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O blog da Escola Bíblica Dominical

Posts de Julho, 2006

Livros Indicados

Publicado por Editor em 2006/07/29

Não tenho fé suficiente para ser ateu

Idéias com o objetivo de destruir a fé cristã sempre bombardeiam os alunos do ensino médio e das universidades. Este livro serve como um antídoto excepcionalmente bom para refutar tais premissas falsas. Ele traz informações consistentes para combater os ataques violentos das ideologias seculares que afirmam que a ciência, a filosofia e os estudos bíblicos são inimigos da fé cristã.
Autores: Norman L. Geisler e Frank Turek

Editora Vida

Maravilhosa graça – Philip Yancey – Ed. Vida
Em seu livro mais pessoal e provocante, Yancey oferece retratos fortes e verdadeiros da vida sob a graça – o poder que transforma. Ele procura a presença dela em sua própria vida e na igreja. Ele pergunta: como podem os cristãos lidar graciosamente com as questões morais que ameaçam tudo aquilo que consideram caro? Leia Maravilhosa graça e descubra uma mensagem poderosa que tem o poder de renovar toda a igreja de Cristo. Editora Vida

 

Em defesa da fé – Lee Strobel – Ed. Vida
Após examinar minuciosamente em seu livro Em defesa de Cristo diversos argumentos favoráveis e contrários à pessoa de Jesus, Lee Strobel apresenta agora um trabalho ainda mais instigante sobre um dos fundamentos do cristianismo: a fé. Em mais uma obra imprescindível para os nossos dias, o autor confronta os questionamentos que muitas pessoas ainda têm a respeito de Deus. Ed. Vida

Cristianimo puro e simples – C.S. Lewis – Martins Fontes
Durante a Segunda Guerra Mundial, a BBC convidou C. S. Lewis para fazer uma série de palestras pelo rádio. Foram programas que, ao final, deram um sentido novo à vida de milhares de adultos de todas as classes e profissões. O livro Cristianismo puro e simples, que colige essas preleções legendárias, veio a ser considerado a mais popular e acessível de todas as obras de Lewis, lembrando-nos daquilo que é mais importante na vida e apontando-nos o caminho da alegria e do contentamento. Esta edição de qüinquagésimo aniversário nos recorda de uma ocasião em que C. S. Lewis foi capaz de dar conforto e consolação a milhões de pessoas num tempo de guerra e de incertezas; mas suas palavras são tão pertinentes agora quanto em qualquer outra época.

E agora, como viveremos? – CPAD
“E agora, como viveremos” irá ajudá-lo a compreender os mais importantes assuntos debatidos no mundo de hoje. Você aprenderá a rebater os falsos conceitos que seus filhos estão aprendendo na escola, a levar a sua fé ara o local de trabalho, a criticar o que se ouve na mídia, a compreender o que há de errado com a cultura popular, a evangelizar os seus vizinhos por cima da cerca, a discutir os princípios cristãos na arena política.
E agora, como viveremos? lhe dará a segurança necessária para fazer a diferença no mundo de hoje – principalmente com respeito às vidas em torno de você.

Fundamentos Inabaláveis – Editora Vida
Hoje a verdade é um conceito impopular. A cultura deste século a tem trocado pelos escorregadios caminhos do relativismo e do pluralismo, nos quais a opinião pessoal e os sentimentos contam mais que a verdade universal.Entretanto, a verdade é muito mais que um modismo – ela é imutável. Em Fundamentos inabaláveis, Norman Geisler e Peter Bocchino mostram como é importante distinguir a diferença entre o que é uma questão de preferência e aquilo que é um princípio absoluto. De forma clara e acessível, eles ensinam o povo de Deus a responder às inevitáveis controvérsias que surgem desta discussão.

Cartas de um diabo ao seu aprendiz – C. S. Lewis - Martins FontesDedicada ao seu amigo J. R. R. Tolkien, esta obra-prima da ironia divertiu e instruiu milhões de leitores com seu retrato zombeteiro e irônico da vida humana feito a partir do ponto de vista do diabo Fitafuso. Ao mesmo tempo freneticamente cômica e surpreendentemente original, a correspondência entre o experiente diabo e o seu sobrinho Vermebile mostra o lado mais sombrio e jocoso de C. S. Lewis. Esta edição é baseada na edição do sexagésimo aniversário, que inclui pela primeira vez Fitafuso propõe um drinque, no qual o notório Fitafuso oferece um jantar aos jovens demônios na Faculdade de Treinamento de Tentadores.

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Palavras na moda no meio evangélico

Publicado por Editor em 2006/07/27


Por: Valmir Nascimento

Começarei este texto com uma questão de múltipla escolha. Marque um “X” na alternativa que contenha as palavras que você mais têm ouvido nas pregações ultimamente:
( ) A – Cruz e renúncia;
( ) B – Bênçãos, vitórias e promessas;
( ) C – Salvação, regeneração e justificação;
( ) D – Amor ao próximo, paz e mansidão.

Calma. Não precisa se afobar. Pense com tranqüilidade. Relembre tudo o que você tem visto e ouvido recentemente. Não se preocupe, essa indagação não vale pontos!

Muito bem. Se você foi sincero ao responder a referida pergunta, penso que tenha optado pela letra “B”. Para cada dez pregações sobre temas como bênçãos e prosperidade, uma preleção dos demais assuntos.

Nossos púlpitos estão repletos dessas argumentações. Nossas músicas estão infestadas. Nosso livros, recheados da teologia da prosperidade. Uma teologia humanista que tem como base a benção, a prosperidade e os benefícios terrenos a todos quantos tiverem fé na própria fé.

Nesse sentido, pouco se houve sofre as conseqüências de deixar tudo para seguir a Jesus. Pouco se fala acerca de padecer necessidades em virtude da nova vida cristã. Quase nunca se aborda a cruz de Cristo. Dificilmente prelecionamos sobre renúncia e negar-se a si mesmo. Perseguição e tribulação, então, são palavras estranhas ao nosso vocabulário “evangélico”, eis que quando usadas provocam um silêncio sepulcral no ambiente em que são proferidas. São vocábulos que não provocam comoções. Termos que não suscitam “glórias” e “aleluias”.

Por outro lado, na moda estão palavras como benção, vitória, prosperidade, sucesso, promessa, etc. Termos que não poucas vezes são utilizados aleatoriamente para promover a comoção da “platéia”. Se a pregação não está indo muito bem, basta inserir um desses vocábulos nos meio da frase que a coisa muda. Se o ensino não consegue despertar a atenção do público, simplesmente acrescenta-se uma palavrinha mágica para que a situação se inverta.

Por isso, vez ou outra vislumbra-se pregações e ensinos que sofrem um guinada de cento e oitenta graus. Preleções que começam abordando a santidade, acabam na prosperidade. Pregações que iniciam na cruz, terminam na benção material. Ensinos que principiam na renúncia finalizam com um “carro na garagem”.

Em primeira instancia pode-se dizer que os culpados por este cenário são os pregadores/ensinadores triunfalistas da modernidade, os quais embalados pelo pensamento de agradar à platéia, leia-se igreja, enredarem-se pela exposição de temas agradáveis aos ouvidos, capazes de levar a multidão ao delírio e ao êxtase espiritual.

Aparentemente, o grande vilão é a classe dos pregadores/ensinadores/preletores/palestrantes/congressistas, os quais insuflados pela teologia norte americana que entupiram nossos púlpitos com as benesses terrenas e as dádivas materialistas.

Ocorre, porém, que essa classe não é a única culpada. Como co-autores desse cenário temos também os ouvintes; a platéia; aqueles que estão do outro lado do púlpito. Explico-me: Disse que os pregadores triunfalistas prelecionam sobre temas que o povo quer ouvir, sobre temas que agrade a platéia. Com efeito, enquanto platéia, gostamos de ouvir coisas boas, agradáveis, brandas, amorosas e sobretudo, vitoriosas. Nossa natureza pede para que nos falem de benefícios e de prosperidade. Gostamos de sermos acalentados. Gostamos de receber presentes. Gostamos de tomar posse da benção e da vitória.

Enquanto pentecostais, então, temos prazer em ouvir pregações no melhor estilo “sem-parada”, aquela em que o pregador munido do microfone solta frases rápidas e contínuas, finalizando com um grito estridente. Sim! Na condição humana preferimos ouvir temas de benção ao invés de renúncia; prosperidade ao invés de tribulação; coroa no lugar de cruz.

Assim sendo, temos um notório circulo vicioso, em que os pregadores pregam o que a platéia quer ouvir; e os ouvintes acostumando-se com os temas da prosperidade “repelem” as preleções de estilos diferentes: amor ao próximo, frutos do espírito, regeneração, etc. Alguns pregadores/preletores até que tentam mudar, porém, ao perceberem que sua mensagem não está obtendo êxito, enveredam-se também pelo mesmo círculo.

As pregações do Cristo

Olho para a dinâmica das pregações e dos ensinos de Cristo e vejo quão distante estamos do seu padrão. Em seus ensinos Jesus empregava uma maneira peculiar de transmitir as verdades acerca do Reino. Sua didática essa magnífica. A forma como repassava conhecimento é um paradigma para qualquer educador da atualidade. No entanto, mais importante que a forma era o conteúdo da mensagem propagada pelo Messias. Ele não levava em consideração o que o público queria ouvir, pelo contrário, seus ensinos iam na contramão dos anseios da platéia. Sua explanação estilhaçava os desejos medíocres dos ouvintes.

Analiso o Sermão da Montanha e adquiro mais convicção: Jesus falava o que era preciso, independente do pensamento dos demais. “Bem-aventurado os pobres de espirito(…). Bem-aventurados os que choram (…). Bem-aventurado os mansos (…). Bem-aventurado os que tem fome e sede de justiça(…) . Bem-aventurado os misericordiosos(…). Bem-aventurados os limpos de coração(…). Bem-aventurados os pacificadores(…). Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça(…). Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa”. Mt. 5.3-11.

Apesar da situação social caótica do povo de Israel, que vivia sob o jugo romano, o Mestre não utilizou palavras de esperança e revolução social, tampouco deu-lhes a possibilidade de uma libertação imediata muito menos a evidência de bens terrenos. Ao revés, o centro da sua mensagem foi a salvação da alma, a implantação do Reino Celeste e o novo nascimento, que requeria dos seus seguidores nova postura: renúncia, largar pai e mãe, carregar a cruz e ser luz no mundo.

As pregações de Cristo apresentavam-se ao seu ouvintes com aparência do aumento de seus jugos. Superficialmente, tudo indicava que Cristo queria castigar ainda mais o seu povo. Sua doutrina era pesada. Suas idéias contrariavam o anseio social. Tanto que em diversas ocasiões seu ouvintes inclusive alguns de seus discípulos (Jo. 6.67) afastaram-se dele pois suas palavras “eram duras”.

Por certo que Jesus não queria de alguma forma aumentar o jugo daqueles que o seguiam, pelo contrário disse Ele que o seu jugo era leve: “Tomai sobre vós o meu jugo (…) Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mt. 11.29,30. Ocorre que as pregações de Cristo contrariaram as expectativas da sua platéia. Os judeus não aguardavam um Messias que diria a eles: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim”. Ou, então: “Quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim”. Não. Essas palavras eram muito duras, demais de rígidas. Eles esperavam um Messias libertador, forte e poderoso que os faria governar juntamente com Ele.

Cristo, porém, não se deixou levar pelas expectativas. Não se deixou convencer pelos anseios do seu povo. Não foi levado pelo desejos do seu público, ele bem sabia que a verdade deveria ser dita, independente da forma como a platéia reagiria. Por certo que alguns tomariam outra via, o abandonariam. Mas ele permaneceu fiel à sua missão, no cerne da mensagem: a salvação da alma. Sem essa de palavras da moda. Pra ele, o principal era a cruz. Afinal, a cruz que carregamos, precede a coroa que usaremos, disse alguém.

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A defesa da fé cristã na era pós-moderna

Publicado por Editor em 2006/07/25


Por: Valmir Nascimento

Em todos os períodos da história humana o cristianismo tem sido atacado. Do tempo dos apóstolos, passando pelo iluminismo até chegarmos aos dias atuais o pensamento cristão têm sido posto à prova e refutado pelos diversos tipos de culturas/pensamentos que se opõem ao evangelho.

Freqüentemente os cristãos, inclusive os evangélicos, são – convidados – a darem razões acerca da sua fé. Compungidos a argumentarem sobre a evidência de Deus, de Cristo e das sagradas escrituras. Desafiados a defenderem a razão da esperança que têm nas promessas bíblicas.

A essa defesa denominamos – apologia -, que do grego significa “resposta” ou “discurso de justificação”. Constitui um conjunto de respostas razoáveis às perguntas efetuadas sobre Deus, Jesus e o pensamento cristão. A apologia, tipicamente, é uma resposta a uma pergunta ou desafio.

Nos tempos de Paulo teve ele que tirar os obstáculos da cruz de Cristo do pensamento dos judeus. No segundo século, os cristãos tiveram que defender não só as doutrinas cristãs, mas também os próprios cristãos das acusações do ateísmo e do agnosticismo. Depois, tiveram que defender a fé dos ataques dos desafios do islamismo. Na era da iluminação e por muitas décadas depois, defenderam a fé dos ataques do racionalismo e cientificismo. Hoje, o desafio maior é defender a afirmação que existe um conhecimento certo da verdade absoluta e que tal verdade se encontra na Escrituras Sagradas. Assim como nossos antepassados temos sido chamados para darmos respostas racionais e certas pela esperança que temos em Cristo. Nos compete lidar com assuntos contemporâneos por mais que sejam difíceis e incômodos para nós.

