LIÇÃO Nº 3 – DESAFIOS DA EDUCAÇÃO MATERIALISTA
A família e a igreja precisam tomar consciência do papel que devem assumir na educação nestes tempos trabalhosos.
INTRODUÇÃO
- Os dias em que vivemos não só são dias onde a iniqüidade é preponderante, mas dias em que o pecado se multiplica intensamente. Um dos fatores de multiplicação da maldade está no sistema educacional, que tem conseguido formar milhões de pessoas segundo os rudimentos do mundo, segundo a tradição dos homens, mas não segundo Cristo (Cl.2:8).
- Caber aos genuínos e autênticos servos do Senhor, nos lares e nas igrejas locais, bem como em instituições educacionais a serem mantidas pelo povo de Deus, tentar neutralizar, na medida do possível, este funesto e exitoso trabalho do inimigo: de, desde a tenra infância, afastar os seres humanos de um contacto com Deus.
I – O QUE É E ONDE DEVE SER REALIZADA A EDUCAÇÃO
- “Educação”, entre outros significados, é “aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano”. Vem da palavra latina “educatio”, cujo significado é “ação de criar, de nutrir; cultura, cultivo”. O verbo “educo” , em latim, significa, por sua vez, “criar (uma criança); nutrir; amamentar, cuidar, educar, instruir, ensinar”.
- Pelo que se pode perceber, portanto, a educação é o processo pelo qual se instrui alguém, pelo qual se forma uma pessoa, um ser humano. O homem, como não é movido apenas por instintos, tem necessidade de ser “educado”, ou seja, a ser formado a fim de atingir o pleno desenvolvimento de suas habilidades e de suas capacidades. “…No sentido bíblico, o processo da educação combina-se com os princípios espirituais que, segundo se espera, emprestam poder e significado aos ensinos que transcendem os meios intelectuais normais e os meios humanos práticos…” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, p.126).
OBS: Ellen White, a principal doutrinadora dos adventistas, sempre teve uma preocupação muito grande com a educação, tanto que a Igreja Adventista se notabiliza pelo grande número de instituições educacionais que mantêm em todo o mundo. Esta preocupação de White deve ser louvada e é um exemplo que devemos seguir, a despeito de seus entendimentos doutrinários. White afirmou, com razão, que “…verdadeira educação significa mais do que avançar em certo curso de estudos. É muito mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmônico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para a satisfação do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro.…” (WHITE, Ellen G. Educação, p.13. Disponível em: http://www.ellenwhitebooks.com/index2.asp?lista=36 Acesso em 01 mar. 2007).
- Esta necessidade que o homem tem de ser educado, realça o grande valor que tem o processo de educação, processo este que se inicia no lar, na família, que é o primeiro grupo a que pertence a pessoa, como, aliás, vimos na lição anterior. A educação é uma das funções básicas e indispensáveis da família e, já por este prisma, percebemos quanto o adversário de nossas almas tem conseguido prejudicar a formação dos seres humanos, na medida em que tem atacado e destruído as famílias, privando, assim, os homens do seu principal ambiente educacional.
OBS: “…Em Sua sabedoria, o Senhor determinou que a família seja o maior dentre todos os fatores educativos. É no lar que a educação da criança deve se iniciar. Ali está a sua primeira escola. Ali, tendo seus pais como instrutores, terá a criança de aprender as lições que a devem guiar por toda a vida – lições de respeito, obediência, reverência e domínio próprio. As influências educativas do lar são uma força decidida para o bem ou para o mal. São, em muitos sentidos, silenciosas e graduais, mas, sendo exercidas na direção devida, tornam-se fator de grande alcance em prol da verdade e justiça. Se a criança não é instruída corretamente ali, Satanás a educará por meio de fatores de sua escolha. Quão importante, pois, é a escola do lar! Na escola do lar, que é o curso inicial, deve-se utilizar o melhor talento. Sobre todos os pais repousa o dever de proporcionar instrução física, mental e espiritual. Deve ser o objetivo de cada pai alcançar para seu filho um caráter bem equilibrado e simétrico. Tal é uma obra de não pequena grandeza e importância, e que requer ardoroso pensamento e oração, não menos que esforço paciente e perseverante. Deve-se pôr um fundamento correto, fazer uma armação forte e firme, prosseguindo então, dia após dia, na obra de edificar, polir e aperfeiçoar. As crianças podem ser adestradas para o serviço do pecado, ou para o serviço da justiça. Diz Salomão: “Instrui ao menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer, não se desviará dele.” Prov. 22:6. Esta maneira de falar é positiva. O ensino que Salomão ordena, consiste em dirigir, educar e desenvolver. Mas a fim de fazerem os pais essa obra, devem eles próprios compreender o “caminho” em que a criança deve andar. É impossível aos pais dar a seus filhos o devido ensino, a menos que eles primeiramente se entreguem a Deus, aprendendo do grande Mestre lições de obediência à Sua vontade.…” (WHITE, Ellen G. Conselhos Pais, Professores e Estudantes, pp.107-8. Disponível em: http://www.ellenwhitebooks.com/index2.asp?lista=36 Acesso em 01 mar. 2007).
- A importância da educação no seio da família é tanta que, ao dar a lei ao povo de Israel por intermédio de Moisés, o Senhor enfatizou a necessidade que tinha o povo de ensinar a lei nos lares, os pais para os filhos, mandamento este que, por ter sido devidamente seguido pelos israelitas, permitiu que a cultura judaica tivesse subsistido até os dias de hoje. Com efeito, por terem cumprido o que se estabeleceu em Dt.6:6-9, Israel pôde subsistir enquanto nação apesar de todas as perseguições, da perda da terra e da dispersão, que o fizeram não ter sequer uma pátria durante quase dois mil anos.
