 40.1-3), ainda que os homens nos esqueçam (v. 14,15); 2) quando sairmos da dificuldade, devemos estar cientes de que não devemos nos achar maiores do que quem quer que seja, pois estamos cumprindo o projeto de Deus (Gn. 50.20); portanto, 3) não devamos nos envergonhar em mostrar emoção (v. 2), empatia (v. 4), alegria (v. 5) e senso de propósito (v. 5-8); 4) nossa fé deva estar além das circunstâncias, pois, como Paulo, José soube enfrentar tanto a escassez quanto à abundância (Fp. 4.11-14)

 

CONCLUSÃO
Em nossa vida, estamos sujeitos a passar por tentações, provações e adversidades, elas, de algum modo, servem para moldar o caráter cristão. Diante dos momentos difíceis da vida, precisar agir com sabedoria e serenidade, dependendo do auxílio divino. Se aprendermos a viver nessa dependência, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn. 50.20). Como bem expressa Paulo, em Rm. 8.28, “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

 

BIBLIOGRAFIA
BIBLIA DE ESTUDO. Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

 

VINE, W.E., UNGER, M. F., WHITE JR, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

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Qual a sua opinião sobre o teísmo aberto?

Publicado por Editor em 2007/07/29

“Teísmo Aberto é a teologia que nega a onipresença, a onipotência e a onisciência de Deus. Afirmam seus defensores que o termo “Todo-poderoso” não pode ser extraído do contexto bíblico pois, segundo eles, a tradução original da palavra do qual é traduzida tal expressão havia se perdido ao longo dos séculos. O Teísmo Aberto tem origem na Teologia do Processo. Surgido na década de 30, a Teologia do Processo, tendo como principais representantes Charles Hartshorne, Alfred Whitehead e John Cobb, é uma tendência filosófico-teológica chamada panenteísmo, que consiste na aproximação do pensamento teísta e panteísta. Herdando as características de tais inovações mais filosóficas que teológicas, surgindo a seguir o Teísmo Aberto.

 

O termo Teísmo Aberto teria sido cunhado pelo adventista Richard Rice em 1980, sendo que os principais defensores teólogos são John Sanders e Clark Pinnock.”

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Te%C3%ADsmo_aberto

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José, um líder piedoso e temente a Deus – subsídios

Publicado por Editor em 2007/07/27

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José, um líder piedoso e temente a Deus -1

Publicado por Editor em 2007/07/27

JOSÉ, UM LÍDER PIEDOSO E TEMENTE A DEUS

 Dr. Caramuru Afonso
Fonte: www.escoladominical.com.br

 A vida de José é uma demonstração de integridade e de que o temor a Deus independe das circunstâncias da vida.

 Colaboração/gráfico: Enomir Santos

 INTRODUÇÃO

 - A personagem bíblica que estudaremos nesta lição é a do patriarca José, o filho de Jacó que foi o instrumento divino para a preservação do povo de Israel, então apenas um clã, para que se desse a sua formação como uma nação.

 - Deus não só escolheu José para ser este instrumento para a complementação da formação do Seu povo, mas também para ser um exemplo de que a piedade e o temor a Deus são indispensáveis na vida do servo de Deus e independem das circunstâncias da vida debaixo do sol.

I – A BIOGRAFIA DE JOSÉ (I): DE FILHO PREDILETO A ESCRAVO EM TERRA ESTRANGEIRA

 - Na seqüência de estudos de vidas de homens e mulheres da Bíblia para aprimorarmos o nosso caráter cristão, estudaremos, desta vez, a vida do patriarca José, filho de Jacó e de Raquel, que ocupa a posição central na narrativa do livro do Gênesis, a partir do capítulo 37, parte conhecida pelos estudiosos das Escrituras como “o ciclo de José”. De todos os filhos de Jacó, que são os “patriarcas das tribos”, José é, de longe, o mais focalizado pelo texto sagrado, pois, além de ter sido o instrumento de Deus para que Israel de clã viesse a se tornar uma nação, também é um vigoroso exemplo de como deve ser o caráter de um servo do Senhor neste mundo sem Deus e sem salvação.

- José é mencionado, pela vez primeira, nas Escrituras Sagradas, em Gn.30:24, quando se noticia o seu nascimento miraculoso. Raquel, sua mãe e a mulher predileta de Jacó, por quem o velho patriarca havia trabalhado para Labão durante quatorze anos, era estéril. Entretanto, Deus lhe abriu a madre e José nasceu, revelando, desde logo, que se tratava de uma pessoa com uma missão especial no plano divino para a salvação do homem. Seu nome, “José” (em hebraico, “Iossêf”) significa “Deus acrescenta” ou “aquele que acrescenta”, nome dado por Raquel para expressar ao Senhor seu desejo de ter mais um filho, desejo que foi atendido, embora Raquel tenha morrido neste seu segundo parto (Gn.35:16-19).

- Por ser o primeiro (e, durante algum tempo, o único) filho de Raquel, a mulher que Jacó amava, José estava destinado a ser o filho predileto de Israel. Lembremo-nos, ademais, que Jacó fora criado num lar onde, infelizmente, lhe fora ensinado o tratamento diferenciado e parcial dos filhos (Gn.25:28). Vemos, assim, que o mau exemplo dos pais, tanto como o bom exemplo, são apreendidos pelos filhos, que manterão os erros e acertos da educação que receberem de seus pais. Não é por outro motivo que o Senhor determinou que os pais israelitas ensinassem a lei aos seus filhos (Dt.6:6-9) bem como Salomão salientou que, se os filhos fossem instruídos no caminho em que devam andar, não se desviariam deles quando envelhecessem (Pv.22:6).

- Não bastasse esta predileção inicial e evidente, que não conseguiria ser disfarçada ante a própria criação que Jacó tivera, o texto sagrado mostra-nos que, antes mesmo do nascimento de José, uma série de fatos envolvendo os seus filhos trouxeram desgosto a Jacó. Com efeito, Diná, a sua única filha mulher, havia se envolvido sexualmente com um heveu, Siquém (Gn.34:2), o que acabou por resultar em uma mortandade à traição promovida por Simeão e Levi, outros filhos de Jacó (Gn.34:25), o que foi reprovado pelo velho patriarca, repreensão, porém, que não demoveu os sentimentos dos dois filhos (Gn.24:30,31). Por fim, Rúben, o primogênito de Jacó, já depois do nascimento de José, cometeu ato de desrespeito e imoralidade ao manter relações sexuais com Bila, concubina de Jacó e mãe de Dã e Naftali, ato que chegou ao conhecimento de Jacó (Gn.35:22).

- Natural, portanto, que, diante de tantos problemas familiares, Jacó viesse a dar um tratamento diferenciado a José, sendo, neste ponto, enfática a Bíblia ao afirmar que “…Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice” (Gn.37:3 “in medio”). José, pelo que se verifica do texto sagrado, era um filho obediente e que cumpria à risca as ordens de seu pai, algo que apenas fortalecia a sua situação de predileção, já que, como vimos, os filhos de Jacó não eram dados à obediência e à reverência. Era um rapaz trabalhador, que não se furtava de ajudar seus irmãos no principal serviço da família, que era o de apascentar ovelhas (Gn.37:2), além do que era pessoa de confiança de seu pai, pois sempre incumbido de lhe trazer informações do que ocorria (Gn.37:13,14).

- O fato de Jacó mandar sempre que José lhe trouxesse informações, mostra que José era uma pessoa cuidadosa, fiel e observadora, o que parece não se repetia na conduta de seus irmãos. Em Gn.37:14, por exemplo, Jacó pediu a José que trouxesse informações não só a respeito dos seus outros filhos, mas também do rebanho, circunstância que revela a falta de confiança que Jacó tinha em relação aos seus filhos, bem como a própria falta de qualidade no serviço deles.

- De pronto, vemos que José, ainda com 17 anos, já se revelava uma pessoa que cumpria rigorosamente com seus deveres, que apresentava sempre um serviço de qualidade, cuja excelência no trabalho se revelava como um importante diferencial em relação às pessoas que o cercavam. O serviço de qualidade, como nos ensina o apóstolo Paulo, é uma eloqüente manifestação do testemunho cristão (Ef.6:5-8). Esta característica, indispensável para quem diz servir a Deus, tem rareado no mundo do trabalho dos nossos dias. É lamentável que muitos locais estejam a discriminar a contratação de pessoas que dizem ser crentes em Cristo Jesus por causa das péssimas experiências que tiveram com “crentes”, que, em tudo, se assemelham aos irmãos de José, quando deveriam repetir o exemplo de José, não só na casa de seu pai, mas, como veremos, ao longo de toda a sua vida. Que possamos ser pessoas dedicadas e excelentes nos nossos locais de trabalho, para que o nome do Senhor seja glorificado.

- Mas, se José se apresentava como um servidor excelente de seu pai, também refletia um traço de caráter que lhe traria muito transtorno. Embora trabalhasse bem, fosse digno de confiança de seu pai e pessoa cuidadosa, era um jovem que fazia questão de se fortalecer à custa da desgraça alheia. Com efeito, a Bíblia nos diz que “…José trazia uma má fama deles(dos seus irmãos, observação nossa) a seu pai” (Gn.37:2). Embora os seus irmãos não fossem “flor que se cheire”, como se costuma dizer, será que só faziam o mal? Não haveria qualquer coisa boa que eles tivessem feito? Mas José, talvez para se fortalecer ainda mais diante de seu pai, fazia questão de somente contar as coisas ruins, de alimentar a “má fama”, de “difamar”, isto é, “afirmar e divulgar fatos que ofendem a reputação de outrem”. José não se importou em destruir a reputação de seus irmãos junto a seu pai e, por isso, ao longo de sua vida, terá sempre a sua reputação ferida, num clássico exemplo bíblico da “lei da semeadura” (Gl.6:7).

 - Observemos que José tinha o dever de relatar toda a verdade a seu pai e, por isso, alcançara uma posição de confiança junto a Jacó. O texto sagrado, porém, mostra que havia um certo esforço de José para que seus irmãos mantivessem uma má fama diante do pai e, assim, José se fortaleceria dentro do clã (i.e., agrupamento familiar comum). Como já dissemos: será que os irmãos de Jacó só faziam coisas ruins? Não havia notícia boa alguma a dar ou a realçar? José, no entanto, especializara-se em ser o “portador de más novas” e o resultado disto foi o aparecimento de um aborrecimento entre José e seus irmãos, que não podiam falar com ele pacificamente (Gn.37:4).

 - Devemos evitar toda e qualquer situação que nos tragam inimigos. O apóstolo diz que “se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm.12:18). Assim, se é certo que o servo do Senhor terá sempre inimigos, pois lutamos contra o diabo e suas hostes e estes têm sempre seus instrumentos, tais inimigos não devem surgir por causa de fatores que estão sujeitos ao nosso livre-arbítrio, às nossas atitudes, à nossa ação na vida debaixo do sol, pois, se isto ocorrer, sofreremos as conseqüências, consoante a “lei da semeadura”. Foi o que ocorreu com José que, podendo ser equilibrado e não apenas um difamador, aguçou a inveja de seus irmãos, a ponto de impedir uma convivência pacífica com eles.

 - Apesar desta situação de beligerância (i.e., de guerra), José não se intimidou em contar a seus irmãos e a seu pai os sonhos que teve, sonhos que vieram da parte de Deus, mas que foram revelados por José de modo precipitado e, até certo ponto, ingênuo. Foram dois sonhos. O primeiro em que os filhos de Jacó atavam molhos no meio do campo e o molho de José se levantava e ficava em pé, enquanto que os demais molhos o rodeavam e se inclinavam ao seu molho (Gn.37:6-8). Ao contar o sonho aos seus irmãos, isto aumentou ainda mais o aborrecimento deles em relação a José, pois era nítida a interpretação de que José deveria reinar ou dominar sobre eles.

 - Neste primeiro sonho, temos que José se dirige apenas a seus irmãos, até porque o sonho envolve tão somente ele e seus irmãos. José revela imaturidade, o que é próprio para quem tinha a sua idade. José deveria ter guardado o sonho para si ou, quem sabe, pedir a seu pai, que, certamente, já lhe dissera a respeito das experiências que tivera com o Senhor, inclusive a visão em Betel, alguma orientação. Entretanto, José quis, com o sonho, alterar a sua posição diante de seus irmãos, esquecido que não é desta maneira que alguém se impõe. Não é por força, nem por violência, mas pelo Espírito Santo que uma liderança escolhida por Deus se impõe aos demais (cf. Zc.4:6 “in fine”). Esta experiência José ainda não possuía e deveria aprendê-la ao longo de sua vida.

 - José tem, ainda, um outro sonho, em que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam a ele (Gn.37:9). Este sonho foi contado tanto a seus irmãos, como a seu pai e, neste instante, até mesmo Jacó não gostou do sonho, repreendendo a José, não porque não cresse nos sonhos, mas pela própria inexperiência do filho, tanto que o velho patriarca guardou estas coisas em seu coração (Gn.37:11). Entretanto, os sonhos apenas aguçaram a beligerância entre José e seus irmãos, cuja inveja já era, então, explícita.

 - Nesta passagem, aprendemos que devemos ser prudentes no tocante às revelações que recebamos da parte de Deus. Verdade é que era necessário, no plano divino, que José contasse os sonhos a seus irmãos, para que se tivesse a situação que o levou ao Egito como escravo, mas isto nos serve de lição para que tenhamos muita prudência e cuidado no que toca à divulgação de nosso relacionamento com o Senhor. Há um espaço de intimidade entre o crente e o Senhor (Mt.6:6; Ap.2:17), espaço este que não deve ser divulgado a ninguém, a menos que haja uma determinação neste sentido da parte do Senhor. Não podemos nos esquecer que vivemos num mundo mau e que nem todos são nossos amigos,bem como que o nosso inimigo sempre está ao nosso derredor, buscando a quem possa tragar (I Pe.5:8).

 - Vários estudiosos e pregadores da Palavra de Deus têm associado cada fase da vida de José a uma túnica, já que o texto bíblico sempre dá referência da vestimenta de José em cada instante de sua biografia. Nesta primeira parte de sua história, José é apresentado com uma túnica de várias cores, que foi feita especialmente para ele pelo seu pai (Gn.37:3). Foi com esta túnica, que revela a situação privilegiada que José possuía na casa do seu pai e que gerou a beligerância e inveja de seus irmãos, que José foi verificar a situação de seus irmãos e do rebanho no vale de Hebrom, em Siquém (Gn.37:14).

 - Vemos, aqui, pela vez primeira, a auto-confiança decorrente da inexperiência que tinha o jovem José. Apesar de toda a situação de conflito e de inveja existentes, José vai totalmente desguarnecido ao encontro de seus irmãos, demonstrando uma ingenuidade que beirava à imprudência e, ainda por cima, trajando a túnica que, certamente, era o próprio símbolo de todo o mal-estar existente dentro da família. Em Dotã, onde encontrou seus irmãos, José é alvo de uma terrível traição. Seus irmãos, totalmente envolvidos pela inveja, ao avistarem José de longe decidiram matá-lo (Gn.37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn.37:18-21).

 - José é, então, lançado numa cova até que se resolvesse o que se faria com ele, já sem a túnica de várias cores que recebera de seu pai. Temos aqui o início da provação a que Deus submeteria José para torná-lo capaz de receber a liderança que já lhe fora revelada. Esta circunstância mostra-nos de que aqueles que recebem uma promessa divina se devem estar certos de que Deus a cumprirá, pois não é homem para que minta nem filho do homem para que se arrependa (Nm.23:19), também devem ter a consciência de que será necessária uma capacitação para que se alcance a promessa. Nos dias em que vivemos, muitos pregam a respeito das promessas de Deus e da Sua fidelidade, mas omitem o preço que deve ser pago para se apropriar de tais promessas. Jesus, o nosso exemplo (I Pe.2:21), para alcançar o gozo que Lhe estava proposto, teve de suportar a cruz e desprezar a afronta (Hb.12:2). Irmãos, não nos esqueçamos do Calvário, da renúncia de si mesmo e da cruz que temos de tomar para seguir a Cristo (Mc.8:34; Lc.9:23), para que não venhamos a ser enganados por este falso evangelho de facilidades que têm levado muitos à frustração e à apostasia.

 - José perdeu, de um momento para outro, toda a sua posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e é posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn.37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Um líder precisa aprender a ficar só e a depender única e exclusivamente de Deus. Era esta a primeira lição que Deus dava a José e uma lição que dá a cada um de Seus servos que tem chamado para fazer parte de Sua Igreja. Precisamos aprender a ter uma intimidade com Deus, a entrar em nosso aposento e manter uma privacidade com o Senhor.

 - Judá livra José da morte, convencendo seus irmãos a vendê-lo a mercadores do deserto, ismaelitas e/ou midianitas (Gn.37:27,28) e José, de filho predileto, torna-se uma mercadoria, um escravo, sendo vendido por vinte moedas de prata, tudo sendo feito à revelia de Ruben, que tencionava devolvê-lo a Jacó (Gn.37:22). A túnica de várias cores foi rasgada, puseram sangue de um animal e enganaram a Jacó, dizendo que José havia morrido. Jacó lamentou-se muitíssimo e recusou ser consolado(Gn.37:31-35). José, por sua vez, foi levado para o Egito, então a potência política da época, onde foi vendido a Potifar, eunuco de Faraó, capitão da guarda (Gn.37:36).

 II – A BIOGRAFIA DE JOSÉ (II) – DE ESCRAVO A GOVERNADOR DO EGITO

 - No Egito, inicia-se a segunda fase da vida de José. Não era mais agora o filho predileto na casa de seu pai, mas um escravo em terra estrangeira. Deus já mostra a Sua presença ao fazer com que José seja comprado por um alto funcionário da corte de Faraó. Potifar era o capitão da guarda, o encarregado da segurança de Faraó e de seus palácios, de modo que José é introduzido, ainda que na condição de escravo, num ambiente privilegiado. Esta circunstância, também, mostra-nos que José era um jovem de boa aparência e de boa saúde, pois foi adquirido por um alto funcionário do reino, a revelar que foi avaliado por um alto preço e que se tratava de um produto precioso.

 - Temos já, aqui, uma importante lição a ser ensinada aos jovens da igreja, em um tempo tão difícil em que a adolescência e a juventude são instadas pelo adversário de nossas almas a uma vida desregrada e voltada para os prazeres mundanos. José, apesar de ter padecido numa cova sem água, apesar de todo o grande sofrimento físico e moral, foi avaliado por um alto preço e considerado uma mercadoria de luxo, porque era pessoa que cuidara de sua saúde física e mental. Da mesma maneira, os jovens e adolescentes cristãos devem cuidar bem de seu organismo, servindo a Deus e rejeitando todas as ofertas malignas deste mundo, em especial, o uso de drogas, lícitas (tabaco, álcool, remédios) ou ilícitas (os entorpecentes em geral), bem como ter um modo de vida equilibrado, evitando freqüentar ambientes indecorosos e nocivos tanto à saúde física quanto mental (“baladas”, “raves”, mesmo as chamadas “evangélicas”), assim como excessos, tendo sempre um bom período de sono e não se escravizando diante de jogos eletrônicos, programas de televisão e tantas outras atividades cujo objetivo é tão somente desviar o jovem de um sadio relacionamento com Deus e com os homens. José não era pessoa descuidada e pôde, por causa disto, ser abençoado pelo Senhor, mesmo em uma situação tão adversa.

 - Apesar de ter perdido a condição de filho predileto na casa de seu pai e de, agora, ser um escravo em terra estrangeira, José não havia perdido a companhia do Senhor. O texto sagrado é enfático ao afirmar que “E o Senhor estava com José” (Gn.39:2 “in initio”). José não se revoltara contra o Deus de seu pai, mas, mesmo diante de tantas adversidades, manteve a confiança e a dedicação ao Senhor. Revela-se, então, a integridade do jovem José. Ele decidira servir a Deus e, agora, em uma situação tão difícil, em terra estranha, longe de sua família, traído pelos seus irmãos, José mantém a mesma posição diante de Deus. Continuou a servi-lO, a amá-lO, pois amar a Deus é fazer o que Ele manda (Jo.14:5; 15:14).

 - “Integridade” significa, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “estado ou característica daquilo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição; plenitude, inteireza; característica ou estado daquilo que se apresenta ileso, intato, que não foi atingido ou agredido; caráter, qualidade de uma pessoa íntegra, honesta, incorruptível, cujos atos e atitudes são irrepreensíveis; honestidade, retidão; característica de quem é inocente, puro; pureza, inocência”. José demonstrou esta característica ao se manter fiel a Deus apesar de todas as suas adversidades. Era agora um escravo em terra estranha, mas Deus estava com ele. E por que Deus estava com ele? Porque José se manteve fiel ao Senhor. Como disse o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”(Sl.145:18). José servia verdadeiramente a Deus, adorava a Deus pelo que Ele é, não pelo que Ele fazia ou deixava de fazer e, por isso, o Senhor estava com ele.

 - Temos sido íntegros em nosso viver? Servimos a Deus tanto na alegria como na tristeza, tanto quando estamos em uma situação privilegiada, como José na casa de Jacó, quanto quando estamos como escravos em terra estrangeira, completamente sós e desamparados? Temos o mesmo sentimento que teve o patriarca Jó: “…receberemos m bem de Deus e não receberíamos o mal?” (Jó 2:10 “in medio”). Isto é ser íntegro, é ter o coração inteiramente dedicado a Deus, render-Lhe exclusiva adoração, não importando com nada que esteja à nossa volta, as chamadas “circunstâncias”. Ter “o coração inteiro” em Deus. É esta a ordem divina para os Seus servos: “…andai no temor do Senhor com fidelidade e com coração inteiro” (II Cr.19:9).

 - Entretanto, cada vez mais pessoas estão a servir a Deus não pelo que Ele é, mas única e exclusivamente pelo que Ele faz. Não crêem no Evangelho, mas, sim, nos benefícios do Evangelho. Assim, servem a Deus somente enquanto as circunstâncias lhes forem favoráveis, enquanto estiverem desfrutando da predileção de filhos na casa do pai (aliás, estes crentes insistem em dizer que são “filhos do dono do mundo”, que são “filhos do Pai” e que “têm direitos diante de Deus”). Quando, porém, para seu próprio bem, são levados para a cova, perdem suas túnicas de várias cores e se tornam escravos em terra estranha, abandonam a Deus, pois não servem ao Senhor “de coração inteiro”, repetindo, assim, a triste situação do rei Amazias, que as Escrituras dizem que não serviu ao Senhor de coração inteiro (II Cr.25:2), motivo pelo qual teve grandes fracassos em sua vida. Estes não frutificam e, quando o fazem, não com permanência, motivo por que não concluem a carreira que lhes foi proposta, tendo o mesmo destino daqueles que jamais serviram a Deus. Que Deus nos guarde!

 - Porque permaneceu fiel a Deus em uma situação tão adversa, José foi um varão próspero (Gn.39:2,3). José tem sido um de muitos exemplos que os arautos da teologia da prosperidade têm se utilizado no seu falso evangelho, mas uma análise do texto sagrado mostra como o ensino das Escrituras é exatamente o oposto do que estes gananciosos e avarentos andam pregando nos púlpitos. O Senhor estava com José, porque, como vimos, José não abandonou a Deus apesar de toda a adversidade e, por este motivo, Deus começou a trazer bênçãos materiais para a casa de Potifar, a fim de que o próprio capitão da guarda, pessoa ignorante das coisas de Deus, pudesse exaltar a pessoa de José em sua casa.

