O batismo de Jesus – 2

O BATISMO DE JESUS
Texto Áureo: Jo. 1.31 – Leitura Bíblica em Classe: Mt. 3.1-6; 13.17
Pb. José Roberto A. Barbosa

Objetivo: Mostrar que Jesus fora batizado para que a justiça se cumprisse, e nós, também, devemos valorizar o batismo.

INTRODUÇÃO
Jesus quis ser batizado por João Batista, ainda que este tenha se achado indigno de fazê-lo. Jesus fez opção pelo batismo não porque tivesse necessidade de arrependimento, antes para que se cumprisse toda a justiça. Mas, afinal de contas, o que é o batismo? Qual a razão do batismo de João? Tentaremos, na medida do possível, aprofundar algumas dessas questões na lição de hoje.

1. JOÃO, O BATISTA
João é denominado de Batista porque batizava aqueles que ouviam a sua mensagem de arrependimento, pregada às margens do rio Jordão (Mt. 3.1,6; Mc. 1.4,5; 6.14). Esse João, que não deve ser confundido com o evangelista, teve o seu nascimento predito (Mt. 4.5) em resposta a oração de seu pai, Zacarias (Lc. 1.13). Lucas diz que ele era cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Lc. 1.15-17), haja vista seu grandioso ministério, ser o precursor do Messias (Mt. 3.11). Fora preso, decapitado e sepultado por Herodes (Mt. 14.3-12). Em um dos momentos de fragilidade, João recebeu não só a repreensão, mas o apoio e elogio de Jesus (Mt. 11.1-7). A honra que João recebeu de Jesus deva servir de estímulo para todos nós, principalmente, no que tange à humildade (Mt. 3.11; Jo. 3.30).

2. O BATISMO DE JOÃO
Em Mc. 1.4-8, temos um registro da atuação de João em seu ministério de batizar. É dito, nessa passagem, que se tratava de um “batismo de arrependimento para remissão de pecados” (v. 4). Em Mt. 3.11, João contrasta seu batismo, com água, com o batismo no Espírito Santo, que haveria de ser dado por Jesus. O batismo de João, ao que tudo indica, não deve ser confundido com o batismo ordenado por Jesus. Seu batismo, como o próprio texto o explicita, era de arrependimento, e não fazia alusão à Trindade. Justamente por isso, nos tempos de Paulo, alguns seguidores de João, após crerem em Cristo, eram rebatizados (At. 18.24-19.7). Ainda que, nos tempos de João, no contexto anterior à morte e crucificação de Cristo, o batismo de João tinha validade como ritual judaico.

3. JESUS FOI BATIZADO
Jesus precisava ser oficialmente inserido na esfera pública, por isso, veio até João para que fosse batizado. Essa atitude de Cristo justifica-se porque João representava, naquele tempo, a lei e os profetas, isto é, o ritual judaico. O profeta quis, a princípio, eximir-se daquela responsabilidade, por se achar indigno de batizar a Jesus. O Senhor, no entanto, entendeu que Seu ato voluntário, como o da encarnação, carecia de cumprir o ritual religioso. De modo que, para tomar o lugar dos pecadores, Ele fez a opção de ser batizado a fim de que, como Ele mesmo o disse, se cumprisse toda a justiça (Mt. 3.15). Devemos, nesse sentido, fazer a diferença entre o Cristo, sem pecado, e o Seu dever oficial na sociedade judaica, como aconteceu por ocasião de Sua circuncisão (Lc. 2.21-24). Ao submeter-se ao batismo, Jesus, de certo modo, antecipou o outro batismo pelo qual viria a passar no futuro, na cruz, para a remissão dos pecados (Lc. 12.50).

4. O BATISMO CRISTÃO
A palavra “batismo”, no grego neotestamentário, remete ao ato de imergir ou submergir alguém, na água, por razões rituais. Após a Sua ressurreição, por ocasião da Comissão aos Apóstolos, Jesus ordenou aos Seus discípulos que batizassem aqueles que viessem a se tornar discípulos. Esse batismo deveria ser em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28.19). Em cumprimento a essa ordenança, Pedro, em At. At. 2.38, instruiu aos ouvintes a que se arrependessem e que fossem batizados em nome de Cristo, isto é, na autoridade que Jesus havia dado aos discípulos. Na prática bíblica, a decisão pelo batismo resultava de um ato de fé em Cristo para a salvação (Mt. 16.16; At. 2.41). Por meio do batismo nas águas, o crente se identifica, simbolicamente, com a morte e a ressurreição de Cristo (Rm. 6.3; Gl. 3.27).

CONCLUSÃO
Jesus decidiu ser batizado não porque tivesse pecado, dos quais precisaria se arrepender. No ato do batismo, Cristo quis identificar-se com a condição humana, com os rituais judaicos a fim de que, como Ele mesmo afirmara: “se cumprisse toda a justiça” (Mt. 3.15). O batismo cristão, ainda que não seja uma condição para a salvação (Mt. 16.16), é uma prática que precisa ser observada, a fim de que, por meio desse ato, possamos demonstrar, simbolicamente, nossa identificação com Aquele que morreu e ressuscitou para que fôssemos salvos.

BIBLIOGRAFIA
ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.). Comentário bíblico pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
VINE, W.E., UNGER, M. F., WHITE JR, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

O batismo de Jesus – 1

LIÇÃO Nº 5 – O BATISMO DE JESUS
Dr. Caramuru Afonso

O batismo de Jesus, início de Seu ministério público, é um ato de identificação com a humanidade pecadora.

INTRODUÇÃO

- O batismo de Jesus é o ato inaugural do ministério público de Jesus, quando o Senhor Se revela como o Messias, o Salvador do mundo para o Seu povo.

- No batismo, Jesus mostra que veio Se identificar com a humanidade pecadora, submetendo-Se, como homem, ao cumprimento da vontade de Deus. Por isso, batizou-Se embora não tivesse pecado.

I – O BATISMO NO JUDAÍSMO E O BATISMO DE JOÃO

Colaboração/Gráfico: Enomir Santos

- A palavra “batismo” é grega, vem de “batisma” (βαπτισμα), cujo significado é “mergulho”, “imersão”, prática que foi iniciada entre os judeus quando, já na época helenística (ou seja, o período que se seguiu à dominação grega do Oriente Médio), iniciou-se o chamado “movimento missionário judeu”, quando se passou a haver a conversão de gentios ao judaísmo, os chamados “prosélitos” (Mt.23:15). Como os gentios eram considerados pessoas imundas (At.10:28), passou-se a exigir que o convertido ao judaísmo não só se circuncidasse, como também, participasse de uma lavagem cerimonial de todo o corpo, por imersão em uma “mikvah” ou “mikveh” (“acumulação de água”, em hebraico, isto é, piscina ritual ou casa de banhos), gesto este que passou a se denominar “batisma”, em grego, e que os estudiosos denominam de “batismo judaico” ou “batismo de prosélitos”, algo que se encontra hoje devidamente regulamentado no Talmude (segundo livro sagrado do judaísmo) e no Shulchan Arukh (código de leis judaicas, feito no século XVI e que é a principal fonte normativa dos judeus ortodoxos até os dias de hoje).

- Segundo este ritual judaico, o gentio decidido a abraçar a fé judaica deveria, na presença de, pelo menos, três homens judeus, deveria acreditar em Deus e estar disposto a cumprir todos os mandamentos, circuncidar-se e submeter-se a este banho ritual, homens estes que deverão recitar trechos da Torá enquanto o prosélito mergulha na “mikvah”, purificando-se, portanto.

- Com o surgimento de João, este batismo, que não desconhecido do povo judeu, passa a ser pregado também para os judeus e a ênfase deste tema na pregação é que explica porque ficou ele conhecido como “João Batista”, ou seja, “João, o batizador, aquele que batiza”. João, porém, associou a idéia do arrependimento de pecados ao ato simbólico de imersão na água, pois, e no judaísmo ainda assim é pensado, o arrependimento, ou seja, a “Teshuvá” é um ato totalmente distinto da “mikvah”, que tem a ver apenas com a purificação cerimonial, a limpeza do corpo. Para João, porém, o batismo era uma confissão pública de arrependimento dos pecados, tendo sido esta a essência da sua pregação que, como nos diz o profeta Isaías, vinha “preparar o caminho do Senhor” (Is.40:3).

- O batismo de João tinha, portanto, a função de preparar o povo de Israel para a verdade que o Messias somente poderia ser recebido mediante o arrependimento dos pecados, mediante uma nova vida de pureza que se seguiria a uma confissão pública dos pecados, confissão esta simbolizada pelo “batismo”, ou seja, pelo mergulho, pela imersão em água.

- Até a pregação de João Batista, o que havia, entre os judeus, era tão somente a “lavagem cerimonial”, a purificação por meio da água de algumas espécies de imundícies, cerimônias estas que, já na época de Cristo, eram chamadas pelos judeus de fala grega (os judeus da diáspora, ou seja, das colônias judaicas espalhadas pelo mundo) de “baptismós” (βαπτισμός), lavagens estas que tanto se encontravam na lei escrita (Lv.15:5-7, v.g.) quanto na tradição oral dos judeus (Mc.7:4,8; Jo.2:6).

- A lavagem com água para purificação cerimonial era uma constante da lei de Moisés e uma verdadeira figura do batismo em água da atual dispensação, que, por sua vez, é um símbolo da santificação operada pela salvação do homem na pessoa de Cristo Jesus. As determinações a respeito da lavagem eram tantas que um tratado inteiro do Talmude, o segundo livro sagrado do judaísmo, é dedicado exclusivamente a este assunto (o Tratado Micvaot, da ordem Tahorot). Como diz Nathan Ausubel, “…a mikvah [em hebraico significa ‘acumulação de água', isto é, piscina ritual ou casa de banhos, observação do autor em outro trecho do texto] era quase tão importante e indispensável para a vida religiosa quanto a sinagoga, a Casa de Estudo (Bet ha-Midrash), o Talmud Torah {o estudo da Torah, i.e., da lei, observação nossa] e o cemitério sagrado. Na verdade, toda comunidade judaica era obrigada pela lei rabínica a manter uma mikvah….” (Mikvah. In: A Judaica, v.6, p.559).

OBS: É interessante notar que, ao falar da purificação da mulher, o Código de Leis judaico, o Schulchan Aruch, compilado por Yosef Caro, em 1565, e que é, até hoje, o principal guia dos judeus ortodoxos, é bem claro ao exigir a imersão completa da mulher: “…(1) uma mulher não se levanta de seu status de Too-mah {impureza ritual} com a lavagem em um banho, e mesmo se todas as águas no mundo passassem sobre ela, remanesceria em seu status de Too-mah. [Além disso] alguém seria responsável por ka-reth {palavra hebraica que significa “imundo”, “separado”, “mantido à parte’, observação nossa] por [coabitar com] ela, até que ela imerja seu corpo inteiro de uma só vez nas águas de uma mikveh ou em uma fonte que contivesse 40 seás [cada seá equivalia a aproximadamente 7 litros, observação nossa]. E sua medida é um amah [medida de comprimento que equivale a aproximadamente 50 cm, observação nossa] por um amah pela altura de 3 amot {plural de “amah”, observação nossa] cúbicos, usando um amah que seja 6 Te-fa-khim mais uma metade de um dedo longo. [Além disso] se for mais larga [do que um Amah] e não for assim tão profundo [ como três amot] é adequado se puder cobrir seu corpo inteiro neles {as águas do Mikveh} de uma só vez. Requer-se que o corpo de água total seja [ ao menos ] 44.118 dedos quadrados de comprimento e uma metade extra {44.118.375 precisamente}. Requer-se que a cavidade em que a água estiver seja maior do que esta medida, a fim de que quando a estiver imergindo entre, a água se levante e ainda haja 40 seás restantes….” (Shulchan Aruch, Yoreh Deah 201. Disponível em: http://en.wikisource.org/wiki/Shulchan_Aruch/Yoreh_Deah/201 Acesso em 01 dez. 2006. Tradução nossa baseada em texto produzido pelo tradutor do site).

- É quase que intuitivo associar-se a água à idéia de purificação, diante do papel que a água exerce no cotidiano do ser humano, em todas as épocas da história da humanidade, de modo que não é difícil encontrar-se entre os povos, ainda os de organização mais simples, a atribuição à água de uma função de purificação, em especial sob o aspecto religioso, ou seja, das relações entre o homem e a divindade. Tal circunstância, tão explorada por alguns adversários da doutrina cristã, para tentar “desmistificar” esta ordenança de Cristo, é mais uma demonstração de que Deus não quis deixar nenhum ser humano em condições de se desculpar a respeito de não poder ter havido alguma revelação de Deus para si (Rm.1:19,21).

- O batismo de João, portanto, é o aprofundamento desta simbologia das lavagens cerimoniais da lei, é mais um passo da revelação progressiva de Deus, onde o profeta apresenta o batismo como um ato que simboliza a verdadeira purificação do homem, que é a purificação espiritual, ato que exige, porém, antes, o arrependimento dos pecados.

- Não se pode, pois, confundir o batismo de João com as cerimônias existentes na lei, nem tampouco, como costumam fazer alguns estudiosos na atualidade, com os rituais de purificação que foram estabelecidos pelos essênios, uma das seitas judaicas existentes no tempo de João e de Jesus. Não resta dúvida de que os essênios eram pessoas muito parecidas com João, pois, a exemplo de João, isolavam-se da sociedade e viviam em comunidades no deserto, buscando ter uma vida de privações e de dedicação integral a Deus. Nestas comunidades separadas, conforme nos provam os manuscritos do Mar Morto, que são escritos de comunidades essênias, verificou-se que havia toda uma série de leis e regras relativas às purificações, mas nada que nos permita assimilar tais práticas ao batismo pregado por João, até porque a mensagem de João era essencialmente diferente da dos essênios. João não exortava o povo a se separar da sociedade e passar a viver separados, em devoção a Deus, mas, muito pelo contrário, João pregava para que o povo se arrependesse dos pecados e se preparasse, assim, para receber o Messias que estava para chegar.

- O batismo de João, como vemos na pregação deste profeta, tinha por objetivo o testemunho público do arrependimento dos pecados e um compromisso de seguir a lei até a chegada do Messias, que era anunciada para aqueles dias (Mt.3:2; Mc.1:4; Lc.3:3). Era, portanto, um batismo preparatório para a chegada de Cristo, uma preparação do povo para receber o Messias prometido, mediante o arrependimento dos pecados e a observância da lei. Por isso, é dito que a lei durou até João (Lc.16:16), pois João foi o último profeta a levar o povo à prática da lei, agora já expressamente pregado que a lei deveria durar até a chegada do Messias, que foi apontado pelo próprio João ao povo (Jo.1:29).

- O batismo de João, portanto, cumpriu o seu papel quando se iniciou o ministério terreno de Jesus, tanto assim que, a partir de então, o papel de João foi decrescendo à medida que o de Jesus ia aumentando (Jo.3:30). Tanto assim é que, no início do ministério terreno de Jesus, ainda envolvidos com a prática de João, os discípulos de Jesus continuaram a batizar, a exemplo de João e seus discípulos (Jo.4:1,2), uma prática que demonstra bem o entendimento de que, em Jesus, se cumpria a promessa messiânica. Os discípulos de João iriam continuar, porém, a sua pregação, a despeito da chegada de Cristo, tanto que Paulo encontrará, décadas depois, pessoas em Éfeso que somente conheciam o batismo de João (At.19:3), batismo, porém, que perdeu a sua função e razão de ser assim que Jesus foi batizado, pois, a partir de então, inicia-se o ministério terreno de Cristo, a manifestação da graça de Deus que traz salvação a todos os homens.

II – O MINISTÉRIO DE JOÃO BATISTA

Colaboração/Gráfico: Jair César

- Para bem entendermos o batismo de Jesus por João Batista, torna-se indispensável entendermos o próprio ministério de João Batista, o último e maior profeta da lei (Mt.11:13; Lc.7:28; 16:16).

- João foi escolhido desde o ventre de sua mãe para ser o precursor do Messias. Ele tinha plena consciência disto, pois, ao ser considerado como o Messias, claramente disse que não era o Cristo, mas, sim, a “voz que clama no deserto” (Mt.3:3; Mc.1:3; Lc.3:4; Jo.1:23), mostrando, assim, que era o cumprimento de uma profecia de Isaías (Is.40:3,4).

- João veio encerrar o período de praticamente quatrocentos anos em que o Senhor não mais levantara profetas em Israel. Com efeito, desde Malaquias, Deus não havia levantado qualquer profeta entre os judeus, num silêncio que só foi interrompido com o surgimento de João, que era cerca de seis meses mais velho que Jesus, sendo dEle aparentado, como nos dá conta o evangelista Lucas que, em suas pesquisas rigorosas, dá-nos a informação a respeito do anúncio do nascimento de João (Lc.1:5-25, 36, 57-66).

- João mostra toda a sua sublimidade entre os profetas, em primeiro lugar, por ter tido o seu nascimento, miraculoso, anunciado pelo anjo Gabriel, o mesmo ser que faria o anúncio do nascimento do Messias (Lc.1:19). Mostra-se, assim, que o nascimento de João era algo sobrenatural, fruto exclusivo da vontade de Deus e que estava umbilicalmente relacionado com a vinda do Messias.

- Em seguida ao anúncio, houve incredulidade por parte de seu pai, o sacerdote Zacarias, circunstância que também revela um outro ponto peculiar do ministério de João, qual seja, a de que seria rejeitado pela classe dirigente de Israel, que sua mensagem não seria crida por parte dos escribas, fariseus e sacerdotes (Mt.21:25). Assim, a rejeição por parte desta classe também demonstrava que João era, também neste quesito, um precursor do Messias, que não seria, também, aceito pelos israelitas (Jo.1:11).

- João, também, desde o ventre de sua mãe, foi cheio do Espírito Santo (Lc.1:15), outra circunstância peculiar que o distingue de outros profetas, cuja unção se deu, no mais das vezes, ao longo de suas vidas (I Sm.16:13; II Rs.2:9), ainda que isto não tenha sido exclusividade de João, pois outros casos houve de unção desde o ventre da mãe, como, por exemplo, no caso de Sansão (Jz.13:5). Prova de que João era cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe é a circunstância de que saltou no ventre de Isabel quando Maria, já grávida, foi visitá-la (Lc.1:41,44).

- A sublimidade do ministério de João Batista, porém, encontra-se precisamente na circunstância de que, ao contrário dos demais profetas, ter visto e sentido a presença física e real de Jesus Cristo, do Messias encarnado. Neste ponto, João superou a todos os demais profetas, que só puderam predizer a vinda do Messias, mas não contemplá-lO cheio de graça e de verdade. João pôde ver a Jesus, quando do Seu batismo, e apresentá-lO como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29). Assim, ao contrário dos outros profetas da antiga aliança, teve o mesmo privilégio dos servos do Novo Testamento, qual seja, o de contemplar o Salvador (I Pe.1:10-12).

- Vemos, pois, que João Batista tinha a missão de preparar o caminho do Senhor, ou seja, dar conhecimento da salvação ao povo de Israel, na remissão dos seus pecados, pelas entranhas da misericórdia de Deus, para alumiar aos que estão assentados em trevas e sombra de morte, a fim de dirigir os pés pelo caminho da paz (Lc.1:77-79).

- O ministério de João Batista era, portanto, o de mostrar ao povo de Israel da necessidade que tinham de se arrepender dos seus pecados e dar frutos dignos de arrependimento, a fim de que estivessem prontos para receber o Messias e, desta forma, alcançar a redenção de Israel. A mensagem de João era a mensagem do arrependimento, um prenúncio do Evangelho que seria pregado pelo próprio Jesus (Lc.3:7,8).

- João Batista mostrava aos judeus que os verdadeiros filhos de Abraão não o eram biologicamente, mas, sim, aqueles que observassem os mandamentos, que obedecessem a Deus. Daí ter introduzido a prática do batismo para os judeus, quando, como vimos supra, tinha-se como um ritual exclusivo dos gentios que aceitavam o judaísmo, tornando-se prosélitos.

- A pregação de João Batista era vigorosa, contundente, levando multidões a se arrepender dos pecados. João Batista não fez milagre algum (Jo.10:41), mas sua palavra era ungida pelo Espírito Santo, era um grande porta-voz de Deus e tudo quanto disse a respeito de Jesus, ainda naquela geração, ainda durante o ministério terreno de Jesus, confirmou ser verdadeiro.

- João também preparou o ministério de Jesus porque não fez qualquer distinção entre as pessoas. Pregava tanto ao povo quanto a elite, a todos os segmentos sociais (Lc.3:10-14). Jesus, de igual modo, assim procederia, pregando a todo o povo indistintamente.

- João, porém, faz questão de mostrar sua inferioridade frente ao Messias cujo caminho preparava. Indagado se era o Cristo, sempre o negou, dizendo que o Cristo estava para vir, mas que ele, João, não era sequer digno e desatar a correia das Suas alparcas (Lc.3:16). Deste modo, João mostrava, claramente, que seu ministério, apesar de vigoroso e de ser o maior da antiga aliança, era inferior ao de Jesus e que, portanto, a lei não poderia subsistir após o aparecimento do Senhor Jesus, algo que muitos ainda têm dificuldade de compreender mesmo depois de quase dois mil anos.

III – O BATISMO DE JESUS

- O batismo de Jesus é o ponto culminante do ministério de João Batista. João deveria preparar o caminho para o Messias e seu último ato seria apresentá-lO fisicamente ao povo de Israel. Isto se fez quando do batismo de Jesus. A João havia sido revelado pelo Espírito Santo que o Messias seria Aquele que, ao Se apresentar para o batismo, seria identificado como Aquele sobre o qual pousaria o Espírito Santo na forma corpórea de pomba (Jo.1:32-34).