- A educação deve ser feita, primeiramente, no lar, na família. Cabe aos pais a instrução inicial aos filhos, a ministração dos princípios de convivência, de relacionamento, de moral e, notadamente, de espiritualidade, princípios estes que, uma vez incutidos na criança, ser humano ainda em formação, jamais serão por ela esquecidos, como, aliás, nos atesta o sábio Salomão (Pv.22:6).
- A família foi criada por Deus, entre outros objetivos, para que se pudesse ensinar às crianças, às novas gerações, para que se instruíssem os seres humanos que nos seguem nesta missão de dominar sobre a criação terrena (Gn.1:26) como devem viver e viver de acordo com a vontade do Senhor. Há uma imposição divina para que os pais “intimem” seus filhos a respeito da Palavra de Deus(Dt.6:7), ou seja, que usem de sua autoridade para chamar seus filhos ao conhecimento da verdade (Jo.17:17), para o conhecimento da vontade do Senhor para nossas vidas.
- Lamentavelmente, como tivemos ocasião de ver na lição anterior, o mundanismo tem prejudicado muito o trabalho da família, inclusive o de educação. Para que haja educação no lar, é preciso que haja comunicação. Moisés é claro ao dizer que a “intimação” da Palavra de Deus se dá através da fala e do companheirismo que devem existir em uma família, elementos que, como vimos, estão rareando, escasseando nas famílias dos nossos dias.
- Esta necessária educação dentro do lar é um dever de todo ser humano, visto que a família foi criada por Deus para toda a humanidade, mas é uma realidade muito mais presente para os servos do Senhor, que têm comunhão com Ele e que, por isso, têm o Espírito Santo em si (Jo.14:17), Espírito este que nos faz lembrar tudo quanto foi ensinado nas Escrituras (Jo.14:26).
- No entanto, o que se tem percebido, nestes tempos trabalhosos, é que os pais têm negligenciado grandemente com este dever. Estão a repetir o erro da geração da conquista da Terra Prometida que, apesar de ter sido abençoada pelo Senhor com a vitória sobre os inimigos e o estabelecimento na terra que manava leite e mel, não atendeu às exigências prescritas na lei e deixou de ensinar a seus filhos a Palavra de Deus (Jz.2:10). O resultado foi catastrófico para o povo, que permitiu que a idolatria invadisse e prejudicasse grandemente não só a vida espiritual, mas todos os aspectos da vida na Palestina (Jz.2:11-15).
- A negligência de uma educação familiar nos moldes determinados pela Bíblia Sagrada é a principal brecha que se abre para a destruição das famílias e para a prevalência do que o ilustre comentarista denominou de “educação materialista”, que preferimos denominar de “educação mundana”, uma vez que, nos tempos trabalhosos em que estamos a viver, não só há uma “educação materialista”, mas, nos últimos tempos, tem aparecido também uma “educação espiritualista” espúria, que está, nitidamente, preparando terreno para o reinado do Anticristo.
- A educação familiar deve não só abarcar a “lei moral”, como defendia o estudioso francês Frederic Le Play (1806-1882), que já, naquela época, via com preocupação a desintegração familiar na Europa e a falta de ensino da moral por parte dos pais aos filhos, mas também a Palavra de Deus, visto que é ela o principal alimento que deve nutrir o ser humano, já que “…nem só de pão o homem viverá, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus” (Mt.4:4b).
- A ausência de uma educação familiar nos lares dos que cristãos se dizem ser, nos nossos dias, é o fator primordial para a escalada da “educação mundana” e para os grandes prejuízos que têm acometido nossas crianças e jovens nas igrejas locais. Quando observamos, ainda, a história do povo de Israel depois da morte de Josué, notamos, claramente, que foi através da negligência na educação familiar que a idolatria prevaleceu no meio do povo, como se vê dos capítulos 17 e 18 do livro de Juízes, quando se vê que a negligência na educação de Mica foi o fator inicial que levou toda a tribo de Dã à idolatria (veja-se nosso estudo “Uma família desmantelada” na seção Estudos Bíblicos do Portal Escola Dominical).
- Embora se deva iniciar pela família, a educação não se esgota na família. O ambiente familiar, embora seja essencial na vida de um ser humano, não é completo. Os homens têm de interagir, exercer todas as atividades reclamadas para um convívio social e, por isso, a educação não se esgota no lar. A formação essencial deve ser feita no lar, mas tem de ser complementada na sociedade.
- Surge, então, a “escola”, que é a instituição educacional por excelência, o espaço criado na sociedade para complementar a instrução e a educação de cada um, com a tarefa de permitir a convivência dos homens na sociedade, visando uma certa uniformização de condutas e de procedimentos. Em cada família, as pessoas gozam de uma certa intimidade, de um espaço “particular”, reservado, onde os outros não devem ingressar, tanto que, para demonstrar a proximidade, a intimidade que o homem deve ter com Deus, o Senhor Jesus não hesitou em usar a figura de Deus como Pai (Mt.6:6,9). No entanto, é preciso que tenhamos uma vida “pública”, num espaço comum a todos e esta vida “pública” exige, também, uma educação, que será a fornecida pela “escola”.
- “Escola”, como diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é o “estabelecimento público ou privado onde se ministra ensino coletivo”. Vem da palavra latina “schola”, que era o “lugar nos banhos onde cada um espera a sua vez”, palavra que, por sua vez, vem do grego “skholê”, cujo significado é “descanso, repouso, lazer, tempo livre; estudo”. Era um local onde as pessoas da elite grega, que não precisavam trabalhar (pois o trabalho era feito pelos seus escravos), aproveitavam o tempo livre para discutir, debater e aprender coisas novas. Tinha-se, pois, um ensino coletivo, uma forma de as pessoas adquirirem conhecimento em conjunto, conhecimento este a ser utilizado no dia-a-dia da vida na cidade, da vida “pública”.