 - A fidelidade de José a Deus na adversidade, o reconhecimento de que Deus é soberano e que não é obrigado a nos dar abastança material foi o fator que levou o Senhor a dar prosperidade material a Potifar por causa de José. As bênçãos materiais descritas nesta passagem bíblica, portanto, longe de mostrar que “quem é crente, fica rico e enriquece os outros”, está a provar que o mais importante para o homem é ter verdadeira comunhão com o Senhor, desfrutar de prosperidade espiritual e que eventual prosperidade material só tem sentido, dentro dos propósitos divinos, como uma conseqüência da comunhão com Deus. Devemos buscar o reino de Deus e a sua justiça e o mais nos será acrescentado e na medida que esteja de acordo com os planos de Deus para a nossa vida (Mt.6:33).

 - José manteve a mesma disposição que já demonstrara na casa de seu pai. O texto bíblico diz que José “…estava na casa de seu senhor egípcio” (Gn.39:2 “in fine”), expressão que significa que José mantinha o seu lugar, cumpria à risca os seus deveres, assim como fizera para Jacó. Era escravo, não era mais o filho predileto, mas mantinha a excelência de seu serviço, mantinha a dedicação, apesar de toda a adversidade. O resultado deste serviço sincero foi José se tornar o mordomo da casa de Potifar, o administrador de toda a casa, vez que achara graça aos olhos do seu senhor. A conseqüência deste gesto de Potifar foi a bênção de Deus sobre todo o patrimônio de Potifar.

 - José conquistou uma posição de liderança na casa de Potifar graças ao seu trabalho, ao seu esforço. Quando aliamos esforço, dedicação e excelência de serviço a uma vida de comunhão com o Senhor, certamente seremos abençoados por Deus. Não se trata de um “toma-lá-dá-cá”, de uma barganha, como se ouve na atualidade, mas, sim, do resultado do poder de Deus em nossas vidas. As nossas boas obras fazem com que o nome do Senhor seja glorificado (Mt.5:16) e um bom testemunho nos traz reconhecimento na sociedade, no ambiente onde estamos. O “bom nome” vale mais do que as riquezas (Pv.22:1) e, quando estamos em perfeita comunhão com o Senhor, temos “o bom cheiro de Cristo” (II Co.2:15). Que perfume temos exalado à nossa volta?

 - José assumiu, enfim, uma posição de liderança, ainda que subordinada, visto que era o mordomo, não o dono da casa, tinha um senhor, Potifar, acima de si, mas tudo quanto estava na casa lhe havia sido entregue. Aqui já vemos que José aprendera uma importante lição: manteve a dedicação, o esforço e a excelência de seu serviço, mas não se preocupou mais em difamar quem quer que seja. Desta maneira, naturalmente alçou a uma posição de liderança, sem que tivesse inimizades e um estado de beligerância contra os demais escravos do seu senhor.

 - A liderança advém de uma atitude de serviço e de trabalho. Verdade é que o servo do Senhor é chamado para servir neste ou naquele lugar, seja na igreja local, seja na vida secular. Entretanto, apesar da consciência de seu chamado, o servo do Senhor não deve querer prevalecer apenas com base na divulgação das promessas de Deus, mas, sim, em termos de serviço, de trabalho, de dedicação e esforço. A melhor maneira de mostrarmos que temos chamada divina, que temos uma vocação do Senhor para exercer esta ou aquela tarefa é a realizando, é trabalhando. Foi assim que Jesus procedeu. Quando, porém, insistimos em que as pessoas creiam nas visões, revelações e profecias ditas pelo Senhor a nós, sem que nada façamos, não temos como prevalecer e geraremos tão somente inveja e oposição, que nos levarão à cova e ao Egito, até que aprendamos a lição do serviço e do esforço, sem a qual jamais poderemos ser verdadeiros líderes.

 - Mas, quando tudo parecia estar bem na vida de José, surge a tentação. A mulher de Potifar, que a tradição judaica chama de Zuleica ou Zulaica, quis deitar-se com José, pois ele era formoso de parecer e formoso à vista (Gn.39:6). José resistiu a esta oferta, não aceitando deitar-se com a mulher de seu senhor, pois, em primeiro lugar, era fiel a Deus e sabia que uma relação sexual fora do casamento estava fora da vontade divina. Em segundo lugar, José sabia o seu lugar, “estava na casa do seu senhor” e, por isso, bem sabia que a mulher de Potifar não se encontrava entre os bens que lhe haviam sido confiados (Gn.39:9). Tinha plena consciência da mordomia e, por isso, negou-se a aceitar a oferta pecaminosa.

 - Vemos, assim, mais um sinal de integridade na vida de José. Humanamente pensando, José nada teria a perder em aceitar esta oferta. Era rapaz jovem vigoroso e a mulher de seu senhor não devia ser feia. A tentação era realmente forte e, além do mais, Potifar lhe tinha absoluta confiança. No dia em que sofreu o ataque mais decidido da mulher de Potifar, não havia sequer uma testemunha que o pudesse incriminar. Entretanto, José não tinha a dimensão humana em vista, mas tão somente a dimensão divina. “E o Senhor estava com José”, frase que revelava a íntima comunhão que havia entre José e Deus. José não podia, de forma alguma, deixar de cumprir a Palavra de Deus, deixar de observar os princípios demonstrados pelo Deus de seu pai.

 - O exemplo de José é extremamente elucidativo nos dias de imoralidade sexual que vivemos. Ensina-se abertamente, inclusive entre “evangélicos”, que a castidade, a pureza sexual, a virgindade antes do casamento são “princípios ultrapassados”, “costumes antigos”, “falso moralismo”, pois “Deus só quer o coração”. A vida de José mostra, bem ao contrário, que a verdadeira comunhão com Deus, a integridade está na observância das regras éticas estabelecidas pelo Senhor na Sua Palavra, em especial as relativas à moral sexual, que impõem a atividade sexual no casamento e apenas com o cônjuge.

 OBS: Recentemente, o papa Bento XVI, em visita ao Brasil, enfatizou a necessidade de castidade antes do casamento entre os jovens, numa eloqüência que deveria envergonhar a igreja do Senhor que anda se calando a este respeito, a ponto de as pedras terem de clamar. Aliás, nem todos estão a proceder assim. Ainda recentemente, uma famosa modelo brasileira considerou “ridícula” a defesa da castidade antes do casamento, tendo desafiado alguém que tenha cumprido esta regra. Pouco depois, um famoso jogador de futebol, que é cristão, veio a público dizer que casou virgem e que deve a felicidade de sua vida familiar a observância da Palavra de Deus. Jovens, “…este é o caminho, andai nele…” (Is.30:21 “in médio”).

 - José não levou em conta eventuais vantagens momentâneas, passageiras, mas se preocupou em continuar a servir a Deus, independentemente das circunstâncias. O resultado desta fidelidade foi o cárcere, pois, como não aceitou deitar-se com a mulher de seu senhor, ela o caluniou diante de Potifar, dizendo ter havido uma tentativa de constrangimento por parte de José. Era a palavra da mulher contra a de um escravo, que, embora fosse o escravo principal, não passava de um escravo e Potifar, então, mandou José para o cárcere (Gn.49:14-20). Neste gesto de Potifar, porém, vemos, mais uma vez, a mão de Deus, pois o natural seria que José fosse morto. Potifar (que muito bem conhecia a sua mulher…), não podendo deixar de tomar qualquer atitude, decidiu pelo encaminhamento de José ao cárcere.

 - A calúnia da mulher de Potifar manchou a reputação de José, mas não atingiu a sua integridade. “Reputação”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é o “conceito de que alguém ou algo goza num grupo humano”, “consideração”, “pensamento”, ou seja, é uma opinião que os outros têm a nosso respeito, um julgamento refletido e repetido (“Reputo”, em latim, é, literalmente, “penso de novo, penso novamente”). A reputação não é uma atitude nossa e, por isso, não podemos tratar as pessoas pela sua aparência, pelo que aparentam ser. Nem sempre a reputação corresponde à realidade, como nos dá a Bíblia Sagrada em alguns textos, tais como Jó 19:22, 41:27; Pv.17:28 e Is.32:15. Verdade é que o servo de Deus tem de ter uma conduta exemplar e que um bom testemunho faz com que as pessoas vejam as nossas boas obras e, por isso, tenhamos de ter uma boa reputação (At.6:3), mas isto não impede que pessoas más, mentindo, venham a injuriar, difamar e caluniar o servo de Deus, como Jesus deixou bem claro no sermão do monte (Mt.5:11,12). Por isso, mantenhamos sempre a nossa integridade e estejamos certos de que, vez por outra, com base em mentiras, poderão manchar a nossa reputação. Mas, se formos íntegros, a verdade sempre aparecerá.

 - Este episódio mostra-nos, claramente, que nem sempre os justos triunfam na vida debaixo do sol. Em algumas passagens bíblicas, vemos escrito que o ímpio pode chegar a dominar e a ter vantagem, mas que nada disto é comparável com o que espera o justo na eternidade. Dizer que o ímpio nunca tem prosperidade material, que jamais terá posição vantajosa na Terra, como se diz atualmente, não é bíblico e não corresponde à realidade. O ímpio pode, sim, ter vantagens nesta Terra, mas, certamente, na eternidade sofrerá o eterno castigo. Como diz Salomão: “O ímpio recebe um salário enganoso, mas, para o que semeia justiça, haverá galardão certo (Pv.11:18), como também, “Eis que o justo é punido na terra; quanto mais o ímpio e o pecador!” (Pv.11:31). Nunca nos esqueçamos do que afirmou o salmista: “Porque o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá” (Sl.1:6). A diferença, ensina-nos o profeta Malaquias, será descoberta naquele grande dia, em que o Senhor julgará a todos os que não participarem da primeira ressurreição segundo as suas obras (Ml.3:18; Ap.20:11-15).

 - José perdia, uma vez mais, o seu vestido, não uma “túnica de várias cores”, mas um vestido simples, uma vestimenta típica de escravo, mas que ficara nas mãos da mulher estranha (Gn.39:12,13). José continuava inexperiente em um aspecto: o de ir desprevenido ao encontro dos seus inimigos. Assim como ocorrera em Dotã, José ainda não se mostrara prudente o suficiente para liderar, pois se permitira ficar a sós com a mulher de seu senhor, apesar do assédio que estava a sofrer. Era ainda preciso que aprendesse algo antes que assumisse a posição que o Senhor lhe havia prometido. Esta lição, a da prudência, teria de aprender na casa do cárcere, para onde foi encaminhado (Gn.39:20).

 - Na casa do cárcere, temos a terceira fase da vida de José. Mais uma vez, José é humilhado, desta feita porque resolvera servir a Deus e dar-Lhe a devida obediência. Entretanto, quando nos mantemos íntegros e fiéis a Deus, Deus também o faz. José foi levado injustamente ao cárcere, mas ali, também, “o Senhor estava com José” (Gn.39:21). Além de estar com ele, mesmo numa situação tão difícil, a Bíblia nos diz que o Senhor “estendeu sobre ele a Sua benignidade” (Gn.39:21). O momento era assaz difícil para José, que sentia a dor da injustiça e revivia o trauma da cova em que fora lançado pelos seus próprios irmãos. Ciente desta circunstância psicológica altamente adversa, o Senhor lança sobre Seu servo a Sua benignidade, o Seu bem-querer. Este é o Deus a quem servimos. Apesar das dificuldades, das incompreensões, das perseguições e injustiças que sofremos por amor a Deus, saibamos que Ele nos dá a Sua benignidade. Este é o motivo pelo qual o Senhor Jesus nos ensina a nos alegrarmos e nos regozijarmos quando formos injuriados e perseguidos e, mentindo, disserem todo o mal contra nós por causa de Cristo (Mt.5:11,12). Não ficamos alegres porque somos “alienados” ou “escapistas”, muito menos porque sejamos “bobos alegres”, mas porque temos o Espírito Santo e a Sua companhia, nestes instantes, torna-se muito especial, pois o Senhor estende a Sua benignidade sobre nós e sentimos quanto Ele nos ama e nos quer bem. Este sentimento é maravilhoso e é indescritível por quem já o sentiu. Lembremo-nos que nem os anjos resistiram a esta grande alegria, ao presenciarem o bem-querer divino em relação ao homem quando do nascimento de Jesus (Lc.2:13,14).

 - O Senhor estava com José e José se manteve na mesma linha da vida de comunhão com o Senhor e da excelência do serviço, do esforço e da dedicação. O resultado não poderia ter sido outro: José achou graça também aos olhos do carcereiro-mor (Gn.49:21). Mais uma vez José faz brilhar o nome do Senhor através do seu bom testemunho e isto num tempo em que nem sequer sabia que o servo de Deus deveria ser luz do mundo. E nós, a quem esta verdade bíblica já foi revelada, temos sido luz do mundo? Temos sido “…irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fp.2:15)?

 - José voltou a liderar, passando a ser o encarregado de todos os presos que estavam na casa do cárcere (Gn.49:22). O ambiente prisional não é fácil, é extremamente violento, repleto de intrigas e de crueldade. Ali, notadamente nos dias de José, as pessoas não tinham praticamente nenhuma esperança de sobrevivência, eram extremamente maltratados e a vida não assumia qualquer valor. José, porém, soube liderá-los e ganhar não só a confiança do carcereiro-mor como também dos próprios presos, pois, se assim não fosse, não teriam o copeiro e o padeiro de Faraó tido confiança em lhes contar os sonhos que tiveram, ainda mais sendo, como o eram, egípcios, altamente supersticiosos e que criam que somente os sacerdotes e magos tinham capacidade para interpretar sonhos. José estava, então, sem o saber, iniciando a fase final do seu aprendizado, para, então, exercer a função para a qual o Senhor o estava preparando.

 - José mantinha uma excelência de serviço, tanto que foi determinado que servisse ao padeiro-mor e ao copeiro-mor, altos funcionários de Faraó que haviam sido presos (Gn.40:3,4). José era cuidadoso e zeloso em seu serviço, tanto que, ao notar que os dois estavam um dia turbados (Gn.40:6), perguntou-lhes porque estavam tristes e, como José tinha um bom testemunho, os dois lhe abriram o coração e lhe contaram os sonhos que tiveram. José, que, no passado, contava sonhos, agora está mais amadurecido e, por isso, não os conta, mas os interpreta. A interpretação dada por José cumpriu-se integralmente, mas, nem por isso, José teve mudada a sua situação. Apesar de seu pedido ao copeiro-mor para que se lembrasse dele quando fosse restituído a seu cargo, este não se lembrou de José, mas, antes, se esqueceu dele (Gn.40:23).

 - José já se tornara um conhecedor da vontade divina, já interpretava sonhos vindos da parte do Senhor, mas, ao final da sua última interpretação, mostrou que ainda faltava um pequeno pormenor para que alcançasse a bênção que Deus lhe prometera. Ainda estava a pensar em si. Sabendo que o copeiro-mor seria restituído à sua função, pede que intercedesse a seu favor e que o livrasse do cárcere. Este pensamento em si, ainda que sutil e já enfraquecido, bem diferente da idéia de reconhecimento e aceitação junto a seus irmãos pelo simples contar do sonho, na casa de seu pai, ainda denunciava um certo “ego” na vida de José e, por isso, o Senhor não fez com que o copeiro-mor se lembrasse dele, pelo menos nos dois anos seguintes. É preciso a renúncia de si mesmo para que venhamos a seguir ao Senhor.

 - José ainda trabalhou dois anos inteiros na casa do cárcere depois que o copeiro-mor foi restituído ao seu cargo e o padeiro-mor, enforcado. Entretanto, depois destes dois anos, exatamente no dia do aniversário de Faraó(Gn.40:20), que este teve dois sonhos seguidos que muito o perturbaram e que não teve qualquer interpretação por parte dos magos (Gn.41:8). O copeiro-mor, então, lembrou-se de José e ele foi chamado à presença de Faraó, que lhe contou os sonhos, que foram interpretados por José (Gn.41:1-32). José, então, não só interpretou os sonhos, mas deu a solução para a questão, dizendo a Faraó que deveria se prover de um varão entendido e sábio, que fosse posto sobre a terra do Egito e administrasse os anos de abundância para que, nos anos de fome, esta fosse mitigada (Gn.41:33-37).

 - José estava pronto para receber a promessa que Deus lhe havia feito há anos. José foi levado à presença de Faraó e interpretou os sonhos que lhe foram contados. Não era apenas mais o “sonhador-mor”, mas, sim, o intérprete dos sonhos, reconhecendo que eles e a interpretação vinham da parte de Deus. Não era mais alguém que contava sonhos para se dizer destinado à liderança, mas alguém que reconhecia explicitamente, e diante de um monarca que se considerava divino e regia a maior potência política da época, que Deus era o soberano e que tudo vinha dEle e alguém que não tinha mais nenhum desejo próprio, que não pensava em si, tanto que sugeriu a Faraó que indicasse um varão sábio e entendido para administrar o Egito. José era, portanto, um homem espiritualmente maduro: conhecedor da vontade de Deus, adorador de Deus e que não tinha qualquer pretensão pessoal. Tem havido maturidade nas lideranças de nossas igrejas locais, à luz deste exemplo de José?

 - Faraó, então, decide nomear José como governador do Egito, a quem considerou sábio e entendido, transformando-o na maior autoridade do país, devendo obediência tão somente a Faraó (Gn.41:38-41). José recebe, então, novas vestimentas, vestidos de linho fino e um colar de ouro no seu pescoço, além do anel de Faraó. Cumpria-se, então, parte dos sonhos da adolescência: José era levantado. Do cárcere para o governo do Egito, de escravo a governador, numa clara demonstração de que operando Deus, quem poderá impedir? (Is.43:13 “in fine”).

 - Todos aqueles treze anos de sofrimento e de privações chegavam ao fim (pois tinha 30 anos quando se tornou governador do Egito – Gn.41:46 tendo sido vendido pelos seus irmãos quando tinha 17 anos – Gn.37:2). Durante este período, José deixou de ser o “sonhador-mor”, o adolescente que procurava prevalecer levando má fama dos seus irmãos, para se tornar o varão sábio e entendido, capaz de governar o maior país daquela época. Entretanto, o adolescente sonhador se tornou o varão sábio e entendido porque, desde a adolescência, fora íntegro e temente a Deus. Como diz o título da lição, José tudo sofreu para se tornar um líder, mas, antes mesmo de o ser, já se mostrara piedoso, isto é, dedicado a Deus e a cumprir os deveres junto a Deus, bem como temente a Deus, pois rendia a Deus o devido tributo, a devida adoração, reconhecia em Deus a soberania, o senhorio sobre a sua vida, estivesse ele na casa de seu pai, como filho predileto; na casa de seu senhor, como escravo e mordomo; na casa do cárcere, como preso injustiçado a serviço do carcereiro-mor.

 III – A BIOGRAFIA DE JOSÉ (III) – O GOVERNADOR DO EGITO QUE SABE SER INSTRUMENTO PARA A CONSERVAÇÃO DE ISRAEL

- Inicia-se, então, a quarta e última fase da vida de José, que terá a duração de 70 anos (pois José morre com 110 anos, tendo assumido o governo do Egito com 30 – Gn.50:26): a fase em que José é governador do Egito, em que será considerado “o salvador do mundo”, conforme o nome que lhe pôs Faraó (Zafenate-Panéia – Gn.41:45).

- José vê o cumprimento literal da interpretação dada aos sonhos de Faraó. Durante sete anos a terra produziu abundantemente e, conforme havia sugerido a Faraó, José inicia o armazenamento da produção, a fim de enfrentar os anos de fome que se seguiriam aos anos de abundância. José manteve, assim, a excelência do serviço, mesmo agora sendo o governador do Egito. A primeira atitude de José foi “passar por toda a terra do Egito” (Gn.41:46), atitude extremamente sábia, a fim de conhecer toda a terra que governaria e a usar de toda a observação cuidadosa, que sempre fora a sua qualidade, desde os tempos da casa de seu pai. A constância faz parte da integridade e, por isso, o apóstolo recomenda aos servos do Senhor que sejam firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor (I Co.15:58).

 - Como é triste verificar que muitos que começam bem na vida espiritual, cedo se desvirtuam, cessam de manter a mesma conduta e linha que a levaram até uma posição de destaque, seja na vida secular, seja na vida material. Devemos nos lembrar que a fidelidade não leva em conta se estamos em posição elevada ou em posição humilde. A fidelidade tem a ver com o nosso compromisso diante de Deus. Quem é fiel no pouco (e tudo quanto venhamos a angariar neste mundo é pouco ante a glória que nos está reservada – Rm.8:18), também o será no muito (Mt.25:21,23). A vitória encontra-se no fim. Nunca nos esqueçamos disto!

 - José, enquanto governador do Egito, continuou a ter a mesma integridade de seu tempo de filho predileto, escravo na casa de Potifar e preso na casa do cárcere. Ele era o mesmo, pois a pessoa íntegra, como vimos supra, é aquela que é o que é, que tem todo o seu ser completamente entregue nas mãos do Senhor, que O serve de coração inteiro. Prova disto é o nome que deu a seus dois filhos. O primeiro recebeu o nome de Manassés (em hebraico, “Menashe”), cujo significado é “que faz esquecer”, porque José entendeu que a vinda de seu filho era uma forma de Deus fazê-lo esquecer o seu sofrimento e a casa de seu pai, já que agora possuía uma família(Gn.41:50). Nesta sua expressão, vemos como José punha a Deus em primeiro lugar na sua vida e como tinha consciência de que Deus sempre estivera com ele durante todos os anos de provação. O segundo foi chamado Efraim, cujo significado é “frutífero”, querendo com isto dizer que Deus o havia feito crescer na terra da sua aflição (Gn.41:52), mais uma vez revelando que Deus continuava a ser o principal alvo de sua vida.

 - A propósito, vemos que José constituiu família, mediante casamento que lhe foi determinado por Faraó, com a filha de Potífera, sacerdote de Om (Gn.41:45). Vemos, pois, como Deus honra aqueles que O honram. Mesmo em terra estranha, com outros costumes e uma moralidade bem diferente daquela da casa de seu pai, José teve o beneplácito do Senhor que permitiu que, apesar da diversidade de costumes, fosse mantida a moralidade de José. José, assim, casou-se e pôde ser pai dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Senhor. Este é um exemplo para nós: ainda que estejamos em culturas diferentes, nada justifica sairmos dos mandamentos e princípios bíblicos, pois a Palavra de Deus é atemporal e não muda onde quer que estejamos, seja qual for a época em que vivamos, pois permanece para sempre (I Pe.1:25), jamais passará (Lc.21:33).

