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O blog da Escola Bíblica Dominical

Posts de Agosto, 2006

Perfil de candidatos

Publicado por Editor em 2006/08/11

Projeto Excelências reúne históricos de candidatos à Câmara dos Deputados
http://www.transparencia.org.br/
Entrou no ar no portal do iG o projeto Excelências, da Transparência Brasil, um cadastro com os históricos de todos os candidatos que buscam reeleição à Câmara dos Deputados, e mais ex-ministros, ex-senadores, ex-governadores e ex-prefeitos de capital que tentam eleger-se deputados federais.

Os históricos de cada candidato incluem apenas dados de domínio público. O projeto Excelências colige e apresenta essas informações num lugar só. Os dados incluem:

Dados pessoais básicos e funções públicas que os candidatos exerceram.
Informações sobre o desempenho legislativo dos candidados, como faltas, votações, uso de verbas de gabinete, emendas ao Orçamento apresentadas nos últimos anos.
Declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral.
Doadores de campanhas eleitorais passadas (2002 e, no caso daqueles que se candidataram a prefeito em 2004, também estes).
Principais menções publicadas na imprensa em que o candidato aparece ligado a algum caso de corrupção.

Referência dos processos (a partir da segunda instância) em que o candidato é indiciado como réu na Justiça Federal, nos tribunais superiores, na Justiça Eleitoral, nos Tribunais de Contas.
No lançamento, o Excelências inclui 150 candidatos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que são os três principais colégios eleitorais do país. A partir daí, serão introduzidos candidatos de um estado por dia, em média, completando o cadastro até o final do mês de agosto.

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A didática do humor

Publicado por Editor em 2006/08/11

por Valmir Nascimento (Publicado na Revista Profissão Mestre)

De tempos para cá o humor tem sido objeto de estudo de muitos pesquisadores. O riso transformou-se em centro de investigação por parte de estudiosos dos mais variados ramos de atividade, buscando, com isso, descobrir os principais benefícios desse simples ato do ser humano: sorrir.

Já está mais do que provado, portanto, principalmente pela ala da neurociência, que o bom humor não tem nenhuma contra-indicação e que, pelo contrário, só contribui para o bem. Está provado, por exemplo, que o riso é um forte indício de inteligência
e, melhor, que o riso constante aumenta a inteligência.

Na área da saúde, por exemplo, a terapia do riso ou a “risoterapia” tem sido utilizado em muitos hospitais no mundo todo. Segundo o Dr. Eduardo Lambert , clínico geral, homeopata e terapeuta, autor do livro “Terapia do Riso – A Cura pela Alegria”, o riso e sua onda vibratória transmitem energia e uma química que se espalha por todo o corpo, provocando o relaxamento muscular de todos os órgãos. “Mesmo o simples esboçar de um sorriso ou uma gargalhada, estimulam o cérebro a produzir endorfinas, substâncias químicas com poder analgésico, que proporcionam uma enorme sensação de bem-estar”. Além disso, acrescenta Lambert, “as endorfinas estimulam o sistema imunológico contra reações alérgicas, bactérias e vírus; protegem o aparelho circulatório contra enfartes e derrames; ajudam a melhorar a pressão arterial, ampliam a capacidade respiratória e promovem uma ação anti-envelhecimento”.

Nos relacionamentos interpessoais, o bem humorado vive intensamente cada momento e tem sempre sorriso no rosto, ri até mesmo dos próprios erros e dificuldades, criando um clima agradável que estimula as pessoas que convivem com ele a opinar, a participar, a dar o melhor de si, pois se sentem à vontade para arriscar, ousar e inovar, sem medo de serem criticadas.

Na educação, o humor cria um ambiente propício para o desenvolvimento do aprendizado e da criatividade. Com brincadeiras, risadas e alegria, o aprendizado fica divertido, mais eficiente e menos enfadonho, fácil de memorizar e menos pesado. As pessoas bem humoradas têm consciência de que tudo é aprendizado. Segundo Josiane Benedet: “um toque de humor deixa o ambiente menos formal e cativa os alunos. Quando o professor ‘brinca’, os alunos relaxam e se sentem mais próximos, gerando uma atmosfera amistosa”.

As pesquisas, como se percebe, evidenciam os benefícios do humor; falta agora sabermos de onde ele provém. Jasiel Botelho, um cristão cheio da graça – em ambos os sentidos -, responde essa indagação da seguinte forma: “Não foi o homem, não foi o diabo que inventou o humor. O humor foi criado por Deus. Ele o usa em sua própria criação. Basta olhar os animais, como são engraçados, seus corpos, suas formas, o jeito deles viverem. Quem tem olhos para ver, percebe que Deus fez suas criaturas com amor e humor”.

Certo está Jasiel. O verdadeiro humor, aquele que é santo e sadio, não tem outra fonte senão Deus. O bom riso é produto do Criador; o qual Paulo coloca como sendo fruto do espírito em Gálatas 5:22, qual seja a alegria. Esta alegria é resultado imediato do perdão dos nossos pecados e da restauração da nossa comunhão com Deus. Davi tinha plena compreensão a respeito disto, tanto que, quando pecou, quando sentiu que não mais tinha comunicação com Deus, pediu ao Senhor que lhe tornasse a dar “a alegria da salvação” (Sl.51:12). A alegria verdadeira e permanente é conseqüência da salvação, da vida de comunhão com Deus por intermédio de Cristo Jesus.

Benefícios do humor na educação cristã
Em relação à educação cristã, diversos sãos os seus benefícios. Segundo Jasiel “O bom humor é inofensivo a todos os seres humanos, desmascara a hipocrisia, e tem relações profundas com a alegria pura e com a felicidade. Brincar com as nossas posições teológicas e fazer humor da nossa vida religiosa permite-nos ser espirituais e não legalistas; santos e não moralistas; verdadeiros e não hipócritas. Não devemos ter medo de rir, pois rir é coisa séria, e se não for o melhor remédio, eu diria que é melhor que remédio”.

O humor é um instrumento muito poderoso na comunicação da verdade. Alicerçados em uma linguagem forte, interessante e sadia, o humor e a ironia serão capazes de romper a rotina mental, ultrapassar o limite das palavras e nos colocar diante de realidades que antes desconhecíamos. O humor é um dos grandes reveladores da verdade.
O humor também tem como benefício “quebrar o gelo” inicial. Aquele que é muito comum no inicio da aulas, naquele momento em que professor e aluno ainda não se conheceM. O riso é, sobretudo, a boa forma de apresentação, de maneira a “desarmar” aqueles que não estão a fim de assistirem a aula.

O humor possibilita um ambiente de maior liberdade em sala de aula, o que abre espaço para a maior participação dos alunos, principalmente em assuntos que sejam necessária a oitiva de pontos de vistas. Lembremos que foi-se o tempo que a preleção era a forma de ministração de aula, atualmente,mister se faz a participação efetiva dos alunos no processo de ensino/aprendizagem.
Rir ou não rir: Eis a questão

Feitas essas primeiras considerações acerca da importância e dos benefícios do humor, fazemos, então, a seguinte pergunta: O humor serviria também como um instrumento para potencializar o ensino da palavra de Deus na Igreja? Ou ainda: O humor pode ou deve ser utilizado na Escola Dominical?