- Assim é que, se aprendemos a falar e as “boas maneiras” em nossos lares, na escola é que aprendemos a ler e a escrever, segundo as normas estabelecidas pela sociedade, como também os conhecimentos básicos de todas as áreas do saber humano. Em Israel, as “escolas” eram, normalmente, as sinagogas (isto após o cativeiro da Babilônia), onde as crianças eram ensinadas na Palavra de Deus, numa complementação do que lhes era ministrado nos lares. A propósito, esta preocupação de se complementar o ensino no lar no coletivo se encontra já na lei de Moisés, onde se mandava ler integralmente a lei para o povo, a cada sete anos, precisamente para suprir alguma deficiência do ensino familiar (Dt.31:10-13).
- Desde cedo, muitos pensadores viram na “escola” o principal espaço para incutir na sociedade os valores que se pretendiam ser cultivados. O filósofo grego Platão, por exemplo, defendeu a substituição da família pela escola, com a inserção da criança no ambiente escolar já na mais tenra idade, como uma forma de gerar uma sociedade totalmente voltada para o interesse público, uma sociedade despida de quaisquer laços familiares, que, para aquele filósofo grego, impediam o “progresso da cidade”.
- A utilização da “escola” como meio de disseminação de valores e princípios que servissem aos interesses deste ou daquele grupo, portanto, é algo quase tão antigo quanto a própria humanidade. Se os homens, falhos como são, menores do que os anjos como são (Sl.8:5), assim já perceberam, que dizer do adversário de nossas almas, a mais astuta das alimárias do campo (Gn.3:1)? Como disse o apóstolo Paulo, não podemos ignorar seus ardis (II Co.2:11).
- Nos nossos dias, o Estado tem assumido para si, em grande medida, a tarefa educacional coletiva. A Constituição brasileira, por exemplo, estabelece que se trata de um dever do Estado e da família (artigo 205), a demonstrar, portanto, que vigora, no mundo, a idéia de que a escola é algo que deve ser administrado e gerenciado pelo Estado. Como o Estado é laico, ou seja, não tem nem pode ter qualquer vínculo religioso, vemos, de pronto, que a tarefa educacional dispensa a dimensão espiritual, a questão do relacionamento com Deus.
- Este tem sido um dos traços característicos da educação dos nossos dias. Até meados do século XX, em alguns países ocidentais ainda existia uma educação centrada na Bíblia Sagrada e nos valores por ela evidenciados, notadamente nos Estados Unidos da América, onde boa parte dos chamados “pais fundadores” eram cristãos praticantes. No entanto, paulatinamente, foram prevalecendo concepções educacionais totalmente contrárias a esta vinculação bíblica, tanto que, nos próprios Estados Unidos, sob o comando de John Dewey (1859-1952), se promoveu uma reforma educacional, que desvinculou totalmente o sistema de um viés religioso.
- O resultado disto é que o ambiente escolar passou a ser hostil em relação à Palavra de Deus. Prevaleceram nas formulações pedagógicas posicionamentos contrários à Bíblia Sagrada e a seus valores, resultantes das idéias ateístas e materialistas que tomaram conta da produção científica e filosófica a partir do século XIX. O resultado disto é que aumentou a responsabilidade do lar e da igreja local na formação das crianças, adolescentes e jovens, uma vez que o ambiente escolar passou a ser utilizado como crítico e adversário dos ensinos bíblicos.
- Muitos passaram a defender, então, a criação de escolas cristãs, mantidas pelas igrejas locais, onde se teria uma educação que não fosse hostil aos princípios bíblicos. Mas, esta iniciativa não produziu os melhores resultados, tendo em vista que, em primeiro lugar, é uma atitude sectarista, de separação dos pecadores, o que contraria o ensino de Jesus a respeito, que nos manda ser “sal da terra” (Mt.5:13) e “luz do mundo” (Mt.5:14).
OBS: “…O desejo de criar escolas cristãs, separadas do sistema educacional público, não foi inspirado pelo espírito exclusivista e, sim, devido à desintegração ora e dos padrões educacionais do sistema escolar público. Em muitos lugares, professores céticos e ateus têm procurado destruir os ensinos e ideais cristãos. Este é um grande fator que ultimamente tem inspirado a criação de escolas e instituições educativas cristãs. Outro problema que tem levado as igrejas a manterem suas escolas cristãs é o mundanismo. Embora não tem sido tarefa fácil manter seus estudantes livres do ataque contra a moralidade…” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, pp.130-1)
- Em segundo lugar, o Estado não só assumiu a tarefa educacional, como também determinou princípios a serem observados pelos particulares que quisessem exercer esta atividade (nos países em que se permite que particulares assumam tal tarefa, o que nem sempre ocorre). Assim, por exemplo, no Brasil, são princípios que devem reger a atividade educacional (artigo 206 da Constituição da República), entre outros, a igualdade de condições para acesso e permanência nas escolas (o que impede, por exemplo, a vedação de pessoas num estabelecimento por causa de sua confissão religiosa), a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber (o que impede a restrição ao ensino e aprendizado por parte da direção do estabelecimento), o pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas (o que torna inviável a adoção de uma linha única de pensamento). Tem-se, portanto, que está muito limitado o espaço para as chamadas “escolas cristãs”, que, desta maneira, não conseguem, por si só, resolver este problema com a sua simples existência.
- Por causa disso, tem-se que a melhor maneira de se impedir o prejuízo do ambiente escolar hostil à sã doutrina é a do reforço da educação familiar, bem como da mobilização da igreja local para que em uma “missão educadora paralela” possa demonstrar às crianças, adolescentes e jovens a concepção bíblica a respeito dos conteúdos ministrados. Isto exige um aprimoramento das atividades de ensino da igreja local (inclusive da Escola Bíblica Dominical), como também um acompanhamento mais intenso dos pais em relação ao desempenho escolar de seus filhos, a fim de lhes permitir, num diálogo franco e aberto, que discutam o que estão a aprender na escola, a fim de que seja o que foi ministrado devidamente cotejado com o que ensina a sã doutrina.