 - Passaram-se os anos de abundância e os anos de fome chegaram (Gn.41:53). Era este o instante do grande teste de José, não só como governador do Egito, mas diante de sua própria família. Jacó mandou que seus filhos fossem buscar alimento no Egito e eles foram imediatamente reconhecidos por José (Gn.42:6,7). Cumpriu-se, então, o primeiro dos sonhos, quando os irmãos se inclinaram diante de José. Neste instante, José não era mais aquele que queria ser reconhecido como líder junto a seus irmãos. Era alguém que entendia tudo o que se havia passado com ele. Nos anos de fome, fora posto perante o governo do Egito para poder conservar com vida a casa de seu pai e, assim, pudessem ser cumpridas as promessas dadas a Abraão, Isaque e Jacó.

 - José não se fez conhecer logo aos seus irmãos, mas, numa série de testes, procura fazê-los se arrepender do mal que lhe haviam causado. José não quis vingar-se de seus irmãos, pois entendeu qual fora o propósito divino (Gn.50:19-21), mas também compreendia que eles precisavam confessar e se arrepender do mal que lhe haviam intentado. O mal fora convertido em bem pelo Senhor, mas tinha de ser confessado pelos seus irmãos, para que a vitória fosse completa.

 - Os testes que José empreende a seus irmãos, desde então, têm esta finalidade e alcançam o seu objetivo. Seus irmãos confessam, diante de Deus (não sabiam sequer que José os compreendia, visto que falavam na sua própria língua no Egito), a falta cometida, trazem Benjamim, o único irmão germano de José, que, assim, comprova que eles não haviam destinado a Benjamim o ódio que tinham tido em relação ao primogênito de Raquel e, ante tais considerações, então, José se faz reconhecer a seus irmãos e se opera a reconciliação.

 - José, então, faz vir todo o clã para o Egito, onde se estabelecem na terra de Gósen, a melhor porção do país, onde continuam a criar o gado, sua principal atividade. Os filhos de Israel ganham, assim, um território e condições altamente favoráveis para a sua multiplicação, iniciando-se a última fase da formação do povo escolhido de Deus. Como, sem o saber, profetizara Faraó ao dar o nome egípcio de José, este tinha sido um verdadeiro instrumento de Deus para a salvação da humanidade, na medida em que foi o meio pelo qual o Senhor tratou de formar o povo de onde viria Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 - José bem revela esta consciência quando determina que seus ossos sejam levados juntamente com o povo quando eles saíssem do Egito (Gn.50:25). José sabia que não poderia ser enterrado como seu pai na terra de Canaã, diante de sua posição como governador do Egito, mas também sabia que pertencia ao povo de Israel, que era um instrumento nas mãos de Deus para a preservação deste povo e que, assim como Deus lhe prometera posição de proeminência e cumprira Sua promessa, também cumpriria o que revelara a Abraão(Gn.15:13-16). Era alguém que, embora tivesse plena consciência de seu papel na face da Terra, não abria mão daquilo que lhe estava reservado no plano espiritual, na dimensão celestial.

 

- Assim, o José próspero, o José rico, o José governador do Egito, honrado e com vestidos de linho fino era, mais do que tudo, o José que tinha consciência do propósito divino, da necessidade de ser instrumento para a salvação, o José que não queria que nem seus ossos ficassem no Egito. Como é diferente este José deste que tem sido pregado pelos arautos da teologia da prosperidade, um José que se compraz com as benesses do Egito. Este José destes pregadores não é, em absoluto, o José da Bíblia, não é o modelo de desprendimento das coisas desta vida que devemos seguir. Que não queiramos nem que nossos ossos permaneçam no Egito!

 

IV – O QUE APRENDEMOS A FAZER COM JOSÉ

 

 

Colaboração/gráfico: Jair César

 

- José é, conforme ensinam os estudiosos da Bíblia, um dos mais eloqüentes tipos de Jesus, ou seja, uma personagem que apresenta e antecipa algumas das características do nosso Salvador. Entretanto, não é este o viés de nosso trimestre, que não é tipológico, mas ético, que busca nos trazer lições das vidas de personagens bíblicas a fim de que aprimoremos o nosso caráter cristão.

 

- Mas, em virtude desta “eloqüência tipológica”, temos em José diversas e preciosas lições de condutas que devemos tomar ao longo de nossa vida debaixo do sol. A primeira diz respeito à prioridade da comunhão com Deus como atitude que devemos tomar.

 

- José, em todos os momentos de sua vida, foi uma pessoa que se preocupou em agradar sobretudo a Deus, em ter o seu relacionamento com Deus como prioridade. José priorizou este relacionamento com o Senhor e não esmoreceu mesmo quando foi repreendido por seu pai, por causa de um sonho que teve da parte do Senhor ou quando foi para a prisão por ter se recusado a violar a lei do Senhor ante a oferta de adultério por parte da mulher de seu senhor. Esta dedicação extrema ao Senhor, devoção, piedade e integridade é, sem dúvida, uma das mais preciosas lições que extraímos da vida de José. Pensamos nas coisas que são de cima (Cl.3:1,2) ? Estamos realmente mortos para o mundo (Rm.6:2; Cl.3:3)? Não mais vivemos, mas Cristo vive em nós (Gl.2:20)?

 - A segunda lição que José nos dá é a de que fidelidade a Deus independe das circunstâncias. Decidido a servir a Deus, José o faz na casa de seu pai, como escravo em terra estranha, na casa do cárcere como preso injustiçado e no palácio de Faraó, como governador do Egito. José foi fiel a Deus, temeu ao Senhor, não importando o que lhe aconteceu ao longo da vida. Esta firmeza e constância é algo que devemos reproduzir no nosso andar com Cristo até que o Senhor volte ou que nos chame para a Sua glória. O Senhor é bem claro em Sua carta à igreja de Esmirna, uma igreja onde não havia qualquer senão: “…Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”(Ap.2:10 “in fine”). Como está a nossa fidelidade? Não nos esqueçamos do que diz o apóstolo: “…se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (II Tm.2:13).

 - A terceira lição que aprendemos com José é o da excelência de serviço, da dedicação e do esforço. José sempre se apresenta nas Escrituras como uma pessoa zelosa da qualidade de seu serviço, seja como prestador de informações ao seu pai, como escravo na casa de Potifar, como servo dos presos a cargo do carcereiro-mor, seja como governador do Egito. José sempre fez o melhor que podia em todas as atividades que assumiu, não sendo preguiçoso, deslocando-se sempre que necessário, sempre pronto a servir e a atender aos seus superiores e a todos quantos lhe procurassem. Conhecido lema diz que “quem não vive para servir, não serve para viver” e esta é uma afirmação que tem pleno respaldo bíblico. José era, antes de tudo, um servidor e um servidor de qualidade, cujo trabalho sempre fazia que alcançasse graça aos olhos de seus superiores. Devemos servir desta mesma maneira, não só a Deus, mas também a todos quantos o Senhor põe para serem servidos por nós (Ef.6:5-8).

 - A quarta lição que temos na análise da vida de José é a necessidade de mantermos a pureza, a separação do pecado para que tenhamos a companhia de Deus. Como vimos, mais de uma vez a Bíblia diz que o Senhor estava com José e esta afirmativa encontra uma necessária e indispensável correspondência: José não estava com o pecado. No episódio da mulher de Potifar, vemos bem explicitamente esta correlação, que é fundamental para que sejamos espiritualmente vitoriosos. Esta é a realidade que muitos têm procurado esconder. João é bem claro: “Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não O viu nem O conheceu” (I Jo.3:8), ou, ainda, “sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo…” (I Jo.5:18a). Podemos dizer que somos nascidos de Deus, que vemos e conhecemos a Jesus?

 - A quinta lição que temos ao estudarmos a vida de José é a do perdão. José jamais se vingou daqueles que lhe prejudicaram. Tendo comunhão com Deus, soube entender que as adversidades que sofreu na sua vida foram fruto ou de sua imaturidade espiritual ou da provação divina, contrariedades necessárias para que fosse devidamente capacitado para o exercício da tarefa que Deus lhe cometera. Isto vemos claramente quando, após a morte de seu pai, José dirige-se a seus irmãos e afirma que “…vós intentaste mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar a vida a um povo grande” (Gn.50:20). É o mesmo grau de consciência que teve o apóstolo Paulo ao afirmar aos romanos que “…todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm.8:28).

 - José, mesmo tendo alcançado o governo do Egito, não procurou vingar-se de seus irmãos, nem tampouco da mulher de Potifar. Buscou tão somente compreender o propósito divino para tanto sofrimento e corresponder aos objetivos traçados pelo Senhor neste aprendizado. Assim como ele, devemos também perdoar, para que não soframos como o credor incompassivo da parábola contada pelo Senhor Jesus (Mt.18:23-35).

 - A sexta lição que temos com José é o da prioridade das bênçãos espirituais. José era governador do Egito, o segundo homem do mais poderoso país daquele tempo, homem que desfrutava da plena confiança de Faraó. Seria natural, ainda mais diante da traição sofrida na casa de seu pai, que se apegasse às riquezas do Egito, à sua posição social, ao seu poder político. No entanto, José fez seus irmãos jurarem que levariam seus ossos para Canaã assim que eles retornassem para a Terra Prometida. José não se impressionou com as bênçãos terrenas que recebera, mas mantinha sua esperança na Terra Prometida, ou seja, nas promessas dadas por Deus a Abraão, Isaque e Jacó. José inclui-se entre aqueles que o escritor aos hebreus afirmou que “…morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e as crendo, e as abraçando, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria(…) mas, agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial.” (Hb.11:13-15a).

 - O que temos buscado nesta vida? Uma posição social, riqueza, poder? Se esperamos em Cristo somente nesta vida somos os mais miseráveis dos homens (I Co.15:19). Mas aprendamos com José e não tenhamos a nossa vida por preciosa, mas procuremos ter como alvo a vida eterna, considerando a nossa vida debaixo do sol tão somente como uma carreira e um instrumento para exercermos o ministério, o serviço que nos foi dado pelo Senhor Jesus (At.20:24).

 - A sétima lição que aprendemos com José é decorrência desta consciência, a saber, a humildade de espírito. Mais um servo do Senhor que se apresenta como submisso à vontade do Senhor, que sabe que o homem nada mais é que um mordomo do Criador dos céus e da terra. José, mesmo sendo governador do Egito, diante de seus irmãos, afirmou que era apenas um instrumento para a conservação do povo de Israel, uma peça no propósito divino. José sempre soube manter o seu lugar, seja na casa de Potifar, seja na casa do cárcere, seja no palácio de Faraó. Sempre vemos José se apresentando com lealdade e submissão aos seus superiores, conseqüência direta da vida de comunhão que tinha com Deus. Sabemos ocupar convenientemente o nosso lugar? Temos impedido que a vaidade e o orgulho nos dominem?

 - Neste ponto, aliás, José é, mais uma vez, um tipo de Jesus Cristo, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo (Fp.2:6,7a) e, quando tudo estiver debaixo dos Seus pés, sujeitar-Se-á ao Pai, numa sublime e inigualável demonstração de humildade de espírito (I Co.15:28). Por isso, o Senhor Jesus pôde nos mandar que aprendêssemos dEle que é manso e humilde de coração (Mt.11:29).

 V – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM JOSÉ

- Como temos feito em relação a todas as personagens bíblicas que estão sendo estudadas neste trimestre, também veremos o que podemos aprender como contra-exemplos na vida de José.

- A primeira lição do que não fazer com a vida de José tem a ver com a má fama que costumava levar de seus irmãos (Gn.37:2). Embora devamos sempre falar a verdade e a omissão intencional, a chamada “meia-verdade”, seja uma “mentira inteira” e, portanto, não é atitude que possa ser cometida por um servo do Senhor, temos que nem por isso se deva esmerar-se em trazer má fama de terceiros a alguém. O prazer em difamar, a “especialização em encontrar defeitos e erros nos outros” tem como conseqüência única a criação de inimizades e invejas e a Bíblia nos ensina que, enquanto estiver em nós, devemos ter paz com todos os homens (Rm.12:18). Foi o que ocorreu com José, que passou a viver uma luta incessante dentro de sua própria casa (Gn.37:4), a ponto de terem seus irmãos o aborrecido tanto que o quisessem matar, o que não se fez única e exclusivamente por intervenção do Senhor no negócio.

- Muitos poderiam dizer que era plano de Deus que José fosse enviado ao Egito. Não resta dúvida de que se tratava, mesmo, do propósito divino, mas a situação de beligerância na casa de Jacó, a inimizade, as porfias e o mal-estar resultante da “especialização em divulgação de má fama” por parte de José era fruto único e exclusivo de seus erros, não estava no propósito divino de conservação do povo de Israel. As contrariedades e angústias sofridas por José no seu relacionamento com os irmãos eram resultado desta sua ação imatura, nada tendo que ver com o plano divino estabelecido para ele e para Israel.

- A segunda lição do que não fazer que José nos dá é o desejo de nos impormos diante dos nossos semelhantes, ante a revelação divina de nosso chamado. José, celeremente, contou a seus irmãos e, depois, a seu pai, os seus sonhos, sonhos que vinham da parte de Deus, com quem tinha comunhão, querendo, com isto, impor-se como líder junto a sua família, não porque fosse ambicioso e almejasse o mando, mas porque tinha a convicção de que fora escolhido por Deus para exercer, na família, uma proeminência.

- Entretanto, devemos aprender que aquilo que Deus nos revela não deve ser alardeado aos quatro ventos, senão no momento oportuno. O mesmo Senhor que revela é o Senhor que manifesta o que tem preparado para nós no seio de nossa comunidade (família, igreja local, sociedade), de modo natural e sem qualquer necessidade de coação ou persuasão humana. Deus está no completo controle da situação e, quando nos revela algo, devemos tão somente nEle esperar, pois, no momento oportuno, Deus nos levará ao lugar e posição previamente revelados. O objetivo da revelação de Deus a cada um de nós é para que nos preparemos, iniciemos o aprendizado necessário para exercermos aquilo que Deus está a nos dar e não para que, mediante a divulgação da revelação, os outros reconheçam, desde logo, a nossa vocação. A vocação (ou chamada) é de Deus para nós, nada tendo os outros que ficar sabendo dela antes do momento oportuno, que é estabelecido por Deus e será manifestado a todos. Até lá, fiquemos em o nosso lugar, preparando-nos e nos esforçando para atendermos a este chamado do Senhor. A vocação é para nós (I Co.1:26; 7:20; Ef.4:1,4; II Tm.1:9; II Pe.1:10), não para os outros.

- A terceira lição que aprendemos com os erros de José é a de jamais podemos ir ao encontro dos inimigos desprevenidos e confiantes em nós mesmos. É preciso estarmos vigilantes e não vacilarmos, não só quando formos ao encontro do adversário, como ocorreu com José, mas sabendo que, em os nossos dias, é o adversário que sempre está vindo ao nosso encontro (Tg.4:7; I Pe.5:8). As duas vezes em que José enfrentou seus adversários desta maneira, sofreu revezes. Ao ir ao encontro dos irmãos totalmente desguarnecido, confiante apenas na sua “túnica de várias cores”, ou seja, na sua condição de filho predileto, perdeu a túnica, foi lançado na cova, só não foi morto pela misericórdia divina que se utilizou do seu irmão mais velho, Ruben, para impedir o assassínio e foi vendido como escravo. Ao ficar sozinho na casa de Potifar, tendo apenas o seu vestido de escravo principal, também foi atacado pela mulher de seu senhor, que conseguiu retirar o seu vestido e caluniá-lo, obrigando seu senhor a mandá-lo para a casa do cárcere.

- Não podemos enfrentar o nosso adversário, que é o diabo (I Pe.5:8), desguarnecidos, desarmados, desprotegidos. Muitos têm fracassado espiritualmente porque vão aonde está o inimigo confiantes em si mesmos, em sua posição, em sua experiência, em sua habilidade. Não podemos ignorar os ardis de Satanás (II Co.2:11) e devemos estar plenamente conscientes de que, para lutarmos contra as hostes espirituais da maldade, é imprescindível que estejamos devidamente armados com a armadura de Deus (Ef.6:11-13). Nos dias difíceis em que vivemos, muitos têm caído nas ciladas do diabo, diabo que faz questão de divulgar, como pai da mentira que é (Jo.8:44), de que ele não existe ou de que não tem como atacar ou se aproximar dos servos de Deus. Isto é mentira, povo de Deus! Ele anda ao derredor buscando a quem possa tragar, tendo uma atividade incessante e crescente em os nossos dias, não cessando de nos acusar dia e noite diante de Deus (Ap.12:10). Não deis lugar ao diabo (Ef.4:27). Não vacilemos, como fez José.

- A quarta lição que tem José como contra-exemplo refere-se à “manutenção de um resíduo de ego” na nossa vida com Deus. Ao interpretar o sonho do copeiro-mor, José pediu ao alto funcionário de Faraó que se lembrasse dele quando fosse restituído a seu posto. Embora já fosse prudente na divulgação das revelações divinas, embora fosse cuidadoso no relacionamento com as demais pessoas, embora não mais procurasse divulgar má fama de quem quer que fosse, José ainda mantinha um “resíduo de eu”, tinha ainda uma pequena preocupação consigo mesmo e com a sua sorte na vida debaixo do sol.

- O servo do Senhor, porém, diz-nos a Bíblia Sagrada, deve renunciar a si mesmo (Mt.16:24), renúncia completa e irrestrita, sem qualquer resíduo. Quem quiser ganhar a sua vida, perdê-la-á, diz o Senhor Jesus (Mt.10:39; 16:25; Mc.8:35; Lc.9:24; 17:33; Jo.12:25), em diversas oportunidades, ensino repetido em todos os quatro Evangelhos, a demonstrar a sua importância. Muitos são os que, nos dias de hoje, perdem a sua vida porque procuram reservar algo para si, ainda que mínimo, não aceitando a oferta de renúncia. Jesus tudo deixou para morrer em nosso lugar e devemos seguir o Seu exemplo. José foi esquecido pelo copeiro-mor, porque este “resíduo de eu” ainda o impedia de poder ser um eficaz instrumento divino para a salvação da humanidade. Só depois que houve a completa renúncia, o que se demonstra pela total falta de preocupação consigo mesmo no instante em que José interpretou os sonhos de Faraó é que se teve a exaltação e a colocação de José no lugar que lhe havia sido prometido 17 anos antes. Temos estado dispostos a renunciar a nós mesmos?

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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Ester, uma rainha altruísta – 5

Publicado por Editor em 2007/07/27

ESTER, UMA RAINHA ALTRUÍSTA

 

 

Ester 3.12,13; 4.13-17
Lição 4 – 29/07/2007
Texto Bíblico: Pv 31.10 Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubins.

OS VALORES DE UMA MULHER VIRTUOSA
1. ENCONTRAM-SE NA SUA CARACTERÍSTICA


· Pela sua integridade – Et 2.17 E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou graça e favor diante dele mais do que todas as virgens; de sorte que lhe pôs sobre a cabeça a coroa real, e a fez rainha em lugar de Vasti. Pv 11.3 A sinceridade dos íntegros os guiará, mas a perversidade dos aleivosos os destruirá


· Pela sua humildade – Et 4.16a Vai, ajunta todos os judeus que se acham em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia Pv 11.2 Em vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria


· Pela sua submissão – Et 4.16b e eu e as minhas moças também assim jejuaremos. I Pe 5.6 Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte;

 

2. ENCONTRAM-SE NA SUA IMPETUOSIDADE


· É decidida – Et 4.16c Depois irei ter com e rei, ainda que isso não é segundo a lei; Pv 24.10 Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena.


· É destemida – Et 4.16d e se eu perecer, pereci. Mt 10.28 E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.


· É prudente – Et 5.1 Ao terceiro dia Ester se vestiu de trajes reais, e se pôs no pátio interior do palácio do rei, defronte da sala do rei; e o rei estava assentado sobre o seu trono, na sala real, defronte da entrada Pv 13.16 Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura


3. ENCONTRAM-SE NA SUA PECULIARIDADE


· Com atrevimento – Et 5.4 Ester respondeu: Se parecer bem ao rei, venha hoje com Hamã ao banquete que tenho preparado para o rei .Sl 56.11 Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem


· Com sagacidade – Et 8.1 Naquele mesmo dia deu o rei Assuero à rainha Ester a casa de Hamã, o inimigo dos judeus. E Mardoqueu apresentou-se perante o rei, pois Ester tinha declarado o que ele era. Sl 13.4 Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários não se alegrem, vindo eu a vacilar.

· Com capacidade – Et 8.5 disse: Se parecer bem ao rei, e se eu tenho alcançado o seu favor, e se este negócio é reto diante do rei, e se eu lhe agrado, escreva-se que se revoguem as cartas concebidas por Hamã, filho de Hamedata, o agagita, as quais ele escreveu para destruir os judeus que há em todas as províncias do rei. II Co 3.5 Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, Pr Adilson Guilhermel

www.pastorguilhermel.com.br
Obs: Leiam o livro de Ester para ministrar esta
aula

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Ester, uma rainha altruísta – 4

Publicado por Editor em 2007/07/25

ESTER, UMA RAINHA ALTRUÍSTA

Pr. Edevir Peron Fonte: http://www.adcorreiapinto.com.br 

INTRODUÇÃO. 

Prosseguimos buscando na Bíblia Sagrada, exemplos marcantes na vida de homens e mulheres de Deus, que nos deixaram lições dignas de serem seguidas por nos que vivemos em dias trabalhosos. Mas com fé e coragem, possamos como eles, vencer todos os obstáculos, e dificuldades que possamos encontrar na nossa peregrinação por essa terra. E em todas essas coisas, ser mais que vencedores por aquele que nos amou Rm 8.37. Que através desta lição, possamos entender que aqueles que confiam no SENHOR, jamais serão abalados Sl 125. 1. E que como Ester, vençamos os poderes do mal.

 I. A PÉRCIA NO TEMPO DE ESTER

A pérsia.

Do hebraico (paras) do persa antigo e do moderno (pars) do árabe (fars). Aparece frequentemente na literatura bíblica pós-exílica, em especial nos livros de Ester, Daniel, Esdras e Neemias. O reino da Pérsia é mencionado vinte vezes no antigo testamento, através de seus reis e príncipes. Entre os reis da Pérsia, somente um em cada sete se mostrou desfavorável aos Judeus. Apesar de o povo Judeu estar na Pérsia como escravos, mas não foram os persas que levaram esse povo para lá. As duas grandes levas de Judeus para o cativeiro foram realizadas, a primeira pela Assíria no ano 721 a.C. e a segunda pela Babilônia, em 606 a.C. sendo Babilônia vencida pelos Medo-persa em 539 a.C. automaticamente os Judeus que lá estavam ficaram sob o domínio da Pérsia. O império da Pérsia se estendia desde a Trácia e o Egito, no Ocidente, até o Indo, no oriente; desde o mar Negro, o Cáucaso, o mar Cáspio, e o Oxus e Jaxartos, ao Norte, até a Arábia, o Golfo Pérsico, e o Oceano Indico, ao Sul. As principais cidades eram Babilônia, Susá, Ecbatana na Média 2Cr 36. 20-23; Ed 1. 3, 14,18; 10. 2; Ez 27. 10; 38. 5; Dn 8. 20; 10. 1, 13,20; 11. 2. A Pérsia, a partir de 1935, passou a chamar-se Irã. Esse país esta situado nas costas orientais do mar Cáspio; é visinho da Rússia e da Turquia Asiática.