O texto áureo da defesa da fé cristã encontra-se em I Pedro 3:15: “Antes santificai a Cristo em vossos corações, e estejais sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”.

Pedro, nessa passagem, dá-nos as bases da defesa da apologia cristã. Em relação à pessoa de Cristo é necessário “santificá-lo em nossos corações”; em relação a nós mesmos: “estarmos preparados”; e em relação aos nossos oponentes: “responder com mansidão e temor”.

Finalidade da defesa da fé

Não é objetivo da apologia tão somente ganhar debates/discussões no âmbito filosófico, científico ou teológico; antes pretende cumprir o Ide do Senhor Jesus, de forma a pregar o evangelho a toda a criatura, que no caso em questão será corroborado por um estudo minucioso da Palavra de Deus e das doutrinas cristãs, para destruir todas as cosmovisões que sejam antagônicas ao cristianismo.

Charles Colson afirma que “debater pode ser algumas vezes desagradável, mas pelo menos pressupõe que há verdades dignas de serem defendidas, idéias dignas de se lutar por elas. Em nossa era pós-moderna, todavia, as suas ‘verdades’ são as suas ‘verdades’, as minhas ‘verdades’ são as minhas, e nenhuma é significativa o suficiente para alguém se apaixonar por ela. E se não há verdade, então não podemos persuadir um ao outro através de argumentos racionais. Tudo o que resta é puro poder”.

E esse poder mencionado por Colson não é outro senão aquele mencionado por Moody: “Se quisermos trabalhar… tendo em vista um propósito definido, precisamos ter o poder do alto. Sem esse poder, nossos esforços não passarão de mero e enfadonho trabalho. Com esse poder, nossa labuta se transformará numa tarefa alegre, num serviço agradável.”

Para Moody, “a proclamação do evangelho não pode estar divorciada do Espírito Santo. A menos que Ele dê poder à palavra, infrutíferas serão nossas tentativas em pregá-la. A eloqüência humana – ou a persuasão da linguagem – não passam de mera aparência exterior de um morto, se o Espírito vivo não estiver presente. O profeta pode pregar aos ossos no vale, mas tem de haver o sopro do céu para que tornem a viver.”

Quem deve utilizar a apologia

Embora muitos cristãos pensem que a apologética seja de uso estrito aos pastores e intelectuais, ela deve ser utilizada por todo cristão consciente. Hank Hanegraaf assevera que “a responsabilidade pela apologética não é limitada aos pastores cristãos ou aos intelectuais. Quando desafio pessoas a aprenderem a defesa da fé é pensar como cristãos”, freqüentemente respondem: “Oh, eu não estou pronto para isso”, ou: “É muito profundo para mim”. Mas Deus criou cada um de nós com uma mente, com a capacidade de estudar, pensar e fazer perguntas. Ninguém é expert em toda as áreas, mas cada um de nós pode dominar os assuntos nos quais tem alguma experiência.”

Hanegraaf também argumenta que “um número demasiadamente grande de pessoas acredita que a apologética é do domínio exclusivo dos eruditos e teólogos. Não é verdade ! A defesa da fé não é algo opcional; é um treinamento básico par todo crente.”

Pós-modernismo

A importância da apologia da fé cristã é percebida na medida em que observa a sociedade pós-moderna em que estamos inseridos. Sendo ela caracterizada por um pensamento secular e materialista, o qual exclui Deus da vida cotidiana e o relega à mitologia.

O inicio do século XXI têm sido caracterizado por movimentos filosófico-teológicos que romperam com tudo o que, historicamente, tem sido crido como verdade fundamental, da qual não se poderia abrir mão. Esses movimentos têm tomado vários nomes como: secularismo, relativismo, pós-modernismo e pluralismo.

Para os pluralistas não existe a verdade absoluta, nem existe uma religião verdadeira. Os pós-modernistas rejeitam não somente as leis objetivas de moral, como as leis morais interiores gravadas por Deus em nossos corações. Fé e sexualidade tornarem-se questão de gosto e não de verdade. A Ética é regida pelo querer predominante da sociedade. O aborto tornou-se não somente legal em muitos países, como também uma prática aceitável, como um direito constitucional que a mulher tem sobre o seu corpo.

Nesse contexto, cumpre a cada cristão levantar a bandeira do evangelho e defender as verdades bíblicas. Precisando, para tanto, reporta-se de um estudo sólido da Palavra de Deus bem como se atentar para as novas ideologias que sãos criadas, afim de batalhar pela fé que uma vez foi dadas aos santos.

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Quem mexeu no nosso sal?

Publicado por Editor em 2006/07/25


Por: Valmir Nascimento

“Há muito tempo, em um país muito distante, quando as coisas eram diferentes, havia quatro pequenos personagens que corriam através de um labirinto à procura de queijo para alimentá-los e fazê-los felizes. Dois eram ratos, chamados Sniff e Scurry, e dois eram duendes – seres tão pequenos quanto os ratos, mas que se pareciam com as pessoas de hoje, e agiam como elas. Seus nomes eram Hem e Haw”.

Assim começa a estória do livro “Quem mexeu no meu queijo”, de Spencer Johnson. Uma paródia interessante que conta as aventuras de dois ratinhos e dois duendes que vivem dentro de um labirinto à procura de queijo. É uma estória sobre mudança de comportamento. Uma metáfora acerca de como devemos enfrentar as mutações que ocorrem em nossas vidas.

Todos os dias os ratinhos e os duendes procuravam no labirinto o seu próprio queijo especial. Sniff e Scurry, por serem roedores, utilizavam somente seus instintos animalescos. Hem e Haw, usavam seus cérebros, cheios de muitas crenças, para procurar um tipo de queijo diferente, que os tornariam bem sucedidos. Algo, porém, eles tinham em comum: todas as manhãs vestiam roupas de correr e tênis, saíam de suas pequenas casas e corriam para o labirinto à procura de seus queijos favoritos.

Até que determinado dia, no Posto C do Labirinto, Sniff e Scurry, Hem e Haw, cada dupla usando o seu próprio método, encontram o maior e melhor queijo de suas vidas. Todos estavam felizes.

Ante tal descoberta os duentes ficaram fascinados. Haviam resolvido o problema de suas vidas. Mudaram-se para próximo do Posto C para ficarem mais próximos do seu precioso queijo. Então, pouco a pouco a confiança de Hem e Haw se transformou em arrogância, começaram a se sentir tranqüilos que nem perceberam o estava acontecendo.

Snif e Scurry, por outro lado, mantinham a sua rotina; chegavam cedo todas as manhãs, farejavam o queijo, arranhavam-no e corriam pelo Posto C, inspecionando a área para saber se tinha havido mudanças desde o dia anterior. Depois, então, sentavam-se para roer o queijo.

Uma certa manhã, entretanto, ao chegarem no Posto C descobrem que o queijo havia desaparecido. Os ratinhos, então, mais que rapidamente pegam seus tênis e partem em busca de um novo queijo. Enquanto Hem e Haw ficam atônitos e desesperados. Não estavam preparados para o havia acontecido. Quem mexeu no nosso queijo? Eles indagam.

Após isso, inicia-se o dilema dos duentes. Aguardam o queijo desaparecido ou partem labirinto à dentro em busca de um novo queijo? Mantêm-se no Posto C ou procuram novas descobertas? O resultado da estória são grandes lições para a vida pessoal e profissional ante as mudanças perpetradas no nosso dia a dia.

Mexeram no sabor do nosso sal

Refletindo acerca desta parábola que quase sempre é aplicada à vida empresarial, observo que ela também possui grandes lições para a vida cristã. Basta simplesmente mudarmos queijo por sal, duendes por cristãos (eis aí algo interessante, muitos crentes preferem ser duendes), labirinto pelo mundo e tirarmos o ratinhos. Pronto, temos um ótimo cenário para meditar.

Por que sal? Ora, foi Jesus quem disse: “Vós sois o sal da terra” Mt. 3:13. Quando Cristo identificou os discípulos ao sal, ele estava fazendo referência à característica de preservação que o sal possui; à sua natureza de conservação e de não permitir que os alimentos se deteriorem.

Quando digo, portanto, que mexeram no sal ou no sabor do sal da igreja cristã, faço referência ao fato dela ter perdido parte da sua identidade; uma alusão à alteração ocorrida ao longos de anos, décadas e séculos no cerne do pensamento cristão; uma ilustração da mudança de padrões na abordagem e consideração do evangelho compreendido entre o período apostólico até os dias atuais; uma mutação prejudicial em relação às verdades bíblicas adotada por alguns templos religiosos.

Uma observação, porém, deve ser feita. Quando se diz que a igreja perdeu o sabor do sal, não se faz referência, é óbvio, à Igreja santa e invisível, noiva do cordeiro, aquela que irá morar nas mansões celestiais. Esta, aliás, nunca perderá o seu foco; de maneira alguma perderá o seu sabor.

A igreja insossa e desprovida de tempero, ao revés, constitui-se de pessoas desvirtuadas e indiferentes à Palavra de Deus. É, na realidade, a igreja de Laodicéia que se infiltra em várias denominações assim chamadas evangélicas, dizendo “rica sou” e agindo como Hem e Haw ao tornarem-se arrogantes. É aquele tipo de igreja que perdeu a simplicidade do evangelho, não possui mais comunhão nem partir do pão, muito menos persevera na oração. É a igreja que não pesca almas, não ensina às nações, nem gosta de tomar o fardo de Cristo.

Mas engana-se quem imagina que o sal é perdido de uma hora outra, ou da noite para o dia. Pelo contrário, o sabor perde-se aos poucos. Inicialmente, assim como ocorreu na estória em comento, a igreja não vigia e se acomoda, fica tão deslumbrada com o sal que possui, que acaba deixando de lado o seu principal papel na terra, que é exatamente temperar o mundo e preservá-lo da corrupção, ou iluminá-lo, preservando-o da escuridão.

Em seguida, a igreja não observa o que acontece ao derredor. Fica tão ligada com as suas próprias formalidades eclesiásticas/religiosas/litúrgicas que esquece das almas que perecem frente às portas dos templos. Quando ela detém-se em assuntos burocráticos e planejamentos festivos esquecendo-se da pregação do evangelho. Quando se envolve em questões políticas e humanas deixando de lado a anunciação das boas novas.

Se no livro de Johnson a idéia é que as pessoas acompanhem as mudanças sociais e profissionais, no caso da Igreja a idéia é exatamente o oposto, qual seja: não deixar que as mudanças atuais e mundanas afetem e prejudiquem o papel da igreja. Eis aí, então, o grande papel dos cristãos na mundo atual, não permitir que os fundamentos que se transtornam dia após dia adentrem aos templos e desvirtue a Palavra de Deus.

Uma rápida olhadela no túnel do tempo é suficiente para notarmos que definitivamente a igreja têm perdido o sabor do sal. Basta retornarmos àquela época em que os templos não haviam “ar condicionado”, porém viviam repletos de pessoas para ouvirem acerca da Salvação. Àquela época em que não haviam automóveis mas que todavia os cristãos caminhavam distâncias infindáveis sedentos de por mais de Deus. Um contexto em que se a pessoa se dissesse cristã seria jogadas aos leões para serem devoradas, mas a fé era tão autêntica que eles enfrentavam bravamente esses enormes desafios. Um tempo em que as perseguições contra os seguidores de Jesus eram tão implacáveis e torturantes que somente quem possuía o sabor do sal poderia dizer: Jesus Cristo é o Senhor!

É, de fato. Sejamos bem francos. Mexeram no sal da igreja! Tiraram o seu sabor! Mas a pergunta a ser feita não é “Quem mexeu no nosso sal”, mas sim, como fazermos para resgatarmos o sabor do sal perdido?

Frente a essa situação a temos duas opções: Ou fazemos como os ratinhos e rapidamente saímos em busca do sal perdido, ou agimos como os duendes, e ficamos a nos perguntar: Quem mexeu no meu queijo?

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Famílias em conflito

Publicado por Editor em 2006/07/24


Por: Valmir Nascimento (Jornal Mensageiro da Última Horas)

Trágicos eventos familiares envolvendo pais e filhos marcaram o primeiro quadrimestre de 2006. O Brasil acompanhou estarrecido uma série de acontecimentos chocantes que teve como cerne a violência envolvendo entes de uma mesma família. Episódios como o da mãe que jogou sua filhinha Letícia de apenas dois meses na Lagoa da Pampulha, em Minas Gerais, no início de fevereiro, e o bebê que foi encontrado abandonado no banheiro feminino da estação da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, são, com efeito, suficientes para inicio desse ensaio, o qual, em vista do dias das mães celebrado nesse mês de maio, período propício para reflexão acerca de temas familiares, pretende analisar a crescente ocorrência de eventos dessa natureza em contraste com a Palavra de Deus.

As duas barbáries acima relatadas, que não foram as primeiras a serem noticiadas, e infelizmente não serão as últimas, são apenas a ponta de um iceberg repleto de outras nefastas ocorrências. Cite-se, oportunamente, o caso da recém-nascida que foi encontrada abandonada envolta em uma manta, dentro de uma lixeira, no Parque das Nações, em Indaiatuba (102 km a noroeste de São Paulo). Ainda, a menina recém-nascida encontrada abandonada dentro de uma caixa de sapatos sobre um túmulo do cemitério Parque da Ressurreição em Piracicaba (162 km a noroeste de São Paulo). Ou, então, a noticia da mulher presa acusada de ter atirado a filha de onze meses no leito do rio Piracicaba, debaixo de uma ponte, em João Monlevade, na região central de Minas Gerais.

