Auto Ajuda ou Ajuda do Alto?
Publicado por Valmir Nascimento em 2006/07/06
[1] argumentam que as fórmulas do valor próprio, do amor-próprio e da auto-aceitação escorrem do tubo da televisão, fluem pelas ondas do rádio e seduzem através da publicidade. Do berço ao túmulo, os defensores do ego prometem a cura de todos os males da sociedade por meio de doses de auto-estima, valor próprio, auto aceitação e amor próprio. E todo mundo, ou quase todos, repetem o refrão: “Você só precisa amar e aceitar a si próprio como você é. Você precisa se perdoar”, e: “Eu só tenho de aceitar-me como sou. Eu mereço. Eu sou uma pessoa digna de amor, de valorização, de perdão.”
Uma pequena anotação Antes de adentrar, porém, ao mérito desse assunto, devo ressaltar que este texto não defende o pessimismo nem advoga o pensamento negativista do tipo “tudo vai dar errado”. Inegavelmente, as pessoas necessitam dispor de um mínimo de bom senso. Precisam acreditar no seu potencial e trabalhar em prol da melhoria pessoal, profissional, familiar, e, principalmente, espiritual. Nesse ponto do texto você pode perguntar: Qual o problema em gostar de si mesmo? Qual o erro do amor-próprio? Qual o pecado da auto-estima? “A pessoa que geme em meio à depressão e diz que se odeia por ter desperdiçado sua vida estaria de fato feliz por ter desperdiçado a sua vida, caso se odiasse de verdade. O fato é que a razão a de estar infeliz por ter desperdiçado a sua vida é seu amor a si mesma. O criminoso aparentemente carregado de remorso, que diz odiar-se pelos crimes que cometeu, deveria então estar feliz por estar sofrendo na prisão. No entanto, espera escapar a esse destino, o que prova que ele se ama. Assim acontece com a pessoa que tira a própria vida. A maior parte dessas pessoas considera o suicídio uma fuga; mas quem ajuda alguém a quem odeia, a fugir? O suicídio é o ultimo ato do ego tentando escapar às circunstâncias sem consideração alguma por qualquer outra pessoa”.
“Sabe, porém, isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus”. II Timóteo 3.1-4 Se isto realmente não estiver acontecendo hoje em dia. Por favor, acordem-me! Cavalo de Tróia na Igreja Charles Colson, referindo-se à igreja da atualidade disse que “o inimigo está entre nós. Ele se infiltrou de tal modo em nossas linhas que muitos simplesmente já não conseguem distinguir entre o amigo e o inimigo, entre a verdade e a heresia”. Pessoas de influência no meio cristão, portanto, são defensores da idéia “ame-se e terás poder”. Nossos púlpitos também estão, infelizmente, abarrotados de pregadores egocentristas, cujas explanações definham em meio a teorias antibíblicas, ilógicas e insustentáveis. Porém, como muito deles estão, como diz a expressão, “com o cajado na mão”, milhares e milhares de ovelhas indefesas estão pouco a pouco sendo contaminadas por esse evangelho humanista. Estão sendo levadas ao matadouro!
Estás deprimido? Auto.
Estás abalado? Auto.
Queres progredir? Auto.
Queres um amor? Auto.
Queres prosperidade? Auto.
Queres amigos? Auto.
Anseias felicidade? Auto.
Precisas de alegria? Auto.
Essas alegações estão por todas as partes. Você as lê nas revistas, ouve-as na mídia e escuta-as, principalmente, nas palestras acerca do sucesso. Ela tem sido difundida, apregoada, utilizada e finalmente, endeusada.
Atualmente, portanto, existe um forte voz que ecoa pelos quatro cantos da terra informando-nos que o nosso problema é não pensarmos suficientemente bem a nosso próprio respeito, que pensamos pequenos demais, que temos uma imagem negativa, e que nossa maior necessidade é elevarmos a nossa auto-estima.[2]
Ora, a idéia do poder pessoal e do amor próprio seduz as pessoas. Diz aos indivíduos que eles são autônomos e independentes. Alega que se confiarmos em nós mesmos recebermos tudo o que quisermos; seremos felizes e, sobretudo, prósperos.