Inicialmente, convém relembrar que, por longo tempo (e atualmente ainda existe tal pensamento) o humor e o sorriso foram considerados por muitos como um grande vilão na igreja, sendo, por conseguinte, banidos de dentro dos templos. Como é o caso daquela criança que por se sentir feliz, sorria despretensiosamente durante o culto, foi quando sua mãe ao ver aquela felicidade tacou-lhe um beliscão, resultando no choro da criança; qual foi a resposta da mãe: – Assim está melhor!

Desta forma, apesar da Igreja cristã pregar demasiadamente acerca da graça e da liberdade divina, observamos exatamente o contrário – templos repletos de cristãos sem graça. Pessoas carrancudas e mal-humoradas; avessas aos risos e ao bom humor. Colocam um zíper na boca para não sorrirem e uma arma no coração para não se alegrarem, crendo, erroneamente, que ser sério é sinônimo de ser sem graça.

Por outro lado, é claro, devemos considerar que muita coisa já mudou. Temos observado continuamente o surgimento de pregadores e educadores que utilizam o recurso do humor na explanação e no ensino da Palavra de Deus, conseguindo com isso, transmitir conhecimento com muito mais segurança e facilidade. É o caso, por exemplo, de pastores, os quais em suas explanações conseguem conjugar humor com verdades bíblicas, risos com doutrinas verdadeiramente cristãs, de maneira a cativar e, sobretudo, formar cristãos conscientes.

O que deve, porém, ficar bem claro aos leitores é que quando mencionamos a importância da utilização do humor como ferramenta para o ensino da Palavra de Deus, nunca perdemos de vista a necessidade da reverência a Deus em sua casa. Assim, ao referendarmos o uso do riso na educação cristã, de modo algum fazemos menção àquele humor negro, sem propósito, preconceituoso e descabido, o qual, consiste unicamente em contar historinhas e piadas em sala de aula. Não se trata, desse modo, de portar-se como um verdadeiro palhaço em sala de aula, fazendo brincadeira com tudo e com todos. Afinal, como bem ressalta Jasiel Botelho “o humor nem sempre é um instrumento do bem da verdade. Ele pode expressar amor ou ódio, tolerância ou preconceito, fraternidade ou racismo, sabedoria ou ignorância, ingenuidade ou malícia, graça ou desgraça”.

Desta forma, o humor que aqui mencionamos, trata-se de um humor santo, sadio, inteligente e, sobretudo, educativo; refere-se a uma disposição de espírito em que o educador valendo-se de seus conhecimentos bíblicos (isso é fundamental!), aliado à graça, mantém a sua classe em plena sintonia; consiste, portanto, na formação de um ambiente propício à participação e, conseqüentemente a otimização do aprendizado.
Assim sendo, baseado nos benefícios para a educação e conseqüentemente para o engrandecimento do Reino de Deus, dúvidas não existem de que o humor serve – SIM – como instrumento para potencializar o ensino da palavra de Deus na Igreja e, portanto, na exata medida bíblica, deve ser utilizado na Escola Dominical.

Professor sorria! Você está na EBD
Utilizar o recurso do humor em sala de aula, de fato, não é tão fácil como parece. Afinal, bem sabemos, não são todas as pessoas que têm a predisposição ou o dom (se assim podemos dizer) para a utilização do humor. Aliás, isso está intimamente ligado ao temperamento da pessoa. Certos indivíduos possuem elevada facilidade para sorrirem e brincarem com certa desenvoltura, outros ao revés, são naturalmente mais sérios, formais e sisudos, e, por assim dizer fleumáticos (o que não quer dizer que não sejam pessoas alegres). A esses, a utilização do riso torna-se mais complicada.

Como proceder então, nessas circunstâncias?

Sorria! Essa é a melhor dica. Mas sorria com o coração. O sorriso abre espaço para a amizade e a fisionomia alegre contagia o ambiente. Quando você sorri, está dando liberdade para seus alunos sorrirem também.
De nada adianta, por exemplo, o professor passar trinta minutos da sua aula com a “cara amarrada” e, de repente, soltar uma historinha engraçada. O que vai acontecer? Nada! No máximo os alunos ficarão sem entender o que o professor quis fazer. Afinal, o “cartão de visita” que tal professor havia apresentado no início da aula tinha como título “AUSÊNCIA DE RISO”.

Destarte, a utilização do humor como recurso didático, não se resume a um simples ato isolado na tentativa de causar risos nos alunos, pelo contrário, percorre todo a lição, têm início já no começo da aula, onde o educador ao apresentar o seu “cartão de visita” demonstra que aquela aula terá com base a ALEGRIA, de maneira a cativar a atenção dos alunos, os quais, saberão antecipadamente o estilo daquela aula, qual seja: “PRESENÇA DE RISO”.

O professor que se mantém completamente sério no momento da lição, constrói uma barreira quase que intransponível em relação aos seus alunos. De maneira que esses se distanciam ainda mais na medida em que a aula se torna mais rígida e formal. Fazendo assim com que os alunos desprendam as suas atenções do professor o que culminará, logicamente, em um fraco aprendizado.

De nada adianta também, trazer de casa uma anedota pronta para ser lida mecanicamente em sala de aula. Tal atitude pode até chamar a atenção dos alunos momentaneamente, mas, logo após, tudo volta ao normal. O bom humor, na realidade, é aquele espontâneo, que nasce nas entrelinhas de um ensino; nas pequenas coisas que poderiam passar despercebidos; na aplicação de um caso real, contada de maneira teatral, ou ainda, através da conjectura de atos dos personagens bíblicos. Outro dia, por exemplo, enquanto lecionava para a classe de jovens acerca da parábola da rede, fiz uma conjectura de maneira teatral sobre uma suposta discussão entre Pedro e Tiago, à beira do mar da Galiléia, que demorando um longo período acabou por obstar a pescaria. O objetivo era chamar a atenção dos alunos para a importância da pesca de almas, o que, devido às discussões intermináveis entre os cristãos acaba sendo prejudicada. Como muito bom humor a mensagem foi compreendida pelos alunos e Cristo, engrandecido.

Outra coisa que não se pode esquecer é o fato de que a utilização do humor não deve ficar restrita somente à classes de crianças, adolescentes e jovens. Antes, deve ser direcionada a todas as classes, sejam adultos ou novos convertidos. Ou esses também não têm o direito de rirem também?

História de um cortador de cana
E para terminarmos com muito bom humor, vejamos a estória de certo caipira que estava no seu trabalho rotineiro, num canavial, quando, de repente, viu brilhar três letras no céu: VCC. Muito religioso, o caipira julgou que aquelas letras significavam: “Vai Cristo Chama”. Fiel à visão correu ao pastor de sua igreja e contou-lhe o ocorrido, concluindo que gostaria de devotar o restante de sua vida à pregação do evangelho. O pastor, surpreso diante do relato, disse:
- Mas para pregar o evangelho, é preciso conhecer a Bíblia. Você conhece a Bíblia o bastante para sair pelo mundo pregando a sua mensagem?
- Claro que sim! Disse o homem.
- E qual é a parte da Bíblia que você mais gosta e conhece?
- As parábolas de Jesus, principalmente a do bom samaritano.
- Então, conte-a! Pede o pastor, querendo conhecer o grau de conhecimento bíblico do futuro pregador do evangelho.
O caipira começa a falar:
- Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu entre os salteadores. E ele lhes disse: Varões irmãos escutem-me: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. E lhes entregou seus bens, e a um deu cinco talentos, e a outro, dois, e a outro, um, a cada um segundo sua capacidade. E partindo dali foi conduzido pelo Espírito ao deserto, e tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome, e os corvos lhe traziam alimento, pois se alimentava de gafanhoto e mel silvestre. Sucedeu que indo ele andando, eis que um carro de fogo o ocultou da vista de todos. A rainha de Sabá viu isso e disse: “Não me contaram nem a metade”.
- Depois disso, ele foi até a casa de Jezabel, mãe dos filhos de Zebedeu, e disse: “Tiveste cinco maridos, e o homem que tens, não é teu marido”. E olhando ao longe, viu a Zaqueu pendurado pelos cabelos em uma árvore e disse: “Desce daí, pois hoje almoçarei em tua casa”. Veio Dalila e cortou-lhes os cabelos, e os restos que sobraram foram doze cestos cheios para alimentar a multidão. Portanto, não andeis inquietos dizendo: “Que comeremos?”, pois, o vosso Pai celestial sabe que necessitais de todas essas coisas. E todos os que ouviram se admiraram da sua doutrina”.
Depois da sua “brilhante pregação” o caipira, entusiasmado, olhou para o pastor e perguntou:
- Então, estou pronto para pregar o evangelho?
- Olha meu filho, disse o pastor; eu acho que aquelas letras que apareceram no céu não significam: “Vai Cristo Chama”, e sim:
“Vai Cortar Cana!!!”