Saindo dos exemplos de matricídio, crimes cometidos pelas mães, tem-se notícias de crimes perpetrados pelos pais, parricídio, como é o caso do pai W. S., que faleceu depois de tomar chumbinho (agrotóxico usado como raticida), em Belo Horizonte, e que segundo a Polícia Militar, havia enforcado a mulher e dado o mesmo veneno para os filhos, uma menina de doze anos e um menino de dois.

Tem-se, também, informações de filhos que tentaram assassinar os pais, citando-se o caso da garota de 12 anos que foi acusada de ter tentado matar os pais adotivos envenenados, em Jardim Palmeiras, Franca, São Paulo. A estudante de 12 anos, inclusive, é fã de Suzane Von Richthofen, aquela que mandou matar o próprios pais, resultando num crime macabro que assombrou o país.

Perguntas inquietantes

Como visto, estouram pelos quatro cantos do País crimes absurdos envolvendo pais e filhos. Situações em que mães abandonam seus filhos em caixas de sapato ou joga-os aos leitos dos rios. Pais que enforcam filhos, e, filhos que maquinam contra seu genitores. Acontecimentos aviltantes que deixam o público desconcertado. Descalabros que demonstram que verdadeiramente as famílias estão em conflitos internos. Mas não se tratam de simples conflitos envolvendo discussões, debates e choros. Mais do que isso, são verdadeiras guerras travadas entre quatro paredes capazes de acabar com a vida e sonho de muitas pessoas. Batalhas evidenciadas dentro de lares que deixam marcas de terror na vida dos envolvidos.

Nesse sentido, Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez diz que o verdadeiro papel da família deve ser gerar segurança a seus familiares. Devem ser ‘ninhos’ para aconchegar e ‘fortalezas’ para proteger. Devem também ser ‘escolas’ para ensinar e ‘hospitais’ para socorrer, infelizmente, porém, o que vemos atualmente é que uma grande parte dos lares se transformou em verdadeiros ‘espinheiros’ para ferir, ‘zonas de guerra’ para matar, ‘bombas’ para explodir emocionalmente e ‘cemitérios’ para sepultar sonhos e anseios. Tal contexto faz-nos lembrar das palavras de Miquéias 7:6: “os inimigos do homem são os da sua própria casa”.

Diante deste cenário, perguntas inquientantes solapam nossas mentes: O que está acontecendo? O que leva uma mãe a matar o próprio filho ou um filho envenenar os pais? Quem são os culpados por esse caos? O Estado inoperante? A natureza decaída do homem? Ou seria Satanás? Perguntas que nos apertam contra a parede em busca de um resposta. Implicações de natureza sociológica, antropológica e, sobretudo, teológica, retinem em nossos cérebros na busca da razão de ser de tal situação.

Divisão de responsabilidades

Para tentar responder algumas das perquirições acima expostas, não em nível acadêmico obviamente, parte-se do pressuposto de que estamos vivenciando os últimos dias, nas palavras de Cristo os conflitos familiares seriam um dos sinais da sua vinda “Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão”( Mc 13:12). Ainda, no âmbito sociológico as relações familiares, nesse inicio de século XXI, rompeu com tudo o que dantes havia sido registrado pelas linhas históricas da humanidade. A propagação distorcida da liberdade e a implantação cada vez mais acelerada da individualidade e autonomia dos indivíduos provocou no ambiente familiar um egocentrismo sem precedentes, resultando, portanto, no distanciamento afetivo entre os membros de uma família.

Localizar os culpados para essa situação não é uma tarefas das mais fáceis. Dizer que o único responsável é o Estado inoperante, é uma atitude no mínimo “vitimalista”. Apesar de sabermos que o Poder Público não oferece qualquer tipo de projeto/educação/incentivo voltado para a família, e que em razão de sua ineficiência e ineficácia em outras áreas tais como saúde, segurança e emprego, ocasionar graves problemas no seio familiar, não se pode creditar somente a ele o papel de vilão exclusivo no que diz respeito a esse assunto. Também, atribuir – somente – ao Diabo tal mazela, é uma atitude espirituosa. Da mesma forma, conclui-se, culpar a natureza decaída do homem unicamente, é um erro.

Não existem culpados, então? É óbvio que existem. Existe o que assim pode-se chamar de um compartilhamento de responsabilidades, em que cada um daqueles são co-responsáveis por uma parte dos conflitos familiares, cada qual na sua esfera. Com efeito, no plano espiritual, Satanás, que veio para matar, roubar e destruir, usufruindo do contexto de libertinagem dos tempos modernos, encontra lugar em muitas vidas desguarnecidas e desprovidas de Deus, e, com isso, provoca o rompimento e o esfacelamento de milhares de famílias, resultado assim em notícias tais quais foram anteriormente relatadas: mãe que mata filho; filho que mata pai.

O Estado, por outro lado, é culpado na medida em que não promove educação voltada para a educação familiar. Não é tarefa do Poder Público exorcizar demônios para que esses não prejudiquem lares. Porém, compete-lhe dar instrução, educação, segurança, e, sobretudo, promover a igualdade social. Quando ele não consegue atingir esses objetivos, a principal instituição prejudicada é a família.

O papel da igreja

A igreja cristã, em vista desse caos, deve fornecer amparo em ambos os sentidos, espiritual e assistencial, contrapondo-se às investidas de Satanás e à ineficácia do Estado. Deve, por um lado, pregar o evangelho levando Cristo a todos os lares, e, promover o amparo às famílias não cristãs. A Igreja precisa cada vez mais investir em nossos familiares através da oração, da leitura da bíblia, da participação nos cultos da Igreja, na orientação e aconselhamento cristão e principalmente através do testemunho pessoal. E, como disse Ávilla Gimenez “Temos aqui um princípio muito importante da Palavra de Deus que é o exemplo ou o testemunho. Se por um lado uma família desajustada pode influenciar negativamente pessoas, por outro lado um familiar ajustado e temente a Deus, agindo com sabedoria, poderá influenciar positivamente sua família.

A família cristã deve indicar a direção correta para a salvação e também para os relacionamentos que é o próprio Cristo que se revela de maneira clara na sua palavra. A famílias cristãs devem ser fontes de vida e não de morte. Devem ser vasos de bênçãos nas mãos de Deus tanto para nossa como para outras famílias. E que aquilo que não recebemos de nossos familiares seja suprido pela graça divina, capaz de transformar morte em vida através de Jesus Cristo. Afinal, famílias foram criadas para que se tornassem transmissoras das bênçãos divinas. Isso é mostrado logo em Gênesis 12:3b quando diz: “em ti serão benditas todas as famílias da terra.” As bênçãos divinas deveriam ser reconhecidas, aprendidas, exercitadas e transmitidas pela família.

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A injusta graça de Deus

Publicado por Editor em 2006/07/24


Por: Valmir Nascimento (Folha Ide)

“Não tenho a capacidade de ser claro para quem não quer ser atento”, escreveu Jean Jacques Rousseau em seu “Contrato Social”. Advertência essa que tomo emprestado antes de iniciar este texto.

Portanto, o título deste artigo não está errado. A impressão deste jornal não está equivocada, e o colunista, pelo menos assim o creio, não está louco. Antes que você faça então qualquer julgamento precipitado, sugiro que vá até o ponto final deste texto, para que, aí sim, tire suas conclusões.

Feitas essas considerações, volto a afirmar: A GRAÇA DE DEUS É INJUSTA, e, consequentemente, A JUSTIÇA DE DEUS É INGRATA. Eu sei que ambas as afirmações podem soar como heresia ou como invenção teológica moderna, porém, como a seguir veremos, são duas grandes verdades presentes nas Sagradas Escrituras e tão óbvias que sempre nos passam despercebidas.

Comecemos pelos conceitos

Justiça, como bem entendem os juristas, é dar a cada um aquilo que lhe pertence. O juiz quando julga atribui a cada pessoa os seus direitos e obrigações. Justiça, então, é dar às pessoas aquilo que elas merecem, sejam coisas boas ou más.

O conceito de graça, contrariamente, é favor imerecido. A pessoa recebe algo sem merecer ou sem ter envidado algum esforço para tanto. É ganhar um presente. Uma dádiva.

Os conceitos de justiça e graça são, como visto, diametralmente opostos. Justiça é direito. Graça é favor. Justiça é merecimento. Graça é desmerecimento. Justiça é possibilidade. Graça é necessidade. A justiça divide. A graça soma. A justiça exclui. A graça inclui.

Baseado nisso é que se afirma categoricamente que a graça de Deus é injusta e a justiça de Deus é ingrata, pois uma é contrária a outra. Afinal, se a graça do Criador não fosse injusta ela não seria graciosa; e se a justiça Dele não fosse ingrata também não seria justa.

Para que o assunto fique mais claro, vejamos uma parábola proposta por Jesus (Mt. 19.20-16). É sobre um pai de família que em determinado dia sai à procura de trabalhadores para a sua vinha. De madrugada encontrou com alguns, e, negociando com eles mandou-os para sua vinha por um dinheiro por dia. Na terceira hora viu outros que estavam ociosos, e, também a esses mandou para a vinha, sem, no entanto, ajustarem o valor. Perto da sexta hora, da mesma forma, despachou mais trabalhadores. E, ainda, quando o dia quase terminava, na undécima hora, contratou mais trabalhadores para a sua vinha.

O dia termina. A hora de receber é chegada. O pai de família ordena ao seu administrador para que proceda o pagamento aos trabalhadores, começando do últimos até os primeiros. Forma-se um fila. Os trabalhadores estão alegres. Hora de receber pelo seus esforços. Alguns estão cansados, outros nem tanto.

Os trabalhadores que foram contratados por último chegam até o mordomo, e, cientes de que haviam pouco laborado esperam qualquer valor como pagamento, qualquer coisa é lucro. No entanto, para surpresa deles (e dos demais trabalhadores também), o mordomo paga o valor correspondente a um dia inteiro de trabalho (um dinheiro). Eles ficam eufóricos. Mal podiam acreditar no que estava acontecendo. Trabalharam somente uma hora e receberam por um dia de trabalho.

Imagino que nesse momento, os outros trabalhadores também tenham ficado contentes. Acho que até diziam entre eles: – Se esses aí trabalharam menos que nós, quer dizer então que nós receberemos muito mais que eles!

O mordomo chama na seqüência os trabalhadores das seis horas. Paga a eles o mesmo valor: um dinheiro. E depois, os trabalhadores das três horas, retribuindo-os com a mesma quantia. Penso então que ficaram desconcertados; sem entender o que estava acontecendo. Porém, nenhum deles reclama. Pegam o pagamento e se retiram.

Ao chegar, no entanto, na hora do pagamento daqueles que foram contratados na madrugada é que a coisa complica. O mordomo chama-os, e efetua o pagamento: um dinheiro para cada um. E eles começam a murmurar contra o pai de família: “Estes últimos trabalharam só uma hora, e tu o igualaste a nós, que suportamos a calma e a fadiga do dia” v. 12.

Creio, certamente, que se eu fosse um daqueles homens que trabalharam desde a madrugada e tivesse recebido o mesmo valor que os demais, inclusive os trabalhadores da última hora, eu teria murmurado também. Teria chamado o pai de injusto. Teria arrumado um pé de briga.

Imagino que não somente eu teria feito isso, mas muitas outras pessoas fariam o mesmo; afinal um visão fria e lógica do acontecido nos leva a pensar que estamos diante de uma verdadeira injustiça. Pagar o mesmo salário para trabalhadores que laboraram em quantidades distintas é um absurdo. Premiar todos igualmente parece um enorme equívoco.

Porém, essa visão insensata é estilhaçada com as palavras do pai de família. Conforme ele responde para os trabalhadores que o acusavam: “Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste tu comigo um dinheiro?” v. 13. Em outras palavras ele está dizendo: Fui justo contigo, paguei o que havíamos combinado. Tem-se aqui, portanto, o conceito de justiça na pratica: Dar a cada um aquilo que lhe é devido.

E ele ainda continua: “Toma o que é teu e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? v.14,15. Aqui temos a graça na prática: um favor imerecido àqueles que menos trabalharam.

Philip Yancey denomina o acontecido nessa parábola de a matemática atroz do evangelho, o que, segundo ele, parece ser um absurdo. Eis que a decisão do patrão desafia as regras de economia e da justa recompensa. Da mesma forma que parece um absurdo um pastor deixar noventa e nove ovelhas desamparadas no deserto e partir em busca de somente uma. Afinal, como diz o ditado popular, “mais vale um na mão do que dois voando”?. Mas o evangelho, pasmem, é repleto de absurdos se analisado segundo a lógica humana. A salvação e a obra de Cristo não é baseada na forma de pensar terrestre. Os atos divinos são incoerentes com o pensamento do homem. É por isso que o evangelho é loucura para todo aquele que crê!

Yancey aduz então que Jesus não proferiu essa parábola visando a dar uma aula sobre benefícios trabalhistas, e sim mostrar a atitude de Deus para conosco. A matemática do reino espiritual parece ser estranha como a que foi usada nessa situação, mas, conforme disse Kierkegaard, o evangelho é assim: altera todas as nossas convicções relacionada a preço e valor.

