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Auto Ajuda ou Ajuda do Alto?

Publicado por Editor em 2006/07/06

Vivemos na época do ‘auto’. Auto-ajuda, auto-estima, auto-análise, auto-aceitação, auto-afirmação, autoconfiança, auto-isso e auto-aquilo. O ego é o centro das atenções. O espetáculo da atualidade. O senhor de tudo. O remédio para as mazelas. A solução para os problemas.

Estás desanimado? Auto.
Estás deprimido? Auto.
Estás abalado? Auto.
Queres progredir? Auto.
Queres um amor? Auto.
Queres prosperidade? Auto.
Queres amigos? Auto.
Anseias felicidade? Auto.
Precisas de alegria? Auto.
Essa é a receita para o sucesso: Ame-se. Goste da sua pessoa. Apaixone-se por você. Adore-se. Descubra-se. Confie em si. Afinal, você é a pessoa mais importante desse mundo e se você não gostar de si mesmo, quem vai gostar então? Argumentam.
Essas alegações estão por todas as partes. Você as lê nas revistas, ouve-as na mídia e escuta-as, principalmente, nas palestras acerca do sucesso. Ela tem sido difundida, apregoada, utilizada e finalmente, endeusada.
Martin & Deidre Bobgan

[1] argumentam que as fórmulas do valor próprio, do amor-próprio e da auto-aceitação escorrem do tubo da televisão, fluem pelas ondas do rádio e seduzem através da publicidade. Do berço ao túmulo, os defensores do ego prometem a cura de todos os males da sociedade por meio de doses de auto-estima, valor próprio, auto aceitação e amor próprio. E todo mundo, ou quase todos, repetem o refrão: “Você só precisa amar e aceitar a si próprio como você é. Você precisa se perdoar”, e: “Eu só tenho de aceitar-me como sou. Eu mereço. Eu sou uma pessoa digna de amor, de valorização, de perdão.”
Atualmente, portanto, existe um forte voz que ecoa pelos quatro cantos da terra informando-nos que o nosso problema é não pensarmos suficientemente bem a nosso próprio respeito, que pensamos pequenos demais, que temos uma imagem negativa, e que nossa maior necessidade é elevarmos a nossa auto-estima.
[2]

O livro do médico-palestrante-conferencista-escritor-Dr. Lair Ribeiro “O sucesso não ocorrer por acaso”, por exemplo, está repleto dessas argumentações. Segundo esse palestrante do sucesso “Somos a força criadora da nossa vida. Comece já a rescrever sua história com as cores do sucesso, conquistando aquilo que você realmente deseja”. “Ouse fazer, e o poder lhe será dado!”[3].

Não é à toa, portanto, que essa idéia ganha mais e mais adeptos. O livro acima citado, anote-se, vendeu mais de 1.700.000 (Um milhão e setecentos mil) exemplares em trinta e cinco países. Sem falar de outros best-sellers que explodem pelo mundo afora, cujos assuntos que tem como foco a auto-ajuda.
Por que?
Ora, a idéia do poder pessoal e do amor próprio seduz as pessoas. Diz aos indivíduos que eles são autônomos e independentes. Alega que se confiarmos em nós mesmos recebermos tudo o que quisermos; seremos felizes e, sobretudo, prósperos.
Quem não gosta de algo mágico como esse? Essas afirmações seduzem o homem e massageiam o ego, tornando-os donos de seus próprios narizes. Responsáveis por seus próprios destinos.

Uma pequena anotação

Antes de adentrar, porém, ao mérito desse assunto, devo ressaltar que este texto não defende o pessimismo nem advoga o pensamento negativista do tipo “tudo vai dar errado”. Inegavelmente, as pessoas necessitam dispor de um mínimo de bom senso. Precisam acreditar no seu potencial e trabalhar em prol da melhoria pessoal, profissional, familiar, e, principalmente, espiritual.

Os indivíduos que negligenciam isso relegam tudo ao acaso, ou esperam que tudo caia do céu. Mantêm-se inertes e desprovidos de iniciativa. Consideram-se incompetentes e inabilitados parar executar qualquer tipo de tarefa que lhes seja exigido. Mantêm-se trancafiados nos casulos do “não consigo”, “não posso” e “não tem jeito”. Assim, suas vidas não progridem. Suas habilidades não se desenvolvem.
Por outro lado, à luz do Livro dos Livros, não se concebe o pensamento egocêntrico; o qual considera o homem como sendo o solucionador de todo o caos. A panacéia geral que trará a resolução às moléstias, prosperidade e felicidade.
Baseado nas Escrituras Sagradas não é possível aceitar que a auto-estima seja a chave para felicidade do ser humano. Como se o amor próprio fosse mais importante que o próprio Deus. Cuja lógica nos levaria a pressupor que somos mais importantes que o Criador.