OBS: “…A Igreja precisa intensificar seus esforços na educação secular e religiosa, pois ela é colocada por Cristo como o sal da Terra. E só ela tem a capacidade de ser utilizada pelo Espírito Santo para a purificação moral deste mundo, pois só ela foi comissionada a levar a mensagem do Evangelho que ‘é poder de Deus para salvação de todos aqueles que nele crer’. Cada templo cristão pode se tornar um lugar de ensino moralizador, a fim de que nossas crianças e jovens, juntamente com seus pais, possam receber a instrução necessária, capaz de reverter o quadro de miséria, que levou este mundo à corrupção e violência. Ensinar é preciso!…” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, pp.132-3).
- Vemos aqui a grande dificuldade que se encontra na atualidade a igreja do Senhor. Num ambiente em que há negligência da educação familiar, há necessidade de maior intensidade na educação familiar. Não surpreende, portanto, que tenhamos um alto índice de afastamento da Palavra de Deus entre os “filhos de crentes” que, sem serem devidamente instruídos no lar, ainda são alvo dos dardos inflamados do inimigo no ambiente escolar.
OBS: “…A educação que começou dentro de casa, com os próprios pais, tem se tornado coisa de segundo plano. Pais que, ocupados com seus afazeres, por trabalho ou por divertimento, pouco ou nada conversam com os filhos, e a falta de diálogo tem como resultado o desrespeito e a desobediência. Outros, por necessidades, vêem-se forçados a deixarem seus filhos com estranhos, que nenhuma responsabilidade sentem de educar, simplesmente estão em busca de salários para sobrevivência. Muitos filhos são lançados pelas ruas das grandes cidades, por pais irresponsáveis, e passam a ser escravos do submundo, sem qualquer ensino de moralidade, tornando-se bandidos e vítimas dos vícios, e este abandono da educação familiar acaba por oferecer uma geração desprovida de responsabilidade, revoltada contra a própria sociedade e, por vezes, capaz de odiar os próprios pais. Cabe a cada denominação religiosa, sem sectarismo religiosos, fazer sua parte na difícil tarefa de reverter este quadro desastroso, que colocou o mundo numa terrível miséria por falta de sabedoria.’A sabedoria é a coisa principal; feliz o homem que a encontra e aquele que adquire conhecimento’ (Provérbios 3.13)…” (SILVA, Osmar J. da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, p.132).
- Como se não bastasse isso, recentemente, tivemos conhecimento de que está a findar um trabalho em uma universidade das mais conceituadas do país onde educadores estão a demonstrar que, no Brasil, na contra-mão dos outros países, o índice de analfabetismo funcional está aumentando entre as crianças de lares ditos evangélicos. Analfabetismo funcional é a condição da pessoa que “sabe” ler e escrever, mas não entende o que lê, é incapaz de explicar o que leu. Em outras palavras, é aquela pessoa que mal sabe escrever seu nome e que não tem capacidade de pensar o que lê. Normalmente, as crianças de lares ditos evangélicos são as que apresentam o menor índice de analfabetismo funcional, porque, desde cedo, são levadas a ler a Bíblia e a entender a sua mensagem.
- Pois bem, segundo esta pesquisa, que está em vias de conclusão, nos últimos dez anos, este índice aumentou no Brasil, exatamente porque as crianças não são levadas mais a ler a Bíblia, nem mesmo nas Escolas Dominicais, onde os métodos audiovisuais têm substituído a leitura da Palavra de Deus. Vemos, pois, como são grandes os desafios apresentados pela realidade educacional: em tempos em que a escola está a serviço da descrença, sendo utilizada como ferramenta para distorção da verdade, as crianças evangélicas do Brasil são desestimuladas a ler a Bíblia Sagrada! Não surpreende, pois, que, com praticamente 20% da população, os presídios tenham cerca de 40% de “filhos de crentes” ou os reformatórios, cerca de 50%…
OBS: Não é triste sabermos que alguns dos criminosos que chocaram o Brasil com a morte do menino João Hélio, no mês de fevereiro de 2007, no Rio de Janeiro, sejam “filhos de crentes” ? Não é este mais um estímulo, mais uma advertência divina para que levemos mais a sério a educação de nossos filhos sob o ponto-de-vista espiritual?
II – O MATERIALISMO
- O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define materialismo como sendo a “doutrina que identifica, na matéria e em seu movimento, a realidade fundamental do universo, com a capacidade de explicação para todos os fenômenos naturais, sociais e mentais”. Como ensinam Hilton Japiassu e Danilo Marcondes, “…de modo gera, portanto, o materialismo nega a existência da alma (…), bem como a realidade de um mundo espiritual ou divino cuja existência seria independente do mundo material. O próprio pensamento teria uma origem material, como um produto dos processos de funcionamento do cérebro.…” (Materialismo.In: Dicionário básico de filosofia, p.163).
- O materialismo caracteriza-se, portanto, como todo e qualquer pensamento que entende que, no universo, só existe a matéria, ou seja, substância sólida, corpórea. Este pensamento não é novidade na história da humanidade. Os primeiros filósofos ocidentais, na Grécia, voltaram-se para a discussão a respeito do que seria a matéria e não poucos deles viram a realidade como sendo puramente material.
- O primeiro deles foi Demócrito (460-370 a.C.), que apresentou uma teoria em que “supõe a gênese da natureza, e até da alma humana, a partir do movimento, da agregação e da dissociação de porções mínimas e indivisíveis de matéria, os átomos, que não foram criados nem antecedidos por qualquer divindade ou força imaterial”. Para este filósofo, cuja teoria foi denominada de “atomismo”, portanto, a origem de todas as coisas era fruto dos átomos, partículas materiais que seriam as fontes de todas as coisas que existiam no universo, átomos estes que não teriam sido criados por ninguém. Tudo, inclusive a alma, seria material, portanto, formada destes átomos.