 A Bíblia menciona vários nomes de reis da Pérsia, o maior de todos esses foi Ciro. Ele venceu a Babilônia e fundou o Império persa, e reinou sobre ele de 538 a 529 a.C. Dele profetizou Isaias: Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita, para abater as nações diante de sua face; eu soltarei os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. Is 45. 1. Um dos importantes reis da Pérsia foi Dario. Ed 4. 5; Ag 1. 1; Zc 1. 1. Que reinou depois de Ciro. (não confundir com Dario filho de Assuero Dn 9. 1.).  O rei Assuero.Encontramos no livro de Ester 29 vezes o nome Assuero, no hebraico SwrwSxa (Aashverosh). Que é tradução de Khshyarsha, da língua persa. Ao ser traduzido para o grego, é ChrceV  (Xerxes). E como conhecemos em português; Assuero.

 Assuero era filho de Dario. Em Ester 1. 1-8 lemos o seguinte:

1Sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até a Etiópia, sobre cento e vinte e seis províncias,2 que, estando o rei Assuero assentado no seu trono do seu reino em Susã, a capital,3 no terceiro ano de seu reinado deu um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, estando assim perante ele o poder da Pérsia e da Média, os nobres e os oficiais das províncias.4 Nessa ocasião ostentou as riquezas do seu glorioso reino, e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, a saber, cento e oitenta dias.5 E, acabado aqueles dias, deu o rei um banquete a todo povo que se achava em Susã, a capital, tanto a grandes como a pequenos, por sete dias, no pátio do jardim do palácio real.6 As cortinas eram de pano branco verde e azul celeste, atadas com cordões de linho fino e de púrpura a argola de prata e a colunas de mármore; os leitos eram de ouro e prata sobre um pavimento mosaico de pórfiro, de mármore, de madrepérola e de pedras preciosas.7 Dava-se de beber em copos de ouro, os quais eram diferentes uns dos outros; e havia vinho real em abundância, segundo a generosidade do rei.

8 E bebiam como estava prescrito, sem constrangimento; pois o rei tinha ordenado a todos os oficiais do palácio que fizessem conforme a vontade de cada um.

 Apenas com esta leitura, da para se notar a riqueza e grandeza desse rei. E também a bebedíce e glutonaria em que viviam.   

Hamã.

Hamã era a segunda pessoa depois do rei, e isso o fez se exaltar, principalmente porque o rei tinha ordenado que todos se inclinassem diante dele: Depois destas coisas o rei Assuero engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, o agagita, e o exaltou, pondo-lhe o assento acima dos de todos os príncipes que estavam com ele. E todos os servos do rei que estavam à porta do rei se inclinavam e se prostravam perante Hamã, porque assim ordenara o rei a seu respeito: porém Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava. Et 3. 1,2. Esse homem se achou tão grande e poderoso que vendo que Mardoqueu não se inclinava perante ele, intentou matar não somente a Mardoqueu, mas também a toda a sua nação. Já seria difícil entender o que há no coração de um homem que tira a vida do seu semelhante simplesmente porque não se inclina perante ele. Imagine matar milhares de pessoas por isso. Hamã mostra a maldade do seu coração. Certamente ele estava neste posto tão elevado, não porque merecia, mas por sua hipocrisia em que vivia diante do rei, demonstrando uma bondade que não existia no seu coração. Enganando assim ate o próprio rei. Porem: Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Gl 6. 7. Hamã não conhecia a Mardoqueu, nem tão pouco conhecia ao Deus de Mardoqueu. Também não sabia que quem toca num servo do SENHOR, toca na menina de seus olhos. Zc 2. 8. E quem abre uma cova nela cairá Pv 26. 27; Ec 10. 8. Hamã, por ordem do rei, foi enfocado na forca que preparara para Mardoqueu. E esse foi elevado perante o rei. Que isso sirva de exemplo para todos nos. Que nunca venhamos nos exaltar, seja qual for a posição que tenhamos.   

Os Judeus.

Como já citado acima, os Judeus, que tinham sido levados para o cativeiro pela Babilônia, agora estavam sob o domínio dos Persas. Não eram totalmente livres, mas não eram severamente escravizados. Viviam espalhados por todas as províncias daquele império. Ao exemplo que tiveram, ao ir para o cativeiro, procuravam viver uma vida digna diante de Deus. E adoravam somente ao Deus de Israel. Et 3. 2-4. 

Mardoqueu.

No hebraico ykdrm (Mardocay), traduzido na ARC por Mardoqueu. E na ARA por Mordecai. Lemos em Ester 2. 5,6 sobre ele: Havia então em Susã, a capital, certo judeu, benjamita, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, 6 que tinha sido levado de Jerusalém com os cativos que foram deportados com Jeconias, rei de Judá, o qual Nabucodonosor, rei de Babilônia, transportara. 

Mardoqueu era primo de Ester Et 2. 7. Da tribo de Benjamim. Neto de Quis, que tinha sido levado cativo de Jerusalém para Babilônia. A Bíblia não fala muito sobre esse homem, mas já da para entender que ele era um homem humilde, que esperava somente no SENHOR. Criou Hadassa, sua prima nos caminhos do Senhor, como se fora filha Et 2. 7.  Veremos mais a frente neste estudo o resultado da educação que Mardoqueu deu a sua filha adotiva Ester. Mardoqueu em Susã, servia ao rei Assuero, mas sem negar ao SENHOR, dando sempre prioridade as coisas de Deus. Ele nos deixa um grande exemplo de humildade e obediência a Deus. Estava sempre a porta do rei, sem nunca buscar posição maior. Foi nessa posição humilde que Mardoqueu pode observar a trama dos dois eunucos, Bigtã e Teres, para matar o rei. Eles eram guardas da porta Et 2. 21. Exatamente aonde Deus tinha colocado Mardoqueu. Por isso; nunca devemos reclamar da nossa posição, mesmo que seja a mais humilde, ate mesmo rejeitada por muitos, pois é ali que Deus quer nos usar. Foi isso que aconteceu com Mardoqueu, permaneceu humildemente no seu posto, e como esta escrito: O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e diante da honra vai a humildade. Pv 15. 33. 

Chegou então à hora de Mardoqueu ser honrado. Deus faz com que o rei perca o sono, então pediu para que fossem lidas as crônicas, os acontecimentos que envolviam o rei e o império. Então encontraram escrito ali de uma vez que Mardoqueu tinha salvado a vida do rei, e então perguntou o que se tinha feito por Mardoqueu. E lhe disseram que nada se tinha feito             Et 6. 3. O rei ficou pensando o que faria por ele. Nesse momento chega Hamã no pátio, ele vinha para pedir ordem ao rei para enforcar a Mardoqueu. Então o rei pergunta ao seu servo, quem estava no pátio, e lhe informaram que era Hamã, então ele mandou que entrasse, e perguntou a Hamã, o que deveria ser feito ao homem a que o rei honra. E Hamã, que era soberbo, pensou ser o mais honrado do rei, e disse: Quanto ao homem de cuja honra o rei se agrada, traga a veste real de que o rei se costuma vestir, monte também o cavalo em que o rei costuma andar montado, e ponha-se-lhe a coroa real na sua cabeça; e entregue-se a veste e o cavalo à mão de um dos príncipes do rei, dos maiores senhores, e vistam dele aquele homem de cuja honra se agrada; e levem-no a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoe-se diante dele: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada! Então, disse o rei a Hamã: Apressa-te, toma a veste e o cavalo, como disseste, e faze assim para com o judeu Mardoqueu, que está assentado à porta do rei; e coisa nenhuma deixe cair de tudo quanto disseste Et 6. 7-10. Agora o homem que já tinha preparado a forca, e veio com certeza que levaria aquele que não se prostrava diante dele para ser enforcado, por ordem do rei, é obrigado a chegar a Mardoqueu e vesti-lo com as roupas do rei, e fase-lo montar no cavalo do réu, e sair pela cidade dizendo: assim se faz ao homem a quem o rei se agrada e honra. E então se cumpre aqui à palavra que diz: O Senhor eleva os humildes, e humilha os perversos até a terra. Sl 147. 6.Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado. Mt 23. 12. Depois de Ester, o principal personagem do livro de Ester é Mardoqueu. Podemos tirar muitas lições da vida desse homem, e de outros personagens desse livro para nós nos dias de hoje. É importante notar que nesse livro, não se encontra o nome de Deus, nem Senhor, nem pronomes se referindo a Deus. Porem nos mostra Deus agindo do começo ao fim do livro.   

 II. ASPECTO DO CARATER DE ESTER.  Quem era Ester.  Seu nome hebraico era hMdh (Hadassah). Ou rtMa (Ester). Que significa Estrela.            No livro de Ester capítulo 2, versículo 7 diz: Criara ele Hadassa, isto é, Ester, filha de seu tio, pois não tinha ela nem pai nem mãe; e era donzela esbelta e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por filha. Essa menina órfã, criada pelo seu tio Mardoqueu, tornou-se uma jovem humilde e obediente a seu tio Mardoqueu Es 2. 20. E por isso Deus lheConcedeu grassa para ser rainha.

Ester, uma rainha altruísta.É o que lemos no titulo desta lição. Mas o que é altruísta? Diz o dicionário português Aurélio: [Do francês, altruiste.].1. Altruístico (1). 2. Que pratica o altruísmo.  3. Pessoa altruísta (1). [Opõe-se a egoísta (1 a 4).].  Altruísmo.[Do francês, altruisme.].1. Amor ao próximo; filantropia. 2. Desprendimento, abnegação: “Em terras pequenas raro faz lei social a aceitação de responsabilidade por altruísmo puro e sem lucro.” (Fialho d’Almeida, Vida Errante, p. 92.)   [Opõe-se, nas acepç. 1 e 2, a egoísmo (1 e 2).]  3. Ét.  Doutrina que considera como fim da conduta humana o interesse do próximo, e que se resume nos imperativos: “Viva para outrem”; “Ama o próximo mais do que a ti mesmo” [Cf., nesta acepç., abnegação (2) e egoísmo (4 e 5).]  Como visto acima; o significado de altruísta, com altruísmo; são qualidades encontradas em Ester. Pois suas obras mostraram:

Oposição ao egoísmo. Esta escrito que ela era uma mossa formosa Et 2. 7. Porem nuca atentou para sua beleza, e não deixou subir vaidade ao seu coração. Nem mesmo quando rainha, nunca se tornou egoísta, nem se ensoberbeceu.  

Amor ao próximo. Como rainha, certamente também possuía riquezas e muita glória. Porem, nuca se esqueceu do seu padrasto primo, mas na hora de sua aflição, atendeu-lhe o pedido Et 4. 16,17. Também não esqueceu dos da sua nação, que estavam condenados a morrerem todos em um só dia Et 3. 13. Ester podia muito bem ter tentado livrar somente a sua vida, pois era rainha, e esposa do rei. Mas se esforçou o maximo para salvar a sua descendência.    

Abnegação. isto é; renuncia desprendimento, ato de negar-se a si mesmo. Ester tinha tudo em mãos para atentar para si mesmo e esquecer-se dos outros, pois ela era a pessoa de mais alta posição em todo aquele império. 

Obediência. Ester nunca esqueceu dos ensinamentos de seu tio Mardoqueu. Mesmo quando saio da casa deste para ser rainha, mas arriscou a sua vida por obediência a seu tio Et 5. 1. 

Determinação. Quando viu que a destruição de todo o seu povo já estava preparada, ordenou uma campanha de jejum e oração durante três dias Et 4. 16. Certamente Ester conhecia a importância do jejum, oração e humilhação perante o SENHOR. Através disto ate um rei ímpio foi poupado da destruição 1Rs 21. 29; Jn 3. 10. Pois essas castas de demônios, que intentaram mais uma vês destruir povo Judeu, se expulsa com oração e jejum Mt 17. 21; Mc 9. 29. 

III. COMO LIDAR COM SITUAÇÕES ADVERSAS. O caminho é esse que nos mostrou o comentarista Eliezer de Lira, nesse ultimo tópico dessa lição. O caminho é confiança em Deus, e oração. Disse o SENHOR a Salomão: E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. 2Cr 7. 14.

Seja qual for a adversidade que possamos enfrentar, se buscar-mos a Deus, e confiar nele, certamente obteremos vitória. Mesmo que a situação seja semelhante à de Ezequias, quando Senaqueribe veio contra Judá 2Rs 18 13-37. Devemos observar com muita atenção o que nos diz a palavra a respeito do que fez Ezequias 2Rs 19. 14-19. Veja a seguir: 14 Ezequias, pois, tendo recebido a carta das mãos dos mensageiros, e tendo-a lido, subiu à casa do Senhor, e a estendeu perante o Senhor. 15 E Ezequias orou perante o Senhor, dizendo: ó Senhor Deus de Israel, que estás assentado sobre os querubins, tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste o céu e a terra. 16 Inclina, ó Senhor, o teu ouvido, e ouve; abre, Ó Senhor, os teus olhos, e vê; e ouve as palavras de Senaqueribe, com as quais enviou seu mensageiro para afrontar o Deus vivo. 17 Verdade é, ó Senhor, que os reis da Assíria têm assolado as nações e as suas terras, 18 e lançado os seus deuses no fogo porquanto não eram deuses, mas obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram. 19 Agora, pois, Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus.

Em 2Rs 19. 35-37 podemos ver o resultado da oração de Ezequias: 35 Sucedeu, pois, que naquela mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles: e, levantando-se os assírios pela manhã cedo, eis que aqueles eram todos cadáveres. 36 Então Senaqueribe, rei da Assíria, se retirou e, voltando, habitou em Nínive. 37 E quando ele estava adorando na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer, seus filhos, o mataram a espada e fugiram para a terra de Arará. E Esar-Hadom, seu filho, reinou em seu lugar.  

Como aconteceu em Nínive, quando Jonas esteve lá, e anunciou que aquela cidade seria subvertida. O rei, e todo o povo, inclusive os animais jejuaram na presença de Deus, e Ele teve misericórdia, e poupou a cidade Jn 3. 4-10.  Você esta com dificuldade? Apresenta-te a Deus com humilhação, jejum e oração, e o SENHOR te dará vitória. Peça a Ele com fé, não duvidando Tg 1. 6. Quando pedimos a Deus em nome de Jesus, Ele nos atende, para que o pai seja glorificado no filho Jo 14. 13. Lembre-se de Bartimeu o cego de Jerico, que clamou a Jesus, não se importando coma a multidão que o repreendia, e alcançou a benção Mc 10. 46.   

CONCLUSÃO. Concluímos o estudo de mais uma lição, dentro deste tema tão importante; “A busca do caráter cristão”.Desta vês, aprendendo com Ester; e com outros personagens do livro de Ester. Espero que esse subsídio venha ajudar a todos os que o lerem; e que você possa passar esse site para outros, assim você estará também ajudando alguém.                   

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Ester, uma rainha altruísta – 3

Publicado por Editor em 2007/07/25

ESTER, UMA RAINHA ALTRUÍSTA

Fonte: http://radioboasnovas.net 

INTRODUÇÃO

O livro de Ester descreve a soberania e o cuidado de Deus para com o seu povo. Ele relata o grande livramento dado por Deus ao povo jusdeu na Pérsia. Embora o nome de Deus não seja mencionado no livro, cada página está cheia dEle. Mattew Henry, um dos grandes comentaristas da Bíblia, diz: “Se o nome de Deus não está aqui, Seu dedo está”. O livro recebe o título de Ester (Estrela do Oriente), por causa de sua principal personagem.

I – PRINCIPAIS PERSONAGENS DO LIVRO DE ESTER

ESTER

  • Uma órfã judia, criada por Mardoqueu (Et 2.7);

  • Também se chamava Hadassa (Et 2.7);

  • Tornou-se rainha da Pérsia (Et 2.17);

  • Colocou a sua vida em risco, ao comparecer à presença do rei sem ser chamada (Et 5.1-3);

  • Intercedeu em favor dos judeus e denunciou o plano de Hamã (Et 5-7).

MARDOQUEU

  • Judeu, da tribo de Benjamin, que fora transportado para Babilônia por Nabucodonosor (Et 2.6);

  • Pai adotivo de Ester (Et 2.7);

  • Foi perseguido por Hamã, por recusar-se a se curvar diante dele (Et 3.5);

  • Denunciou uma conspiração de assassinato contra o rei (Et 2.21-23; 6.1,2);

  • Ocupou o lugar de Hamã, como a segunda pessoa no comando do reino (Et 10.1-3).

HAMÃ

  • Foi exaltado no reino de Assuero e ocupou o lugar de destaque, acima de todos os príncipes (Et 3.1);

  • Tornou-se arrogante e presunçoso (Et 3.5; 5.13);

  • Planejou matar Mardoqueu e construiu para ele uma forca (Et 5.14);

  • Desejou exterminar o povo judeu (Et 3.7-15);

  • Foi enforcado namesma forca preparada para Mardoqueu (Et 7.10; 9.25).

 

II – CONTEXTO HISTÓRICO DO LIVRO DE ESTER


O livro de Ester inicia com uma recepção do rei Assuero aos nobres e príncipes do seu reino, no palácio de Susã (residência de inverno dos reis da Pérsia); para mostrar-lhes a grandeza e a riqueza do seu reino. O banquete durou 180 dias (Et 1.4). Os homens se banqueteavam nos jardins do palácio, enquanto as mulheres eram hospedadas pela rainha Vasti, em seus aposentos particulares.

1. A Rejeição de Vasti (Et 1.10-22): Quando o rei e os príncipes estavam embriagados, o monarca mandou que seus eunucos fossem buscar a rainha Vasti, para exibir sua beleza diante dos povos e dos príncipes. Como Vasti recusou-se comparecer à presença do rei, foi destituída do reinado, perdendo a elevada posição de rainha da Pérsia.

2. A coroação de Ester (2.1-17): Passada a fúria do rei Assuero, ele tomou conselho com seus servos e enviou um mandato às províncias, para que lhe trouxessem todas as virgens formosas do seu reino, e fossem levadas ao harém real, para que dentre elas escolhesse uma substituta para a rainha Vasti. Ester, uma órfã judia, que fora criada por seu primo Mardoqueu foi uma das escolhidas. O monarca ficou tão encantado com a beleza de Ester que a escolheu para ser rainha no lugar de Vasti.

3. A conspiração de Hamã (Et 3.1-15): Quando Hamã aparece no livro de Ester, ele acabara de ser elevado ao mais alto posto do reino da Pérsia (Et 3.1). A grande honra transtornou-o. Ele encheu-se de vaidade e sentiu-se profundamente humilhado, quando Mardoqueu não lhes prestou homenagem. Mardoqueu, sendo judeu, não podia prestar honras divinas a um homem. Hamã ficou tão furioso que resolveu promover um massacre de todos os judeus (Et 3.6). Hamã procurou provar ao rei que todos os judeus eram súditos desleais. Prometeu pagar ao rei um suborno de dez mil talentos de prata (Et 3.9). O monarca, então, assinou um decreto determinando que todos homens, mulheres e crianças que fossem judeus, fossem mortos e seus bens confiscados.

4. Ester toma conhecimento do decreto (Et 4.1-17): Quando os judeus tomaram conhecimento do decreto assinado pelo rei, se puseram a orar, jejuar e lamentar, deitando-se em pano de saco e cinza. Quando Ester viu aquilo, procurou saber do próprio Mardoqueu o porque daquela atitude. Ele deu a ela uma cópia do decreto assinado pelo rei e mandou dizer-lhe: “… quem sabe se para tal tempo como este chegas-te a este reino?” (Et 4.14).

5. Ester se dispõe a interceder pelo povo judeu (Et 4.16-5.8): Quando Ester tomou conhecimento do decreto que estava assinado pelo rei, se dispôs a ir à presença do rei, mesmo sem ser chamada; o que significa dizer que ela pôs a sua própria vida em risco. Ela se vestiu com trajes reais, e se pôs no pátio interior da casa do rei. Vendo o rei à rainha Ester, estendeu para ela o cetro de ouro, que tinha na sua mão. Quando ela foi recebida pelo monarca, convidou-o para um banquete e denunciou o plano diabólico de Hamã (Et 7.1-6).

6. O livramento dos Judeus (Et 8 e 9): Quando o rei Assuero tomou conhecimento dos planos de Hamã, tomou o seu anel e o deu a Mardoqueu; e chamou os escrivães para que escrevessem um edito, concedendo aos judeus o direito de se reunirem para defender as suas vidas, bem como para matar a todos os que os afligissem ou saqueassem os seus bens.

O livro de Ester termina com a narrativa do livramento dos judeus e o estabelecimento da festa de Purim, onde os judeus comemoram este grande livramento.

III – ASPECTOS DO CARÁTER DE ESTER

Deus sempre tem a pessoa certa, na hora certa, para realizar os seus propósitos. Ele nunca é pego de suepresa! Por isso, diante do perigo do extermínio do povo judeu, Ele já havia preparado alguém para que, no momento certo, pudesse agir. Ester foi alvo da escolha de Deus para este fim. Vejamos, então, alguns aspectos do seu caráter:

1. Submissão: Submissão é um dos requisitos necessários para aquele que deseja ser usado por Deus. Ester foi submissa, não só a Deus, mas também a seu pai adotivo e, posteriormente, a seu esposo Assuero (Et 2.10).

2. Devoção à Deus: A sua posição de rainha não afetou a sua vida de devoção a Deus. Quando ela soube do decreto assinado pelo rei, enviou mensageitos a dizer a Mardoqueu: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais nem bebais por três dias, nem de dia nem de noite e eu e as minhas servas também assim jejuaremos….” (Et 4.16). Duas lições podemos extrair daqui: 1ª Ela não só confiou no poder do sacrifício de jejum, como também se dispôs a jejuar, demosntrando assim, que a sua devoção à Deus não foi afetada depois de sua ascenção à posição de rainha da Pérsia. 2ª Ela disse que as suas moças também jejuariam, o que nos leva a crer que elas aprenderam a confiar no Deus de Ester.

3. Humildade: Mesmo ascendendo à tão elevada honra, Ester não esqueceu do seu povo e de sua origem. Ela disse ao rei: “Porque fomos vendidos, eu e o meu povo…” (Et 7.4a). Além disso, ela disse ainda: “… se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar-me-ia…” (Et 7.4b); o que significa dizer que, mesmo sendo rainha, ela se coloca em par de igualdade com o povo judeu. Isto é uma demonstração de humildade.

4. Confiança em Deus: Ao Comparecer à presença do rei sem ser chamada, Ester não só demonstra a sua confiança em Deus, bem como, a disposição para morrer, caso Ele não quisesse livrá-la (Et 4.16). Aquele que confia em Deus, não confia apenas no livramento que Ele pode dar, mas também na realização da vontade Dele (Dn 3.17,18; At 21.8-14).

IV – POR QUE ESTER FOI UMA RAINHA ALTRUÍSTA?

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra altruísta, quer dizer: “sentimento de quem põe o interesse alheio acima do próprio”, ou seja, uma pessoa altruísta está mais preocupada com o interesse do próximo do que com o seu. Assim sendo, altruísmo e´, acima de tudo, uma demosntração de amor, pois, o amor não busca os seus interesses (I Co 13.5).

Ester demosntrou altruísmo ao interessar-se pelo povo judeu, sendo capaz de arriscar a sua própria vida. Vejamos outros exemplos bíblicos de altruísmo:

Moisés: Ao interceder pelos israelitas, Moisés chega a declarar “Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Ex 32.32).