Qual o problema em amar a si mesmo?

Nesse ponto do texto você pode perguntar: Qual o problema em gostar de si mesmo? Qual o erro do amor-próprio? Qual o pecado da auto-estima?

Respondo: O problema não está no simples fato de gostar de si mesmo, afinal, Deus nos dotou do instinto de auto preservação e auto defesa, capacitou-nos com o senso de cuidado pessoal. Paulo colocou esse sentimento como sendo algo natural: “Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e cuida, como também o Senhor à Igreja”.
(Ef.5:29). Em outras traduções, lê-se: “Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne (…)”.
O problema, por outro lado, reside no extremo que as pessoas têm levado o amor próprio. Tem-se usurpado a naturalidade e beirado os limites do egocentrismo, individualismo, humanismo, e, finalmente, a divindade pessoal.
Os idealizadores da “cultura do amor-próprio” partem da premissa de que o homem, naturalmente, odeia a si mesmo. Pressupõem que o ser humano só não é bem sucedido porque possui em seu intimo um ressentimento; uma briga pessoal interna. Seus objetivos de vida, portanto, não são atingidos em virtude dessa constante auto-depreciação.
A auto-estima, diz Lair Ribeiro, “é fundamental na conquista do sucesso. Se você não gosta de si mesmo, como vai convencer os outros a gostar? Não adianta se cobrir de ouro, usar roupas finas, se a auto-estima estiver baixa. O problema é que o modo como fomos criados nos leva a não gostar de nós mesmos. Nossa estrutura nos torna autocríticos demais”.

[4]

Segundo Dave Hunt esse fundamento é, em sua essência, inverídico. É óbvio que há um grande número de pessoas que expressam graus variados de auto-depreciação. Porém, é fácil perceber que na realidade tais pessoas não odeiam a si mesmas. Aqueles que dizem: “Eu sou tão feia que eu me odeio!”, não se odeiam de verdade; caso contrário eles mesmos estariam contentes por serem feios (Afinal eles não se odeia?). É exatamente porque amam a si mesmos que ficam perturbados com suas aparências e com a maneira pela qual as demais pessoas reagem a eles.[5]
Hunt prossegue com outros exemplos:

“A pessoa que geme em meio à depressão e diz que se odeia por ter desperdiçado sua vida estaria de fato feliz por ter desperdiçado a sua vida, caso se odiasse de verdade. O fato é que a razão a de estar infeliz por ter desperdiçado a sua vida é seu amor a si mesma. O criminoso aparentemente carregado de remorso, que diz odiar-se pelos crimes que cometeu, deveria então estar feliz por estar sofrendo na prisão. No entanto, espera escapar a esse destino, o que prova que ele se ama. Assim acontece com a pessoa que tira a própria vida. A maior parte dessas pessoas considera o suicídio uma fuga; mas quem ajuda alguém a quem odeia, a fugir? O suicídio é o ultimo ato do ego tentando escapar às circunstâncias sem consideração alguma por qualquer outra pessoa”.[6]

A pessoa, portanto, que se deprecia constantemente, não se odeia de fato, tampouco tem uma auto-imagem inferior; ao reverso, ela está simplesmente informando aos demais que seu desempenho não está em conformidade com os padrões que ela mesma estabeleceu para si. Isso, evidencie-se, não é um sintoma de auto-estima deficiente, contrariamente, é o outro lado da moeda do orgulho.
[7]

Neste mesmo sentido, A.W. Tozer explica que a auto-depreciação é ruim pela simples fato de que o ego está ali para ser depreciado. O ego, quer se exalte, quer se deprecie, não pode ser qualquer outra coisa senão detestável para Deus. A vanglória é então a prova de estarmos satisfeitos com nosso ego; a auto-depreciação, ao contrário, é a prova de que estamos desapontados com ele. Em qualquer um das formas revelamos que temos uma opinião muito positiva a nosso próprio respeito.[8]
Destarte, a alegação de que o homem se odeia por natureza, é uma grande farsa. A auto-depreciação é em outras palavras o grito de lamúria do homem, que se ama na sua essência (lembremos das palavras de Paulo), e que não conseguiu atingir o ápice de seus desejos, projetos ou sonhos. Caso o homem realmente não se amasse, a humanidade estaria completamente dizimada; assassinadas pelos seus próprios “eus”.