- O pensamento de Demócrito encontrou grande guarida no mundo grego e, por conseguinte, em todo o mundo conhecido de então, já que Demócrito viveu numa época em que a cultura grega estava se espalhando pelo mundo todo, tendo tido receptividade em vários povos e movimentos, entre os quais destacamos os seguintes:
a) Epicuro e seus seguidores, os epicureus (At.17:18) – Epicuro, outro filósofo grego (341-270 a.C.), foi influenciado pelo pensamento de Demócrito, tendo fundado um movimento filosófico que durou por alguns séculos na Grécia e em Roma. Para ele, os átomos eram a explicação última do mundo e nada existiria a não ser os átomos e o vazio entre eles. Por isso, entende que não se deve perguntar sobre a existência de Deus e defende que se deve buscar o máximo prazer nesta vida, pois, depois da morte, nada haveria. Por isso, os epicureus estranharam tanto a pregação de Paulo a respeito da ressurreição e de Jesus. A influência do pensamento de Epicuro foi tão grande entre os judeus que o Talmude (o segundo livro sagrado do judaísmo) chega a chamar aquele que ataca a fé como sendo “o epicurista”.
OBS: Eis o texto do tratado “Pirke Avot” (Ética dos Pais) do Talmude: “Rabi Eleazar diz: Sê diligente no estudo da Tora, sabe o que deves responder ao epicurista…” (2:19a) (apud Irving M. BUNIM. A ética do Sinai. Trad.Dagoberto Mensch, p.121).
b) os saduceus (Mt.22:23; Mc.12:18;Lc.20:27) – A seita judaica dos saduceus, que parecem retirar seu nome de Zadoque, que, segundo alguns, é o sumo sacerdote nos tempos de Davi e Salomão e, segundo outros, um discípulo de Antígono de Soco, mestre judaico que foi um dos “homens da Grande Assembléia”, o grupo formado por Esdras e Neemias para serem os grandes estudiosos e intérpretes da lei em Israel após o exílio, tinha como sua característica principal o materialismo, a total descrença na alma ou na existência de algo além da matéria, fruto inegável da influência exercida sobre eles do pensamento filosófico grego materialista.
OBS: Corroborando o que nos ensinam as Escrituras a respeito dos saduceus, transcrevemos o que fala dos saduceus o historiador judeu Flávio Josefo: “…Os saduceus, ao contrário, negam absolutamente o destino e crêem que, como Deus é incapaz de fazer o mal, Ele não Se incomoda com que os homens fazem. Dizem que está em nós fazer o bem e o mal, segundo nossa vontade nos leva a um ou a outro e as almas não são nem castigadas nem recompensadas num outro mundo…” (Guerra dos judeus contra os romanos II,12,153. In: Flávio JOSEFO. História dos hebreus. Trad. Vicente Pedroso. v.3, p.60).
- Além de Demócrito, os estóicos (At.17:18) foram outro grupo que bem representou o materialismo na Antigüidade. O estoicismo foi um movimento filosófico que surgiu na Grécia com Zenão de Cício(334-262 a.C.), mas que perdurou também por alguns séculos, que também tinha no materialismo uma de suas principais características. Segundo eles, o universo é composto unicamente de matéria, que, ao contrário dos epicureus e atomistas, é algo contínuo. O mundo seria um todo orgânico animado pelo “logos”, o princípio vital. Tudo seria, pois, material, não existindo coisa alguma além da matéria.
- O materialismo, porém, sempre sofreu grande oposição nos círculos intelectuais antigos. Além da predominância da religião na Antigüidade, como já tivemos ocasião de verificar neste trimestre, religiões que sempre procuravam explicar o sobrenatural, quando não negavam precisamente a matéria (como é o caso do hinduísmo e do budismo), devemos observar que os dois principais filósofos do Ocidente, Aristóteles e Platão, admitiam a existência de coisas imateriais, às quais davam maior importância do que às materiais, notadamente Platão, cuja escola de filosofia (a Academia) duraria mil anos depois de sua morte.
- Com a vinda de Cristo e a evangelização do mundo por intermédio da Igreja, então, o materialismo teria mais uma oposição e o triunfo do pensamento cristão, apesar da apostasia que nele logo se infiltrou, foi, sem dúvida alguma, um grande entrave para a proliferação do materialismo na Idade Média, tendo também contribuído para isto o surgimento do islamismo, igualmente uma religião que menosprezava esta espécie de pensamento.
- O materialismo, porém, retomaria vigor a partir do final da Idade Média, dentro das conseqüências do antropocentrismo, ou seja, do pensamento que punha o homem no centro do mundo, no centro do universo. A partir do momento que o homem passou a valorizar a si mesmo e a sua razão, bem como a ciência e a tecnologia, quase que automaticamente dava fôlego a novas formulações materialistas.
- Os primeiros filósofos e cientistas modernos não foram materialistas, admitindo a existência da alma e de substâncias incorpóreas, como é o caso do filósofo francês René Descartes (1596-1650), mas, a partir das descobertas científicas, principalmente da física, surge um pensamento chamado de “mecanicismo”, em que a natureza passou a ser entendida como uma “máquina cega”, pensamento este que encontrou guarida em vários escritores do chamado “Iluminismo”, pensadores do século XVIII, entre os quais os franceses Barão de Holbach (1723-1789), para quem a matéria é a única realidade e Denis Diderot (1713-1784), organizador da Enciclopédia, que afirma que de um animal saíram todos os demais, de um só ato da natureza.
- O desenvolvimento do pensamento materialista só aumentaria depois da Revolução Francesa (1789). A crença na ciência e na razão faria com que, cada vez mais, fossem desprezados os argumentos espirituais e de fé por parte dos estudiosos. Até mesmo os teólogos passaram a querer justificar científica e naturalmente a Palavra de Deus, o que fez com que surgissem os movimentos da crítica bíblica e uma teologia que consideraria as narrativas sobrenaturais da Bíblia como simples lendas ou crendices. Era o fermento materialista invadindo os próprios seminários e institutos de teologia! O aparecimento das teorias evolucionista, através de Herbert Spencer(1820-1903) e de Charles Darwin(1809-1882), e do chamado “materialismo histórico”, de Karl Marx (1818-1883) e de Friedrich Engels (1820-1895), fariam com que o materialismo atingisse seu ponto mais alto de aceitação na história do Ocidente.