- João, mesmo, não sabia que deveria batizar Jesus. Sabia que o Messias viria ao seu encontro para ser batizado. João, pelo Espírito Santo, sabia perfeitamente que o Messias era homem e era Deus. Com efeito, João tinha consciência que, embora fosse mais velho que o Messias, Este era antes dele (Jo.1:30), ou seja, o Espírito revelara a João que o Messias era eterno.

- Quando Jesus Se apresenta para ser batizado, o sinal que havia sido revelado a João pelo Espírito Santo Se verifica, qual seja, o de vir pousar sobre ele uma pomba. Assim, João, sabendo que Jesus era o Messias aguardado, não quis batizá-lO, como nos dá conta o evangelista Mateus (Mt.3:14).

- João não queria batizar Jesus porque sabia que Jesus não tinha pecado, era o único de todos quantos haviam Se apresentado para batismo que havia recebido o pousar do Espírito Santo em forma corpórea de pomba. O fato de só Jesus ter este sinal é a demonstração de que Jesus era o único homem, sobre a face da Terra, que pecado algum tinha, que estava em plena comunhão com Deus. Este sinal dado a João era uma evidência de que Jesus nunca pecou antes mesmo de Se apresentar publicamente, quando, então, tal qual o cordeiro pascal, deveria ser apreciado pelo povo, por três dias (que correspondem aos três anos do ministério público) que verificaria se tinha, ou não, algum defeito, um verdadeiro teste antes de ser levado ao sacrifício (Ex.12:3-6).

- A identificação de Jesus como o Messias a João deu-se por revelação do Espírito Santo (Jo.1:32-34). Mais uma vez, observamos que não há como vermos em Jesus o Messias a não ser pelo Espírito de Deus. Muitos querem ver Jesus como o Messias através da razão, de provas científicas, de descobertas arqueológicas e tantas outras demonstrações que satisfaçam a sua mente. Todavia, quando contemplamos as Escrituras, vemos que não há como reconhecer Jesus como Senhor e Salvador a não ser por uma revelação divina (Mt.11:27; Lc.10:22; Jo.16:13-15).

- João opôs-se a batizar Jesus, porque não tinha como entender como e porque deveria batizar alguém que não tinha pecados. Esta notícia da oposição de João é uma das provas bíblicas de que Jesus jamais pecou, mas também suscita uma discussão: se Jesus não tinha pecado, por que, então, Se batizou?

- A oposição de João (Mt.3:14) é designada, na língua grega, pela palavra “diakolyo” (διακωλύω), que significa “impedir”, “lançar objeções”. João, pelo que se verifica, portanto, tentava, através de um diálogo, de argumentações, convencer Jesus de que Ele não necessitava ser batizado, mas, sim, que, ele, João, é que deveria ser batizado por Jesus.

- Entretanto, os argumentos de João não foram convincentes. Jesus tinha plena consciência de que era o Filho (algo que, como vimos na lição anterior, foi demonstrado quando de Sua assunção de responsabilidade perante a lei, quando tinha doze anos de idade), que estava em plena comunhão com Deus, mas que era da vontade de Deus, era absolutamente indispensável que Se batizasse nas águas, atendendo ao chamado de João.

- Esta oposição de João e a subseqüente contra-argumentação vencedora de Jesus também é elucidativa para afastarmos uma das heresias que, cedo, surgiu no meio da Igreja, o gnosticismo, que dizia que Jesus, com o batismo, Se tornou o Cristo, isto é, que, só a partir do batismo, Jesus Se tornou o Filho de Deus, como se o batismo tivesse inserido a divindade na pessoa de Jesus, divindade esta que teria “abandonado” a Jesus na cruz, pouco antes de Sua morte. Contra este pensamento, levantaram-se os apóstolos, que insistiram que a plenitude da divindade sempre habitara em Jesus (Cl.1:19), que veio em carne (I Jo.4:2,3) e não que tenha se apossado de uma carne pré-existente.

OBS: “…Para os gnósticos, o batismo de Jesus assinalou o instante em que foi possuído pelo aeon, ou poder angelical, ou, como alguns deles supunham, pelo Espírito de Cristo. Desde então, o corpo de Jesus passou a ser manipulado por esse elevado poder angelical, a fim de realizar a elevada missão de que fora encarregado, embora sem a identificação da pessoa ente Jesus e esse poder. Por essa razão, os gnósticos davam valor ao batismo de Jesus, mas não à expiação por meio de Seu sangue (ver I João 5:6). Ainda segundo os gnósticos, esse poderia teria abandonado a Jesus por ocasião de Sua morte, razão pela qual Ele soltou Seu grito de desespero: ‘Pai, por que Me abandonaste?’. Portanto, os gnósticos rejeitavam qualquer idéia de identificação das naturezas divina e humana em Cristo Jesus….” (CHAMPLIN, Russell Norman. Batismo de Jesus. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.1, pp.462-3).

- Jesus tinha plena consciência de quem era antes do batismo e, precisamente, porque sabia o que deveria fazer e que obra deveria cumprir na face da Terra, por ordem do Pai, foi ser batizado por João, João, mesmo, que, como homem, não tinha consciência do significado deste gesto, pois isto ainda não lhe fora revelado pelo Espírito Santo.

- Neste ponto, também, vemos como estão equivocadas as opiniões de muitos teólogos liberais dos últimos tempos, que entendem que o fato de Jesus ter ido buscar o batismo de João era a prova de que Jesus Se sentia pecador, como qualquer outro ser humano. Assim, também teria Se arrependido de Seus pecados e ido ao encontro do “Batizador” para atender ao chamado do profeta. Nada mais absurdo e contrário às Escrituras. Se assim fosse, por que João teria querido se opor a este gesto e só em relação ao Senhor Jesus? Tal pensamento é uma sutil forma de negar a divindade de Jesus, mais uma tentativa de “racionalizar” algo que está além da razão humana, ou seja, a dupla natureza de Jesus.

- João, embora fosse o “batizador” (e, por isso, era chamado de “Batista”, ou seja, aquele que batiza), reconheceu que Jesus era o Messias e, portanto, que “carecia de ser batizado por Jesus” (Mt.3:14). Esta afirmação de João, feito por inspiração do Espírito Santo, também anunciava o batismo cristão, que haveria de ser implantado pelo Senhor Jesus, batismo este que não se confundia com o batismo que era pregado por João. João, que reconhecia que Jesus era mais poderoso do que ele (Mt.3:11), incluía, neste poder maior, a capacidade de batizar nas águas.

- Esta afirmação de João é elucidativa, porque, na atualidade, muitos argumentam a respeito do batismo cristão, dizendo que não há qualquer passagem do ministério terreno de Jesus em que tenha ocorrido o rito do batismo, que só é mencionado no término do Evangelho segundo Mateus, após a ressurreição de Jesus e como prática tão somente pelos apóstolos, que, aliás, não teriam sido batizados, mas só teriam batizado.

OBS: “…Do Novo Testamento não consta nenhuma cena de batismo ao qual Jesus teria sido submetido. Um único versículo, João 3.22, menciona que Cristo e Seus discípulos foram à Judéia, onde Ele Se hospedou e batizava. Ignora-se até se os apóstolos, salvo talvez os que tinham sido anteriormente discípulos de João, como André, receberam o batismo de arrependimento. Mas Jesus, como se pode ler nos últimos versículos do Evangelho segundo Mateus – que alguns críticos julgam ter sido adulterados após a ressurreição -, deu aos apóstolos a missão de ensinar as comunidades e batizá-las. Sabemos que Pedro batizou cerca de 3 mil pessoas, mas Paulo, por sua vez, não praticou a imersão em ninguém (sic)…” (PÉRÈS, Jacques-Noel. O homem público. In: História viva – grandes temas : Um homem chamado Jesus, edição especial temática nº 10, p.51). O professor de teologia francês esqueceu-se, talvez, de que Paulo chegou, sim, a batizar, como vemos em At.19:4,5 e I Co.1:14,16. Outrossim, devemos entender o texto, que talvez tenha sido mal traduzido, como sendo batismos determinados por Jesus, pois todos os quatro evangelhos descrevem o batismo de Jesus por João. Além disso, a menção a batismo feito por Jesus não está apenas em Jo.3:22, mas, também, em Jo.4:1,2, onde se esclarece que Jesus, mesmo, não batizava, mas, sim, Seus discípulos e, pelo que entendemos, sem qualquer determinação do Senhor, mas por influxo das palavras do Batista.

- Assim, vemos que João adianta que haveria um batismo nas águas por determinação de Jesus, o que explica a menção que se faz em Jo.3:22 e 4:1,2 de que discípulos de Jesus passaram também a batizar nas águas, o que é suficiente para demonstrar que, embora Jesus mesmo não batizasse, o ensino de João era no sentido de que haveria de surgir um batismo nas águas determinado pelo Messias, que, unido ao batismo com o Espírito Santo (Mt.3:11), representariam a superioridade do ministério do Cristo em relação ao de João.

- Não há descrição de batismos durante o ministério terreno de Cristo única e exclusivamente porque não era, ainda, o momento da instituição desta ordenança. O batismo cristão representa a morte e ressurreição de Jesus, mas, durante o ministério terreno do Senhor, isto ainda não havia ocorrido, de forma que não haveria razão alguma para que isto fosse estabelecido por Jesus. Não há, pois, qualquer “adulteração” que explique a menção do batismo tão somente após a ressurreição e o fato de ter sido posto em prática logo no limiar da igreja primitiva é a prova indelével de que se tratava de uma ordenança de Cristo Jesus, feita no tempo, modo e lugar apropriados (Ec.3:1).

- Ao argumento de João que levava em conta a inexistência de pecados por parte de Jesus, o Senhor apresentou um contra-argumento contra o qual João não pôde apresentar qualquer senão: “…Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mt.3:15 “in fine”).

- Por que Jesus deveria ser batizado, se não tinha qualquer pecado? Porque era conveniente cumprir toda a justiça. Jesus foi batizado para que “se cumprisse toda a justiça”.Mas que era “cumprir toda a justiça”, cumprimento, ressalte-se, que não era exclusivo de Jesus mas também de João, pois Jesus Se utiliza do pronome “nós”, envolvendo, pois, o próprio batizador neste cumprimento?

- Para tanto, é necessário que entendamos o significado do ministério de João Batista, como já visto supra. Ele tinha de dar conhecimento da salvação ao povo de Israel, que esta salvação se daria pela remissão dos pecados e pelas entranhas de misericórdia de Deus. Assim, somente cumpriria o seu ministério no exato instante em que mostrasse ao povo quem era Aquele que tinha vindo para perdoar os pecados, para a realização da misericórdia divina e a prova de que Deus havia visitado o Seu povo.

- Para tal demonstração, João tinha de batizar Jesus, pois Jesus tinha de Se apresentar como Aquele que haveria de ser a propiciação dos pecados do povo, mas, para tanto, era indispensável que assumisse a condição do pecador, ou seja, tomasse o seu lugar. Não haveria remissão dos pecados sem que se tivesse a substituição do pecador pelo Cordeiro, se não se tivesse o pagamento do preço do pecado por parte dAquele que jamais pecara.

- Jesus, mesmo não tendo pecado, tinha de assumir a humanidade em toda a sua plenitude, ou seja, assumir o lugar do pecador, mesmo nunca tendo pecado. Esta identificação teria de se dar pelo batismo de João, já que é o ministério de João o ministério que preparava o caminho do Senhor. João anunciava a chegada do Messias e o Messias tinha que Se apresentar a ele. Até aí o profeta havia entendido. O que ele não sabia é que o Messias tinha que assumir a condição de Cordeiro, tinha de Se sacrificar em lugar dos pecadores e, para tanto, já no início de Seu ministério público, tinha de Se identificar com o pecador, assumir-Se como irmão (Hb.2:14-18).

- A “kenosis” de Jesus, ou seja, o Seu esvaziamento, o despir-Se de Sua glória (Fp.2:5-8) incluía a submissão ao batismo de João, não para que houvesse arrependimento de pecados, pois pecado algum havia sido cometido pelo Senhor, mas para que houvesse a assunção do lugar do pecador. Ao surgir publicamente perante o povo, Jesus Se apresenta como semelhante aos Seus irmãos, como um homem e, como tal, que necessita e depende de Deus e que, assim, atende ao chamado do mensageiro, do profeta levantado pelo Senhor.

- “Cumprir toda a justiça” é fazer a vontade de Deus, é prosseguir o caminho da obediência, que já havia retirado o Cristo da glória celeste e que agora iniciava a trajetória que O levaria até o Calvário. Chegara o instante de fazer a obra e Jesus diz ser necessário “cumprir toda a justiça”, o que, para João, era apresentar publicamente quem era o Messias e, para Jesus, dar início ao Seu ministério terreno.

- Somente quando Jesus desce às águas batismais, cumprindo, assim, toda a justiça, é que é ungido pelo Espírito Santo (Mt.3:16; Mc.1:10; Lc.3:21,22; At.10:38), passando, dali para a frente, a exercer o Seu ministério. Jesus não Se tornou o Cristo quando do batismo, mas passou a exercer os ministérios do Cristo a partir daquele instante e momento. Como explica Pedro, na casa de Cornélio, a partir desta unção é que Jesus passou a andar fazendo bem, curando todos os oprimidos do diabo.

- O batismo de Jesus “cumpria toda a justiça”, portanto, porque era o ato pelo qual se dava início ao ministério público de Jesus, era o instante em que Jesus Se revelava ao povo de Israel como o Messias prometido. O batismo é, pois o ato inaugural pelo qual Jesus Se apresentaria como o Cordeiro imaculado, pronto a Se sacrificar pela humanidade. Não é à toa que, no dia seguinte ao batismo, João diz ser Ele o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29).

- O batismo de Jesus “cumpria toda a justiça” porque era, também, um “ato de passagem” entre a lei e a graça, passagem esta que era Jesus, a “nossa páscoa” (I Co.5:7). A lei durara até João e agora vinha Jesus para nos trazer a graça e a verdade (Jo.1:17). Entre uma e outra, Jesus teria de morrer por nós na cruz do Calvário, mas o ato pelo qual o cordeiro foi trazido à apreciação pública foi, sem dúvida alguma, o Seu batismo.

OBS: “…Afinal de contas, não devemos entender o batismo de Cristo como um rito de passagem? A passagem do Antigo ao Novo Testamento. A passagem a ser adotada pela comunidade dos homens de fé, decididos a seguir pelo caminho indicado por João e aberto por Jesus….” (PÉRÈS, Jacques-Noel, op.cit., p.51).

- O batismo de Jesus “cumpria toda a justiça”, porque revelava, ao povo de Israel, a realidade da Trindade Divina, de forma nunca antes alcançada pelo povo de Deus, Deus Se revelava em Suas três pessoas, em toda a Sua plenitude, não mais por sombras e figuras, como até então acontecera (Hb.10:1). Com efeito, ao sair das águas, Jesus, o Filho feito carne, era ungido pelo Espírito Santo, que assumira a forma corpórea de pomba e pousava sobre Ele, enquanto, do céu, o Pai, feito Voz, clamava: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo” (Mt.3:16,17).

- Em nenhum outro instante na história sagrada, Deus havia Se revelado como sendo três pessoas e um só Deus. Verdade que já Se apresentara, desde o início, como sendo um único Ser divino mas plural, mas não havia a identificação de quem eram as três Pessoas divinas. No batismo de Jesus, “cumpria-se toda a justiça”, com a identificação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. As três Pessoas Divinas, que são o único Deus, mostravam Seu amor e interesse na salvação da humanidade, sendo contempladas, pelo menos, pelo maior dos profetas da antiga aliança, que, por ter tido esta visão, como já falamos supra, foi o maior de todos os profetas.

- O batismo de Jesus “cumpria toda a justiça” porque o ministério de João Batista se cumpria integralmente e, com ele, terminava o tempo da lei. Sendo a voz que clamava no deserto para preparar o caminho do Senhor, o ministério de João haveria de terminar no exato instante em que se iniciasse este caminho, o que se deu no batismo. João tinha de batizar Jesus e apresentá-lO como o Messias para concluir a sua tarefa, a sua missão. Não havia como João “cumprir toda a justiça”, senão batizasse o Senhor Jesus. Preparando o caminho de cada crente, João mostra que é preciso se submeter à vontade de Deus para que se tenha o cumprimento de toda a justiça. Como servos do Senhor, devemos, também, atender à vontade de Deus, mesmo quando isto nos parece incompreensível.

- O batismo de Jesus “cumpria toda a justiça” porque, ao Se batizar, Jesus não estava a atender nenhum mandamento da lei de Moisés, que até então cumprira integralmente, mas ia além dos mandamentos. Por isso, temos de ir além da lei, se quisermos ser discípulos de Jesus: “…se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt.5:20b).

- Jesus não se submeteu ao batismo de João para cumprir a lei, como chegam alguns a dizer, pois o batismo de João não estava previsto na lei, nem mesmo na lei oral, na chamada “tradição dos anciãos” (Mt.15:2). Entretanto, Jesus atendeu ao chamado de João, que apontava para a insuficiência da lei para atender a vontade de Deus e, honrando a pregação de João, submeteu-Se ao batismo, chancelando que este batismo era dos céus, como, mais tarde, inquiriu os escribas e fariseus que, por seu legalismo, não creram no batismo de João. Não se “cumpre toda a justiça” se não se vai além do formalismo, além do legalismo, atitudes que devem ser superadas por todos aqueles que aceitam a Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas.

- O batismo de Jesus “cumpria toda a justiça” porque Jesus, enquanto homem dependente do Espírito de Deus, iniciava a Sua marcha de vitória contra o pecado e a morte, iniciava o caminho que nos levaria a ter comunhão com Deus. Ao renunciar a Si mesmo, Jesus mostrava qual o caminho que deveríamos seguir para termos a vida eterna. O batismo de Jesus, então, passa a ser um exemplo a ser seguido por tantos quantos cressem em Seu nome (I Pe.2:21).

- O batismo de Jesus “cumpria toda a justiça” porque significou o atendimento à vontade de Deus. Ser justo, antes de mais nada, é fazer a vontade de Deus. Jesus não precisava ser batizado, porque não pecara, mas Lhe era conveniente fazê-lo. O Pai, dos céus, disse que Jesus O agradava e o disse quando Ele saiu das águas. O ato do batismo foi, sobretudo, um ato para agradar a Deus, não um ato necessário para arrependimento ou perdão de pecados, porque não nos havia, mas para que se agradasse a Deus. Desde o batismo, Jesus Se mostrava favorável, agradável a Deus, o que permitiria que Ele fosse a “propiciação dos pecados de todo o mundo”. “Propiciação” é “ação ou ritual com que se procura agradar uma divindade”.

- Também precisamos, em nossa vida, procurar ser agradáveis a Deus. O apóstolo Paulo, na carta aos efésios, carta em que explica o mistério da Igreja, diz que somos agradáveis a Deus no Amado, ou seja, em Jesus Cristo, mas, para tanto, é necessário que cumpramos o propósito de santidade, irrepreensibilidade diante de Deus em amor (Ef.1:4), que façamos a Sua vontade (Ef.1:5,6). Temos cumprido toda a justiça? Temos seguido este sublime exemplo do homem Jesus?

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

A infância de Jesus – 7

A INFÂNCIA DE JESUS

Fonte: http://www.cpad.com.br

Leitura Bíblica em Classe
Lucas 2.40-51

Introdução

I. A InfâI. A infância de Jesus

II. O MeII. O Menino Jesus entre os Doutores
III. O Despertar da Consciência Divina em Jesus

 

Conclusão

Tema deste Subsídio
A Reação Gentílica ao Nascimento de Jesus de acordo com o Evangelho de Mateus.

1. Os M1. Os Magos, Herodes e o Novo Rei (2.1-23)

1.1. Os 1.1. Os Magos Vão a Jerusalém (2.1,2). O primeiro acontecimento que Mateus relata depois do nascimento de Jesus é os magos que chegam a Jerusalém, perguntando o paradeiro do rei recém-nascido e contando que a estrela os tinha alertado para este nascimento. Ardendo em ciúmes diante da sugestão de outro “rei dos judeus”, o rei Herodes pergunta aos principais sacerdotes e escribas da lei onde o Cristo, o Messias, nasceria. Ironicamente, estes líderes religiosos, que mais tarde tornaram-se inimigos mortais de Jesus, foram os que verificaram para Herodes que Belém era o lugar onde o Messias nasceria. O estabelecimento de Belém como a localização do nascimento de Jesus é crucial para Mateus, não só por causa do significado profético (vv. 5,6), mas também porque atende ao tema freqüente da monarquia de Jesus (Belém é a cidade de Davi, o rei).

Na profecia que nomeou o local do nascimento do Messias, Miquéias estava predizendo que Deus usaria mais uma vez a insignificante Belém para guiar o povo de Israel depois que este fosse liberto do resultante julgamento dos maldosos assírios e do posterior exílio na Babilônia (Mq 5.2-4). A esta profecia Mateus inclui a referência ao “Guia que há de apascentar o meu povo de Israel”. Miquéias 5.4 registra que “ele permanecerá e apascentará o povo na força do SENHOR”, mas as palavras que Mateus insere ao término de sua citação da profecia de Miquéias são provenientes da antiga profecia davídica: “Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel” (2 Sm 5.2); de maneira típica e enfática Mateus faz o vínculo com o rei Davi. É significativo que dos escritores dos Evangelhos, só Mateus registre a narrativa dos magos e seu cumprimento da profecia. Os temas do rei e seu cumprimento, que dominam sua agenda teológica, motivaram-no a incluir este relato em seu Evangelho.