Portanto, quando se diz que a graça divina é injusta, faz-se menção a uma injustiça benéfica e positiva, que é capaz de proporcionar ao ser humano dádivas as quais eles não teriam condições de atingir por seus esforços próprios. É uma injustiça que favorece a todos os homens, no sentido de promover a igualdade entre eles, independentemente de cor, raça ou religião. É um injustiça santa que nos torna capazes de achegar diante da presença do Criador. É um injustiça amorosa que nos concede aquilo que não podíamos comprar. E, por fim, é um injustiça misericordiosa que não nos pune como deveríamos ser punidos.

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A arte da multiplicação de talentos

Publicado por Editor em 2006/07/22


Como formar novos educadores cristãos

Por: Valmir Nascimento (publicado na Revista Ensinador Cristão)

Mui esplêndidas são as lições que extraímos das páginas das Escrituras Sagradas ao “vislumbrarmos” os atos e “ouvirmos” as penetrantes palavras do Mestre Jesus. Aprendemos com suas cativantes parábolas, somos instruídos por seus sábios conselhos e redargüidos por seus incontestáveis sermões. E, como se não bastassem essas magníficas lições, facilmente percebidas nos relatos bíblicos, pelo fulgor de sua clareza. Existem, ainda, grandes ensinamentos que, como pérolas em ostras se escondem. Aprendizados que estão nas entrelinhas das ações do Mestre. Instruções quase imperceptíveis, porém, de valor inestimável.

Encontramos uma dessas pérolas no milagre da multiplicação dos pães. Trata-se de uma passagem bíblica de notório conhecimento, cujo teor das frestas poderia passar despercebido. É algo simples, no entanto, revela-nos um dos grandes fundamentos do ministério terreno de Cristo como corolário da sua missão. Vejamos a cena:

Uma multidão de pessoas se aglomera para ver e ouvir o Nazareno. É chegada a hora da refeição e todos estão famintos. Eles têm somente cinco pães e dois peixinhos para alimentar a turba. Os discípulos estão preocupados; o Mestre, tranqüilo. O desfecho é que com esse pequeno lanche, Jesus, miraculosamente, saciou a fome de cinco mil homens, além de mulheres e criança.

O exemplo do Mestre: A lição da participação

Qual a lição que tiramos dessas histórias? A resposta está no texto de Mateus 14:19 “…e partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão”; fato esse que também se repete em Mateus 15:36. Note que o mestre pega os pães e, um a um entrega-os primeiramente aos discípulos para que esses repassem à multidão. Essa é a lição da multiplicação; o ensino da participação.
Jesus poderia ter entregado diretamente os pães às pessoas que ali estavam. No entanto, o Mestre, sabiamente, resolveu passar pela mão de cada discípulo primeiro. Tudo fazia parte da preparação dos apóstolos. Afinal não bastava que eles somente ouvissem, era-lhes necessário agir. Eis que eram homens que dariam continuidade à obra de Cristo na pregação do evangelho e na implantação do Reino na terra. Paulo também confirmou esse ministério com as seguintes palavras: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie a homens fiéis que sejam também capazes de ensinar a outros” II Tim. 2:2.

O ministério da multiplicação de talentos também deve estar presente na Igreja atual. É imprescindível que o “Corpo de Cristo” prepare novos talentos que dêem continuidade à educação cristã de forma eficiente e qualificada. Para isso, é preponderante que a direção das Igrejas e das Escolas Dominicais invistam em ações com vistas a encontrar e formar os novos aspirantes ao ensino bíblico, preparando-os e treinando-os de forma planejada e consistente, evitando-se, assim, a descontinuidade do ensino bíblico para os dias atuais.

Esse planejamento envolverá três grandes desafios: 1) Como localizar os aspirantes à educação cristã; 2) Como treiná-los e capacitá-los e; 3) Como introduzir o novo educador no ensino da Escola Dominical. Assim, nos lançamos aqui a esse desafio de repassar algumas estratégias que vêm, pela graça de Deus, logrando êxito.

Quem são eles: Encontrando os novos educadores

Outra lição que aprendemos com Jesus é a escolha da sua equipe. Quando do recrutamento dos seus discípulos, o Mestre separou homens não pelo que faziam (ofício) ou pelo que tinham (posses), mas pelo que queriam (objetivo). Importante era que seus discípulos tivessem duas características marcantes: vontade de aprender e desejo de ensinar. Deveriam estar dispostos a darem tudo de suas vidas pela Missão.

O primeiro passo, rumo à multiplicação de talentos na Igreja, consiste na localização dos aspirantes ao ensino. Deve-se saber, à priori, quem são as pessoas interessadas em trabalhar com a Escola Dominical, pois, assim como qualquer função eclesiástica, o ensino da Palavra de Deus requer uma atitude voluntária e espontânea. A liderança deve necessariamente escancarar as portas para as pessoas vocacionadas, interessadas e completamente comprometidas em levar conhecimento ao próximo e fechá-las para os desinteressados e descomprometidos. Pois, infelizmente, temos visto constantemente novos professores que são “jogados” em algumas salas de aulas, os quais não possuem vocação, tampouco qualificação.

Recrutar professores para a Escola Dominical, não é das tarefas mais fáceis. Marcos Tuler assevera que “A maior dificuldade, por incrível que pareça, reside na indisponibilidade dos recursos humanos ou na imperícia e insensibilidade para lidar com eles”. Segundo Tuler, os professores devem ser escolhidos com base na vocação, aptidões específicas e na chamada divina para o magistério cristão. Assim, entendo que uma análise superficial do pretenso professor, não seria o suficiente para saber se o mesmo possui tais atributos, devendo, portanto, haver um acompanhamento continuado para tal verificação.1

Destarte, inicialmente o importante é saber “o que eles querem”. Qual o objetivo dos aspirantes no tocante ao ensino. Para essa “seleção” não se pode, nem se deve levar em consideração somente a graduação do pretenso professor (Não podemos negligenciar que o preparo acadêmico e a formação intelectual são de enorme valia, porém, não podemos perder de vista que estamos formando novos educadores, e isso requer tempo e planejamento), nem tampouco seu sobrenome; antes, o interesse que o mesmo tem pelo ensino e a chamada de Deus para o ministério.

Inicialmente, o levantamento dos aspirantes poderá ser efetuado mediante um questionário junto aos membros da Igreja. As questões deverão enfocar o interesse do aspirante pelo ensino e o motivo pela qual pretendem fazê-lo. É importante que o questionário seja escrito, pois, diversas vezes os irmãos mais tímidos têm receio de exporem pessoalmente sua aspiração pelo ensino. Outra importante informação que se deve buscar já nesse primeiro questionário é saber para qual classe de alunos o aspirante pretende lecionar; qual a sua vocação por faixa etária (crianças, adolescentes, adultos, etc). Caso o mesmo não tenha ainda em mente qual a turma, poderá futuramente fazer um “estágio” em cada uma das salas, visando mostrar-lhe a realidade de cada turma, o que, logo após, terá ele a capacidade de decidir qual faixa etária escolher.

Como treiná-los: Capacitando os novos educadores

Jesus aproveitava todos os cenários e todos os momentos para ensinar. Ele usava o cotidiano e a realidade das pessoas. Não era necessária a realização de um evento específico sobre determinado assunto para o Mestre educar. Assim, o melhor local para iniciar a preparação dos futuros professores é na própria classe da Escola Dominical. É na EBD que eles terão o contato com a realidade do ensino; ali presenciarão o cotidiano da educação dominical. Desta forma, é importante que não somente a liderança empenhe-se na formação dos novos educadores, mas principalmente que exista a contribuição efetiva dos professores que já atuam no ensino, os quais serão os primeiros guias dos aspirantes. É por isso que devemos alertar: O bom mestre é aquele que é capaz de formar não somente alunos, mas, principalmente, outros professores. O bom mestre não somente repassa conteúdo, antes, busca formar nos alunos o caráter cristão, capacitando-os a repassarem avante tais ensinamentos.

Para tanto, é necessário que o mestre incentive os aspirantes às pesquisas, para que em todas as aulas estejam preparados. O estímulo à leitura de bons livros é outro aspecto de relevância, e, sempre que possível deverá apresentar na classe da EBD os livros nos quais tem se baseado para preparar suas aulas, motivando-os a adquirirem tais obras. Assim, o mestre estará gerando neles um ardente desejo de aperfeiçoamento. E finalmente, outra ação de alto relevo, consiste no incentivo, de todas as maneiras possíveis, ao estudo sistemático e planejado da lição a ser ministrada. Devendo os aspirantes, estarem preparados em salas de aulas, para participarem ativamente do estudo, devendo, portanto, tal atitude ser requerida constantemente dos mesmos.

É claro que também não poderíamos nos esquecer de mencionar que o treinamento dos novos educadores poderá e – deverá – ser feito através da participação em seminários, congressos e palestras sobre o ensino na EBD. Eventos que abordem a didática, tanto na educação cristã quanto secular. E louvamos a Deus que dia após dia surgem novos eventos como esses, os quais apresentam excelentes recursos e novas técnicas para a qualificação da arte de ensinar. Por isso, a direção deve empenhar-se, sem reservas, em financiar a participação dos aspirantes, para que os esses presenciem esses acontecimentos e, se possível, a própria Igreja realize-os periodicamente.

Como iniciar a atividade dos novos educadores

Um início mal formulado pode gerar grandes frustrações no aspirante. Portanto, a introdução do aspirante deverá se dar de maneira moderada e bem planejada. Afinal, a moderação é melhor caminho para o êxito.

Comece usando o aspirante como monitor da classe. Nessa fase ele será responsável por fazer pesquisa referente ao tema objeto do estudo; devendo estar preparado em sala de aula. No momento do ensino o professor titular poderá iniciar a concessão de oportunidades para que o mesmo exponha à turma sobre a sua pesquisa, ou que demonstre qualquer outro ponto de vista sobre a lição.
Depois, escale-os, com antecedência, para dar a introdução da lição que será estudada; concedendo de 05 (cinco) a 10 (dez) minutos. Caso haja mais de um aspirante, será necessária a elaboração de uma tabela de rodízio entre os aspirantes. Em seguida, e de acordo com o grau de facilidade de cada aspirante, vá concedendo mais tempo para que eles lecionem.

É importante que após cada aula ou participação do aspirante, o professor dê a ele um feedback (retorno) acerca da sua exposição. Mencionando os pontos positivos e os pontos negativos, enfatizando as suas qualidades e o que pode ser melhorado. Mas lembre-se, sempre procurando evitar a crítica exagerada.
Realize constantemente reuniões somente com os aspirantes, visando sanar algumas dúvidas, ouvir sugestões e apresentar algumas experiências de ensino que sejam de relevância para eles. Faça oficinas, coloque-os para lecionarem sobre qualquer assunto bíblico entre eles mesmos, para que percam a inibição de falarem em público.

Entendendo o que é ser um multiplicador de talentos

Para terminar, repassarei um exemplo que tornará claro a idéia sobre multiplicadores de ensino e o que isso representa no mundo espiritual.

Um professor de Escola Dominical do século passado que conduziu um vendedor de calçados a Cristo. O nome do professor você pode nunca ter ouvido: Kimball. O nome do vendedor de calçados que ele converteu você certamente conhece. Dwight Moody.

Moody tornou-se evangelista e exerceu grande influencia na vida de um jovem pregador chamado Frederick B. Meyer. Meyer começou a pregar nas faculdades e, durante suas pregações, converteu J. Wilbur Chapman. Chapman passou a trabalhar com a Associação Cristã de Moços e organizou a ida de um ex-jogador de beisebol chamado Billy Sunday a Charlote, Carolina do Norte, para realizar um reavivamento espiritual. Um grupo de líderes comunitários de Charlotte entusiasmou-se de tal maneira com o reavivamento que planejou outra campanha evangelística, convidando Mordecai Hamm para pregar na cidade. Durante essa campanha um jovem chamado Billy Graham entregou sua vida a Cristo. E Graham por sua vez levou milhares de pessoas a Cristo.1

Será que o professor da Escola Dominical de Boston imaginava qual seria o resultado de sua conversa com o vendedor de calçados? Não! Mas, da mesma forma que aconteceu com ele poderá acontecer conosco. Sejamos não somente professores, mas, sobretudo, multiplicadores de talentos!

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Verdadeiros vencedores

Publicado por Editor em 2006/07/22


Por: Valmir Nascimento (Folha Ide)

Seul, Olimpíadas de 1988. Prova final de atletismo dos 100 metros rasos, uma das competições mais aguardadas dos jogos. Entre os finalistas, dois prevalecem. O americano Frederick Carlton Lewis ou simplesmente Carl Lewis, como era conhecido, e o canadense Ben Johnson. É dada a largada e, com pouco menos de dez segundos a corrida termina com Johnson em primeiro e Lewis em segundo. No entanto, a prova não se encerra aí; dias depois sai o resultado do exame anti-dopping e o canadense é pego. Assim, a medalha de ouro passa para as mãos de Carl Lewis, o verdadeiro vencedor.

A corrida da vida

O fato ocorrido nos jogos olímpicos de Seul representa categoricamente aquilo que ocorre em outra corrida: A corrida da vida. Porém, essa carreira, diferentemente, não é medida pela velocidade, antes pela distância que percorremos. O que importa não é a agilidade e sim a maneira como procedemos o caminhar. Ao contrário da história relatada, cuja pista era sem barreiras, na corrida da vida existem não poucos obstáculos pelo caminho. Barreiras essas que às vezes nos levam ao chão como o desaparecimento de um filho, o câncer que assola um pai, a morte de um ente ou a traição de um cônjuge. Muitos ao cair, levantam-se e prosseguem na caminhada, outros, porém, permanecem ali mesmo.