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Evangelho de benefícios e baixo custo

Publicado por Editor em 2006/08/09

por Valmir Nascimento

Segundo os experts da área empresarial vivemos e um era da concorrência. Uma época em que os produtos e o serviços são praticamente idênticos. Num contexto em que a globalização promoveu a similaridade dos preços e da qualidade. O diferencial, então, para o sucesso das empresas é a excelência na prestação de serviços e o benefícios a mais que são oferecidos aos clientes.

No ramo eclesiástico, atualmente, existem tantas religiões espalhadas pelo globo terrestre cuja soma desconheço, cujos deuses ignoro, cujos rituais nem imagino. São tantos ismos: Cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo, budismo, xintoísmo, confucionismo, etc (…).

Nesse cenário de concorrência e variedades religiosas, como fazer para atrair mais seguidores? Como arrebanhar mais fiéis? A resposta vem dos especialistas do ramo empresarial: Reduza os custos. Ofereça benefícios.

A técnica adotada pelas empresas para vender seus produtos, atualmente passou a ser utilizada por algumas instituições religiosas para arrebanhar fiéis. É isso mesmo. Aquilo que Pedro predissera (II Pedro 2:3) realmente está ocorrendo: O evangelho – para muitos – transformou-se num negócio.

O educador Lourenço Stelio Rega, em artigo publicado na Revista Eclésia diz que “(…) nestes primeiros anos do terceiro milênio, a fé cristã está entrando pelo mesmo principio básico da lei de consumo – obter as maiores recompensas por meio dos menores custos. E se não for possível conseguir as dádivas, busca-se por discurso compensadores que possam substituí-la”.

Lourenço está completamente correto, afinal é evidente a ocorrência e a proliferação dessas duas características dentro do falso evangelho contemporâneo: Benefícios terrenos e baixo custo aos fiéis.

Não é necessário muito esforço para perceber tal situação. Veja-se, por exemplo, as palavras de determinado “gerente eclesiástico”(ao contrário de Pastor) ao ser entrevistado em uma das maiores revista evangélicas do país. Ele defende uma teologia onde a penúria pode não ser fruto do pecado, mas certamente o é falta de fé. “Nós não fomos criados para a pobreza. É heresia pregar que o crente deve ser feliz ganhando salário mínimo”.

Pregação como essas são ouvidas ao montes. Argumentações que dizem que o crente não pode ser pobre. Precisa ter o carro do ano, uma boa casa e um bom emprego. São benefícios oferecidos a todos aqueles que quiserem ser “cristãos evangélicos”, cuja vida tornar-se-á prospera na medida da sua fé. Vitórias. Bênçãos. Prosperidade. São essas as palavras preferidas.

O baixo custo no âmbito do evangelho é uma chamada adicional para aqueles que não querem compromisso com o Reino de Deus. “Venha como está e fique como está” é o lema. Carregar a cruz, nem pensar. Renunciar alguma coisa, nem por brincadeira. O que importa é o baixo custo. Sem essa de obediência e arrependimento.

Ser cristão, levando em consideração somente os benefícios dessa vida não pode e nem deve ser o nosso principal alvo. Segundo a Bíblia, “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”. É exatamente por causa dessa teologia mercantilista e ilusória que Paulo Romeiro denominou de “Geração de Decepcionados” aquele grupo de pessoas que se decepciona com evangelho tão logo vêm que os benefícios imediatos que os haviam prometido não se concretizam em suas vidas.

Esse evangelho de benefícios leva muitas pessoas as uma peregrinação de igreja em igreja, em busca daquela que lhe ofereça mais e mais. Acontece, então, que após tempos e tempos de falsas promessas e benefícios não efetivados, pessoas há que desanimam da fé, da Igreja e até mesmo de Deus; atribuindo a Ele o fracasso de suas vidas por não terem recebido a prosperidade que esperavam e que haviam prometido.

Vidas machucadas, feridas, apostatas da fé que criam escudos protetores. É o medo de serem enganadas novamente, de que tomem mais uma vez seu dinheiro em troca de promessas com as quais Deus nunca se comprometeu.

Cristo não nos chamou para sermos pobres, tampouco ricos. Ele nos chamou para sermos salvos. Para fazermos partes do seu Reino. É óbvio que Deus é o dono do ouro e da prata e pode perfeitamente fazer prosperar cada um dos seus filhos. Que Ele pode nos dar uma Ferrari na garagem e um apartamento de seiscentos metros quadrados. É lógico que sim. Mas tudo isso depende da vontade Dele. O que não podemos é fazer dos benefícios acessórios a causa principal para aceitarmos a Cristo, ou seja, tornarmo-nos cristão de olho nas benção materiais.

Jesus foi bem enfático acerca desse assunto, segundo ele “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Note-se que Cristo disse “todas estas coisas” vos serão acrescentadas. Ele não disse, como se prega por aí, “todas as demais coisas”, muito menos “todas as coisas” vos serão acrescentadas. O Mestre utilizou o pronome demonstrativo “este” referindo-se àquilo que ele acabara citar anteriormente, qual seja: sobre o que comer, beber e vestir. Ou seja, as coisas essências para a vida humana.

Portanto, Deus está mais interessado na nossa relação com Ele, do nossa relação com os bem materiais. Ele tem mais prazer na nossa vida espiritual ou no tamanho da nossa casa. Em outras palavras, o objetivo principal do evangelho é a SALVAÇÃO DE TODO AQUELE QUE CRÊ, o resto é resto.

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A igreja ao gosto do freguês

Publicado por Editor em 2006/08/08

por T.A MacMahon

O movimento chamado “igreja ao gosto do freguês” está invadindo muitas denominações evangélicas, propondo evangelizar através da aplicação das últimas técnicas de marketing. Tipicamente, ele começa pesquisando os não-crentes (que um dos seus líderes chama de “desigrejados” ou “João e Maria desigrejados”). A pesquisa questiona os que não freqüentam quaisquer igrejas sobre o tipo de atração que os motivaria a assistir às reuniões. Os resultados do questionário mostram as mudanças que poderiam ser feitas nos cultos e em outros programas para atrair os “desigrejados”, mantê-los na igreja e ganhá-los para Cristo. Os que desenvolvem esse método garantem o crescimento das igrejas que seguirem cuidadosamente suas diretrizes aprovadas. Praticamente falando, dá certo!