Mateus ajuda a estabelecer a data do nascimento de Jesus com a expressão: “No tempo do rei Herodes” (Mt 2.1), cujo reinado como rei da Judéia e áreas circunvizinhas durou de 37 a 4 a.C. Presumivelmente Jesus nasceu perto do fim do reinado de Herodes, visto que Mateus nota que a morte do malvado rei aconteceu antes que a família santa voltasse do Egito (v. 19). Isto significa que Jesus nasceu de quatro a seis anos antes de Cristo, de acordo com o calendário atualmente em uso! Herodes, o Grande, era um político surpreendente; no tumultuoso século I ele, como um gato, sempre parecia cair com os pés no chão, apesar do fato de ser pego em intrigas com pessoas influentes e perigosas como César Augusto, Cássio, Marco Antônio e Cleópatra. Seu pai, Antípater II, idumeu convertido ao judaísmo, apoiou o regente hasmoneano Hircano II e subseqüentemente tornou-se o verdadeiro poder por trás do trono em Jerusalém. Em conseqüência disso, Herodes alcançou altas posições no governo judaico como também no romano

Herodes fizera nome empreendendo grandes construções e edificando cidades, inclusive Cesaréia, nome dado em honra do imperador. Ele também construiu fortalezas e templos pagãos, anfiteatros, hipódromos e outros lugares nos quais as atividades helenísticas eram incentivadas. Sua prestimosidade às atividades pagãs não granjearam a estima dos judeus conservadores, que as encaravam como abominações e uma violação da lei de Deus. Quando reconstruiu, aumentou e embelezou o templo judaico em Jerusalém, ele ganhou alguma simpatia dos súditos judeus. Seu reinado trouxe muita prosperidade para a nação, acompanhada de um fardo enorme de imposto e antagonismo.

Herodes demonstrou ser um déspota astucioso e sanguinário, e até seus parentes tinham medo dele. Matou a esposa, filhos e parentes de quem suspeitou que estivessem tramando contra ele. Seus súditos também tinham motivo para temê-lo. Herodes executou quarenta e cinco dos aristocratas mais ricos que tinham apoiado seu predecessor hasmoneano e confiscou-lhes as propriedades para encher os cofres vazios. Execuções eram comuns. Esta descrição, dada pelo historiador judeu Josefo, encaixa-se com o relato de Mateus sobre a intenção dolosa de Herodes para com os magos, a raiva ao perceber que fora enganado, a tentativa de matar o menino Jesus e a ordem insensível de executar todas as crianças do sexo masculino nas redondezas de Belém.

 

1.2. A Reação de Herodes e de Jerusalém diante das Novas (2.3-8). Mateus nos conta que quando os magos chegaram perguntando sobre o novo rei, não foi apenas Herodes que ficou perturbado; toda a Jerusalém também ficou. O povo de Jerusalém tinha boas razões para se preocupar; não só era freqüente que a mudança de governo fosse sangrenta, mas as pessoas sabiam que Herodes sacrificaria muitos para se manter no poder. Ainda que a elite religiosa tenha respondido com facilidade a pergunta de Herodes sobre o lugar do nascimento do Messias, não temos registro de que eles tenham viajado alguns quilômetros para procurar o Messias – talvez porque estivessem com a mente absorta no ministério complexo e detalhado no templo (Hannom, The Peril of the Preoccupied and Other Sermons [O Perigo dos Preocupados e Outros Sermões], 1942). Embora esta acusação não possa ser comprovada, o relato do nascimento de Jesus indica que, excetuando-se algumas pessoas pobres, não muitos foram ver o novo rei. A lição tem aplicação sensata para o ministério da Igreja dos dias de hoje: Nós ministramos para adorar, ou adoramos o ministério?

Herodes podia ser louco e paranóico, mas não era burro. Ele era manhoso e falaz, com uma astúcia mortal e um fascínio que desarma. Sua sugestão de que os magos o informassem para que ele prestasse homenagens ao bebê era uma cortina de fumaça para encobrir suas intenções assassinas dirigidas ao novo bebê. A referência à adoração (proskyneo nos vv. 2,8,11) diz respeito a uma deidade ou ser humano de alta posição. Não podemos dizer com certeza o que os magos pretendiam, embora seja provável que fosse o último. Herodes, é claro, não pretendia nada. Mas dado o avanço da alça de mira de Mateus e sua cristologia, ele considerou que a adoração divina é mais apropriada aqui, pois Jesus deve ser adorado por judeus e gentios igualmente.

 

1.3. Os Magos Seguem a Estrela para o Novo Rei (2.9-12). A identidade dos magos (ou sábios) é um mistério que durante séculos tem vexado exegetas e encantado clérigos. Heródoto (século V a.C.) escreveu acerca de magos sacerdotais entre os medos, que eram peritos em interpretar sonhos. O Livro de Daniel menciona magos junto com mágicos, encantadores, adivinhos, feiticeiros, sábios e astrólogos/astrônomos. Nesses dias, a linha entre magia e adivinhação, por um lado, e ciência nascente, de outro, não era mantida com clareza. Não se pode dizer com certeza o quanto de cientista e o quanto de mágico eles eram. É bastante afirmar que Deus pode usar até antigas tradições e sabedorias pagãs para fornecer uma testemunha cosmopolita do nascimento do Messias.

Na transição de poder dos medos para o império persa, os magos continuaram com suas atividades, e relatórios de suas práticas aparecem durante a era romana. A referência a “Oriente” levou muitos a considerar a Pérsia/Pártia como sendo o país de origem dos visitantes estrangeiros de Jesus. Nos dias de Jesus eles podem ter sido os sacerdotes zoroástricos. As dádivas dos magos – incenso, ouro e mirra – eram produtos associados com a Arábia. É possível que eles sejam os judeus da Dispersão, que foram espalhados ao longo dos impérios romano e parto. Há amplas evidências arqueológicas entre as ruínas das sinagogas dessa era e nos escritos rabínicos que a comunidade judaica se interessava por astrologia.

A identidade e origem dos magos fica mais obscurecida quando notamos que a expressão “do Oriente [anatole, lit., "nascente, que sobe"]” pode se referir ao nascimento da estrela que sempre ocorria no leste por causa da rotação da terra, e é o padrão do trajeto planetário no céu. Considerando o destaque dado à estrela, o forte destes magos é a astronomia primordial do dia.

Assim como a identidade dos sábios, a natureza exata do fenômeno que veio a ser conhecido por “a estrela de Belém” permanece um mistério. Mateus é atraído para a história da estrela e dos magos que a seguiram não somente porque confirma a realeza de Jesus, mas também porque contrasta com muita vividez a devoção dos não-determinados estrangeiros com a injustiça da elite de Israel. Ao longo dos anos os comentaristas procuram explicar a estrela como uma parte natural do universo. Trata-se de esforço apropriado e louvável, pois Deus usa meios comuns para expressar sua mensagem sobrenatural. Contudo, nenhuma explanação astronômica comum (um cometa, uma supernova, o alinhamento dos planetas que teria a aparência de um corpo celeste [uma conjunção de Júpiter e Saturno ocorreu em 7 a.C.], um asteróide brincalhão) atesta inteiramente o conjunto da evidência. Nem o cinismo de uma suposta cosmovisão “iluminada” que presume que o relato é invencionice do evangelista, explica o fenômeno ou apreende a totalidade do significado da mensagem de Mateus.

Se a referência a “Oriente” (anatole) é figurativa de “nascimento”, então o texto não pode estar dizendo que os magos seguiram a estrela até Jerusalém. “Antes, tendo visto o nascimento da estrela que eles associam com o Rei dos judeus, eles vão à capital dos judeus em busca de mais informação. Só no versículo 9 está claro que a estrela serviu como guia de Jerusalém para Belém” (Brown, 1977, p. 174). É precisamente aqui que as sugestões citadas acima são deficientes, já que os fenômenos astronômicos não podem explicar como os magos foram conduzidos a Belém, oito quilômetros ao sul de Jerusalém. Talvez o entendimento de Mateus sobre a natureza e movimento da estrela seja mais dependente do sobrenatural do que do natural.

A questão mais importante e respondível é: Qual é o significado do aparecimento da estrela no Evangelho de Mateus e no plano global de Deus na história de salvação? O que mais importa é que atesta o papel de Jesus como Rei. Assim como se dá com a genealogia terrena no contexto prévio do capítulo 1, a estrela fornece testemunho celestial da realeza de Jesus. O testemunho dos magos não deixa lugar para especulação quanto ao seu significado: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos a adorá-lo” (v. 2a).

Uma estrela já havia sido associada com o advento do Messias. Números 24.17, parte da profecia que Balaão entregou quando os israelitas estavam prestes a dar início à conquista da Terra Prometida, diz: “Uma estrela procederá de Jacó, e um cetro subirá de Israel”. A maioria dos estudiosos identifica esta profecia estelar com o rei Davi, pois os versículos seguintes, com a referência à conquista das nações circunjacentes, foram distintamente cumpridos nas suas campanhas militares. Os contemporâneos de Mateus entenderam que a passagem é messiânica, fato demonstrado na obra pseudepigráfica O Testamento dos Doze Patriarcas, que associa uma figura messiânica levita e sacerdotal “com sua estrela [...] [que] subirá no céu como rei” (Testemunho de Levi 18.3). É interessante observar que tanto Balaão quanto os magos eram estrangeiros, e ambos profetizaram sobre o Messias hebraico (veja Brown, 1977, pp. 193-196, para mais comparações). Isto também contribui para o programa geral de Mateus de apresentar Jesus, o Rei, não só dos judeus mas de todos os povos.

Os três tesouros dos magos – incenso, ouro e mirra – eram dádivas associadas com a realeza, e este era o entendimento e intento de Mateus (v. 11). A Igreja mais tarde associou o ouro com Jesus como Rei, o incenso com Jesus como Sacerdote e a mirra como especiaria usada para embalsamento, relacionado-a com a morte e sepultamento de Jesus. Antes de os magos partirem, eles foram instruídos em sonho para não retornarem a Herodes, mas voltarem para casa por uma rota diferente pela qual vieram (v. 12).

 

1.4. A Fuga para o Egito (2.13-15). Depois da partida dos magos, José tem um sonho, entregue pelo “anjo do Senhor” (v. 13), advertindo-o a fugir para o Egito. Na Bíblia os anjos aparecem às vezes como seres humanos (e.g., Jz 13.16); outras vezes como criaturas brilhantes e que inspiram medo, cuja aparição e palavras os seres humanos mal podem suportar (e.g., Êx 3.2; Jz 13.6,19-21; 1 Cr 31.12; Dn 8.17). Não nos é informado que forma o anjo tomou no sonho de José. As gramáticas grega e hebraica sugerem que a expressão “o Anjo do Senhor” é tradução legítima. Às vezes no Antigo Testamento, o Anjo do Senhor não pode ser distinguido do próprio Deus e deve ser considerado como o próprio Senhor que aparece e fala (e.g., Gn 16.11-13; Jz 6.12-14). Se esta interpretação é a intenção de Mateus, então José tem uma revelação especial diretamente de Deus, uma experiência amedrontadora e magnífica, uma revelação especial para um homem especial, a fim de realizar a tarefa especial e mais urgente de salvar o menino Jesus.

A força do particípio do aoristo (egertheis, “levanta-te”) junto com o aspecto aoristo do imperativo do verbo principal (paralabe, “toma”) conota grande pressa e urgência. Em outras palavras: “Levanta-te da cama, sai daqui agora, e começa a fuga para o Egito, pois Herodes está a ponto de iniciar uma busca do menino Jesus”. Note que José pega Maria e Jesus de noite para evitar que eles sejam descobertos pelos agentes do rei ou por outras testemunhas.

Havia uma grande comunidade judaica no Egito, sobretudo na cidade de Alexandria, mas onde a família santa ficou e se José encontrou ou não trabalho não nos é dito. Há os que sugerem que os presentes preciosos que os magos lhes deram os sustentaram no exílio. Lá, eles ficaram até a morte do rei Herodes. O fato de Jesus e seus pais sofrerem o exílio com paciência numa terra estrangeira deve promover a compaixão cristã pelos refugiados de perto e de longe.

Mateus vê o retorno de José, Maria e Jesus do Egito como um cumprimento geográfico de profecia e uma reencenação dos eventos históricos e tipos teológicos já anteriormente ocorridos nos procedimentos de Deus para com os hebreus (veja comentários sobre Mt 1.22,23). “Do Egito chamei o meu Filho” é de Oséias 11.1, onde o profeta descreve a prometida volta do exílio na Mesopotâmia nos termos da libertação da escravidão do Egito. Estes dois acontecimentos são vistos como atos salvadores de Deus. Mateus considera a viagem da família santa do Egito para a Terra Santa como um cumprimento até maior do primeiro Êxodo, visto que o próprio Salvador está voltando à terra do seu nascimento. Esta referência ao Êxodo pressagia o destaque que Mateus dá a Jesus como o novo Moisés, ponto que ele desenvolverá mais quando apresentar o ensino de Jesus.

 

1.5. A Matança dos Inocentes (2.16-18). Quando os magos não voltaram para revelar a localização do rival ao trono, Herodes ficou enfurecido. Ele considerou a desobediência deles como escárnio; a palavra traduzida por “iludido” é depois usada em Mateus para descrever o escárnio suportado por Jesus na narrativa da paixão (Mt 27.29,31,41). Levando-se em conta seu reinado de terror (veja comentários sobre Mt 2.1,2), o assassinato de Herodes de todos os meninos de dois anos para baixo não está fora de seu caráter. O cômputo das vítimas, baseado na população provável, é de vinte a trinta crianças.

Há os que questionam a historicidade do acontecimento, visto que parece estranho que o plano e trama de Herodes permitissem que os magos e Jesus escapassem da rede de espionagem. Ademais, a demora de sua reação, às vezes calculada em um ano ou mais, parece igualmente inverossímil. Mas não podemos presumir que Herodes tenha mandado seguir os magos; mesmo que o fizesse, não há como prever que sua organização de inteligência fosse infalível. Outrossim Mateus acredita que a providência divina teve parte na fuga dos magos e de Jesus. O período de tempo entre a chegada dos magos a Jerusalém e à corte de Herodes e a partida deles de Belém pode ter sido pequeno. O limite de idade que Herodes escolheu para matar os bebês foi provavelmente averiguado pela determinação de quando a estrela apareceu a primeira vez. Os magos podem ter levado muito tempo para decidir responder ao sinal celestial e eventualmente percorrer o caminho à Terra Santa em busca do bebê nascido para ser rei. O texto deixa a impressão que assim que os magos saíram, a família santa também deixou Belém.

Mateus percebe mais uma vez o cumprimento de profecia na matança dos inocentes, baseado na localização da tragédia: “Raquel chora seus filhos” (Jr 31.15). Jeremias clamou que Raquel, que morreu na era dos patriarcas e foi enterrada em Efrata (também chamada Belém, cf. Gn 35.19), choraria séculos depois quando seus descendentes seriam forçados a marchar para o cativeiro na Babilônia do ponto de organização próximo de Ramá. Efrata está a cerca de dezessete quilômetros ao norte de Jerusalém e ao sul de Betel, na área de Benjamim e perto de Ramá. Esta não deve ser confundida geograficamente com Belém de Judá, que fica a oito quilômetros ao sul de Jerusalém. Mais tarde alguns benjamitas do clã de Efrata migraram para a área de Belém de Judá; por conseguinte as cidades estavam estreitamente associadas.

O entendimento que Mateus tem sobre a profecia de Jeremias é que se Raquel chorou por sua morte na ocasião do exílio de Judá, que matou muitos dos seus descendentes no século VI a.C., então ela chorou novamente quando as vítimas infantis de Herodes foram sacrificadas no século I d.C. Mateus demonstra mais uma vez que o cumprimento maior da profecia ocorre em eventos associados com a vida de Jesus. Ele também se refere aos meninos assassinados a fim de unir a vida de Jesus com a de Moisés, cujo papel Jesus completará como o novo Legislador, pois Moisés também foi salvo da guerra de um déspota no caso das crianças hebréias no antigo Egito (Êx 2.1-10).

 

1.6. A Volta do Egito para Nazaré (2.19-23). Pela terceira vez José recebe instruções do anjo do Senhor num sonho. A família santa volta para sua pátria visto que Herodes, o Grande, está morto e já não procura a vida da criança. Avisado em outro sonho, José evita prudentemente estabelecer-se no território de Judá regido pelo filho e sucessor de Herodes, Arquelau, e fixa residência em Nazaré, na Galiléia, governada por Herodes Antipas, outro dos filhos de Herodes. Arquelau foi inumano ao suprimir uma insurreição, matando mais de três mil dos peregrinos que subiam para a Festa da Páscoa em Jerusalém. Ele se casou com a esposa do seu meio-irmão, fato que não lhe granjeou a afeição dos seus súditos mais piedosos. Seu reinado sofreu tamanho abalo que uma delegação de judeus e samaritanos, inimigos jurados, dirigiu-se a Roma e foi bem-sucedida ao solicitar que o governo fosse retirado das mãos dele. Ele foi exilado subseqüentemente na província romana da Gália. Herodes Antipas demonstrou ser um regente mais benigno na Galiléia.

Para Mateus a chegada da família santa a Nazaré cumpriu outra predição feita “pelos profetas”: “Ele será chamado Nazareno”. Não está claro a qual obra profética Mateus se refere. Talvez ele esteja citando uma obra que já não existente e que não foi incluída nem no cânon judaico ou no cristão. Sabemos que nem todas as referências no Novo Testamento são de livros canônicos; Judas 9, por exemplo, cita a Assunção de Moisés. Também foi sugerido que Mateus esteja fazendo um jogo de palavras, unindo “Nazareno” (nazoraios) a Isaías 11.1, onde o profeta diz que o Messias virá de um “rebento” (netser) que “brotará [...] do tronco de Jessé”. Os termos nazoraios e netser têm sons semelhantes, embora não sejam do mesmo radical semítico.

Outra sugestão é que Mateus está unindo a cidade natal de Jesus com a palavra “nazireu”. Ainda que Nazaré e nazireu (nazir) não tenham a mesma origem etimológica, argumenta-se que Mateus não pensa que é coincidência que as duas palavras soem semelhantemente; é providencial e parte do plano divino de cumprir a Escritura num sentido maior na vida de Jesus. O anúncio angelical do nascimento de Sansão, o juiz nazireu, contém fraseado similar ao anúncio do nascimento de Jesus feito pelos anjos (cf. Mt 1.20,21 com Jz 13.2-7). A despeito de Jesus ter atuado como líder carismático, dotado do Espírito Santo, Ele não cumpriu todas as exigências dietéticas e cerimoniais do voto de nazireu (Nm 6.1-21).

Considerando que Mateus comenta que a profecia foi dita “pelas profetas”, ele pode ter várias acepções em mente para o significado do termo nazareno. O evangelista reputa que não foi por acidente que Jesus seria criado lá, e que o nome do torrão natal do Messias seria fértil em alusões à anterior história de salvação.

Para saber mais:

ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.) Comentário bíblico pentecostal: Novo Testamento. 2.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

A infância de Jesus – 6

A INFÂNCIA DE JESUS

Pr. Edevir Peron

http://www.adcorreiapinto.com.br/escola/escola4.php

                                                      27 de janeiro de 2008.

 INTRODUÇÃO

Ao tratar do assunto a respeito da infância de Jesus, reconhecemos ser um assunto escasso de informações. Porem importante, porque faz parte do estudo da Cristologia. E ainda que resumidamente, mas faz parte das Escrituras Sagradas. E assim sendo precisamos estudar a respeito, não indo alem do que nos fornecem as escrituras.

 

I. A INFANCIA DE JESUS

E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de deus estava sobre ele Lc 2.40.

Jesus teve um desenvolvimento físico normal como qualquer outra criança. Ele foi gerado por obra do Espírito Santo Lc 1.35. Mas esteve no ventre de Maria o mesmo tempo que qualquer outra criança estaria Mt 1.25; Lc 2.6.

Maria deu a luz em um parto normal Lc 2.7.

A criança foi vestida com o que Maria tinha em mãos Lc 2.7.

Foi preciso fugir do perigo com ele Lc 12.13-15.

José e Maria tinham preocupação com ele como qualquer outro pai Lc 2.48.

Jesus cresceu como qualquer outra criança Lc 2.40,52.

Nasceu sob a lei Lc 2.23; Gl 4.4.

Cumpriu a lei Mt 5.17.

Foi circuncidado ao oitavo dia Lc 2.21.

Apresentado no templo por Simeão Lc 2.22-35.

Seus pais o levavam a Jerusalém todos os anos para participarem da festa da páscoa Lc 2.41.

Na décima segunda vez que eles vão a Jerusalém para participarem da festa Jesus fica no templo conversando com os doutores Lc 2.42-49. Da idade de doze anos Lc 2.24, até os trinta anos Lc 2.23, não encontramos nenhum registro nas escrituras a respeito de Jesus. Acreditamos que ele trabalhou com seu pai na carpintaria Mt 13.55; Mc 6.3.