Na corrida da vida todos querem ser vencedores: o primeiro da turma da escola, o melhor no trabalho, o rapaz rico e o craque do esporte são apenas alguns dos exemplos. Assim, para obterem tais “títulos”, alguns trapaceiam. Utilizam-se desde a simples “cola” no colégio até o furto no trabalho, desde passarem “por cima” do companheiro de serviço até a fraude no esporte. Subterfúgios esses utilizados com o fim exclusivo de chegarem ao primeiro lugar e então serem considerados como os vencedores. Declarados como “primeiro lugar”.

No geral as pessoas querem vencer. Pretendem obter sucesso e, sobretudo, demonstrarem isso para a suas famílias, seus amigos e para a sociedade em geral. Ninguém deseja ser um perdedor, ou o “desajeitado” da turma. Por essas e outras que cursos e palestras do tipo “Alcance o sucesso” estão aí sendo ministradas aos montes e lotando os auditórios. Nesses eventos são ensinadas técnicas de auto-ajuda, auto-estima e dicas de como a pessoa deve fazer para se dar bem na vida.

Equívocos

Biblicamente, tanto um quanto outro estão completamente equivocados; ou melhor, tanto a trapaça quanto as técnicas de auto-ajuda não fazem do indivíduo um verdadeiro vencedor na corrida da vida. Não é a fraude, tampouco as receitas do sucesso, ingredientes para a plena vitória. Por que? Vejamos.
A resposta está, primeiramente, na forma como encaramos a nossa corrida. Se acreditarmos que a pista que percorremos possui somente “alguns metros” de distância, cuja chegada está bem ali, no final da nossa passageira existência, poderíamos, então, ter como certo, que o subterfúgio da trapaça seria a melhor opção para sermos os vencedores. Entretanto, a pista da nossa corrida é bem mais distante que qualquer maratona olímpica. Nosso tempo de existência é somente a largada de uma eternidade que nos aguarda, cujo final pode ser bom ou ruim. E quanto àqueles que trapacearam, serão pegos no maior de todos os exames: O exame de Deus da consciência do homem. Assim, os que começaram bem, terminarão mal. Os que pensavam serem os vencedores, serão, na realidade, os perdedores.

Os verdadeiros vencedores

Dissemos que a corrida é longa e que está repleta de obstáculos. Assim, as dicas de auto-ajuda para o sucesso e as receitas de vitória não têm valor algum diante das barreiras da vida. A tristeza, a solidão, a depressão ou a amargura que abate o ser humano não desaparecem somente com o fato de seguirmos as idéias dos palestrantes do sucesso, que no geral enfatizam o poder do homem com base no “você pode” ou “você faz”. Na corrida da vida precisamos de um apoio extra, de Alguém, que não nós mesmos, para nos auxiliar e ajudar-nos a “pular” os obstáculos dessa carreira. E a única pessoa capaz de fazer isso chama-se JESUS! Ele, além de nos ajudar a passar pelas dificuldades vividas, leva-nos ainda para a melhor fase da corrida: a eternidade.
Deus tem pleno controle sobre as nossas circunstâncias. Todas as situações em que nos envolvemos estão sob o controle de dEle. Ele é soberano!

Ademais, dicas de como se dar bem na vida Jesus tem várias, veja uma: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei” (Mat. 11:28).

O verdadeiro vencedor é aquele que, apesar das dificuldades, consegue, com a ajuda de Cristo, passar por todos os obstáculos, sem com isso renunciar a dignidade da pessoa humana. É aquele que, mesmo na adversidade, prossegue avante. Pois, com Cristo, nossa caminhada adquire novas proporções. Passamos a compreender que é pela forma de se caminhar que se torna um verdadeiro vencedor e não simplesmente chegar ao alvo.

Paulo expôs a diferença entre o atleta comum e um atleta cristão: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar um coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não batendo no ar” (I Cor. 9:24-26). Assim, o verdadeiro vencedor, não é aquele que obtém uma vitória passageira, antes eterna. Pois, assim como nos jogos olímpicos “Aos vencedores, o homem oferece medalhas. Deus, no entanto, entrega coroas!” E Ele está na chegada torcendo por você! Corra para Ele!

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O médico desprezado

Publicado por Editor em 2006/07/22

Não sabíamos o seu nome. O chamaremos “desprezado”.

Sempre o víamos pelas ruas da cidade; nos becos; nas praças. Não se vestia bem. Não fazia barba. Não tinha amigos, nem parentes. Não possuía casa, tampouco cama.

Tinha somente o dia para esperar a noite, e a noite para aguardar o dia. Durante o dia fazia calor, seus velhos panos faziam-no sufocar. À noite passava frio. Não mendigava dinheiro, o máximo que fazia era pedir comida para matar sua fome e água para saciar sua sede. Quando chegava, as pessoas saiam. Quando falava, não era ouvido. Quando passava, não era notado.

Mas não era um mendigo qualquer, isso todos sabiam. A maior parte do tempo passava lendo jornais ou revistas antigas. Em seu olhar havia algo de diferente. No entanto, ninguém queria se aproximar para conhecê-lo melhor. Afinal, seria perca de tempo.

Passaram-se quase dois anos. Até que sua identidade foi desvendada.
Certo dia, uma senhora que estava de passagem pela cidade viu-o de longe e o reconheceu. Era uma amiga da família. Chorou por tê-lo reencontrado.
Sim, ela acabara de rever um dos maiores neurocirurgiões do Estado de São Paulo que estava desaparecido há mais de cinco anos. Ele havia perdido a memória em uma queda e desaparecido do seu lar. Mas agora estava retornando.
Chocante a história? É verídica.

Quantas pessoas desprezaram aquele homem por não conhecerem. Por suas vestes. Por sua situação financeira. Por sua posição social.

Se (…), somente se soubéssemos que era um grande médico, teríamos dado mais atenção a ele. Levaríamos para nossos lares e lhe daríamos abrigo.
Mas não, para nós ele era mais um mendigo. Mais um andarilho sem família, sem cultura, sem religião. Estávamos tão pertos das respostas; afinal ele era médico. Mas a deixamos passar; por causa do preconceito; por causa do status.

Agora pensemos em outro médico desprezado: O seu nome é Dr. Jesus. O médico dos médicos. Criador da vida.

Foi desprezado. Não fizeram dele caso algum.

Se ao menos soubessem quem ele era. Muito mais que um carpinteiro!

Eis um dos motivos pela qual Jesus veio revestido de humildade: Para que os que se chegassem a Ele, o buscassem espontaneamente. Sem levar em consideração a sua natureza.

Pense em quantos discípulos Jesus teria arrebanhado se tivesse vindo à terra já declarado como Filho de Deus!

Ele esteve quase que anônimo sua vida toda. Desprezado.

Isaías já havia profetizado: “Era desprezado, e o mais indigno entre os homens, homem de dores, e experimentado no trabalho; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” Isaías 53:3.

Escondiam o rosto dele. Porque não o conheciam. Não fizerem caso dele. Porque não o conheciam. Sua família o desprezou.

E você? Desprezaria o mestre como os demais? O trataria como louco? Como lunático?

Talvez dirá que não. Mas então pense: Você o tem desprezado hoje? Continuamos hipócritas, dizendo que não. Mas pensemos um pouco mais.
Desprezamos os santos irmãos da congregação; os ditos oradores. Desprezamos os que buscam a Deus em verdade. Porque são os consideramos como fanáticos. Mas gostamos daqueles que falam bonito e tem beleza exterior. Possuem excelentes condições financeiras e têm carros do ano.

Como excludente de nosso erro diríamos que temos um grupo que temos mais “afinidades”. Ocorre, porém, que quando fazemos uma análise daqueles que temos mais afinidades, notamos que os menos abonados não estão na lista. Seria isso coincidência?

Por isso, quando volto no tempo e me situo na palestina da época de Jesus, sou franco em dizer que talvez, quase que certamente, não estaria no time de Jesus. Pior ainda, faria parte do grupo seleto dos fariseus. Vou ainda mais longe me arriscando a dizer que teria negligenciado o mestre, e como os demais, pediria sua prisão e morte. Não gostamos daquilo que é certo demais, justo demais, santo demais. A luz ofusca a escuridão dos nossos erros.

Às vezes falamos dos erros dos apóstolos. Os acusamos de medrosos, mas nos esquecemos de quão difícil era a quebra dos preconceitos, a mudança da tradição. Abandonar tudo para seguir um carpinteiro não era a melhor proposta de vida para alguém. Largar emprego, família e amigos para seguir um homem que se dizia ser o Filho de Deus era inconcebível.

Meu melhor amigo seria Anás. Afinal tinha prestigio na sociedade. Pedro, o pescador. Ah, nem pensar! Nos finais de semana almoçaria na mansão de Caifás, o sumo sacerdote. Tinha algumas regras antes das refeições, tipo lavar em demasia as mãos; mas isso não teria importância. Ir na casa de Thiago ou João não poderia, mesmo porque moravam num vilarejo distante. Sim! Seria um hipócrita como os demais. Teria um pé na seita dos fariseus e outro na dos saduceus.

Mas deixe-me voltar a história do médico desprezado.

Ninguém o conhecia. Até que alguém de sua cidade natal o reconheceu. Alguém que o havia visto de perto. Sabia o tom da sua voz. Conhecia sua fisionomia. Percebeu o seu jeito de agir.

Somente quem é do alto reconhece a voz do Mestre. Somente quem é do alto reconhece o agir do Grande Carpinteiro. Somente quem é do alto percebe Jesus. Somente quem é do alto ama o próximo!

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Nem só de ignorância viverá o homem

Publicado por Editor em 2006/07/22


O que acontece quando o cristão pára de pensar?
“A entrega sem reflexão é fanatismo em ação, mas a reflexão sem entrega é a paralisia de toda ação.” John Mackay

Tenho um amigo que é fascinado por novas tecnologias. É encantando pelos produtos da nova geração. Vez ou outra ele aparece com algo diferente. Aparelhos celulares, teclados, filmadoras e DVD’s, é com ele mesmo. Mas nem sempre ele tem uma relação amigável com tais tecnologias. Os atritos às vezes são inevitáveis. Lembro-me de tê-lo visto em diversas ocasiões “discutindo” com o celular, saindo nos “tapas” com a filmadora ou mesmo tendo “arranca-rabos” com o aparelho DVD.

Outro dia fui visitá-lo. Como sabe que sou fascinado por informática, foi logo me mostrando sua mais nova aquisição:

– Veja, comprei um computador. – vangloriou-se ele.
– Qual a configuração? – perguntei interessado.
– É um Pentium 4, com 512 de memória RAM, 60 gigabytes de disco rígido, possui sistema Combo e entradas USB.
– Nooossa! De fato, é uma bela máquina – acrescentei.
– Mas vem cá, pra que serve tudo isso aí que você acabou de descrever? – perguntei.
– Ah, não sei não. Isso quem me disse foi o vendedor. Ainda não aprendi a mexer nessa máquina ainda não!!!

Cérebros subutilizados

Meu amigo é somente um entre milhares de pessoas que não sabem utilizar o seu super-mega-ultra computador. É simplesmente mais um exemplo de todos nós, humanos, que somos detentores de máquinas ultramodernas, mas não sabemos utilizá-las. Possuímos recursos infindáveis, porém, os deixamos de lado.

O mesmo acontece em relação aos nossos cérebros. O melhor de todos os computadores. O equipamento mais eficiente que existe. A máquina mais fascinante a serviço do homem. Mas mesmo assim muitos insistem em ignorá-lo.

Baseado nisso é que se diz que todo ser humano tem cérebro, mas nem todos os utilizam. Todos têm mentes, mas nem todos os colocam para funcionar. Outro dia, durante uma palestra sobre educação cristã, fiz essa mesma argumentação, e acho que alguns dos ouvintes não gostaram muito, pois olharam-me com cara de rinoceronte com azia.

Mas essa é a mais clara verdade. Nós não exploramos ao máximo os recursos das nossas caixolas. Ainda não somos capazes de utilizar todas as possibilidades desse maravilhoso dom que Deus concedeu ao homem, chamado inteligência. No máximo, o que fazemos é subutilizá-la. Empregamo-os na maioria das vezes para desempenharmos tarefas previamente estabelecidas em nosso cotidiano. Para ser mais claro, usamos nossas mentes somente para fazer coisas medíocres, corriqueiras, conservadoras.

Mas até aí o problema não é tão grave. Afinal, como dizem alguns, nem mesmo Albert Einsten, o maior cientista de todos os tempos, foi capaz de utilizar todo o potencial de sua mente; pelo contrário, ele chegou ao patamar de 10% (não me perguntem como chegaram a esse percentual!) da exploração da sua inteligência. Portanto, a efetiva e total execução dos recursos do inteligência é algo utópico, pelo menos para os dias atuais.

Ademais, pensemos no homem como um ser essencialmente gregário; alguém que foi feito para viver em comunidade. Se cada ser humano tivesse 100% de aproveitamento de sua inteligência, tornar-se-iam individualistas e arrogantes em si mesmos. O interessante é que a ausência de conhecimentos específicos em determinada pessoa é superada com o auxilio do próximo. A impossibilidade do uso pleno de nossas mentes é um incentivo ao trabalho em equipe, na medida em que conhecimentos diferentes unem-se para formar um todo perfeito.