- Herbert Spencer teve uma educação alheia à religiosidade, tendo cedo se dedicado, por influência dos pais, ao estudo autodidático da ciência e da história. Nestes seus estudos, acabou convencido de que havia um princípio que regularia todas as coisas no universo, o princípio da evolução, tendo, a partir de então, escrito diversas obras para mostrar como tudo era fruto da evolução. Este seu pensamento, apresentado cerca de dez anos antes das obras de Charles Darwin, teria grande repercussão e influenciaria muito a classe intelectual da Europa e dos Estados Unidos.
- Charles Darwin acolheria esta idéia evolucionista de Spencer e consideraria que ela estava comprovada em suas pesquisas feitas em viagens ao longo do planeta, tendo, então, concluído que a vida na Terra era fruto de uma evolução, idéia esta que reforçou tanto a postura materialista a respeito do mundo, como o ideário ateísta que já contaminava o mundo nesta segunda metade do século XIX.
- Este pensamento atingiria, no que tange ao estudo das chamadas “ciências humanas”, seu ápice na formulação do chamado “materialismo histórico” de Karl Marx e Friedrich Engels. Para estes, a história da humanidade sempre havia sido a história da luta pelo controle das coisas materiais e a isto se reduzia o homem. Não havia nada de espiritual, mas todas as supostas manifestações sobrenaturais e idéias imateriais nada mais seriam que justificativas, ilusões que tinham a finalidade de mascarar a “luta de classes”, ou seja, o conflito entre os homens pela posse das riquezas e dos bens materiais.
OBS: “…o materialismo filosófico marxista parte do princípio de que a matéria, a natureza, em suma, o ser é uma realidade objetiva, que existe fora e independentemente da consciência; que a matéria é um dado primário, pois ela é a fonte das sensações, das representações, da consciência, enquanto que a consciência é um dado secundário, derivado, pois ela é o reflexo da matéria, o reflexo do ser; que o pensamento é um produto da matéria, quando esta atingiu, no seu desenvolvimento, um alto grau de perfeição; mais precisamente, o pensamento é produto do cérebro, e o cérebro, o órgão do pensamento; não podemos, por conseguinte, separar o pensamento da matéria, sob pena de cairmos num erro grosseiro…” (Joseph STÁLIN. Materialismo dialético e materialismo histórico, p.10-1 apud Georges POLITZER, Guy BESSE e Maurice CAVEING. Princípios fundamentais de filosofia. Trad. João Cunha Andrade, p. 137).
- O pensamento materialista de Marx e Engels, complementado depois por Lênin (1870-1924) e Mao Tsé-Tung (1893-1976), seria o condutor dos regimes comunistas implantados no mundo a partir de 1917, com a criação da União Soviética, regimes que perdurariam até o final da década de 1980 em praticamente metade do planeta e que ainda vigoram em Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e na China, o segundo maior país do mundo em extensão e o mais populoso do planeta. Vemos, pois, que o materialismo passou a ser pensamento dominante em grande parte do planeta durante quase todo o século XX.
- A queda dos regimes comunistas e a própria decepção surgida com o fracasso dos regimes comunistas antes mesmo de seu desmoronamento foram fatores que provocaram um nítido recuo no pensamento materialista nos últimos anos, dando margem, ao surgimento de uma “nova espiritualidade”, que tem crescido grandemente em todo o mundo, inclusive nos países que ainda adotam o pensamento materialista marxista. No entanto, apesar deste recuo no mundo intelectual, o materialismo está longe de deixar de ser uma característica do mundo pós-moderno, pois, apesar de o pensamento materialista ter crescido em virtude da modernidade, o fato é que a prática materialista, mais até do que o pensamento materialista, é algo que só tem aumentado nos dias em que vivemos.
OBS: Esta “nova espiritualidade” tem, inclusive, lançado suas raízes inclusive nas cidadelas materialistas. A China, o maior país comunista do mundo, reinseriu os ensinos de Confúcio nas suas escolas.
III – ELEMENTOS DA EDUCAÇÃO MUNDANA DOS NOSSOS DIAS E COMO ENFRENTÁ-LOS
- Como acabamos de ver, o materialismo tornou-se preponderante no pensamento científico e filosófico no século XX e isto, evidentemente, influenciou a educação escolar. O pensamento materialista vem sendo divulgado insistentemente nas escolas, onde não há sequer mais espaço para o “ensino religioso”. Assim, mesmo nos países em que se permite o “ensino religioso” nas escolas, como é o caso do Brasil, a sua abrangência tem sido extremamente diminuta e sempre cercado de limitações que, praticamente, inviabilizam tal estudo. Além de voluntário (o que é compreensível, diante do caráter laico do Estado), tem-se proibido que o “ensino religioso” contenha “proselitismo”, expressão que, na verdade, exige do profissional do ensino religioso um “pluralismo” religioso o que, efetivamente, impede a ministração de qualquer estudo firmado na Bíblia Sagrada. Encontra-se aqui uma das medidas que podem ser tomadas pelos reais defensores da Palavra de Deus nas instâncias governamentais: a plena aplicação do que estabelece o artigo 210, § 1º da Constituição brasileira, que garante o ensino religioso de matrícula facultativa no horário normal das escolas de ensino fundamental, medida que foi implementada em pouquíssimos lugares (como no Estado do Rio de Janeiro) e, mesmo assim, sob críticas ferrenhas dos adversários da sã doutrina.
OBS: Eis o teor do artigo 210, § 1º da Constituição da República: “ O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.