Quem não gosta de algo mágico como esse? Essas afirmações seduzem o homem e massageiam o ego, tornando-os donos de seus próprios narizes. Responsáveis por seus próprios destinos.
Qual o problema em amar a si mesmo?
O problema, por outro lado, reside no extremo que as pessoas têm levado o amor próprio. Tem-se usurpado a naturalidade e beirado os limites do egocentrismo, individualismo, humanismo, e, finalmente, a divindade pessoal.
A pessoa, portanto, que se deprecia constantemente, não se odeia de fato, tampouco tem uma auto-imagem inferior; ao reverso, ela está simplesmente informando aos demais que seu desempenho não está em conformidade com os padrões que ela mesma estabeleceu para si. Isso, evidencie-se, não é um sintoma de auto-estima deficiente, contrariamente, é o outro lado da moeda do orgulho. [7]
Em meio a todo esse cenário, uma coisa é certa, a Palavra está se cumprindo. Como disse Paulo:
E um dos pensamentos que têm sorrateiramente usurpado os limites templários evangélicos é exatamente o assunto em foco: a auto-ajuda. O sucesso e a auto-estima, diz Hunt[12], tornaram-se tão importantes na Igreja que parece ter ofuscado tudo mais.[13]
“Este sedutor evangelho do egocentrismo está sendo agora pregado por pastores proeminentes e proclamado por preletores e conferencistas famosos. Essa psicologia egocêntrica disfarçada com trajes cristãos seria facilmente reconhecida como a fraude que realmente é, não fosse pelo de que aquilo que supostamente é “verdade que procede de Deus” na psicologia estar recebendo pelo menos igual à da Bíblia”.
Lideranças sem visão do Reino e sem comprometimento com o estudo e com o ensino da Palavra, enredaram-se juntamente com muitos palestrantes do sucesso, e fizeram das boas novas um mistura de fé, ego e bênçãos. Construíram uma junção entre psicologia secular com neo pentecostalismo.
E por pior que possa parecer, eles ainda usam a Palavra de Deus parar tentarem, enfatize-se, basear suas ideologias. Segundo alguns desses pensadores
[2] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pag. 15.
[3] RIBEIRO, Lair: O sucesso não ocorre por acaso. Editora Leitura. Belo Horizonte/MG. 2002; pag. 51.
[4] RIBEIRO, Lair: O sucesso não ocorre por acaso. Editora Leitura. Belo Horizonte/MG. 2002; pag. 35.
[5] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 212.
[6] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 212.
[7] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 213.
[8] TOZER, A. W., Apud, HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 212.
[9] COLSON, Charles; Apud; HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pag. 11.
[10] HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em crise. CPAD. Rio de Janeiro, 1996, pg. 14.
[11] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 12.
[12] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 12.
[13] [13] HUNT, Dave; MACMAHON, T.A: A sedução do cristianismo – discernimento espiritual no últimos dias. Chamada da meia-noite. Tradução de Carlos Osvaldo Pinto. Porto Alegre/RS. 1995; pg. 205.


Pedro disse
O Suicídio do Pastor e o Cavalo de Tróia
Santos tem tombado no campo missionário brasileiro e não é por causa de perseguição externa. Não existe nenhum local no Brasil onde é proibido evangelizar. É verdade que ocorrem dificuldades em alcançar algumas tribos, por questões políticas e, ou conflito de percepções, com a FUNAI, e fatos isolados, residuais em regiões como o sertão nordestino, um preconceito ali, outro aqui.
Por Pr. Pedro Luis*
Um comentário mordaz e irônico comum nos anos 80: dizia-se que no Brasil não havia necessidade de terremotos, nem vulcões, as catástrofes aqui vinham através dos ministros da área econômica, uma alusão aos desastrosos pacotes que levou a nossa economia ao fundo do poço. Os anos 80 foram considerados a década perdida. Por muitas décadas não se morre no Brasil por causa de perseguição clara ao evangelho, aliás, morreu-se pouco comparativamente a outras nações.