Duas igrejas são consideradas modelos desse movimento: Willow Creek Community Church (perto de Chicago), pastoreada por Bill Hybels, e Saddleback Valley Church (ao sul de Los Angeles) pastoreada por Rick Warren. Sua influência é inacreditável. Willow Creek formou sua própria associação de igrejas, com 9.500 igrejas-membros. Em 2003, 100.000 líderes de igrejas assistiram no mínimo a uma conferência para líderes realizada por Willow Creek. Acima de 250.000 pastores e líderes de mais de 125 países participaram do seminário de Rick Warren (“Uma Igreja com Propósitos”). Mais de 60 mil pastores recebem seu boletim semanal.

Visitamos Willow Creek há algum tempo. Pareceu-nos que essa igreja não poupa despesas em sua missão de atrair as massas. Depois de passar por cisnes deslizando sobre um lago cristalino, vê-se o que poderia ser confundido com a sede de uma corporação ou um shopping center de alto padrão. Ao lado do templo existe uma grande livraria e uma enorme área de alimentação completa, que oferece cinco cardápios diferentes. Uma tela panorâmica permite aos que não conseguiram lugar no santuário ou que estão na praça de alimentação assistirem aos cultos. O templo é espaçoso e moderno, equipado com três grandes telões e os mais modernos sistemas de som e iluminação para a apresentação de peças de teatro e musicais.

Sem dúvida, Willow Creek é imponente, mas não é a única megaigreja que tem como alvo alcançar os perdidos através dos mais variados métodos. Megaigrejas através dos EUA adicionam salas de boliche, quadras de basquete, salões de ginástica e sauna, espaços para guardar equipamentos, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds, tudo para o progresso do Evangelho. Pelo menos é o que dizem. Ainda que algumas igrejas estejam lotadas, sua freqüência não é o único elemento que avaliamos ao analisar essa última moda de “fazer igreja”.

O alvo declarado dessas igrejas é alcançar os perdidos, o que é bíblico e digno de louvor. Mas o mesmo não pode ser dito quanto aos métodos usados para alcançar esse alvo. Vamos começar pelo marketing como uma tática para alcançar os perdidos. Fundamentalmente, marketing traça o perfil dos consumidores, descobre suas necessidades e projeta o produto (ou imagem a ser vendida) de tal forma que venha ao encontro dos desejos do consumidor. O resultado esperado é que o consumidor compre o produto. George Barna, a quem a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) chama de “o guru do crescimento da igreja”, diz que tais métodos são essenciais para a igreja de nossa sociedade consumista. Líderes evangélicos do movimento de crescimento da igreja reforçam a idéia de que o método de marketing pode ser aplicado – e eles o têm aplicado – sem comprometer o Evangelho. Será?

Em primeiro lugar o Evangelho, e mais significativamente a pessoa de Jesus Cristo, não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos. Não podem ser modificados ou adaptados para satisfazer as necessidades de nossa sociedade consumista. Qualquer tentativa nessa direção compromete de algum modo a verdade sobre quem é Cristo e do que Ele fez por nós. Por exemplo, se os perdidos são considerados consumidores, e um mandamento básico de marketing diz que o freguês sempre tem razão, então qualquer coisa que ofenda os perdidos deve ser deixada de lado, modificada ou apresentada como sem importância. A Escritura nos diz claramente que a mensagem da cruz é “loucura para os que se perdem” e que Cristo é uma “pedra de tropeço e rocha de ofensa” (1 Co 1.18 e 1 Pe 2.8).

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Megaigrejas adicionam salas de boliche, quadras de basquete,salões de ginástica e sauna, auditórios para concertos e produções teatrais, franquias do McDonalds.
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Algumas igrejas voltadas ao consumidor procuram evitar esse aspecto negativo do Evangelho de Cristo enfatizando os benefícios temporais de ser cristão e colocando a pessoa do consumidor como seu principal ponto de interesse. Mesmo que essa abordagem apele para a nossa geração acostumada à gratificação imediata, ela não é o Evangelho verdadeiro nem o alvo de vida do crente em Cristo.

Em segundo lugar, se você quiser atrair os perdidos oferecendo o que possa interessá-los, na maior parte do tempo estará apelando para seu lado carnal. Querendo ou não, esse parece ser o modus operandi dessas igrejas. Elas copiam o que é popular em nossa cultura – músicas das paradas de sucesso, produções teatrais, apresentações estimulantes de multimídia e mensagens positivas que não ultrapassam os trinta minutos. Essas mensagens freqüentemente são tópicas, terapêuticas, com ênfase na realização pessoal, salientando o que o Senhor pode oferecer, o que a pessoa necessita – e ajudando-a na solução de seus problemas.

Essas questões podem não importar a um número cada vez maior de pastores evangélicos, mas, ironicamente, estão se tornando evidentes para alguns observadores seculares. Em seu livro The Little Church Went to Market (A Igrejinha foi ao Mercado), o pastor Gary Gilley observa que o periódico de marketing American Demographics reconhece que as pessoas estão:

…procurando espiritualidade, não a religião. Por trás dessa mudança está a procura por uma fé experimental, uma religião do coração, não da cabeça. É uma expressão de religiosidade que não dá valor à doutrina, ao dogma, e faz experiências diretamente com a divindade, seja esta chamada “Espírito Santo” ou “Consciência Cósmica” ou o “Verdadeiro Eu”. É pragmática e individual, mais centrada em redução de stress do que em salvação, mais terapêutica do que teológica. Fala sobre sentir-se bem, não sobre ser bom. É centrada no corpo e na alma e não no espírito. Alguns gurus do marketing começaram a chamar esse movimento de “indústria da experiência” (pp. 20-21).

Existe outro item que muitos pastores parecem estar deixando de considerar em seu entusiasmo de promover o crescimento da igreja atraindo os não-salvos. Mesmo que os números pareçam falar mais alto nessas “igrejas ao gosto do freguês” (um número surpreendente de igrejas nos EUA (841) alcançaram a categoria de megaigreja, com 2.000 a 25.000 pessoas presentes nos finais de semana), poucos perceberam que o aumento no número de membros não se deve a um grande número de “desigrejados” juntando-se à igreja.

Durante os últimos 70 anos, a percentagem da população dos EUA que vai à igreja tem sido relativamente constante (mais ou menos 43%). Houve um crescimento, chegando a 49% em 1991 (no tempo do surgimento dessa nova modalidade de igreja), mas tal crescimento diminuiu gradualmente, retornando a 42% em 2002 (www.barna.org). De onde, então, essas megaigrejas, que têm se esforçado para acomodar pessoas que nunca se interessaram pelo Evangelho, conseguem seus membros? Na maior parte, de igrejas menores que não estão interessadas ou não têm condições financeiras de propiciar tais atrações mundanas. O que dizer das multidões de “desigrejados” que supostamente se chegaram a essas igrejas? Essas pessoas constituem uma parcela muito pequena das congregações. G.A. Pritchard estudou Willow Creek por um ano e escreveu um livro intitulado Willow Creek Seeker Services (Baker Book House, 1996). Nesse livro ele estima que os “desigrejados”, que seriam o público-alvo, constituem somente 10 ou 15% dos 16.000 membros que freqüentam os cultos de Willow Creek.