 

II. O MENINO JESUS ENTRE OS DOUTORES

Neste único registro das escrituras Lc 2.24, sobre Jesus com a idade de 12 anos, há pontos importantes a observar. Um israelita com 12 anos era considerado uma criança, e não era comum um doutor da lei falar ou ensinar uma criança, esses aprendiam em casa Dt 6 xx. Se os doutores conversaram com Jesus todos aqueles dias, é porque observaram algo incomum naquele menino. E se eles tivessem feito um busca desde o nascimento dele teriam descoberto que ele era o Messias prometido a Israel, em quem eles tanto esperavam. 

Os doutores da lei eram homens abalizados nas leis do Antigo Testamento, e a maioria deles decoravam as escrituras, e para se admirarem as palavras de Jesus, essas deviam ser de uma profundidade sobrenatural.

   

III. O DESPERTAR DA CONCIÊNCIA DIVINA EM JESUS

E Ele lhes disse: porque é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? Lc 2.49.

Com estas palavras Jesus demonstra que esta consciente de sua divindade, e de sua tarefa aqui na terra; “tratar dos negócios de meu Pai”.

Esta pergunta feita por Jesus á seus pais certamente os levou a lembrar da mensagem do anjo, e da concepção milagrosa; pois eles bem conheciam o plano de Deus na vida daquele menino, ainda que não entendesse o que Jesus quis dizer com aquelas palavras Lc 2.50.

É bom lembrar que esta passagem Bíblica não está mostrando Jesus como um menino insubmisso; pois o contexto nos mostra que Jesus lhes era sujeito Lc 2.51. É que Jesus tinha maior obediência ao Pai Eterno Jo 4.34.

 

CONCLUSÃO

Existem muitas outras histórias a respeito de Jesus em sua infância encontradas em livros apócrifos, como: evangelho de Pedro, história de Tomé e de Tiago, e outros. Mas convém ficarmos com o que nos informa a Bíblia Sagrada, que são livros inspirados em quem podemos depositar confiança.

 

Pr. Edevir Peron.

A infância de Jesus – 5

A INFÂNCIA DE JESUS

Pr. Oziel Varela
JESUS – UMA CRIANÇA PERSEGUIDA

LIÇÃO 04-27/01/2007-CPAD
Autor deste comentário: Osvarela
Glossário:
Herodes Magno (Grande) – rei da Judéia, do período de 39 a 4 AC – Lc. 1.5. Reconstruiu o Templo de Jerusalém; Era pai de Herodes Antipas, que degolou a João Baptista e era avô de Herodes Agripa I, que matou a Tiago. Matou em um ataque de ciúme, a Mariane, sua mulher predileta e três de seus filhos. Depois de matar seu filho Antipar, morreu comido de vermes, semelhantemente a seu neto, Herodes Agripa I (At. 12.23).
Belém – Casa de pão; cidade montanhosa de Judá, a 9 km ao sul de Jerusalém; BeittLahm, em árabe, casa de pão. Conhecida também por Belém Efrata – a palavra hebraica Efrata quer dizer: Terra frutífera.
Nazaré – hb. Verdejante; cidade da Galiléia onde Jesus morou após voltar do Egito; En-nasira – em árabe
César Augusto – primeiro imperador romano; reinava quando Jesus nasceu.
Augusto – quer dizer venerado, majestoso; não se trata de nome próprio, mas de um título, usado por imperadores romanos.
Censo demográfico – levantamento estatístico da população de uma região, estado , cidade ou país.
Elate – cidade portuária, de Edom no Mar vermelho; hoje entrada de quem vem do Egito e
Bayit – casa, habitação,; pode significar também, família ou clã; templo, edifício, lar. Aparece cerca de 2.000 vezes no Antigo Testamento.
bar-mitzvah – aos 12 anos, um menino judeu tornava-se “filho da Lei” e começava a observar as exigências da Lei. B’nai Mitzvá (filhos do mandamento) é o nome dado à cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica.
Quando uma criança judia atinge a sua maturidade (aos 12 anos de idade, mais um dia para as moças, e aos 13 anos e um dia para os rapazes), passa a tornar-se responsável pelos seus actos, de acordo com a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvá (בר מצווה, “filho do mandamento”); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (בת מצווה, “filha do mandamento”). Ao completar 13 anos, o jovem judeu é chamado pela primeira vez para a leitura da Torah (conhecido como Pentateuco pelos cristãos). Ao ser chamado pela primeira vez, o jovem pode, a partir daí, integrar o miniam (quórum mínimo de 10 homens adultos para realização de certas cerimônias judaicas, ou para abrir uma Sinagoga).Antes desta idade, são os pais os responsáveis pelos atos dos filhos. Depois desta idade, os rapazes e moças podem finalmente participar em todas as áreas da vida da comunidade e assumir a sua responsabilidade na lei ritual judaica, tradição e ética.
ICAR – Igreja Católica Apostólica Romana.
INTRODUÇÃO:
Em tempos de grandes manifestações a favor das crianças, em tempos de combate a pedofilia, em tempos de instalações de Conselhos tutelares da Criança, em tempos de estatuto do Menor, tudo isto para defender nossas crianças, a Lição de número 04 – A Infância de Jesus – vem em bom momento, fazer-nos pensar como foi a infância de um menino chamado Jesus, em pleno período de domínio do Grande Império Romano.
Creio que o Espírito Santo, despertou-me e aguçou, a minha mente, para pensar junto com os leitores, sobre a mais Severa Perseguição, que criança alguma, jamais sofreu.
Esta faceta da infância do menino chamado Jesus, filho de um carpinteiro e nascido de maneira milagrosa, de uma jovem, chamada Maria, em Belém Efrata, nos revela, o quanto Deus é maravilhoso, ao cumprir o seu Plano Divinal de Redenção da Humanidade, através do menino Jesus.
Os Evangelhos, (São um só evangelho, como Paulo diz) por sua própria essência, só são assim chamados, pela narrativa da vida de Jesus o Homem, e encerra na sua narrativa, a biografia deste personagem divino, a sua infância, e todas as suas fases da vida, aqui na Terra.
Seu nascimento;
Sua infância;
Seu ministério;
Seu sofrimento;
Sua morte;
Sua ressurreição;
Sua ascensão.
Então, Evangelho é tudo quanto é dito, mesmo ainda nos dias de hoje, desde que embasado na Bíblia Sagrada, à respeito de cada fase da vida terrena de Jesus Cristo, é o que Paulo chama de Evangelho.
Rm. 1.9: Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós,
Lógico, que você já deve ter ouvido diversas fábulas ou estórias que querem transcender a palavra de Deus, em sua narrativa.
Estória, como aquela que conta milagres de uma infância, de Jesus, que desavisadamente mata um pássaro e ao vê-lo morto lhe restitui a vida; ou aquela, em que fazia demonstrações de seu poder, para seus amiguinhos. Como diz Paulo, fábulas de velhas ou simplesmente fábulas.
PERSEGUIDO ANTES DO NASCIMENTO:
Indiretamente quando César Augusto (LUCAS 2.1-6: Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria. E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz,…) decreta a necessidade de todo cidadão judeu, se deslocar para a cidade de origem ou seja, a cidade de sua naturalidade, Jesus ainda no ventre de sua mãe Maria, é submetido ao tacão do Império romano.
O recenseamento (verificação do censo demográfico) estabelecido por César Augusto era na realidade, uma forma do Imperador Romano, lembrar ao povo judeu o seu domínio, e uma verificação do crescimento da população, principalmente dos homens.
Imaginem! Quanta dificuldade passou uma jovem grávida, de seu primeiro filho, ao deslocar-se sobre uma montaria, até as regiões montanhosas de Belém.
Jesus em seu ventre, Maria subindo, como diz o texto bíblico, as montanhas desde Nazaré (esta cidade, onde já estivemos, localiza-se num verdadeiro “buraco” geográfico, com encostas escarpadas.A geografia de Israel, é formada basicamente, por duas planícies (do Mar [região costeira, Jope, Tel-Aviv] e do rio Jordão) e uma grande cordilheira.) até Belém, cidade também montanhosa.
Imaginem o sofrimento desta mãe e da criancinha, pois foi assim desta forma, que o menino Jesus sofreu a Primeira Perseguição de sua Vida, a imposta pelos Romanos.
PERSEGUIDO APÓS O NASCIMENTO:
Em 1917 a revolução Bolchevique, levou à morte de toda a família czarista (título dos imperadores da Rússia), inclusive de todas crianças, para que não sobrasse nenhum herdeiro do trono russo.
A própria Bíblia nos mostra um caso semelhante, o caso do menino Mefibosete, um menino coxo, ou paraplégico, que assim ficou, como resultado de uma fuga apressada nos braços de sua ama, que preocupada em lhe resguardar a vida, deixou-o cair, durante a fuga. Mefibosete era filho de Jônatas, filho de Saul, amigo de Davi, morto em batalha com seu pai.
Os que estavam guerreando para Davi, neste período conturbado da história de Israel, procuraram destruir a toda família de Saul, ainda que Davi, este não se alegrou por isto. Era costume desta época, fazer este tipo de matança, par que a oposição fosse destruída.
II Sm. 4.4: Ora, Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado dos pés. Este era da idade de cinco anos quando chegaram de Jizreel as novas a respeito de Saul e Jônatas; pelo que sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo. O seu nome era Mefibosete.
Este trecho da Bíblia relata a destruição de toda a família de Saul, restando apenas o menino coxo Mefibosete.
A narrativa acima, serviu para nos introduzir, sobre a perseguição que sofreu o menino Jesus, após o Rei Herodes tomar conhecimento, pelos magos vindos do Oriente sobre: “um nascido rei dos judeus”.
MATEUS 2.1-3: Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo. O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém;
Herodes, à partir deste ponto, faz jus ao termo empregado por Jesus, anos após a seu descendente: Lc. 13. 31,32: Naquela mesma hora chegaram alguns fariseus que lhe disseram: Sai, e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te.Respondeu-lhes Jesus: Ide e dizei a essa raposa …
Começou a agir de maneira sorrateira em busca de informações deste menino nascido como Rei dos judeus.
Leia a seqüência em Mateus do capítulo 2.
A narrativa bíblica sobre o fato, nos diz que, posteriormente à visita dos magos, a Jesus, Herodes ardilosamente tenta encontrar o menino, para matá-lo – Mt. 2.1-12 – sem nenhum remorso, sem pensar na dureza maligna do seu decreto, ele deixa as mães de milhares de crianças, desta faixa etária (0-2 anos) em desespero.
Todos estes acontecimentos trouxeram desconforto a Herodes, que se sentiu ameaçado por vários fatores:
Primeiro: poderia ser acusado de traidor pelos romanos, pela existência de um rei Judeu, descendente de Davi, pois ele consultou aos sacerdotes que lhe informaram sobre as profecias;
Segundo: ser vítima de uma revolução entre os judeus, fortalecidos pela existência de um Rei esperado e Profetizado e aguardado, como Libertador, por séculos;
Sendo pressionado por todos estes pensamentos, informações e incitado por Satanás, baixou o Decreto assassino, pelo qual todas as crianças de dois anos para baixo do sexo masculino, fossem mortas em Belém e arredores, buscando com este insensato ato, de sua rude e cruel personalidade, matar ao menino rei, nascido em Israel – o menino Jesus.
Mas, Deus que conhece tudo, e todos, conhecendo este plano diabólico, preservou a vida do menino, pois o seu Pai divinamente avisado, e fugiu para o lugar determinado pelo anjo: O Egito.
Mateus 2.13-16: E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho. Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos. Fizemos, eu e minha esposa, uma viagem de ônibus, por estrada de asfalto, desde o Egito a Elate, na fronteira inicial de Israel, e foram horas pelo deserto (Dt.2.8: Assim, pois, passamos por nossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir, desde o caminho da Arabá de Elate e de Eziom-Geber: Depois nos viramos e passamos pelo caminho do deserto de Moabe.).
Imagine o leitor uma família com um filho pequeno passando por todos estes problemas e dificuldades, numa situação de emergência, em fuga pela vida de seu único Filho.
Esta foi a Segunda Perseguição Vivida pelo menino Jesus, desta vez com o intento maligno de atentar contra a sua, ainda infante vida.
Somos remetidos ao viés desta ação aos tempos do nascimento de Moisés, O libertador de Israel.
Sempre que Deus levanta alguém com um propósito de libertar vidas Satanás – o adversário, busca mata-lo, por isto resista ao diabo e ele fugirá de vós, Deus tem um plano na sua vida, na vida de seu filho, na vida da família, fuja das garras de Satanás, proteja a sua vida e dos seus.
COMPLEMENTOS DO TÓPICO e OUTROS SUBSÍDIOS:
Destaque para alguns pontos:
1-Jesus foi morador de Belém Efrata, até aproximadamente 2 (dois) anos de idade;
2-Os magos não chegaram até Jesus na manjedoura, mas em lugar diferente. (veja na lição CPAD – Mestre), como bem ensina a lição. Os magos chegaram em uma casa,em Belém, onde agora habitava a família de José, com sua esposa Maria e seu primogênito, o pequeno menino Jesus.
3-A estrela que os guiava, permaneceu nos céus até eles acharem o menino Jesus, a estrela foi vista no Oriente e levou-os até o local da sua casa (bayit), ou residência.
4-O período de permanência da família do menino Jesus, não deve ter sido muito alongado, pois historiadores, dão conta que Herodes, já estava enfermo nesta época.
JESUS TEVE UMA FAMÍLIA NORMAL:
Existe no seio da Igreja Católica Apostólica Romana, a crença que Maria não teve outros filhos, e que morreu em estado virginal.
Porém a Bíblia nos mostra que o menino Jesus, foi o primogênito de uma grande família, desta forma ele teve o companheirismo de seus irmãos, as brincadeiras e alegrias do seio da família, porque deus é um Deus de família. E assim, ele teve durante, toda a sua infância, a alegria de desfrutar do amor de sua mãe e seus irmãos.
Marcos 6.3: Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? e não estão aqui entre nós suas irmãs?
Notamos, como está na lição, que inclusive, por ser o primogênito teve uma profissão, ao lado de seu pai: foi carpinteiro.
ALGUNS MISTÉRIOS DA INFÃNCIA E VIDA DE JESUS:
Ano e Data do seu nascimento;
EM QUE ANO NASCEU JESUS CRISTO?
1- Depois da morte de Jesus os primeiros cristãos não se deram ao trabalho de saber a data do seu aniversário, a Igreja durante séculos, não se interessou pelos detalhes históricos da vida de Jesus.Muito embora Lucas tenha feito um estudo minucioso sobre o período do nascimento de Jesus, ele cita: “Leia em Lucas capítulos 1 e 2: Houve nos dias do Rei Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias… Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado.Ele dá nomes de governantes da época, mas não o ano de tal governo, por parte de Israel, ele dá a turma e o nome do Sacerdote do período. Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio (ou Cirênio) era governador da Síria.” .Existiam calendários posteriormente alterados, o que causou confusão ao longo dos tempos.
2- Que calendários seguiam os cristãos daquela época? Estavam vivendo no Império Romano e, por isso, seguiam as determinações de Roma. O calendário romano contava o tempo a partir da fundação da cidade de Roma. Marcavam o ano com as iniciais U.C. (Urbis Conditae), isto é, ano tal, a contar da Fundação da Cidade (Cidade com C grande: Roma).
3- Com o advento da “Cristandade”, muitos começaram a pensar que a fundação de Roma, que fora pagã durante os primeiros 1000 anos de sua existência, não poderia ser o marco mais adequado para começo da computação dos novos tempos. O nascimento de Jesus, sim, deveria ser tido como o acontecimento central da história da humanidade. A idéia se fortaleceu quando, 450 anos depois de Cristo, o Império Romano desmoronou diante da invasão dos Bárbaros. Não havia nenhuma relação entre o cristianismo e o Império Romano. Tornava-se necessário um novo calendário que tivesse como eixo central a pessoa de Jesus Cristo.
4- Foi quando se deram conta de que ninguém sabia o dia, o mês, nem sequer o ano do nascimento de Jesus. Os autores do Evangelho haviam omitido este detalhe. Os Evangelistas contam episódios da vida de Jesus que foram compilados em cima de uma catequese oral anterior e estes escritos nunca tiveram a pretensão de dar uma cronologia exata da vida de Cristo.
SUA ESTADA DESDE CERCA DE 2 (DOIS) ANOS ATÉ POR VOLTA DOS 12 (DOZE) ANOS NO EGITO:
A Bíblia Sagrada nada nos revela sobre a estadia de Jesus no Egito. Muitos querem fantasia-la com estórias sem nexo, trazendo confusão aos que não conhecem a Palavra de Deus e a teem por regra única de Fé. Existem até narrativas apócrifas sobre este período da Infância de Jesus, como no apócrifo Evangelho Pseudo-Tomé. Não caia neste erro, o que Deus quis nos revelar sobre a infância de Jesus é o que nós lemos na Bíblia.
O autor da lição escreve, muito bem, sobre este período.
DESTAQUE:
É interessante notar, que o menino Jesus era impulsionado para estudar as Escrituras e sendo pelo que lemos, nas mesmas Escrituras, um menino inteligente, crescendo na Graça e no conhecimento, contudo existia dentro do lar do menino Jesus um ambiente de ensino, e estudo das Escrituras, e cumprimento da Lei de Moisés: Lucas2.41: Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da páscoa… ou como trecho abaixo de Lucas.
Isto mostra que Jesus teve um crescimento humano, em um corpo humano, mas as coisas do Pai lhe atraiam, por isto ele foi destaque na discussão no templo.
Ocorre-me também o seguinte:
Sabemos, contudo, que Jesus em sua infância, até a sua iniciação (bar-mitzvah), foi ensinado sobre a palavra de Deus, dada a obediência de seu pai, a Lei. Lucas. 2.21-24: Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. Terminados os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor (conforme está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito será consagrado ao Senhor), e para oferecerem um sacrifício segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas, ou dois pombinhos.
De tal forma, que pode estar no meio dos doutores, discutindo no Templo a Palavra do Pai Celestial, ele que era a Palavra, falava da Palavra.
Pensamento do autor deste texto: Jesus, não chamou apenas atenção dos doutores da lei, somente, por sua compreensão e sabedoria nas Escrituras, mas também, porque ele foi um dos poucos meninos naquele ano, da Região de Belém, com 12 (doze) anos de idade, que foram, até Jerusalém para participar da iniciação, a qual todo menino judeu, tem que passar para poder realizar, em público, a leitura da Torah, tornando-se apto, a partir deste evento especial, para todo menino judeu, e até nisto, vemos que a infância de Jesus foi como de todo menino judeu, uma infância normal e humana. Este fato, de Jesus ser um dos poucos meninos da região de Belém, também deve ter sido notado pelos sacerdotes e mestres, pois Israel, tem o cuidado de manter a Genealogia de seu povo, além do próprio censo romano.
DOS 12(DOZE) ANOS ATÉ O INÍCIO DE SEU MINISTÉRIO NAS BODAS DE CANÁ, DA GALILÉIA.
Lucas2.51,52: Então, descendo com eles, foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração. E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens.
João 2.11: Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.
VEJA O QUE DIZEM OS HISTORIADORES E A CIÊNCIA ARQUEOLÓGICA SOBRE JESUS E SUA EXISTÊNCIA:
Para um dos principais especialistas do Brasil na realidade histórica por trás da vida de Jesus, André Chevitarese, historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vai mais longe: Jesus seria virtualmente invisível para um arqueólogo de hoje. “Não só ele como quase toda a primeira e a segunda geração de cristãos. São pessoas periféricas, gente muito simples, de origem rural”, declarou Chevitarese ao G1. Seriam incapazes de deixar restos materiais claros de si mesmos.
Jesus é ‘invisível’ no registro arqueológico.
New York Times/G1
CONCLUSÃO:
A ciência e os que acreditam nos apócrifos querem descaracterizar a Infância de Jesus, mas a Bíblia nos informa pontualmente, aquilo que nos basta para termos entendimento suficiente como ela ocorreu e que de fato ocorreu, sem nenhuma dúvida, até porque a Bíblia- Os Evangelhos- não teem nenhuma preocupação cronológica, e nem de comprovação de suas narrativas, pois: Rm.1.16: Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê;
EM TUDO O MENINO Jesus foi provado e em todas as provações ele foi vencedor.
Isto nos alenta como pais cristãos, que devemos ensinar, a palavra de Deus aos nossos filhos;
Que nossos filhos devem ser protegidos por nós, sob a orientação de Deus;
Que devemos procurar o melhor para nossos filhos, e ouvirmos a voz de Deus, através do espírito Santo para podermos promover o bem-estar de nossa família.
É também uma prova cabal de que Jesus, mesmo menino cumpriu toda a vontade de Deus, como homem de sua época.
Importante: não há nenhuma relação entre o batismo ou crisma da ICAR e a consagração das crianças nas Igrejas Evangélicas, muitos que apresentam crianças, cometem este erro ao comentar o ato.

Fonte:
Apontamentos do autor do comentário;
Lição 04-CPAD-1º Trimestre/2008;
Enciclopédia Boyer;
Bíblia Plenitude – SBB
Dicionário Aurélio.
Yahoo – respostas.
Autor: Osiel Varela – Ministro das Assembléias de Deus – Missão.
Consagrado no Belém em 26/09/1996. Membro em Santo André, V. Curuçá. SP.
Ligado ao Belém.Professor de Teologia; Pós – graduado em Bíblia.

Abra o olho

Abra o Olho
Aline, ?, 2000.

Tema: Temos os olhos vendados para a violência?
Duração: 5 minutos
Público: adolescentes; mínimo 5 participantes.
Material: Dois panos para fechar os olhos e dois porretes feitos com jornais enrolados em forma de cacetete.