Ocorre que uma avalanche dessa farsa junto às fórmulas psicológicas e psicoterápicas de auto-estima vêm sendo despejadas nas cabeças dos indivíduos. A entronização desse assunto é tão comum que se brincar até mesmo os cães estão com seus egos mais elevados, resultado dessa crescente idéia egocentrista.
Até bem pouco tempo o homem tinha a ciência de que a principal razão de sua vida compreendia essencialmente a necessidade de voltar sua mente para Deus, o Criador. Hoje, no entanto, aplacou-se a idéia de que o homem deve voltar-se cada vez mais para si mesmo. Antigamente a sociedade, apesar de seus constantes erros, tinha a convicção de que a superação para as mazelas estava em Cristo. Atualmente acredita-se que a solução está dentro de cada cidadão.
Em meio a todo esse cenário, uma coisa é certa, a Palavra está se cumprindo. Como disse Paulo:

“Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus”. II Timóteo 3.1-4

Se isto realmente não estiver acontecendo hoje em dia. Por favor, acordem-me!

Cavalo de Tróia na Igreja

Charles Colson, referindo-se à igreja da atualidade disse que “o inimigo está entre nós. Ele se infiltrou de tal modo em nossas linhas que muitos simplesmente já não conseguem distinguir entre o amigo e o inimigo, entre a verdade e a heresia”.

[9]

Hank Hanegraaf chamou isso de “um câncer que está devorando a Igreja”. Segundo ele “este câncer vem sendo alimentado por uma constante dieta que poderia ser chamada de “cristianismo das refeições rápidas” – belas na aparência, mas fracas em substância”.[10]
Já Dave Hunt denominou esse fato de efeito “cavalo de Tróia”: “Nem mesmo os mais importantes estudiosos das seitas têm conseguido reconhecer o cavalo de Tróia que penetrou na Igreja e em suas próprias fileiras e as está seduzindo por dentro.”[11]
Inimigos em nossas linhas, câncer em expansão ou cavalo de Tróia são expressões que descrevem a situação da igreja na atualidade, a qual tem deixado idéias do “mundo novo” adentrarem-se além das portas do “cristianismo velho”, efetuando mutações prejudiciais nos alicerces dos fundamentos cristãos e nas bases da fé evangélica; formando assim o que se pode chamar de “mundo velho” dentro de um “cristianismo novo”. Um trocadilho irônico, porém, realista. Um jogo de palavras aparentemente imbecil, entretanto, condizente com os fatos contemporâneos.

E um dos pensamentos que têm sorrateiramente usurpado os limites templários evangélicos é exatamente o assunto em foco: a auto-ajuda. O sucesso e a auto-estima, diz Hunt
[12], tornaram-se tão importantes na Igreja que parece ter ofuscado tudo mais.[13]

“Este sedutor evangelho do egocentrismo está sendo agora pregado por pastores proeminentes e proclamado por preletores e conferencistas famosos. Essa psicologia egocêntrica disfarçada com trajes cristãos seria facilmente reconhecida como a fraude que realmente é, não fosse pelo de que aquilo que supostamente é “verdade que procede de Deus” na psicologia estar recebendo pelo menos igual à da Bíblia”.

Pessoas de influência no meio cristão, portanto, são defensores da idéia “ame-se e terás poder”. Nossos púlpitos também estão, infelizmente, abarrotados de pregadores egocentristas, cujas explanações definham em meio a teorias antibíblicas, ilógicas e insustentáveis. Porém, como muito deles estão, como diz a expressão, “com o cajado na mão”, milhares e milhares de ovelhas indefesas estão pouco a pouco sendo contaminadas por esse evangelho humanista. Estão sendo levadas ao matadouro!
Lideranças sem visão do Reino e sem comprometimento com o estudo e com o ensino da Palavra, enredaram-se juntamente com muitos palestrantes do sucesso, e fizeram das boas novas um mistura de fé, ego e bênçãos. Construíram uma junção entre psicologia secular com neo pentecostalismo.
E por pior que possa parecer, eles ainda usam a Palavra de Deus parar tentarem, enfatize-se, basear suas ideologias. Segundo alguns desses pensadores

[1] BOBGAN, Deidre & Martin. Auto–estima para cristãos?. Disponível em: http//www.chamada.com.br. Acesso em 05/05/2003. Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, Fevereiro de 1999.
[2] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pag. 15.
[3] RIBEIRO, Lair: O sucesso não ocorre por acaso. Editora Leitura. Belo Horizonte/MG. 2002; pag. 51.
[4] RIBEIRO, Lair: O sucesso não ocorre por acaso. Editora Leitura. Belo Horizonte/MG. 2002; pag. 35.
[5] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 212.
[6] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 212.
[7] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 213.
[8] TOZER, A. W., Apud, HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 212.

[9] COLSON, Charles; Apud; HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pag. 11.
[10] HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em crise. CPAD. Rio de Janeiro, 1996, pg. 14.
[11] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 12.

[12] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 12.
[13] [13] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 205.

Uma resposta para “Auto Ajuda ou Ajuda do Alto?”

  1. Pedro disse

    O Suicídio do Pastor e o Cavalo de Tróia

    Santos tem tombado no campo missionário brasileiro e não é por causa de perseguição externa. Não existe nenhum local no Brasil onde é proibido evangelizar. É verdade que ocorrem dificuldades em alcançar algumas tribos, por questões políticas e, ou conflito de percepções, com a FUNAI, e fatos isolados, residuais em regiões como o sertão nordestino, um preconceito ali, outro aqui.