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O Evangelho e a pessoa de Jesus Cristo não cabem em nenhuma estratégia de mercado. Não são produtos a serem vendidos.
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Se essa percentagem é típica entre igrejas “ao gosto do freguês”, o que provavelmente é o caso, então a situação é bastante perturbadora. Milhares de igrejas nos EUA e em outros países se reestruturaram completamente, transformando-se em centros de atração para “desigrejados”. Isso, aliás, não é bíblico. A igreja é para a maturidade e crescimento dos santos, que saem pelo mundo para alcançar os perdidos. Contudo, essas igrejas voltaram-se para o entretenimento e a conveniência na tentativa de atrair “João e Maria”, fazendo-os sentirem-se confortáveis no ambiente da igreja. Para que eles continuem freqüentando a “igreja ao gosto do freguês”, evita-se o ensino profundo das Escrituras em favor de mensagens positivas, destinadas a fazer as pessoas sentirem-se bem consigo mesmas. À medida que “João e Maria” continuarem freqüentando a igreja, irão assimilar apenas uma vaga alusão ao ensino bíblico que poderá trazer convicção de pecado e verdadeiro arrependimento. O que é ainda pior, os novos membros recebem uma visão psicologizada de si mesmos que deprecia essas verdades. Contudo, por pior que seja a situação, o problema não termina por aí.

A maior parte dos que freqüentam as “igrejas ao gosto do freguês” professam ser cristãos. No entanto, eles foram atraídos a essas igrejas pelas mesmas coisas que atraíram os não-crentes, e continuam sendo alimentados pela mesma dieta biblicamente anêmica, inicialmente elaborada para não-cristãos. Na melhor das hipóteses, eles recebem leite aguado; na pior das hipóteses, “alimento” contaminado com “falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam” (2 Tm 6.20). Certamente uma igreja pode crescer numericamente seguindo esses moldes, mas não espiritualmente.

Além do mais, não há oportunidades para os crentes crescerem na fé e tornarem-se maduros em tal ambiente. Tentando defender a “igreja ao gosto do freguês”, alguns têm argumentado que os cultos durante a semana são separados para discipulado e para o estudo profundo das Escrituras. Se esse é o caso, trata-se de uma rara exceção e não da regra!

Como já notamos, a maioria dessas igrejas, no uso do seu tempo, energia e finanças tem como alvo acomodar os “desigrejados”. Conseqüentemente, semana após semana, o total da congregação recebe uma mensagem diluída e requentada. Então, na quarta-feira, quando a congregação usualmente se reduz a um quarto ou a um terço do tamanho normal, será que esse pequeno grupo recebe alimentação sólida da Palavra de Deus, ensino expositivo e uma ênfase na sã doutrina? Dificilmente. Nunca encontramos uma “igreja ao gosto do freguês” onde isso acontecesse. As “refeições espirituais” oferecidas nos cultos durante a semana geralmente são reuniões de grupos e aulas visando o discernimento dos dons espirituais, ou o estudo de um “best-seller” psico-cristão, ao invés do estudo da Bíblia.

Talvez o aspecto mais negativo dessas igrejas seja sua tentativa de impressionar os “desigrejados” ao mencionar especialistas considerados autoridades em resolver todos os problemas mentais, emocionais e comportamentais das pessoas: psicólogos e psicanalistas. Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão. Seus milhares de conceitos e centenas de metodologias não-comprovados são contraditórios e não científicos, totalmente não-bíblicos, como já documentamos em nossos livros e artigos anteriores. Pritchard observa:

…em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels” (p. 156).

Durante minha visita a Willow Creek, o pastor Hybels trouxe uma mensagem que começou com as Escrituras e se referia aos problemas que surgem quando as pessoas mentem. Contudo, ele se apoiou no psiquiatra M. Scott Peck, o autor de The Road Less Travelled (Simon & Schuster, 1978) quanto às conseqüências desastrosas da mentira. Nesse livro, M. Scott Peck declara (pp. 269-70): “Deus quer que nos tornemos como Ele mesmo (ou Ela mesma)”!

Nada na história da Igreja tem diminuído tanto a verdade da suficiência da Palavra de Deus no tocante a “todas as coisas que conduzem à vida e à piedade” (2 Pe 1.3) como a introdução da pseudociência da psicoterapia no meio cristão.

A Saddleback Community Church está igualmente envolvida com a psicoterapia. Apesar de se dizer cristocêntrica e não centrada na psicologia, essa igreja tem um dos maiores números de centros dos Alcoólicos Anônimos e patrocina mais de uma dúzia de grupos de ajuda como “Filhos Adultos Co-Dependentes de Viciados em Drogas”, “Mulheres Co-Viciadas Casadas com Homens Compulsivos Sexuais ou com Desordens de Alimentação” e daí por diante. Cada grupo é normalmente liderado por alguém “em recuperação” e os autores dos livros usados incluem psicólogos e psiquiatras (www.celebraterecovery.com). Apesar de negar o uso de psicologia popular, muito dela permeia o trabalho de Rick Warren, incluindo seu best-seller The Purpose Driven Life (A Vida Com Propósito), que já rendeu sete milhões de dólares. Em sua maior parte, o livro fala de satisfação pessoal, promove a celebração da recuperação e está cheio de psicoreferências tais como “Sansão era dependente”.

A mensagem principal vinda das igrejas psicologicamente motivadas de Willow Creek e Saddleback é a de que a Palavra de Deus e o poder do Espírito Santo são insuficientes para livrar uma pessoa de um pecado habitual e para transformá-la em alguém cuja vida seja cheia de fruto e agradável a Deus. Entretanto, o que essas igrejas dizem e fazem tem sido exportado para centenas de milhares de igrejas ao redor do mundo.

Grande parte da igreja evangélica desenvolveu uma mentalidade de viagem de recreio em um cruzeiro cheio de atrações, mas isso vai resultar num “Titanic espiritual”. Os pastores de “igrejas ao gosto do freguês” (e aqueles que estão desejando viajar ao lado deles) precisam cair de joelhos e ler as palavras de Jesus aos membros da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-21). Eles eram “ricos e abastados” e, no entanto, deixaram de reconhecer que aos olhos de Deus eram “infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus”. Jesus, fora da porta dessas igrejas, onde O colocaram desapercebidamente, oferece Seu conselho, a verdade da Sua Palavra, o único meio que pode fazer com que suas vidas sejam vividas conforme Sua vontade. Não pode existir nada melhor aqui na terra e na Eternidade! (TBC – http://www.chamada.com.br)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 2005

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A espiritualidade da pós-modernidade

Publicado por Editor em 2006/08/08

por Ed René Kivitz
Com a espiritualidade de hoje vem a subjetividade, o mercado religioso e a fé privatizada.

O conceito de pós-modernidade ainda é um tema controvertido. Fala-se em hiper-modernidade, alta modernidade ou modernidade tardia, modernidade radicalizada, modernidade líquida. A compreensão comum, entretanto, é que a chamada pós-modernidade inclui a modernidade e não pode ser compreendida sem ela.

A modernidade designa um fenômeno muito complexo que se manifesta com força na segunda metade do século 18, a partir da Revolução Industrial – capitalismo, ciência e técnica, urbanismo, desenvolvimento ilimitado e a revolução democrática muito sensível aos direitos humanos, com todas as suas nuances ideológicas. No centro da modernidade está o indivíduo, pois nada é tão percebido como a subjetividade, que liberta todo mundo da dependência das instituições sociais.

Como reflexo dessas transformações, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, definiu liberdade como “poder para fazer tudo o que não prejudica o outro; o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem mais limites do que os que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos”. E a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, afirmou que “todos os homens nascem e permanecem iguais e livres”.