Dois voluntários devem ter os rostos cobertos e devem receber um porrete de jornal. Depois devem iniciar uma briga de cegos, para ver quem acerta mais o outro no escuro. O restante do grupo apenas assiste.
Assim que inicia a “briga”, o coordenador faz sinal para o grupo não dizer nada e desamarra a venda dos olhos de um dos voluntários e deixa a briga continuar. Depois de tempo suficiente para que os resultados das duas situações sejam bem observados, o coordenador retira a venda do outro voluntário e encerra a experiência, abrindo um debate sobre o que se presenciou no contexto da sociedade atual.

A reação dos participantes pode ser muito variada. Por isso, é conveniente refletir algumas posturas como: indiferença x indignação; aplaudir o agressor x posicionar-se para defender o indefeso; lavar as mãos x envolver-se e solidarizar-se com o oprimido, etc.
Alguns questionamentos podem ajudar, primeiro perguntar aos voluntários como se sentiram e o por quê. Depois dar a palavra aos demais participantes. Qual foi a postura do grupo? Para quem torceram? O que isso tem a ver com nossa realidade? Quais as cegueiras que enfrentamos hoje? O que significa ter os olhos vendados? Quem estabelece as regras do jogo da vida social, política e econômica hoje? Como podemos contribuir para tirar as vendas dos olhos daqueles que não enxergam?

Sugestões de textos: Marcos 10, 46-52; Lucas 10 25 a 37 ou Lucas 24, 13-34.

Fonte: http://www.bernerartes.com.br/ideiasedicas/dinamicas/abraolho.htm

A infância de Jesus – 4

A INFÂNCIA DE JESUSLc 2.40-51

Lição 4 – 27/01/2008
Texto Bíblico: Lc 2.52 Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens

QUER SER ALGUÉM?…APRENDA COM JESUS

1. DESENVOLVEU SUA INTELIGÊNCIA

  • Mostrou capacidade – Lc 2.46 E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores    2 Tm 2.24 E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;
  • Mostrou sabedoria – Lc 2.46b…ouvindo-os, e interrogando-os  Pv 3.13 Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;
  • Mostrou habilidade – Lc 2.47  E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas  Pv 19.8 O que adquire entendimento ama a sua alma; o que cultiva a inteligência achará o bem.

2. EXERCITOU SUA CONVIVÊNCIA

  • Com atitudes prudentes – Lc 2.48 E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos.  Pv 13.16 Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura.
  • Com atitudes educadas –  Lc 2.49a…E Ele lhes disse: Por que é que me procuráveis?  Pv 15.28 O coração do justo medita no que há de responder, mas a boca dos ímpios jorra coisas más.
  • Com atitudes resolutas – Lc 2.49b…Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai ?  Jo 6.38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

3. APRIMOROU SEU APRENDIZADO

  • Ele se exercitou – Lc 2.52a… Jesus ia crescendo em sabedoria   I Co 14.8 Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?
  • Ele se evoluiu – Lc 2.52b…estatura e graça  2 Pe 3.18a… Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo    
  • Ele se preparou – Lc 2.52c…diante de Deus e dos homens   Jo 16.33 Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.  

Pastor Adilson Guilhermel

http://www.pastorguilhermel.com.br/estudos-da-biblia.html

A infância de Jesus – subsídios

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A infância de Jesus – 1

Dr. Caramuru Afonso

A infância de Jesus – 2

Pb. José Roberto

A infância de Jesus – 3

Rádio Boas Novas

A infância de Jesus – 4

Pr. Adilson Guilhermel

A infância de Jesus – 5

Pr. Oziel Alves

A infância de Jesus – 6

Pr. Edevir Peron

A infância de Jesus – 7

CPAD

A infância de Jesus – 2

A INFÂNCIA DE JESUS

Texto Áureo: Lc. 5.22 – Leitura Bíblica em Classe: Lc. 2.40-51
Pb. José Roberto A. Barbosa
Objetivo: Mostrar que Jesus foi jovem e criança, crescendo em estatura e em graça diante de Deus e dos homens.

INTRODUÇÃO
Os relatos bíblicos a respeito da infância de Jesus são bastantes esporádicos. Lucas, o evangelista, nos apresenta alguns vislumbres desse período da vida do Senhor. Segundo o escritor sacro, Jesus crescia em estatura e graça diante de Deus e dos homens. Na lições de hoje, estudaremos a respeito do contexto no qual Jesus nasceu e cresceu, com ênfase primordial em sua infância e juventude, que servem de exemplo para os jovens atuais.

1. O MUNDO QUANDO JESUS NASCEU
Quando Jesus nasceu, os romanos tinham ampla dominação mundial. Os judeus, desde 63 a. C., estavam sob o governo de César. Jesus nasceu durante o império de Otávio Augusto (Lc. 2.6,7). Essa época é conhecida como “pax romana”, pois em virtude da ausência de guerras, o Império pode investir em outras edificações, como estradas, que serviriam, posteriormente, para a expansão do cristianismo. Antes dos romanos, Alexandre Magno, o grego, helenizou as terras que havia conquistado. Esse processo de aculturação foi tão intenso que os romanos, ainda que tenham dominado os gregos politicamente, acabaram absorvendo sua estilo de vida. A língua franca, naqueles tempos, era o grego koinê, que serviu para a pregação do evangelho e a escrita dos textos do Novo Testamento. A religião principal, entre os judeus, herdeiros da promessa de Abraão, os direcionava a ter expectativa por um Messias que libertaria do jugo dos seus inimigos. Nesse período, denominado por Paulo de “plenitude dos tempos”, Cristo veio à terra. “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl. 4.4,5).

2. A FASE INFANTO-JUVENIL DE JESUS
Há apenas alguns poucos textos, na Bíblia, que tratam a respeito da infância de Cristo. Por isso, não devemos especular demasiadamente sobre assunto, sob o risco de fantasiarmos e construir um Jesus que não passa de lenda, produto de narrativas fictícias ou relatos espúrios, carente de legitimidade tanto histórica quanto evangélica. Em sua narrativa, Lucas diz que “o menino [Jesus] crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc. 2.40). O desenvolvemos de Jesus, de acordo com esse testemunho, se deu de modo integral, isto é, envolvendo o físico, o mental e o espiritual (I Ts. 5.23). O fortalecimento físico revela o cuidado do Senhor com o corpo, especialmente com a alimentação e o sono (Jo. 21.9,23; Mt. 8.24). Que isso sirva de exemplo para nós atualmente, já que, devido à influência helenista, e não bíblica, somos levados a pensar que o corpo é algo maléfico, confundindo-o com a natureza carnal e pecaminosa. O corpo é morada e templo do Espírito Santo, e deve ser tratado como tal (I Co. 6.19,20). Jesus também se desenvolvia em sabedoria, isto é, na aplicação apropriada do conhecimento que tinha do Pai. A sabedoria, na Bíblia, não é mero enciclopedismo, mas uma atitude contínua de submissão e temor ao Senhor (Pv. 9.10). O desenvolvimento espiritual de Cristo fora atestado pela aprovação, do Pai, de tudo quanto fazia, desde a sua infância até a idade adulta (Mt. 3.17).

3. A JUVENTUDE DE JESUS
Ainda na juventude Jesus mostrava preocupação com a mensagem do Pai. Isso é explicitado no Seu encontro com os doutores, quando os ouvia e interrogava (Lc. 2.46). Não é dito, no texto, que o Senhor os ensinava, pois a Sua hora não havia ainda chegado (Jo. 2.4). Temos, nessa passagem, mais um exemplo para os jovens dos dias atuais, a fim de que, como Timóteo, se mantenham apegados à Palavra, com disposição para aprender (II Tm. 3.15), meditando sempre nas grandezas do Criador, especialmente, nos dias da juventude (Ec. 12.1). Isso é condição para a sobrevivência espiritual, já que a juventude moderna se esqueceu de Deus, elegendo o prazer egocêntrico como meta de vida. A satisfação se transformou em deus, de modo que aqueles que querem fazer a boa, perfeita e agradável vontade do Deus Vivo e Verdadeiro (Rm. 12.1,2), são rotulados de “quadrados” e “ultrapassados”. Os jovens que se guardam para o casamento e os que se dedicam aos estudos, não são bem vistos pelas “tribos” hedonistas. Jesus é, e continuará sendo, o exemplo para todos os jovens que querem servir a Deus, como O ideal de pureza e santidade, produzido com o Espírito (Gl. 5.22). Para tanto, jovens e adultos devem estar atentos à sábia recomendação do Apóstolo: “Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (II Tm. 2.22).

CONCLUSÃO
Existem muitas narrativas apócrifas da vida e da juventude de Jesus. Esses relatos, no entanto, nada têm de fundamentação histórica, e principalmente, bíblica. O pouco que nos é possível saber a respeito desses períodos da vida de Cristo se encontra nas Escrituras. E, como vimos, é o suficiente para nos motivar a viver em obediência à vontade de Deus, a fim de que, como Aquele Filho, e por meio dEle, desfrutemos do amor do Pai (Mt. 3.17).

BIBLIOGRAFIA
ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.). Comentário bíblico pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

COHEN, A. C. A vida terrena de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD, 2001

A infância de Jesus – 1

LIÇÃO 4 – A INFÂNCIA DE JESUS

Dr. Caramuru Afonso

http://www.escoladominical.com.br

               A infância e adolescência de Jesus são prova indelével de Sua humanização.

INTRODUÇÃO

- Uma das maiores provas de que Jesus Se humanizou é a Sua infância e adolescência, que, apesar de pouco mencionadas nas Escrituras, mostram-nos claramente que Jesus Se fez homem, semelhante a qualquer um de nós.

- Muitos têm procurado construir uma infância e adolescência de Jesus totalmente fantasiosas, procurando, com isto, denegrir a revelação bíblica e distorcer o que Deus nos tem revelado sobre a encarnação do Senhor Jesus.

I – O QUE É INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Colaboração/Gráfico: Enomir Santos

- No estudo a respeito de Jesus Cristo nas Escrituras, não temos como deixar de enfrentar a realidade de Sua infância e adolescência. Jesus Se fez carne, tornou-Se homem e, assim, como diz conhecido hino natalino de autoria de Martinho Lutero a respeito do Senhor: “criança Tu foste nascida em Belém”.

- Jesus, ao Se humanizar, submeteu-Se a todas as fases do desenvolvimento humano. Ao contrário de Adão, que não teve infância, que já foi criado adulto, Jesus, segundo a promessa de Deus, deveria ser “nascido de mulher”, ser a “semente da mulher” e, portanto, haveria de passar por todas as fases de desenvolvimento humano que os descendentes de Eva, “mãe de todos os viventes” se submeteriam, entre os quais a própria concepção (Gn.3:16).

- A infância é considerada o período de vida que vai desde o nascimento até a idade de doze anos. Com efeito, entre os judeus, logo se criou a tradição de que, com treze anos, o jovem fosse levado ao Templo a fim de receber uma bênção e um aconselhamento moral, porque, desde então, cessava de ser considerado “criança”, passando a ser responsável diante da Lei. Não foi por acaso, aliás, que Jesus foi levado ao templo quando já contava com doze anos (Lc.2:42). Ainda hoje a infância é considerada finda aos doze anos, época em que, normalmente, se iniciam as alterações biológicas próprias da puberdade (o surgimento dos caracteres sexuais secundários), período em que findaria o chamado “sono de Adão”, ou seja, o período em que não há o despertamento sexual no indivíduo. A palavra “infância” tem sua origem na palavra latina “infantia”, que significa “dificuldade ou impossibilidade de falar”, caracterizando, assim, aquela idade em que as pessoas não sabem falar ou tem dificuldade em fazê-lo (entre os judeus, só a partir dos doze anos, é que os jovens judeus passavam a dominar a “língua sagrada”, o hebraico).

OBS: Por isso, estratégia extremamente maligna tem sido a chamada “erotização infantil”, ou seja, o despertamento precoce do desejo sexual, que tantos males têm causado à sociedade na atualidade, uma das principais estratégias do adversário de nossas almas para macular e destruir não só nossas crianças, mas também as famílias.

- Já a adolescência (que, apesar de não constar no título da lição, é também sua parte integrante) é o período que vai dos doze aos dezoito anos de idade, período iniciado com a puberdade e que se encerra com o amadurecimento físico do organismo, que, assim, atinge o seu apogeu, terminando a fase de desenvolvimento e crescimento. Esta classificação, tanto quanto a da infância, persiste até hoje, como se pode ver no Brasil, por exemplo, do chamado Estatuto da Criança e do Adolescente (lei 8.069/1990).

- Estes dois períodos do desenvolvimento humano são os responsáveis pela formação do organismo, pelo crescimento físico e psíquico do ser humano e a eles Se submeteu o Senhor Jesus, visto que teve de ser “nascido de mulher”, bem como ser em tudo semelhante aos Seus irmãos, isto é, aos demais seres humanos. A Bíblia é explícita ao mostrar que Jesus também passou por este processo, ao dizer que “…o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre Ele” (Lc.2:40) ou, ainda, “…crescia Jesus em sabedoria, e em estatura e em graça para com Deus e os homens” (Lc.2:52), sendo um versículo correspondente à infância de Cristo e outro, à Sua adolescência.

- Por ter sido criança e adolescente, Jesus pode atender e interceder, com pleno conhecimento de causa, tanto as crianças quanto os adolescentes. Isto é de capital importância sabermos num mundo que tem se notabilizado pelo desvirtuamento cada vez mais precoce das crianças e adolescentes. Como disse o já mencionado hino de Lutero, “criança Tu foste nascida em Belém, por isso às crianças atendes também”, o que pode, também, ser estendido aos adolescentes. Nos dias em que vivemos, não podemos nos esquecer de que Jesus tem a mensagem apropriada e adequada para crianças e adolescentes e que tal mensagem se encontra na Bíblia Sagrada. Por isso, sem dispensar, obviamente, a tecnologia e os métodos apresentados pela psicopedagogia, não podemos deixar de reservar o primeiro lugar à Palavra de Deus, aquela que testifica de Jesus (Jo.5:39), na evangelização das crianças e adolescentes, pois Jesus foi criança e adolescente e tem, portanto, a mensagem adequada para a salvação destas duas faixas etárias.

- É com imensa preocupação que temos tomado conhecimento de certas estatísticas que indicam que o Brasil é o único país em que o analfabetismo funcional (i.e., a incapacidade de compreender o que se lê e se escreve) aumenta entre as crianças e adolescentes, filhos dos que se dizem “evangélicos”. Recentes pesquisas mostram que isto se deve ao fato de que a Bíblia tem sido deixada de lado nas escolas bíblicas dominicais, sendo substituída por métodos audiovisuais. Não somos contra o uso destes métodos, mas não podemos tirar as Bíblias das mãos das crianças e dos adolescentes. Sem a Bíblia, eles serão destruídos (Os.4:6), por não terem conhecimento de Jesus(Mt.22:29; Mc.12:24), o único que, por ter sido criança e adolescente, pode bem compreendê-los e ensiná-los a vencer o mundo, como o fez(Jo.16:33). Acordemos, irmãos, e voltemos às Escrituras! (Is.8:20).

- Não é à toa que o inimigo tem disseminado mentiras, muitas delas bem antigas, vindas dos chamados “livros apócrifos” dos primeiros séculos da igreja cristã, para divulgar a idéia de um Jesus que, enquanto criança e adolescente, era um “super-homem”, um “milagreiro”, um “gênio extraordinário”, com vistas a confundir a imagem bíblica de Jesus com as dos “super-heróis” dos desenhos animados, a fim de evitar que crianças e adolescentes se aproximem de um Jesus que lhes possa ajudar, que lhes possa compreender, que lhes possa vencer o mundo e o pecado, ante tantos bombardeios e ataques malignos da atualidade. Mostremos, porém, que Jesus foi criança e adolescente, simples, pois Sua vida é caracterizada pela simplicidade (II Co.11:3) e, assim, poderemos fazer destas crianças e adolescentes vasos preciosos na casa do Senhor.

II – O EMBRIÃO E FETO JESUS

Colaboração/Gráfico: Jair César

- Como vimos na lição anterior, Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo no ventre de Maria (Lc.1:31,35). Embora Jesus não tenha sido fruto de uma relação sexual e, assim, não tenha sido um ovo resultante da fecundação de um óvulo por um espermatozóide, o fato é que, por criação divina, surgiu como um ovo dentro do ventre de Maria, passando esta célula única, gerada diretamente pelo Espírito de Deus, a se multiplicar e ser um embrião, ou seja, “ser humano durante as oito primeiras semanas de seu desenvolvimento intra-uterino”.

- Jesus foi um embrião, concebido no ventre de Maria pelo Espírito Santo, mas um embrião, embrião que foi mostrado pelas Escrituras como um ser totalmente distinto de Sua mãe, com vida própria, a provar, pois, que, ao contrário do que dizem os falsos cientistas que andam defendendo a destruição de embriões para obtenção de células-tronco embrionárias para pesquisas, temos, desde a concepção, uma vida própria, que não é parte do corpo da mãe, como, despropositadamente, têm defendido até alguns supostos “evangélicos” que, neste particular, estão a distorcer totalmente as Escrituras.

- Já no Antigo Testamento se mostrava que o embrião já era uma vida totalmente distinta da mãe. No Salmo 139, Davi nos fala que somos formados de um modo terrível e maravilhoso (Sl.139:4) e que somos alguém mesmo quando ainda um corpo informe (Sl.139:16) e tanto se trata de uma vida que esta fase de nossa existência já está escrita em um livro, livro este, aliás, que outro não é senão um dos livros em que se relatam as obras de todas os homens (Ap.20:12). Somos formados dia-a-dia, ou seja, somos uma vida distinta, totalmente diferente de nossa mãe.

- Jesus mostra-nos isto claramente pois, ainda embrião, assim que concebido no ventre de Maria, no sexto mês de gestação de Isabel, sua prima, foi identificado separadamente de Sua mãe por ação do Espírito Santo pela própria Isabel. Ao ir visitar Isabel em uma cidade de Judá, Maria foi saudada por Isabel e a “criancinha” que estava no ventre de Isabel, ou seja, o feto João Batista, saltou no seu ventre  e Isabel foi cheia do Espírito Santo (Lc.2:41) e chamou a Maria de “bendita entre as mulheres” bem como disse que era “bendito o fruto do ventre de Maria” (Lc.2:42), ou seja, uma perfeita distinção entre mãe e o que nela estava gerado, Jesus, então um simples embrião. De igual modo, vemos que Isabel foi cheia do Espírito Santo, mas antes a “criancinha” já havia saltado no ventre de sua mãe, até porque esta “criancinha”, então um feto, seria cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lc.1:15).

- Notamos, pois, que Jesus, mesmo um embrião, era um ser totalmente distinto de Sua mãe, bem como demonstra, desde este início da Sua existência terrena, a Sua dupla natureza. Embora fosse um embrião, localizado no ventre de Sua mãe, com um corpo ainda informe, era “Deus conosco”, a ponto de Sua presença fazer saltar João Batista no ventre de Isabel e proporcionar que Isabel fosse cheia do Espírito Santo, profetizando a Seu respeito, produzindo, na própria Maria, alegria espiritual que a fizesse também entoar o seu cântico, onde se identifica como “a serva do Senhor”.

- Jesus, assim, inicia a Sua existência terrena como um embrião, para nos mostrar que o embrião é um ser humano e que, como tal, tem vida própria, ainda que sua fecundação se dê “in vitro”, fora do útero materno, sem que tenha havido uma relação sexual, pois, afinal de contas, Jesus também não foi fruto de uma fecundação natural.

- Esta lição que Jesus nos deixa é mais do que suficiente para mostrar que nem a pesquisa com células-tronco embrionárias nem o aborto são procedimentos que tenham respaldo bíblico, visto que são vidas distintas e que não fazem parte do corpo da mãe e, como tal, são assunto única e exclusivamente do dono da vida, o Senhor Deus (I Sm.2:6). Decidir sobre a vida alheia é matéria que não compete a homem algum.

- Jesus teve um processo de desenvolvimento normal como embrião e feto. As Escrituras dizem-nos que Jesus nasceu quando “…se cumpriram os dias em que ela [Maria, observação nossa] havia de dar à luz” (Lc.2:7). Uma gestação normal, um nascimento como o de qualquer outro ser humano, do ponto-de-vista biológico.

II – O NASCIMENTO DE JESUS

- Em seguida, a Bíblia nos registra o nascimento de Jesus, episódio bem conhecido de todos, até porque tradicional se tornou a sua comemoração na Cristandade, o Natal, que é celebrado no dia 25 de dezembro (6 de janeiro entre os ortodoxos), data instituída em Roma pelo Papa Líbero em 354 d.C. e que coincidia com a festividade do “dies solus invictus”, ou seja, a comemoração do solstício de inverno, o dia mais curto do ano em o hemisfério Norte, data que fazia parte do calendário das festividades pagãs e do culto mitraico, religião originada na Pérsia e que havia se disseminado no exército romano.

- A Bíblia traz-nos com pormenores este evento que, por sinal, jamais poderia ter ocorrido em dezembro, uma vez que os pastores estavam no campo, guardando o rebanho, quando lhes foi anunciado o nascimento do menino, prova de que não se estava em pleno inverno, como se dá em dezembro na Palestina.

- Jesus nasceu em Belém, porque José e Maria, descendentes do rei Davi, tiveram de ir a Belém por conta do recenseamento determinado pelo imperador César Augusto, quando Cirênio era presidente da Síria, o que põe o ano de 4 a.C. como sendo a provável data de nascimento do Senhor Jesus (o que demonstra, aliás, o erro do chamado “calendário gregoriano”, que é o calendário adotado pelo Ocidente).