Isso, porém, não quer dizer que não possamos desvendar ao máximo as ferramentas do pensamento, que não possamos batalhar pelos recursos da inteligência. Pelo contrário, não só podemos como devemos.

É exatamente aí que identifico o problema. Nós fomos gerados numa cultura que não nos incentivou a pensarmos. O maior exemplo disso é que a nossa formação escolar foi e é basicamente destinada à aquisição de conteúdo em detrimento do pensamento. Nosso aprendizado, na sua grande maioria, tem como meta a capacitação dos alunos com vistas a encontrar respostas ao invés de formular as perguntas. Tal situação, por si só, gera cidadãos de mentes fechadas e de curtos horizontes, pois está baseado no sistema de ensino no estilo bancário, que conforme Paulo Freire, é aquele tipo de ensino em que o professor deposita conteúdo e o aluno saca o conhecimento.

Cristianismo de mente vazia

John Stott, ao analisar a importância da mente na vida do cristão, inicia seu livro argumentando que o cristianismo atual tem estado com a mente vazia. Segundo ele:

“(…) alguns grupos de cristãos pentecostais, muitos dos quais fazem da experiência o principal critério da verdade. Pondo de lado a questão da validade do que buscam e declaram, uma das características mais sérias, de pelo menos alguns neo-pentecostais, é o seu declarado anti-intelectualismo. Um dos lideres desse movimento disse recentemente, a propósito dos católicos pentecostais, que no fundo o que importa não é a doutrina, mas a experiência. Isso eqüivale a por nossa experiência subjetiva acima da verdade de Deus revelada. Outros dizem crer que Deus propositadamente dá às pessoas uma expressão ininteligível a fim de evitar a passagem por suas mentes orgulhosas, que ficam assim humilhadas. Pois bem, Deus certamente humilha o orgulho dos homens, mas não despreza a mente que Ele próprio criou”.

“O espirito de anti-intelectualismo é corrente hoje em dia. No mundo moderno multiplicam-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: “É verdade?” mas sim: “Será que funciona?”

E o pior é que esse estilo de ensino está presente também na educação cristã. Não poucas ocasiões damos ênfase ao conteúdo em detrimento do pensamento. É por isso que encontramos por aí muitas pessoas que têm muito conhecimento mas não sabem como utilizá-los. São verdadeiras enciclopédias ambulantes. Poços de conhecimento. Conhecem a Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Sabem de cor e salteado os nomes dos discípulos e das Tribos de Judá. Citam versículos tal qual uma metralhadora. Listam todos os nomes de Deus. Porém, quando alguém “pergunta” a serventia de tudo isso, assim como meu amigo ele responde: – Ah, não sei não. Isso quem me disse foi o professor/pastor. Ainda não aprendi a mexer nessa máquina não!!!

Eis aí, portanto, o ponto nevrálgico do assunto: Não basta ter conhecimento, é preciso colocá-lo em prática. Não basta conhecer a Bíblia, é preciso ter atitude. Como fazer isso? Usando a inteligência. Fazendo valer o pensamento.

Para esclarecer a importância do pensamento, levemos em consideração que o aprendizado é baseado em três ações principais: conhecimento, pensamento e atitude. O conhecimento é aquilo que aprendemos, não somente em sala em aula. Pensamento é a forma de analisar e refletir acerca do conhecimento. Atitude é, em outras palavras, o conhecimento em ação. Cada um desses atos tem a sua parcela de importância, porém, com muita freqüência nós colocamos o conhecimento e a atitude nos lugares mais altos do pódio e relegamos o pensamento ao escanteio. Afinal, não foi Jesus quem disse para obtermos conhecimento? (Errais em não conhecer as Escrituras). E não foi ele também quem nos incentivou a ações? (Perdoai os vossos inimigos). E sobre o pensamento? Cristo não disse nada? Vejamos:

Conhecimento, pensamento e atitude são como peças de um quebra-cabeça. Incompletas sozinhas. Perfeitas unidas. O conhecimento bíblico só é importante se for praticado. A prática só é correta se for refletida. E o pensamento, por sua vez, só será válido se for baseado num conhecimento verdadeiro, direcionado a uma atitude louvável. Aquele que possui somente conhecimento é uma enciclopédia. Aquele que somente pensa é racionalista. Aquele que somente age é um fanático. Mas, aquele que conhece, pensa e age é inteligente.

O pensamento é, portanto, o elo entre o conhecimento e a atitude. É a ponte que promove a ligação entre recursos disponíveis e ações possíveis. Em outras palavras, é a razão de ser do conhecimento bíblico, na medida em que transforma dados em ações concretas. Converte folhas de papel em comportamentos.

Assim, quando os cristãos param de pensar, estamos diante de um sério problema. Sabe qual é? Outras pessoas pensarão por nós. Isso é natural e automático. E uma coisa é certa, o mundo está pensando. Ele não pára de maquinar. Suas reflexões estão a todo vapor. Suas ideologias estão em franco crescimento. Seus pontos de vistas antibíblicos ganham mais adeptos dia após dia. E nós, cristãos evangélicos, o que estamos fazendo? Preparando-nos para a próxima festividade? Ou estamos pensando no evangelho?

Não podemos nos iludir. Quando paramos de pensar, alguém pensa por nós.

Recentemente, por exemplo, surgiu na mídia o assim chamado “homem que explica o mundo” (Revista Veja, 16 de novembro de 2005). Uma referência ao economista americano Steven Levit, autor do livro Freakonomics, que se tornou um fenômeno “desvendando” o lado oculto do cotidiano, com teorias para quase todas as coisas: amor, casamento, aborto, educação, homossexuais, catástrofes, drogas, crime, etc.

Esse indivíduo pensou por ele e por muitos que não quiseram pensar. Assim, seus pontos de vistas pró-aborto foram aceitos por centenas de cidadãos “não-pensantes” que têm preguiça de refletir e medo de analisar.

E o “engraçado” de tudo isso é que ainda ouvimos cristãos dizerem que não podemos investir em estudos e esquecer esse negócio de pensamento e inteligência. Imagino que os restos mortais de São Paulo devem remexer no túmulo quando alguém interpreta II Corintios 3:16 de forma equivocada: “Mas a letra mata e o e o espírito vivifica”, como sendo uma advertência contra os estudo. Meu Deus!!!

Afinal, as Escrituras são claras sobre isso. Primeiro: Devemos amar a Deus no modo C.A.F.É. Que modo é esse: Amar a Deus de todo o nosso Coração, com toda a nossa Alma, de toda a nossa Força e com todo o nosso Entendimento. Eis aí, amar a Deus inclusive com o nosso entendimento. Segundo: “E não vos conformeis com esse mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” Rm. 12:3. E, finalmente, uma coisa é certa: No céu, Deus não dará prêmio pela ignorância, pelo contrário, é mais provável que pergunte: – Por que não usaste mais o teu cérebro a serviço do Reino?

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Igreja que ama, educa!

Publicado por Editor em 2006/07/22


Por: Valmir Nascimento (Jornal Mensageiro da Última Hora)

John Stott escreveu um livro que deixaria muitos cristãos perplexos e estupefatos. Em “Crer é também pensar” Stott analisa a importância da mente na vida cristã e explica porque o uso da mente é tão importante para o cristão, e como se aplica em aspectos práticos de sua vida. Faz ainda um vigoroso apelo aos cristãos para mostrarem uma devoção inflamada pela verdade.

Digo que muitos cristãos ficariam perplexos e estupefatos pois no inicio de seu trabalho Stott afirma que o “espírito de anti-intelectualismo é corrente em nosso dia, o que segundo ele, no mundo moderno multiplicaram-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: “É verdade?”, mas sim: “Será que funciona?”. Com efeito, este mesmo espectro de anti-intelectualismo surge freqüentemente para perturbar a Igreja cristã. Fazendo descrer da importância tanto do ensino teológico sistematizado quanto da educação secular, aduzindo, portanto, que presenciamos a “miséria e a ameaça do cristianismo de mente vazia”.

Na visão de Stott, o cristianismo de mente vazia é o resultado de igrejas que direcionaram suas ações somente para três áreas distintas: o ritual, em que uma cerimônia religiosa é um fim em si mesma; ação social, fazendo-a preocupar-se unicamente a assuntos ligados a fome e violência; ou, somente na experiência, em que se faz da experiência metafísica a única razão de ser cristão.

Esse cenário é propício para o surgimento de cristãos inconscientes; os quais não compreendendo as verdades bíblicas e o cerne do pensamento cristão são desprovidos do caráter e da mente de Cristo; cristão desvirtuados e indiferentes para com a obra de Cristo, e, por fim, crentes resignados e igrejistas, cujo horizonte vai até onde termina o átrio da sua congregação.

Gostaria sinceramente de contestar o ponto de vista de John Stott. Gostaria de escrever nesse espaço que ele está equivocado. Que as coisas não são bem da forma como ele disse. Que o cristianismo não está de “mente vazia”. Que não existe “espírito de anti-intelectualismo”. Que cristãos inconscientes, indiferentes e resignados são raros. E por, fim, gostaria de provar tudo isso, demonstrando que a Igreja investe tanto na educação bíblica quanto na secular.

Mas não tem como. Não quero ser hipócrita. Não tenho argumentos para desbancar as idéias de Stott. Não tenho provas para refutá-lo. Não tenho testemunhas. Por isso, tenho que concordar com ele. Devo aceitar suas denúncias.

Para comprovar que ele tem razão, basta observar que anualmente a igreja realiza quase uma dezena de festividades para os mais variados departamentos/setores. Nesse sentido, têm-se festas de jovens, adolescentes, crianças, circulo de oração, novos convertidos, encontros de casais, e aniversários diversos, nos quais são despendidos altas quantias de dinheiro para a oferta de preletores, cantores e demais despesas necessárias para o custeio de tais eventos.

Em contrapartida, pouquíssimas vezes são realizados eventos relativo à educação cristã. Encontros que tenham como foco discutir assuntos atinente ao ensino. Congressos que busquem a capacitação de professores e o aperfeiçoamento daqueles que acabaram de adentrar ao ministério do ensino. Simpósios que abordem técnicas de ensino e métodos para a excelência da ministração. Em último caso, e, se sobrar tempo, o máximo que se faz é improvisar um reuniãozinha extraordinária após e escola dominical num domingo qualquer, cujos participantes não vêm a hora do amém.

Ainda, tem-se o caso do investimento em construções de templos suntuosos, instalação de condicionadores de ar, cortinas, computadores, assentos, bem como outras aquisições; ao passo que pouco se investe em construção de salas de aula, aquisição de quadros, pincéis, materiais didáticos e outros correspondentes, afim de melhorar o ensino sistematizado da Bíblia Sagrada, eis que nesse caso, o investimento parece não ser conveniente.

Verifica-se que poucos líderes já se conscientizaram acerca da importância do ensino na igreja. Por isso, o sistema de ensino religioso evangélico permanece na sua grande maioria com um estilo arcaico, medíocre e desorganizado, com poucos investimentos e ações com vistas a organizar o setor educacional.

O cristianismo de mente vazia é resultado exatamente dessa falta de investimentos em educação cristã. Na inexistência de ações voltadas para a completa formação dos seguidores de Cristo. Na exata medida em que a Escola Dominical é jogada para escanteio e considerada somente como mais uma reunião extraordinária. Na mesma proporção em que o ensino sistematizado e permanente da Palavra de Deus, e o incentivo para o estudo secular é deixado de lado.

Leve-se em consideração que a Igreja enquanto agência divina possui três funções básicas: Evangelização, adoração e ensino. Entre esses papeis não existe aquele que possua maior ou menor grau de importância, todos são fundamentais. Porém, o ensino é o sustentáculo dos demais. Evangelização sem ensino é o mesmo que jogar a semente sem, no entanto, regar com água. Adoração sem ensino é pura cantoria sem propósito. Em suma, cristianismo sem ensino é puro ritualismo.

A educação cristã é de suma relevância para a formação do caráter cristão e para a afixação da consciência espiritual. A educação cristã promove o conhecimento de Deus e seu amor presente em Cristo. A educação cristã dá condições de preparo e desenvolvimento a seus membros para desempenharem o seu serviço do Reino. Portanto, o investimento no setor educacional da igreja é sobretudo investimento na formação do caráter cristão; é o empenho no sentido de formar discípulos conscientes acerca do seu papel no Reino de Deus, bem como da sua função no meio social.

Baseado nisso…

Se quisermos que os cristãos sejam conscientes e comprometidos com a principal finalidade do Reino de Deus, é melhor investirmos em educação. Se quisermos que os membros da igreja tenham pleno envolvimento acerca do seu papel em meio à sociedade secular, é melhor investirmos em educação. Se quisermos que a igreja saia dos casulos templários e cause o impacto do evangelho na sociedade, é melhor investirmos em educação. Se quisermos que a alienação espiritual de muitos crentes dê lugar à compreensão da salvação da alma, é melhor investirmos em educação. Se quisermos sermos vistos como sal da terra e luz do mundo, é melhor investirmos em educação.

Por outro lado…

Se quisermos que os cristãos sejam alienados, inconscientes, insossos, apagados, descomprometidos, sem propósitos, igrejistas, resignados, indiferentes e desvirtuados, é simples: Não invista em educação. Esqueça o ensino. Despreze a Escola Bíblica Dominical!

É por essas e por outras que, parafraseando Içami Tiba, digo: Igreja que ama, educa!