A lógica deste ideário moderno exige dois outros aspectos da individualidade: a autonomia e a racionalidade. O significado etimológico de autonomia é “ter a lei em si mesmo”, a capacidade do indivíduo agir movido e orientado por sua própria consciência, assumindo, portanto, a responsabilidade pelos seus atos. Autonomia implica todo poder normativo subordinado à consciência individual e, conseqüentemente, a rejeição de todo poder arbitrário e dogmático. Por esta razão, o processo moderno rejeita a religião e a divindade representada por ela.

Nesse contexto, a racionalidade surge como necessária, ou mesmo é uma decorrência da autonomia. O princípio de Descartes, “penso, logo existo”, proclama a centralidade do indivíduo pensante. O Iluminismo do século 18 traz o “esclarecimento racional”, em oposição ao dogmatismo que faz da autoridade e da tradição os critérios últimos de juízo. O homem moderno deseja fazer sempre e em todo lugar uso da própria razão. Uma sociedade que supervaloriza a subjetividade, a liberdade, a autonomia e a razão do indivíduo, evidentemente, privilegia a vivência de espiritualidade sem a tutela institucional.

A palavra espiritualidade pode suscitar muitas imagens: um mosteiro com homens recolhidos e afastados da realidade, se auto-flagelando em penitências; pessoas sentadas em roda, na posição de lotus, buscando fazer uma ponte entre seu eu mais profundo e as energias do universo; o auditório repleto de crentes diante de um pastor – mais parecido com um animador de auditório – fazendo promessas para a solução imediata de quaisquer problemas em troca de ofertas financeiras; a romaria de fiéis que cruzam uma pequena vila à luz de velas, seguindo um santo de devoção ao som de cantilenas tristes; ou até mesmo uma mesa, na repartição pública, cheia de cristais, gnomos, fitas e amuletos que visam atrair os bons fluídos e afastar os maus olhados. Todas estas, entretanto, são expressões de espiritualidade, cada uma delas associada a uma tradição religiosa. Cada civilização tem seu jeito de sistematizar a experiência espiritual, estruturando as coisas em termos de dogmas, rituais e padrões morais.

O saldo da modernidade é o rompimento com as instituições sociais religiosas e o abandono da pessoa humana à sua própria consciência e à mercê de sua liberdade. Com isso, várias das expressões acima, aquelas coletivas e institucionalizadas, caíram em desuso. Agora, os setores acadêmicos já recomendam que não sejam usadas expressões como sincretismo, fanatismo e tolerância. A expressão “sincretismo” pressupõe algo que resulta da mistura de várias “religiões puras”, sendo que não existe “religião pura”. O termo “fanatismo” denuncia pejorativamente alguém comprometido com uma crença e evidencia certa intolerância, o que não convém a uma sociedade de iguais, livres e autônomos. Já a expressão “tolerância” sugere uma aceitação indiferente da fé alheia, de modo que os teóricos optam por “tolerância ativa”, que se opõe não só à intolerância, como também à indiferença, legitimando como igualmente verdadeira, ou no mínimo o direito de ser considerada igualmente verdadeira, a fé do outro.

Juntamente com a espiritualidade pós-moderna, marcada pela subjetividade individual, livre da tutela das instituições sociais religiosas, surge o mercado religioso, com uma fé privatizada. Isso, em parte, explica a Babel em que vivemos hoje, não apenas no mundo religioso em geral, como também no emaranhado de seitas cristãs, pois onde não há Rei, cada um faz o que é certo aos seus próprios olhos.

Ed René Kivitz
é escritor conferencista e pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo

Revista Eclésia

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Nosso culto errado

Publicado por Editor em 2006/08/06

por Magno Paganelli

Há algum tempo venho me incomodando com algumas afirmações que pastores e pregadores em geral fazem nos cultos. Algo do tipo: “Receba hoje a sua vitória!” “Tome posse da sua bênção”, “Declare a sua prosperidade” ou “Não saia daqui hoje sem levar a sua vitória”.

Quando eu era novo convertido, recém saído do vício, ouvia uma coisa dessas e saía correndo pra casa acreditando encontrar um pacote de dinheiro sobre minha cama, e com ele pagar a dívida com os vendedores de droga. Até hoje nem uma “notinha”.

Eu me decepcionava, de certa forma. E imagino que muitas das pessoas que ouvem essas declarações de “guerra” também se decepcionam no mesmo dia ao chegar em casa, ou alguns dias mais tarde.

Aí alguém pergunta: Mas Deus, ou Jesus, não nos deu autoridade? A nossa palavra não tem poder? Não somos filhos do dono do ouro e da prata? Um monte de perguntas pode ser feita mas não sem antes essa: Nós cultuamos como a Bíblia ensina?

Não. Definitivamente nosso culto nada tem a ver com a forma vista nos cultos descritos nas Escrituras. E já nos cultos do Antigo Testamento, com toda a aparente ignorância de alguns judeus, eles ganhavam de longe da nossa forma de cultuar.

Observe Davi num salmo onde ele declara sua profunda tristeza, o salmo 13. Ele começa dizendo: “Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?” E termina declarando: “Mas eu confio na tua benignidade, na tua salvação meu coração se alegrará. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem”.

Eu citei o salmo 13, mas poderia ter sido qualquer outro salmo de Davi. Na maioria deles aquele rei, que teve uma vida não muito sossegada por causa dos inimigos de Israel, começa apresentando o problema a Deus e termina louvando-o, fazendo declarações de amor, exaltando a grandeza do Senhor.

Voltando um pouco mais no mesmo antigo Testamento, vemos Moisés quando convocava o povo a ofertar para a construção do Tabernáculo. Os hebreus que saíram do Egito, não é novidade, eram um povo problemático. No entanto, Deus manda trazerem ofertas, e a lista começa com ouro, prata e cobre (Ex 25.1-3).

Lá na frente lemos coisas assim: “E veio todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito VOLUNTARIAMENTE o excitou, e trouxeram a oferta alçada ao Senhor”; “E assim vieram homens e mulheres, TODOS DISPOSTOS DE CORAÇÃO; trouxeram…”; “E todo o homem que se achou com… os trazia”; “todo aquele que oferecia oferta alçada de prata ou de metal, a trazia”;

“E todas as mulheres sábias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o fiado”; “E todas as mulheres cujo coração as moveu em sabedoria…”; “e os príncipes traziam pedras sardônicas…”; “Todo o homem e mulher, cujo coração VOLUNTARIAMENTE se moveu a trazer alguma coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moisés” (Ex 35.20-29).

É uma seqüência de dez versículos em que nove apontam para pessoas trazendo e se esforçando para fazer algo para trazerem diante de Deus conforme a sua solicitação.

Fato semelhante aconteceu quando Salomão, filho de Davi, disse que construiria um grande templo ao Senhor. Ele chegou ao ponto de precisar mandar ao povo que parasse de trazer bens, pois já sobravam os recursos, de tanto que o povo se mobilizou.

Para resumir, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, seja no que diz respeito a coisas materiais ou espirituais, o povo da Bíblia se achegava a Deus para “doar”. Não leia “doar” como trazer alguma oferta de dois ou três reais. Leia “doar” no sentido de “oferecer-se”, “esforçar-se”, de “dar-se” a Deus pelo que Ele é, pelo que Ele faz e pelo que Ele pode fazer.