Neemias: Mesmo vivendo no conforto do palácio, sendo copeiro do rei, se dispôs a ir reconstruir os muros de Jerusalém (Ne 2.1-5);

Paulo: Mesmo estando preso, escreveu à Filemon, para interceder por um escravo (Fm 10-21).

V – COMO LIDAR COM SITUAÇÕES ADVERSAS?

A palavra de Deus nos diz que “…as armas da nossa milíca não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para a destruição das fortalezas” (II Co 10.4). diante das adversidades, devemos tomar posse das nossas armas espirituais, tais como:

  • Fé (Mt 17.20; 21.21; Hb 11.1,6; I Jo 5.4);

  • Jejum (Et 41.16; II Cr 20.3; Ed 8.21; Jn 3.5);

  • Oração (I Sm 1.12; At 12.5; Tg 5.17; Rm 12.12);

  • Palavra de Deus (Sl 119.16,28,50,107; Hb 4.12).

 

CONCLUSÃO

A história de Ester é como a história de José, Moisés, Gideão, Davi e tanto outros personagens bíblicos. Deus tinha reservado cada um deles um propósito específico. Quando chegou o momento oportuno, eles confiaram em Deus e contribuíram para que os propósitos fossem executados.

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Ester, uma rainha altruísta- subsídios

Publicado por Editor em 2007/07/24

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Ester, uma rainha altruísta – 2

Publicado por Editor em 2007/07/24

ESTER, UMA RAINHA ALTRUÍSTA

Texto Áureo: Pv. 31.10 – Leitura Bíblica em Classe: Et. 3.12,13; 4.13-17

 

Pb. José Roberto A. Barbosa

Fonte: http://www.subsidioebd.blogspot.com/

Objetivo: Mostrar que o altruísmo deva fazer parte do caráter cristão, mesmo nas circunstâncias adversas.

INTRODUÇÃO
O que significa altruísmo? É possível que alguém seja altruísta numa sociedade governada pela ambição? Qual a relação entre altruísmo, amor e egoísmo? Essas são algumas perguntas que pretendemos responder na lição de hoje, considerando, ale do exemplo maior, em Jesus, o da rainha Éster.

1. DEFINIÇÃO DE ALTRUÍSMO
A palavra “altruísmo” vem do latim “alter”, e significa “outro”, assim, já em sua etimologia, altruísmo diz respeito à direção desinteressada que se deva ter pelos outros. No campo da Ética Filosófica, a abordagem altruísta surgiu como resposta ao hedonismo psicológico defendido por Thomas Hobbes (1588-1679). Para este, o homem serve a si mesmo, mediante variadas formas de prazer. Do ponto de vista de Hobbes, toda e qualquer atitude humana, teria, como meta, o prazer pessoal, tornando, assim, o altruísmo improvável. O ponto de vista bíblico se opõe radicalmente a essa perspectiva, uma vez que o altruísmo ocupa lugar central nas virtudes espirituais (Gl. 5.22), na verdade, ele é prova da verdadeira espiritualidade (Jo 14.21; I Jo. 4.7-8), portanto, o altruísmo, no cristianismo, é algo perfeitamente possível, já que temos, em Cristo, o maior exemplo (Jo. 13.15,34; 15.12; 17.23-26 ). Na verdade, as recomendações de altruísmo cristão são vitais e recorrentes no evangelho de Cristo (Rm. 12.10). Ademais, não podemos esquecer que o próprio Cristo viveu para o serviço do próximo, deixando, assim, o exemplo (Mt. 20.28; Mc. 10.45; Jo. 12.26).

2. ALTRUÍSMO, AMOR E EGOÍSMO
O altruísmo, conforme adiantamos acima, tem uma nítida relação bíblica com o amor ágape. Deus nos amou de tal maneira que nos deu Seu Filho Amado em sacrifício pelos nossos pecados, sem que nada fizéssemos por merecê-lo (Jo. 3.16; Rm. 5.8). Do mesmo modo, devemos nós, também, exercitar esse amor (I Jo. 3.16; I Co. 13). O amor cristão é o gume principal do fruto do Espírito (Gl. 5.22). A alternativa, para o cristão, é, ou viver no Espírito, e andar pelo caminho do altruísmo (ou do amor), ou andar na carne e seguir o caminho do egoísmo (o das obras da carne). Por causa da natureza pecaminosa, existe uma inclinação natural em direção aos interesses próprios. Uma espécie de propensão ao egoísmo, por que não dizer, ao não-altruísmo. É por isso que, como nos instruir Jesus, para seguir o caminho após ele, o do altruísmo, é preciso tomar a cruz, negar a si mesmo (Mt. 16.24), dizer não para o egoísmo, para a ganância e para a inveja. Não é fácil ser altruísta nos dias de hoje, já que a cultura consumista e individualista costuma valorizar mais os que têm muito, ou os que dizem que o tem e não os que servem mais, o que é modelo cristão. Na política, a falta de altruísmo é um problema sério, haja vista que, a meta da política deveria ser o bem comum, não o particular como costuma acontecer. Para se ter um exemplo de não-altruísmo, basta dar uma olhada na política de Absalão (II Sm. 15.1-7).

3. ESTER, UM EXEMPLO DE ALTRÍSMO
Ao longo da Bíblia, temos vários exemplos clássicos de altruísmo. Esses exemplos devem fazer eco, em nossas vidas, pois, na verdade, essa é a marca registrada do cristão (Mt. 7.16-20). Aqueles que ocupam cargos de liderança devem cumprir o desafio que lhe é requerido em relação ao altruísmo. Atualmente, muitos são os que querem obter um cargo que lhes dê reconhecimento público, mostrarem que podem mandar nos outros, mas não querem pagar o preço sacrificial do altruísmo. Fazem tudo em função do desenvolvimento dos seus interesses particulares, do bem-estar pessoal. O altruísmo da rainha Éster serve de provocação para que desenvolvamos uma atitude cristã mais direcionada aos outros, e menos a nós mesmos. Ela se pôs em situação de risco (Et. 7.5-10) a fim de salvar seu povo da destruição iminente, com cautela (Et. 2.10,20) e paciência (Et. 5.2,3,4; 7.1-6). Essa disposição de sofrer pelo seu povo deve inspirar aos cristãos (bem como aos políticos, crentes e não-crentes) a servirem ao seu povo (Et. 4.16). É evidente que, ao servir a Deus, sejamos postos em situação de risco, como aconteceu com Éster e muitos outros, mesmo assim, descansamos na certeza de estar no centro da vontade de Deus e gozar da Sua segurança providencial.

CONCLUSÃO
Somos todos servos de Deus, e um dos outros, em Cristo, portanto, não nascemos para nós mesmos. O alvo principal da vida cristã, e do ministério, não é a felicidade pessoal, mas o amor, e, principalmente, o sacrifício. Sendo assim, é preciso que haja, em nós, “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. (Fp. 2.5-8). Se isso não fosse o bastante, vejamos ainda o que diz o versículo anterior, o 4: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros”.

BIBLIOGRAFIA
BIBLIA DE ESTUDO. Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Teologia e Filosofia. 5ª ed. São Paulo: Hagnus, 2001

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Ester, uma rainha altruísta – 1

Publicado por Editor em 2007/07/24

ESTER, UMA RAINHA ALTRUÍSTA

Prof. Caramuru Afonso

www.escoladominical.com.br

A vida de Ester mostra-nos, claramente, que devemos viver não só para nós mesmos, mas também para os outros, pois somos parte do corpo de Cristo.

INTRODUÇÃO

- Na seqüência de personagens bíblicas que estamos a estudar para melhorar os nossos caminhos diante de Deus, temos hoje a primeira mulher: a rainha Ester, com destaque para o altruísmo, isto é, a atitude de atendimento ao outro, um dos aspectos do amor divino, como vemos em I Co.13:5, é um amor “que não busca os seus interesses”.

- Uma das características marcantes do mundo atual é o egoísmo, o individualismo, o pensar única e exclusivamente em si mesmo. Por isso, a Bíblia diz-nos que, nestes tempos trabalhosos, os nossos dias, haveria “homens amantes de si mesmo” (II Tm.3:2). Cojm Ester, aprendemos que não podemos viver desta maneira, mas, sim, nos portarmos como sal da terra e luz do mundo, vivendo para que os outros sejam felizes e alcancem a vida eterna.

I – A BIOGRAFIA DE ESTER(I) – DE CATIVA ÓRFÃ A RAINHA DA PÉRSIA

- A personagem que estudaremos nestes comentários, dentro da seqüência que nos é apresentada para aprimorarmos o nosso caráter cristão, é a primeira personagem feminina, a rainha Ester, na qual se pretende ensinar o que é o altruísmo, palavra que só surgiria no século XIX, por intermédio do filósofo francês Augusto Comte (1798-1857) e que pode ter sido tanto criação sua como de seu professor Andrieux, derivada do francês “autrui” (outro), que foi definida pelo mencionado filósofo como “tendência ou inclinação de natureza instintiva que incita o ser humano à preocupação com o outro” (apud Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

- Embora a palavra tenha se originado no século XIX, vemos, claramente, que o altruísmo é uma das mais antigas máximas éticas do homem, presente em várias tradições religiosas, entre as quais o próprio Cristianismo, pois o altruísmo foi exemplarmente definido pelo Senhor em Mt.7:12 bem como em Lc.6:31, a saber: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt.7:31). A vida em função do outro, uma vida voltada para o outro, princípio que se encontrava desde a lei de Moisés (Lv.19:18) e que, segundo Jesus, era o segundo e grande mandamento da lei: o amor ao próximo (Mt.22:39).

- Para entendermos bem a vida de Ester, devemos nos lembrar que Ester era judia, ou seja, descendente do reino de Judá, que nasceu, muito provavelmente, em terra estrangeira, durante o domínio persa. Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadira Jerusalém por volta de 597 a.C., destruindo o templo e levando cativos os habitantes do reino de Judá (o reino do sul, formado, basicamente, pelas tribos de Judá, Benjamim e Levi – I Rs.12:21; II Cr.11:14,16), período que ficou denominado como cativeiro da Babilônia e que durou setenta anos, contados desde a primeira remessa de judeus para o estrangeiro (II Cr.36:17-21; Jr.39:1-9), conforme havia sido profetizado por Jeremias (Jr.25:9-12).

- Antes que terminasse o período de setenta anos determinado por Deus, conforme profecia de Jeremias, para que se cumprisse, também, a profecia proferida por Daniel (que pertencera à primeira leva de pessoas que haviam sido mandadas para Babilônia), o Império Babilônio foi derrotado pela Pérsia (atual Irã), que, então, passou a ser a nova potência mundial, passando os judeus, então, em vez de servir a Babilônia, servir a Pérsia. Isto ocorreu por volta de 539 a.C. O rei da Pérsia, na ocasião, era Ciro, que, inclusive, permitiu que os judeus que quisessem retornassem para a Palestina (II Cr.36:22,23). A propósito, a ação de Ciro também havia sido profetizada anteriormente por Isaías (Is.44:23; 45:1), bem antes até do cativeiro.

- Muitos judeus, entretanto, apesar da permissão do rei Ciro de retornar a Palestina preferiram continuar vivendo nas terras estrangeiras, diante da vida estruturada que levavam, fazendo, então, surgir os “judeus da diáspora”, ou seja, os judeus que andam dispersos pelo mundo, fora da Palestina, fora da Terra Prometida. Mesmo hoje, depois de quase 60 anos de restauração do Estado de Israel, ainda há mais judeus vivendo fora da Palestina do que na Palestina. Estima-se que, dos 14 milhões de judeus que há no mundo, 8 milhões morem fora de Israel na atualidade.

- Este era o caso de Mardoqueu (ou Mordecai), que vivia na fortaleza de Susã, cidade persa que ficava às margens do rio Ulai e que foi escolhida como capital do reino da Pérsia por Dario I, em 529 a.C. Tornando-se a capital, Susã, naturalmente, despertou o interesse de várias pessoas que para lá se mudaram, principalmente aqueles que, de uma certa maneira, estavam envolvidos na administração do reino, que, aliás, tinham de mudar-se para lá, como parece ter sido o caso dos ancestrais de Mardoqueu, até porque muitos judeus, desde os tempos de Nabucodonosor, haviam integrado a estrutura administrativa do governo.

- Mardoqueu apareceu no cenário bíblico no livro de Ester, que, logo no seu início, nos diz que a narrativa histórica sua se encontra no tempo do rei persa Assuero (Et.1:1), rei que é identificado pelos estudiosos da Bíblia como sendo o rei Xerxes I, que foi rei da Pérsia entre 485 a.C. e 465 a.C., rei, aliás, que foi relembrado, recentemente, em um filme de grande sucesso (“Os 300 de Esparta”).

OBS: Assuero (ou Xerxes I) era filho de Dario I, rei entre 521 a.C. e 486 a.C., que, por sua vez, havia sucedido a Smerdis, que reinara apenas um ano, em 521 a.C. e que sucedera a Cambises II (530-522 a.C.), filho de Ciro. Percebemos, pois, que Mardoqueu vivia sob o reinado do quinto rei persa depois da queda de Babilônia, algo em torno de 54 anos depois da queda de Babilônia.

- A Bíblia relata-nos que Mardoqueu era da tribo de Benjamim, descendente de um certo Quis, que havia sido levado cativo para a Babilônia no tempo de Nabucodonosor na primeira leva de judeus (Et.2:5; II Cr.36:9,10), o que demonstra que Mardoqueu era de uma linhagem de judeus que, desde cedo, serviram ao governo, primeiramente babilônico, depois, persa. Ele era primo de Hadassa, tendo-se tornado seu pai de criação, visto que Hadassa ficara órfã (Et.2:6).

- Assim surge Hadassa, ou Ester, no texto sagrado: como uma menina judia órfã, sem pai nem mãe, que precisou ser acolhida por seu primo Mardoqueu. “Hadassa” significa, em hebraico, “mirto”, “murta”, nome de um arbusto, i.e., uma árvore pequena, “…com raízes e casca usada para extração de tanino, madeira de qualidade, folhas ricas em óleo usadas em perfumes, assim como as flores brancas, aromáticas, e as bagas carnosas…” (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa). A murta é de origem desconhecida, mas foi associada, desde cedo, à prática de cerimônias e rituais religiosos, além do que as folhas eram comumente usadas para as grinaldas das noivas.

- Apesar de ser apresentada como sendo chamada “Hadassa” em Et.2:7, é a única vez em que Ester é assim denominada, sendo, então, dali por diante chamada de “Ester”, nome também hebraico, que significa “estrela” e que dá a entender que a pessoa que tem tal nome é uma “pessoa cativante, charmosa e sensual” (apud http://www.iremar.com.br/index.php?q=Ester&con=conexao&inc1=header&inc2=footer&banner=rodape&site=nomes Acesso em: 06 jun. 2007).

- O texto sagrado não diz o motivo destes dois nomes, mas entendem os estudiosos da Bíblia que o nome de Ester deve ter sido dado a Hadassa pelos funcionários do rei quando a levaram para a casa do rei da Pérsia. Por ser moça bela de parecer e formosa à vista, foi-lhe dado o nome de “Ester”, que é, certamente, a versão hebraica do nome persa que se lhe deu e cujo significado era “estrela”. Há, mesmo, um comentário bíblico antigo, feito ainda em aramaico (chamado “targum”) que diz que o nome dado a Ester era em homenagem à deusa da beleza, “Istar” ou “Aster”, cujo significado é, precisamente,o de “estrela”.

- Ester vivia na companhia de seu primo e pai de criação, em pleno anonimato, quando é levada pelos funcionários reais, sob o comando de Hegai, o responsável pelas mulheres do rei da Pérsia (Et.2:8,15), para a casa do rei, diante da ordem real para que se levassem à sua presença todas as moças virgens e formosas à vista a fim de que fosse escolhida uma nova rainha, tendo em vista que Vasti, que era a rainha da Pérsia, havia sido destituída por Assuero, já que se negara a comparecer diante dos seus convidados em uma longa festa real, o que foi considerado como verdadeiro crime de lesa-majestade, ou seja, crime cometido contra o soberano  e contra a própria organização social (Et.1:16-22).

- De uma hora para outra, a pacata cativa órfã se vê dentro da casa do rei. Em virtude de sua formosura e beleza, Ester logo adquiriu o favor de Hegai, passando a ter o melhor lugar da casa das mulheres (Et.2:9). Embora estivesse naquela posição por causa da sua aparência física, Ester logo revelou não ser apenas bela sob este ponto-de-vista, mas, notamos no texto sagrado, que, além da beleza estética, possuía Ester, também, uma beleza espiritual, uma beleza interior. A Bíblia diz-nos que Ester não havia declarado nem a sua nacionalidade, nem a sua descendência, porque assim lhe havia determinado Mardoqueu, seu pai de criação (Et.2:10).

- Como já vimos, Mardoqueu exercia funções no governo da Pérsia, funções estas relacionadas com o palácio do rei, provavelmente vinculadas à segurança pessoal do rei ou do palácio, fez que sempre o encontramos assentado na porta do rei (Et.2:19,21; 3:2,3; 4:2,6; 5:9,13; 6:10,12). Assim, seria natural que uma menina órfã, que tinha grande admiração pelo seu pai de criação, diante da oportunidade ímpar de se tornar rainha da Pérsia, buscasse desfrutar de alguma “influência” diante desta posição de Mardoqueu. Entretanto, Mardoqueu lhe havia mandado que não dissesse nem a nacionalidade, nem a sua parentela e ela prontamente lhe obedeceu.

- Por este gesto de obediência, que poderia custar até mesmo a sua sorte, que, aparentemente, lhe trazia prejuízo, vemos como Ester era, antes de tudo, uma moça fiel a Deus e a Sua Palavra. O primeiro mandamento com promessa é o de honrar pai e mãe (Ex.20:12; Dt.5:16; Ef.6:1,2), mandamento este cuja observância foi realçada pelo próprio Senhor Jesus (Mt.15:3-6), realce este que é intensificado pelo próprio exemplo de vida que Ele nos deixou (Lc.2:51). Não há como entender pessoas obedientes ao Senhor, se não são capazes de obedecer aos seus próprios pais, apesar do mandamento bíblico neste sentido. Não é por acaso que, nos dias difíceis em que vivemos, uma das principais características desta “geração perversa” (At.2:40) é a de serem “desobedientes a pais e mães” (II Tm.3:2).

- Ester, porém, era uma pessoa obediente a seu pai, apesar de ser um pai de criação(Et.2:20). Ester demonstrava toda a sua piedade, todo o seu amor a Deus e à Sua Palavra neste gesto simples de obediência, sendo de se ressaltar que, pela narrativa bíblica, nem mesmo o rei soube a sua nacionalidade e a sua parentela a não ser quando Mardoqueu lhe permitiu, ou até, ordenou que houvesse tal revelação. Pareceria sem sentido e sem qualquer propósito esta ordem de Mardoqueu, mas Ester não a questionou e, mesmo rainha, sempre obedeceu a seu pai de criação, que continuou a ser tão somente o “porteiro do rei”. Que exemplo de observância dos mandamentos bíblicos, que exemplo de submissão e de respeito ao outro, entendido este outro aqui não somente como Mardoqueu, mas o próprio Deus. Não nos esqueçamos do que diz o Senhor Jesus: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.”(Jo.14:15). Como está o nosso relacionamento com os nossos pais, mesmo os pais sociais, os pais de criação?

- Esta mesma obediência que Ester demonstrou ter com Mardoqueu, também se repetiu com relação a Hegai, em cujas graças havia caído (Et.2:9). Em vez de se favorecer da predileção do funcionário real, Ester preferiu aprender com Hegai e seguir-lhe todas as instruções, esforçando-se por aprender os costumes do palácio, o que não deveria ser fácil para uma moça pacata e que, até há pouco tempo, nem pai nem mãe tinha. Ester procurava agradar a todos, comportar-se exemplarmente e, por isso, alcançava graça aos olhos de todos os que a cercavam (Et.2:15).

- Esta atitude de Ester mostra-nos como, antes de mais nada, tratava-se de uma pessoa que buscava bem relacionar-se com o outro, com o próximo. Vivia Ester num ambiente de acirrada competição, pois todas as moças que ali se encontravam pretendiam ser a nova rainha. Eram concorrentes umas das outras e, dentro de um quadro deste, seria natural que cada uma tentasse o bem para si próprio, tentasse sobressair dentre as demais, inclusive prejudicando e eliminando concorrentes de seus caminhos. O texto bíblico é muito sucinto, mas, pela história, sabemos como eram comuns as armadilhas, as difamações, as “fofocas” num lugar como o harém real, em especial no momento em que Ester o habitou, quando se tratava de escolher a nova rainha. No entanto, Ester não se conduziu egoisticamente, não visou os seus próprios interesses, mas, sem deixar de se esforçar para alcançar o prêmio, que era o de tornar-se rainha, tanto que aprendeu todas as lições que lhe deu Hegai, jamais deixou de fazer o bem a quem estava à sua volta, alcançando graça aos olhos de todos.

- O salvo deve ser uma pessoa da mesma natureza. Assim como o nosso Senhor, que andou fazendo bem (At.10:38), os servos do Senhor devem, também, fazer o bem a todos os homens. “Fazer o bem sem olhar a quem”, como diz conhecido dito popular. Assim como nos dias de Ester, vivemos tempos de acirrada concorrência. Apesar do progresso tecnológico, das grandes conquistas da humanidade, as oportunidades são cada vez mais raras e difíceis em o nosso mundo. A concentração de renda é gritante e o número de pessoas que são excluídas das comodidades do progresso aumenta a cada dia e instante.

- Dentro de uma circunstância desta, somos ensinados e levados a ter um comportamento individualista, egocêntrico, voltado para nós mesmos e, quando muito, para as pessoas mais próximas à nossa volta. Este individualismo crescente foi profetizado na Bíblia e tem contaminado a muitos que cristãos se dizem ser. Jesus, mesmo, disse que, nos dias imediatamente anteriores à Sua volta, os homens se trairiam uns aos outros e uns aos outros se aborreceriam (Mt.24:10). Nem mesmo o sentimento familiar resistiria a este “salve-se quem puder” (Mt.10:21,36; Lc.21:16). Os homens de nosso tempo são “amantes de si mesmos” (II Tm.3:2) e o curso deste mundo impele-nos a agir do mesmo modo para podermos sobreviver.

- Entretanto, não podemos seguir mais o curso deste mundo (Ef.2:1-6), nem nos conformarmos a ele (Rm.12:2). Devemos agir como Ester: sem deixar de fazer a nossa parte, procurando nos preparar para os desafios que nos apresentam em todos os aspectos de nossa vida (profissional, educacional, familiar, entre outros), jamais devemos abandonar o amor ao próximo, a consideração do outro, o “altruísmo”, sempre fazendo bem, pois, quem pode fazer o bem e não o faz, peca (Tg.4:17) e quem peca, não viu nem conheceu a Cristo, nEle não permanece (I Jo.3:6), não é nascido de Deus (I Jo.5:18).

- Em meio à impiedosa e implacável concorrência dos dias de hoje, notadamente no âmbito profissional, devemos agir de modo a que alcancemos graças aos olhos dos outros. Isto significa que não podemos, de modo algum, tentar prejudicar os nossos concorrentes, “puxar-lhes o tapete”, como costuma dizer o povo.