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Os Eleitores Corruptos

Publicado por Editor em 2006/07/21

Não. Não errei o título do meu artigo deste mês. Sei que você está acostumado com a expressão “político corrupto”. A bem da verdade, as palavras “político” e “corrupto” há muito tempo não se divorciam em uma frase. Estão sempre coladinhas. Uma perto da outra. Uma ao lado da outra. Onde uma vai, a outra vai atrás. Onde um está, lá está a outra também. No cenário político brasileiro elas formaram um par romântico, tal qual Romeu e Julieta, queijo e goiabada.

Mas não é sobre políticos corruptos que pretendo falar. Sobre esse assunto vários jornais, revistas, noticiários, tablóides, sites, blogs, rodas de bares e mercearias têm se empenhado. Analistas políticos, filósofos, sociólogos, jornalistas, quitandeiros e engraxates tem dado seus pareceres sobre o tema. Com análises complexas eles passam para o leitor um visão detalhada da crise política tupiniquim. Ou, ainda, se quiser o ponto de vista do senso comum, basta ficar na fila de um supermercado ou de um banco que logo surge um “especialista” com suas idéias inovadoras.

Portanto, deixarei os políticos corruptos de lado (Veja bem: políticos corruptos, não a política). Estou casado deles. Meus ouvidos estão estafados. Minha mente estressada. Não gasto energia nem as pontas do meus dedos para escrever sobre isso. Não gasto folhas de papel. Não desperdiço tempo. Não que ache errado; pelo contrário, acho certo falar do errado! Simplesmente deixo para outros esta dura tarefa.

Falemos então sobre a outra face da processo político-eleitoral. A outra vértice do assunto. O outra lado da moeda: o eleitor. Aquele que em tempos de eleição é a última bolacha do pacote. A luz no final do túnel. O prêmio de todo candidato. Mas não é sobre qualquer eleitor; é sobre o eleitor corrupto. Isso mesmo, apesar da palavra “corrupto” viver na “cola” do político, ela não é afeta somente à esta classe.

Dá um presentinho aí!

O fato é que nos acostumamos a analisar basicamente o erros de quem está no poder. As maracutáias do Planalto, os sanguessugas do Congresso ou o paraíso fiscal dos poderosos. Mas vem cá! E sobre os eleitores corruptos, ninguém nada fala? Aquele quem em tempos de eleição bate à porta dos políticos para pedir “uns litros de gasosa”, “uma novilha para o casamento”, “um remédio para a sogra”, “umas cestas básicas”, “umas passagens”, “uma leitoa”, “um emprego” . Sobre isso ninguém comenta nada. Nem uma materinha sequer? Um artiguinho na ponta da revista? Uma frase no jornal. E nas rodas da mercearia, não há uma analista para comentar o tema?

Não nos enganemos. Tanto o Deputado que surrupia dinheiro público, quanto o eleitor que pede/aceita um pequena ajudinha são farinhas do mesmo saco. Tanto o Prefeito que desvia verbas quanto o eleitor que recebe R$ 50,00 (cinqüenta real (errado, assim mesmo) em troca do seu voto estão incursos no mesmo erro: a corrupção.
Vejamos. Pegue seu dicionário. Folhei-o até a letra “C”. Especificamente na palavra corrupto. Lá estará escrito: Corrupto – aquele que se corrompe; corrompido; depravado; devasso. Para ter um visão mais completa, volte um pouco mais até à palavra corromper; e lá estará escrito: Corromper – Apodrecer; estragar; perverter; viciar; subornar.
Portanto, quando um eleitor aceita o suborno de um determinado candidato, independente do valor, seja de alguns centavos até altas cifras (pois o que importa não é o valor mais a atitude nefasta da pessoa), ele faz a vezes do corrupto passivo, aquele que recebe vantagem de outrem. E como diz o dicionário, tal pessoa está apodrecida, estragada.

O problema, portanto, da assim chamada corrupção brasileira nasce exatamente na camada dos eleitores, entre aqueles que para exercerem seu direito universal ao voto querem levar vantagem, por menor que seja. Não se analisa as proposta dos candidatos, vota-se em quem dá mais. Pouco importa se o candidato figura em uma lista negra, contanto que lhe dê um presentinho, tudo resolvido.

Após um ano trabalhando basicamente com o Direito Eleitoral e lidando com uma grande quantidade de eleitores, cheguei à conclusão de que o corrupção política nasce exatamente entre o “baixo clero eleitoral”. Prova disso foi que recentemente, após a aprovação da minirreforma eleitoral (Lei 11.300/06), na qual os partidos e candidatos ficaram proibidos de distribuir brindes – como camisetas, chaveiros, bonés, canetas -, cestas básicas, ou “quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor”, bem como proibidos de realizar os showmícios, com a participação de artistas, passei a ouvir uma quantidade enorme de reclamações.

Dos políticos? Não! Não! Dos eleitores corruptos. Segundo eles “tal lei tirou a alegria das campanhas políticas”. Ou como disse determinado eleitor: “Ah, agora é que eu não voto mesmo, não vou ganhar nada em troca”.

Eis aí, portanto, nossos gloriosos eleitores corruptos. Aqueles que pleiteiam, pedem e requerem algo em troca de um votinho. E o interessante é que fazem isso com a maior naturalidade do mundo, com a maior cara de pau, pensam que não estão fazendo nada de errado. Depois, no momento em que surgem escândalos entre os políticos, ele mesmo dizem: – Esse Brasil tá uma vergonha!

Ora, vergonhoso também é a venda de votos. Vergonhoso é aceitar suborno. Vergonhoso é querer vantagem. Sobre isso Jesus diria: “Primeiro tira a trave que existe no teu olho”.

A conduta do cristão consciente

A campanha política já começou, portanto, não nos deixemos levar por essa cultura de “venda de votos” que existe por aí, que muitos pensam não estarem cometendo nenhum erro ou ilícito. Como cristãos, precisamos ser modelos, sal e luz. Nosso voto deve ser pautado segundo os critérios bíblicos, conforme os preceitos divinos. Não nos deixemos subornar por qualquer tipo de mesquinharia ou altas crifras. Não nos deixemos vender por qualquer vantagem concedida. Oremos à Deus. Peçamos sabedoria. Analisemos propostas. Observemos a vida pregressa do candidato. Quem é ele? O que ele fez? O que ele faz? Tem histórico? É integro? É competente? É temente?

O verdadeiro cristão é comprometido com a comunidade, e com os rumos da política (arte de bem administrar). Como disse Celso Siqueira, em outro expediente, “ser cristão invoca responsabilidade e compromisso em participar das respostas às necessidades humanas. O cristão que age com consciência na orientação que emana de Deus, é ciente que não pode alienar seus compromissos com a sociedade”.

Lembremos: político e eleitor corrupto, aos olhos de Deus, estão no mesmo barco!

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Explorando o universo paralelo

Publicado por Editor em 2006/07/21


Por: Philip Yancey

Há quase dez anos participo, na Universidade de Chicago, de um grupo que lê principalmente os romances de autores como Philip Roth, Saul Bellow e J. M. Coetzee, que tinham relação com a escola. O grupo era integrado por um professor marxista de filosofia, de um especialista em desenvolvimento infantil, de um pesquisador no campo da farmacologia e de um advogado.
Eu me encanto ao ver como um mesmo livro provoca respostas radicalmente diferentes. Depois de navegar num mar de idéias, quase sempre as conversas desembocam em temas políticos. O grupo me vê como uma janela para um universo paralelo.

– Você é evangélico, não é? – Eu respondo que sim.

– Você poderia nos explicar por que eles não concordam com o casamento dos homossexuais?
Eu me esforço, mas os argumentos dos líderes evangélicos que eu menciono não lhes faz sentido. Depois das eleições de 2004, o professor marxista saiu-se com uma tirada contra os “evangélicos de direita”:
– Eles são motivados pelo ódio, ódio profundo.
Eu sugeri o medo como uma possível alternativa, medo de mudanças numa sociedade que vai se movendo para uma direção problemática. No entanto, ele insistiu, levantando sua voz e ruborizando a face:
– É ódio.
Então, eu lhe perguntei:


Você conhece pessoalmente algum evangélico de direita?
Ele admitiu que não, embora tenha dito que conheceu vários deles em sua juventude. Tenho aprendido com esse grupo como a religião pode soar ameaçadora, especialmente para aqueles que se vêem a si mesmos como agnósticos num país de crentes. Eles tendem a ver os evangélicos como guardiões da moral, determinados a impor suas idéias de comportamento a pessoas que não compartilham de suas crenças.
Visitando outra cidade há alguns meses, encontrei-me com três homens gays que se consideram cristãos, freqüentam regularmente uma igreja e levam a sério sua fé. Eles vêem a cena política com as mesmas lentes do meu grupo de leitura, embora com um senso maior de preocupação. Um deles disse:

– Nós nos sentimos na mesma situação dos judeus no tempo de Hitler. Estamos tentando perceber se estamos em 1933 ou 1939. Será que teremos de nos mudar para o Canadá? Está claro que o nosso país não nos quer. Acho que a maioria dos evangélicos gostaria de nos ver exterminados.
Para sua incredulidade, eu respondi:

– Como você pode pensar uma coisa dessa! Os homossexuais têm os mesmos direitos que outros neste país. Não conheço um só cristão que queira ver vocês exterminados.
Os três citaram esforços legislativos em vários estados para suprimir direitos já garantidos aos homossexuais e me referiram várias páginas de retórica inflamada contra os homossexuais, vindas de ativistas evangélicos.
Saí da discussão com minha cabeça fervendo, tal como ocorre no meu grupo de leitura na universidade. Como podem pessoas habitantes de uma mesma sociedade terem percepções tão diferentes? E o que nós, evangélicos, fizemos para que as Boas Novas soem como tão ameaçadoras?

Apenas uma pessoa do grupo de leitura manifestou interesse por questões de fé. Uma noite Josh me falou sobre sua irmã, agora uma evangélica conservadora. Ela fora viciada em drogas, incapaz de se manter num emprego ou continuar casada. Disse-me Josh:

– Um dia ela encontrou Jesus. Não há outra explicação. Ela mudou da noite para o dia.
Josh me pediu uma indicação de um livro de C. S. Lewis ou outro autor que explicasse a fé de uma forma que pudesse entender. Ele acrescentou:
– Minha irmã me envia livros cristãos, mas eles não são nada convincentes. Eles parecem escritos para pessoas que já crêem.

Prontamente concordei. Acho que pode ser bastante tentador dedicar muitos esforços para reabilitar a sociedade, especialmente quando estes esforços demonizam a oposição. (Aliás, nem Jesus, nem Paulo demonstraram grande interesse em purificar o degenerado Império Romano. Como a História tem demonstrado, especialmente em tempos quando Igreja e Estado estão tão próximos, é possível para a Igreja ganhar a nação e, no processo, perder o Reino.) (Tradução de Israel Belo de Azevedo)

Philip Yancey é jornalista, teólogo e escritor de vários livros.

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Cristianismo: Mais que uma fé pessoal

Publicado por Editor em 2006/07/20


Os cristãos podem fazer alguma diferença no mundo? A cosmovisão cristã nos dá o mapa que precisamos para viver? Uma cultura pode ser reconstruída de maneira que todo mundo possa ver no seu esplendor e glória o perfil do Reino de Deus? O cristianismo vai além de João 3:16? Ser cristão é mais que ter um fé pessoal em Cristo?

As perguntas acima esposadas são a tônica do livro “E agora, como viveremos?” de Charles Colson & Nancy Pearcey. Li pelo primeira vez esse trabalho ainda nos primeiros passos da minha caminhada cristã, coincidentemente com o meu ingresso no mundo universitário. Nesse contexto, via repetidas vezes os fundamentos da fé cristã serem relegados e a cruz de Cristo maltratada. A mente intelectual e envaidecida de alguns professores e alunos, entupidas que eram pela filosofia humanista e pela sociologia da autonomia e independência, descambavam para a defesa de um pós-modernismo sem precedentes, onde Deus era mais um simples coadjuvante, e as coisas espirituais não passavam de invenção humana.

Nesse cenário acadêmico, e, apesar de estar no fogo do primeiro amor, cujo desejo ardente de apregoar a mensagem do evangelho era mais intenso que em qualquer outro momento da vivência cristã, minha fé foi posta em prova. Eis que até então, acostumado com os ensinos doutrinários da Igreja, focados em temas espirituais e estudos bíblicos, vislumbrei um enorme hiato entre aquilo que eu aprendia contraposto ao que acontecia além das portas do templo que freqüentava. Minha visão espiritual, até aquele ponto circunscrita ao limites de João 3.16, deu de “cara” com um mundo onde o evangelho apresentava-se como um mero compromisso de final de semana.

Sintetizando, passou pela minha cabeça que a religião que professava estava distante muitos anos luz da realidade. Aparentemente minha fé pessoal não possuía todas as repostas possíveis para as questões sociais. Minha espiritualidade fazia parte de um mundo paralelo, fictício, cujos dogmas diziam respeito unicamente à vida espiritual, adoração à Deus, salvação, céu e inferno. E que, portanto, tais dogmas estavam aquém e/ou além da ciência, da sociedade ou do cotidiano. Por um curto período de tempo pontos de interrogação pairavam sobre a minha cabeça, onde o embate entre fé x mundo era constante.