A palavra “cultuar” não quer dizer “ir buscar algo de”. Ao contrário, ela sugere a entrega que o homem faz ao seu Deus. Cultuar, ir ao culto, coisa que alguns só fazem aos domingos, subentende que você irá levar o seu corpo para prestar um culto ao Deus que te salvou, a quem você diz amar! E por incrível que pareça, até as pessoas que cultuam deuses mudos e surdos entendem assim.

Mas o que é que vemos nas igrejas? Pessoas que vão ao templo para resolverem seus problemas financeiros, de desemprego, de saúde, de ordem emocional e outras coisas. Vamos ao culto e alguns pastores nos incentivam a pedir, pedir, pedir. Decretar, decretar, decretar. Exigir, exigir e exigir.

Não é exagero afirmar que esse comportamento é anti bíblico. A igreja não é balcão de atendimento, os pastores não são atendentes e Deus não é devedor a ninguém. Nós é que devemos a Ele todo o nosso louvor, adoração, gratidão.

Aí reside outro engano. Grande parte dos membros de igrejas imaginam que cantar é expressar a verdadeira adoração, e saem dos templos imaginando serem os verdadeiros adoradores a quem o Pai procura desesperadamente (João 4). Mas não.

O louvor, SE BEM FEITO, pode levar à adoração. Mas o simples cantar a letra projetada na parede pelo retroprojetor nada tem a ver com o que Jesus disse sobre adoração. Mas isso é assunto para outra mensagem.

Não quero que fique desapontado se você tem esse tipo de postura nos cultos que freqüenta. Talvez até mesmo eu tenha que mudar meu comportamento e intenção diante de Deus no momento do culto.

O importante é saber que há um imenso abismo entre a forma como entendemos culto e o modo que vemos esse culto acontecendo com os personagens bíblicos. É até o fato de dizer que o cuidado de Deus manifestou-se mais uma vez entre nós.

Por isso vamos cultua-lo. Ele quer ser adorado, reconhecido como o único Deus, o único Salvador. Ele quer receber nossa gratidão pelo que tem feito, e não apenas saber o valor da nossa próxima conta a ser paga.

As bases da nossa relação com Deus devem ser todas revistas e novamente estabelecidas. E isso certamente nos trará saúde espiritual… e quem sabe o dinheiro para você e eu pagarmos a próxima conta, sem ter que exigir, decretar, e fazer declarações autoritárias diante daquele que detêm todo o poder.

Pr. Magno Paganelli
É Pastor e Professor de Teologia, Conferencista Internacional, Autor de 19 Livros.
Site: www.arteeditorial.com.br

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Deus emagrece

Publicado por Editor em 2006/08/06

por Pablo Morenno

O mundo das dietas acaba de ganhar a mais revolucionária. Nada tão drástico como redução do estômago ou áridos jejuns. Depois da dieta do arroz, do toucinho, do gafanhoto, da cebola, a moda é a dieta de Deus. Reportagem no jornal “O Globo” informa que se prolifera nas igrejas estadunidenses esta nova mania para ajudar aos gordinhos, quase 65% dos americanos. Fiéis obesos se reúnem nos templos e formam grupos de auto-ajuda para evitar a tentação de comer compulsivamente.

Mesmo que Max Weber não tivesse descoberto o segredo do capitalismo, eu perceberia. A carta na manga dos americanos é usar Deus com resultados efetivos, enquanto no terceiro mundo só O utilizamos em procissões e promessas. Puseram Deus na moeda, inventaram igrejas que motivam o sucesso, a saúde e o progresso econômico. Deus ajuda na guerra do Iraque e agora – até me estranha ninguém ter antes descoberto – o Todo-Poderoso auxilia os ianques na perda de banha. Receita simples que não veio à mente de nenhum nutricionista periférico. Talvez porque, na África e Latinoamérica, desnutridos é o que não falta. Mas, já que Deus serve pra tudo, ao menos poderíamos ter descoberto uma novena antifome.

Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Weber já descobrira o nexo entre a idéia calvinista – Deus abençoa seus fiéis com a prosperidade – e o desenvolvimento econômico de nações como EUA, Alemanha e Inglaterra. Enquanto o catolicismo insiste na mortificação e na pobreza como sinal de santidade -santos católicos são pálidos e esquálidos – o protestantismo gerou homens rechonchudos e ricos.

Outro dia ouvi na TV um pastor evangélico dizendo que Jesus pobre era invenção católica. “Ora, Jesus tinha um burro e, naquele tempo, um burro era como uma Ferrari nos dias de hoje”. Eu acho que uma Ferrari naquele tempo era uma carroça romana, mas a retórica é surpreendente.

Só há um porém. Para quem abusou do leite e mel da terra prometida – quer dizer, hambúrguer e coca-cola – há um efeito colateral: a obesidade. Mas o mesmo Deus – que multiplicou fartura e gordura – agora abençoa com a graça da elegância. Basta negociar com o criador as coisas certas ao tempo certo. E ir ao templo.

Nós, bonzinhos e pobres, jejuamos o ano inteiro, curtimos essas longas procissões que emagrecem e, se tivermos comida, vencemos a gula e ainda repartimos com mais miseráveis. Salvo exceções, somos magros. E Deus nos dá uns políticos que roubam dinheiro público e o aplicam em contas no exterior. Alimentam-se bem e engordam por nós. Somos abençoados com a magreza. Deus seja louvado.

Essa dieta, como as outras, em nada me atrai. Só queria que mais esse caso de utilidade divina fosse exemplo para nós brasileiros. Já está na hora de superarmos esse uso restrito de Deus: só para rezas, promessas e procissões. O Supremo precisa ser mais bem aproveitado. Por exemplo, para nos ajudar a escolher políticos decentes nas eleições deste ano. Deus tem de alçar-nos ao primeiro mundo. Tenha piedade de nós, os magros!

Pablo Morenno: Pablo Morenno nasceu em 21.05.1969, em Belmonte, SC, e mora em Passo Fundo, RS. É licenciado em Filosofia e atualmente cursa Direito na Universidade de Passo Fundo. Também é professor de Espanhol em cursinhos pré-vestibular, músico e servidor público federal do Tribunal Regional do Trabalho/4ª Região. Escreve uma coluna semanal de crônicas no jornal O Nacional, de Passo Fundo RS, e colabora com os jornais Zero Hora, Direito e Avesso, Nossa Vida, Revista do TRT e em páginas da internet. Tem vários prêmios literários e publicações em antologias.
fonte: http://www.verdestrigos.org

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Tolerância zero

Publicado por Editor em 2006/08/06

Por Valmir Nascimento
Estou cismado. Cismado com uma palavra. Uma simples e pequena palavra. Segundo a classe dos “intelectuais” essa palavra é o motivo das guerras entre os povos, a razão dos embates religiosos, a fonte dos preconceitos raciais e sociais, e, por fim, o caos da humanidade. Que palavra é essa? INTOLERÂNCIA.

Estou cismado porque os evangélicos são freqüentemente ligados à essa palavra. Tacham-nos de intolerantes. Preconceituosos. Indiferentes. Fundamentalistas. Exclusivistas, etc, etc…

André Petry, colunista da Revista Veja, é um desses “intelectuais” que constantemente relacionam a palavra intolerância à fé evangélica. Na edição n.º 1929 de 02 de novembro de 2005, por exemplo, por meio de um artigo que teve como titulo “É só preconceito” assim argumentou: “O ruim da onda evangélica que cresce no Brasil é que, por trás dela, vem uma tonelada de preconceito religioso”. Mais adiante ele aduz: “Trata-se da mais abjeta intolerância religiosa – um câncer social que todos, ateus inclusive, devem combater”.