- Na descrição bíblica do nascimento de Jesus, vemos, uma vez mais, estampadas Sua divindade e humanidade. Jesus nasceu como qualquer outro ser humano. Sua mãe deu à luz a ele em uma estrebaria, pois o casal não havia encontrado lugar nas estalagens de Belém, que se encontrava lotada por causa do recenseamento, tendo, após o nascimento, envolto o menino em panos e o posto em uma manjedoura (Lc.2:7). Estas circunstâncias mostram-nos claramente que Jesus nasceu como um pequenino bebê, que carecia de calor dos panos e que cabia em uma manjedoura. Era um bebê como qualquer outro, um ser humano.

- Entretanto, ao mesmo tempo em que, na estrebaria, vemos o menino Jesus em Sua toda humanidade, a Bíblia também nos conta que coros celestiais de anjos vieram louvar o menino, depois que um anjo se apresentou aos pastores, que guardavam o rebanho em Belém, anunciando o nascimento do Salvador, Cristo, o Senhor (Lc.2:8-11,13). Anjos louvavam a Deus e chamavam aquele recém-nascido de Senhor, revelando, assim, toda a Sua divindade, que não se havia perdido apesar da humanização. A glória de Deus se revelava e demonstrava quem era aquele menino que estava na manjedoura, sinal, aliás, relatado pelo próprio anjo. Era o homem em toda a sua pequenez na manjedoura, mas, era, também, Cristo, o Senhor, celebrado pelos anjos.

- Jesus apresenta-Se, então, como Aquele que é louvado pelos anjos, mas, também, como o menino recém-nascido, que é visto envolto em panos na manjedoura pelos pastores. O menino foi encontrado deitado na manjedoura, porque ali fora posto pela Sua mãe. Era, pois, um indefeso bebezinho, igual a tantos outros que costumamos ver nas maternidades de hoje. Nada especial, nada diferente, mas um bebê como qualquer outro, salvo pela forma como fora gerado e que não era do conhecimento de ninguém, a não ser de José e de Maria (Lc.2:19).

- O encontro com aquele menino recém-nascido, porém, não era um encontro com qualquer bebê. Os pastores, após terem tido aquela visão gloriosa do anjo e dos coros celestiais, foram até Belém e lá viram um menino deitado na manjedoura, envolto em panos. No entanto, saíram dali convencidos que aquilo que o anjo dissera e que os coros louvaram era a pura realidade. Dali saíram contando o que haviam visto, divulgando a palavra que receberam (Lc.2:17,18). Já era a atuação do Espírito Santo na vida daqueles pastores, que passaram a glorificar a Deus e a anunciar o nascimento do Salvador. Quem Se encontra com Jesus, ainda que seja o pequenino e indefeso bebê da manjedoura, não pode deixar de anunciar a salvação que, na pessoa desse homem, foi trazida ao mundo da parte do Pai.

- Que exemplo nos dão os pastores de Belém. Anunciaram a Jesus, depois de terem visto um bebê recém-nascido na manjedoura! E quantos, que dizem ter encontrado Jesus, calam-se, na atualidade, apesar de Jesus Cristo homem estar a mediar a humanidade e Deus, à mão direita do Pai, em toda majestade e esplendor? Como pode alguém que diz ter encontrado Jesus, um Jesus glorioso, vencedor da morte e do pecado, um Jesus como o que foi visto por João no capítulo 1 do Apocalipse, e permanecer silencioso, sem divulgar esta salvação? Que o exemplo dos pastores de Belém sirva para que verifiquemos se, realmente, temos encontrado a Jesus.

- Na descrição bíblica do nascimento de Jesus, nada vemos de extraordinário com relação a Seu nascimento, ao fato biológico do nascimento, nem haveríamos de encontrar. A Sua deidade não pudera ser dEle retirada, e, por isso, anjos vieram louvar Seu nascimento, mas se mantiveram no céu, exaltando o Seu nome. Na terra, tínhamos um bebezinho que se encontrava deitado numa manjedoura, envolto em panos. Este bebê não deixara de ser Deus, mas Se despira de toda a Sua glória, parta nascer de mulher, para nascer sob a lei (Gl.4:4).

- Daí porque já dever ser refutada toda narrativa fantasiosa que apresente um Jesus que nasceu e, de forma miraculosa, já Se apresentou, ainda recém-nascido, como um “super-homem”, como um “ser especial”. Nos dias em que vivemos, grande divulgação têm merecido os chamados “evangelhos da infância” ou “evangelhos da natividade”, escritos não inspirados que surgiram ao longo dos primeiros séculos da igreja cristã, querendo “aumentar” o caráter miraculoso do nascimento de Jesus, “acrescentando” dados fantásticos e sobrenaturais a este episódio, algo, aliás, que costumamos ver, lamentavelmente, em “testemunhos” contados por alguns em os nossos púlpitos…

- Estes escritos são puras invencionices, fruto da imaginação de pessoas que não tinham qualquer compromisso com a verdade. Não passam de fábulas artificialmente compostas (II Pe.1:16), que querem causar “impacto” nos leitores e ouvintes, como se isso fosse necessário para gerar temor e tremor diante de Deus ou para assegurar a dupla natureza de Jesus e Seu caráter singular diante de todos os homens. São mentiras que foram rechaçadas pelos cristãos do tempo em que foram divulgadas e espalhadas e que, hoje, por força da operação do erro, do espírito do anticristo, renascem das tumbas para onde haviam sido lançados pelos crentes primitivos, a fim de fazer com que os que rejeitam o Evangelho sejam cada vez mais enganados e iludidos (II Ts.2:7-12).

- Assim, hoje têm sido publicados e traduzidos para inúmeras línguas estes “evangelhos da infância” ou “evangelhos da natividade”, escritos sem qualquer inspiração, que trazem fantasias enormes a respeito do nascimento, da infância e da adolescência de Jesus, valendo-se do relativo silêncio da Bíblia a respeito.

- Assim, por exemplo, o chamado “Protoevangelho de Tiago” ou “Livro de Santiago” bem como o “Evangelho do Pseudo Mateus” dizem Jesus ter nascido em uma gruta, depois de uma luminosidade intensa, ocasião em que teria, de imediato, se pegado ao peito de Sua mãe, que, aliás, teria se mantido virgem. Bem se vê que é neste escrito que se construiu a tese do “nascimento virginal de Cristo”, ou seja, de que Maria se manteve virgem mesmo tendo dado à luz a Jesus, o que é totalmente contrário ao que nos ensinam as Escrituras que não só não diz que Maria tenha se mantido virgem, como que Maria teve outros filhos além de Jesus. Como se não bastasse, este livro conta que Jesus teria curado, ainda na gruta, uma mulher que não havia crido que Maria tivesse se mantido virgem, o que é um perfeito absurdo, pois, então, Jesus teria usado da Sua divindade, logo no limiar da Sua existência, contrariando, deste modo, toda a “kenosis”, absolutamente necessária para nos abrir a porta da graça.

- O chamado “evangelho árabe da infância”, também, diz que, ainda no berço (que berço?), Jesus teria dito a Maria: “Eu sou Jesus, o filho de Deus, o Verbo, a quem tu deste à luz de acordo com o anunciado pelo anjo Gabriel. Meu Pai Me enviou para a salvação do mundo”. Teria, também, ainda dentro da “gruta”, curado uma mulher de paralisia, que teria sido criada e serva de Jesus dali para a frente. Tal narrativa fantasiosa deve ter sido a fonte de inspiração de Maomé no Alcorão, onde Jesus, também, é apresentado como tendo falado logo após Seu nascimento, dando conta de que era “Profeta de Alá”. Todos estes relatos são absurdos, porque jamais Jesus deixaria a Sua condição de homem e assumiria a de Deus, negando, assim, toda a Sua obra. Muito pelo contrário, a Bíblia nos revela que Jesus cumpriu toda a obra que o Pai Lhe havia dado a fazer (Jo.17:4).

OBS: Reproduzimos aqui o trecho do Corão, provavelmente inspirado no “evangelho árabe da infância”: “…E ela [Maria, observação nossa] chegou com ele [Jesus, observação nossa], a seu povo, carregando-o. Disseram: ‘Ó Maria! Com efeito, fizeste uma cousa assombrosa! ‘Ó irmã de Aarão! Teu pai não era pessoa atreita ao mal e tua mãe não era mundana!’ Então ela apontou para ele. Eles disseram: ‘Como falaremos a quem está no berço, em sendo infante?’ O bebê disse: ‘Por certo, sou o servo de Allah. Ele me concederá o Livro e me fará Profeta, e me fará abençoado, onde quer que esteja, e me recomendará a oração e o az-zakah [esmola, observação nossa], enquanto permanecer vivo. E me fará blandicioso para com minha mãe, e não me fará tirano, infeliz; e que a paz seja sobre mim, no dia em que nasci, e no dia em que morrer e no doa em que for ressuscitado, vivo!’. Esse é Jesus, filho de Maria. É o Dito da verdade, que eles [os cristãos, observação nossa] contestam…” (19:27-34 – Tradução do sentido do Nobre Alcorão para a língua portuguesa, com a colaboração da Liga Islâmica Mundial, em Makkah Nobre, por dr. Helmi  Nasr, pp.486-7).

- Após ter nascido na estrebaria, Jesus, como todo judeu, foi circuncidado no oitavo dia de sua vida (Gn.17:12; Lv.12:3; Lc.2:21), quando, então, Lhe foi dado o nome de Jesus, em cumprimento à ordem do anjo, o que, de pronto, desmonta estas “pregações de recém-nascido” que têm sido alardeadas pelos “escritos apócrifos”. É interessante observar que a narrativa de Lucas mostra um menino Jesus totalmente indefeso, dependente, como toda criança recém-nascida. Em toda a narrativa, Jesus não pratica qualquer ação, é sempre o objeto das ações dos outros homens, é o que os gramáticos chamam de “paciente” (foi envolto em panos, deitado na manjedoura, visto pelos pastores, foi circuncidado e dado a ele o nome). Isto é uma demonstração de que Jesus, assim como qualquer outro recém-nascido, como qualquer outro neonato, dependia inteiramente de seus pais.

- A circuncisão de Jesus é, ademais, o primeiro ato que demonstra que Jesus nasceu sob a lei (Gl.4:4), que deveria cumprir integralmente a lei de Moisés (Mt.5:17). Assim, quando já tinha quarenta dias de vida, conforme a lei, foi levado ao templo com Seus pais, a fim de que se fizesse o sacrifício relacionado à purificação de Sua mãe (Lv.12:4). Naquela oportunidade, foi oferecido um par de pombinhos ou de rolas (Lc.2:24), numa demonstração de que José e Maria eram pobres, apesar de sua descendência real (Lv.12:8).

OBS: Tem-se aqui uma outra prova de que o parto de Jesus foi normal, porque só nestes casos é que havia a necessidade do sacrifício da purificação que, pela tradição judaica, é dispensado em outros casos, como o da cesariana, como se encontra no Talmude, no tratado Nidá 40.

- Vemos, portanto, que Jesus nascia em uma família humilde, pobre, de modo que a pobreza de que nos fala o apóstolo em relação a pessoa de Jesus (IICo.8:9), não envolve apenas a questão da “kenosis”, mas também abrange a própria condição econômico-financeira da “sagrada família”. Ao contrário do que apregoam os “teólogos da prosperidade”, Jesus não nasceu rico, mas, sim, bem humilde, tanto que seus pais ofereceram o mínimo previsto na lei para a purificação de Maria. A este tempo, aliás, também a criança já havia sido consagrada ao Senhor, pois, da idade de um mês, fora resgatada por ser o primogênito do casal (Nm.18:15,16; Lc.2:7,23).

- Tanto não havia nada de especial em Jesus que, somente pelo Espírito Santo, Jesus foi identificado por Simeão como sendo o Cristo do Senhor (Lc.2:26,27). Mais uma vez, quando o menino entrava, pela vez primeira, no templo de Jerusalém, eram apresentadas tanto a Sua humanidade quanto a Sua deidade. Era um simples menino, que acompanhava seus pais para a purificação de Sua mãe, um casal pobre, que ofertava o mínimo possível, enquanto que, simultaneamente, o Espírito Santo usava o velho Simeão para apresentar aquela criança como sendo o Messias, o Salvador do mundo, o Verbo que Se fizera carne.

- Ao mesmo tempo em que Simeão tomava o menino nos seus braços, indicando tratar-se de uma criança recém-nascida, que nos braços de um ancião bem cabia, era chamado pelo sacerdote de  “a Tua salvação preparada”, “luz para alumiar as nações e para glória de Teu povo Israel”(Lc.2:30-32). Enquanto dizia já poder morrer em paz, porque já vira a salvação de Deus para o Seu povo, também abençoava o menino e o casal, a indicar, pois, como Jesus é homem e é Deus simultaneamente. Como Messias, traria elevação e queda de muitos em Israel; como homem, provocaria grande tristeza em Sua mãe quando de Sua morte (Lc.2:34).

- Mas não foi apenas Simeão que viu aquele pequenino como o Salvador do mundo, uma visão que corresponde à dos pastores de Belém, mas também Jesus foi revelado como o Messias à profetisa Ana, da tribo de Aser, a demonstrar que Jesus estava vindo para toda a nação de Israel, para todos, homens e mulheres. Àquela viúva, idosa, mas que não se afastava do templo, o Espírito Santo também revelou quem era aquela criança e, assim como os pastores, Ana não pôde se calar e a todos divulgava a boa-nova, o Evangelho (Lc.2:36-38), o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16 “in medio”).

- Estes episódios narrados por Lucas mostram-nos com grande clareza que Jesus, na aparência, era uma criança como qualquer outra, sem nada que O pudesse distinguir dos demais e que apenas pelo Espírito Santo poderia ser identificado como o Messias, identificações que foram feitas com o propósito de nos fazer compreender que, embora humanizado, Jesus jamais perdeu a Sua deidade.

III – A INFÂNCIA DE JESUS

- Cumprida a lei, vemos que José e Maria passaram a residir em Belém de Judá. Com efeito, vemos o casal e o menino em uma casa (Mt.2:11), quando foram visitados pelos magos do Oriente, que, conforme se vê do texto, haviam visto a “estrela de Belém” num período inferior a dois anos de quando O encontraram em Belém (Mt.2:16).

- Isto nos permite observar, pois, que as famosas cenas dos presépios, onde vemos a “sagrada família” recebendo a visita dos magos ainda na estrebaria não corresponde à realidade do texto bíblico. O presépio, aliás, foi uma criação de Francisco de Assis que, no século XIII, quis retratar o nascimento de Jesus de forma a realçar a Sua pobreza, um de seus principais lemas que o levou a fundar a ordem religiosa dos franciscanos. Assim, acabou adotando a gruta dos escritos apócrifos e incluindo os magos, o que, porém, não tem respaldo das Escrituras.

- Tendo os magos visto a “estrela” no dia do nascimento de Jesus e até interpretarem o que isto significava e, por fim, resolvido viajar até Jerusalém para adorarem o “rei dos judeus”, decorreu um bom período, período este que é inferior a dois anos, diante da deliberação de Herodes de matar a todas as crianças de dois anos para baixo que haviam nascido em Belém.

- Os magos foram procurar o “rei dos judeus” em Jerusalém (Mt.2:1,2), mas acabaram encontrando o menino em Belém, em uma casa, prova de que o casal se instalara naquela cidade, pelo menos neste período de menos de dois anos após o nascimento de Jesus. Nada havia de especial no menino, como se pode perceber, tanto que preciso foi que a “estrela” os guiasse, depois que sua sabedoria humana os conduzira, equivocadamente, a Jerusalém.

- Mais uma vez, observamos que a deidade de Jesus não Lhe deixara, apesar de ser apenas um menino de menos de dois anos de idade que morava em uma casa em Belém. Os magos haviam entendido ser ele o rei dos judeus e digno de adoração (portanto, divino), por causa da “estrela” que haviam visto no Oriente, ou seja, pelos sinais dos astros que, como parte da natureza, também manifestam a glória de Deus (Sl.19:1; Rm.1:20), o que pode ter sido interpretado à luz de ensinos judaicos conhecidos dos babilônios desde a época do cativeiro, como também pelas Escrituras que, devidamente interpretadas pelos escribas e pelos príncipes dos sacerdotes em Jerusalém, apontaram Belém como o lugar de nascimento do Messias (Mt.2:4-6). Destarte, vemos que Jesus só pode ser reconhecido como Deus pela revelação, seja ela natural ou escriturística.

OBS: “…Ainda que a Escritura nada de positivo diga, pode haver alguma verossimilhança nas lendas antigas citadas pelo historiador judaico Josephus, segundo as quais existia antes e depois do Dilúvio uma revelação divina no estudo dos astros. Essa revelação teria vindo de Seth ou, segundo outros escritores, teria origem nos profetas primitivos, como Enoque. Essas lendas, no tempo moderno, mereceram uma exposição de F. Rolleston e de outros teólogos, como Joseph Seiss, E. Bullingerm etc., que procuraram coligar a isso os fragmentos das tradições dos antigos sobre as doze constelações do Zodíaco, desde a Virgem até o Leão. Nestes encontramos de fato muitos nomes de estrelas e de constelações que sugerem, pelo que representam, certas faces interessantes que coincidem com figuras da revelação divina(…). Todas essas constelações e estrelas, vemos, são representadas por figuras de homens, de aves, de quadrúpedes e de répteis. Não é absurdo que o Universo tenha simbolizado o caminho de Deus para o homem antediluviano e pós-diluviano, talvez durante os dois mil e quinhentos anos antes da existência de qualquer Escritura(…). Mas, como o homem por si só e por sua própria sabedoria é inapto para conhecer a Deus e a Sua sabedoria, desvirtuou ele esses sinais para a mais grosseira idolatria, o que teve princípio em Babel ou Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra, Ap.17.5.…” (NYSTROM, Samuel. Jesus Cristo, nossa glória. 2.ed., pp.35-6).

- Ao encontrarem o menino, adoraram-nO, apesar de ser um simples menino, tendo, ainda, trazido ofertas para a criança, de ouro, incenso e mirra (Mt.2:12), dádivas que simbolizavam o tríplice ministério de Jesus, ou seja, de rei (ouro), sacerdote (incenso) e profeta (mirra), vez que o ouro representa a realeza, o incenso, que era usado pelos sacerdotes como parte acompanhante dos sacrifícios e, por fim, a mirra, resina de planta do mesmo nome de aroma agradável e gosto amargo, com propriedades adstringentes (i.e., que provocam constrição, compressão, em termos figurados, arrependimento) e anti-sépticas(i.e., que impedem a contaminação, que cura, que mata os germens, em termos figurados, o pecado), características que acompanham sempre aquele que é porta-voz do Senhor.

- Em seguida, ante a revelação divina aos magos para que não dissessem a Herodes onde estava o menino, antes que houvesse a matança dos inocentes em Belém, José e Maria foram avisados para descessem ao Egito, o que lhes foi possível porque, com as dádivas recebidas pelos magos, tinham condições para se estabelecer naquela terra estranha, onde, afinal de contas, havia uma grande colônia judaica. A Bíblia não nos diz onde Jesus esteve no Egito, mas os cristãos coptas (como são conhecidos os cristãos do Egito, Etiópia e Eritréia, países do Norte da África, que, tradicionalmente, foram “governados” pelo patriarca de Alexandria e que se mantêm uma igreja independente, com cerca de 40 milhões de fiéis), não sem muitas superstições, mantêm locais considerados como tendo sido visitados e habitados pela “sagrada família”, que, hoje, faz parte da chamada “Rota Sagrada”, um dos itinerários turísticos oficiais do governo do Egito.

OBS: A “Rota Sagrada”, inclusive, foi objeto de uma investigação pela antropóloga brasileira Fernanda de Camargo-Moro (1933- ), que escreveu um livro a respeito, “Nos passos da sagrada família –um outro Egito”.

- Jesus esteve no Egito até a morte de Herodes, quando José e Maria, novamente por revelação divina, deixaram o Egito e foram morar em Nazaré, já que José temeu retornar a Judéia, vez que ali reinava Arquelau, filho de Herodes (Mt.2:22), enquanto que, na Galiléia, onde ficava Nazaré, o governante era Herodes Antipas (20 a.C. – 39 d.C.), o mesmo que foi, certa feita, chamado de “raposa” por Jesus (Lc.13:32), que, apesar de também ser filho de Herodes, era pessoa de menor crueldade e menos apegado aos valores judaicos.

- Quando Jesus volta do Egito, adquiriu a consciência. Com efeito, o profeta Isaías nos dá conta de que o Messias atingiria a consciência quando morressem dois reis, oportunidade em que, em vez de render-se ao mal e abandonar o bem, como sói ocorrer com todo ser humano, Ele haveria de escolher o bem e renunciar ao mal (Is.7:15). O fato é que, como profetizado por Isaías, a Judéia ficou desamparada de reis. Não só Herodes falecera, como ocorreu a morte de Gaio César, filho de Augusto, que estava sendo preparado para sucedê-lo e que era uma espécie de vice-rei nas províncias orientais, que, inclusive, era assessorado por Cirênio (Lc.2:2).