    Por Pr. Pedro Luis*

    Um comentário mordaz e irônico comum nos anos 80: dizia-se que no Brasil não havia necessidade de terremotos, nem vulcões, as catástrofes aqui vinham através dos ministros da área econômica, uma alusão aos desastrosos pacotes que levou a nossa economia ao fundo do poço. Os anos 80 foram considerados a década perdida. Por muitas décadas não se morre no Brasil por causa de perseguição clara ao evangelho, aliás, morreu-se pouco comparativamente a outras nações.

    Como explicar os fatos abaixo relacionados?

    Esposa de um pastor enforcou-se no sertão do Nordeste, o marido alegou tristeza profunda por causa da distancia de casa (família) e falta de apoio, ausência de visitas e telefonemas ou mesmo e-mail.

    No Nordeste jovem idealista enlouqueceu: Solteiro determinado a servir o Senhor com todas as suas forças. Contribuiu em varias igrejas local, desde lavando banheiro, capinando mato, até pregando a palavra de casa em casa ou em praça pública, expondo o filme Jesus nas pequenas cidades e povoados do Sertão, ficou louco. Antes de surtar ele falava para alguns que não entendia os defeitos, o egoísmo, a agressividade e a cobiça dos líderes por dinheiro e posição. Ele desistiu de tentar entender entregou-se a insanidade. Hoje anda como um homem dos tempos de Jesus (afirma ele), vestido com panos, sem tomar banho e tendo a estrutura das igrejas atuais e seus líderes como Agentes da Escuridão tentando confundir o povo de Deus.

    Ainda no Nordeste, missionária, frustrada, por causa do casamento destruído toma veneno de rato. Os médicos não entendem como ela sobreviveu. Depois de ter voltado à ativa, no primeiro dia em que foi a igreja, o pastor, de forma fria e direta, a disciplinou por um ano, afastando-a de sua função (motivo: pecou tentando suicídio). Antes e depois do ocorrido o seu líder nunca lhe fez visita.

    No sudeste senhora evangelista, ganhou centenas de vidas para Jesus, enlouquece e, depois de três anos enforca-se na cozinha de sua casa.

    Jovem tenta suicídio, no Sul com veneno de rato, passa três dias na UTI e se recupera. Ela alegou tristeza profunda e solidão. Produzia de forma especial para Cristo à frente do louvor da igreja.

    Brilhante pastor de uma grande cidade enforca-se, no Centro Oeste . Homem de grande capacidade executiva para o reino de Deus foi responsável direta e indiretamente por milhares de vidas alcançadas pelo Evangelho. Entra em processo de depressão e, depois de alguns anos o suicídio. É sabido que a depressão é considerada uma doença e pode ser causada por problemas genéticos também.

    Centenas de líderes no Brasil estão no campo tomando remédio controlado, antidepressivos, calmantes, psicotrópicos, dentre outros. Na maioria dos casos, sem problemas, antes da ida a missão. Muitos deles já estão em hospitais psiquiátricos.

    O campo é guerra, o apoio é pífio, é difícil encontrar um ombro. A minha constatação não é que as igrejas são omissas ou negligentes em sua grande maioria, mas que falta estrutura espiritual.

    Mesmo que queiram exercer a incumbência de apoiar de forma plena os missionários. Não amam o suficiente, não entendem a carência de quem está no campo. A maioria dos responsáveis por missões e plantação de igrejas nunca teve uma experiência de campo, pelo menos de médio prazo. Não entendemos também a complexidade da psique, das emoções humanas e não pedimos ajuda.

    Muitos estão decepcionados com a estrutura vigente no geral. Alguns mais maduros e humildes percebem que tanto eles (no campo) como os da base não têm a estrutura mínima para o avanço do Reino muito menos em enfrentar este obstáculo de cunho mental.

    Conheço vários que querem regressar do campo e voltarem a ser comerciantes, bancários, comerciários, advogados. Não estou falando de pessoas medrosas, negligentes, estou falando de apaixonados por Jesus que podem dar a vida por Ele; de estruturas frágeis que não apóiam como deveriam seus profetas, missionários, evangelistas. Estou falando de uma tragédia, na qual temos perdido valores especiais, a maioria no auge da idade de produção para Cristo.

    A nossa maior luta no Brasil não é externa, é interna. “Aceitamos o Cavalo de Tróia dado pelo gregos”. Não há necessidade de inimigos externos. Ele já adentrou as muralhas e estar nos destruindo.

    *O Pr. Pedro Luis é membro da diretoria da Juvep e diretor geral do Seminário Sertanejo no município de Itaporanga

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