Petry é um dos grandes defensores brasileiro da assim chamada tolerância religiosa. Sua coluna na revista Veja, aliás, é palco de constante investida contra a fé evangélica. Quando não é desfazendo-a por causa do fundamentalismo bíblico contra o aborto e a eutanásia, é atacando-a pelo que ele denomina de “preconceito dos evangélicos contra as demais religiões”.

Petry não é tolo, isso devo admitir. Ele não possui o sentimentalismo de Lya Luft, nem escreve crônicas “ninguém-tá-entendendo-nada” no melhor estilo Millor. Por outro lado, ainda não atingiu a inteligência de Stephen Kanitz, nem o criticismo desenfreado “ ame-me ou odeie-me” de Diogo Mainardi.

Devo convir, portanto, que Petry muitas vezes acerta. Principalmente quando faz comparações na forma como a justiça brasileira diferencia as pessoas pelo seu nível econômico, apresentando casos absurdos de injustiça social. Seu estilo raivoso de escrever, porém, não poucas vezes, acaba por atacar ferozmente a fé evangélica. Ele coloca no mesmo saco todos os tipos de evangélicos depois soca-os até não sobrar nenhum gemido.

Mas o articulista da Veja não está sozinho. Recentemente a Folha de São Paulo deu a seguinte notícia: Ministério Público Federal da Bahia quer proibir a venda em todo o Brasil de um livro escrito por um pastor evangélico. Os procuradores federais, por meio de uma ação civil pública, alegam que a obra é “degradante, injuriosa, preconceituosa e discriminatória em relação a determinadas religiões”.

Nota-se, portanto, a existência de uma crescente onda anti-intolerância religiosa, em que os evangélicos são o núcleo desses ataques. Os reús do momento. Os culpados da ultima hora. Os responsáveis pelas mazelas sociais.

Tolerância: O deus da atualidade
Mas não era pra ser diferente. Afinal, como disse Erwin Lutzer , o novo deus da atualidade chama-se TOLERÂNCIA.

“Este novo deus é o nosso único absoluto, a única bandeira que é considerada merecedora de nossa honra. Este tipo de tolerância é usada como desculpa para o ceticismo perpétuo, para manter à distância qualquer compromisso com a religião (Deus); também é um entrada para ficar vulnerável a aceitar as idéias mais bizarras. A pressão para aceitar essa “tolerância acrítica” está crescendo ano após ano”.

O motivo do ataque aos cristãos evangélicos, portanto, é muito claro. Eis que baseados na Bíblia Sagrada temos posicionamentos claros acerca das principais questões que envolvem a vida do ser humano: Quem somos; de onde viemos e para onde vamos. E é exatamente aí que reside o problema. Pois, segundo a tropa de choque “anti-intolerância” somos fundamentalistas demais sobre nossas convicções sobre origem, natureza e destino do ser humano. Não aceitamos outros posicionamentos. Cremos que somente a nossa idéia esta correta. Não toleramos os ensinos contrários.

Eis o ponto que eu gostaria de chegar: o significado da palavra tolerância. Será que somente os cristãos são intolerantes? É possível que alguém seja completamente tolerante?

Recorrendo ao dicionário descobri que tolerância significa suportar com paciência; agüentar; permitir; conformar; consentir; transigir ou deixar que aconteça. Intolerante, destarte, é todo aquele que não se conforma; não consente ou não transigi com o posicionamentos contrários.

Feitas essas considerações é perfeitamente possível perceber que não existem pessoas completamente tolerantes no sentido estrito da palavra. Afinal, quando aqueles que se dizem tolerantes manifestam-se contrários e não permitem ou não consentem com as declarações dos chamados “intolerantes”, eles estão sendo na verdade os intolerantes da história.

Para ser mais claro, voltemos aos caso do André Petry. Quando esse colunista posiciona-se contrário aos evangélicos, não suportando com paciência as doutrinas bíblicas apregoadas e não consentindo com a sua forma de pensar, ele esta fazendo o papel de intolerante, intransigente e inconformado. Ora, tolerar não é deixar que aconteça? Então qual o motivo pelo qual ele não deixa os religiosos com as suas convicções e ele com a dele?

A resposta é simples: Nesse mundo não existem completos tolerantes. No final das contas, ou no frigir dos ovos, como queiram, todos somos intolerantes ante o mundo que vivemos. Seja para defender uma religião, uma cosmovisão, um partido político ou até mesmo um time de futebol. Os debates, as opiniões contrárias e os posicionamentos divergentes fazem parte da nossa vida.

As pessoas que se dizem tolerantes e ao mesmo tempo sãos contrárias à forma de
pensar de determinada religião, são também intolerantes. Intolerantes que se escondem por trás da capa da liberdade de expressão. Intolerantes intelectuais que argumentam que suas posições racionais anti-exclusivistas é a coisa mais sensata e inteligente que já existiu. Intolerantes que se dizem neutros, mas que na realidade pendem para determinado lado. Ou, ainda, tolerantes que se mostram intolerantes para com o denominados intolerantes.

Em última instância vivemos num mundo de intolerância. Em que os ateus não toleram os cristãos, quem não toleram os muçulmanos, que por suas vez não toleram os judeus. Mas isso não é o caos. Caos de fato seria se cada um desses grupos fossem coagidos e obrigados a aceitar o que os demais professam. O erro está em querer que todos sejamos tolerantes. Coniventes. Acríticos. Tapados.

Algo, porém, deve ficar muito evidente. A tolerância pode ser classificada de duas maneiras legítimas. Tolerância legal que é o direito que cada pessoa tem de acreditar em qualquer crença (ou em nenhuma) que se queira acreditar. E como disse Erwin Lutzer, “tal tolerância é muito importante em nossa sociedade, e nós, como cristãos, devemos manter nossa convicção de que ninguém jamais deve ser coagido a crer no que cremos.”

Segundo, existe a tolerância social, o compromisso de respeitar todas as pessoas mesmo que discordemos frontalmente de sua religião e idéias. Quando nos envolvemos com outras religiões e questões morais na feira ideológica, deve ser com cortesia e bondade. Temos de viver em paz com todos os indivíduos, mesmo com os de convicções e crenças divergentes.

Portanto, tolerância no sentido de direito de professar qualquer tipo de religião ou não professar nenhuma, ou como significado de respeito às demais não deve nunca ser combatido. Agora, no real significado da palavra, como relatado anteriormente, ser intolerante é algo natural. Não podemos ser coniventes com aquilo em que não acreditamos. Não podemos tapar os olhos quando vislumbramos que ideologias absurdas provocam males na sociedade. Não podemos transigir com posicionamos que são contra a vida. Não podemos ter paciência com opiniões que contrariam a essência da natureza.

O que dever ser atacado, portanto, não é essa intolerância, mas sim o fanatismo. Fanatismo cruel e sanguinário que provoca a morte de milhares de pessoas anualmente. Fanatismo religioso e não religioso que defende a guerra a qualquer custo. Fanatismo intelectual que tentar censurar os cristãos sob a alegação de liberdade. Fanatismo racionalista que tenta calar a boca dos evangélicos. Fanatismo pós-modernista que tenta nos obrigar a sermos relativistas. Isso sim devo ser combatido.
E lembre-se. O simples fato de você não consentir com o que foi escrito nesse artigo faz de você um intolerante. Portanto, quando encontrares um legítimo tolerante, por favor avise-me!

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