- O profeta, ainda, mostra-nos que, mesmo no Egito e após ter recebido as dádivas dos magos, a “sagrada família” vivia humildemente, já que Jesus era alimentado com “manteiga e mel”, típica refeição dos desapossados naquele tempo (Is.7:15). Além de viverem como estrangeiros, José e Maria tiveram outros filhos, o que aumentava a necessidade dentro de casa. Tanto é verdade a situação simples em que vivia a “sagrada família”, que foram morar em Nazaré, local completamente ignorado, mesmo na Galiléia, alvo de todo tipo de preconceito (Jo.1:46). Quão diferente é a Bíblia das fantasias trazidas pelos “teólogos da prosperidade”…

- Nazaré era localidade que nem sequer foi objeto de menção no Antigo Testamento, nem mesmo quando houve a divisão da terra, também não tendo sido mencionada nenhuma vez por Flávio Josefo, apesar de ele ter sido governador da Galiléia. Vemos, assim, que, tanto antes, quanto depois da passagem de Jesus por este mundo, Nazaré foi sempre aviltada e desprezada enquanto lugar. Por causa disto, alguns estudiosos chegam a pensar que Nazaré seria uma aglomeração urbana irregular, uma espécie de ajuntamento de pessoas desqualificadas ou marginalizadas na sociedade, algo como os “favelões” das metrópoles atuais. Foi nesta localidade obscura que José e Maria foram habitar, levando consigo Jesus e os filhos que já haviam nascido do casal.

OBS: “…A Nazaré dos anos cinco anos antes de Cristo até os dezesseis da era cristã era o que hoje são as favelas das grandes metrópoles mundiais. Chamar alguém de Nazareno, na época de Cristo Jesus, era a mesma coisa que chamar, nos dias de hoje, um cidadão decente de traficante e delinqüente. Talvez os morros das mais temíveis favelas onde, supostamente, são controlados os que entram e os que saem, sejam mais sociáveis do que era, naquela época, a aldeia de Nazaré, onde Cristo Jesus foi criado e confinado até os trinta anos de idade…” (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Cristo desconhecido dos judeus, da ciência e até mesmo dos ‘cristãos’, p.135)

- No Egito e, depois, em  Nazaré, a Bíblia nos diz que Jesus, enquanto menino, “…crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria e a graça de Deus estava sobre Ele” (Lc.2:39). Este texto bíblico mostra-nos que não tem qualquer cabimento a atribuição de milagres a Jesus durante a Sua infância e adolescência. Verdade é que, ao contrário do que ocorre com os demais seres humanos, Jesus, ao adquirir a consciência, optou pelo bem e não pelo mal, o que o impediu de se tornar escravo do pecado, mas daí a chegar a conclusões de que maravilhas, sinais e prodígios foram realizados por Jesus há uma grande distância.

- Em toda a Sua humanidade, Jesus era um “menino”, que “crescia”. Estava submetido ao processo de desenvolvimento como todo indivíduo, porque realmente Se fez carne e, em virtude disto, necessitava crescer tanto física quanto psíquica e espiritualmente. Seu crescimento e fortalecimento, diz-nos o texto bíblico, era “em espírito”. Em primeiro lugar, portanto, o crescimento de Jesus Se dava na comunhão com o Senhor. O espírito faz a ligação entre Deus e o homem e Jesus crescia, enquanto homem, neste quesito, até, quando Se tornou responsável diretamente diante de Deus, segundo a lei, a iniciar a tratar dos negócios de Seu Pai (Lc.2:49).

- O fato de a Bíblia dizer que o menino crescia e se fortalecia, é a prova de que a plenitude do Espírito Santo não estava ainda sobre o menino ou o adolescente Jesus. Tinha Ele tido a consciência do bem e do mal, escolhendo o bem, o que proporcionou o início do Seu progresso espiritual, mas, de modo algum, pode-se admitir um Jesus milagreiro, como o apresentado pelos “evangelhos da infância”. Nem no Egito, nem em Nazaré, Jesus fez qualquer milagre, pois ainda não era chegada a hora.

OBS: Muitos têm enfatizado estes “evangelhos” na atualidade, com um sem-número de absurdos. Assim, segundo estes livros apócrifos, entre outros “milagres” de infância, Jesus teria feito a terra do Egito tremer e um ídolo se desfazer ao Se aproximar com Seus pais do lugar, de ter havido expulsão de demônios por causa de um pano lavado por Maria que tinha estado no corpo do menino Jesus, de ter causado, com Sua aproximação, a libertação de reféns por bandidos do deserto, de ter dado fala a uma muda só quando, nos braços dela, ter mexido seu corpinho na mulher, de ter sido curada uma leprosa só com a água com que se lavara o menino Jesus, de ter sido posto sobre um mulo, que havia sido homem, e ter feito o mulo virar homem novamente, de Seu suor ter se transformado num bálsamo milagroso que existe perto de uma árvore em Matarieh no Egito, de ter feito andar umas figurinhas de barro que havia feito com amiguinhos em brincadeiras e outras fantasias, que não têm qualquer cabimento.

“…Nesta ocasião, qualquer milagre que venha a ser creditado ao Menino Cristo Jesus será apenas mera especulação de pensadores patéticos, pois, Ele, como criança, nada poderia fazer, nem mesmo como menino Deus, que de fato era; porque menino é sempre menino. Mesmo sendo o Messias, o ungido de Deus, já estava previsto nas Escrituras que Ele nada poderia fazer até que os dois reis da terra, que se enfadaram com Seu nascimento, vivessem. Ambos morreram simultaneamente, exatamente alguns dias antes de Deus, através do anjo, autorizar seu retorno do Egito para Israel (Isaías 7,15-16) (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Cristo desconhecido dos judeus, da ciência e até mesmo dos ‘cristãos’, pp.162-3).

- Esta passagem bíblica também nos indica que, se Jesus, sendo Deus, enquanto homem necessitava crescer e se fortalecer em espírito, que diremos de nós? Não se pode exigir de um ser humano que atinja, de imediato, a plenitude espiritual. Muito pelo contrário, a Bíblia é repleta de textos que nos indicam a necessidade de crescermos na graça e no conhecimento de Jesus (II Pe.3:18), de nos aperfeiçoarmos continuadamente (Ef.4:11-14). Como diz o presbítero Walter Marques de Melo, da Assembléia de Deus do Belenzinho (São Paulo/SP), em São Paulo, a vida espiritual é uma escada, em que temos de subir degraus todos os dias, onde uns sobem mais rápido do que outros e onde, certas vezes, até mesmo descemos. Tomemos, pois, cuidado com o imediatismo que tanto tem invadido os corações de muitos na atualidade.

- Além do Seu desenvolvimento como qualquer ser humano, em todos os sentidos, o menino Jesus era “cheio de sabedoria’ e “a graça de Deus estava sobre Ele”. Isto nos mostra, claramente, que qualquer que mantém a sua comunhão com Deus, optando pelo bem e rejeitando o mal, enche-se de sabedoria, a verdadeira sabedoria, aquela que, como nos diz o apóstolo Tiago, vem do alto e, por isso, é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia (Tg.3:17). O menino Jesus não era “milagreiro”, não vivia fazendo sinais, mas era “cheio de sabedoria” e, como tal, produzia frutos que demonstravam a sua comunhão com Deus.

OBS: Por isso, não têm cabimento relatos dos “evangelhos da infância” que mostram um menino Jesus “arteiro” e “vingativo”, que transformava rapazes que brincavam com ele de “esconde-esconde” em cabritos ou, então, que tenha secado uma criança que havia contendido com Ele ou que matou uma criança que O havia golpeado ou, ainda, que fez secar a mão e matou o professor que não gostara de Sua resposta.

- Mas, além de ser “cheio de sabedoria”, o menino Jesus tinha a “graça de Deus sobre Ele”. Vimos, em lição anterior, que, enquanto Deus, o Verbo era cheio de graça e de verdade. Enquanto homem, Jesus precisava que a “graça de Deus” estivesse sobre Ele. Se Jesus, sem pecado, tendo optado pelo bem e rejeitado o mal, necessitava que a graça de Deus estivesse sobre Ele, que diremos de nós? Nunca devemos nos esquecer de que a graça de Deus está sobre nós e que, por isso, podemos chegar à glorificação, por este motivo temos a vida eterna. É tudo pela graça, que se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens (Tt.2:11), graça esta que nos ensina a abandonar o mundo, a rejeitar o mal, assim como fez o menino Jesus assim que adquiriu consciência (Tt.2:12).

- Este é o modelo de criança que devemos ter em nossos lares, em nossas igrejas locais, em nossa sociedade. As crianças devem ser educadas a crescer, a se fortalecer em espírito, a se encherem de sabedoria, a terem sobre si a graça de Deus. Ao adquirirem a consciência, perdendo a inocência, devem ser ensinadas a rejeitar o mal que, inevitavelmente, abraçam, estimuladas e incentivadas a seguir o bem, a terem comunhão com Deus. Para tanto, precisam ser apresentadas a Jesus, ao autor e consumador de nossa fé, para que, nEle e com Ele, venham a crescer, fortalecer-se em espírito, encher-se de sabedoria e ter a graça de Deus sobre si. Temos levado este ensino, esta instrução às nossas crianças?

IV – A ADOLESCÊNCIA DE JESUS

- Quando Jesus atinge os doze anos de idade, é chegado o instante em que deve se tornar um “Bar Mitzvah”, ou seja, um “Filho do Mandamento”. Segundo a tradição judaica, aos treze anos se teria a idade apropriada para se começar a cumprir os 613 mandamentos da lei de Moisés, o que viria a ser, posteriormente, passado a escrito no Talmude (o segundo livro do judaísmo): “…’Até o décimo terceiro ano, observou o Tana (Sábio)  Eleazar, ‘é dever do pai educar seu filho. Mas depois disso, ele deve dizer: ‘Abençoado seja Aquele que tirou de mim a responsabilidade por esse rapaz.’…’” (AUSUBEL, Nathan. Bar mitzvah. In: A JUDAICA, v.5, p.65).

OBS: Recentemente tivemos conhecimento de que alguns grupos evangélicos envolvidos com a visão celular estão a realizar uma cerimônia semelhante, a que chamaram de “bar barakah” (filho da bênção ou filho da prosperidade), no qual pretendem “reforçar a identidade e sexualidade de seus filhos, evitando com isso as distorções que o inimigo tem colocado na sociedade e nas famílias, trazendo distúrbios no caráter e no comportamento sexual de nossos filhos”. Nada mais antibíblico! A responsabilidade dos pais é educar os filhos na sã doutrina, desde a mais tenra idade, pois só assim não serão iludidos pelo inimigo de nossas almas. De nada adianta ritualismos ou palavras solenes. Deixemos estes fermentos de judaísmo que estão a infestar a sã doutrina!

- Assim, natural que, ao ter completado doze anos, Jesus tenha sido levado pelos Seus pais ao templo de Jerusalém para que assumisse, doravante, a responsabilidade pela observância dos mandamentos da lei mosaica. “…Na Antigüidade, o rapaz que fazia Bar Mitzvah em Jerusalém era levado por seu pai ao sacerdote do Templo ou aos Anciãos, a fim de receber sua bênção, seu aconselhamento moral, e sua prece ‘para que se lhe garantisse uma porção na Torah e no cumprimento de boas ações’…” (AUSUBEL, Nathan, op.cit.).

- É por este motivo que as Escrituras se preocupam em mencionar este episódio, o único relatado no texto bíblico a respeito da adolescência de Jesus. É o instante em que o Senhor assume, como homem, a responsabilidade pelo cumprimento da lei, cumprimento este que Deus quer que o homem tenha conhecimento de que ocorreu integralmente, como parte indispensável para a realização do plano para a salvação do homem (Mt.5:17). Os Evangelhos não são textos biográficos, ou seja, não têm a preocupação de contar fatos da vida terrena de Jesus, mas, sim, textos que têm por objetivo mostrar que Jesus é o Salvador do mundo, que a humanidade alcança a salvação na pessoa de Jesus.

- Jesus foi levado ao templo de Jerusalém pelos Seus pais, a fim de assumir Sua responsabilidade perante a lei de Moisés. Era o homem judeu que assumia Seu compromisso diante de Deus. Era a festa da Páscoa, a primeira das 21 Páscoas em que Jesus cumpriria Seu dever de Se apresentar perante o Senhor no templo. Ali, após ter assumido tal compromisso, Seus pais retornaram a Nazaré, mas perderam Jesus, que ficou em Jerusalém, no templo, discutindo com os doutores, a quem ouvia e a quem interrogava.

- Mais uma vez, vemos a demonstração da dupla natureza de Jesus. O adolescente Jesus vai ao templo para assumir Sua responsabilidade diante de Deus. É o homem que cumpre a lei e a ela Se submete. Entretanto, o Verbo, a própria Palavra, discute com os doutores da lei, interroga-os, apresenta-lhes as dificuldades das Escrituras. Foram três dias de debates e discussões, certamente a mais profunda e espiritual discussão que se teve naquele templo, cuja glória era superior ao do templo de Salomão (Ag.2:9).

- Jesus passara a infância crescendo e se fortalecendo em espírito, enchendo-Se de sabedoria, tendo sobre Si a graça de Deus. Agora, que assumia, como homem, a responsabilidade plena diante da lei de Moisés, Sua consciência também atingia seu ponto culminante e o homem Jesus tomava conta de que era o Filho de Deus. Ao ser repreendido pelos Seus pais, que O encontram três dias depois no templo, o adolescente Jesus mostra ter esta consciência quando diz a Maria: “…Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?…” (Lc.2:49 “in fine”).

- Ao mesmo tempo em que assumia a responsabilidade como homem perante Deus ante a lei de Moisés, o adolescente Jesus chegava à consciência de que era o Filho de Deus e, como tal, deveria fazer a vontade do Senhor. Não era, porém, o momento para iniciar esta obra, o que se daria apenas quando tivesse trinta anos de idade, ou seja, dezoito anos depois.

- Após esta demonstração de plenitude de consciência de Sua condição, que faz o adolescente Jesus? Desce com Seus pais para Nazaré, onde permanece sujeito a eles (Lc.2:51), ou seja, obediente e reverente a seus pais, como todo adolescente de seu tempo, como mandava a lei de Moisés, perante a qual assumira a responsabilidade quando fora a Jerusalém.

- A partir daí, a Bíblia quase nada mais nos revela a respeito da adolescência de Jesus. Sabemos, apenas, por inferência, que, durante estes anos, Jesus exerceu o mesmo ofício de Seu pai, ou seja, o de carpinteiro, em Nazaré, pois é chamado de carpinteiro e filho do carpinteiro pelos nazaritas, quando lá retorna, já quando iniciado o Seu ministério público (Mt.13:55; Mc.6:3). Vemos, portanto, que, na adolescência, Jesus aprendeu o ofício de Seu pai e o exerceu, em mais uma demonstração de que a “sagrada família” vivia a “porção acostumada de Agur” (Pv.30:8), dependendo do trabalho para a sua sobrevivência.

- Jesus, então, ensina-nos que, na adolescência, é tempo de se ter plenitude da presença de Deus na vida, conscientização do que Deus quer para a nossa vida, mas, também, tempo de empenho e esforço para ocupar uma posição na sociedade, posição esta a ser obtida mediante o trabalho. Vemos, pois, com grande preocupação o gesto de muitos pais crentes que, além de não cuidarem de seus filhos adolescentes, de modo a que tenham contacto com as Escrituras e obtenham a direção e orientação do Espírito Santo para as suas vidas, são alijados do trabalho, mantidos na ociosidade, o que os leva, seguramente, a uma vida de perversidade, desorientação e envolvimento com tudo aquilo que tem denegrido a nossa adolescência, como a prostituição, as drogas e a criminalidade.

- Os estudiosos da Bíblia, também, entendem que, nesta fase da vida de Jesus, tenha Ele ficado “órfão” de pai. Com efeito, após este episódio do templo, o nome de José não é mais mencionado nas Escrituras, embora o seja o de Maria, a indicar, portanto, que José não mais vivia. O fato de Jesus ser chamado pelos nazaritas de “carpinteiro” e “filho do carpinteiro” também é um fator a reforçar a tese de que José faleceu durante esta fase da vida de Jesus.

- Tornou-Se, assim, Jesus, ainda em tenra idade,  “arrimo de família”, o responsável pelo sustento de toda uma prole, que não era pequena, já que a Bíblia nos informa que Jesus teve quatro irmãos e um número não mencionado de irmãs (Mt.13:55; Mc.6:3). Não foi uma vida fácil, o que faz com que Jesus Se identifique com todos aqueles que passam por situação semelhante na atualidade. Não é à toa que o profeta Isaías identificou o Messias como um homem “experimentado nos trabalhos” (Is.53:3). O desgaste sofrido por Jesus nesta época de Sua vida é uma das explicações porque aparentava ter Ele mais idade do que efetivamente a tinha, já que, certa feita, quando possuía pouco mais de 30 anos, foi considerado como alguém com quase 50 anos (Jo.8:57). Daí explicar-se porque tenha sido um homem sem parecer nem formosura (Is.53:2). Jesus Se fez pobre em todos os sentidos, para poder Se identificar com os homens. Aleluia!

OBS: Tanto Jesus era o “arrimo de família” que, na cruz, teve a preocupação de entregar Sua mãe aos cuidados de João (Jo.19:26,27).

- No exercício da Sua profissão, Jesus também nos dá um grande exemplo. Foi um exímio profissional. Quando Se apresentou em Nazaré, já no Seu ministério público, é chamado de “o carpinteiro”, ou seja, era um profissional reconhecido na sua cidade. Se é certo que Nazaré não deveria comportar mais de um carpinteiro, o fato é que, não tivesse tido uma adolescência e juventude exemplares, não poderia jamais Se apresentar com autoridade moral diante dos Seus conterrâneos. Além do mais, Justino, o primeiro filósofo cristão e grande defensor da fé, escreve, em 150 d.C., que, no seu tempo, havia notícia de peças de carpintaria que haviam sido feitas por Jesus, peças que eram bem valorizadas, numa demonstração de que Jesus foi um exímio profissional.

- Devemos fazer com que nossos adolescentes também iniciem a trabalhar nesta fase da vida, que aprendam a ser exímios profissionais e tenham noção da necessidade de ganharmos o nosso sustento com o suor do nosso rosto, como determinado por Deus ao homem em virtude do pecado (Gn.3:17-19). A conscientização da necessidade, do valor e da dignidade do trabalho são elementos indispensáveis para que o adolescente possa assumir sua posição na sociedade. Daí porque a imperiosa necessidade de os governos investirem na ampliação de oportunidades para o primeiro emprego, algo que, lamentavelmente, não tem sido desenvolvido por autoridades que mais preferem ter esmoleres que se tornem em eleitores cativos, tendência que nos faz ver a aproximação da ditadura do Anticristo.

OBS: Também aqui os “evangelhos da infância” trazem absurdos que nada têm de base bíblica. No “evangelho árabe da infância”, é dito que José era um mau carpinteiro e Jesus fazia os ajustes apenas estendendo a Sua mão. Sem falar no trono que José teria feito ao rei em Jerusalém e que faltava dois palmos, que apareceram, depois de um “puxão” de Jesus. Que absurdo, pois nega todo o caráter de trabalhador de Jesus, que seria, assim, apenas um mágico…

- As Escrituras mostram-nos, pois, claramente que Jesus passou toda a Sua adolescência e juventude em Nazaré, sustentando a Sua família, plenamente consciente de que era o Filho de Deus, aguardando o momento para Se manifestar ao povo de Israel. Daí porque não haver mais registros a Seu respeito na Bíblia, que é a revelação divina do plano da salvação, não tendo nada de especial quanto a este aspecto durante este período da vida de Jesus.

- Este silêncio bíblico, como não poderia deixar de ser, aguçou sempre a curiosidade humana, dando margem para a imaginação dos homens, quando não para a atuação maligna de distorção e construção de fábulas e mentiras. Não faltaram, pois, estudos e doutrinas a respeito deste período da vida de Jesus.

- Em 1894, por exemplo, o russo Nicolas Notovitch (1858-?) publicou um livro chamado “A vida desconhecida de Cristo” em que, com base em manuscritos obtidos junto ao convento budista de Himis, situado em Lek, capital de Ladak (região hoje dividida entre Índia, China e Paquistão), afirmou que Jesus esteve na região na Sua adolescência, dos 13 aos 29 anos de idade, identificando-O com “Issa”, um “buda” que ali é venerado (“budas” são espíritos iluminados). Este escrito foi difundido pelo movimento teosófico, base da “Nova Era”, que assim via uma forma de mostrar Jesus como alguém que havia sido ensinado no hinduísmo e no budismo. Nada mais absurdo, já que a doutrina de Cristo contraria frontalmente o que teria “aprendido” entre os monges budistas e hinduístas.

- Como se não bastasse isso, os trechos dos manuscritos trazidos por Notovitch apresentam os mesmos equívocos dos “evangelhos da infância”, ou seja, trazem a imagem de um menino prodígio, que falou quando ainda era bebê e que foi considerado como um “super-menino”. Segundo estes manuscritos, porém, quando passou a ser cortejado por famílias nobres e ricas, quando tinha 13 anos de idade, para se casar, embora fosse de família modesta, saiu secretamente de Israel e foi para a Índia. Nada mais absurdo e contrário ao plano de Deus para o homem.