Como explicar os fatos abaixo relacionados?
Esposa de um pastor enforcou-se no sertão do Nordeste, o marido alegou tristeza profunda por causa da distancia de casa (família) e falta de apoio, ausência de visitas e telefonemas ou mesmo e-mail.
No Nordeste jovem idealista enlouqueceu: Solteiro determinado a servir o Senhor com todas as suas forças. Contribuiu em varias igrejas local, desde lavando banheiro, capinando mato, até pregando a palavra de casa em casa ou em praça pública, expondo o filme Jesus nas pequenas cidades e povoados do Sertão, ficou louco. Antes de surtar ele falava para alguns que não entendia os defeitos, o egoísmo, a agressividade e a cobiça dos líderes por dinheiro e posição. Ele desistiu de tentar entender entregou-se a insanidade. Hoje anda como um homem dos tempos de Jesus (afirma ele), vestido com panos, sem tomar banho e tendo a estrutura das igrejas atuais e seus líderes como Agentes da Escuridão tentando confundir o povo de Deus.
Ainda no Nordeste, missionária, frustrada, por causa do casamento destruído toma veneno de rato. Os médicos não entendem como ela sobreviveu. Depois de ter voltado à ativa, no primeiro dia em que foi a igreja, o pastor, de forma fria e direta, a disciplinou por um ano, afastando-a de sua função (motivo: pecou tentando suicídio). Antes e depois do ocorrido o seu líder nunca lhe fez visita.
No sudeste senhora evangelista, ganhou centenas de vidas para Jesus, enlouquece e, depois de três anos enforca-se na cozinha de sua casa.
Jovem tenta suicídio, no Sul com veneno de rato, passa três dias na UTI e se recupera. Ela alegou tristeza profunda e solidão. Produzia de forma especial para Cristo à frente do louvor da igreja.
Brilhante pastor de uma grande cidade enforca-se, no Centro Oeste . Homem de grande capacidade executiva para o reino de Deus foi responsável direta e indiretamente por milhares de vidas alcançadas pelo Evangelho. Entra em processo de depressão e, depois de alguns anos o suicídio. É sabido que a depressão é considerada uma doença e pode ser causada por problemas genéticos também.
Centenas de líderes no Brasil estão no campo tomando remédio controlado, antidepressivos, calmantes, psicotrópicos, dentre outros. Na maioria dos casos, sem problemas, antes da ida a missão. Muitos deles já estão em hospitais psiquiátricos.
O campo é guerra, o apoio é pífio, é difícil encontrar um ombro. A minha constatação não é que as igrejas são omissas ou negligentes em sua grande maioria, mas que falta estrutura espiritual.
Mesmo que queiram exercer a incumbência de apoiar de forma plena os missionários. Não amam o suficiente, não entendem a carência de quem está no campo. A maioria dos responsáveis por missões e plantação de igrejas nunca teve uma experiência de campo, pelo menos de médio prazo. Não entendemos também a complexidade da psique, das emoções humanas e não pedimos ajuda.
Muitos estão decepcionados com a estrutura vigente no geral. Alguns mais maduros e humildes percebem que tanto eles (no campo) como os da base não têm a estrutura mínima para o avanço do Reino muito menos em enfrentar este obstáculo de cunho mental.
Conheço vários que querem regressar do campo e voltarem a ser comerciantes, bancários, comerciários, advogados. Não estou falando de pessoas medrosas, negligentes, estou falando de apaixonados por Jesus que podem dar a vida por Ele; de estruturas frágeis que não apóiam como deveriam seus profetas, missionários, evangelistas. Estou falando de uma tragédia, na qual temos perdido valores especiais, a maioria no auge da idade de produção para Cristo.
A nossa maior luta no Brasil não é externa, é interna. “Aceitamos o Cavalo de Tróia dado pelo gregos”. Não há necessidade de inimigos externos. Ele já adentrou as muralhas e estar nos destruindo.
*O Pr. Pedro Luis é membro da diretoria da Juvep e diretor geral do Seminário Sertanejo no município de Itaporanga