- A implementação do ensino religioso na forma preconizada na Constituição, permitirá que se abra um espaço para que os pais se organizem nas escolas e peçam à direção que lhes seja facultada a ministração de aulas de ensino religioso, com a indicação de um professor devidamente habilitado por uma igreja local. Ter-se-á, assim, um espaço na escola em que se poderá neutralizar o ambiente escolar hostil às Escrituras. É um direito garantido que deve ser implementado e para isto estão aí os parlamentares que dizem representar o segmento evangélico.
- Enquanto não conseguimos conquistar este espaço precioso nas escolas, é preciso que, com sabedoria, também saibamos aproveitar do espaço que se dá, atualmente, nas escolas, à comunidade, em programas governamentais que procuram aproximar a escola da sociedade, os alunos e professores dos pais e responsáveis. Deve-se ocupar este espaço com atividades condizentes com o programa que está sendo executado mas com nítido viés evangelizador. Iniciativas relacionadas com o ensino profissionalizante, com reforço de disciplinas para concursos públicos, com artes e ofícios, com orientação a respeito de problemas gerais, farão com que o espaço escolar seja ocupado por pessoas comprometidas com a Palavra de Deus, cujo viver, cujas experiências e cujos princípios serão transmissores das Santas Escrituras. Estes espaços têm sido desprezados pelas igrejas locais e são ocupados por pessoas que tendem a aumentar e intensificar o conteúdo maligno transmitido pelas orientações pedagógicas prevalecentes em nosso sistema educacional.
OBS: Conhecemos um amado irmão que tem se dedicado à evangelização nas escolas, aproveitando, precisamente, desta aproximação. Orienta jovens e adolescentes e transmite mensagens relacionadas à “deontologia”, isto é, a ciência dos valores morais, de poucos minutos, nas salas de aula, continuadamente, divulgando, assim, a Palavra de Deus. Este irmão, porém, lamenta a falta de voluntários para este trabalho, pois, antes de adoecer, estava trabalhando em seis escolas e com pedidos de várias outras na região onde mora para exercê-lo.
- As escolas, porém, têm sido sistematicamente abandonadas pelas igrejas locais e, o que é mais grave ainda, pelos pais, que mal sabem o que se passa nos estabelecimentos escolares, nem mesmo se interessam em saber como anda o rendimento escolar de seu filho. Se nem se comunicam com seus filhos em casa, se nem cuidam da tarefa educacional no lar, como exigir que estão acompanhando o que os filhos estão a aprender na escola? Este triste quadro é a dura realidade dos nossos dias, dos tempos trabalhosos em que estamos. Faz-se preciso acompanhar o rendimento escolar dos filhos, ver o que estão a aprender na escola e cotejar o que eles têm aprendido com a Palavra de Deus. Somente assim poderemos impedir uma formação materialista e distorcida das Escrituras para nossos filhos.
- O ilustre comentarista aborda alguns pontos que têm se sobressaído na educação antibíblica que tem dominado o ambiente escolar dos nossos dias. Um deles é a educação sexual. Alguns governos têm se notabilizado pela inclusão nos conteúdos programáticos de conceitos de sexualidade completamente contrários à Palavra de Deus. Cabe aos pais, ao descobrir tais aberrações, ensinar o que é correto aos seus filhos e, se possível, exercer pressão sobre a escola para que excessos sejam evitados. A igreja local, também, deve promover a devida instrução a pais e filhos a respeito do assunto, impedindo, assim, a má formação educacional de seus membros.
OBS: Em uma grande capital do país, um governo (que foi dirigido, por sinal, por uma pessoa que se tornou conhecida nacionalmente por sua condição de “sexóloga”) implantou na rede municipal de ensino um programa de educação sexual que tinha como objetivo não permitir que os alunos fossem “induzidos” à “heterossexualidade”, a fim de que pudessem ter a devida “liberdade de opção sexual”. São coisas assim que devem ser combatidas mediante o ensino da sã doutrina em casa e na igreja local. E isto para não dizer da idéia do governo federal de colocar nas escolas “máquinas de camisinha”, como medida de prevenção da aids e outras doenças sexualmente transmissíveis…
- Não somos contrários à ministração de aulas de educação sexual nas escolas, pois se trata de assunto de evidente interesse coletivo, notadamente diante da promiscuidade reinante na atualidade. No entanto, dentro de um Estado Democrático de Direito, isto deve ser feito com o devido respeito aos valores morais e religiosos dos cidadãos, com, no mínimo, a permissão para que as diferentes opiniões e correntes doutrinárias existentes possam participar das ministrações. Aliás, o pluralismo é um dos princípios da educação, mas só é invocado para impedir o ensino da Palavra de Deus, nunca para permitir a sua explanação.
- A educação sexual é um assunto que deve ser tratado não só nas escolas, mas nos lares e nas igrejas locais. Há um grave problema, na atualidade, que é o de um inadmissível “tabu” que se criou nos lares evangélicos a respeito deste assunto, que é um tema importante e que se encontra perfeitamente delineado nas Escrituras. Os pais não falam com os filhos sobre o tema (participamos de uma pesquisa feita com jovens de um conjunto de igrejas locais em uma região da capital paulista e, para nossa tristeza, cerca de 90% dos jovens não tinham liberdade para falar de sexualidade com seus pais) e as igrejas locais também não comentam o assunto. O resultado é que nossos jovens e adolescentes são formados pelos “sexólogos” das escolas, que defendem tudo quanto é abominável ao Senhor. “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.” (Pv.22:6).
- Outro ponto apresentado pelo ilustre comentarista diz respeito à Nova Era nas escolas, o que revela que estamos não mais diante de uma simples “educação materialista”, mas de um sistema educacional “espiritualista”, animado pelo “espírito do anticristo”. O movimento Nova Era é uma reunião de forças diretamente administradas pelo adversário, por meio do que a Bíblia denomina de “espírito do anticristo” (I Jo.4:3), cujo objetivo declarado é promover a substituição dos “conceitos cristãos”, considerados já ultrapassados e historicamente esgotados (que corresponderiam a uma suposta “Era de Peixes”, uma era astrológica que teria durado cerca de 2 mil anos, desde o nascimento de Jesus), por novos “conceitos”, de uma “Nova Era” (a chamada “Era de Aquário”), onde “o homem alcançará um novo estágio evolutivo”, encontrará a sua “dimensão divina”.