OBS: Reproduzimos trechos destes manuscritos, para conhecimento de todos: “…”Um formoso menino nasceu no país de Israel e Deus falou pela boca deste menino explicando a insignificância do corpo e a grandeza da alma. O menino divino, a quem deram o nome de Isa, começou a falar, ainda criança, do Deus uno indivisível, exortando a grande massa extraviada a arrepender-se e a purificar-se das faltas que havia cometido. De todas as partes as pessoas acorriam para escutá-lo e ficavam maravilhadas diante das palavras de sabedoria que surgiam de sua boca infantil; os israelitas afirmavam que neste menino habitava o Espírito Santo. Quando Isa alcançou a idade de 13 anos, época em que um israelita deve tomar uma mulher, a casa onde seus pais ganhavam o pão, através de um trabalho modesto, começou a ser ponto de reunião de pessoas ricas e nobres que desejavam ter o jovem Isa por genro, pois era ele conhecido em toda parte por seus discursos edificantes em nome do Todo-Poderoso. Foi então que Isa desapareceu secretamente da casa de seus pais, abandonando Jerusalém, e se encaminhou com uma caravana de mercadores para Sindh (Paquistão), com o propósito de se aperfeiçoar no conhecimento divino e de estudar as leis dos grandes Budas.…” (INSTITUTO DE PESQUISAS PSÍQUICAS IMAGIK. Jesus não morreu na cruz. Disponível em: http://www.imagick.org.br/pagmag/themas2/jesusvivo.html Acesso em 05 dez. 2007).

- Todas estas especulações demonstram como tem operado o espírito do erro, como o inimigo tem procurado confundir as pessoas, de modo a que não creiam na verdade e, infelizmente, a rejeição que as pessoas demonstram com relação ao Evangelho as levarão, cada vez mais, a crer na mentira, a se deixarem seduzir pelo espírito do anticristo, pelo mistério da injustiça. Que levemos não só as crianças e adolescentes, mas nós mesmos a verdade a respeito da infância e adolescência de Jesus, a fim de que venhamos a ver nestas faixas etárias da vida de Nosso Senhor não especulações, mas a verdade da humanização do Senhor e o início do cumprimento de Seu propósito: a nossa salvação.

- A Bíblia sintetiza o período da adolescência e da juventude de Jesus de modo magistral: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc.2:52). Prosseguindo o desenvolvimento que tinha na infância, Jesus dava prioridade à sabedoria na Sua vida. Enquanto criança, já foi visto supra, havia um fortalecimento de espírito e busca de sabedoria. Agora, já consciente de Sua condição, Jesus continuava a crescer em sabedoria. Como diz o proverbista: “A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento.” (Pv.4:7).

- Sabemos que a sabedoria é o próprio Jesus (I Co.1:24). Vemos, pois, que Jesus homem procurava encher-Se do Jesus Deus, o que somente era possível por uma vida de comunhão, de santidade, de escolha do bem e rejeição do mal. Nós, também, precisamos buscar com afinco esta sabedoria, que vem do alto, sem a qual não poderemos crescer espiritualmente e ter um caráter digno de um cristão.

- Mas, além do crescimento espiritual, Jesus, também, crescia em estatura. Teve um desenvolvimento biológico como o de qualquer outro ser humano. Jesus passou pela puberdade, teve desenvolvidos seus caracteres sexuais secundários, sem qualquer diferença dos demais homens, não tendo se prostituído por causa disto, num exemplo que deve ser dado aos adolescentes e jovens de nosso tempo, cuja erotização atinge níveis alarmantes e muitos dos quais têm suas mentes impregnadas da idéia de que a impureza sexual é inevitável. Jesus cresceu em estatura, mas, como crescera também em sabedoria, soube manter-se íntegro e fiel ao Senhor apesar das mudanças biológicas.

- Por fim, o texto sagrado nos mostra que Jesus cresceu em graça para com Deus e os homens, ou seja, construiu um comportamento, um caráter, um modo de vida agradável a Deus e aos homens. Tem sido esta a nossa conduta neste mundo? Temos sido pessoas que agradam a Deus e aos homens? Dirá alguém que não se pode agradar aos homens e a Deus simultaneamente, que o mundo jaz no maligno, o que não deixa de ser correto(Gl.1:10). Mas, também, as Escrituras mostram que, naquilo que desagradamos aos homens, se somos fiéis a Deus, será exatamente por termos feito o certo e o correto, admitido pelos próprios homens, embora por eles não seja praticado(I Pe.2:11,12). Embora possamos ser crucificados, como foi nosso Senhor, é indispensável que tenhamos o mesmo testemunho que Jesus teve de Pilatos: “…Não acho nele crime algum.” (Jo.18:39 “in fine”).

- A adolescência é um período de crescimento e, como tal, devemos tratá-lo. Embora seja um período de conflitos, de tomada de consciência, de aflições e angústias, pois se inicia a construção de uma vida, é imperioso que o adolescente seja levado a crescer em sabedoria, além de crescer em estatura, crescendo também em graça para com Deus e os homens. Isto se dá através de uma vida espiritual profunda, de sujeição aos pais, de exercício de uma profissão, de assunção de responsabilidades. É este o exemplo que nos deixou Jesus e só assim, no tempo certo, já na maturidade, teremos homens e mulheres que poderão fazer, na obra de Deus, coisas ainda maiores do que fez o Senhor Jesus (Jo.14:12).

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

A identidade de Jesus

Quem você diz que Jesus Cristo É?[1]

Marcos Antônio Guimarães

 

Eis uma lista de opções possíveis com respeito à verdadeira identidade da natureza e da pessoa de Jesus Cristo:

 

1.       Jesus era apenas Deus (somente uma natureza divina infinita).

2.       Jesus era apenas homem (somente uma natureza humana finita).

3.       Jesus era apenas um anjo (somente uma natureza angelical finita).

4.       Jesus era um homem-anjo (tanto natureza angelical finita como humana finita).

5.       Jesus era e é Deus encarnado (com ambas as naturezas, a humana finita e a divina infinita)

 

     1 – Jesus era apenas Deus (somente uma natureza divina infinita).

 

Jesus nasceu de mãe humana (Gl. 4.4). Cresceu como qualquer outro ser humano (Lc. 2.52). Tinha fome (Mt. 4.4) e tinha sede (Jo 19.28). Sentia cansaço e precisava de descanso (Jo. 4.6). Ficava triste e chorava (Jo. 11.33-35. Sofria  (Jo. 19.1), morreu (Jo. 19.33), e foi sepultado (Jo. 19. 40-42). ele era humano em todos os aspectos que somos, todavia era sem pecado (Hb. 4.15). Por essas razões, vamos desconsiderar a opção 1.

 

     2 – Jesus era apenas homem (somente uma natureza humana finita).

           

Está  muito claro que Jesus declarou ser mais do que meramente um homem. Jesus afirmava existir antes de Abraão (Jo. 8.58) e antes da criação do tempo e do universo. Ele disse diretamente: “E agora, Pai glorifica-me junto a ti,com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo. 17.5). Portanto, a opção 2 também deve ser eliminada.

 

     3 – Jesus era apenas um anjo (somente uma natureza angelical finita).    

 

Algumas pessoas crêem que Jesus era um anjo. A citação a seguir fornece a base por que as Testemunhas de Jeová, por exemplo, insistem quem que Jesus era de fato Miguel, o arcanjo. Em 1 Tessanolicenses 4. 16:Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (Trad. João F. De almeida).

[...] a ordem de Jesus Cristo para a ressurreição começar é descrita como “a voz do arcanjo”, e Judas 9 diz que o arcanjo é Miguel. Seria apropriado assemelhar a chamada dominante de por Jesus com a de alguém inferior a ele em autoridade? É, portanto, razoável que o arcanjo Miguel seja Jesus Cristo.[2]

Em primeiro lugar, o texto inteiro de 1 Tes. 4.16 não é citado. Fazendo uma Observação no versículo citado acima, para ser coerente com seu método interpretativo, as Testemunhas de Jeová deveriam também concluir que Jesus pé uma trombeta, pois o texto diz que Jesus, o Senhor, virá “com’ a voz do arcanjo Miguel e “com” a voz da trombeta de Deus. Se a Torre de Vigia está correta e Jesus virá “como” (e não “com”) o arcanjo, então ele também deve ir “como” (e não “com”)  a trombeta.

Em segundo lugar, na citação acima, observe como a Torre de Vigia se refere à sua conclusão como “razoável”. As Testemunhas de Jeová crêem verdadeiramente que não é razoável concluir que Deus pode tornar-se homem. Mas crêem que é razoável um anjo tornar-se homem. Entretanto, se Miguel de fato tivesse assumido natureza humana, e Jesus fosse realmente um anjo, então com é que ele nasceu de uma virgem? Também, se Jesus era apenas um anjo, ele teve muitas ocasiões para corrigir os judeus com relação a sua identidade. Por exemplo, em Jo. 10.33: Jesus perguntou aos judeus por que eles queriam apedrejá-lo, e eles disseram: “…por blasfêmia, porque você é um simples homem e se apresenta como Deus”. Jesus podia facilmente ter sido direto com eles e dito que ele não era Deus, mas, sim, u anjo, pois em toda ocasião nas Escrituras onde esse oferece adoração a um anjo, ele a recusa.

 

Além do mais, no julgamento perante o sinédrio, o sumo sacerdote disse a Jesus: “Exijo que você jure pelo Deus vivo, se você é o Cristo, o Filho de Deus, diga-nos [...] Ma eu digo a todos vós: chegará o dia em que vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt. 26.63,64). nessa passagem Jesus declara sob juramento ser o messias, O FILHO DE DEUS.

 

Sua referencia futura a si como o filho do homem sentado à direita do Todo-Poderoso é significativa por duas razões: primeira, a Torre de vigia ensina que, quando Jesus usou o título “Filho do Homem”, ele estava-se referindo ao seu estado humano ou terreno. Mas, quando Jesus se refere a Daniel 7.13 (vindo nas nuvens) e o aplica a si, ele estava afirmando ser o filho de Deus, desautorizando a interpretação da Torre de Vigia. Segunda, as Testemunhas de Jeová crêem que, quando Jesus (O filho do homem), morreu, sua morte foi o fim da vida humana de Jesus. Por exemplo, citamos a Torre de vigia:

“Então, que aconteceu ao corpo carnal de jesus? Não encontraram os discípulos seu túmulo vazio? Sim, porque Deus removeu o corpo de Jesus. Por que fez Deus isso? Cumpriu-se  o que havia sido escrito na Bíblia. (Sal. 16:10; At. 2.31) Por isso, Jeová achou bom remover o corpo de jesus, assim como fizera antes com o corpo de Moisés. (Deut. 34.5). também, se o corpo tivesse ficado no túmulo, os discípulos de jesus não poderiam ter entendido que ele havia sido ressuscitado, visto que naquela época não entendiam plenamente as coisas espirituais”.[3]

 

Se  o Filho do  homem, Jesus, tivesse permanecido morto, e se Deus tivesse escondido seu corpo, por que Jesus teria dito que haveria de retornar? Mat. 26. 63,64 faz sentido somente se Jesus ressurgiu dos mortos e retornou como homem ressuscitado. Além disso, e ainda mais importante, observe que, quando jesus disse que retornaria, ele disse que se assentaria à direita do “Poderoso”. Porém, a Torre de vigia faz uma distinção importante entre os títulos “Poderoso” (ou Forte) e “Todo-Poderoso”. Elas acreditam que Jesus, como o anjo Miguel é “poderoso” e que Deus é o “Todo-Poderoso”:

“Devido à singularidade da sua posição em relação a Jeová, jesus é mencionado em Jo. 1:18 (NM) como “o deus unigênito”. [...] Isaías 9:6 (ALA) também descreve profeticamente Jesus como “Deus Forte”, Deus Todo-poderoso”. Tudo isso está em harmonia com o fato de Jesus ser descrito em Jo. 1:1 como um “deus”, ou “divino”…[4]       

 

Se Mat. 26. 63,64 está realmente se referindo a Miguel como o Poderoso,  como Jesus pôde afirmar que no futuro estaria assentado à direita do Poderoso? A Torre de vigia afirmar que Jesus é Miguel. Se o Poderoso é Miguel(e, portanto, Jesus) em vez de o Pai, Jesus não estaria dizendo em Mat. 26.63,64 que seria visto assentado a sua própria mão direita? É Claro que jesus só pode estar se referindo a si mesmo como o Filho de Deus ressuscitado, que estaria sentado à direita (posição de Poder) de Deus Pai. Podemos derrubar a opção 3: Jesus não era um anjo.

 

     4 – Jesus era um homem-anjo (tanto natureza angelical finita como humana finita).

 

Primeiro e mais importante, deve-se observar que Jesus se referiu a si mesmo como Deus e nunca como um anjo. Na verdade, ele criou todos os anjos (CL. 1. 15,16) e todos os anjos o adoram (Hb. 1.16). Segundo, o Novo Testamento nega enfaticamente que Jesus era um anjo. Considere Hebreus. 1. 3-14:

 

 

1:3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,

1:4 tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles. 

1:5 Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho?

1:6 E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

1:7 Ainda, quanto aos anjos, diz: Aquele que a seus anjos faz ventos, e a seus ministros, labareda de fogo;

1:8 mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de eqüidade é o cetro do seu reino.

1:9 Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros.

1:10 Ainda: No princípio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos;

1:11 eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, todos eles envelhecerão qual veste;

1:12 também, qual manto, os enrolarás, e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim.

 

 

3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,  1:4 tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.    1:5 Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho?  1:6 E, novamente, ao introduzir o Primogênito no mundo, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.   1:7 Ainda, quanto aos anjos, diz: Aquele que a seus anjos faz ventos, e a seus ministros, labareda de fogo;   1:8 mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de eqüidade é o cetro do seu reino.  1:9 Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros.  1:10 Ainda: No princpio, Senhor, lançaste os fundamentos da terra, e os céus são obra das tuas mãos;   1:11 eles perecerão; tu, porém, permaneces; sim, todos eles envelhecerão qual veste;   1:12 também, qual manto, os enrolarás, e, como vestes, serão igualmente mudados; tu, porém, és o mesmo, e os teus anos jamais terão fim.

A carta aos Hebreus corrige o pensamento defeituoso a respeito da identidade de Jesus e declara nitidamente a natureza e a pessoa de Cristo como superior. Se Jesus era anjo e homem, então esse texto deveria refletir as duas pessoas – Miguel e Jesus, mas isso não acontece.

 

                Obs: sugiro a leitura do final deste tópico no livro citado

 

     5 – Jesus era e é Deus encarnado (com ambas as naturezas, a humana finita e a divina infinita)

 

O Cristianismo ortodoxo sustenta a crença que Jesus, o “Filho de Deus”, assumiu natureza humana finita e se tornou homem – o deus encarnado. Textos como Fil. 2. 5-8 fazem mas sentido quando entendemos no contexto da união das duas naturezas encontradas na única pessoa, Jesus Cristo. A Bíblia declara claramente:

 

[v.5] Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, [v.6} que embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; [v.7] mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. [v.8] E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte , e morte de cruz!

 

Observe que esse texto não diz que Deus se tornou homem, i.e. Que o infinito se tornou finito.Seria uma contradição lógica dizer que o infinito e o finito existem na mesma natureza. Podemos entender que esse texto diz que “Jesus Cristo , o eterno Filho de Deus, retendo todos os seus atributos divinos, assumiu para si o padrão de conduta volitivo humano quando assumiu para si mesmo todos os atributos essenciais da natureza humana”.

 

 

REFERÊNCIA:

 

GEISLER, Norman  L. BOCCINO Peter. Fundamentos inabaláveis: resposta aos maiores questionamentos contemporâneos sobre a fé cristã:  clonagem, bioética, aborto, eutanásia, macroevolução. São Paulo: Vida, 2003.

 

 

 

Compilado por Marcos Antonio Guimarães




[1]      GEISLER, Norman  L. BOCCINO Peter. Fundamentos inabaláveis: resposta aos maiores questionamentos contemporâneos sobre a fé cristã:  clonagem, bioética, aborto, eutanásia, macroevolução. São Paulo: Vida, 2003.

[2]      Raciocínio à base das Escrituras, p. 219.

[3]      Poderá viver para sempre no paraíso na terra, p. 144.

[4]      Raciocínios à base das Escrituras. p. 214

Jesus, Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus – 4

JESUS, VERDADEIRO HOMEM, VERDADEIRO DEUSRm 1.1-7

Lição 3 – 20/01/2008
Texto Bíblico: Rm 9.5  Dos quais são os pais,   e dos quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.

A TRAJETÓRIA DO ENVIADO DIVINO

1. PELA DESCENDÊNCIA PATRIARCAL

  • Foi prometida – Gn 3.15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
  • Foi profetizada – Jó 19.25 Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.
  • Foi preparada – Is 40.3 Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus.

2. PELA ENCARNAÇÃO HUMANA

  • Despojou-se da sua glória –  Fp 2.6 Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
  • Despojou-se do seu poder – Fp 2.7 Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens
  • Despojou-se do seu querer – Fp 2.8 E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.

3. PELA DIVINDADE ETERNA

  • Foi enfocado Seu poder soberano – Fp 2.9 Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
  • Foi enfocado Seu poder supremo – Fp 2.10 Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
  • Foi enfocado Seu poder exaltado  – Fp 2.11 E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Pr Adilson Guilhermel
www.pastorguilhermel.com.br

Votação de melhores posts de 2007

O blog ComoViveremos está concorrendo no concurso da UBE entre os melhores posts de 2007. Para participar acesse o blog da UBE e dê o seu voto.

PS1. A postagem foi indicada pelo Pr. Altair Germano e Pr. Esdras Bentho.

PS2. O post do [CV] é o número 21.

PS3. Votação até o dia 31/01/08. Corra! 

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Jesus, Verdadeiro Deus, Verdadeiro Homem

JESUS: VERDADEIRO DEUS, VERDADEIRO HOMEM

Rev. Hernandes Dias Lopes

Nenhuma doutrina foi mais debatida ao longo da história que a Cristologia. Vários concílios da igreja se reuniram ao redor desse tema como o concílio de Nicéia, de Constantinopla e Calcedônia. A Palavra de Deus revela-nos que Jesus tem duas naturezas distintas: uma divina, outra humana. Jesus é Deus sem deixar de ser homem e homem sem deixar de ser Deus. Este é um glorioso mistério: o menino que nasceu em Belém e foi enfaixado em panos é o criador do universo, o Pai da eternidade. O Natal, portanto, revela-nos a mais gloriosa de todas as mensagens, a mensagem de que Deus se fez homem e veio habitar entre nós.

1. Jesus é verdadeiro Deus – Jesus é o verbo eterno. Ele pré-existe à criação. Ele não teve origem, ele é a origem de todas as coisas. Antes que todas as coisas viessem a existir, ele já existia eternamente em comunhão com o Pai e com o Espírito Santo. Mesmo se fazendo homem, não deixou de ser Deus. Ele não abdicou de sua divindade ao tabernacular-se entre nós. Mesmo em seu estado de humilhação, revelou seus atributos divinos.

Jesus não foi a primeira criação de Deus como ensinava Ário de Alexandria no século quarto e como prega ainda hoje a seita, “os Testemunhas de Jeová”. Na verdade, Jesus é co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai. Ele é auto-existente e imutável. Ele e o Pai são um. Jesus tem os atributos da divindade: ele é o criador e sustentador da vida. Ele conhece todas as coisas e pode todas as coisas. Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele foi adorado como Deus. Ele reivindicou ser adorado como Deus. Ele realizou obras milagrosas como Deus. Sua vida, seus ensinos e suas obras provam, de forma irrefutável, sua divindade.

2. Jesus é verdadeiro homem – O verbo divino fez-se carne. O eterno entrou no tempo. O infinito tornou-se finito. O senhor se fez servo. Aquele que estava entronizado acima dos querubins foi desprezado pelos homens. Aquele cujas hostes celestes adoravam sem cessar foi cuspido pelos seus algozes. Aquele que é bendito eternamente fez-se maldição por nós e foi traspassado na cruz pelas nossas iniqüidades. Aquele que jamais conheceu pecado foi feito pecado por nós. Aquele que nem os céus dos céus podem contê-lo esvaziou-se e humilhou-se nascendo numa família pobre, num berço pobre, numa cidade pobre e viveu como pobre, sem ter onde reclinar a cabeça. Ele foi verdadeiro homem. Como homem foi sujeito a seus pais. Como homem aprendeu a obedecer. Como homem sofreu cansaço, sede, fome e finalmente foi preso, açoitado e pregado na cruz, onde morreu. Como homem ele se identificou conosco e morreu a nossa morte para vivermos a sua vida.

Se Jesus não fosse Deus não poderia oferecer um sacrifício de valor infinito. Se não fosse homem não poderia ser o nosso substituto. Porque é Deus e ao mesmo tempo homem pode ser o mediador entre Deus e os homens. Porque é Deus-homem pôde fazer um sacrifício perfeito, capaz de expiar a culpa de todo aquele que nele crê.

Quando os magos do Oriente vieram a Belém e adoraram a Jesus colocando aos seus pés seus presentes: ouro, incenso e mirra estavam reconhecendo que ele era divinohumano. Ele é o Rei supremo, o sumo sacerdote e o maior de todos os profetas. Ele é o rei que, por ter se humilhado foi exaltado acima de todo o nome que há no céu, na terra e debaixo da terra. Ele é o sacerdote que ofereceu um único sacrifício perfeito e cabal ao dar sua vida em nosso resgate. Ele é o profeta e o conteúdo da mensagem. Ele é a Palavra encarnada de Deus, a exegese mais eloqüente do amor gracioso do Pai.


Rev. Hernandes Dias Lopes

Fonte: http://www.hernandesdiaslopes.com.br/?area=show&registro=424

Jesus esvaziou-se da sua divindade ou da sua glória?

Em referência a passagem de (Fl 2,1-11), Jesus esvaziou-se da sua divindade ou da sua glória?

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