- Isto significa que não devemos, também, desejar mal ao próximo, ainda que seja nosso concorrente, pois, se somos salvos, queremos bem a todos, porque somos benignos (I Co.13:4,5). Este querer bem é tão amplo que, inclusive, nos impede de nos contentarmos quando o concorrente se prejudica (Pv.24:17,18).

- Isto significa que não podemos suspeitar mal de pessoa alguma e que não podemos nos envolver em intrigas ou agir com desconfiança, pois o amor não suspeita mal (I Co.13:5), ou seja, devemos vigiar para que não entremos em embaraços, artimanhas, que nossa imaginação seja levada a conceber atitudes e a efetuar verdadeiros “ataques preventivos” nem os nossos relacionamentos, levando-nos a iras, pelejas e dissensões que somente nos desgastarão e comprometerão nosso testemunho de servos do Senhor.

OBS: Recentemente, por ocasião da comemoração dos 40 anos da Guerra dos Seis Dias, o confronto bélico em que Israel teve grande vitória sobre os árabes e lhe trouxe a cidade de Jerusalém integralmente sob seu domínio, militares de ambos os lados chegarão à conclusão de que nenhum dos exércitos envolvidos queria a guerra, mas que todos foram levados à guerra por causa das desconfianças, das más suspeitas de cada lado. Quantas vezes isto não acontece em nossas vidas?

- Isto significa que temos de ajudar a quem nos pede ajuda, ainda que esta ajuda signifique o bem daquela pessoa em detrimento de nós mesmos, ainda que esta ajuda não nos seja reconhecida. Que nosso sentimento seja o mesmo do apóstolo Paulo: “Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado”( II Co.12:15). Devemos andar fazendo bem e Ester certamente o fazia e, por isso, achava graça diante de todos na “casa das mulheres”.

- O resultado desta obediência e altruísmo de Ester foi a sua escolha como rainha. Assuero teve a graça e a benevolência do rei, numa comprovação da chamada “lei da ceifa”(Gl.6:7), uma das leis divinas que muitos têm negligenciado e se esquecido nestes dias tribulosos em que vivemos. Como demonstrava graça aos outros, como era benevolente aos outros, Ester foi tratado com graça e benevolência por Assuero e alcançou a posição de rainha. Quantas concorrentes não criaram intrigas, artimanhas e ciladas para se tornar rainhas? Mas não alcançaram a bênção, pois só aqueles que servem a Deus alcançam o que de mais precioso existe para um mortal: a vida eterna. Temos corrido convenientemente a carreira que nos está proposta?

- A escolha de Ester deu, como resultados imediatos, uma nova festa real, bem como repouso a todo o reino da Pérsia (Et.2:28). Assuero foi um rei belicoso, diz-nos a história, que tentou, em vão, conquistar a Grécia para o Império Persa, tendo tido grande derrota. Recolhido em seus domínios, Assuero havia convocado uma grande festa, que resultara na afronta de sua própria rainha. Desde então, não acontecera qualquer outra festa. Naquele tempo, isto era sinal de que não havia contentamento da parte e, quando o rei não estava contente, a população deveria temer, visto que, como dizia Salomão, pois “o furor do rei é como um mensageiro da morte” (Pv.16:14a) e “na luz do rosto do rei está a vida, e a sua benevolência é como a nuvem de chuva serôdia.”(Pv.16:15). Não é à toa que, quando Herodes se perturbou, toda a Jerusalém se perturbou com ele (Mt.2:3).

OBS: A propósito, a história revela que Assuero foi um rei temperamental, extremamente volúvel e impulsivo, o que foi a principal causa de seus insucessos militares. Diz-se que, por causa de sua impetuosidade, mandou executar, após uma derrota naval, o comandante dos navios fenícios, que havia contratado e, como resultado disto, acabou tendo a deserção de toda a marinha fenícia que estava a seu serviço.

- Assim, quando convocou uma festa para celebrar seu casamento com Ester, Assuero demonstrou que a alegria havia voltado à sua vida, o que representava, certamente, um alívio para a população daquele vasto império. Vemos, pois, que Ester se apresentou, de pronto, como uma bênção para todo o reino, um motivo para contentamento e alegria de todas as cento e vinte e províncias desde a Índia até a Etiópia, que se encontravam sob o cetro de Assuero. O bom testemunho de Ester resultara em alegria, felicidade e contentamento para todo o Império Persa.

- De igual modo, o bom testemunho do cristão é, hoje, motivo de alegria e contentamento para todos aqueles que estão à nossa volta. Se o mundo não se deteriorou de vez, se a podridão ainda não se estabeleceu por completo sobre a face da Terra, é porque ainda existe um povo que serve a Deus e que dá motivo a alguma alegria, esperança e felicidade para toda a humanidade. Um povo que, por ter o Espírito Santo habitando nele (Jo.14:17), tem alegria como uma das qualidades de suas ações (Gl.5:22), pois é Este que habita nele que resiste ao mistério da injustiça (II Ts.2:6,7). Nossa vida tem trazido alegria espiritual ao ambiente que nos cerca, ao nosso “Império Persa”?

- Mas, além de ter havido uma festa quando da coroação de Ester, a Bíblia nos diz que, após esta coroação, seguiu-se um período de repouso no Império (Et.2:18). Como já dissemos, Assuero passou para a história como um guerreiro, um rei voltado para conquistas militares, mas, em chegando Ester, houve uma mudança no “estado do rei”. Assuero tornou-se pacífico, aquietou, passou a ter mais tranqüilidade. Recebeu paz. Ester era o motivo desta instauração de paz no Império. Ester era uma serva de Deus, o Deus que é paz (Jz.6:24), paz que é dada única e exclusivamente por Deus (Is.26:12), paz que é resultado de nossa união com o Senhor (Jó 22:21).

- O verdadeiro cristão produz paz, pois esta é uma das qualidades que caracterizam as suas boas obras (Gl.5:22). O servo de Deus autêntico, como é filho de Deus, é um pacificador (Mt.5:9), até porque recebeu a paz diretamente de Cristo (Jo.14:27). Temos trazido paz ao ambiente em que vivemos, em que estamos? Somos pacificadores, apaziguamos aqueles que estão à nossa volta? Ou nossa conduta tem gerado a mesma decepção que teve o apóstolo Paulo em relação aos crentes de Corinto (I Co.6:7)?

- O bom testemunho de Ester, portanto, aliado a sua formosura e beleza, foi o grande responsável por tornar uma órfã cativa na rainha da Pérsia. Mas tudo isto era um propósito divino para a salvação não do Seu povo, mas de toda a humanidade.

II – A BIOGRAFIA DE ESTER (II) – UMA RAINHA QUE SE TORNOU INSTRUMENTO DIVINO PARA A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE

- No trono, a agora rainha Ester não alterou a sua conduta. Diz-nos a Bíblia que, mesmo após sua coroação, Ester continuou a obedecer ao seu pai de criação, Mardoqueu, não declarando a sua nacionalidade nem a sua parentela (Et.2:20). “O sucesso não subiu à cabeça”, como diz conhecido dito popular. Ester manteve a sua humildade, não se ensoberbeceu, apesar da vitória alcançada.

- Muitos, em nossos dias, não têm esta postura. O presente século é habitado por “homens orgulhosos” (II Tm.3:4), pessoas que, assim que atingem uma posição vantajosa na sociedade, no seu local de trabalho e, até mesmo, na igreja local, esquecem-se de que são pó (Sl.103:14), de que são como a flor da erva (I Pe.1:24), que é menos do que nada (Is.41:24), passando a agir com arrogância, como verdadeiros “donos do mundo”, humilhando o próximo, prejudicando a todos quantos estão à sua volta. O resultado destes que se exaltam é o pior possível: serão abatidos repentinamente, por uma direta ação divina, pois a Palavra de Deus é bem clara: “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra”(Pv.29:23). Quem não tem humildade, é visitado pelo próprio Deus. Quem o diz é o Senhor, em Seu diálogo com Jó: “Olha para todo soberbo, e humilha-o, e atropela os ímpios no seu lugar” (Jó 40:12).

- O livro de Ester, a propósito, é um exemplo cabal disto que estamos a falar, pois mostra o contraste entre Ester, que mantém a sua humildade e submissão a seu pai de criação e, sobretudo, a Deus, mesmo no trono e Hamã, a nova personagem que aparece no capítulo 3 do livro, cuja soberba e arrogância farão com que seja levado a ser enforcado na forca que ele próprio preparara para Mardoqueu.

- Após o repouso causado pela coroação de Ester, conta-nos o texto sagrado que se inicia uma grande tribulação na vida não só de Ester mas de todo o povo judeu. Assuero decidiu exaltar Hamã, um agagita, ou seja, um descendente de Agague, rei dos amalequitas, tradicional povo inimigo do povo judeu e que já deveria ter sido destruído da face da Terra, não fora a desobediência de Saul (I Sm.15:8,9). Vemos, assim, de pronto, como a desobediência a Deus deixa suas conseqüências e vestígios que, após séculos, ainda podem prejudicar o povo do Senhor.

- Hamã, apesar de toda a sua exaltação por parte do rei Assuero, que o tornou a maior autoridade da Pérsia depois do rei, não estava contente, pois não admitia que Mardoqueu não se inclinava nem se prostrava diante de Hamã, como havia sido ordenado por Assuero(Et.3:2-4). É interessante observar que Mardoqueu, um homem que havia sempre sido submisso e leal ao rei, que havia tão bem educado a Ester no que respeita à obediência, abertamente desatendia ao mandado do rei, traspassando-o. E por que o fazia? Porque, nesta matéria, o rei Assuero havia ultrapassado os limites de sua autoridade real.

- Como rei, era Assuero, embora não o admitisse, tão somente uma pessoa constituída por Deus para fazer o bem a toda a população de suas cento e vinte e sete províncias (Rm.13:4). Todo governante deve ser respeitado e cada um deve obedecer-lhe, pois resistir à autoridade é o mesmo que resistir a Deus (Rm.13:1,2). No entanto, trata-se de uma “autoridade”, ou seja, pessoa que tem a autorização de outrem, “in casu”, do próprio Deus, para exercer as suas funções. Deus não admite que Sua glória seja repartida com quem quer que seja (Is.48:11b) e, por isso, nenhuma autoridade pode determinar que alguém seja adorado ou venerado como se fosse um deus. Era o que Assuero havia determinado em relação a Hamã e Mardoqueu, sendo um fiel servo do Senhor, não podia, pois, atender a esta ordenança, feita, para se utilizar de uma expressão jurídica atual, em “abuso de poder”, em “abuso de autoridade”.

- Hamã, escravo que era da soberba, pecado terrível e que se constitui numa das três características que existem no mundo (I Jo.2:16), ao saber da recusa de Mardoqueu em venerá-lo ou adorá-lo, logo se tornou um instrumento de Satanás. Decidiu que não só mataria Mardoqueu, mas eliminaria todo o seu povo, pois sabia que Mardoqueu era judeu e que, ao não se prostrar diante dele, nada mais fazia que cumprir a lei de Moisés. Após o repouso proveniente da coroação de Ester, o adversário do povo de Deus já arquitetava uma forma de destruir Israel e, com isso, impedir que a humanidade pudesse ser salva, pois, se Israel fosse destruído, não poderia nascer o Salvador, pois a salvação viria dos judeus (Gn.12:3; Jo.4:22; Gl.3:16).

- Diz conhecido dito popular que “depois da tempestade, vem a bonança”. Na vida espiritual sobre a face da Terra, podemos dizer que esta não é a visão completa. Se depois da tempestade, vem a bonança, enquanto Jesus não voltar para buscar a Sua igreja, continuaremos a ter depois da bonança, novas tempestades. O Senhor alertou-nos de que no mundo teríamos aflições (Jo.16:33) e que o nos restaria fazer era ter bom ânimo e combater o bom combate até acabar a carreira.

- Ester não havia sido guindada à posição de rainha à toa. O Senhor, na Sua presciência, sabia que Israel correria o risco de desaparecer e, como tinha compromisso com a Sua promessa de salvar a humanidade, feita ainda no Éden (Gn.3:15), não poderia permitir que o povo judeu fosse completamente destruído. Deus dá o escape (Sl.71:2; I Co.10:13), mas não nos impede de passar as dificuldades. Lembremo-nos de que, na vida debaixo do sol, sempre haverá o dia bom e o dia mau (Pv.16:4).

- Hamã, diante do seu prestígio, logo conseguiu do rei Assuero a ordem para a destruição completa do povo judeu (Et.3:7-15). Ao saber da notícia, Mardoqueu rasgou os seus vestidos e se vestiu de saco, claro sinal de humilhação e clamou com grande e amargo clamor pelo meio da cidade (Et.4:1). De igual modo, os judeus, quando recebiam a notícia da ordem de destruição, puseram-se a jejuar e a se humilhar (Et.4:3).

- Grande lição dá-nos o povo judeu. Ante a perseguição, a ameaça concreta de completa destruição, os judeus voltaram-se para Deus, a fim de alcançar a sua libertação. Em território estrangeiro, longe do templo, em vez de se armarem, em vez de se rebelarem ou buscarem junto ao rei, mediante artimanhas políticas, a revogação da sua ordem, os judeus preferiram clamar a Deus, pois dEle é que sabiam viria o socorro (Sl.121:1). Nós, que temos uma revelação completa de Deus, bem ao contrário dos judeus dos tempos de Ester, que viviam ainda na sombra e figura das realidades eternas (cf. Hb.10:1), temos agido da mesma forma? Quantos são aqueles que, em vez de recorrerem a Deus, através do jejum e da oração, preferem as artimanhas políticas, os “conchavos”, e, até mesmo, a luta armada, a revolta e a sedição como caminho para tentar obter da autoridade algum favor ou direito. Povo de Deus, o nosso socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra!

OBS: Neste sentido, devemos ressaltar a postura recente de Júlio Severo, escritor evangélico, que, além de ter sido um dos protagonistas do movimento contra a aprovação do projeto de lei de criminalização da homofobia, tem insistido que a vitória não virá da mobilização intensa que tem sido feita, mas, sobretudo, de oração e jejum por parte da Igreja brasileira.

- Neste ponto, vemos uma falha na vida de Ester. Embora fosse certo que a rainha não deveria declarar a sua nacionalidade nem a sua parentela, em obediência ao mandado de seu pai de criação, Mardoqueu, não se pode deixar de observar que se manteve indiferente a todo o clamor do seu povo. Mardoqueu, embora fosse funcionário do rei, trabalhasse em seu palácio, não se intimidou de vestir saco e de clamar, pela cidade, diante da iminente destruição do seu povo. Ester, porém, manteve-se alheia a tudo o que se passava, somente passando a jejuar e orar quando Mardoqueu lhe exigiu uma postura (Et.4:7-11).

- A indiferença, a inatividade, a timidez têm sido grandes adversários de muitos cristãos na atualidade. Apesar de terem uma posição privilegiada na sociedade, no local de trabalho, na vizinhança, na escola e na igreja local, muitos se calam, apresentam dificuldades formais e relacionadas com a própria estrutura humana das instituições para nada fazerem em prol do povo e da obra de Deus. Assim como Ester, apresentam justificativas para nada fazer. Ester alegou a Mardoqueu que o rei não a chamava há trinta dias e que se se apresentasse diante do rei sem ser chamada, corria sério risco de morte, o que, considerava ela, não era razoável.

- Assim muitos também têm procedido. Consideram que não podem pôr em risco a posição que têm, posição que, afinal de contas, é resultado de uma bênção divina nas suas vidas. Esquecem-se, porém, que não estão ali para manterem esta posição, para serem beneficiários dela, mas para ali realizar a obra de Deus. Cada um de nós é membro do corpo de Cristo e estamos neste mundo para fazer a vontade de Deus. Não há qualquer sentido em nossas vidas quando pensamos em Cristo única e exclusivamente para satisfação de nossos interesses ou para as coisas desta vida. Se assim procedemos, seremos os mais miseráveis de todos os homens (I Co.15:19).

- Quantos, nos dias em que vivemos, agarram-se às coisas desta vida, agem tão somente para manter e conservar as suas posições, o seu “status” na sociedade, deixando de se comprometer com a obra do Senhor, nem sequer se importando com o que se passa em termos de reino de Deus e sua justiça. Correm apenas atrás de comida, bebida e vestido, conforto e comodidade, como qualquer gentio (Mt.6:32). Amam mais a glória dos homens do que a glória de Deus (Jo.12:43) e o resultado disto é que destinados estão à perdição eterna, pois quem não confessa o Senhor, também não terá a Sua confissão naquele dia (Mt.10:32,33; I Jo.2:23).

- Ester apresentou a justificativa mais plausível que alguém pode apresentar, qual seja, a sua própria vida. Não seria irrazoável exigir-se de Ester que pusesse a sua vida em risco? Como exigir dela, que nunca declarara sua nacionalidade nem sua parentela, quando isto lhe poderia ser vantajoso, fazê-lo neste instante em que havia condenação à morte para todos os judeus? Não teria ela sido colocada no trono precisamente para manter a nação judia viva, por meio de seus descendentes?

- Todas estas justificativas, porém, eram apenas subterfúgios, formas de se escapar ao dever que se exige de quem pertence ao povo de Deus, pois o sentimento que deve haver no servo de Deus é o do comprometimento prioritário com a obra do Senhor e com o Seu povo. Mardoqueu fez ver a Ester que, se ela não se empenhasse em lutar pela sobrevivência do Seu povo e pela continuidade da promessa divina sobre Israel e sobre a humanidade, salvação viria de outra parte, pois Deus era fiel, mas a indiferença, a omissão, a timidez da rainha não ficariam sem o devido castigo (Et.4:13,14).

- Nos dias em que vivemos, não é diferente. Se não nos dispusermos a fazer a obra de Deus, a nos comprometermos com a pregação do Evangelho e a salvação das almas, por causa das posições que tenhamos nesta vida debaixo do sol, nossa omissão não deixará de ser levada em conta pelo Senhor. Não existe neutralidade na dimensão espiritual: ou servimos a Deus, ou não O servimos. Ou ajuntamos com o Senhor, ou espalhamos (Mt.12:30; Lc.11:23). Nem mesmo a preservação de nossa vida é impecilho para servirmos a Deus. O apóstolo Paulo foi claro ao afirmar: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At.20:24). O verdadeiro e genuíno servo do Senhor vive o que foi dito pelo mesmo apóstolo: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp.1:21). Como disse o Senhor: “… qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará” (Mc.8:35).

- Ester, uma vez mais, foi obediente e, na obediência está o segredo da vitória. Abandonou o seu indiferentismo, pediu a intercessão dos judeus e iniciou três dias de oração e jejum, decidida a arriscar a sua vida a fim de obter a salvação do seu povo (Et.4:16). Vemos aqui algumas lições importantes que nos dá a rainha dos persas. A primeira lição é de que se deve, sempre, ouvir os conselhos dos servos de Deus, deve-se sempre ouvir a repreensão daqueles que nos querem bem. “Ouve o conselho e recebe a correção, para que sejas sábio nos teus últimos dias” (Pv.19:20). Como é bom mudarmos nossas atitudes, conformando-as à Palavra do Senhor.

- A segunda lição que Ester nos dá é a de pedir a intercessão do povo de Deus. Devemos compartilhar com o povo do Senhor as nossas necessidades (Rm.12:13). Não vivemos sozinhos sobre a face da Terra e devemos pedir a ajuda dos irmãos em Cristo, dos verdadeiros irmãos, daqueles que são santos, vivem separados do pecado, para que nos ajudem em oração. Esta é uma das tarefas da igreja local: orar uns pelos outros, ajudar uns aos outros (Tg.5:16; Is.41:6).

- A terceira lição que Ester nos dá é a de não só pedir a intercessão do povo de Deus, mas de ela própria, juntamente com suas moças, orar e jejuar antes de entrar na presença do rei. Não basta pedirmos oração, é preciso que também oremos. Como são numerosos os crentes que apenas pedem oração, fazem questão de escrever seus pedidos de oração para serem lidos nas reuniões, põem suas necessidades nos “cadernos de oração”, mas eles próprios não oram. São os conhecidos “crentes de carona”, porque vivem na carona das orações intercessórias dos outros. Esquecem-se, porém, que ninguém levará outrem de carona ao ultrapassar os portões celestiais…

- A quarta lição que nos dá Ester é a de que era uma pessoa que, com seu testemunho, havia levado os seus a servirem a Deus. As suas moças, apesar de serem gentias, haviam se convertido a Deus, caso contrário não orariam nem jejuariam com Ester. Ester mantinha um bom testemunho e seu testemunho havia levado os que a cercavam, as suas moças, a serem, também, fiéis a Deus. Com seu exemplo, Ester ganhava almas para o reino do Senhor. O que o nosso exemplo tem gerado em termos espirituais?

- Após esta preparação espiritual, Ester vestiu-se de vestidos reais, pôs-se no pátio interior da casa do rei, em frente ao seu aposento(Et.5:1). Embora soubesse da importância e prioridade da preparação espiritual, por meio de jejum e oração, Ester não descuidou dos aspectos materiais da questão. Para se apresentar diante do rei, deveria estar bem vestida, realçando a sua beleza natural e se mostrando agradável. Não iria vestir-se de saco, apesar da situação em que estava. Não iria, também, apresentar-se com semblante caído, ainda que tivesse ficado três dias em jejum e oração. Tinha de ter aparência alegre, a fim de alcançar graça aos olhos de Assuero, para que fosse possível a salvação do seu povo.

- Alguns até oram e jejuam, mas não fazem a sua parte na luta contra o mal e contra as adversidades da vida. Esquecem-se de que Deus nos quer ver parceiros nas Suas realizações e que, mesmo não precisando de nós, pelo Seu grande amor faz com que nos tornemos participantes das Suas obras. Assim, embora pudesse dos altos céus pregar o Evangelho, deixou esta tarefa para a Igreja. Embora pudesse ressuscitar Lázaro sem que a pedra fosse removida, mandou que os homens que ali estavam a removessem. Estamos fazendo a nossa parte?

- Assuero não resistiu a Ester e apontou a ela o cetro de ouro, garantindo-lhe a vida. Ester, mulher prudente, quando recebeu a oferta de até metade do reino, nada pediu, a não ser a presença do rei e de Hamã em um banquete. Ester não foi precipitada, mas, em consagração, sabia que deveria conduzir-se com cuidado e discrição, para obter a bênção. O momento era de iminente destruição, mas apressar-se, afobar-se nunca foi uma conduta que caracterizasse o servo de Deus, que, como seu Senhor, deve ser paciente e longânimo. Ester convidou o rei e Hamã para o banquete e o rei prontamente aceitou o convite.

- Observemos, a propósito, a extrema cautela de Ester, tratando o rei com toda a reverência que lhe era devida, mantendo-se na sua posição de rainha, num país onde havia sido decretado que todo homem era senhor em sua casa (Et.1:22). Mesmo tendo sido apontado o cetro de ouro para si e oferecida metade do reino, Ester não deixou sua posição, mostrando a consciência de que a autoridade era do rei e que tudo era questão de concessão e de ter graça, ou seja, favor imerecido diante de Assuero (Et.5:8).