- Este movimento tem se infiltrado como nunca na formulação das políticas educacionais dos países. As principais organizações imbuídas deste propósito foram, inclusive, as responsáveis pela criação e estabelecimentos dos principais organismos internacionais ligados à educação e à cultura (como a Organização das Nações Unidas para a Cultura, a UNESCO, por exemplo). Assim, tudo quanto tem se trabalhado em nível de educação e de teorias pedagógicas nas últimas décadas está fortemente influenciado por este ideal de substituição do “cristianismo” pela “Nova Era”, pelos “novos conceitos”. Tem-se, por exemplo, difundido, com muita intensidade, a idéia de que não se podem ensinar “padrões, regras e normas” aos alunos, pois isto seria “opressor”, incentivando-se uma “criatividade”, uma “postura inovadora”, que, no fundo, é o ensino aos jovens e adolescentes de que eles não têm de obedecer a ninguém e de que podem fazer o que bem quiserem, uma fórmula contemporânea da velha idéia já apresentada no Éden de que o homem poderia ser igual a Deus (Gn.3:5).
OBS: “…A cabeça dominante na confederação do mal trabalha continuamente para conservar longe de vistas as palavras de Deus, pondo ao contrário em foco as opiniões dos homens. Ele quer que não ouçamos a voz de Deus dizendo: “Este é o caminho, andai nele.” Isa. 30:21. Mediante pervertidos processos educativos está ele fazendo o possível para obscurecer a luz celeste. (…) Especulações filosóficas e pesquisas científicas em que Deus não é reconhecido, estão tornando céticos a milhares. Nas escolas de hoje são cuidadosamente ensinadas e amplamente expostas as conclusões a que os doutos têm chegado em resultado de suas descobertas científicas; por outro lado é francamente dada a impressão de que, se esses homens estão certos, não o pode estar a Bíblia. O ceticismo exerce atração sobre o espírito humano. A juventude nele vê uma independência que lhe seduz a imaginação, e é iludida. Satanás triunfa. Ele alimenta toda semente de dúvida lançada no coração juvenil. Faz com que ela cresça e dê frutos, e em pouco tempo são colhidos os frutos de incredulidade. É por ser o coração humano tão inclinado ao mal, que tão perigoso é semear o ceticismo nos espíritos jovens. Seja o que for que enfraqueça a fé em Deus, rouba a alma do poder de resistir à tentação. Remove a única salvaguarda real contra o pecado …” (White, Ellen G. Conselhos sobre educação, p.235. Disponível em: http://www.ellenwhitebooks.com/index2.asp?lista=20 Acesso em 01 mar. 2007).
- Como se não bastasse isso, há uma tendência, também, a inserir nos conteúdos programáticos técnicas estimuladas e incentivadas pelo movimento Nova Era, como relaxamento, meditação, cursos holísticos de diversa natureza, tudo com a finalidade de incutir nos jovens e crianças uma atração pelo esotérico, pelo mágico, pela “nova espiritualidade”. Tais iniciativas devem ser combatidas pelos pais cristãos, bem como pela igreja local, vez que são indevidas inserções de religiosidade e de proselitismo religioso nos conteúdos curriculares, o que torna tais atividades, no mínimo, facultativas dentro do ambiente escolar.
OBS: Há alguns anos atrás, no Portal Escola Dominical, tivemos conhecimento de que uma determinada rede municipal de ensino havia imposto a seus alunos um “curso pela paz”, na verdade, uma iniciação na doutrina de um certo “guru”, atividade obrigatória e que envolvia, no final do curso, até um ritual de adoração a alguns “defensores da paz”. Apesar do caráter obrigatório imposto para a atividade, uma salutar movimentação de educadores cristãos, pais de alunos e algumas igrejas locais conseguiu fazer com que o governo retirasse a obrigatoriedade da atividade.
- Não bastasse a própria oficialização destas atividades, o fato é que, nas escolas, há, na atualidade, um nível assustador de práticas contrárias à Palavra de Deus. Não são poucas as escolas que se converteram em antros de promiscuidade, em centros consumidores de drogas, em lugares onde a violência e a criminalidade imperam. As escolas deixaram de ser aqueles locais de prazer e de aproveitamento do ócio para o enriquecimento cultural e para a formação, para serem locais de risco de vida, tanto física quanto espiritual. Esta realidade tem de ser assumida pelos cristãos, que deverão preparar convenientemente seus filhos para o dia-a-dia de combate direto contra as trevas e contra a maldade, pois não podemos nos esquecer, mormente nos dias difíceis em que estamos a viver que devemos ser “…irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo.” (Fp.2:15).
OBS: “…Para que protejam seus filhos das influências corruptoras, devem os pais instruí-los nos princípios da pureza. As crianças que no lar formam hábitos de obediência e domínio próprio terão pouca dificuldade na vida escolar, e escaparão de muitas tentações que assediam os jovens. Devem os pais ensinar seus filhos a serem fiéis a Deus sob todas as circunstâncias e em todos os lugares, cercando-os de influências que tendam a fortalecer o caráter. Com tal disciplina, as crianças, quando mandadas à escola, não serão causa de perturbação ou ansiedade. Serão um apoio aos professores, e exemplo e animação aos colegas.…” (WHITE, Ellen G. Conselhos Pais, Professores e Estudantes, p.150. Disponível em: http://www.ellenwhitebooks.com/index2.asp?lista=36 Acesso em 01 mar. 2007).
Colaboração para o Portal Escola Dominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.
fonte: www.escoladominical.com.br