Muito mais que João 3:16

Nesse exato cenário foi que “conheci” Charles Colson. No melhor estilo norte-americano de escrever, Colson despertou minha atenção pela forma como abordava assuntos complexos com imensa facilidade. As teorias filosóficas e as doutrinas bíblicas de queda e redenção do homem foram diluídas em narrações de personagem reais, tornando o processo de leitura e aprendizado agradável e consistente.

O que mais despertou meu interesse foi uma das declarações de Colson na contra capa do livro. “O verdadeiro cristianismo vai além de João 3.16”. Uma sentença aparentemente herética e imbecil, afinal o versículo chave da Bíblia Sagrada – porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha vida eterna – era, pra mim, a síntese do Cristianismo, a própria razão de ser da minha conversão. Ali estava demonstrado o imenso e infinito amor do Criador. De forma que o cristianismo não era mais nem menos que o verso de João 3:16.

Porém, estava equivocado. Compreendi pouco depois que Colson não estava com tal declaração anulando o amor de Deus em nossas vidas. Ao contrário, a verdade era – e é – que o amor de Deus pela humanidade era mais amplo do que aquilo que estava acostumado a ouvir e aprender, e que o Cristianismo estava além da rotina igrejista dos finais de semana. Inversamente, o Cristianismo é mais que uma crença particular, mais do que salvação pessoal; é um sistema de vida compreensível que responde às perguntas mais antigas da humanidade: De onde eu vim? Por que estou aqui? Para onde estou indo? A vida tem algum significado e propósito?

A obra de Colson deu-me naquele oportunidade combustível suficiente para continuar minha caminhada como cristão e recursos para a defesa da fé, fazendo-me compreender que o Reino de Deus é muito mais do que eu acreditava ser, passando a entender que os princípios cristãos devem nortear não somente nossa forma de adoração à Deus, nosso relacionamento eclesiástico ou a maneira como realizamos campanhas evangelísticas, mais que isso o valores cristãos deve dirigir nossas condutas ante todas as questões sociais contemporâneas, seja relacionado à política, à cultura, à família, à educação, à ciência e até mesmo ao direito. Pois que, deve ser encarado como um forma de ver o mundo [cosmovisão], que traduz-se numa “lente fictícia” onde a realidade é a partir dela interpretada.

O papel da Igreja no mundo

A responsabilidade da igreja, portanto, vai além da mera realização de “eventos espirituais” e agendas festivas, sobretudo, ela é responsável por redimir toda uma cultura em decadência e implantar o padrão bíblico de vivência. Seus princípios devem se inserir em todos os campos de atuação do homem. Seus fundamentos precisam adentrar nos vários extratos sociais e intelectuais da sociedade, numa síntese daquilo que disse Cristo: “Vós sois do sal da terra e a luz do mundo”. O sal para nada serve se for insípido. A luz não tem finalidade alguma se estiver escondida. E se ignorarmos essa responsabilidade de redimir a cultura que nos rodeia, diz Colson – nosso Cristianismo vai permanecer particular e ridicularizado.

Particular e ridicularizado? Será que o nosso cristianismo possui tais “qualidades”? Responda você mesmo após refletir acerca das seguintes indagações:

Nosso cristianismo o que tem feito para redimir a cultura que nos cerca? Nosso cristianismo se importa com o destino da educação secular que insere dia após dia conceitos evolucionistas na formação de nossos filhos? Temos alçado a voz contra o relativismo ético? Nossa igreja tem dado o valor devido à propagação das mensagens da nova era principalmente no ambiente empresarial? Nossas lideranças têm direcionado ações com o fim de coibir a aprovação de leis anti-cristãs? Nossos políticos evangélicos têm sido luz em meio a tanta corrupção? O que temos feito em respeito à violência? Quais as nossas ações em relação à saúde? Nossas atitudes em relação à prostituição infantil? Nossos cristãos são cidadãos conscientes? Ou melhor, nós, cristãos, somos cidadãos? Nossas igrejas investem em educação e formação de cristão conscientes? E, finalmente, o que você e eu temos feito? Imagino que sua conclusão não será tão diferente da minha!

Baseado em perquirições desse estilo é que Colson utiliza a pergunta “E agora, como viveremos?” como titulo do seu livro. Ao vislumbrar os avanços do naturalismo, as garras do pós-modernismo e as teias do pluralismo invadirem a sociedade ele faz essa pergunta como um grito de desespero: E agora, como, nós cristãos, vamos viver nessa sociedade? E agora, como vamos mudar essa realidade? E agora, como vamos redimir essa cultura? E agora, como implantar um padrão essencialmente cristão no mundo?
Ele responde ao final: “Abraçando a verdade de Deus, entendendo a ordem moral e física que Ele criou, argumentando amavelmente com nosso vizinhos por amor a essa verdade, e então tendo a coragem de vivê-la em todos os aspecto da vida”.

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A Parábola do Filho Inconveniente

Publicado por Editor em 2006/07/20

Ela é muito conhecida. Famosa tanto no ambiente cristão quanto secular. Quase todos pastores já pregaram ou pelo menos dela fizeram menção. Os ensinadores tiram lições e mais lições do seu relato. A Bíblia a chama de “a parábola do filho pródigo”. Eu, por outro lado, a denomino de “a parábola do filho inconveniente”.

A parábola é sobre dois filhos. Um deles, o mais novo, em determinado momento de sua vida resolve se rebelar. Afadigado com a rotina diária pede ao pai a sua parte da fazenda. Pretende conhecer novas cidades. Novas pessoas. Novos relacionamentos. Novas culturas. O pai, homem justo e amoroso, não entra em atrito. Apesar do aperto no coração, consente ao pedido. Reparte então a fazenda entre os filhos.
O caçula, agora abastado e com a bolsa repleta de tesouro, parte rumo a uma terra longínqua e desconhecida, à procura de coisas e pessoas nunca vistas. Uma festa aqui, outra ali, outra acolá. Bebida, comida, farra e mulheres. O dinheiro rapidamente com o vento se vai assim como os falsos amigos e as mulheres. E num piscar de olhos resta somente um bolso vazio e um coração amargurado. Sem ter o que comer, beber, vestir, nem onde morar.

Ele então sai à procura de emprego. Distribui o seu “curriculum”. Faz entrevistas. Procura várias “empresas”. Mas nada de empregos de chefia, gerência ou coisa parecida. Nem ao menos um trabalho de operário qualquer ou talvez um ofício de pastorear ovelhas. Portanto, sem essa de salários altos e cargos de confiança. Sobra somente uma função que ninguém, quase ninguém gostaria de fazer: apascentar porcos. O filho de um rico fazendeiro dorme agora com os porcos. Acorda com os porcos. Alimenta-se com os porcos. Suja-se como os porcos. Enfim, vive como um porco.
O tempo passou, e, felizmente, um dia ele cai em si: “Até os trabalhadores do meu pai têm pão em abundância e eu aqui dando uma de tolo perecendo de fome. Não! Isso não pode continuar assim. Levantar-me-ei e irei ter o meu pai e direi a Ele: Pai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; faz-me como um dos teus trabalhadores”.

Pronto. Ele estava arrependido. Tudo estava planejado para o seu regresso. Ele sabia o que fazer e falar. Assim como havia planejado ele o fez: Levantou-se e pegou o caminho de volta para a fazenda. O pai ao vê-lo de longe, comoveu-se de íntima compaixão. O filho, então, lançou-se ao seu pescoço e o beijou e começou a dizer aquilo que havia preparado: “Pai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho…”.

Mas antes que ele terminasse a última parte da frase original, “faz-me como um dos teus trabalhadores”, seu pai irrompeu ordenando aos servos: “Tragam depressa a melhor roupa e, vistam-no e, ponham um anel em sua mão e sandálias em seus pés; e mais, tragam o bezerro cevado, matem-no, e, comamos e nos alegremos. Porque este filho estava morto e reviveu; estava perdido e foi achado” (Mt. 15.23,24).
Que parábola maravilhosa. Que fim magnífico. Que final feliz! Alguém pode imaginar, pensando que a estória já terminou, no entanto, ainda não chegou o fim. Jesus continua: “E o seu filho mais velho estava no campo (…)” v. 26.

Mais que coisa, ainda existe o filho mais velho? Ia esquecendo que a parábola é sobe dois filhos. Por que essa parábola não acaba por aqui mesmo? Ela tá tão bonita! Tão perfeita! O final é feliz! Por que logo agora aparece esse irmão mais velho? Nós podemos objetar.

Mas não tem jeito. O irmão mais velho existe. E ele entra em cena. Qual uma mosca encontrada numa deliciosa refeição ou a visita impertinente no turno da noite, ele surge nas linhas finais da parábola. Um coadjuvante estranho. Até posso vê-lo saindo do campo depois de um dia de trabalho. Cansado. Suado. Olhos semi cerrados. Traz uma ferramenta de trabalho na mão. Esbaforido. Sem ar. Caminha com passos firmes rumo à casa da fazenda. Vários servos o acompanham. Parece um pelotão pronto para a batalha.

Por meio de um dos servos fica sabendo o que se passa na casa do pai: “Teu irmão voltou e o teu pai está fazendo a maior festa”. Ele então se indignou. Nem queria entrar na casa. Não queria saber do irmão. Ficou bravo até mesmo com o pai. “Como meu pai pôde recebê-lo? Ela nos deixou. Foi embora. Acabou com o seu dinheiro”.
Pronto. Foi-se o final feliz da parábola. O clima de amor dá lugar ao clima de rivalidade. O ambiente de felicidade dá lugar ao ambiente de hostilidade. No lugar de perdão, agora, por último, temos a inveja. Foi-se o final feliz!

Parece estranho e ao mesmo tempo engraçado (e isso eu percebi enquanto redigia este texto) o fato de que muitas das parábolas narradas por Jesus não terem um final essencialmente feliz. Lembremos da parábola do credor incompreensivo que no fim da história foi entregue aos atormentadores. Ou a parábola das bodas (Mt. 22.01) na qual os penetras foram lançados nas trevas exteriores. Ou a parábola dos lavradores maus (Mt. 21.33). E ainda a parábola das dez virgens (Mt. 25.1), que trágico fim teve as virgens imprudentes!

Refletindo sobre isso se percebe que as parábolas do Mestre são na realidade espelhos da nossa vida; não que o fim último de nossa existência seja a completa infelicidade, isso dependerá obviamente da nossa escolha ante o convite de Salvação de Cristo; espelha, por outro lado, os vários “finais” pelos quais passamos durante a jornada terrena sejam pertinentes ao trabalho, relacionamentos, aspecto financeiro ou no que diz respeito à saúde, e, até mesmo no que tange ao resultado da nossa caminha cristã.

Assim, no momento em que tudo parece bem e lá adiante vislumbramos uma placa de final feliz, logo nesse instante, aparece o filho mais velho. Suado. Esbaforido. Com uma foice na mão. Pronto para estragar o final de uma fase da nossa carreira existencial. Preparado para nos decepcionar. Por isso é que se houve freqüentemente: O casamento ia tão bem, mas separaram-se. Sua saúde era esplêndida, mas foi tomado por uma enfermidade. O trabalho transcorria normalmente, mas foi despedido.
Nossa existência, portanto, não é definitivamente um mar de rosas, cujos “finais” são repletos de felicidade, como querem alguns. Pelo contrário, às vezes, finais existem em nossa caminhada cuja felicidade é ofuscada pela doença, desemprego, morte ou outros fatores que nos levam ao sofrimento.

Nesse sentido, portanto, a P.F.P. (Parábola do Filho Pródigo) é também um reflexo da nossa vida, cujo final feliz foi apagado pela raiva do filho mais velho, eis o motivo pelo qual eu a chamo de P.F.I. (Parábola do Filho Inconveniente). Aquele filho que transforma momentos sublimes em momentos de terror. Tempo de alegria em tempo de tristeza. Hora de riso em hora de pranto.

O filho inconveniente na parábola não é aquele que erra e gasta toda a sua parte da fazenda pelo mundo afora. Mas sim aquele que não aceitou o arrependimento do irmão, tampouco o perdão concedido pelo pai. É aquele irmão legalista e meticuloso que não aceita de forma alguma a graça divina. É aquele que não concorda com o inexplicável amor do pai. O filho inconveniente é aquele que tem inveja. E como disse Rubem Alves, inveja é uma “doença do olhar”, pois consiste em um olhar torto, olhar distorcido.

Por isso, ninguém gosta de um irmão que lhe olhe torto, pois ele sempre trará um trágico fim para as nossas histórias. Ele é impertinente e inconveniente. Mas não tem jeito, ele existe. Não há como apagá-lo da parábola muito menos de nossas vidas, e, quando menos se espera ele aparece.

Nesse sentido portanto, e, sabendo que talvez você não concorde comigo, terminarei esse texto nesse ponto: num ambiente de final-não-feliz. Com a memória de um filho inconveniente rasgando um cenário de festa e alegria entre o pai e filho. Sei que você possivelmente não assentirá com a minha atitude, afinal gostamos dos finais felizes e desfechos deslumbrantes no estilo cinematográfico. Mas se eu escrevesse somente o que os leitores gostaM de ler, eu estaria fazendo uma simples conveniência: escrevendo para as pessoas sentirem-se felizes. Até que eu gostaria, colunistas são fascinados por essa possibilidade. Mas não posso; pois se eu o fizesse estaria sendo medíocre e insensato. Estaria pintando a vida com uma tinta cor-de-rosa.

O correto, então, não é fazer de conta que eles não existem, mas enfrentá-los. O ideal não é acabar com os filhos inconvenientes, mas sim superá-los.

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