- Assuero aceitou o convite e convocou Hamã para que estivesse presente. A arrogância de Hamã, então, atingiu o seu máximo degrau. Convidado que fora pela rainha, achou ser o mais importante de todos os homens sobre a face da Terra. Ninguém haveria de compartilhar a intimidade da rainha além do rei senão ele. Hamã envaideceu-se ainda mais, mas, como todo homem maligno, continuava a ter ódio de Mardoqueu, o porteiro do rei que vestido de saco chorava a própria desgraça e a de seu povo. Vemos, assim, como o orgulho cega as pessoas: Hamã tinha tudo, mas era um insatisfeito por causa do ódio que tinha a Mardoqueu. Que miséria a do homem sem Deus e sem salvação!

- Ester dá, então, o banquete, mas, dentro de sua prudência e cautela, nada revela ao rei na primeira noite. Apenas serve a ele e a Hamã com toda a presteza e pede para que tornem no outro dia. Ao agir assim, Ester estava sendo dirigida pelo Espírito de Deus, visto que, no dia seguinte, Deus providenciaria a devida honra a Mardoqueu diante de Hamã.

- Há, aliás, um nítido contraste entre a prudência e cautela de Ester e a precipitação de Hamã. No dia seguinte ao do banquete, quando Hamã se apresentou diante do rei, ao ser interpelado sobre o que se deveria fazer a cuja honra o rei se agradava, Hamã, que, no seu orgulho e presunção, a ninguém enxergava senão a si mesmo, descreveu uma série de honrarias, achando que as teria. Para sua surpresa, tudo quanto planejou e intentou foi destinado para Mardoqueu, tendo o próprio Hamã tendo de realizá-lo. Assim é a vida: aquele que tenta prejudicar o fiel, acabará por tudo fazer para a exaltação do servo do Senhor.

- No segundo banquete, então, Ester denuncia Hamã, sabendo que era o momento propício para tal. Certamente, vira a forca que fora construída por Hamã com o objetivo de matar Mardoqueu e tivera conhecimento de como Mardoqueu fora exaltado naquele dia. Diante de tais fatos, sabia que chegara o momento para que intercedesse pelo seu povo e assim se fez. Denunciado, Hamã se desesperou e acabou sendo enforcado na própria forca que mandara fazer e Mardoqueu foi posto em seu lugar. Como se não bastasse, Assuero, que não podia revogar a sua lei, permitiu que os inimigos dos judeus fossem destruídos antes da data marcada para a destruição do povo judeu e o povo judeu acabou sendo exaltado no meio do Império Persa, nunca mais correndo qualquer risco sob este domínio. O povo de Deus fora preservado e, com ele, o plano divino para a salvação do homem, pois, graças a esta preservação, menos de 500 anos depois nasceria o Cristo para tirar o pecado do mundo.

- Para celebração desta grande libertação do povo, instituiu-se, então, a festa de Purim (Et.9:20-32), que é comemorada pelos judeus até a presente data, nos dias catorze e quinze do mês de Adar, mês que corresponde aos nossos meses de fevereiro ou março. Ester tornara-se, assim, um instrumento divino para a salvação de seu povo, um instrumento divino para a salvação da humanidade, pois a preservação do povo judeu representou a preservação da “posteridade de Abraão” que tornaria benditas todas as famílias da Terra.

IV – O QUE APRENDEMOS A FAZER COM ESTER

- Dentro da linha que tomamos desde o início do trimestre, diante do objetivo estabelecido de aprimorarmos nosso caráter através do estudo das personagens bíblicas, vejamos o que podemos aprender com Ester para melhorarmos nossos caminhos.

- A primeira lição que Ester nos dá é a da obediência aos pais. O primeiro mandamento com promessa foi integralmente cumprido por Ester. Por ter tido uma excelente educação com Mardoqueu, Ester pôde ser obediente não só a seu pai de criação, mas a Hegai e a Assuero, o que foi fundamental para que alcançasse a salvação de seu povo e da sua própria vida.

- Como vimos supra, os dias em que vivemos são dias de desobediência a pais e mães, dias em que se prega abertamente a “independência” para crianças, adolescentes e jovens, dias em que o desprezo para com os pais é a regra geral. No entanto, somente por meio da obediência aos pais teremos uma vida quieta e sossegada, uma vida abençoada por Deus.

- A segunda lição que Ester nos dá é que, nesta obediência e submissão, há o altruísmo, que é a virtude sobrelevada pelo ilustre comentarista nesta lição. Somente obedecemos ao outro quando o consideramos, quando o levamos em conta, quando reconhecemos a sua importância. Ester, mesmo quando era apenas uma órfã cativa, mas também quando se tornou na rainha da Pérsia, sempre considerou os outros superiores a si mesmo (Fp.2:3), guardando o seu lugar, mas não se fechando em si mesma, buscando sempre o bem-estar dos outros.

- O verdadeiro crente é altruísta, pois tem o mesmo sentimento de Cristo Jesus, “…que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz (Fp.2:6-8). Negar-se a si mesmo e viver em função do outro é o primeiro requisito para servirmos a Cristo (Mc.8:34; Lc.9:23). Já foi dito supra que quem quiser viver para si, acabará perdendo a própria vida. Ester dá-nos um exemplo: alcançou uma posição inimaginável não só na sociedade da sua época, mas diante de Deus, única e exclusivamente porque não viveu em função de si própria, mas em função dos outros. O amor divino é demonstrado em nós na medida em que não buscamos apenas os nossos interesses (I Co.13:5).

OBS:  Lembremo-nos aqui das palavras do rabino judeu Hilel, que viveu algumas décadas antes de Cristo e que, em seu pensamento, sintetiza o espírito judaico a respeito do altruísmo, que foi totalmente incorporado pelo Senhor: “Se não for por mim, quem será por mim? Mas se eu for só por mim, o que sou eu? E se não agora, quando?” (Pirke Avot 1:14).

- A terceira lição dada por Ester é a de que sempre buscou manter um testemunho que a fizesse diferente e distinta no ambiente em que se encontrava. Ester chamava atenção por sua beleza, mas era o seu comportamento que a fazia achar graça seja aos olhos do guarda das mulheres do rei, seja aos olhos do rei, seja aos olhos de suas moças. Ester tinha um testemunho exemplar e isto a tornava agradável e alvo da graça e da benevolência das pessoas. O cristão deve ser alguém que seja agradável, ou seja, que faça a diferença pelo seu comportamento distinto dos demais nos ambientes de que faz parte.

- Sejamos bem claros. Ester não se sobressaía porque procurava agradar a todos, vivendo como eles, pois não estamos aqui para agradar aos homens, mas, sim, para agradar a Deus (Gl.1:10). Ocorre que, quando agradamos a Deus, tornamo-nos agradáveis aos homens, faz bem aos homens estar na nossa companhia, ainda que, por causa disso, venhamos a sofrer perseguições e injúrias. Nossa presença sempre traz o bem e a paz aos que nos cercam e era isto que fazia com que as pessoas favorecessem Ester onde quer que ela estivesse.

- Uma prova de que Ester era uma pessoa cativante, que atraía as pessoas pelo seu modo de viver está no comportamento do próprio Mardoqueu que, embora tivesse mandado a Ester que não revelasse nem sua nacionalidade, nem sua parentela, não cessava de acompanhar o cotidiano de sua filha de criação, sempre buscando saber como ela estava (Et.2:11,19). O que significa a nossa presença para aqueles que nos cercam?

- A quarta lição que Ester nos dá é a relevância do comportamento de um servo de Deus. A escolha de Ester para rainha, como vimos, trouxe alegria e paz para o reino. Ester era um instrumento de bênçãos para todos quantos estavam sob a sua área de influência, ou, podemos mesmo dizer, era uma bênção para todos eles. Como filhos de Deus, temos a mesma promessa que Deus deu a Abraão: “tu serás uma bênção” (Gn.12:2 “in fine”). Temos sido uma bênção? Os crentes de hoje em dia querem ser ricamente abençoados, gostam de dizer que lhe foram prometidas todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (embora utilizem, quase sempre, este versículo na sua incessante e incansável busca por bênçãos materiais…), mas se esquecem que o objetivo de Cristo é que eles mesmos sejam uma bênção para os que estão à sua volta. Sal da terra e luz do mundo, assim identifica Jesus os Seus discípulos. Que bênção temos sido para os que estão convivendo conosco debaixo do sol?

- A quinta lição que Ester nos dá é a referente à necessidade de preparação espiritual para que tomemos uma decisão. Antes de ir à presença do rei para pedir por seu povo, Ester jejuou e orou por três dias, pedindo, ainda, a intercessão dos judeus a seu favor. Ester sabia “…que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef.6:12). Verdade é que muitos vêem o diabo em todos os lugares, o que não é correto, mas também é reprovável desprezar a atuação maligna, cada vez mais intensa e freqüente nos dias difíceis que estamos a viver.

- A sexta lição que Ester nos dá é a de que a preparação espiritual é necessária e prioritária, mas não é suficiente. Aquilo que podemos fazer, devemos fazer. Somente Ester poderia vestir os vestidos reais e se fazer graciosa aos olhos do rei. Ela era a rainha e deveria cativar o rei. A sua parte fez e o resultado foi que, com oração, jejum e devida preparação material, Ester alcançou o favor do rei e teve o cetro de ouro apontado para si.

- A propósito, esta situação narrada no livro de Ester tem uma aplicação espiritual direta. Temos nos apresentado com vestes reais diante do Rei dos reis? Temos comparecido convenientemente diante de Deus quando entramos em Sua presença? O escritor aos hebreus diz-nos que, quando nos chegamos a Deus, devemos nos apresentar com verdadeiro coração, inteira certeza de fé, os corações purificados da má consciência e o corpo lavado com água limpa (Hb.10:22). Porventura, são estas as nossas vestes, nós, que somos reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai, lavados que fomos dos nossos pecados pelo sangue de Cristo (Ap.1:5,6)? Ou estamos como o sumo sacerdote Josué, com vestidos sujos (Zc.3:3)? Não nos iludamos: somente os que não contaminarem as suas vestes poderão entrar no reino de Deus.

- A sétima lição que Ester nos dá é a de que é preciso ter cautela e prudência, de estarmos sempre na direção do Espírito Santo. Ester, mesmo tendo a oferta de até metade do reino, soube esperar o momento certo para fazer a sua petição, o momento adequado, o momento sinalizado por Deus, depois da exaltação de Mardoqueu e da construção da forca por ordem de Hamã. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec.3:1). Saibamos esperar no Senhor de modo paciente (Sl.40:1).

- Como ter prudência? Como saber qual é o tempo de Deus? A prudência, diz-nos a Bíblia, é a “ciência do Santo” (Pv.9:10), habita sempre com a Sabedoria (Pv.8:12), sabedoria esta que é o Senhor Jesus, o qual nos faz abundar em toda a prudência (Ef.1:8). Vemos, pois, que, para ter prudência, para saber qual é o tempo de Deus, precisamos habitar com Jesus, ter comunhão com Ele, conhecê-lO: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito (Jo.15:7). O homem prudente é aquele que ouve e pratica as palavras do Senhor Jesus (Mt.7:24).

V – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM ESTER

- Apesar de sua linda biografia, Ester, como todo ser humano, teve suas falhas e nelas, também, devemos aprender, como contra-exemplo, a fim de que não venhamos a praticar os mesmos erros.

- A primeira lição que aprendemos com Ester como contra-exemplo é a de que não podemos ser indiferentes ao que nos ocorre. Mardoqueu, ao saber do decreto do rei, rasgou os seus vestidos, clamou no meio da cidade e se vestiu de saco. Todos os judeus começaram a jejuar e orar bem como a lamentar o acontecido, mas Ester se manteve impassível, indiferente. A indiferença com a dor dos outros, notadamente do povo de Deus, é um grande mal que tem de ser evitado a todo custo. Jesus sempre teve compaixão do próximo(Mt.9:36; 14:14; 20:34; Mc.1:41; 6:34; 8:2; Lc.7:13) e, mesmo rejeitado pelo povo, chorou sobre Jerusalém (Lc.19:41), demonstrando toda a sua tristeza pelo mal que os próprios judeus chamavam para si.

- O verdadeiro e genuíno cristão, assim como o Senhor, deve ter a mesma compaixão de Deus (Rm.12:1), não sendo indiferente ao sofrimento, à dor do próximo, acudindo-lhe em todas as suas necessidades. Agir como o samaritano da parábola, como o pai do filho pródigo, este é o ensino de Jesus para todos nós.

- A segunda lição que Ester nos dá do que não fazer é o instinto de autopreservação, é a busca da salvaguarda da própria vida, o que podemos muito bem denominar aqui de covardia, de timidez. Quem busca salvar a sua vida e, para tanto, não faz a obra de Deus, não declara que é filho de Deus, não se envolve com as tarefas da Igreja está perdendo a sua vida. Ester correu risco de ela mesma vir a perder a sua vida, buscando guardá-la, mas, a tempo, seguiu o sábio conselho de Mardoqueu e, ao pôr a sua vida em risco por amor ao seu povo, ao povo de Deus, alcançou não só a sua sobrevivência, mas de todo o povo. Assim devemos também proceder: buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, pois tudo o mais nos será acrescentado (Mt.6:33). Os tímidos ficarão fora do reino de Deus (Ap.21:8).

- A terceira lição de contra-exemplo que nos dá Ester, que está bem relacionada com a do instinto de preservação, é a do isolamento do meio do povo de Deus. Apesar de sua posição como rainha, Ester não poderia ter se isolado tanto do seu povo. Verdade que não poderia ter um relacionamento explícito, já que não declarara sua nacionalidade nem a sua parentela, mas era necessário ter se posicionado quando saiu o decreto do rei, antes que Mardoqueu a obrigasse a tanto. Tomar posições quando surgirem circunstâncias que nos obriguem a tanto, confessar publicamente o nome de Jesus é uma necessidade imperiosa a todos quantos se digam salvos na pessoa de Cristo. Mesmo que sejamos levados diante de autoridades, temos de confessar o nome de Jesus. Quem não O confessa, nega-O e, por isso, será também negado por Cristo diante do Pai (Mt.10:33). Lembre-se disto toda vez que estiver diante de uma circunstância em que precisemos confessar o nome do Senhor.

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

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Elias, um profeta humilde e determinado – 4

Publicado por Editor em 2007/07/19

ELIAS, UM PROFETA HUMILDE E DETERMINADO

Fonte: http://radioboasnovas.net/v3/?ConteduoPage=licoesEBD&id=43 

INTRODUÇÃO

Elias, cujo nome significa “Jeová é Deus” foi chamado por Deus para o ministério profético, em um dos piores períodos da história de Israel. Período este, marcado por crise, fome, miséria, corrupção e apostasia. Mas, em meio à crise moral, social e espiritual, Deus pôde contar com a coragem e a determinação de Elias, para ser seu porta-voz.

I – QUEM ERA ELIAS?

  • O mais famoso e dramático dos profeta de Israel;

  • Foi contermporâneo de Acabe, Jezabel, Acazias, Obadias, Jeú e Aazael;
  • Predisse o início e o fim de uma seca de três anos e meio (I Rs 17.1; 18.44);
  • Fugiu da presença de Acabe e foi sustentado pelos corvos e por uma pobre viúva (I Rs 17.1-6; 8-16);
  • Foi usado por Deus para ressuscitar uma criança (I Rs 17.22);
  • Desafiou os profetas de Baal no Monte Carmelo (I Rs 18.22-45);

  • Ameaçado de morte, fugiu com medo de Jezabel e desejou a morte (I Rs 19.4);
  • Caminhou 40 dias 40 noites, após ser alimentado com pão e água, trazidos por um anjo (I Rs 19.8);
  • Ao chegar em Horebe, esconde-se em uma caverna, onde tem um encontro com Deus (I Rs 19.12);
  • Unge Elizeu como seu sucessor (I Rs 19.15,21);
  • Foi levado ao céu em um redemoinho (II Rs 2.11)
  • A história de Elias está registrada em I Rs 17.1 até II Rs 2.11.

II – CONTEXTO POLÍTICO E RELIGIOSO DO TEMPO DE ELIAS

1. Era um período de sucessão de reis ímpios: Nos dias de Elias, Israel estava sendo governado por reis maus e idólatras. A Bíblia diz que Onri “… fez o que era mau aos olhos do Senhor; e fez pior do que todos quantos foram antes dele” (I Rs 16.25,26). Quando Onri morreu, em seu lugar reinou seu filho Acabe (I Rs 16.28), que teve a capacidade de fazer pior do que todos os reis que lhe antecederam. A Bíblia diz acerca de Acabe: E fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele… (I Rs 16.30,31).

2. Era um período de idolatria: O rei Acabe destaca-se nas Escrituras como um rei idólatra, pois ele andou nos caminhos de Jeroboão (I Rs 16.31); serviu a Baal e o adorou (I Rs 16.31); conduzindo toda a nação à idolatria. Como se não bastasse, Acabe casou-se com Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; casamento este, jamais aprovado por Deus. Tudo isto fez Israel mergulhar no mais profundo paganismo, sem nenhuma pretenção de preservar o culto a Jeová, tornando-se uma nação idólatra e pagã, como as demais nações.

3. Era um período de crise: Quando Acabe, influenciado por sua esposa Jezabel, substituiu o culto à Jeová pela adoração à Baal (I Rs 16.31-33), Elias apareceu repentinamente perante o rei para anunciar a ausência de chuva e orvalho sobre a terra (I Rs 17.1). Como a chuva é um dos principais elementos de sustentação da natureza, a falta dela provocou seca, fome e miséria. As Escrituras dizem que “… a fome era extrema em Samaria” (I Rs 18.2). Isto fez com que Acabe se irasse ainda mais com Elias, pois achava que ele era o culpado daquela calamidade.

4. Era um período de inversão de valores: Em meio a crise e à miséria, o rei Acabe parece estar mais preocupado com os cavalos e as mulas do que com os súditos do seu reino; pois ele chama Obadias, e saem à procura de água para preservar a vida dos animais (I Rs 18.5,6). Possivelmente movido pelo desespero, o próprio Acabe sai à procura de água com Obadias, o que não era um fato comum, pois, como rei, ele podería apenas ordenar a seus servos que saíssem à procura de água.

5. Era um período de idolatria e perseguição aos profetas: Jezabel, esposa do rei Acabe, ocupa o lugar de esposa mais ímpia da Bíblia. Além de controlar o seu esposo (I Rs 21.25), ela levou a nação de Israel a adorar seus deuses (I Rs 18.19,20). Como se não bastasse, intentou matar a todos os profetas do Senhor (I Rs 18.4). Foi nessa ocasião que Obadias, um homem temente a Deus e servo do rei Acabe (possivelmente um mordomo ou camareiro do palácio), conseguiu esconder cem profetas do Senhor e os sustentou com pão e água, pondo em risco a sua própria vida, pois, caso fosse descoberto, tanto ele como os cem profetas, seriam mortos à mando de Jezabel.

6. Era um período de abuso de poder: No capítulo 21 de I Rs, está registrado que Acabe desejou adiquirir uma vinha que pertencia a Nabote. Como Nabote recusou-se vender a sua vinha para Acabe, Jezabel enviou cartas aos anciãos e aos nobres da cidade, com o selo do rei (como se estivesse sido escritas por ele), e mandou colocar duas falsas testemunhas contra Nabote, acusando-o de blasfêmia contra Deus e contra o rei, e, depois, o apedrejassem; fazendo com que seu marido possuisse a vinha que pertencia a Nabote (I Rs 21.1-16), numa demonstração de que, tanto Acabe como sua esposa Jezabel, eram capazes de fazer qualquer coisa para conseguir seus objetivos, até mesmo, mandar matar pessoas inocentes.

É em meio a essa crise social, moral e espiritual, Deus levanta o profeta Elias para combater o pecado, proclamar o juizo e chamar o povo ao arrependimento.

III – PRINCIPAIS VIRTUDES DO CARÁTER DE ELIAS

    São muitas as virtudes que as Escrituras registram sobre a vida deste destemido profeta:

1. Elias aprendeu a confiar em Deus: Profetizar no tempo de Elias não era uma tarefa fácil. Era colocar a sua própria vida em risco (I Rs 18.4). E Elias foi chamado para profetizar exatamente contra aqueles que tinham o poder nas mãos: o rei Acabe e sua ímpia esposa, Jezabel. Mas Elias não vacilou: Profetizou a falta de chuva e de orvalho (I Rs 17.1); combateu o pecado de Acabe, chamando-o de perturbador de Israel (I Rs 18.18); desafiou os profetas de Baal (I Rs 18.22-40) e predisse a morte do rei Acabe e de sua esposa Jezabel (I Rs 22.17-24). Somente uma confiança inabalável em Deus poderia levar um homem a profetizar naqueles dias.

2. Elias aprendeu a depender de Deus: Ao contrário do que muita gente pensa, depender de Deus não é uma tarefa fácil. É preciso ter fé. A trajetória de Elias nos ensina isto: ora bebendo água de um ribeiro e se alimentando de pão e carne trazidos pelos corvos (I Rs 17.1-6); ora sendo sustentado por uma pobre viúva (I Rs 17.8-16); ora alimentando-se de pão e água trazidos por um anjo (I Rs 19.5-7). Com certeza, a confiança de Elias não estava depositada nos corvos, nem na viúva, nem mesmo no anjo, e sim, no Jeová Jireh, o Senhor que provê.

3. Elias aprendeu a ter intimidade com Deus: O ministério de Elias não foi marcado apenas por profecias, mas também, por muitos milagres, tais como: multiplicação de azeite e farinha (I Rs 17.16); ressurreição (I Rs 17.22); fogo no altar (I Rs 18.16-46); morte dos soldados do rei Acazias (II Rs 1.9-14); divisão do rio Jordão (II Rs 2.8). Todos estes milagres demonstram claramente que Elias era um homem que vivia em íntima comunuhão com Deus. A maior prova disto é que, semelhante a Enoque, Deus o tomou para si (II Rs 2.11,12).

4. Elias aprendeu a se fortalecer em Deus: Quando Elias foi ameaçado por Jezabel, após a morte dos profetas de Baal, perdeu o ânimo e desejou a morte (I Rs 19.4). Parecia o fim da jornada daquele destemido profeta. No entanto, Deus envia um anjo para lhe dar pão e água (I Rs 19.5-7). Com a força daquela comida, Elias caminhou quarenta dias e quarenta noites até chegar à Horebe (I Rs 19.8). Ao chegar em Horebe, ele esconde-se em uma caverna, onde tem um encontro com Deus, que lhe fala numa voz mansa e delicada (I Rs 19.12). Sua forças, então, são renovadas, fazendo com que ele saísse daquela caverna e executasse os propósitos divinos (I Rs 19.15-21).

CONCLUSÃO

O ministério de Elias foi marcado por profecias, milagres, desafios e muitas experiências com Deus. Porém, o acontecimento mais notável na vida do profeta Elias não foi profetizar a falta de chuva, nem desafiar os profetas de Baal, nem ressuscitar o filho da viúva. Sem dúvidas, o fato mais notável foi quando lhe apareceram cavalos e carros de fogo e, em um redemoinho, ele foi levado ao céu (II Rs 2.11).

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Elias, um profeta humilde e determinado – 3

Publicado por Editor em 2007/07/19

Elias, um profeta humilde e determinado

Fonte: http://www.adcorreiapinto.com.br/licao3.doc

 INTRODUÇÃO

Continuando na busca do caráter cristão, e buscando aprender com homens e mulheres da Bíblia, temos a oportunidade de aprender nesta lição com um dos maiores homem de Deus chamado Elias, o tisbita. Esse homem nos deixou um maravilhoso exemplo de fé, coragem, humildade, determinação e obediência a Deus. Apesar de seus momentos de fraquezas, pois ele era humano igual a qualquer um de nós Tg 5. 17. Porem devido a sua vida de consagração a Deus, tornado-se um dos homens mais usados por Deus, com obras tais que nenhum outro realizou. Examinaremos então os poucos capítulos da Bíblia que contam a sua história, e vamos aprender muito nesta lição com esse profeta, que nos deixou provas de que Deus responde-nos, quando oramos com fé.
 I. ISRAEL NO TEMPO DE ELIAS
A situação de Israel naqueles dias era péssima. Depois que Israel pediu um rei 1Sm 8. 5. As coisas em Israel não andaram muito bem. O primeiro rei foi Sul, e, portanto foi um mau rei, sua historia esta registrada em 1Sm caps. 10 a 31. Depois dele foi Davi. apesar de algumas falhas, foi um bom rei. Conforme estudamos na lição passada. Sua historia esta registrada nos livros de 1 e 2 Samuel. Depois dele, Salomão seu filho assumiu o trono, sua historia e narrada em 1Rs caps. 1 a 11; e 2Cr caps. 1a 9. Homem que falou com Deus 1Rs 3. 5-11; 2Cr 1. 7-10. E recebeu Dele sabedoria e riquezas como nenhum outro 1Rs 3. 12,13; 2Cr 1. 10,12. Mesmo assim, não guardou o mandamento de Senhor 1Rs 11. 2. aparentou-se com Faraó, tomando sua filha por mulher 1Rs 3. 1. E amou muitas mulheres estrangeiras 1Rs 11. 1. possuiu setecentas mulheres princesas e trezentas concubinas 1Rs 11. 3. Essas mulheres perverteram o seu coração para seguir outros deuses na sua velhice 1Rs 11. 4-6. Depois dele, seu filho Roboão assumiu o reino 1Rs 11. 43. Tratou mal ao povo 1Rs 12. 14. Com isso, o reino se dividiu 1Rs 12. 16,17. Seguindo a seqüência dos reis de Israel. O próximo foi Geroboão, filho de nebate. Esse levou o povo a pecar grandemente contra o Senhor, no caso dos bezerros 1Rs 12. 28-33. Depois dele Nadabe, seu filho reinou 1Rs 15. 25-31. Também esse fez o que parecia mal aos olhos do Senhor 1Rs 15. 26. Em seguida Baasa assumiu o reino, e andou pelo mesmo caminho 1Rs 15. 32-16. 7. Depois seu filho Ela reinou dois anos, esse foi assassinado embriagando-se 1Rs 16. 8-14. O assassino Zinri reinou apenas sete dias, e se  suicidou. E ainda Tibni e Onri 1Rs 16. 15-32. E agora então, começa a historia do rei Acabe.  A respeito desse rei lemos em 1Rs 16. 29-33 o seguinte: 29E Acabe filho de Onri, começou a reinar sobre Israel no ano trigésimo oitavo de Asa, rei de Judá; e reinou Acabe, filho de Onri, sobre Israel em Samaria, vinte e dois anos. 30E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. 31E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou diante dele. 32E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. 33Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais para irritar ao Senhor, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele.
Essa era a situação em que estava Israel quando Elias entra em cena. O altar do SENHOR estava abandonado, avia quatrocentos e cinqüenta profetas de baal, e quatrocentos profetas de asera. Acabe e Jezabel tiveram um fim terrível de julgamento do SENHOR, conforme mereciam. 1Rs 22. 34-38. 2Rs 9. 7-37.
  Elias.
Elias; No hebraico whyla (Eliaú) significa: Cujo Deus é Jeová. Profeta, tesbita, morador de Gileade, 1Rs. 17. 1. A Bíblia não fala muito da biografia desse homem, mas sim das grandezas das maravilhas em que DEUS lhe usou para operar.
 II. ASPECTOS DO CARÁTER DE ELIAS 
Estudamos na primeira lição deste trimestre sobre a natureza do caráter cristão. E aprendemos o que é caráter. Agora veremos os aspectos desse caráter na vida de Elias, seguindo os sob tópicos desse segundo tópico da lição três, desse trimestre.
 Fidelidade.
O que é fidelidade. Diz-nos o dicionário português Aurélio: [Do latim fidelitate.]
S. f.
 1. Qualidade de fiel; lealdade. 
 2. Constância, firmeza, nas afeições, nos sentimentos; perseverança. 
 3. Observância rigorosa da verdade; exatidão.
No sentido bíblico vem do hebraico Nma (‘omen), que é usado para descrever os conselhos de Deus em Is 25. 1. e do grego pistoV (pistos), e significa: fiel, confiável, digno de confiança. Nesses dias de tanta miséria, infidelidade, pecados e desobediência a Deus, precisamos de homens com essas qualidades. Como Elias, que em dias semelhantes aos nossos, foi fiel no cumprimento dos mandamentos do SENHOR. Mesmo arriscando a sua própria vida, não omitiu nem uma palavra das que Deus o mandou entregar ao rei, e ao povo de Israel. Sejamos também fieis a Deus, nesse mundo tenebroso em que vivemos. Precisamos colocar a nossas vidas no altar do SENHOR, e estar-mos a disposição dEle, para lhe obedecer em tudo, e estar pronto para entregar a mensagem que Ele mandar, seja pra quem quer que seja. Não como alguns que por causa do medo, retêm parte da mensagem. e outros; querendo se exaltar, acrescentam a mensagem.
 Determinação.
Aurélio: [Do latim, determinatione.]
S. f.
1. Ato ou efeito de determinar (-se).
2. Resolução, decisão:                                                                                                        3. Capacidade de determinação ou decisão:
4. Ordem superior:
5. Característica que serve a determinação: uma qualidade, um atributo, etc.
   Elias era realmente um homem determinado, estava sempre pronto, mesmo a viver uma vida solitária nos desertos, sendo alimentado por corvos, andando nos desertos, abrigando-se em cavernas, enfrentando perigos por amor ao SENHOR.
 Obediência.                                                                                                                       A palavra obediência no hebraico hhqy (yiqhã). E obedecer sem (shãma’) e do grego é Èpako© (ypacoé), que vem de ÈpakoÈw  (ypakouô), que significa: prestar atenção, obedecer, seguir, ser sujeito, ser submisso. Faz-nos lembrar aqui do que Samuel falou a Sul: Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.     1Sm 15. 22.  Elias mostrou essa qualidade, foi um exemplo de obediência a Deus. Estava sempre pronto a obedecer às ordenanças do SENHOR. A primeira execução de um mandamento de Deus na vida de Elias esta em 1Rs 17. 1, aonde ele fala ao rei de uma grande seca. A segunda esta em 1Rs 17. 2-5, aqui Deus ordena que ele fuja e se esconda junto ao ribeiro de Querite. A terceira em 1Rs 17. 8, 9. esta vez para ir a Sarepta de Sidom. A quarta em 1Rs 18. 1, para anunciar a Acabe sobre uma grande chuva. A quinta em 1Rs 19. 15, 16, esta vez Deus o manda voltar do deserto para onde tinha fugido, a ungir a Hazael para ser rei sobre a Síria.  E a Jeú, ungir para ser rei sobre Israel. E Eliseu, ungir como profeta em lugar dele.  E a sexta esta em 1Rs 21. 17-19. Desta vez ele trás uma noticia de condenação a Acabe. E ainda outras que não estão escritas literalmente na Bíblia. Em todos os mandamentos do SENHOR Elias foi obediente, não medindo esforços para cumpri-los. E não esqueçamos que somos servos. E um servo não vive para fazer a sua própria vontade, mas sim a vontade do seu Senhor. E quando fazemos a vontade do SENHOR, Ele se responsabiliza por qualquer coisa que possa acontecer com nos. Pois estamos cumprindo os seus mandamentos. E seremos amados por Ele.  Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. Jo 14. 21. E não se esqueça do exemplo de Jesus: De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. Fl 2. 5-9. Coragem.
Coragem é tradução do grego qrsei (tarsei), de qrsew (tarseô). Que é o oposto de fobw (fobeô), que significa medo, estar com medo, ficar assustado, temer alguma coisa ou alguém. E a fobia, ou medo, é próprio do homem natural, pois quando estamos com medo, é porque está nos faltando fé e confiança em Deus. Por isso; encontramos nas sagradas escrituras a advertência “não temas” 63 vezes ARC. Para isso, é preciso ter fé.
A coragem de Elias estava baseada na confiança que ele tinha em Deus. Ele sabia que quando Deus manda também se responsabiliza pelas conseqüências. E nessa confiança, teve coragem para entregar mensagem de juízo a um rei ímpio 1Rs 17. 1;  21. 17-24.
Teve coragem para enfrentar oitocentos e cinqüenta falsos profetas no monte Carmelo 1Rs 18. 19-40.  Elias sabia muito bem que se não desse certo o que ele falou ali, ele seria morto. E é importante notar, que Elias não era o único que servia ao SENHOR naqueles dias. Existiam sete mil homens em Israel que não serviam a Baal 1Rs 19. 18. E onde estavam eles? Elias preparou o altar e o sacrifício sozinho no monte Carmelo 1Rs 18. 22-25. Certamente estes sete mil homens, estavam camuflados com medo escondidos entre o povo, esperando para ver se o que Elias estava fazendo ia dar certo. Você esta com medo? Medo é falta de fé Mt 8. 26, Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança.
O que fazia Elias tão corajoso era a convicção que ele tinha da fidelidade de Deus em cumprir as suas promessas. E a certeza de que quando o homem esta na direção de Deus, e faz tudo o que ele manda Deus o protege e o guarda de todo o mal. Ele tinha Deus como refugio e fortaleza Sl 46. 1.
 Fragilidade.Como todo homem de Deus mencionado na Bíblia teve seus momentos de fraqueza, assim também Elias. Tiago disse que Elias era homem sujeito as mesmas paixões que nos. Na edição atualizada diz que ele era sujeito aos mesmos sentimentos que nos. A palavra original traduzida para paixões ou sentimentos aqui é Àmoipaq©r(rómoiopatés)
Que significa; com a mesma natureza, sujeito as mesmas condições. Isto quer dizer que Elias era um homem igual a nos, frágil e sujeito a errar a qualquer momento. Isto também quer dizer que se buscar-mos a presença de Deus, e viver-mos para lhe servir, Deus pode nos usar como usou Elias. O homem só é corajoso quando esta convicto de que Deus esta na sua frente. Mas quando o homem se sente só, o temor lhe assombra. Comparo o homem aqui a uma criança que quando esta nos braços de seu pai, é corajosa, nada teme, mas quando o seu pai a solta de seus braços, ela tem medo ate mesmo de um pequeno inseto. Elias foi um dos maiores homens da Bíblia, disse a Acabe que não choveria mais sobre a terra 1Rs 17. 1. e só choveu segundo a sua palavra 1Rs 18. 44; Tg 5. 18. Foi alimentado por corvos 1Rs 17. 6. aumentou o azeite e a farinha da viúva 1Rs 17. 14,15. Ressuscitou o filho da viúva 1Rs 17. 22. No monte Carmelo fez descer fogo do céu, e queimar ate mesmo pedra e água mediante a sua oração 1Rs 18. 30-38. E quando foi ameaçado por uma mulher ímpia, foge desesperado para o deserto 1Rs 19. 2-4. Parece-nos aqui que Deus silenciou para com Elias. Não mandou ficar, e nem fugir. Penso eu que Elias estava se sentindo muito forte devido as proezas que tinha feito. E Deus o deixou sentir um pouquinho a sua fragilidade. E então, o medo lhe tomou conta, e ele sentiu as suas misérias. Ele andou pelo deserto caminho de um dia 1Rs 19. 4. tomado de cansaço, desanimo e tristeza. Elias faz uma oração diferente das que ele tinha feito ate aqui em seu ministério, pedindo a sua própria morte. Há alguns teólogos que dizem que Elias estava em profunda depressão, ao ponto de pedir a própria morte.
Elias foi restaurado pelo SENHOR, em quem confiava 1Rs 19. 5-21.
  III. ELIAS, UM EXEMPLO DE VIDA COM DEUS Deus foi glorificado em Elias.
Naqueles dias em Israel, o altar do SENHOR estava abandonado.
 E baal era para a maioria dos israelitas o deus da fertilidade. Responsável pelas chuvas, pela produção da terra, e pela produção dos animais. Foi exatamente por isso que Deus mandou Elias dizer a Acabe que não choveria mais sobre a terra sem que ele mandasse. Para mostrar a esse povo que quem tem domínio da natureza é o SENHOR. Três anos e seis meses se passaram, sem chover sobre a terra Tg 5. 17. Com todo esse tempo de seca, veio então a falta de água, a escassez de alimento, e a morte dos animais. 1Rs 18. 5. certamente muitas orações foram feitas a Baal, para que mandasse chuva, mas nada aconteceu. Jesabel tinha quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, e quatrocentos profetas de Asera 1Rs 18. 19. E a ordem era que matasse todos os profetas do SENHOR 1Rs 18. 13.
É nessa hora que se aproxima Elias, para desafiar o deus em quem confiavam. No monte Carmelo.
                                                                                   
 .    É neste monte que Baal e os seus profetas foram derrotados, e GEOVÁ foi glorificado através do profeta Elias, quando orou ao SENHOR: 1Rs18. 30 Então Elias disse a todo o povo: chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele. E Elias reparou o altar do Senhor, que havia sido derrubado.31 Tomou doze pedras, conforme o número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual viera a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome;32 e com as pedras edificou o altar em nome do Senhor; depois fez em redor do altar um rego, em que podiam caber duas medidas de semente.33 Então armou a lenha, e dividiu o novilho em pedaços, e o pôs sobre a lenha, e disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha.34 Disse ainda: fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. De novo disse: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez.35 De maneira que a água corria ao redor do altar; e ele encheu de água também o rego.36 Sucedeu, pois que, sendo já hora de se oferecer o sacrifício da tarde, o profeta Elias se chegou, e disse: Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque, e de Israel, seja manifestado hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua palavra tenho feito todas estas coisas.37 Responde-me, ó Senhor, responde-me para que este povo conheça que tu, ó Senhor, és Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.38 Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego.39 Quando o povo viu isto, prostraram-se todos com o rosto em terra e disseram: O senhor é Deus! O Senhor é Deus!        
É bom lembrar que Elias concertou o altar do SENHOR, para depois ser respondido.
Vejamos como esta o nosso altar, e então o concertando, Deus respondera as nossas orações. E o nome do SENHOR será glorificado também através de nos.
   
Elias mata todos os profetas de Baal no ribeiro de Quisom 1Rs 18. 40.
Depois disso, Elias sobe ao monte e ora ao SENHOR para que chova sobre a terra. E Ele manda chuva 1Rs 18. 41-46. E mais uma vês o SENHOR foi glorificado.
  Resumo da vida e ministério de Elias
Profeta, tesbita, morador de Gileade, 1Rs. 17:1;
Predisse ao rei Acabe uma grande seca, 1Rs. 17:1;
Escondeu-se Junto à torrente de Querite e foi milagrosamente sustentado por corvos, 1Rs. 17:5-6;
Ressuscitou o filho duma viúva, 1Rs. 17:9;
Enfrentou os profetas de Baal no monte Carmelo, 1Rs. 18:20-40;
Repreendeu Acabe 1Rs. 21:19;
Mandou que descesse fogo do céu para consumir os soldados do rei Acazias, 2Rs. 1:9     12;
Dividiu as águas do Jordão, 2Rs. 2:8;
Subiu ao céu em um carro de fogo, 2Rs. 2:11;
Apareceu a Jesus Cristo, na transfiguração, Mt. 17:3;
 CONCLUSÃO.Concluímos este subsidio, lembrando ao amado leitor que nos, como Elias, fomos chamados para ser-mos instrumentos nas mãos do SENHOR. E se nós nos colocar-mos na presença dEle, podemos ser usados nas suas mãos, como foi Elias. E o nome do SENHOR será glorificado também através de nós. Mas não se esqueça que e preciso fé e dedicação para que Deus opere em nossas vidas. Leia as seguintes referencias: Jo 14. 12 Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê em mim, esse também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para o Pai;13 e tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.14 Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei.Jo 15. 7 Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e vos será feito. 1Jo 3. 22 e qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista.   
              

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Homilética para professores da Escola Dominical

Publicado por Editor em 2007/07/16

Homilética para professores da Escola Dominical

Por Altair Germano

Fonte: http://altairgermano.blogspot.com/2007/06/homiltica-para-professores-da-escola.html 

A atividade docente na EBD tem sido marcada por uma exigência cada vez maior por parte dos alunos quanto a qualidade não só do conteúdo da aula, mas também quanto a maneira com que esta aula é desenvolvida e aplicada. A homilética vem exatamente prover meios para que tais exigências sejam atendidas.

Homilética é a ciência, arte e técnica de pregar e ensinar mensagens religiosas, sacras ou cristãs. Seu objetivo principal, desde seus primórdios na Mesopotâmia cerca de 3000 a C, quanto ao seu uso na igreja a partir do século IV d C, foi o de orientar pregadores e mestres na dissertação de seus discursos e ensinos, através de princípios, fazendo simultaneamente que despertassem e tivessem uma idéia dos erros e falhas que cometiam.

O Preparo da Aula

A homilética para o professor da EBD tem função importante tanto no preparo, quanto na apresentação da lição. A confiança que transmitimos quando ensinamos, está diretamente relacionada com a aplicação e a forma com que estudamos e preparamos a nossa aula. Alguns fatores precisam ser observados neste primeiro passo. São eles;

- Fonte e Material de Pesquisa: A principal fonte de pesquisa do professor cristão é a Bíblia, contudo, é necessário que o professor disponha de outros materiais, tais como, Bíblias de Estudo, Dicionários e Enciclopédias, Concordâncias, Atlas Bíblico, Diversidade de bons livros para consulta, Apostilas, Periódicos, Revistas, Jornais, etc. Quanto mais fontes e material de pesquisa tiver o professor, mais rico será o conteúdo da sua aula.

- Análise da Lição: O professor deve ler toda a lição, atentando para o seu título, texto áureo, verdade prática, leitura bíblica em classe, pontos e sub-pontos, para só então partir para a pesquisa sobre os principais temas abordados pela mesma.

- A Realização da Pesquisa: O professor deve colher todas as informações possíveis sobre o assunto, organizando-os por ordem de importância.

- A Sintetização e Objetividade do Conteúdo Pesquisado: O poder de síntese é uma habilidade fundamental para o professor da EBD, visto que este precisa conciliar o conteúdo à ser ensinado com o tempo disponível para tal finalidade.

- O Estudo Prévio da Lição Bíblica para os Professores: Esta ferramenta busca proporcionar mais conhecimento para o professor, dirimir suas dúvidas, uniformizar o ensino, corrigir possíveis erros de interpretação, e proporcionar uma constante interação entre superintendes, secretárias e corpo docente.

A Aula

O segundo passo fundamental, é a maneira com que a lição vai ser transmitida para os alunos. A falta de habilidade para comunicar a lição, pode colocar a perder todo o trabalho de pesquisa feito para a mesma. Alguns fatores precisam ser bem observados nesta hora, dentre os quais a linguagem do professor.

Por linguagem entendemos, a faculdade de expressão que serve para transmitirmos idéias e sentimentos. Quanto mais claras e precisas forem as expressões, melhor compreendida será nossa mensagem e ensino. A linguagem pode ser verbal, ou seja, aquela transmitida pela fala, ou corporal, expressa através dos gestos e movimentos do corpo.

A linguagem verbal envolve:

· Vocabulário : é o conjunto de termos lingüísticos, empregados pelo professor. São as palavras usadas para transmitir o conteúdo do assunto. O vocabulário utilizado pelo professor deve ser comum a ele e a seus alunos.

· A Dicção : é a pronúncia dos sons das palavras. As palavras devem ser pronunciadas de forma correta com a devida abertura da boca e articulação completa de todos os sons que compõe a palavra. Deve-se evitar alguns defeitos de pronúncia tais como levá (levar), trazê (trazer), janero (janeiro), trigue (tigre), proquê (porquê), previlégio (privilégio), Cráudio (Cláudio), sinhô (senhor), etc. Circunstâncias pode resultar em pronúncias incorretas. Se há possibilidades devemos buscar a melhora, quando não, Deus nos usará da mesma forma, pois conhece nossas limitações e sinceridade.

· A Intensidade da Voz : a voz do professor deve ter uma tonalidade agradável, não sendo alta ou baixa demais. Ao falar em microfone a altura deve ser suficiente para alcançar o auditório. A voz demasiadamente alta irrita os ouvintes tirando assim a atenção do assunto que está sendo ensinado, além de prejudicar o aparelho auditivo. A voz demasiadamente baixa irrita da mesma forma, porém, produzindo sonolência, desinteresse e falta de atenção dos ouvintes.

· A Velocidade da Voz : a voz do professor deve também ser pronunciada numa velocidade que não comprometa sua compreensão. Não deve ser muito lenta ou rápida, mas sim compassada, respeitando-se também a pontuação.

· Os Vícios de Linguagem : são expressões incorporadas ao nosso estilo de falar, sendo repetidas muitas vezes durante a exposição do assunto, de forma consciente ou inconsciente. Ex: Não é verdade?, aí né…, glória a Deus e aleluia, etc.

- A Linguagem Corporal do Professor: Compreende linguagem corporal:

· A Higiene Corporal do Professor : cabelos bem cortados, penteados e limpos, higiene bucal, unhas limpas, o cuidado com os odores exalados pelo corpo e outros cuidados com a higiene corporal, devem fazer parte da vida do professor.

· A Postura do Professor : todo nosso corpo fala quando nos comunicamos. As posições dos pés e pernas, o movimento do tronco e dos braços, das mãos e dos dedos, a postura dos ombros, o balanço da cabeça, as contrações do semblante, a boca e a expressão do olhar, cada gesto possui um significado próprio e encerra em si mesmo uma mensagem.

· Os Maus Hábitos de Postura : deve-se ter cuidado com mãos nos bolsos, brincar com os dedos, botões e gravata, apoiar-se em algum objeto ou na tribuna e evitar os cacoetes.

· A Naturalidade do Professor : O professor acima de tudo deve ser ele mesmo. A má aplicação das regras de postura pode transformá-lo num robô, com movimentos mecânicos. Bons estilos podem ser admirados mas nunca imitados. Quando se imita perde-se a autenticidade e naturalidade, incorrendo-se ainda no risco de se expor ao ridículo.

Façamos diante do aqui exposto, o devido uso da homilética, que aliada a unção do espírito do Santo, revolucionará nosso ministério de ensino, promovendo uma maior aprendizagem por parte do aluno e a glorificação do nome do Senhor Jesus!

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